Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Tag

travessia

Travessia

TRAVESSIA

A ponte está aí, convidativa

A gente olha, fica tentado

Rústica, bela, longa, atrativa

Mas tenta enxergar do outro lado

A ponte a nós se apresenta

E se não pudermos pegar o caminho de volta?

Aqui, mesmo confuso, já é conhecido

Será que pode haver uma reviravolta?

Que haverá do outro lado

Dor, luta, sofrimento, morte, partida

Apenas uma continuidade disso tudo aqui

Ou haverá mais união, amor, compaixão, vida

Preocupações, tentações, medos e vontades, sedução

Sentimentos que lutam dentro da gente

Enquanto isso, sequer percebemos ou notamos

Que isso tudo é simbolismo, somos a ponte, a evolução…

Essa travessia não é escolha

Nós a fazemos sem perceber

Ela acontece à nossa revelia

Quando vamos ver, já acabou o viver…

Alda M S Santos

Pontes

PONTES

Há pontes que nos levam

Outras nos trazem de volta

Tão bom ir, desbravar

Conhecer, buscar, se inteirar

Descobrir mundos e pessoas

Amar, aprender, ensinar, saberes trocar

Mesmo que nos causem medo de transitar

Mas bom mesmo é aquela ponte

Que pegamos para voltar

E é só nossa essa travessia

Esse delicioso, por vezes, doloroso caminhar

Quase sempre cansativo retornar

Pontes que nós mesmos (des)construímos

Não ficam prontas a nos esperar

Mas que são erguidas com maestria

Quando impera o desejo de regressar

E descobrir, finalmente, que ali é nosso lugar…

Alda M S Santos

Ponte: uma saída

PONTE: UMA SAÍDA

Uma ponte sempre é uma boa opção

Une pontos, encurta caminhos

Aquela que nos leva de cá para lá

Que nos tira de algo não mais desejado

E nos leva para o almejado

Uma ponte nunca é o destino, apenas a passagem

Mas cada qual a vê de um modo

Pode ser bonita, tranquila, bem aproveitada

As saídas enxergadas ali são variadas

A disposição para seguir, idem

Uns a atravessam em busca do novo

Alguns querem voltar, na contramão

E outros se lançam dali, do alto

Entregam os pontos, desistem

Veem apenas o fim de uma dor…

Que não fiquemos estacionados na ponte

Que ela nos aponte vida, luz, esperança e paz!

Alda M S Santos

Quero voltar para casa

QUERO VOLTAR PARA CASA

Triste ver quem foi sempre “atividade” e amor

Presença, sorriso e luz definhar dia a dia

Aparelhos de todo tipo mantendo a “vida”

Respiram, se alimentam, excretam por aparelhos

Estão vivos!

Gemem, roncam, dormem, choram, desconhecem a todos

Memórias antigas, arrependimentos, saudades

Não existe mais o hoje, o amanhã, apenas a carga do ontem

Leve ou pesada, é a que carregam…

Leve ou pesada são a “carga” de alguém

Será que sonham?

Se pudessem escolheriam ir embora?

Deveríamos poder dizer “cansei de brincar, vou para casa”

Essa brincadeira já está machucando, perdeu a graça

Quero pegar o caminho de volta, ou pra frente, tanto faz

Desde que me leve de volta para casa, para o aconchego do Pai

Uma escolha que não nos é permitida

Nem para conosco mesmos, sem sermos “interditados”

Nem para com aqueles que amamos

Sem sanções legais, religiosas, espirituais, emocionais, psicológicas

Deveríamos poder sair de campo, do jogo

Enquanto ainda pudermos escolher, sem manchas no “currículo”, sem humilhações

Escolher a hora do apito final, humanamente, mesmo no zero a zero

Quero poder escolher a hora de voltar para casa!

Alda M S Santos

Morrer, como será?

MORRER, COMO SERÁ?

Como será o momento da morte?- perguntou-me o idoso meio curioso, amedrontado.

Não sei!-respondi! Nunca morri!- brinquei.

Mas você viverá muito ainda! Não se preocupe com isso, viva a vida- aconselhou-me.

Certamente tudo que a gente fez nessa vida passa pela nossa mente- continuou.

As oportunidades perdidas, os erros “humanos” cometidos,

Os que conseguimos ajeitar, ou aqueles que causaram danos irreversíveis.

Acho que temos medo é das contas a prestar- falou meio sorrindo.

Se passa tudo pela mente, o melhor modo é nos concentrar nas coisas boas que fizemos,

Naqueles que amamos, que nos amaram- falei para ele

E quando assustarmos, nossos olhos terão se fechado aqui,

E só se abrirão do outro lado- sorri e fiz um gesto teatral.

Talvez mais alegre e colorido que esse mundo cinzento- ele disse por trás de seus olhos também cinzentos…

Ou não! -finalizou!

Esse é um caminho cuja travessia fazemos sozinhos….

Como será o momento final?

Alda M S Santos

Pontes

PONTES

Pontes são convites, são chamados

Elos a permitir a ida de um lugar a um ainda não-lugar

Aquele que vemos apenas pelas frestas das persianas de nossa mente

Apresentar o desconhecido ao conhecido

Possibilitar o novo, encorajar

Passarelas ou pinguelas, as físicas ou as mentais

Assustadoras para muitos, paralisantes

Fundamentais para tantos…

Necessárias onde há falhas no caminho, obstáculos, interrupções

Rios, mares, montanhas, abismos

Aqueles da natureza ou dentro da gente

Não vale é ficar parado onde já esgotou possibilidades

Ou no meio da ponte a impedir o caminho dos outros

Ou ainda esperando até as forças faltarem para a travessia

Encontrar pessoas ponte, pessoas pinguela

A nos dar as mãos, acalmar nossos medos

Encorajar cada passo na pinguela

“Em frente, não olhe para baixo”

“Um passo de cada vez, tá quase lá, estou aqui”

São ouro num mundo tão cheio de muros…

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: