POR DETRÁS DAS NUVENS
Um céu pesado e acinzentado, quase assustador,
nuvens escuras, silenciosas, a postos,
ameaçam tempestades com ventos ruidosos.
Mas atrás delas, não dorme o Sol;
espera, calmo, o momento de brilhar,
deitado em brancas nuvens por ora escondidas.
Segue fazendo o que sabe: aquecer e iluminar,
ser a esperança de todo ser vivente.
Assim como Seu Criador,
é nele que depositamos nossas emoções…
Alda M S Santos
O DESAFIO
Lá fora pode haver imensa tempestade
Nuvens escuras, caos, coração pede piedade
Desafio é manter cá dentro a calmaria
Não se deixar levar pela dor e melancolia
No exterior há tanta doença e desesperança
A luta é contínua para manter a perseverança
No interior precisa reinar a paz, o sossego
Fazer na alma um carinho, um chamego
Grande desafio é conservar o amor, a bondade
Num mundo tão cheio de mentira e vaidade
Onde impera o sobrepujar o outro, a maldade
Meu desafio é manter minha essência
Não me deixar levar pela aparência
Ser melhor, evoluir, deixar o bem em evidência
Alda M S Santos
O
RELÂMPAGO
Uma luz ilusória, por vezes assustadora
Não dura, só um flash, arrebatadora
Fugaz, rápida, acompanhada de muito barulho
Remexe com nossos medos, nossos entulhos
Relâmpagos são prenúncio de tempestade
Luz que não ilumina, não trazem verdade
São alerta que algo difícil se aproxima
Nessa luz não dá para confiar, ela alucina
Há relâmpagos nas tempestades internas
Descargas emocionais viram uma baderna
Urge arrumar tudo, organizar nossa caverna
Prefiro a luz das estrelas, do Sol, da Lua
Apazigua a alma, que se mostra toda nua
E se (re)encontra numa vida que é só sua
Alda M S Santos
PLANTANDO VENTOS
Dito popular: quem planta vento colhe tempestade
Será mesmo assim na realidade
E se semear uma brisa, um ventinho
Será que vou colher frescor, um carinho?
Se planto egoísmo, desânimo, tristeza
Certo que na colheita não haverá muita beleza
Mas se planto uma ventania de afeto e calor
Ah, quero colher um tornado de amor!
Não há dúvida que estamos sempre plantando
Todo o tempo, até sem saber, semeando
Passado, presente e futuro se encontrando
Quero plantar só bondade, beleza e amor
Mas se em minha imperfeição, impossível for
Posso pedir para replantar, por favor?
Alda M S Santos
OCEANO PROMISSOR
Passarinhos nas tempestades recolhem-se nos ninhos
Famílias em dificuldades abraçam- se, juntinhos
Amigos nos revezes discutem, debatem, se acolhem
Mesmo que de angústias e lágrimas se molhem
Se o passarinho saiu ou foi expulso
Na tempestade ele morre ou aprende a viver só
Se um membro da família não se junta, sofre de dar dó
Se um amigo erra ou não se faz entender
É papel do outro sempre amar e acolher
Se a vida fosse feita só de dias bonitos
Não haveria necessidade de silêncios ou de gritos
A sabedoria está em não abandonar o barco
Ainda que ele esteja inundando seu coração de dor
E o oceano escuro lá fora pareça mais promissor
Logo irá amanhecer, novos rumos, novo viver
Mais forte e resistente pelas lambadas que a vida oferecer
Alda M S Santos
GAROA OU TEMPESTADE
A vida é feita de chuvas, numa bela analogia com a natureza
Ora sereno, garoa, chuvinha constante
Ora tempestades fortes e passageiras
Assustam e encantam por sua grandeza
Mas, como toda tempestade, muitas vezes trazem destruição
Trazem também sabedoria, despertam em nós o desejo de reconstrução
Todas elas têm seu propósito renovador
Mas bom mesmo é a chuvinha calma e constante
Aquela que nos mantém irrigados todo o tempo
Aquela que abastece nossos lençóis freáticos
Aquela que é aconchego e repouso no inverno seco
Aquela que nos salva sem destruir, sem nada derrubar
Há empregos, amizades, amores, situações tempestade
Cumprem seu propósito de alerta e ensinar e se vão
O que fica é o que é verdadeiramente duradouro
Nossos dons, nossa família, nossas amizades, nossa fé
Esses são a chuvinha fina que vale toda uma vida
Alda M S Santos
VERDE-VIVO
A chuva fora torrencial, derrubara árvores, ninhos e sonhos
Pássaros saíam a cantar, comemorando o que restou de bom
Humanos se fechavam a reclamar, contabilizando o que perderam
A chuva ainda insistia, agora leve, fininha
Mas o sol se infiltrava, sem pedir licença, soberano, dono da vida
Renovando calor e colorindo de verde-vivo a esperança
Como alguém que tenta sorrir banhado em lágrimas
Formando um arco-íris maravilhoso escorrendo no rosto
Como a árvore que brota sob o corte do machado
É a vida mostrando sua força, suas faces e fases
É a natureza vital se impondo…
Se não fomos o “machado” que destruiu a vida
Que derrubou florestas inteiras ou jardins
Ou até mesmo uma flor
Sempre mais fácil seguir
Se fomos, vamos reconstruir…
A vida sempre se impõe!
Alda M S Santos
SATURANDO
A dor nem sempre é aguda como os raios que riscam de prata o céu escuro
A dor nem sempre faz barulho como os trovões que fazem tremer tudo abaixo das nuvens
A dor nem sempre é de devastação pontual e rápida como tornado ou tsunami
A dor, muitas vezes, pode ser crônica, fininha, contínua, persistente
Como a chuvinha silenciosa que cai insistente na terra já saturada
Atinge fundo, vai encharcando pouco a pouco
Com avisos ignorados ela vai pesando, trincando, rachando, devastando
Até que provoca grandes deslizamentos dos morros e encostas mais resistentes…
Quem vigia apenas as grandes tempestades
Acaba sendo atingido, levado pela garoa insistente e persistente
Como as dores crônicas físicas ou emocionais nossas de todo dia…
Alda M S Santos
TEMPESTADES DE FORA E DE DENTRO
A tempestade parece devastar o mundo lá fora
Barulho ensurdecedor, ventos uivantes
Granizo forte e gelado, doloroso
Atinge em cheio tudo que encontra pela frente
Destrói, amassa, assusta
Mais assustadora por ser fora de época
Relâmpagos riscando de luz o céu escuro
Uns, dormindo, acordam assustados
Outros sequer acordam…
Muitos, expostos nas ruas, tentam se abrigar, se proteger
Outros, caminham na chuva, se encharcam, levam “pedradas”
Será que também não acordaram?
Ou será exatamente por terem acordado? Não sei…
Muitos questionam o porquê dessa tempestade em pleno inverno
Sequer lembram que a loucura das tempestades se deve às insanidades humanas
Quantas vezes nós mesmos ignoramos alertas
Destruímos nosso planeta, poluição gerando superaquecimento global
Descuidos conosco gerando indiferenças
As tempestades não surgem do nada
Sempre vão dando sinais que fingimos não ver
Tanto aquelas no mundo lá fora ou no mundo cá dentro
E quando ela chega a gente se abriga e espera passar
Salva o que puder salvar
Ou sai às ruas e enfrenta o vendaval e as pedradas…
De todo modo, danos sempre existirão pós-tempestade
Avaliar o que restou, reconstruir o que foi destruído
Acostumar-se, “superar” o que não puder ser reconstruído
Devido a terrenos arenosos e frágeis
E aguardar a próxima, mais experientes para enfrentá-la
Com mais cuidados e proteção, sem os mesmos erros
Certamente parecerá menos dura, menos devastadora
Apenas uma chuva refrescante e deliciosa na qual vale a pena dançar
E amar…
Será?
