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poemas e reflexões da vida cotidiana

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alma

Que te faz bela?

QUE TE FAZ BELA?

Que torna uma pessoa bela?

Tudo bem, desconsidere atributos físicos

Essa obviedade todos sabemos

Traços harmônicos, corpo saudável, bem cuidado

Isso já é clichê…

Além disso, que torna bela uma pessoa, verdadeiramente,

Que não se perde com o tempo?

Um sorriso iluminado, mesmo com rugas?

Um olhar brilhante mesmo com lágrimas?

O coração bondoso e as mãos estendidas,

A serenidade e autenticidade,

As palavras de amor e delicadeza?

Que faz uma pessoa bela e atraente?

Uma alma em paz consigo mesma,

A paz e leveza que transmite

Que não se envergonha de se desnudar?

Sim, essa é bela com certeza! Aparece e extravasa no sorriso e no olhar

E o tempo só favorece…

Essa é a beleza que vale a pena cultivar!

Nada há mais lindo que uma alma nua e limpa

De braços abertos para a vida

Essa beleza a própria pessoa a sente, independe dos outros

Vem de dentro para fora…nua…

Alda M S Santos

Sem caixas, por favor!

SEM CAIXAS, POR FAVOR!

Há pessoas que vivem cercadas de caixas

E nelas vão distribuindo as outras pessoas de acordo com seus critérios

Algumas caixas elas aceitam, outras descartam

E há ainda as caixas que ficam de reserva

Só gostam daquelas que cabem direitinho ali

Ou que se adequam para “enquadrar”

Muito complicado caber nas caixas alheias

Muitas vezes sobram partes da gente para fora

Que logo extirpam de nós

Noutras precisamos forçar, nos dobrar inteiros para entrar ali

Ou temos que nos moldar tanto para adaptar

Que além de doer muito

Com o tempo não mais nos reconhecemos

Quem gosta da gente nos aceita como somos

Claro que podemos melhorar, evoluir

Mas não a esse custo, ingresso muito caro a se pagar

Não dá para forçar tanto para agradar aos outros

Não importa por qual razão

Essas caixas costumam ser prisões

E prisão é sempre prisão

Mesmo que venha enfeitada de sol, lua ou coração…

Se coubermos de verdade na vida de alguém

O coração aceita do jeitinho que somos

Pacote de defeitos e qualidades…

Sem caixas, por favor!

Alda M S Santos

Seria muito?

SERIA MUITO?

Seria muito imaginar que fui o sonho de alguém

Que minha existência foi planejada

Que antes de aqui chegar eu existi em outro lugar

E foi a mente, a alma, o coração

A imaginação e o desejo de um alguém

Que me tornaram possível viver por aqui?

Será que estive antes no coração de meus pais

Que tudo estava combinado previamente

Que para esta dimensão eu viria

E que teria por aqui um trabalho a fazer?

Seria muito pensar que me materializei nesse plano

Para tornar real o amor de um alguém?

Seria muito imaginar que esperam algo de mim

Que me “vigiam” o existir e o fazer

Na esperança de que eu caminhe sempre para e pelo bem?

Sendo assim, seria muito pedir

Que me perdoassem os atos falhos

Os caminhos sem saída que peguei

As trilhas com inúmeras bifurcações que me enveredei

A luz que outras vezes ignorei?

Seria muito pedir, a quem sonhou comigo

A quem permitiu meu existir

Que estivesse sempre a meu lado

Levando-me pelas mãos para o melhor caminho

Que não me permitisse fugir

Orientando-me com palavras de doçura e carinho

Alertando-me aos buracos nas vias existenciais

Preparando-me para o porvir

Dando-me colo, atenção, amor?

É que pareço forte, sabe

Mas, a verdade, é que tantas vezes só quero um pouquinho de colo

De apoio e da certeza de que não estou só

Seria muito pedir?

Alda M S Santos

Anjos que choram

ANJOS QUE CHORAM

Absorvendo nossas quedas e dores

Anjos se machucam, anjos choram

Choram quando veem que insistimos no caminho errado

Choram quando nos ferimos

Choram quando ferimos os outros

Choram quando não conseguem nos ajudar

Choram quando choramos…

E o mundo chora com eles

Aqueles que estão por aí

Insistentes, persistentes, corajosos

Que se machucam, se ferem, se doem, se doam

Por aqueles que protegem nas dores

Que acolhem no sofrimento, na fragilidade

Se olharmos bem, se apurarmos nossos ouvidos

Seremos capazes de ouvir o choro dos anjos

De ver seu sofrimento atrás de sorrisos

Suas lágrimas silenciosas nas batalhas por nós

Por lutar por seres humanos melhores

Por um mundo melhor,

Anjos choram…

Quem são nossos anjos?

