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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Amor

PRIMAVERANDO

PRIMAVERANDO

Doce expectativa, espera tranquila

Raízes que se desenvolvem e grudam no tronco da mangueira

Buscam ali os nutrientes que precisam para crescer

Sem causar danos, perfeita harmonia

Numa manhã, alguns botões surgem

Se abrem para a luz, para o calor do sol

Tal qual meu sorriso a saudá-las

Brancas, lilases, rosas, amarelas e mescladas

Passo a vigiar, parecem demorar mais

Noutra manhã, mais cores, perfume, ternura

Beleza pura e delicadeza que encantam

Que necessitam para ser tão belas assim?

Precisam antes terem sido plantadas no coração

No desejo de quem as ofereceu ou recebeu

No carinho de quem cuidou e por elas esperou

Precisam do tempo, do repouso, da paciência, da reclusão

Fases que a maioria não nota, sequer considera

Querem apenas a beleza da flor, que antes foi raiz, galhos, folhas

Quem curte apenas a orquídea em flor perde todo um processo de vida

Que germina, brota, cresce, luta pela sobrevivência

A flor é mesmo bela, digna de admiração e encanto

Mas quem acompanha todas as etapas do desabrochar, do primaverar

Sabe mesmo ser jardim!

Vale para jardins de flores ou de pessoas…

Alda M S Santos

Umbigo enterrado

UMBIGO ENTERRADO

Diz-se de um lugar que a gente gosta muito

Que nosso umbigo foi ali enterrado

Que não conseguimos nos afastar

Meu umbigo foi repartido e enterrado em vários lugares que amo

E esse é um deles: a escola que completa 30 anos de existência

Dos quais fiz parte de 26 deles…

Aqui fiz do meu trabalho, do meu ganha-pão, a minha alegria

Aqui me diverti, eduquei, fiz amizades maravilhosas

Deixei marcas, fui marcada por crianças e adultos especiais

Meu umbigo está aqui!

Parabéns EMVAM, na pessoa de professores, funcionários, alunos e pais…

Alda M S Santos

Pedra, papel e tesoura

PEDRA, PAPEL E TESOURA

Pedra, papel e tesoura

Nessa divertida brincadeira de criança

Que aprendemos no grande quintal da infância

E, gostando ou não, levamos para os “tabuleiros” da vida

Buscando sempre o aliado mais forte

Para poder vencer e cantar vitória

Melhor é não ficar de bobeira, pois a vida é passageira

A sorte conta um pouco, a sabedoria vale mais

No vai e vem, no se esconde e se mostra

Vence aquele que não acredita-se invencível

Que não subestima o adversário

Que sabe que todos têm pontos fortes e frágeis

E que a vitória é transitória e temporária como brisa

Depende do adversário a enfrentar

E, muitas vezes, não vale o preço a pagar

Se custa nossa paz de espírito ou se destrói a de alguém

Pedra, tão dura, tão forte

Destrói a tesoura, que corta o papel

Mas perde para o papel que, maleável, a embrulha…

Todos podemos vencer

Todos podemos perder

Nada nem ninguém é tão forte

Que nunca possa perder

Nada nem ninguém é tão frágil

Que nunca possa vencer

Pedra, papel ou tesoura?

Tudo vai depender de você!

Alda M S Santos

Presente

PRESENTE

“Abre bem as portas do seu coração

E deixe a luz do céu entrar…”

A harmonia é conquistada no dia a dia

Na fé e na esperança que se demonstra

No carinho compartilhado, nas bênçãos recebidas

Na capacidade de doação e entrega

No respeito mútuo e na aceitação do que somos, do que temos

Deus nos presenteia todo o tempo

Muitas vezes com o mesmo presente, que tantas vezes desconhecemos

Vamos abrir nosso embrulho diariamente

Nossa família, nossa vida, nosso amor…

Alda M S Santos

Instrumentos

INSTRUMENTOS

Somos instrumentos todo o tempo

Isso não é prerrogativa nossa

Não temos escolha

Porém, o tipo de instrumento que seremos

Isso só nós podemos optar

Ser aquele que não se importa

Ser aquele que só reclama, distribui discórdia e julgamentos

Ou, ao contrário, deixar o amor brotar e crescer

Semear leveza, plantar bondade

Auxiliar a reconciliar aqueles que estão meio divididos ou em desarmonia

Ser aquele que leva um sorriso de luz

Uma palavra de sensibilidade e compaixão

Um abraço quente que acalma

Uma mão que se estende e se doa, com humildade

Um olhar que acolhe e transmite paz…

Ser aquele que vale a pena conviver

Ser aquele que de verdade enxerga o outro

Pois só assim somos capazes de enxergar a nós mesmos…

Isso é amor fraternal!

Por ele vale a pena viver ou morrer…

Alda M S Santos

Um dia prometemos

UM DIA PROMETEMOS
Um dia prometemos que seria para sempre
Como prometemos tantas outras coisas
Que nunca deixaríamos o papai e a mamãe
Que nunca gostaríamos de um menino ou menina
Que beijar na boca é “eca”, que nunca faríamos isso
Que aquela amizade da infância nunca acabaria
Que os confidentes da adolescência seriam eternos amigos
Que aquela vocação seria nossa profissão
Que o primeiro namorado seria amor infinito…
Que o casamento seria até que a morte os separasse…
Que criaríamos nossos filhos para o mundo…
Na verdade o que realmente queríamos dizer é que gostaríamos que assim fosse
O que sentíamos como eterno naquele momento
O que se eternizou em momentos maravilhosos e inesquecíveis
Mas para tudo ser igualzinho ao momento da promessa
O tempo precisaria parar, e isso não acontece
Gira, rápido ou devagar, pessoas e situações mudam
E muitas vezes nos culpamos ou culpamos os outros…
Creio que a promessa que deveria valer para cada um de nós seria:
Acompanhar juntos os giros do mundo, não estacionar
Sendo fiel a nós mesmos, aos nossos sentimentos
Sem desrespeitar os sentimentos de ninguém…
Entendendo que mesmo que o amor se modifique, não diminui necessariamente
Que para mantê-lo saudável precisamos renová-lo, hidratá-lo, nutri-lo, cuidá-lo
Como fazemos com tudo que é vivo…
Um dia prometemos…
Alda M S Santos

