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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Infância

Pão de meio

PÃO DE MEIO 

Pãozinho, “pão de sal”, pão de meio

Bisnaguinha, baguete, pão quentinho 

Duas crianças correndo no caminho

Daquela padaria que era sua rotina 

Uma paradinha e os nervosos dedinhos

Fazem um pequeno buraquinho 

Nas pontas do pão tão cheiroso

Morno, recém-saído do forno 

Fazem um oco no pão de meio

Que já não chega em casa tão inteiro 

Levadeza, sapequice, que a mãe finge não ver 

Pão com manteiga, com queijo 

Recheado de lembranças e esperanças

Lembram abraço, carinho e beijo 

Aconchego, família, colo, arrego

Acompanha uma história de vida 

De avós, pais, filhos e netos 

Escrita, sentida, falada ou declamada 

Guardada, reservada ou aos quatro ventos lançada 

É uma história de alimentos de amor

E o pãozinho sempre está ali 

Dando um toque de calor, de união e frescor…

Alda M S Santos

Menina grande

MENINA GRANDE

Fiquei tentando lembrar meus planos da infância
Quais eram meus sonhos, meus desejos
Se consegui realizar, não me decepcionar
Pensava em me formar professora
E me casar aos 20 anos, ter três filhos
Mas não era uma urgência, a vida seguia
O futuro estava tão longe, não me amedrontava
Penso mesmo que meus planos eram para o dia
O futuro não me ocupava tanto
Era mesmo o presente que me apetecia
O tempo passou, aqui estou
E percebo que uma diferença crucial entre infância e vida adulta
É o tamanho que o presente, o passado e o futuro têm na vida da gente
Criança sabe ser feliz por ter a maior medida no presente
Que é o que há de real ou de concreto
Quando perdemos essa medida essencial, sofremos
Ou não somos mais tão felizes…
É preciso que nos ocupemos mais do presente
Lembrando que somos crianças crescidas apenas
O futuro virá, e se tornará também um presente a seu tempo
Para o hoje é curtir o sol, até mesmo a chuva com bons amigos
Dormir, agradecer e acreditar que amanhã começaremos de novo
E brincar…nunca nos esquecer que na vida é preciso brincar!

Alda M S Santos

Sou menina

SOU MENINA

Sou menina quando brincar me fascina
A brincadeira pode ser de esconde-esconde
Amarelinha, caí no poço, saltar na piscina
Acordando cedo para não perder o passeio nesse bonde
Sou menina quando demonstração de afeto me ilumina
Quando caio, me esfolo, me ralo, choro, não me calo
Não desisto dessa brincadeira, sigo minha sina
Sou menina quando subo em árvores, mergulho no rio
Ou quando caio dos sonhos e me afogo num mar de lágrimas
Sou menina quando carente peço um colinho
Ou quando forte ofereço um beijinho
Sou menina quando preciso de amor
Mas não quero implorar por ele, por favor
Sou menina, quando independente da noite, do sonhar
Acordo com esperanças de um novo sol, novo realizar
Pois toda menina sempre acha meios de na vida brincar

Alda M S Santos

Nossa criança

NOSSA CRIANÇA

O futuro passa pela educação
Começa cedo, brincadeira, concentração
Um mundo de possibilidades à espera
A ser conquistado, doce quimera

Letras, números, cores, pura magia
Sonhos,  histórias, desejos, fantasia
Que se passa nessa cabecinha
Tão inteligente, amada criaturinha

É preciso na infância investir
Esperança,  futuro, nosso porvir
Não deixemos nossa criança fugir

Na família, na escola, na sociedade
Criança deve ser nossa prioridade
Garantia de mais felicidade e equidade

Alda M S Santos

É bom ser criança

É BOM SER CRIANÇA

Resgatar a criança que habita nos recônditos de nossa mente

Que nos faz desatar as amarras do viver

Escapar do tédio, fazer umas boas estripulias

E dos problemas esquecer…

Chamá-la quando estivermos feridos, não mais nos joelhos

E quisermos ser curados com carinho, com beijinho

Pular no colo de um alguém

Em busca do conforto que faz tão bem…

Sorrir muito, por qualquer coisa, sem rodeio

Ser aberto a todos, à amizade, ao amor

Chorar quando tiver vontade, sem receio

E quando não quiser,ou não gostar, dizer: não, por favor!