Alda M S Santos

Essa luz…

ESSA LUZ…

Passa por pequenas frestas

Clareia o caminho, nos guia

Tantas vezes é ignorada

Essa luz é condutora de energia

Passe o tempo que passar

Sempre será ela a mais procurada

Essa luz acende esperanças, insiste

Invade recantos mais escuros

Não teme a dor, não desiste

Escala montes, derruba muros

Essa luz reflete o que há na alma

É condutora, principalmente de amor

Abre trilhas, constrói pontes

Atrai e une sentimentos e pessoas afins

Liga, conecta interior ao exterior

Essa é a luz do Senhor!

Deixe-se iluminar!

Alda M S Santos

Degustação

DEGUSTAÇÃO

Numa analogia com um grande restaurante

A vida teria uma quantidade diversa de clientes

Glutões, famintos, anoréxicos, bulímicos

Aqueles que comem de tudo sem critério ou medida

Os que não ingerem quase nada por medo de peso extra

Os que engolem de tudo desenfreadamente e logo vomitam, descartam

Aqueles cujo organismo não dá conta de processar muito bem o alimento

Os que querem apenas variedade, sem qualidade

Os que ficam pegando rebarbas dos pratos alheios

Os que preferem somente a degustação, não pagam o preço do “prato”

Passam fome…

E aqueles sábios e experientes que sabem o que querem

Buscam exatamente o que precisam para se alimentar

Não se encantam mais só pela apresentação ou aroma do prato

Buscam prazer e valor nutritivo num prato que seja seu

Que tenham plantado ou pescado

Querem alimento para o corpo e para a alma

Estão sempre bem alimentados

Sabem que degustação por degustação não traz satisfação…

Alda M S Santos

Perseverança

PERSEVERANÇA

É preciso perseverar!

Férias não duram para sempre

Festas têm fim, lazer tem prazo determinado

Paz e tranquilidade não são eternas

Mas podem oscilar menos dentro de nós

Para manter algo de bom

Conquistado em momentos ímpares

É preciso perseverar!

Saber usar a bateria que foi recarregada

A emoção que foi bem trabalhada

A alma que se abasteceu transbordando encantos e cuidados

É preciso perseverar!

Se quisermos manter a cor e o tom do verão

O dourado bonito da pele que atinge a alma e faz brilhar o sorriso

A leveza, a tranquilidade e doçura de uma brisa marinha

Ou vivermos para sempre em lua de mel com a vida

É preciso perseverar!

Enfrentar com energia e paciência os outonos e invernos

Curtir também o que de bom podem oferecer

Não se pode desesperar

É preciso perseverar!

Alda M S Santos

Alma sedenta

ALMA SEDENTA

Basta um mínimo de água

Pode ser num copo, numa torneira

Em ondas revoltas do mar, contornando pedras numa cachoeira

Num pequeno riacho, caindo do céu ou escorrendo dos olhos

Para matar a sede, a saudade de um lugar

Para se refrescar, fazer uma tempestade ou se afogar …

A quantidade necessária a cada um

Ou o uso que dela se faz é individual

Pode ser apenas enxugando os olhos molhados

Refrescando os pés descalços, relaxados

Abrindo os braços para se encharcar

Mergulhando fundo até não mais voltar

Ou até obter abastecimento satisfatório da alma sedenta…

Alda M S Santos

Todo o tempo: sempre que nos aprouver

TODO O TEMPO: SEMPRE QUE NOS APROUVER!

De vez em quando precisamos arrumar nossas gavetas internas

Para não ficarmos tão perdidos quando precisarmos encontrar algo especial numa emergência

Colocar numa gaveta de fácil acesso aquelas “peças” que usamos todo o tempo

Que nos fazem sorrir e ver a vida mais colorida e bonita

Separar para doação aquelas “peças” que já não nos servem mais, justas ou largas,

Ou porque nosso “corpo” mudou ou nosso gosto que não é mais o mesmo

Farão outros felizes como nos fizeram

Devolver ao verdadeiro dono algumas “peças” que nunca foram nossas

Usamos por empréstimo por um tempo e quase acreditamos que eram nossas

Jogar fora as “peças” velhas, cheiro de naftalina, como moletom disforme e surrado, que já esgotaram tempo de uso

E nos fazem pensar que também estamos rotos e surrados

Guardar numa gaveta secreta aquelas “peças” que são preciosas, pouco usadas

Melhor ainda, usar tudo de valioso que temos quando melhor nos aprouver

Todo o tempo, se possível!

Fazer da vida um eterno passo de dança, como diria Sabino,

Sempre há quem goste de dançar…

Sabe-se lá quando poderá aparecer um ladrão e levá-las de nós,

Ou sermos delas levados?

Não sou boa em arrumar gavetas, de qualquer tipo

Tenho dificuldade em me desfazer das “coisas”

Mas sempre aprendo algo quando vou arrumá-las

Tenho muito mais “coisas” valiosas do que pensava…

Alda M S Santos

 

Na dolorosa despedida

NA DOLOROSA DESPEDIDA…

Chegou a hora de ir, tinha medo, não se sentia pronta ainda.

-Não posso ficar mais um tempo aqui?

-Você é quem escolhe, mas sabemos que é chegada a hora.

-Tenho medo! E se eu errar, me perder, cair, te decepcionar?

-Poderá sempre recorrer a mim, poderá aprender, mudar!

-Olhando daqui tudo parece fácil, claro, tenho você, mas lá fora é assustador!

-Confie! Você é fruto do amor, aprendeu muito, é perspicaz.

-Será? E se me ferir, machucar os outros, não conseguir consertar as coisas, cair nos mesmos buracos deles?

-Olhe para dentro de si, ore, busque tudo de bom e amoroso que tem aí dentro!

-Mas você não estará lá comigo! E quando me sentir desamparada?

-Você está levando anjos preciosos contigo! Cuide deles! Deixe-se cuidar!

-Mas lá é nebuloso, há outros que nos enganam, que querem nos levar para longe de nós, de ti.

-Eu sempre estarei contigo todo o tempo, dentro de você!

-E se eu não conseguir vê-lo? Como saber?

-Procure-me naqueles que precisarem de você. Se forem do bem, você me verá neles.

-E se forem do mal não devo me demorar neles…

-Sim. Ajude até o ponto em que tenha certeza do que é certo e não corra riscos…

-E se eu quiser voltar? Se me cansar, estiver ferida, quiser colo, sentir saudades?

-Estarei aqui. Conheço sua força e seus limites. Saberei o momento de te trazer de volta!

-E vá logo, minha filha, e lembre-se: EU AMO VOCÊ!

Ela recebeu um abraço demorado, um olhar de puro amor de PAI MISERICORDIOSO, e desceu.

Alda M S Santos

Sentia frio…

SENTIA FRIO…

Todos os dias levantava cedinho

Sentia frio sempre, muito frio…

O sol chegava tão devagar quanto ele, parecia não aquecer

Buscava um banco na praça onde os raios já iluminavam

Queria se esquentar, se aquecer, fazer correr calor em suas veias

Sentia frio sempre, todo o tempo…

Encolhido em si mesmo, pele enrugada tanto quanto suas emoções

Olhos ao longe observava as crianças barulhentas, agitadas, aquecidas

Será que tinha saudade de sua meninice?

No outro banco um casal de namorados parecia uma só pessoa

Ficou um tempo a observá-los

Havia calor ali…

Mas ele sentia frio, muito frio…

Daquele que atinge os ossos, todo o interior

Aquele frio que nenhum cobertor, chá ou escalda-pés resolvia

Voltou-se para dentro de si buscando calor de outras épocas

Queria se aquecer novamente!

Um calor recheado de afeto e carinho como colo de mãe

Um calor adocicado e suave como sorriso melado de criança

Um calor intenso e molhado como beijo da mulher amada

Queria que o frio fosse embora

Queria aquecer a alma…

Alda M S Santos

No fundo de um olhar

NO FUNDO DE UM OLHAR

Atravessar a grossa camada de gelo que o separa do mundo

Passar pela névoa densa que o protege, deixando-o opaco e sem brilho

Mergulhar na espessa, escura e profunda liquidez

No fundo de um olhar

E lá ficar…

Sondar espaços e ambientes, enxergar nesgas de luz

Buscar um novo ângulo, nova perspectiva, nova compreensão

Estender a mão, o abraço, um amasso, o perdão

No fundo de um olhar

Arriscando não mais voltar…

Perder-se em obscuridades e labirintos confusos

Vencendo saudades, medos, culpas e inseguranças

Reconstruir trilhas desfeitas, derrubadas

No fundo de um olhar

E novamente se encontrar…

Trazer à luz a paz retida no fundo da alma

Abrir as persianas que sombreiam a retina

Iluminar o verde da esperança que Ele nos dá

No fundo de um olhar

Resgatar a alegria

Fazê-lo novamente brilhar!