Alda M S Santos
NAUFRÁGIOS
Em naufrágios, quando ficamos à deriva
Não importa o tamanho da embarcação
Ou o valor da carga transportada
Navios, escunas, barquinhos…
Depois de tudo lançado ao mar pela força da tempestade
O que temos de mais valioso e poderá nos salvar é a tripulação
E o que trazemos dentro de nós…
Alda M S Santos
TEMPESTADE SE ARMANDO
Nuvens escuras se atropelam no céu
Numa corrida frenética e assustadora
Pássaros se recolhem desarvorados
Mulheres correm a recolher roupas na cerca
Folhas parecem ter asas na forte ventania
Crianças brincam nos redemoinhos de poeira felizes
Beija-flores fazem uma refeição na flor que balança
Um pai chama o filho para dentro
Um boi muge ao longe, cães procuram abrigo
Macacos gritam na mata, uma seriema passa correndo
As árvores sabiamente dançam ao sabor do vento,
Sabem que não adianta resistir…
Relâmpagos riscam o céu, trovões gritam sua força
E a água cai forte e certa do que está fazendo…
Molha, lava e leva tudo numa beleza impressionante
A terra absorve o que dá conta e deixa ir o que sobra
Confia que tudo está em seus devidos lugares…
Quiséramos ter a sabedoria da natureza!
A tudo observo maravilhada, sinto-me parte
Levanto da rede, deixo o livro, e vou passar um café…
Aceitam?
Alda M S Santos
IM OU EXPLOSÃO?
Implosão, explosão, ambas destruidoras
Derrubam, desmancham, apagam, zeram
Em se tratando de pessoas
Qual a que causa menos mal?
Explodir, quase sempre com os outros
E tudo que nos incomoda, machucar
Queimar tudo!
Implodir, para dentro de nós mesmos,
Estourar para o nosso interior,
Arrefecer por falta de alimento, de oxigênio, ferir-se
Como aqueles espirros contidos…
Qual o menos danoso?
Im ou explodir?
Alda M S Santos
TEMPESTADES
Tempestades quando vêm saem arrastando e levando tudo
Como no leito de um rio
As águas e ventania levam consigo plantas, peixes, pedras
Saem arrastando as matas ciliares, revolvem tudo.
Fauna e flora sofrem,
O curso d’água se perde, se suja, se mistura a outras águas.
Mas a tempestade uma hora passa, qualquer hora passa,
E o leito do rio deve ser reconstruído.
Recolher o que de bom sobrou, chorar pelo que morreu,
Alegrar-se pelo que ficou, sofrer pelo que se foi…
E organizar novamente o que for possível.
O rio será sempre um rio,
Mas um rio que passa por uma tempestade
Nunca mais será o mesmo!
Alda M S Santos
VENTOS
Brisa, ventinhos, ventanias, tempestades, tornados…
Alguns agradáveis como a brisa suave ou os ventinhos,
Encantadores como as ventanias,
Toleráveis como as tempestades,
Assustadores e destruidores como os tornados…
Todos têm como base os ventos,
A intensidade com que acontecem.
Quase sempre temos que enfrentar todos eles em nossas vidas,
Podemos ser cada um deles em momentos diferentes!
Há pessoas brisas, ventanias, tempestades e tornados.
Vamos aprendendo a identificar os sinais, os alertas,
Com os quais podemos lidar,
E quando sair para o tempo e curtir,
Ou nos fecharmos dentro de abrigos subterrâneos
E aguardar nova calmaria.
A vida vai ensinando…entre sorrisos e lágrimas…
Alda M S Santos
SOBREVIVÊNCIA
Após toda tempestade fazemos um levantamento minucioso dos prejuízos, verificamos o que não foi levado pelo vento ou pelas águas, o que ficou de pé, intacto, ou apenas com pequenas avarias.
Buscamos o que sobrou, o que precisa ser reconstruído e o que não vale a pena trazer de volta.
Queremos encontrar sobreviventes.
Nas nossas próprias tempestades acontece o mesmo.
Como náufragos, sós, buscamos o que restou.
Tentamos sobreviver!
Boas pessoas são levadas. Tantos bons sentimentos parecem morrer, se extinguir, deixam de existir ou não são aparentes mais…
Como em toda tempestade, o que é forte e verdadeiro fica, não é levado pelas águas ou circunstâncias alheias a nós.
Podem sofrer danos, se arranhar, machucar, tornar-se fosco, mas um pouco de limpeza, atenção e cuidado trará o brilho novamente. Pode ser um móvel, imóvel, pessoa, amizade, amor…
Não adianta tentar salvar o que está danificado demais ou que não quer ser salvo. Perda de tempo e energia.
Toda tempestade tem seu propósito. Uma casa, carro, pessoas ou sentimentos que não enfrentaram tempestades, não tiveram sua força e resistência postas à prova. Não têm garantia de durabilidade.