Brincar, brincar e brincar

Correr, pular, dançar, o rosto pintar

Essa regra sempre levar

E nunca, nunca se esquecer de confiar, de amar…

E se a vida não for tão boa hoje

Voltar para dentro, ir dormir

Certos que amanhã é outro dia, a aurora vai surgir

Nosso sol vai raiar, brilhar

E nova brincadeira iremos começar…

É bom ser criança todos os momentos…

Alda M S Santos

Infância

repostando

INFÂNCIA

Quanto tempo dura a infância?

Até a troca definitiva dos dentes de leite,

Ou até o corpo se transformar pelos hormônios?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto se empanturrar de doces sem se preocupar com formas redondas,

Ou até cair nas armadilhas da mente e do coração?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto a brincadeira de bonecas for mais interessante que paquerar um “boneco”,

Ou até o guarda-roupas não ter mais nada que agrade?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto uma mágoa durar apenas alguns minutos,

Ou até o perdão ser uma ação mais complicada?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto um beijinho curar qualquer ferida,

Ou até ser comum dormir chorando e acordar sem vontade de levantar?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto a valsa da bailarina for a maior preocupação do dia,

Ou até os sonhos bons serem atropelados mais vezes por pesadelos?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto um copo de leite for mais saboroso que uma taça de vinho,

Ou até o joelho ralado doer mais que coração partido?

A infância já ficou bem lá atrás quando nos fazemos todas essas perguntas,

Mas se for uma nostalgia e saudade gostosa,

Conservamos uma alma infantil,

Isso é que vale!

Alda M S Santos

Abraços e desejos de felicidades a todas as crianças, de qualquer idade! 🙏🏼🙏😘😘👶👦🏼👧👨🏻👩🏻👵🏼👴🏼

Eu te diria

EU TE DIRIA

Olho para você e sinto saudade

Não é que aqui não seja um bom lugar

Apenas sua inocência e expectativa de felicidade

Me fazem nostálgica e levam-me a divagar

Olho para você e sinto arrependimentos

Pela coragem que não tive em alguns momentos

Ou pelos atropelos decorrentes do excesso de ousadia

Que nem sempre me trouxeram sabedoria

Olho para você e sinto orgulho

Apesar de tantas quedas e espinhos

Não nos perdemos uma da outra nos pedregulhos

Você e eu sempre traçamos juntas nossos caminhos

Olho para você e sinto alegria

Mas se pudesse, uma coisa eu te diria

Desculpe por algumas vezes ter te deixado para trás

Se tivesse deixado você agir mais

Tudo estaria mais em paz…

Olho para você, a criança que fui um dia

E sei que poderia muitas coisas te dizer

Mas é desnecessário, você me entende, há sintonia

Estivemos juntas ao nascer, no viver

E assim estaremos até morrer…

Alda M S Santos

Feito menina

FEITO MENINA

Feito criança pequenina quero receber a vida

Acolher com prazer o amanhecer que ela me oferece

Como menina, abrir os grandes olhos brilhantes e sorrir

Não me importar com os cabelos ou a vida bagunçados

Andar descalça, correr na grama, cair, esfolar os joelhos

Aceitar os cuidados que me forem ofertados

Desembrulhar o dia como um grande presente

Aproveitar o sol e quintal lá fora para brincar

Sentir o frio na barriga do calor de viver

Feito menina quero curtir cada minuto que tiver

Sabendo que o entardecer chega, o anoitecer idem

Mas ser leve, sem preocupações excessivas

Chorar quando sentir vontade

Mas nunca deixar de sorrir, de sonhar, de acreditar

Confiante que novo amanhecer chegará

E tudo se repetirá, ou não, (in)finitamente

Mas que ele sempre será bom como tem que ser

E, feito menina, confiar e balançar ao sabor da vida…

Alda M S Santos

Lições infantis?

LIÇÕES INFANTIS?

Se bagunçar, arrume, deixe melhor que encontrou

Se não pode ou não sabe arrumar, não mexa

Ande, se correr poderá cair

Não pegue o que não é seu, nem tudo é coletivo

Não derrube o “castelo” de seu irmão, construa o seu

Não fale com estranhos, nem todos são amigos

Confie sempre na sua família, ela sempre estará contigo

Não procure briga, mas não apanhe

Aprenda com seus erros para não repetí-los

Se cair, levante, engula o choro, receba um carinho e siga

Nem toda porta aberta te cabe, não entre sem ser convidado

Respeite o espaço do outro, cultive o seu

Seja grato!