Alda M S Santos

Verdades e mentiras

VERDADES E MENTIRAS

Uma mentira repetida muitas vezes

Continua sendo uma mentira

Mesmo sendo uma mentira “benéfica”

Uma verdade ignorada muitas vezes

Nunca deixará de ser uma verdade

Ainda que seja uma verdade dolorosa

Porém, a mentira atrai os falsos, os de caráter duvidoso

A verdade é ímã para o que é autêntico e real

Isso nós podemos escolher…

O que ser para nós e para os outros

O que manter ou atrair para perto de nós!

Alda M S Santos

#carinhologos

Gaiolas para quê?

GAIOLAS PARA QUÊ?

Não precisamos prender

Joguemos fora nossas gaiolas

Se quisermos manter perto de nós

Conquistemos a confiança, cuidemos, alimentemos

Para atrair e manter perto quem amamos

Não cortemos as asas, não silenciemos o canto

Mostremos admiração, respeito, amor, cuidado

E sempre estarão ao alcance de nossas mãos, de nossos corações

Em plena sintonia…

Alda M S Santos

Sepultamentos

SEPULTAMENTOS

Muitos “pequenos” sepultamentos enfrentamos ao longo da vida

Infância e inocência sepultadas tão cedo

Amigos imaginários e super-heróis enterrados pela razão

Amigos “para sempre” da adolescência separados pelas trilhas incertas do futuro

Amizades e amores de juras eternas soterrados pelas circunstâncias, distância ou incompreensão

Sonhos, esperanças, desejos afogados nas águas turvas da realidade

O viver se impõe e “mata” o que poderia sufocá-lo ou estacioná-lo

A vida segue sempre em frente, à nossa revelia, ignorando nossos sepultamentos

Para o renascer faz-se necessário abrir espaço em nossos canteiros internos

Para viver, às vezes, é preciso morrer para algumas coisas

E de pequenas em pequenas mortes ou perdas

De pequenos em pequenos sepultamentos “indolores” a que somos submetidos

Vamos nos preparando para a “perda” derradeira…

Só não vale valorizar mais os sepultamentos que os renascimentos

“Para alguns a vida sepulta mais que a morte”(Mia Couto)

Alda M S Santos

Nossos afluentes

NOSSOS AFLUENTES

Tão pequeninos e frágeis nascemos, pequeno broto de vida

Tal qual uma pequena nascente, um olho d’água na serra

Carecemos de cuidados e proteção

Nós, de alimento, de abrigo, de calor, de amor

As nascentes, das matas ciliares, das raízes protetoras

Não fossem os cuidados que recebemos ao longo do caminho

Dos afluentes que avolumam nosso leito e fortalecem nossas esperanças

Do sol que nos aquece, alegra, ilumina

Da lua que nos encoraja nos medos da escuridão

Daqueles que confiam e se banham em nossas águas rasas ou profundas

Mesmo com certas represas que se arrebentam e despejam rejeitos sobre nós

Não teríamos forças para desviarmos das pedras, dos obstáculos mil

Pereceríamos muito cedo, antes da linha de chegada

Não chegaríamos ao mar, ao nosso destino…

Alda M S Santos

A dor mais doída

A DOR MAIS DOÍDA

A dor mais doída é certamente a que sentimos no momento

Podemos até com certa sensibilidade imaginar a dor do outro

Mas, se nunca a sentimos, não dá para mensurar com precisão

Porém, penso ser unanimidade:

A dor mais doída é aquela que remédio não cura

Uma ida à farmácia e uma cesta de medicamentos não amenizam

Para as dores do corpo há remédio: agudas ou crônicas

Mas para as dores da emoção, da alma, do coração

Não há ida à drogaria que cure!

Aquela mágoa com o outro que aperta o coração

Aquela decepção que inunda olhos e alma

Aquela culpa ou frustração que minam a autoconfiança

A saudade daqueles que se foram sem volta

As dores mais doídas dentro da gente ninguém mensura

As dores mais doídas são as da tristeza e mágoa

Escurecem os olhos, apagam o sorriso, afastam-nos de nós mesmos

A ida à farmácia deve ser substituída por um passeio longo dentro de nós, todos os recantos…

E acreditar que encontraremos um caminho claro e bonito

E seguir…

“A tristeza é como um rio

Se estancada, ela aprofunda.(Pe Fábio de Melo)