O que não queremos que seja levado pela tempestade fortalecemos suas bases, alimentamos suas raízes.
Importante saber que toda tempestade deixa algo de bom, irriga nossas emoções, aproxima do que é verdadeiro.
O que não nos mata nos fortalece, nos torna mais fortes e sábios para as próximas tormentas.
Somos sobreviventes!
Alda M S Santos
TEMPESTADES
Tempestades…
Elas chegam, quer a gente espere ou não
Goste ou tema, elas vêm.
Mas também sempre vão, cedo ou tarde.
O tempo de duração
E o estrago deixado dependem de nós.
É preciso encontrar apoio pra enfrentá-la
Para não ficarmos ao sabor do vento.
Nunca é bom estarmos sós!
Em campo aberto,
Expostos à sua fúria, é risco certo.
Busquemos o ponto mais alto
Em nossos corações
No carinho de uma boa amizade,
Na doçura de um grande amor,
No aconchego de uma família unida,
No repouso do colo de nosso Pai,
Poderemos encontrar o apoio necessário.
Lá no alto, quando menos esperarmos
Veremos que o céu voltou a ser azul
O sol voltou a brilhar
A brisa é suave, a vista é linda…
O estrago foi pouco.
E nossos “apoios”,
Preciosos em nossas vidas
Nos ajudarão a reconstruir.
Alda M S Santos
TEMPESTADES INTERNAS
Toda tempestade costuma ser, se não anunciada, no mínimo, armada aos poucos. Muito calor, muita umidade, muita evaporação, aí é só aguardar.
Quanto mais tempo de evaporação, maior a quantidade de água na atmosfera, mais carregadas serão as nuvens
Quando vier o resfriamento, mais forte, torrencial, assustadora a chuva será.
Nossas tempestades internas também são anunciadas, armadas, formadas lentamente.
O problema é que as ignoramos. Às vezes, alguns nos alertam: de
“Se trabalhar tanto vai adoecer”, “sorria mais e se estresse menos”, “não acumule angústias, raivas”, “desfrute de lazer, passeie”, “não gaste tanto, seu orçamento vai estourar”, “beba menos, vai desgastar sua imagem”, “evite tensões, ciúmes de qualquer tipo”, “ame e aceite amor”, “amor exagerado e não vivido também estoura”…
Tudo que vamos acumulando em nosso interior tem o mesmo efeito que as gotas d’água que evaporam e vão para a atmosfera.
Nossas nuvens emocionais estão agora negras e pesadas. Quando vier um resfriamento ou detonador qualquer nossa tempestade desabará torrencialmente.
Pode fazer muito barulho, ou não, mas chama a atenção. Desabamos junto, literalmente.
Muita água rola, muitas lágrimas, muita dor, rebeldia, revolta, depressão.
A diferença é que ninguém questiona a chuva. Ela é bem vinda, não presta contas a ninguém.
Já nossa “chuva” é questionada por todos. Principalmente se vier forte e atingir terrenos alheios, o que quase sempre acontece.
Mas quando ela cair, não tem jeito. Deixe rolar… Chore tudo que tem direito, brigue, fale, se abra… Se aliviar, chore na chuva, as águas confundirão os curiosos!
Para reparar os danos, depois das águas passarem, desculpe-se, procure um médico, um amigo, quem tiver que ser, se aprume e prepare-se. Sempre desabarão novas tempestades.
Com a lição aprendida, poderemos reduzir a formação, amenizar a força e controlar os danos das próximas.
Alda M S Santos
ELE ESTÁ NO ARCO-ÍRIS
Desconheço quem seja capaz de ignorar a beleza das cores, da luz e da vida que um arco-íris irradia.
Por mais forte que tenha sido a tempestade, quando ele aparece tudo se renova! É o modo de Deus nos dizer que tudo ficará bem.
Se pudéssemos pensar nas lindas cores durante a tormenta, passaríamos mais incólumes por ela.
Se fôssemos capazes de sentir Deus, tanto na tempestade quanto no arco-íris, teríamos mais fé, mais força, seríamos mais felizes. Quem passa pela tempestade valoriza mais o arco-íris!
Vê-Lo no arco-íris é fácil! Identificá-Lo na tempestade é bênção! Obter aprendizados de ambos é dádiva: Ele não nos abandona nunca!
Alda M S Santos