À vontade

À VONTADE

Tão à vontade num chinelo de dedos

Quanto num salto Luiz XV

Tão confortável num moletom surrado

Quanto num vestido de gala cheio de brilhos

Tão sensual num baby-doll de algodão de florzinhas

Quanto numa lingerie de seda vermelha

Tão em paz num salão barulhento e dançante

Quanto no silêncio debaixo do edredom assistindo uma comédia

Tão satisfeita diante de um prato de arroz, frango com quiabo e angu

Quanto num restaurante degustando caviar

Tão alegre num voo para um destino paradisíaco e deslumbrante

Quanto na rede da varanda de uma casinha na roça

À vontade todos nós sempre buscamos estar

E estaremos somente quando encontrarmos a paz dentro de nós

Estar confortáveis e satisfeitos em qualquer situação do mundo

Não tem muita relação com o exterior

Estar à vontade no mundo e com os outros

Implica estar à vontade consigo mesmo em primeiro lugar

Isso nem sempre é fácil ou tranquilo, é vai e vem

É busca sem fim, constante, para a vida toda…

Alda M S Santos

Orquestra

ORQUESTRA

Muitos são os tipos de instrumentos

Violões, pianos, violinos, teclados e baterias

Saxofones, oboés, flautas, tambores

Tão diferentes entre si, mas com o mesmo propósito

Produzir um som melodioso e harmônico

Cativar, encantar, maravilhar…

Não importa qual tipo de instrumento é:

De corda, de sopro, de percussão…

Todos são importantes, todos podem fazer uma bela “apresentação”

O que dá o diferencial numa orquestra é a harmonia entre os instrumentos

A afinação e sintonia que fazem uma bela canção

Sob a batuta do maestro experiente que extrai o melhor de cada um

E os utiliza nos momentos mais adequados

Graves ou agudos, grandes ou pequenos, altos ou baixos

Todos são essenciais…

Entendêssemos e aplicássemos essa complementariedade de uma orquestra às nossas relações

Usando a batuta de modo harmônico às diferenças dos “instrumentos” de nossa vida

Teríamos um viver mais belo, em sintonia e harmônico

Mais feliz e encantador…

Alda M S Santos

*foto: meu filho Pablo tocando

Ecos de amor

ECOS DE AMOR

Na beira do nada tudo que é lançado se propaga

Mas se encontra qualquer “obstáculo”

Há reflexão instantânea do que é emitido

Tal qual eco que reverbera ao ouvinte pouco depois do som direto

Tal qual bumerangue que retorna para as mãos do emissor

Tal qual o mar que devolve na areia tudo que recebe

Se o que se emite é dor há reflexão de dor

Se o que se lança é amor é amor que voltará

Nem sempre tão rápido quanto o eco

Mas tudo que emitimos acaba por nos retornar

Pode reverberar e voltar em confusas reflexões

Meio inaudíveis ou incompreensíveis

Talvez nos confunda no retorno, mas volta

Emissões de pessimismo trarão ecos de apatia e desânimo

Sons de um “eu te amo” sempre retornarão como ecos de amor

Ainda que disfarçados de carinho, compaixão, sorriso ou saudade…

Sons de amor, ecos de amor

Sempre!

Alda M S Santos

Blindados?

BLINDADOS?

Há como nos blindar dos golpes da vida

Ou sempre existirá algo a nos ferir

Até mesmo dentro de uma bolha

Para onde, vez ou outra, preferimos fugir?

Um amigo doente, alguém querido ausente

O emprego que falta, a injustiça que maltrata

Famílias que tentam se preservar, unidos para não tombar

Velhos esquecidos, largados, crianças com um péssimo legado

Alguém que decepciona, a fé que às vezes abandona

A morte que não tem critérios, a vida com poucos refrigérios

Humanos vivendo blindados pelo egoísmo

Humanos atingidos pelo próprio individualismo

Blindados?

Até quando vamos querer nos blindar da vida

Sabendo que é assim, absorvendo tudo que ela apresenta

Do jeito que damos conta, golpeando ou sendo golpeados

Que ela é verdadeiramente vivida?

Alda M S Santos

Enquanto existir o amor

ENQUANTO EXISTIR O AMOR…

Enquanto existir o amor, existirá vida

Casamentos acontecerão, igreja, vestidos de noiva, beijos,

Valsas, alianças, damas, bolo e bouquets, luas de mel

Alguns descrentes a zombar, o amor a ignorar

Haverá união, sonhos, famílias…

Esse ciclo do qual fazemos parte, girando e criando

Fazendo, crendo, desfazendo, amando

Muitos dizem ser o matrimônio uma instituição falida

Mas ele se perpetua há séculos

Ainda que o “para sempre” não seja até que a morte os separe

Ou que a morte realmente os separe antes do fim

Ou tantas outras coisas a dificultar, a por o amor à prova

O encontro de duas almas que se querem e se desejam

Que se atraem, lutam para estarem juntas se completam e se enriquecem

Duas pessoas que decidem juntas, ao menos a princípio,

E querem de verdade que seja além da morte

Sempre farão valer boa parte dessa viagem chamada vida…

Alda M S Santos

#casamentonatiefred

Via parenteral

VIA PARENTERAL

Queremos vida leve e saudável

Para os males, cura rápida, focal e indolor

Medicações injetáveis intramusculares ou intravenosas

Rápida absorção e efeito, sem volta, eficácia garantida

Não temos paciência para tratamentos homeopáticos, vida homeopática

Via oral, doses leves, constantes, resultados lentos e demorados

Queremos alopatia na veia, doses cavalares, entorpecentes

Que nos tire a dor, que nos afaste o mal, que nos abra sorrisos

Que nos anestesie de qualquer dissabor, que apague o que machuca com precisão

Sequer nos preocupamos se nos tornamos dependentes

Ou nos matamos com o “veneno” que deveria nos curar…

Alda M S Santos

Um grupo, um violão

UM GRUPO, UM VIOLÃO

Um grupo, várias vozes, um violão

Uma roda, ao ar livre, numa tarde gostosa no sabadão

Nem precisa ser muito afinado, não

Basta que tenha vontade, carinho, amor e atenção

Que as músicas sejam de uma época saudosa, refinada seleção

Que tragam boas lembranças e animação

Que despertem desejo de cantar, de dançar pelo salão

Que haja poesia nos versos singelos e amorosos da canção

Que sequer se importem com qualquer limitação

Que a gente perceba em cada voz que vibra o pulsar do coração

Em cada sorriso que se abre a luz que brota da gratidão

Em cada palavra terna a sincera satisfação

Em cada abraço, a troca do amor precioso, o amor irmão!

Alda M S Santos

#carinhologos

Nossos rastros

NOSSOS RASTROS

Nesse ora tão longo, ora tão breve caminho da vida

Seguimos as marcas deixadas por nossos antecessores

Em forma de pegadas, de palavras, de registros escritos

Um sentimento, um exemplo, um sinal qualquer a nos guiar

Nem todas as marcas são positivas, mas ensinam

Percebemos as que não levam a lugar algum

As que são voltas desnecessárias

As que levam para um beco sem saída

As que nos jogam num buraco perigoso

As que são certeiras e relaxantes

As trilhas que precisam ser reconstruídas

Algumas mudam, deixam de ser adequadas

Surgem outras mais tranquilas ou mais difíceis

A nós cabe o discernimento para fazer a melhor escolha

Não devemos nos esquecer que somos deles sucessores

Mas que somos antecessores daqueles que vêm atrás de nós

É uma caminhada feita há milênios

E outros quantos milênios virão?