Alda M S Santos

Raiz exposta

RAIZ EXPOSTA

Nevrálgica é a dor daquela raiz exposta

Onde sempre estavam tão bem escondidas nossas inadequações, tormentos

Cobertos pela terra existencial, pelos ajeitamentos, por vezes, inoportunos

Nas raízes estão nossas reservas, nosso alimento, nossa força, nosso interior

Também ficam ali nossas fantasias, medos, lamúrias, angústias, fraquezas

Raiz exposta assusta, machuca, fragiliza

É nudez que não se cobre com tecidos, necessário se faz o cobertor do amor

Impera criar espaços para agregar novos valores

Urge auscultar o próprio coração, socorrê-lo nas arritmias

Acreditar que nossa inteireza só se completa

Quando nos aceitamos como incompletos

Tantas vezes nos sentimos inadequados em nossa nudez, impróprios, feios

Exposição que assusta mais a nós mesmos

Crescemos quando enfrentamos nossa história pregressa que ali se impõe

E, mesmo nus, abraçamos nossos joelhos com carinho

E passamos a não ter mais tanto medo de raízes expostas…

Alda M S Santos

Águas passadas

ÁGUAS PASSADAS

Águas passadas carregam em si um rastro da gente

Que nunca conseguiremos deixar totalmente para trás

Em paralelas, curvas, profundas ou rasas, carregam consigo partes do nosso coração, da nossa mente, da nossa alma

Sujas ou limpas, feias ou bonitas, claras ou escuras, são nossas marcas

Dignas de orgulho ou arrependimento, alegrias ou tristezas, foram importantes

Fizeram de nós o que somos

Ignorá-las é desconsiderar nossa história

Podem não mover mais os mesmos moinhos

Mas insistirão em nos seguir

E nos lembrar que as mesmas águas que giraram as pás da nossa vida,

Podem mover as hélices de quem vem atrás de nós, ou está ao nosso lado

Mansas ou tempestuosas, estarão no caminho de pessoas que nos são caras

Causando garoas tranquilas ou destruidores furacões.

Alda M S Santos

Cumpriu seu papel, multiplicou seus dons…

CUMPRIU SEU PAPEL…MULTIPLICOU SEUS DONS…

Sempre que alguém se vai, segue o caminho de volta para casa

Essa é uma das frases que costumamos ouvir “cumpriu seu papel”

Qual é nosso “papel” no mundo? É o mesmo para todos?

Onde está determinada nossa agenda a cumprir, quem controla?

Uns deixam importante legado para a humanidade

Grandes cientistas, artistas, religiosos, humanistas…

Outros deixam boas marcas em seu núcleo profissional, social

E há aqueles, a maioria, que deixam “apenas” saudades por umas duas ou três gerações de familiares e amigos

Algum deles é mais importante que o outro?

Qual terá sido nosso papel pré-determinado ao nos aventurarmos nessa empreitada?

Se temos habilidades e dons diferentes, mesmo todos sendo humanos

Penso que “cumprimos nosso papel” ao utilizarmos ao máximo o que recebemos

Se possível, indo além disso, sem desperdícios…

Sempre que avalio isso, penso na parábola dos talentos Mt, 25,14-30

E Ele nos esperando e dizendo: “Senta aqui, filho, vamos ver como usou seus talentos”…

Estamos cumprindo nosso papel?

Alda M S Santos

Olhar opaco

OLHAR OPACO

Encontraram-se muito tempo depois

Num espaço além-terra, fora da galáxia

Abraçaram-se longamente, sem nada dizer

Palavras desnecessárias, supérfluas, troca de calor

Encontro de corpos onde já havia afinidade de almas, intimidade de ideias

Sabiam de que barro foram feitos todos os humanos

Nem a troca de olhares era possível, córneas opacas, cegas

“Não posso mais te ver, mas posso te sentir”

“Sinto seu cheiro, ouço sua voz, o carinho que sempre me dedicou”

“Não preciso dos olhos para saber que é você, amor inigualável que recebi”

“Não chore! O amor tem muitos meios de se fazer marcante, presente”

O abraço longo, saudoso, de outra vida comprovava tudo

Em sonhos…

Alda M S Santos

Autoridade feminina

AUTORIDADE FEMININA

Toda mulher possui autoridade, chorando ou sorrindo tem postura de deusa, de rainha

Autoridade conferida pelo afeto, capaz de comandar um batalhão

Sem parecer que moveu sequer uma palha, cheia de doçura, fada madrinha

Olhar que diz mais que uma ladainha inteira, que gera por respeito a desejada ação