Lições infantis?

Talvez retomar essas lições

Nos salve de nossos próprios atropelos

De atropelar nosso irmão

Nos salve uns dos outros…

Lições infantis?

Alda M S Santos

Brincar para ser feliz

BRINCAR PARA SER FELIZ
Uma menina corre descalça, sapeca
Um rabo de cavalo, um sorriso no rosto
Um balanço, um quintal e um amiguinho
Igualmente descalço, levado a lhe puxar o rabo de cavalo…
Não é preciso muito para ser feliz
Criança brinca e, brincando,
Resolve seus pequenos conflitos
Torna a vida leve, a brisa suave
E se a corda arrebentar, esparrama no chão, machuca
Chora, limpa as lágrimas, ganha um beijinho na ferida
E volta a balançar, a vida segue…
Constrói e desconstrói o que é necessário para continuar brincando
Quando foi que complicamos tanto?
Os problemas mudam, é verdade, aumentam
Mas nós mudamos primeiro, “crescemos”…
Passamos a engolir lágrimas e sapos
Desaprendemos o poder de saber brincar?
Urge reaprender a brincar para ser feliz
Para não enlouquecer…
E não brincar de que se é feliz!
Alda M S Santos
Mais no meu blog http://www.vidaintensavida.wordpress.com

Quando eu crescer

QUANDO EU CRESCER

– Por que você está chorando?

– Porque está doendo!

– Se chorar para de doer?

A garotinha parou um pouco o choro, pensou e disse:

-Não! Mas se não chorar dói mais…

E voltou a chorar

E ele a abraçou…

Assim, duas crianças de idades diferentes debatiam depois do tombo.

E, na sabedoria infantil, esclareciam as dores e curas.

Chorar pode não melhorar a dor ou curar o mal no momento

Mas não sobrecarrega a emoção de lágrimas represadas

E deixa a ferida livre para cicatrização

No tempo certo, sem maiores riscos de infecções…

Crescemos e desaprendemos de como curar um joelho ralado

E ainda temos a pretensão de curar uma emoção abalada

Engolindo o choro e fingindo que ela não existe…

Quando crescer quero ser criança

Sem medo de subir em árvores, balançar nas gangorras

E sorrir ou chorar quando for preciso…

Alda M S Santos

Lá vou eu!

LÁ VOU EU!

Corre, corre, olha, escolhe e se esconde bem

Enquanto o tempo é rapidamente contado

1, 2, 3…lá vou eu!

Euforia ao procurar e encontrar quem se escondeu

Quem nunca brincou?

Esconderijos perfeitos descobertos, sem artimanhas

Quanto menor a criança, maior o prazer de brincar

E o esconderijo nem precisa ser muito misterioso, não

Se se acredita invisível, invisível está

Se eu não vejo o outro, ele também não me vê!

E o esconde-esconde permanece ao longo da vida

Agora cheio de artimanhas…

É instigante esconder ou procurar quem ou o que de nós se escondeu

Mas o verdadeiro prazer está na descoberta, no encontro…

O gozo, o ápice, é encontrar e ser encontrado

Ainda que seja aquela criança que fomos um dia

E que de nós resolveu se esconder…

Onde você está?

1,2,3, lá vou eu!

Alda M S Santos

Pedra, papel e tesoura

PEDRA, PAPEL E TESOURA

Pedra, papel e tesoura

Nessa divertida brincadeira de criança

Que aprendemos no grande quintal da infância

E, gostando ou não, levamos para os “tabuleiros” da vida

Buscando sempre o aliado mais forte

Para poder vencer e cantar vitória

Melhor é não ficar de bobeira, pois a vida é passageira

A sorte conta um pouco, a sabedoria vale mais

No vai e vem, no se esconde e se mostra

Vence aquele que não acredita-se invencível

Que não subestima o adversário

Que sabe que todos têm pontos fortes e frágeis

E que a vitória é transitória e temporária como brisa

Depende do adversário a enfrentar

E, muitas vezes, não vale o preço a pagar

Se custa nossa paz de espírito ou se destrói a de alguém

Pedra, tão dura, tão forte

Destrói a tesoura, que corta o papel

Mas perde para o papel que, maleável, a embrulha…

Todos podemos vencer

Todos podemos perder

Nada nem ninguém é tão forte

Que nunca possa perder

Nada nem ninguém é tão frágil

Que nunca possa vencer

Pedra, papel ou tesoura?

