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Histórias

Histórias de amor

HISTÓRIAS DE AMOR

Há amor que começa de mansinho, outros de sopetão
Vai chegando devagarzinho e toma conta da emoção
As mais belas histórias que chegam ao coração
São envoltas por atração, deixam rastro de paixão

Há muito o que lembrar ou escrever
Vem do cantinho da alma, no fundo do ser
Passa para a tela, para o papel
Sempre haverá algo pra te levar ao céu

Bom esquecer se trouxe infelicidade
Se agradou e acabou ficou na saudade
Mas bom mesmo é matar a vontade

Muitas histórias podemos aqui registrar
Mas não serão tão belas e envolventes
Se não vivermos por amor, semeando a semente

Alda M S Santos

Conto de fadas

CONTO DE FADAS
Quisera acreditar na vida como num conto de fadas
Daqueles que a gente sabe que ao final tudo fica bem
Gente malvada perde, é punida
Moças belas e meigas têm tudo que sonham
Príncipes sempre aparecem na hora exata
Como salvadores das donzelas em perigo
O bem é bem, o mal é mal
Não há dúvida, não há senão
O amor é um prêmio a cada bom coração
Mas a vida não é um conto de fadas
As donzelas nem sempre são tão meigas e cordatas
Felizmente…
Os príncipes muitas vezes chegam atrasados ou se perdem
Infelizmente…
Ou não sabem o que e quando fazer
Lamentavelmente …
Não há felizes para sempre
Cada um de nós precisa dia a dia construir sua felicidade
Como a gata borralheira em seu borralho
A bruxa em frente ao espelho querendo ser cada dia mais bela
Os anões trabalhando na mina o dia todo
Ou a bela que ainda continua adormecida….
Não quero felicidade de conto de fadas
Quero uma felicidade cada dia mais real
De preferência, que nos dê algum sinal
Conquistada, amada, mesmo um pouco anormal
Vida de verdade não é perfeita
Nem precisa …
Basta que saibamos ser felizes na imperfeição
Mas uma fada ou mago de vez em quando não faz mal não
Um pouquinho de fantasia faz bem a qualquer coração…
Alda M S Santos

Um casarão

UM CASARÃO

A sede de uma fazenda

Um casarão antigo, tão nostálgico

Remete a lembranças reais ou imaginárias

Histórias de outros tempos

Assoalhos de madeiras, fotos antigas nas paredes

Móveis de madeira de lei

Pesadas como certas dores

Cheiro de fumaça, de fumo de rolo

As banquetas em torno do fogão a lenha

As pimentas em conserva, os doces nos tachos

Gordura animal nas latas, cães bravos

Uma fresta no assoalho que se vê lá embaixo

Telhados com forros de sisal

Frutas e verduras numa cesta colhidas na horta

Galinhas e patos pelo quintal

Roupas dependuradas no varal

Uma escada de madeira, uma portinhola

A varanda na frente onde se põe a conversa em dia ao entardecer

O pomar carregado de frutas

Algumas fotos de familiares que já foram para o céu

Ou morar na capital…

Ali o moderno e o antigo se misturam

O celular sobre o móvel antigo

Ao lado de uma vitrola que ainda funciona…

Assim a vida parece lenta e longa

Mas porque a gente sente que tudo passou tão rápido?

Nostalgia…

Um casarão carrega toda uma história

Casarões trazem nossas histórias impregnadas

Vivida por nós ou pelos nossos

Histórias que se misturam

Num casarão….

Alda M S Santos

Autores

AUTORES

Autores o tempo todo

Escrevendo uma história original

Não importa tanto a capa

Sequer a página inicial

O que vale mesmo nessa obra

Que escrevemos até sem perceber

É a audácia e delícia de viver

Cujo fechar de olhos é que determina o final

Num momento que não sabemos quando vai ser

Páginas em branco recebemos

Com a tarefa de ali algo belo registrar

Não importa o estilo textual

Sequer a linguagem ou idioma

Independente do número de páginas, personagens

É pessoal!