Nossa tarefa é melhorar a trilha e as marcas sempre

Precisamos seguir…

Nem que seja para não decepcionar quem já foi

Ou quem ainda vem em nosso encalço seguindo nosso rastro…

O brilho de nossa luz…

Alda M S Santos

Corpos e almas

CORPOS E ALMAS

Primeiro a nudez da alma

Devagar, aos poucos, sem medos ou reservas

Depois a nudez do corpo

Como complemento, entrega, amor

Essa é a ordem ideal

Onde não pudermos desnudar nossa alma

Por quaisquer motivos

Medo, desconfiança ou covardia

Não vale a pena…

Não é que a nudez da alma seja menos importante

Ao contrário!

Nossa alma é que nos difere

Corpos são apenas corpos

O que não fascina nossa alma não nos merece

Algo que realmente valerá nosso todo

Precisa conquistar a alma primeiro…

Sem tê-la cativado, qualquer nudez será superficial

Transitória e decepcionante…

Alda M S Santos

Quem assina?

QUEM ASSINA?
Se pudéssemos observar com olhar neutro nossas vidas
De fora, com imparcialidade, sem grande envolvimento emocional
Como a observar um quadro “pintado” em sua totalidade
E também em suas partes, seus detalhes
A parte que brilha, a fosca, a meio escondida, a que se destaca
A mais colorida, a clara, a moderna, a abstrata
A antiga, a contemporânea, a atual
Original ou controversa,
Aquela fácil de entender e a que ninguém decifra
O que veríamos?
E, mais importante, quem assina essa obra?
Quem é o autor de verdade?
Quais influências terceiras sofre?
Nosso nome está assinado ali, mas somos mesmo os pintores dessa obra?
Ou é uma arte falsificada, uma fraude?
Pintamos o que acreditamos, com nossas próprias tintas e criatividade
Ou somos “ladrões” de material alheio?
Mesmo sem conseguir manter a neutralidade e imparcialidade
É possível fazer minimamente essa análise:
Somos autênticos?
O grande Autor da Obra Vida deu a receita: amor
Essa tinta nos permite viver uma obra de arte verdadeira
E chegar na grande galeria do outro lado com um quadro original
Ainda que todo manchado de sorrisos e lágrimas…
Com o vermelho do amor pelo outro e da paixão de viver
Com o amarelo das tentativas frustradas
Com o roxo das decepções e angústias
Com o verde brilhante da esperança
Mas nossa!
Nossa tela pode ter muitas cores e influências externas
Mas todas devem ser passadas e filtradas pela nossa alma
Sempre procurando ter orgulho do trabalho feito
E muito pouco do que se envergonhar…
Alda M S Santos

Nossos copos

NOSSOS COPOS

“Você pensa no quanto os outros podem te ajudar, mas não no quanto eles podem se prejudicar fazendo isso”.

Essa era a discussão entre dois jovens.

Quantas vezes para manter nosso copo cheio

Esvaziamos os copos dos outros?

Quantas vezes para manter os copos dos outros cheios

Esvaziamos nossos próprios copos?

Quem gosta de sempre receber quase nunca se satisfaz

Sempre irá contar com o abastecimento que vem de fora

Quem gosta de sempre doar sempre irá fazê-lo, mesmo desfalcado

Vivemos num constante encher e esvaziar, ora mais, ora menos

Uma relação saudável é aquela em que ambos os copos se autoabastecem

E não esvaziam o copo de ninguém!

Alda M S Santos

Pode parecer

PODE PARECER

Pode parecer abandono, solidão, preguiça

Mas também pode ser opção, escolha, prazer em estar consigo mesmo

Pode parecer inquietude, ansiedade, impaciência

Mas também pode ser excesso de energia, vontade de cuidar do próprio coração

Usando o caminho que passa pelo coração do outro

Pode parecer tristeza, angústia, depressão, vazio

Mas também pode ser introspecção, reflexão, sabedoria, preenchimento

Pode parecer raiva, revolta, rebeldia

Mas também pode ser desânimo e repúdio com tudo que é falso

Pode parecer teimosia, falta de inteligência, obstinação, birra

Mas também pode ser persistência de alguém que não desiste

Pode parecer fuga, abandono, frivolidade, infantilidade

Mas também pode ser maturidade, carinho e proteção

Pode parecer medo, covardia, maldade

Mas também pode ser amor que, sábio, preserva a vida

Pode parecer sorriso, alegria, felicidade a toda prova

Mas também pode ser gratidão, fé na vida e Naquele que a criou

Em qualquer circunstância

Sempre…

Pode ser…

O que é, de verdade, só quem vive é capaz de dizer…

Alda M S Santos

Beija-flor

BEIJA-FLOR

Voando, beijando, se refestelando, vivendo

No grande jardim da vida segue entre flores

Entre rosas, margaridas e tulipas

Hortênsias, girassóis e violetas

Orquídeas, jasmins e dálias…

O beija-flor se alimenta de néctar, de beleza

De perfume, de encanto, de leveza

Leva consigo doçuras colhidas

Nesse vai e vem transforma amarguras em doçuras

Doçuras em energia, energia em vida, e assim sucessivamente

E, de flor em flor, segue em pequenos pousos…

E as flores, enraizadas, não podem segui-lo

Sina de flor é ficar firme na terra

Sina de beija-flor é voar livre

Talvez se demore mais na amor-perfeito, se notá-la, quando passar

Se outro beija-flor não estiver parado por ali

Que nesse grande jardim da vida

Flores e beija-flores possam se encontrar

Se realizar e ser feliz…

Alda M S Santos

Noite estrelada

NOITE ESTRELADA

Há sonhos belos como uma noite escura

Como um céu salpicado de estrelas brilhantes, reluzentes

Atraindo, despertando esperanças, expectativas

Mas, como as estrelas, “apagam-se” ao amanhecer

Seu brilho não se sustenta perante à dura realidade do dia

Assim como as estrelas se escondem

Diante do brilho intenso dos raios de sol

Muitos sonhos se escondem atrás dos medos

E covardias que tiram seu brilho

Alda M S Santos

Mas não sou só eu!

MAS NÃO SOU SÓ EU!

As crianças montam seus castelos cuidadosamente na areia.

Escolhem os moldes, carregam água, dedicam-se parte por parte

Olham, admiram o feito, sorriem

Num tropeço, num descuido o castelo do menino desmorona, despenca, trabalho perdido

A menina olha e diz “faz outro”

E continua a montar o seu com dedicação e cuidado

O menino, chateado, destrói “sem querer” o castelo da menina

Como se dissesse “se eu não tenho, você também não tem”…

E chegam as mães para ensinar e apaziguar…

São crianças, estão aprendendo a viver com perdas.