Tudo vai depender de você!

Alda M S Santos

Enxurrada

ENXURRADA

Desce os morros, nos cantos, a princípio

Espalha-se pela rua toda, clara em alguns pontos

Muita água corre nessa enxurrada

Está tão suja, barrenta!

Veio lavando muita sujeira pelo caminho

Ainda assim, parece convidativa

Uma enxurrada, ou desperta a criança em nós,

Desejo de andar naquelas águas, molhar-se, molhar o outro, dar gargalhadas

Ou desperta um adulto frustrado e triste, resmungão

Daqueles que têm medo e nojo de tudo, amargurados

Sob o risco de contaminação por uma doença qualquer

Ainda prefiro ser o adulto/criança que brinca na enxurrada

A ser aquele adulto que já matou a criança em si

E sofre de uma outra patologia mais grave: o medo de viver…

Alda M S Santos

Natal e Saudades

NATAL E SAUDADES

Percebemos que os filhos cresceram

Quando montamos sozinha nossa árvore de Natal

Ninguém cobrando, quebrando bolinhas, se encantando com o pisca

Fazendo a cartinha para o Papai Noel, contando os dias para o Natal…

Percebemos que o tempo passou quando

Não estamos mais respondendo como o Noel consegue atender a todos

Ou por onde passa quando não há chaminé

Ou se vai de avião quando não há trenós

Buscamos outras respostas, agora a nós mesmos:

Onde o tempo ficou, por que passou sem a gente perceber?

A mente passa da infância dos filhos para a própria infância…

Saudades imensas!

Volta para o ano que passou, revive tudo

Tanta coisa digna de sorrisos, lágrimas, superação, saudades…

Nota a presença de Deus em tudo, em cada detalhe

Não precisa de árvores, luzes ou enfeites

A luz está dentro de si, essa que precisa estar acesa!

Mas a árvore está quase pronta, seca as lágrimas…

Sempre amou essa época, alegra-se

Jesus vai nascer!

Que seja no coração de cada um de nós!

Feliz Natal!

Alda M S Santos

Anjinhos meus

ANJINHOS MEUS

Neles a gente encontra alegria

Com eles qualquer dor pede colo

Qualquer esfolado cura com beijinho

Desânimo se transforma em pega-pega

Lágrimas se enxugam na manga da blusa

Um sorvete é bálsamo da vida

Uma bola, mil possibilidades…

Qualquer história lida, contada ou escrita tem final feliz!

Em que parte pedimos para mudar de fase?

Que botão apertamos para voltar?

Alda M S Santos

Infância

INFÂNCIA

Quanto tempo dura a infância?

Até a troca definitiva dos dentes de leite,

Ou até o corpo se transformar pelos hormônios?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto se empanturrar de doces sem se preocupar com formas redondas,

Ou até cair nas armadilhas da mente e do coração?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto a brincadeira de bonecas for mais interessante que paquerar um “boneco”,

Ou até o guarda-roupas não ter mais nada que agrade?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto uma mágoa durar apenas alguns minutos,

Ou até o perdão ser uma ação mais complicada?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto um beijinho curar qualquer ferida,

Ou até ser comum dormir chorando e acordar sem vontade de levantar?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto a valsa da bailarina for a maior preocupação do dia,

Ou até os sonhos bons serem atropelados mais vezes por pesadelos?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto um copo de leite for mais saboroso que uma taça de vinho,

Ou até o joelho ralado doer mais que coração partido?

A infância já ficou bem lá atrás quando nos fazemos todas essas perguntas,

Mas se for uma nostalgia e saudade gostosa,

Conservamos uma alma infantil,

Isso é que vale!

Alda M S Santos

Abraços e desejos de felicidades a todas as crianças, de qualquer idade! 🙏🏼🙏😘😘👶👦🏼👧👨🏻👩🏻👵🏼👴🏼

Pra parar de doer

PRA PARAR DE DOER

-Papai, quero ser grande e forte como você para os machucados não doerem!

