DESERTOS E SEUS OÁSIS

Imagine o que é ouvir de alguém

“Hoje sei que sou importante

Mas nem sempre foi assim

Já me achei doente, a problemática, descartável

Já me acharam um nada, uma qualquer

Já quis morrer, já quiseram que eu morresse…”

Se já é doloroso ouvir isso de um ser humano

Imagine para quem viveu, para quem compartilha, agora, tal sentimento

Imaginar-se passando por um deserto desses

Seco, sem trilhas, sem vida, irrigado apenas por lágrimas

Despertadas pelas tempestades de areia quente que enfrentou

Onde os possíveis acompanhantes eram “inimigos”

Imagine, então, o que seria causar esse deserto em alguém

Ou, pior, ter retirado os oásis que ela poderia recorrer pelo caminho

Para irrigar os lagos secos dentro de si e renovar a vida?

Qual nossa responsabilidade de ouvinte?

Ser, senão a água ou o camelo que a retira de lá

Tentar ser, pelo menos, os arbustos do caminho

Onde possa se abrigar do sol quente e descansar sob seus galhos

Ser a fonte de energia que ela precisa para prosseguir

Ser apenas outro ser humano que entende de desertos, de oásis

Mostrando que, devagar, um passo de cada vez

É possível sair de lá e, mais que sobreviver

Querer viver!

Alda M S Santos