Mas há tantos adultos assim!

Por não conseguirem algo, ou perderem

Passam a vida invejando ou destruindo os castelos alheios

Ou impedindo que sejam construídos

Perdendo um tempo precioso que poderia ser gasto com um novo castelo…

Castelos iniciados e abandonados pelo caminho…

Talvez um jeito inconsciente, até patológico, de resolver sua própria frustração.

Ao perceber que o mal que o atinge, que as dificuldades que tem

Não são só dele!

Como se dissessem: caí, mas outros caem também

Ou: acontece com todo mundo

O fracasso do outro justificando o seu próprio…

O desafio da vida adulta é enfrentar os próprios desmoronamentos

Se possível, evitá-los, aprendendo a poupar seus próprios castelos

E daqueles que lhes são caros…

Alda M S Santos

Como andar de bicicleta

COMO ANDAR DE BICICLETA

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente se distrai, amedronta, perde a confiança, cai!

Quando aprendemos a andar de bicicleta

Logo depois que retiramos o conforto e segurança das rodinhas

O equilíbrio se mantém e nos impede de tombar, de cair

Enquanto estamos em movimento, pedalando

Aos poucos, devagar, depois de alguns tombos, feridas

Vamos aprendendo a reduzir lentamente

Ouvindo alguns conselhos amigos

Descartando aqueles que, invejosos ou ciumentos,

Visam apenas nos ferir e desestabilizar

Avaliando os riscos, mantendo-nos sobre o selim,

Nas retas primeiro, fugindo das curvas.

Só então poderemos realmente sentir o passeio,

Aumentar nossa força e coragem, dar um tchauzinho

Observar a paisagem, sentir o vento no rosto,

As pessoas que passam, os outros ciclistas

Pedalar junto, dar carona, apostar uma corrida

Nos arriscar nas curvas convidativas, nos declives acentuados

Ajudar outros ciclistas, e curtir…

Certos e conhecedores dos pontos críticos

Que outros tombos podem ocorrer,

Mas que estaremos mais fortes.

A vida é, por vezes, como andar de bicicleta

Somos tantas vezes aprendizes!

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente cai!

E o sentido, tanto de andar de bicicleta

Quanto de viver, está no prazer que se obtém disso

Basta observar uma criança em sua bicicleta

Que, apesar dos tombos, insiste, sorri, comemora

Vamos pedalar! Vamos viver!

Alda M S Santos

Visitas breves

VISITAS BREVES

Quase sempre chegam de surpresa

Elegantes, desconfiadas, sondando o terreno que julgam seu

Medo de se ferir, se machucar, serem alvejadas

Encantados e saudosos as recebemos

Comemoramos internamente a visita, aproveitamos a doce presença

Enchem o espaço de alegria, novidade, beleza

Dedicamos carinho, amor e atenção

E num voo rápido se vão… para outros quintais…

Deixam vazios e esperança de retorno

Deixam saudades…

Saudade não se tem daquilo que se foi

Saudade é o que sentimos daquilo que ficou depois da partida

Apenas mudou de lugar

Do espaço antes ocupado pelo que os olhos viam, mãos tocavam

Agora ocupados apenas no cantinho especial no coração

Onde apenas a alma toca…

Alda M S Santos

Eu digo sim

EU DIGO SIM

Eu digo sim para o amor

Para o amor que seja amigo, que seja irmão

Não precisa saber ou ser tudo

Não almejo perfeição, ela não existe na fase terrena

Quase sempre é embromação

Espelho de reflexos retorcidos de nós mesmos

Além de ser impossível a retribuição

Eu digo sim para a o amor

Para o amor que celebre comigo a vida, entre sorrisos ou lágrimas

Com água ou Champagne, num cruzeiro pelo mundo ou numa casinha na montanha

Que valorize estar comigo

Eu digo sim para o amor

Para o amor que desperte sorrisos, que seja brincalhão

Que entenda lágrimas e silêncios

Que não seja 100% em tudo, mas que se dê 100% de corpo, alma e coração

Eu digo sim para o amor

Para o amor que abrace forte, que me tire o ar, sem me sufocar

Mas que me devolva o oxigênio quando o peito apertar

Eu digo sim para o amor

Para o amor que mate meus monstros, que acenda minha luz

E diga que tudo não passou de um pesadelo

Que me torne sua prioridade, e que se faça prioridade para me amar

Eu digo sim para o amor

Para o amor calor, para o amor tesão, para o amor paixão

Mas que saiba também ser carinho, doçura, afeto, aceitação

Que seja recíproco e não se envergonhe em expressar, seja de que modo for, o amor que carrega no coração

Eu digo sim para o amor

Para o amor vivido por inteiro, sem preocupação, sem afobação

Amor que saiba que caminhantes são mais importantes que caminhos

Aqueles que estarão por perto quando tudo for céu

Mas, sobretudo, não nos abandonarão quando a ponte da vida sofrer deterioração

E tiverem que ser nosso chão…

Eu digo sim para o amor!

Sim, por favor!

Alda M S Santos

Mata nativa

MATA NATIVA

É sabido que a paz não está

Em lugares físicos ou espaços externos

Quem a busca fora de si perde tempo

Ela se encontra dentro de nós

Mas um lugar tranquilo, amado, com cheiro de mato

Onde nos sentimos parte integrante desse universo

Tão dual: tão simples e tão complexo

Pode nos reconectar a nós mesmos

Tal qual mata nativa tão perfeita ali

Matar a saudade de nossa essência tantas vezes perdida ou “escondida”

Noutros cantos que nem sempre temos acesso

Dentro de outros seres, muitas vezes inacessíveis

Nem sempre receptivos

Mata que mata ansiedade, mata que desperta anseios

Sempre a nos lembrar

Somos gente, somos nativos, somos vida, somos parte…

Alda M S Santos

Onde está escrito?

ONDE ESTÁ ESCRITO?

Onde está escrito

Que a vida é mais feliz

Quando o amor é mais companheiro

Que o olhar reflete o que o coração diz

E que a paz não se paga com dinheiro?

Onde está escrito

Que amor com amor se paga

Que o sorriso conquista, se sincero

Que a fé é o fogo que o bem propaga

E que tudo que é bom é sempre terno?

Onde está escrito

Que a simplicidade é o lar da felicidade

Que quem doa sempre tem

Que o bem mais valioso é a amizade

Pois é com compaixão/ação que vivemos no bem?

Onde está escrito? Em nós!

Naquele olhar que conquista, no sorriso que cativa

Naquela alma que ouve “te amo”, encantada

Na bondade que fascina e nunca se esquiva

Na saudade que faz de nosso coração sua eterna morada!

Alda M S Santos

Superamos?

