QUERO VOLTAR PARA CASA

Triste ver quem foi sempre “atividade” e amor

Presença, sorriso e luz definhar dia a dia

Aparelhos de todo tipo mantendo a “vida”

Respiram, se alimentam, excretam por aparelhos

Estão vivos!

Gemem, roncam, dormem, choram, desconhecem a todos

Memórias antigas, arrependimentos, saudades

Não existe mais o hoje, o amanhã, apenas a carga do ontem

Leve ou pesada, é a que carregam…

Leve ou pesada são a “carga” de alguém

Será que sonham?

Se pudessem escolheriam ir embora?

Deveríamos poder dizer “cansei de brincar, vou para casa”

Essa brincadeira já está machucando, perdeu a graça

Quero pegar o caminho de volta, ou pra frente, tanto faz

Desde que me leve de volta para casa, para o aconchego do Pai

Uma escolha que não nos é permitida

Nem para conosco mesmos, sem sermos “interditados”

Nem para com aqueles que amamos

Sem sanções legais, religiosas, espirituais, emocionais, psicológicas

Deveríamos poder sair de campo, do jogo

Enquanto ainda pudermos escolher, sem manchas no “currículo”, sem humilhações

Escolher a hora do apito final, humanamente, mesmo no zero a zero

Quero poder escolher a hora de voltar para casa!

Alda M S Santos