Se sua história fosse um livro

Você ousaria indicar?

Teria prazer em (re)ler?

Se virasse filme assistiria com seus pais, filhos?

Ao final, tudo que fica é nossa história

Não precisa ser um best seller

Basta que seja uma bela história!

Caprichemos!

Alda M S Santos

Construindo história

CONSTRUINDO HISTÓRIA

Tudo tem história, tudo produz história

Algumas admiradas, escritas, lidas por todos

Retratam crescimento, luta, coragem, sobrevivência

Vontade de reviver, sentir os mesmos aromas, ouvir os mesmos sons

Outras que nos envergonham, nos fazem querer pedir perdão

Apagar, deletar da memória, dos registros oficiais ou não

Voltar lá atrás e consertar um momento, uma página, um capítulo

Que poderia ter produzido vidas diferentes a muitas pessoas

Uma humanidade menos desumana

Aí percebemos que a história já construída não permite muito

À história passada só nos cabe isso: aprender com ela

Quer tenha sido boa ou não, deixado saudades ou decepção

Possibilita apenas muito aprendizado para a história que será lida ou admirada amanhã

Aquelas que hoje escrevemos

Que ainda estão em processo de construção dentro da gente

Somos como uma cidade histórica

Carregamos em nós um passado bonito e de lutas

Mas a cidade não para, assim como nós

E não serve apenas para admiração

A história continua…que valha a pena ser lida!

Alda M S Santos

Um bom roteiro, um bom filme

UM BOM ROTEIRO, UM BOM FILME

Um filme, uma história, obra aberta

Aquela que tem princípio, meio e fim

Mas ainda desconhecidos pela grande “plateia”

Podemos nele agir, mudar o roteiro, editar

Assim é o filme de nossas vidas…

Não podemos apagar cenas já gravadas e “exibidas”

Essas sempre irão existir, boas ou más, com mocinhos ou vilões

Mas podemos inserir novos takes

Mudar a participação especial de alguns personagens

Aumentar ou diminuir a importância de coadjuvantes

Torná-lo uma obra mais romântica, menos dramática

Fugir de takes de polícia ou terror

Gravar mais comédia e ação para dar mais “vida” à história

Retirar o foco de personagens que têm apenas participação pequena e especial

Fazem parte de outro filme, outra história

Tudo pode ser feito nesse filme

Exceto, apagar cenas ou mudar o protagonista

Esse sempre seremos nós mesmos!

E o sucesso de bilheteria importa menos

Que o prazer do próprio autor em vivenciar essa história

Bom filme!

Alda M S Santos

Cacos de histórias

CACOS DE HISTÓRIAS

Tem histórias que são tão bonitas

Tão verdadeiras, tão intensas, tão profundas

Que até seus cacos são arredondados, não ferem

Acariciam…

Tem histórias que são tão tristes

Tão amedrontadoras, tão surreais

Que mesmo inteiras ferem, cortam, machucam, sangram

Agonizam…

Nosso trabalho é descartar os cacos

Ou ir aparando os mais pontiagudos para não sermos feridos de morte

Quando não for possível jogá-los no lixo…

Nossas vidas viram de uma página para outra

De um capítulo para outro

E vamos interagindo entre eles

Bem ou mal

Dando nosso melhor, leais, sinceros, verdadeiros

Até o epílogo…

Alda M S Santos

Histórias ao vento

HISTÓRIAS AO VENTO

No princípio era assim: vários livros, pessoas e suas histórias

Ainda desconhecidas, a serem vividas, mas organizadas nesse livro

Um anjo, o Brincalhão, soltou todas as páginas de todos os livros

Um outro bem arteiro, Sapeca, soprou forte, bem forte

E os papéis voaram na ventania

Folhas, capítulos para todos os lados, terra, mar, montanhas, cachoeiras, campo, cidades