SUPERAMOS?

É preciso superar e seguir em frente, todos dizem

Mas quando se pode dizer que superamos?

Quando o problema foi eliminado, deixou de existir

Ou quando não o deixamos mais nos atingir?

Quando a ferida foi da alma apagada

Ou quando a lembrança já vem sem doer, está liberada?

Quando nominamos todos os responsáveis pelo bem e pelo mal

Ou quando já não se culpa mais ninguém pelo vendaval?

Quando as ausências já não são tão grandes, foram preenchidas

Ou quando optamos por deixá-las ter seu próprio espaço, acolhidas?

Quando podemos dizer que superamos?

Será que é quando se desiste de esquecer o que passou, bom ou ruim

E decide carregar ambos na bagagem; o ruim como aprendizado e o bom como saudades?

Será que é quando perdoa-se falhas cometidas por quem quer que seja

E aceita-se o porvir como presente?

Ainda que o brilho no olhar nem sempre venha dos sorrisos,

Mas das lágrimas saudosas que possam irrigar as lembranças e o viver?

Estarmos vivos quer dizer que superamos, que fomos mais fortes que tudo?

Sempre penso nisso ao fixar no olhar de todos eles…

Superaram? Superamos?

Alda M S Santos

#carinhologos

Amar ao próximo

AMAR AO PRÓXIMO

A preocupação excessiva em ganhar a grande guerra

Nos faz perder as pequenas batalhas do dia a dia

A preocupação com a conquista de uma felicidade eterna

Nos faz perder as pequenas alegrias diárias que irrigam nossa alma de amor

A preocupação em não fraquejar, em ser sempre forte

Nos faz sufocar com lágrimas presas que nos trariam grandes aprendizados, se liberadas

A preocupação em parecer sempre bem, sempre sorrisos

Nos impede de receber ou oferecer um carinho amigo, um abraço acolhedor

O cuidado excessivo em não contar com o ovo na barriga da galinha

Nos impede de comemorar pequenas vitórias

A preocupação em fazer um bem enorme e histórico

Não pode nos impedir de um bem pequeno todo dia

A preocupação em sempre agradar e satisfazer a todos

Não pode nos impedir de cuidar de nós mesmos

O amor que se doa, para ser verdadeiro começa em estar bem conosco mesmos…

Sinceridade e aceitação do que se é, independente dos outros

É fundamental nesse processo…

Amar é uma lição que se aprende de dentro para fora

Amar ao próximo começa conosco mesmos…

Alda M S Santos

#carinhologos

Decantar para não desencantar

DECANTAR PARA NÃO DESENCANTAR

Diante da turbidez de nossas águas

Das impurezas acumuladas em nosso dia a dia

Tudo misturado, leve e pesado, transparente e escuro

Coisas que atraímos, outras que são jogadas em nós

Ou resultado do viver intenso, de afluentes gerados

Tornando difícil o nadar, o navegar, o respirar, o viver

É preciso um processo de decantação

Antes que nos desencantemos desse nado

Depois de tanto agito, parar um pouco, acalmar nossas águas

Deixar que se separem os elementos incompatíveis

Usar a fé, a sabedoria, a alegria de viver como decantadores

Tudo ficará mais claro, bem separado

O essencial e importante do supérfluo e desnecessário

Aí poderemos retirar os “excessos”

E voltar a nadar livremente…

Alda M S Santos

Todo o tempo: sempre que nos aprouver

TODO O TEMPO: SEMPRE QUE NOS APROUVER!

De vez em quando precisamos arrumar nossas gavetas internas

Para não ficarmos tão perdidos quando precisarmos encontrar algo especial numa emergência

Colocar numa gaveta de fácil acesso aquelas “peças” que usamos todo o tempo

Que nos fazem sorrir e ver a vida mais colorida e bonita

Separar para doação aquelas “peças” que já não nos servem mais, justas ou largas,

Ou porque nosso “corpo” mudou ou nosso gosto que não é mais o mesmo

Farão outros felizes como nos fizeram

Devolver ao verdadeiro dono algumas “peças” que nunca foram nossas

Usamos por empréstimo por um tempo e quase acreditamos que eram nossas

Jogar fora as “peças” velhas, cheiro de naftalina, como moletom disforme e surrado, que já esgotaram tempo de uso

E nos fazem pensar que também estamos rotos e surrados

Guardar numa gaveta secreta aquelas “peças” que são preciosas, pouco usadas

Melhor ainda, usar tudo de valioso que temos quando melhor nos aprouver

Todo o tempo, se possível!

Fazer da vida um eterno passo de dança, como diria Sabino,

Sempre há quem goste de dançar…

Sabe-se lá quando poderá aparecer um ladrão e levá-las de nós,

Ou sermos delas levados?

Não sou boa em arrumar gavetas, de qualquer tipo

Tenho dificuldade em me desfazer das “coisas”

Mas sempre aprendo algo quando vou arrumá-las

Tenho muito mais “coisas” valiosas do que pensava…

Alda M S Santos

 

Paradoxal e intensa relação

PARADOXAL E INTENSA RELAÇÃO
Paradoxal encantamento e admiração
Associados a um medo gigantesco
Contraditória e intensa atração atrelada
À incapacidade de profunda proximidade e enfrentamento
Fascinante e envolvente como o canto de uma sereia
Assustadora como noite sem lua e estrelas
Chama, esfria e esquenta, encoraja e atemoriza
Atrai e repele, vai e vem
Tão necessária quanto o oxigênio
Tão completa, tão essencial
Amor incomparável
Doce ou salgada, parada ou corrente
Amor bandido, amor sem fim
Complexa essa minha relação
Jamais saberia viver sem ela
Mas nunca poderia mergulhar fundo nessas águas
Sob o risco de não mais voltar…
Vou, assim, “mergulhando”, mas com os pés firmes no chão…
Alda M S Santos

A “maldição” do quase

A “MALDIÇÃO” DO QUASE

Sempre esteve tão perto, quase conseguiu, foi por pouco

Sente que a vida toda esteve dependurado nos “quase”

Quase ganhou o campeonato de futebol

Quase foi coroado Rei do Amendoim

Quase conquistou a menina mais linda da escola

Quase passou no vestibular

Quase casou-se com o amor da sua vida

Quase conseguiu o emprego dos sonhos

Quase aprendeu a falar inglês

Quase montou o negócio tão almejado

Quase foi morto num assalto-um quase benéfico

Quase morreu afogado no mar- outro nada mal

Quase ganhou na Mega-Sena , ficou na quadra

Quase curou um mal genético

Achava que sua vida se resumia à maldição dos quase

Mas acabou aceitando que de quase em quase a vida segue

E aprendeu a maior lição:

A vida acontece com aquilo que a gente faz nos “quase”