-Não, filho, os machucados doem, a gente apenas finge que não dói e não chora à toa!

-Então quero ser forte como a delicadeza da mamãe.

-É? Por quê? Ela chora! 

– Ela disse que chora para parar de doer. Quero assim! 

Alda M S Santos

Criança

CRIANÇA
O bom em ser criança

É que a idade delas nunca importa

Tá liberado rir ou chorar

Amar e demonstrar

Qualquer erro é engraçadinho

E a sinceridade nunca é punida.

Se quiserem, basta estender os bracinhos

Ou fazer um meigo beicinho,

Que um delicioso colinho as acolhe…

Soubessem disso antes, jamais quereriam crescer.

Essa é a falha irremediável da infância,

Com a qual sofremos até hoje…

Alda M S Santos

Amare(linda)!

AMARE(LINDA)!
Tanto nos ensina uma simples brincadeira infantil!
Sempre começamos de baixo, sempre teremos obstáculos,

É preciso boa pontaria, equilíbrio, que ora podemos cair,

Saber a hora de se abaixar, de se levantar,

Hora de voltar atrás ou de seguir em frente,

Saber esperar nossa vez, curtir a vez dos outros,

Brincar acompanhado é muito mais divertido,

Nem sempre chegaremos primeiro, o que vale é chegar.

Seguir rumo ao “céu”, seja ele qual for…

E o mais importante de tudo,

Nos divertir nessa amarelinha linda chamada vida.

Alda M S Santos

Foto editoradobrasil.com.br

Projeto Jimbolé

A criança que eu fui (sou?)

A CRIANÇA QUE EU FUI (SOU?)

Flashs de um tempo passado

Com cheiro de suor, de pega-pega na rua,

Com sabor de bala Jujuba e som das cantigas de roda,

Curta duração dos dias que pareciam longos,

De amigos para sempre e brincadeiras na enxurrada, 

De joelhos esfolados e brigas “de mal pra sempre”, que duravam 2 horas…

“Caindo no Poço” e nosso bem,

Ao sabor de pera, uva ou maçã,  

Sempre nos tirando de lá…

Sempre…

Namoradinhos de mãos dadas, amigos de pacto de sangue…

De bem com o corpo e livre das armadilhas da mente…

Bom lembrar da infância,

Melhor ainda é ser uma criança de qualquer idade…

Alda M S Santos

Carrossel

CARROSSEL 

– Teve infância, não?

– Sim! Não tive foi carrossel! 

Por que todo brinquedo tem que 

Rodar, subir e descer, dar frio na barriga? 

Será que são ensaios para a vida?

Apenas nos esquecemos de sorrir…

E de dizer “de novo”, como as crianças. 

Alda M S Santos

Brincadeira de criança

BRINCADEIRA DE CRIANÇA
Do inferno ao céu na Amarelinha de ontem
Aos desafios infernais da Baleia Azul de hoje
Dos contos de fadas e histórias de doces vovós
A vovós bruxas que torturam e aterrorizam netas
De corridas descalços e suados nas ruas
A uma tarde e noite hipnotizados em frente ao vídeo-game
De amigos reais que brigavam e se amavam
A amigos virtuais que nada de bom oferecem
De mães e pais que, presentes, castigavam e amavam
A pais permissivos e, quase sempre, ausentes
De uma cabeça leve, livre e ativa
A uma mente confusa, dependente e desequilibrada.
Dizem: “ah, não, morri”!
Não sabem o quanto isso tem sido literal!
Quero game-over, reiniciar…
Começando de umas cinco décadas atrás.
Alda M S Santos

Correndo com a Lua

CORRENDO COM A LUA
Saudade de correr atrás da Lua, ela lá, eu cá,
Rua acima, rua abaixo, virar a esquina, voltar
Numa disputa para ver quem é o vencedor.
E ela sempre à frente…
Um bando de crianças sorridentes!
Energia pura, suadas e livres,
Livres de preocupações e ansiedades.
Objetivo único: aproveitar antes de a mãe as chamar para dentro.
Esse desejo deveria tornar-se uma constante, um mantra,
Aproveitar antes de sermos chamados para casa.
Alda M S Santos

Saber envelhecer

SABER ENVELHECER

É preciso saber envelhecer…

Como também é preciso saber “infanciecer”,

Adolescer, “adultecer”,

Falar, andar, crescer,

Amar, sofrer, conviver…

Não há receitas, teorias ou tutoriais perfeitos.