Toda mulher possui autoridade conferida pelo amor

Amor que gera vida dentro de si, amor que cria, que dá colo, que protege

Amor que se passa por frágil, que amansa leões com sorriso, que cura com beijinho uma dor

Amor que desperta vontades, satisfaz desejos, que revoluciona o ser, que a todos rege

Toda mulher possui autoridade conferida pela Criação

Daquele que a fez capaz de retirar forças tanto das lágrimas dolorosas quanto de um sorriso singelo, brava lutadora por aconchego, por união

Daquele que a desenhou com traços finos, alma delicada, rica, amorosa, agregadora, hábil em sentir e despertar compaixão

Alimentada e abastecida por qualquer atitude que demonstre amor, carinho e proteção…

Somos assim, mulheres…por Ele sonhadas

Evas, Madalenas, Anas, Esters, Marias, Rutes, Saras da Criação…

De ontem, de hoje, do amanhã, de sempre

Alda M S Santos

Preferências

PREFERÊNCIAS

Há quem olhe para a poeira e feiúra das ruínas

Mas há quem veja nelas a possibilidade de encontrar um baú de tesouros

Há quem se assuste com os barulhos e destruição das tempestades

Mas há os que aguardem ansiosos o arco-íris que a elas se segue

Há quem veja naufrágio, sombra, afogamento e terror nas ondas revoltas do mar

Mas há quem veja sossego e paz em suas águas verdes e espuma branca que lavam e levam embora o indesejado

Há quem veja numa árvore frondosa muitas folhas a sujar o quintal ou a rua

Mas há quem veja galhos para subir, flores e pássaros para admirar, frutos para se alimentar

Há quem se enfeze com os espinhos, pragas e ervas daninhas dos jardins,

Mas há quem se alegre e sinta o perfume, as cores e músicas encantadores

Há quem reclame do cansaço do trabalho ou dos estudos

Mas há quem se fixe no bem que essa dedicação pode trazer

Há quem se põe, rabugento, inerte, a criticar os corajosos, alegres e afoitos

Mas há aqueles que, apesar de joelhos esfolados, cara quebrada, mantêm o sorriso pedalando sua bicicleta

Há quem evite amar, confiar, por medo de ter o coração partido

Mas há os que amam, se arriscam, ganham ou perdem, sorriem, choram, sofrem, têm saudades, vivem…

E há aqueles que percebem-se de coração partido por falta de uso, de vida.

Todos podemos ter medos, nos assustar, nos acovardar, desconfiar, entristecer, fraquejar, reclamar das dificuldades…

Mas o que fazemos com esses sentimentos tão humanos,

É que dá o tom diferencial de nossas vidas….

Alda M S Santos

Ora, ora…

ORA, ORA…

Ora dor, ora prazer, ora tristeza, ora alegria

Ora tudo isso junto de mãos postas a orar…

Ora sussurro que acalma, ora grito que enerva, ora silêncio que enlouquece

De joelhos, ora que melhora…

Ora sorriso que encanta, ora canção que inebria, lembranças saudosas a toda hora

Que ora alegram, ora machucam, ora se desfazem em nuvens tempestuosas

Ora com fé que passam suavemente todos os amarrotados da alma…

Ora confia e põe-se a orar, independente da hora

Ora por gratidão, por arrependimento, por perdão, por sonhos e desejos a realizar

Mas não fica estagnado, ora e não para

Até mesmo um milagre precisa de algo mais que uma alma amarrotada que se prostra e ora

Precisa de mãos e mentes que ajam a toda hora…

Alda M S Santos

Uma questão de cabimento

UMA QUESTÃO DE CABIMENTO

Quando não estamos cabendo bem dentro de nós mesmos

Nenhum lugar será bom o bastante para nos acomodar

Nunca será agradável, nunca nos sentiremos em casa

Ou será apertado como sapato novo ou grande demais como roupa de irmão mais velho

Tão escuro como noite sem estrelas, ofuscante demais como luz refletida no espelho

Será tão barulhento quanto quarto de adolescente, ou silencioso e triste feito funeral em dia de chuva

Enquanto não coubermos dentro de nós mesmos

Como meias quentinhas em tardes de domingo chuvoso

Não haverá cabimento para nós dentro de ninguém

Em lugar algum!