Porque, apesar de existir quase morrer ou matar

Nunca ouviu falar de quase viver…

Alda M S Santos

Histórias ao vento

HISTÓRIAS AO VENTO

No princípio era assim: vários livros, pessoas e suas histórias

Ainda desconhecidas, a serem vividas, mas organizadas nesse livro

Um anjo, o Brincalhão, soltou todas as páginas de todos os livros

Um outro bem arteiro, Sapeca, soprou forte, bem forte

E os papéis voaram na ventania

Folhas, capítulos para todos os lados, terra, mar, montanhas, cachoeiras, campo, cidades

Áreas irrigadas e desertas, próximas e longínquas

E nossas histórias estão todas por aqui, espalhadas

Nosso papel é juntar novamente todas as páginas

Reescrever nossa história, começo, meio e fim,

Entrelaçar a outras histórias, encadernar nosso livro…

Os anjos foram mandados para arrumar a bagunça feita

Mas histórias “erradas”se misturaram e, às vezes, parecem bonitas desse jeito para uns

Mas nem tanto para outros…

Os anjos Brincalhão e Sapeca sopram de novo quando tudo parece desarrumado

Na tentativa de ajudar…

Arcanjos, querubins e serafins interferem, reorganizam

Somos autores construindo essas histórias que ora alegram, ora doem

Ora instigam, ora desanimam

Ora são puro amor e encanto

Ora são desilusão e sofrimento

E os anjos, atrapalhados e traquinas, tentam nos ajudar

Colam páginas erradas, outras certas, misturam enredos

E para desfazer e refazer dá muito trabalho, causa sofrimentos

Será que estamos com a página de alguém

Um capítulo que não é nosso

De uma história que não é nossa?

Onde estão nossas páginas para aquelas histórias que não encaixam bem

Aparentemente sem nexo, sem sentido, sem um fim no nosso livro?

Quantos capítulos que eram nossos abandonamos sem uma conclusão?

O Editor-Chefe assiste a tudo e observa nossas habilidades

E o que fazemos com o material que temos…

Afinal, Brincalhão e Sapeca nos deram oportunidades de crescimento

Que tipo de história há em nosso livro?

Um romance, terror, dramas, comédias?

Somos mesmo os autores de cada capítulo?

O quanto escrever nossa história tem implicado em apagar a história de alguém?

Se parecer sem sentido, se machucar, olhemos para o alto, “sopremos”

E um anjo virá nos ajudar…

Alda M S Santos

Termodinâmica

TERMODINÂMICA
O olhar não se vê, calcula-se, o sorriso, brincalhão
Caminhos percorridos… conhecem-se?
Buscam um no outro, mesmo sem perceber
A parte humana com toque “divino” que lhes falta
Doam um ao outro por termodinâmica
Até o que nem imaginam possuir
Principalmente o que não sabem possuir
Os silêncios partilhados cheiram ora a paz, ora a conflito
O brilho dos olhares ou a sombra deles denuncia tudo
O encanto dos sorrisos cega os céticos
As lágrimas satisfazem os invejosos
As brincadeiras alegram o ambiente
O toque das mãos dá cor à vida
Sinestesicamente…
Os abraços divididos selam a paz, perdoam defeitos
Do outro, mas principalmente de si mesmos
Humanos, falhos, tentando acertar sempre
A fé num propósito divino para tudo que há preenche vazios
As lágrimas despertadas ou enxugadas os tornam mais humanos
Conviver, viver com, viver para
Para si, para o outro, para amar
E as almas viverão para sempre
Até mesmo quando duvidarem disso…
Alda M S Santos
 

 

 

Não precisa ser flor

NÃO PRECISA SER FLOR

Basta se abrir para despertar o carinho

Basta estar vivo para ter afinidades

Basta ser sensível para sentir ameaça ou segurança

Não precisa ser flor para atrair amor

Ou borboletas…

Basta amar para atrair amor…

Alda M S Santos

Um dia nosso sol irá se por

UM DIA NOSSO SOL IRÁ SE POR…

Um dia nosso sol irá se por

Seu brilho descerá calmamente atrás da serra

Com cores lindas se apagando no firmamento

Um dia nosso sol irá se por

Nossos dias serão um entardecer infinito

Com ou sem arrependimentos por quem aqueceu ou deixou de aquecer

E isso não mais irá importar

Um dia nosso sol irá se por

Nossos sorrisos não iluminarão mais nossos rostos

Nossa alegria não mais irrigará nossos corações

Um dia nosso sol irá se por

Levará consigo o chiado de quando quase se afogou em nossas lágrimas

Sem expectativas de um amanhecer por aqui

Deixando um rastro de luz, vida e brilho por onde passou

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje

E quando isso acontecer, não irá doer

Não importarão as partes escuras enfrentadas

As lembranças nas sementes que fez germinar

E a luminosidade que deixou noutros corações

Serão o suficiente para nascer noutro lugar

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje…

Um dia, quando eu me apagar por aqui

Espero nascer um pouco em você, em vocês

Que me amaram e que eu um dia amei…

Alda M S Santos

Onde há mar

ONDE HÁ MAR

Onde há mar, amar é fácil

Os sonhos são leves e a realidade vem em ondas calmas

Ou se vier forte e derrubar nossos castelos

Achamos divertido e construímos de novo

Onde há mar, amar é fácil

Se a maré ficar alta, mesmo havendo ressacas

Lembramos apenas das calmarias

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo “temperados” com tanto sal

As doçuras de cada um se sobressaem

Onde há mar, amar é fácil

À beira d’água qualquer caminho é leve e suave

E, se o cansaço chegar, um mergulho relaxante é o suficiente para se renovar

Onde há mar, amar é fácil

Debaixo de um céu tão intenso e tão azul

Nossas nuvens cinzentas ficam envergonhadas e se recolhem

Fazer amor é deliciosa e sutil consequência

Onde há mar, amar é fácil

Ainda que as águas estejam geladas

Mergulhamos fundo, saltamos ondas, lavamos a alma

Onde há mar, amar é fácil

Faça sol ou faça chuva,

O calor vem de dentro de nós

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo nas noites escuras, sentimos sua força, podemos ouvir seu chamado

Onde há mar, amar é fácil

Desde que tenhamos decidido à priori que seria assim

Que o amor seria prioridade…

Alda M S Santos

Mar aberto

MAR ABERTO

Em mar aberto, água em movimento lento e sensual por todos os lados

Céu azul abrigando asas fortes de pássaros a plainar, certos de sua beleza e liberdade

Ou de vento forte a nos dar a sensação de paz, cabelos aos vento

Sol a aquecer a pele, o balanço calmante da lancha

A rasgar as águas velozmente em busca de uma ilha

Sob nós, nas águas verdes e convidativas, peixes e toda espécie marinha

Cercados de vida por todos os lados

Seguimos, cada qual no seu habitat

Sentindo sua força e fragilidade

Vidas fortes e seguras em seus espaços

Vidas frágeis e em risco se tiradas dali

Peixes fora da água, pássaros fora do céu,

São como humanos fora do chão, coração vazio

Bastaria um mergulho na direção errada

Do pássaro, do peixe ou do homem

Para tudo se acabar

Flertamos com a morte todo o tempo

Só não podemos nos deixar atrair pelo desconhecido

Só não podemos nos apaixonar…

Em mar aberto, ou em qualquer lugar

Sempre de coração aberto para a vida…

Alda M S Santos

Ilha deserta

ILHA DESERTA!