Áreas irrigadas e desertas, próximas e longínquas

E nossas histórias estão todas por aqui, espalhadas

Nosso papel é juntar novamente todas as páginas

Reescrever nossa história, começo, meio e fim,

Entrelaçar a outras histórias, encadernar nosso livro…

Os anjos foram mandados para arrumar a bagunça feita

Mas histórias “erradas”se misturaram e, às vezes, parecem bonitas desse jeito para uns

Mas nem tanto para outros…

Os anjos Brincalhão e Sapeca sopram de novo quando tudo parece desarrumado

Na tentativa de ajudar…

Arcanjos, querubins e serafins interferem, reorganizam

Somos autores construindo essas histórias que ora alegram, ora doem

Ora instigam, ora desanimam

Ora são puro amor e encanto

Ora são desilusão e sofrimento

E os anjos, atrapalhados e traquinas, tentam nos ajudar

Colam páginas erradas, outras certas, misturam enredos

E para desfazer e refazer dá muito trabalho, causa sofrimentos

Será que estamos com a página de alguém

Um capítulo que não é nosso

De uma história que não é nossa?

Onde estão nossas páginas para aquelas histórias que não encaixam bem

Aparentemente sem nexo, sem sentido, sem um fim no nosso livro?

Quantos capítulos que eram nossos abandonamos sem uma conclusão?

O Editor-Chefe assiste a tudo e observa nossas habilidades

E o que fazemos com o material que temos…

Afinal, Brincalhão e Sapeca nos deram oportunidades de crescimento

Que tipo de história há em nosso livro?

Um romance, terror, dramas, comédias?

Somos mesmo os autores de cada capítulo?

O quanto escrever nossa história tem implicado em apagar a história de alguém?

Se parecer sem sentido, se machucar, olhemos para o alto, “sopremos”

E um anjo virá nos ajudar…

Alda M S Santos

Best seller

BEST SELLER

Aquela história bonita que a gente tem escrita

E guardada nas gavetas de nossas estantes interiores

Em letras miúdas, frases curtas, versos simples

Longas orações subordinadas, muitas vezes sem nexo

Onde mocinhas encantadoras e seus pares românticos se encontram

Ou os vilões malvados, (in)felizes para sempre

Se misturam nas páginas coloridas como flores amarelas de nosso coração

Passam para os capítulos ilustrados e perfumados de nossa alma

E ficam presas na edição cinzenta de nossa mente

Ora fria e racional demais, ora confusa, medrosa e inerte

Que, ou nada entende, ou nada consegue traduzir

Para um bom Português

Assim, histórias bonitas estão presas por aí

Humor, suspense, romance, ficção, dramas, biografias

Aguardando um bom escritor e editor

Para torná-las uma obra de arte eternizada

Nos best sellers da biblioteca de alguém…

Alda M S Santos

Histórias

HISTÓRIAS

Onde moram as histórias?

Numa praça em uma cidade centenária,

Numa obra de arte, numa música,

Numa fonte luminosa, num rio corrente,

Numa escultura, num livro, num poema,

Numa estrada, num caminho tantas vezes trilhado?

Parece que sim! Mas não!

As histórias moram dentro das pessoas!

Pessoas que as criaram,

Que as escreveram, que as viveram.

Esses espaços, objetos e ambientes,

É que têm o poder de ativar as lembranças, boas ou ruins.

Ao olhar para qualquer um deles,

Algo desperta dentro da gente.

Somos recheados de histórias, de saudades,

De desejo de reviver, de nostalgia…

Nós somos a história!

