HISTÓRIAS AO VENTO

No princípio era assim: vários livros, pessoas e suas histórias

Ainda desconhecidas, a serem vividas, mas organizadas nesse livro

Um anjo, o Brincalhão, soltou todas as páginas de todos os livros

Um outro bem arteiro, Sapeca, soprou forte, bem forte

E os papéis voaram na ventania

Folhas, capítulos para todos os lados, terra, mar, montanhas, cachoeiras, campo, cidades

Áreas irrigadas e desertas, próximas e longínquas

E nossas histórias estão todas por aqui, espalhadas

Nosso papel é juntar novamente todas as páginas

Reescrever nossa história, começo, meio e fim,

Entrelaçar a outras histórias, encadernar nosso livro…

Os anjos foram mandados para arrumar a bagunça feita

Mas histórias “erradas”se misturaram e, às vezes, parecem bonitas desse jeito para uns

Mas nem tanto para outros…

Os anjos Brincalhão e Sapeca sopram de novo quando tudo parece desarrumado

Na tentativa de ajudar…

Arcanjos, querubins e serafins interferem, reorganizam

Somos autores construindo essas histórias que ora alegram, ora doem

Ora instigam, ora desanimam

Ora são puro amor e encanto

Ora são desilusão e sofrimento

E os anjos, atrapalhados e traquinas, tentam nos ajudar

Colam páginas erradas, outras certas, misturam enredos

E para desfazer e refazer dá muito trabalho, causa sofrimentos

Será que estamos com a página de alguém

Um capítulo que não é nosso

De uma história que não é nossa?

Onde estão nossas páginas para aquelas histórias que não encaixam bem

Aparentemente sem nexo, sem sentido, sem um fim no nosso livro?

Quantos capítulos que eram nossos abandonamos sem uma conclusão?

O Editor-Chefe assiste a tudo e observa nossas habilidades

E o que fazemos com o material que temos…

Afinal, Brincalhão e Sapeca nos deram oportunidades de crescimento

Que tipo de história há em nosso livro?

Um romance, terror, dramas, comédias?

Somos mesmo os autores de cada capítulo?

O quanto escrever nossa história tem implicado em apagar a história de alguém?

Se parecer sem sentido, se machucar, olhemos para o alto, “sopremos”

E um anjo virá nos ajudar…

Alda M S Santos