Estar numa ilha, ser uma ilha, desejar uma ilha…

Ilha sempre desperta o romantismo em nós

Ilha levanta questões de sobrevivência

Ilha nos leva à doce e confusa adolescência

Ao romantismo e sonhos exacerbados

“Quem você levaria para uma ilha deserta”?

E sempre pensávamos naquele nosso amor platônico

Muito longe, tanto ele quanto nós, da Brooke Shields e Christopher Atkins

Da venerada, ilusória e reprisada Lagoa Azul

Mas “Ilha” sempre terá para nós essa visão nostálgica

De náufragos em busca de algo, de alguém, de pureza, de amor

Ainda que seja a busca de nós mesmos

O quanto nos afastamos dos sonhos da Lagoa Azul?

Ainda gostaríamos de ir com alguém para uma Ilha deserta?

Quem levaríamos hoje para a Lagoa Azul?

Não vale levar e deixar lá!

Amadurecer não implica necessariamente em não acreditar em paraísos!

Amadurecer é tornar nossa ilha um paraíso, deserto ou habitado!

Alda M S Santos

Barquinho de papel

BARQUINHO DE PAPEL

Somos um barquinho de papel descendo na enxurrada

Vamos velozes, “casco” sendo danificado nas águas que desconhecem paradas

Por vezes, encalhamos nos entulhos do caminho

Ou naqueles que se desfizeram invadidos pelas águas

Ora esbarramos noutro barquinho desfalecido e diminuímos a velocidade

Ora preferimos seguir juntos, lado a lado

Com quem nos aprecia, admira e encara conosco essa travessia

Não sabemos a rota, por onde iremos passar

Ou se seremos interrompidos antes de lá chegar

O destino é o mar

Quando ou se chegaremos, não sabemos

Tampouco se gostaremos do que iremos encontrar

Por isso, vamos valorizando cada curva do caminho

Cada criança sorridente a brincar

Cada companhia saudável que surge

O que vale é tentar não afundar e não afundar ninguém

O que vale é navegar…

Alda M S Santos

Ser responsável

SER RESPONSÁVEL

A confusa, intensa e paradoxal relação:

Sentir-se responsável pela felicidade dos outros

Que estão diretamente relacionados à felicidade da gente

De saber que os erros e acertos deles

Tropeços e recomeços têm direta ligação consigo

Com o que fez ou deixou de fazer, propositadamente ou não

Sentir que poderia, até deveria, controlar o tempo

Fazer brilhar o sol, cessar a chuva

Trazer calmarias, remansos, oásis no que for deserto

Afastar tempestades ou nuvens negras

Fazer com que os cardápios oferecidos a eles pela vida

Sejam bem selecionados, saudáveis e prazerosos

Aquecer suas noites, iluminar seus sonhos com estrelas

Lutar contra seus monstros e vencê-los

Saber que nossos “guarda-costas”, anjos, bem maiores que nós, muitas vezes

Estejam tão ou mais necessitados de proteção

Que aquela que julgam proteger

Ou não, mas isso não importa

Sentir que amor de verdade talvez seja isso

Não ser perfeito, ser falho, mas ser perseverante

Ter a certeza que em muitos momentos também acertou

E fez felizes aqueles que lhes foram confiados

O sorriso no rosto deles e a paz que transmitem

Fazem qualquer sacrifício mais fácil de se tolerar…

Alda M S Santos

Tornou-se crônico

TORNOU-SE CRÔNICO

“Terá que aprender a conviver”-diz o médico taxativo!

Passou da fase aguda para a crônica

Aquela dor que não passa, ora evolui, ora estaciona

Aumenta, diminui, mas não vai embora

Vira para um lado, dói, remexe para o outro, dói também

Deitado ou de pé, andando ou parado

Dormindo ou acordado, sozinho ou acompanhado

Medicado ou não, sorrindo ou chorando

Quer seja evolutiva ou estacionada

Não tem solução!

Não importa se é dor ou mal do corpo, da mente ou do coração

Com mal crônico precisamos aprender a conviver

Não tem cura!

O que podemos desenvolver é a habilidade e tolerância

Para lidar com ele e não se deixar abater

Agudo ou crônico, intenso ou leve, intermitente ou constante

Nós é que precisamos reagir e tornar nossa alegria e força um bem crônico também…

Alda M S Santos

Chave e fechadura

CHAVE E FECHADURA

Sonho de cem entre cem pessoas:

Encontrar alguém que lhes “complete” em todos os aspectos:

Físico, emocional, espiritual…

O que muitos desconhecem, e sofrem, é que isso não é imediato

Talvez apenas o físico, mas é, sim, uma construção diária.

Trabalho para toda a vida!

Para cada fechadura, o seu segredo

Para cada segredo, a sua chave

A chave e a fechadura podem muitas vezes emperrar

Perder o jeito, o lado certo, o modo de encaixar

Não casar adequadamente

Mas se for limada com jeito e perseverança

O encaixe poderá se dar, sem machucar

As portas da felicidade e da paz serão abertas

Se de todo modo não encaixa, a fechadura não é essa

A chave é outra, pertence a outro.

O amor é a chave universal.

A única que sabe qual porta pode ser aberta.

Infelizmente, alguns a esquecem no chaveiro, perdida entre tantas outras

Ou estragam chaves e fechaduras em impróprias, erradas e vãs tentativas!

Alda M S Santos

Fios invisíveis

FIOS INVISÍVEIS

Imagino a vida assim

Repleta de fios invisíveis saindo de nós

Em forma de energia e calor

Como as luzes de sensores infravermelhos

Em paralelas, diagonais, transversais

Perpendiculares,

Atraindo alguns, repelindo outros

Gerando luz ou descargas elétricas, curto-circuitos

Ligando seres afins, unindo pessoas

Conectando almas, acionando a vida que há em nós

Vida que precisa de recarga diária…

Conecte-se à fonte do amor!

Alda M S Santos

Você não sabe!