Alda M S Santos

Páginas arrancadas

PÁGINAS ARRANCADAS

Foram arrancadas páginas importantes, boas ou más de nossa história

Páginas que, de um modo ou de outro, redirecionaram a trama toda

Emboladas e lançadas na lixeira, descartadas ou reescritas

Ou simplesmente sepultadas no arquivo morto de nossa alma…

Muitas páginas foram arrancadas do livro de nossa existência, por nós ou por terceiros

Dos capítulos vitoriosos, ou não, de amor, trabalho ou amizade

Páginas arrancadas sob vontade, protesto, lágrimas, sorrisos ou decepções

Deixam vazios, alívio ou saudades…

Páginas arrancadas são o making-off de nosso sucesso ou fracasso

São rascunhos preciosos dessa obra-prima que chamamos vida…

Alda M S Santos

Linguagem do amor

LINGUAGEM DO AMOR

O amor tem uma linguagem única, especial, original

Independente do tipo de amor…

Pode ser o vocabulário, o toque, uma canção, uma brincadeira, um olhar, um abraço diferente

E que será resgatado e reconhecido quando as palavras ou um dos outros faltarem

Sempre chamo as idosas do asilo de “amor da minha vida”

Faço carinho nos cabelos, beijo a testa, canto, “gasto”, como diz uma delas

Tenho, como os outros, um jeito só meu de demonstrar o amor

Uma das idosas de 92 anos que adorava cantar conosco

Alegre, brincalhona, receptiva aos carinhos

Sofreu AVC e perdeu a comunicação verbal, parecendo pouco interagir

Estava chorosa, mas sorriu com carinhos e canções conhecidos, respondeu com o corpo, reconheceu-nos

Percebemos cada dia mais que há muitas maneiras de expressar o amor

Eles sentem isso, nós sentimos isso!

Nós aprendemos e usamos a rica linguagem do amor!

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Apenas uma vez

APENAS UMA VEZ

Ele diz categórico, atrás daquela postura encurvada, “apenas uma vez é permitido esse erro”!

O olhar daquele idoso cheio de dignidade era de profundo cansaço naquele ambiente solitário

Gosto de imaginar histórias atrás de olhares, particularmente os nostálgicos

Acabei dando abertura e ele me confidenciou:

“Sou triste, mas tenho alegrias também, pois carrego a culpa de ter destruído nessa vida apenas uma família: a minha”

Falei que a vida é aprendizado mesmo, equilíbrio entre erros e acertos…

“Tive chance de talvez ser novamente feliz, mas não podia carregar o peso de afastar outro pai do convívio com os filhos, como aconteceu comigo e meus filhos”

Era uma pessoa melancólica, mas tinha uma certeza ao vasculhar seus arquivos pessoais

“Deus nos deixa agir errado, se é nossa escolha, mas o mesmo erro Ele só perdoa uma vez”

Era essa convicção que mantinha sua integridade moral

E ao fazer o equilíbrio, o balanço de sua vida

Erros iam sendo amenizados pelos acertos, fazendo a ponte entre perdas e ganhos…

Afirmei que não podemos carregar a responsabilidade da felicidade de todos, tentando animá-lo

E enfatizei que Deus até nos perdoa muitas vezes,

Mas nós mesmos é que, nem sempre, suportamos o peso de nossas culpas

“Nosso céu ou nosso inferno estão aqui dentro, moça bonita”!- diz apontando para a cabeça.

Felicidade que carrega o ônus da infelicidade alheia é muito pesada

E a vida acaba por cobrar o preço…

Alda M S Santos

Acendendo nossa luz

ACENDENDO NOSSA LUZ

Dons que todos temos, mas que pouco desenvolvemos

Acender ou apagar, ligar ou desligar

A energia necessária para viver e fazer nossa luz propagar

Uns encontram uma faísca de luz num completo breu

Outros apagam até um holofote

Uns transformam nossos cacos de vidro em diamante

Nossas pedras em ouro, nossas dores em esperança

Outros, apagam nosso sorriso com críticas, veem nossa alegria como algo irritante

Uns buscam o que há de bom até nos defeitos

Outros, ao contrário, querem, a todo custo, encontrar o que há de ruim nas qualidades

Na triste incapacidade patológica de verem qualidades em si mesmos

Tentam também não enxergá-las nos outros

Pior, enaltecem apenas o ruim dos demais e até de si mesmos

Visam apagar tudo que o outro tem e o faz um ser único, especial

Inconscientemente, acabam apagando a própria luz

E, talvez, um possível gerador de luz e brilho que o outro poderia vir a lhe ceder…

Alda M S Santos

Amore

AMORE

Amore, quando faltar sossego, busque refúgio em sua alma

Ela possui uma cama quentinha e aconchegante pra te acalmar

Amore, quando precisar de disposição, busque-a em sua alma

Ela é um depósito com livre acesso a lembranças e sensações boas e animadoras

Amore, quando sentir falta de perdão, busque-o em sua alma

Ela é um “tribunal” verdadeiro e justo

Amore, se as sombras apagarem ou confundirem seu caminho, siga a trilha da sua alma

Nela está a única luz capaz de iluminar sua caminhada

Amore, se tiver necessidade de sentir-se vivo, em paz, busque vida em sua alma

Nela, por mais inóspita que esteja, Eu vivo lá

Amore, se quiser ser amado, busque sua alma

Lá está seu eu verdadeiro, o melhor de si…

Tudo que você precisa para ser feliz está lá

Porque Eu estou lá, se puder Me ver…

E Eu nunca deixarei você sozinho!