Alda M S Santos

Memórias

MEMÓRIAS
“Fomos Garotas de Copacabana. Viu como eu era bonita? Igual você!”
Ela ajeitava seus lençóis o tempo todo. O espaço que era só seu.
Foto acima da cama, com nome, data de nascimento: 20/09/1930.
Um pequeno armário com o crucifixo pendurado, poucos pertences e fotos, muitas fotos.
Todas espalhadas na cama. Mostrava e contava sua história.
“Minha irmã morreu no Rio. Não tenho mais pra onde ir.”
Toda uma vida, memórias registradas ali em preto e branco, em cores.
Uma Bíblia, um livro do Pe Marcelo, todos inchados de fotos, cartões de aniversário, cartas, envelopes…
“Para marcar onde li e pra Jesus proteger. Jesus protege, sabia? Está com minha irmã! ”
Sim, e conosco também!- respondi.
“O meu coração é só de Jesus. A minha alegria é a Santa Cruz.”
Cantava e me pedia para acompanhar. A companheira ranzinza do quarto reclamou.
“Vamos parar! Ela dá chinelada na gente”.
Fui lentamente até ela. Expulsou-me. Insisti. Devagar. Deixei, voltei.
No final, coloquei a faixa de Miss Guerreira, abracei a ranzinza, beijei suas bochechas, sorriu, ganhei um “obrigada, vai com Deus”!
Deixei-as com suas histórias em papel, poucos objetos e memórias, muitas se apagando.
E fui embora com as minhas.
Farão parte de minha história a partir de hoje.
Alda M S Santos

De quantas histórias se faz nossa história? 

DE QUANTAS HISTÓRIAS SE FAZ NOSSA HISTÓRIA?

Rimos de chorar esses dias, minhas irmãs e eu!

Extremamente prazeroso lembrar episódios da infância

As artes, as birras, as surras, a cumplicidade de irmãos

As rixas, os ciúmes, as dificuldades, o amor acima de tudo.

Ou da adolescência, as incertezas, os medos, a baixa autoestima,

A incerteza do ser adulto ou ser infantil, espremido entre ambos.

Os amigos confidentes, os primeiros beijos e paixonites

A vida adulta, os compromissos, as responsabilidades…

Tantas são as histórias! Tão ricas de emoções!

Relembrá-las é viver de novo, com uma nostalgia boa

Sem os sofrimentos! Se possível com quem as viveu conosco.

Estes, mesmo se lembrados, já não doem tanto.

O que ficou foi a certeza de ter vivido algo especial

Com pessoas especiais,

Ainda que não façam mais parte do nosso convívio!

Minha história é feita de muitas histórias,

E muitos e valiosos personagens!

E a de vocês?

Alda M S Santos

Simples livros?

SIMPLES LIVROS?

Todo bom leitor tem um jeito particular de ler

Sentado, deitado na cama, na rede, no ônibus.

Rápido, lentamente, grifando, voltando atrás

Dando umas puladas por curiosidade…

Quer interagir, sugerir, interferir, participar.

Dependendo do livro, fica triste com o final

Continua imaginando a história em sua mente

Cria outros finais mais felizes, retira personagens, acrescenta outros.

Quase sempre quer que outros leiam, empresta, doa

Ou sente ciúmes daquela história e quer guardá-la só para si.

Alguns livros ficam esquecidos num canto empoeirado da estante

Sob as almofadas do sofá, numa gaveta qualquer,

Ou, mais queridos, ficam na cabeceira da cama, na bolsa

Alguns, cuja história é especial, ficam guardadas na mente,

Na alma, no coração, para sempre.

Não precisam da versão impressa, estão impressos em nós.

Cada pessoa de nossa vida é como um livro que lemos.

Há histórias grifadas, mexidas e remexidas,

As complexas e densas, que não se deixam ler facilmente

As fáceis e agradáveis de ler e interagir, as engraçadas, as tristes.

Nossa mente e nossos corações são nossas estantes

Alguns desses livros não queremos mais ler, outros estão guardados com carinho,

Há aqueles que são revisitados no fundo das gavetas,

Outros se confundem com nossa própria história, se mesclam, se fundem.

E, os mais interessantes, ainda estão sendo escritos

Ainda que a gente não se dê conta, a história continua

E é uma obra aberta com participações especiais.

E quem disse que não gosta de ler?

Alda M S Santos

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