VOCÊ NÃO SABE!
O frio que enfrentei nas noites longas, os curtos e finos cobertores que não aqueciam
Você não sabe…
As lágrimas que derramei, aquelas que engoli, quase sufoquei
Você não sabe!
Os sorrisos forçados, olhos úmidos, embaçados, disfarçando os medos
Você não sabe!
O cansaço que pesava as costas, arriava a fé, o desânimo fazendo desacreditar num futuro
Você não sabe!
A contraditória alegria e peso da responsabilidade em ser a “vida”, a motivação ou exemplo de alguém
Você não sabe!
A solidão que invade e a baixa autoestima tantas vezes assustadora
Você não sabe!
Os caminhos difíceis, secos, repletos de pedregulhos que machucaram meus pés
Você não sabe!
Aqueles que surgiram para dificultar minha caminhada, levantar dúvidas, desviar do caminho
Você não sabe!
Quantas vezes foi preciso desistir, reavaliar, recuar, redirecionar para não cair, não machucar ninguém
Você não sabe!
Quantas vezes foi necessário ser forte e buscar apoio nos ombros da fé
Você não sabe!
O que você sabe de mim é o que eu te deixo ver, que consigo mostrar
Assim somos todos! Não sou especial ou diferente!
O que sabemos de todos, o que eles sabem de nós
É apenas aquilo que foi filtrado nos pequenos furos da peneira da autoproteção
Ou por cuidado e proteção de terceiros
Não dá para saber…
Você não sabe! Eu não sei!
De nós mesmos, só nós sabemos…e Deus
Dos outros, só podemos imaginar…
Preferencialmente, sem julgar…
Alda M S Santos

Não tem como

NÃO TEM COMO!
Não tem como não ser atingido pelas chamas, não se queimar
Quando se brinca com fogo
Não tem como não se molhar, não se encharcar
Quando se brinca na chuva
Não tem como não ser abarcado pela tristeza
Quando se está no meio de pessoas baixo astral
Não tem como não ficar perfumado
Quando se é jardineiro, mesmo se espetando nos espinhos das delicadas rosas
Não tem como não deixar as lágrimas rolarem
Quando se percebe tudo que já rolou ou deixou de rolar
Não tem como não ser contagiado pela alegria
Quando se mistura a sorrisos abertos e amorosos
Não tem como não ser contaminado pela compaixão, esperança e fé
Quando se cerca de pessoas crentes e devotadas a Ele
Não tem como não sentir amor
Quando ele pulsa forte nas pessoas a sua volta
Não tem como não ser queimado pelas cinzas das saudades
Quando se remexe nos álbuns
do passado vivido com prazer e alegria
Não tem como não acreditar num futuro melhor
Quando a natureza se renova dia a dia perto de nós
Não tem como…sempre seremos atingidos…
Alda M S Santos

Por onde a vida flui…

POR ONDE A VIDA FLUI

Uns aprendem a andar, outros a correr

Uns aprendem a cair, outros a levantar

Uns aprendem a subir, outros a descer

Uns aprendem a ir, outros a voltar

Uns aprender a descansar, outros a trabalhar

Uns aprendem a sempre seguir, leves, sem “pesos”, a nada se prendem

Sequer olham para trás, para quem porventura deixou

Ou tenha sido deixado pelo caminho…

Querem apenas chegar, sem atrasos ou contratempos

Outros aprendem que nesses vaivéns, aparentemente antagônicos,

Estão a marcha da vida, a linha do trem

Por onde a vida flui, nem sempre veloz

Nem sempre silenciosa, nem sempre fácil

Porém, mais certa da chegada, a qualquer tempo…

Alda M S Santos

Não pode ser do mal

NÃO PODE SER DO MAL

Não pode ser do mal

Aquele que diz que “odeia” esse mundo injusto e cruel

Mas compõe ou toca lindas e emocionantes canções

E inspira gerações e mais gerações

Não pode ser do mal

Aquele que diz ter desistido da humanidade

E salva vidas em seu trabalho habilidoso, seja ele qual for

Não pode ser do mal

Aquele que diz não confiar nas pessoas, não acreditar no amor

E, em cada olhar, em cada sorriso, em cada toque

É afeto em forma de poesia

Ninguém é do mal pelo que diz

Somos do bem ou do mal pelo nosso fazer que “denuncia”

Aquilo que somos verdadeiramente

No trabalho prazeroso, nas atitudes de amor e compaixão

Nos olhos piedosos diante da dor do irmão

Ou quando a “eficácia” e presteza em julgar o modo de ser do outro

Cresce na mesma proporção que a inaptidão em mudar a si mesmo

Somos do bem cada vez que pintamos na alma uma tela colorida, mesmo sem querer

E iluminamos a vida de um alguém

Sem, contudo, escurecer ou borrar a tela de ninguém…

Alda M S Santos

Em cada criatura

EM CADA CRIATURA…

Amor não tem cor, não tem raça, não tem sexo

Não tem idade, não tem padrão

Amor não tem classe, filo, gênero ou espécie

Amor está na flor perfumada, nos frutos saborosos

Na copa verde ou nas folhas secas que caem

Nas sementes que se alastram carregadas pelo vento

Sobretudo na raiz que parece em repouso debaixo da terra

Mas trabalha em silêncio todo o tempo,

Irriga, protege, cuida do amor que prevalece

Amor se propaga, está nos olhos de quem vê

Amor está na terra, no ar ou no céu, passe o tempo que passar

Amor verdadeiro fica “dentro” sempre

Amor é sempre amor, qualquer um é capaz de reconhecer

É infinito, está nãos mãos do Criador

Que repassou para cada criatura

Portanto, não há lugar em que ele não tenha sido plantado

Conservar e frutificar depende de cada uma delas…

Alda M S Santos

Desertos e seus oásis

DESERTOS E SEUS OÁSIS

Imagine o que é ouvir de alguém

“Hoje sei que sou importante

Mas nem sempre foi assim

Já me achei doente, a problemática, descartável

Já me acharam um nada, uma qualquer

Já quis morrer, já quiseram que eu morresse…”

Se já é doloroso ouvir isso de um ser humano

Imagine para quem viveu, para quem compartilha, agora, tal sentimento

Imaginar-se passando por um deserto desses

Seco, sem trilhas, sem vida, irrigado apenas por lágrimas

Despertadas pelas tempestades de areia quente que enfrentou

Onde os possíveis acompanhantes eram “inimigos”

Imagine, então, o que seria causar esse deserto em alguém

Ou, pior, ter retirado os oásis que ela poderia recorrer pelo caminho

Para irrigar os lagos secos dentro de si e renovar a vida?

Qual nossa responsabilidade de ouvinte?

Ser, senão a água ou o camelo que a retira de lá

Tentar ser, pelo menos, os arbustos do caminho

Onde possa se abrigar do sol quente e descansar sob seus galhos

Ser a fonte de energia que ela precisa para prosseguir

Ser apenas outro ser humano que entende de desertos, de oásis

Mostrando que, devagar, um passo de cada vez

É possível sair de lá e, mais que sobreviver

Querer viver!

Alda M S Santos

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