Aprende-se a envelhecer, envelhecendo,

A viver, vivendo…

Alda M S Santos.

 

Quando eu descrescer

QUANDO EU DESCRESCER
Uma linda criança de sete anos
Fazia planos para quando descrescesse.
Aparentemente, havia crescido tão pouco!
Mas já sabia que não valia a pena crescer tanto!
Queria voltar!
O que eu gostaria de ser se pudesse descrescer?
Colocando na balança, os ônus do crescimento
São muito superiores aos bônus!
Se eu pudesse ter a pureza, alegria, paz
A satisfação nas mínimas coisas,
A capacidade de amar e me entregar integralmente,
Sem cobranças ou medos,
Já teria descrescido o bastante.
E vocês? O quanto gostariam de descrescer?
Alda M s Santos

A corrente que mata gente

A CORRENTE QUE MATA GENTE
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Adorava essa brincadeira de criança!
Além da diversão, elas sempre nos deixam uma lição.
Na rua, um número grande de crianças,
Unidas lado a lado com os braços passados pelos ombros do outro.
Seguiam a rua cantando:
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Quem viesse em sentido contrário tinha três opções:
Juntar-se à corrente, que seguia cantando e mais forte,
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Voltar e fugir dela o mais rápido possível,
Formar uma nova corrente para enfrentá-la de igual para igual.
Enfrentar a corrente sozinho não era uma opção, era kamikaze demais.
Crescemos, mas a “brincadeira” continua.
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Ficam algumas questões importantes no ar.
Diante das correntes que “matam gente” que se formam por aí:
Nós as abraçamos? Concordamos com elas?
Lutamos sozinhos? Fugimos?
Formamos corrente contrária?
A lição da infância que fica é:
A brincadeira fica mais interessante quando não há apenas uma corrente.
Quando há pelo que, por que e por quem lutar!
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Ela está aí e sabe que temos força! Vamos esperar ser esmagados?
Alda M S Santos
Foto Google.

De quantas histórias se faz nossa história? 

DE QUANTAS HISTÓRIAS SE FAZ NOSSA HISTÓRIA?

Rimos de chorar esses dias, minhas irmãs e eu!

Extremamente prazeroso lembrar episódios da infância

As artes, as birras, as surras, a cumplicidade de irmãos

As rixas, os ciúmes, as dificuldades, o amor acima de tudo.

Ou da adolescência, as incertezas, os medos, a baixa autoestima,

A incerteza do ser adulto ou ser infantil, espremido entre ambos.

Os amigos confidentes, os primeiros beijos e paixonites

A vida adulta, os compromissos, as responsabilidades…

Tantas são as histórias! Tão ricas de emoções!

Relembrá-las é viver de novo, com uma nostalgia boa

Sem os sofrimentos! Se possível com quem as viveu conosco.

Estes, mesmo se lembrados, já não doem tanto.

O que ficou foi a certeza de ter vivido algo especial

Com pessoas especiais,

Ainda que não façam mais parte do nosso convívio!

Minha história é feita de muitas histórias,

E muitos e valiosos personagens!

E a de vocês?

Alda M S Santos

Um, dois, três…Lá vou eu! 

UM, DOIS, TRÊS…LÁ VOU EU! 

Caminhando, fim de tarde, estradinhas de terra, cheiro de mato, brisa suave, sons de pássaros, vista de muito verde. 

Uma cadelinha de “todo mundo” nos acompanha feliz. 

No caminho nos deparamos com várias crianças correndo. Ouço uma delas contar: 1, 2, 3, 4… Procuro de onde vem o som. 

Vejo-a agachada sobre um tronco, olhos tapados, ela é o pegador da vez. 

Parei pra observar. Havia umas dez delas. Blusas e shorts simples, descabeladas, descalças, suadas, sorridentes e felizes. 

Deviam ter entre 7 e 13 anos. O sítio de onde saíram tinha meia dúzia de cachorros agitados. Uma senhora estendia roupas nos varais.

A menininha grita a plenos pulmões: “30, lá vou eu, quem escondeu, escondeu…”.

