OLHAR OPACO

Encontraram-se muito tempo depois

Num espaço além-terra, fora da galáxia

Abraçaram-se longamente, sem nada dizer

Palavras desnecessárias, supérfluas, troca de calor

Encontro de corpos onde já havia afinidade de almas, intimidade de ideias

Sabiam de que barro foram feitos todos os humanos

Nem a troca de olhares era possível, córneas opacas, cegas

“Não posso mais te ver, mas posso te sentir”

“Sinto seu cheiro, ouço sua voz, o carinho que sempre me dedicou”

“Não preciso dos olhos para saber que é você, amor inigualável que recebi”

“Não chore! O amor tem muitos meios de se fazer marcante, presente”

O abraço longo, saudoso, de outra vida comprovava tudo

Em sonhos…

Alda M S Santos