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Desertificando

DESERTIFICANDO

Um planeta desértico estamos nos tornando

Picos de temperatura, amplitude racional, aridez emocional

Deserto de compaixão, de doação, sensação de solidão, abandono

Desconhecimento do outro, que parece tão longe ou inexistente

Perdidos e sem rumo, a esmo, presos à ingratidão

Grudados a “valores” questionáveis, a egos indomáveis

Mas como em todo deserto

Enquanto houver lembrança da umidade e frescor

Enquanto brilhar a esperança de um oásis

Enquanto estiver firme o desejo de mudança

Ainda será possível abrir os olhos e o coração

A despeito da ventania, da areia, do calor intenso

E, em marcha, seguir toda a humanidade

Um passo de cada vez

Um ser humano após o outro

Em busca de nova vida…

Alda M S Santos

Qual seu oásis?

QUAL SEU OÁSIS?

Qual seu oásis?

Aquele repouso tão sonhado e desejado

Pós longas caminhadas sedentas no deserto?

Qual seu oásis?

Pós lábios ressequidos, pele castigada pelo sol escaldante

Tempestades de areia furiosas maltratando os olhos

Qual seu oásis?

Pós calor intenso do dia a derreter seus miolos

O frio noturno a quase roubar sua sanidade?

Qual seu oásis?

Pós solidão, abandono, sensação de estar perdido, sem rumo?

Qual seu oásis?

Aquele que reduz seu cansaço com um olhar

Que molha seus lábios num beijo

Devolve a sanidade, a sensação de fazer parte num abraço

Lembra que você é importante, que não está só

Irriga sua alma de alegria, esperança, mesmo que temporária?

Qual seu oásis?

Todo deserto precisa de oásis

Toda vida carece de refrigérios…

Qual seu refrigério?

Alda M S Santos

Desertos e seus oásis

DESERTOS E SEUS OÁSIS

Imagine o que é ouvir de alguém

“Hoje sei que sou importante

Mas nem sempre foi assim

Já me achei doente, a problemática, descartável

Já me acharam um nada, uma qualquer

Já quis morrer, já quiseram que eu morresse…”

Se já é doloroso ouvir isso de um ser humano

Imagine para quem viveu, para quem compartilha, agora, tal sentimento

Imaginar-se passando por um deserto desses

Seco, sem trilhas, sem vida, irrigado apenas por lágrimas

Despertadas pelas tempestades de areia quente que enfrentou

Onde os possíveis acompanhantes eram “inimigos”

Imagine, então, o que seria causar esse deserto em alguém

Ou, pior, ter retirado os oásis que ela poderia recorrer pelo caminho

Para irrigar os lagos secos dentro de si e renovar a vida?

Qual nossa responsabilidade de ouvinte?

Ser, senão a água ou o camelo que a retira de lá

Tentar ser, pelo menos, os arbustos do caminho

Onde possa se abrigar do sol quente e descansar sob seus galhos

Ser a fonte de energia que ela precisa para prosseguir

Ser apenas outro ser humano que entende de desertos, de oásis

Mostrando que, devagar, um passo de cada vez

É possível sair de lá e, mais que sobreviver

Querer viver!

Alda M S Santos

Oásis

OÁSIS 

Para os caminhantes do deserto

A simples “alucinação” com o oásis

Mantém ativo o fio da vida, 

Até que se torne real! 

Alda M S Santos

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