Há quanto tempo não via crianças brincando de esconde-esconde na rua, como eu fazia! Nostalgia gostosa! 

A modernização, a tecnologia, os avanços urbanos trouxeram muitas melhorias para a vida de todos, mas a perda para a segurança e a liberdade de adultos e, principalmente das crianças, foi devastadora! 

Essa alegria de brincar na rua, ter muitos amigos “reais”, jogar bola, soltar pipa, andar de bicicleta, bater papo sentado no meio-fio, acender fogueira, brincar de jogo da verdade, as crianças de hoje não têm! 

Não há vídeo-game, smartphones, TVs, computadores, tablets ou academias que substituam! 

Falta contato humano!

Vivemos presos em prédios, blocos de concreto, atrás de grades e de medos! 

Meus filhos já não tiveram tanto como eu tive. O que será de meus netos quando vierem? 

Quem pode proporcionar aos seus, e valoriza, faz um esforço e leva-as aonde as brincadeiras e a vida acontecem “de verdade”.

Um deles grita: “1, 2, 3, salvo todos!”. Outra responde: “Mais umas só, que logo vai escurecer e não vai dar”. 

Aqui não tem iluminação pública. Ficar na rua, à noite, só na lua cheia ou com fogueiras. 

Retomo meu caminho, pensativa e faço uma prece silenciosa. 

Que possamos reavaliar o que temos feito de nossas crianças, acreditando estar fazendo o melhor. 

E que Deus permita que os danos não sejam muitos! 

Alda M S Santos

Sou criança

SOU CRIANÇA

Há pessoas que têm ímã com crianças. Em qualquer lugar que estejam sempre notam algum “pequeno” a observando curioso. Retribuem com um sorriso, um alçar de sobrancelhas, um sorriso. É o bastante! Logo, a criança já está puxando assunto, sorrindo, brincando, quando não está no colo recebendo cócegas, sendo lançada ao alto ou brincando de esconde-esconde.

Pessoas assim costumam ser mais espontâneas, sinceras, transparentes. E a criança, muito sensível, percebe.

Criança é como bicho, sem ofensa a nenhum dos dois. Ambos são capazes de ter um “faro”, uma percepção maior para sentir o que vai no coração do outro, a essência contida na alma.

Em contrapartida, há pessoas que são resistentes às crianças, muito sisudas, fechadas, não apreciam a energia e o barulho da infância e acabam se afastando delas. A meninada percebe e não se aproxima.

E quem fica no prejuízo é o adulto, pois perde a oportunidade de renovar-se, física, emocional e psicologicamente através desse convívio.

O que acontece na verdade é que algumas pessoas mantêm a alma infantil. Crescem, amadurecem, mas a emoção é de criança. Não foram cerceadas, enquadradas num padrão social limitante, cruel e nada original.

São de sorrisos largos, abraços apertados, beijos melados, coração doce, alma apaixonada.

Para elas, a vida é um grande parque de diversões e estão aqui para se esbaldar. Procuram sempre o lado brinquedo das coisas: a bola, a corda, a boneca, a bicicleta, o esconderijo. Podem cair, se esfolar, chorar… Pedem um beijinho para sarar e voltam à brincadeira.

Nesse “Dia das Crianças”, que tal nos permitirmos sermos mais crianças? Qualquer dor muscular ou de coluna será apenas efeito colateral, incapaz de eliminar o benefício desse medicamento para a emoção.

Vamos lá?

Feliz “Dia das Crianças” que fomos, somos ou gostaríamos de voltar a ser!

Alda M S Santos

 

Quando eu crescer quero ser criança

QUANDO EU CRESCER QUERO SER CRIANÇA

Quase toda criança, se questionada, gostaria de ser gente grande. Não que não goste de ser criança, mas porque gostaria de experimentar o mundo adulto, por parecer cheio de possibilidades. 

A criança vê o mundo adulto com a pureza e inocência dos olhos infantis. Vê apenas a ausência de limitações, uma fase em que tudo parece possível e divertido. Não sabe que o corpo cresce e a cabeça de(cresce). 

Quando adultas, as pessoas percebem que continuam “não podendo” muitas coisas! E a alma já não tem mais a mesma pureza, já não acham tudo tão divertido assim! Já não trocam de amigo ou brinquedo com a mesma despreocupação.