Pode confiar em Mim, no Meu amor? 🙏😇

Alda M S Santos

Que vês no seu espelho?

QUE VÊS NO SEU ESPELHO?

Olha todos os dias nele, demorada ou rapidamente

Ao lavar o rosto, maquiar-se, fazer a barba, escovar os dentes

O que seu espelho reflete de volta, insistentemente

Qual imagem te mostra, vê algo diferente?

Que vês no seu espelho?

Rugas que mostram a cada dia um caminho que foi trilhado

O olhar com aquele brilho molhado, por vezes, decepcionado

Um sorriso disfarçado, ora amarelado, emocionado

Tentam esconder quantas vezes foi quebrado

Que vês no seu espelho?

Um ser humano sofrido, sobrevivente de lutas admiráveis

Repleto de cicatrizes, marcas no corpo, na alma, indeléveis

O peso do olhar, covardia ou coragem ao se encarar

Ao cobrar de si mesmo: que fez pra se orgulhar, se envergonhar?

Que vês no seu espelho?

Cada ruga, cada lágrima, cada sorriso, um sinal de amor

Uma saudade funda, uma alegria rasa, uma tristeza, um dissabor

Em cada marca, uma história, em cada quebra, uma dor

De quantas quebras um ser humano é capaz de se recompor?

Que vês no seu espelho?

Vê-se apenas viver, ser sorriso, ora flor, ora beija-flor…

Alda M S Santos

Indignos

INDIGNOS

A cada vez que nos questionamos aflitos, perdidos

Por que fulano me abandonou, ou por que beltrano fez isso comigo

Por que Deus não me protegeu daquele mal

Por que fui agir assim e não assado

Situações nas quais nos sentimos abandonados e desamparados

Buscamos na verdade a nós mesmos

Perdemo-nos de nós, sentimos falta de nós, não nos reconhecemos

Culpamo-nos, consideramo-nos indignos de amor e proteção

Indignos de desfrutar da árvore da vida

Mergulhamos nas sombras, no isolamento, na tristeza

Considerar-se indigno é um peso muito grande para qualquer ombro

Prestes a nos afogar nas nossas próprias angústias e lágrimas

Quando nos sentimos à beira de um abismo, o único modo de seguir em frente

É dando um passo para trás, para dentro de nós

Devemos nos reconciliar conosco mesmos para encontrá-Lo, pois

Conquistar o perdão do outro, ou perdoá-lo, é bronze

Conquistar o próprio perdão é prata

Obter o perdão divino é ouro

Ninguém é digno do ouro

Sem antes ter conquistado o bronze e a prata…

Só assim nos sentiremos dignos novamente!

Alda M S Santos

Que sou pra você?

QUE SOU PRA VOCÊ?

A brisa suave que refresca e acalma, a água que gela

Ou o fogo que aquece, mas a tudo consome

Que sou pra você?

O colo que acolhe, o abraço que acalenta e apascenta

Ou a presença que agita, movimenta, preocupa, enerva

Que sou pra você?

A companhia, a amizade, o amor, a confiança, o cuidado

Ou a ausência dolorosa e saudosa, porém, necessária

Que sou pra você?

Um presente desejado, querido e amado

Ou aquele “objeto” a mais que tens a entulhar seus móveis

Que sou pra você?

A fraqueza, o calcanhar de Aquiles, o ponto nevrálgico

Ou a rocha firme, a raiz, a força onde se apoias nas crises

Que sou pra você?

Um passado saudoso, um presente tolerável e um futuro incerto

Ou apenas aquilo sem o qual você não se imagina viver

Que sou pra você?

Posso ser um pouco de tudo isso

Em momentos diferentes…

Assim como você pode ser tudo isso para mim também

Como somos quase todos uns para os outros

Somos humanos, falhos, aprendizes,

E co-dependentes do amor, da doação, dos erros para crescer…

Alda M S Santos

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