Uma criança, se estiver alimentada, amada e tiver uma bola, um amigo e um dia de sol pela frente tudo está ótimo! 

Há adultos que carregam consigo a alma infantil. Não que sejam imaturos, mas procuram sempre na vida o amigo, a bola e o dia de sol. Se não têm, criam, substituem. Não se deixam abater facilmente. 

Sabem pedir o que querem, ir para dentro de casa quando a brincadeira cansa, virar as costas para quem não as agrada, dizer não para o que não querem, sem culpas.  

O mais interessante e que torna o mundo infantil encantador e saudoso é a espontaneidade das crianças. Dão amor e carinho, pedem abraços, beijos e colinho, riem, choram. sem censuras. Saltam para nossos braços com o sorriso mais lindo do mundo e dizem “eu te amo” como se dissessem “bom dia”. 

Quem vive cercado por elas “pega” um pouco dessa alegria de viver. 

Não sei quanto a você, mas eu, por mim, digo: quando eu crescer quero ser criança! 

Alda M S Santos

Carinho Que Cura

Nunca me canso de observar, admirar, me encantar e aprender com as crianças. Ninguém ensina aos outros melhor que elas. 

Se querem amor, carinho, atenção sabem pedir, sabem doar, sem limites, sem vergonhas, sem pudores! 

Nunca devemos negar ou recusar amor e carinho. A vida precisa, exige, cobra! Seja qual for o ser vivo!

Desde o ventre o bebê se acalma ao receber o contato carinhoso da mãe, a voz que acalenta, a música que tranquiliza. Ao nascermos, só o colo quente e aconchegante do adulto nos consola. 

Se temos dor, fome, frio, qualquer desconforto, nos acalmamos com um abraço.

E vamos crescendo assim. Pedindo, recebendo, doando carinho e amor. Tudo muito naturalmente. 

Em alguma parte do caminho vamos perdendo essa naturalidade, desaprendendo o que nascemos sabendo. Um abraço nos custa, um sorriso “arranca” pedaço, uma palavra doce perde-se no corre-corre diário, beijo só se for preliminar sexual. 

A verdade é que perdemos muito ao nos tornarmos adultos. Sabemos o quanto um ato de carinho nos faz bem, nos cura, nos fortalece e anima, porém, não somos mais crianças. O que os outros vão pensar, não é mesmo? 

Será apenas coincidência as crianças serem mais felizes que nós, que “sabemos tudo”? 

Há tempo ainda! Podemos começar! Já abraçou alguém hoje?

Alda M S Santos 

Dorme que passa

Sabe quando a gente quer algo, insiste, chora, pede, reza e, nada? Uns até brigam, chantageiam, causam confusões, deprimem. Lembro- me da infância, quando expressávamos alguma vontade mirabolante, para o olhar adulto, ou, simplesmente, uma vontade de brincar na rua e nossos pais diziam, “dorme que passa”. E não é que passava mesmo? Tudo era tão simples! Mesmo que tivéssemos ido dormir chorando, ao amanhecer nem lembrávamos mais.

Não sei se era a cama, a confiança, o carinho recebido. Talvez outros desejos tomassem a frente, ou os “problemas” e desejos fossem mais simples mesmo. Fato é que quase tudo se resolvia depois de uma noite de sono.

Mas a gente cresce. Os desejos e vontades tornam-se grandes também. Tentamos alcançá-los, refletimos, lutamos, buscamos ajuda, rezamos. Muitas vezes, conseguimos, substituímos ou desistimos. E ficamos bem.

O problema se dá quando a vontade insiste, o desejo de obter algo é forte. Pode ser qualquer coisa, material, profissional, pessoal, emocional, não importa. Muitas vezes, insignificante para o outro, mas fundamental para nós. Gostaríamos de ter à mão a eficácia da receita de nossos pais. Dormir e, ao acordar, tudo ter passado.

Tudo isso faz um pouco de sentido. O sono descansa o corpo, acalma a mente, apazigua a alma. Pode não resolver os problemas, tornar reais os sonhos ou realizar os desejos, mas nos torna mais aptos a nos encarar sem eles ou mais fortes para correr atrás do desejado.

Quando estivermos “down”, vamos dormir? Pode ser que passe!

Alda M S Santos

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