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Barreiras físicas

BARREIRAS FÍSICAS

Barreiras físicas não impedem um sonho

Muros, cercas, barricadas não barram um ideal

Barreiras físicas, quando muito, retardam o objetivo

Dificultam a travessia, tornam a chegada mais valorizada e especial

Mas quando o sonho e a esperança são grandes e valiosos

Não há barreira física que impeça o avanço

Daquilo que é pura emoção…

Sonhos possuem asas, voam alto e atravessam qualquer obstáculo!

Alda M S Santos

Quantos degraus?

QUANTOS DEGRAUS?

Quantos degraus até o céu?

A escada é sinuosa, rolante, escorregadia, antiderrapante?

Quem pode subir, há restrições, limites de entrada?

Podemos levar alguém, sermos levados por alguém?

E se nos cansarmos no caminho, tropeçarmos, cairmos?

Podemos voltar a subir ou perdemos a vez?

Os últimos serão os primeiros?

Quantos degraus até o céu?

A entrada é franca? Paga-se com quê?

Qual a “moeda” de troca?

Muitas perguntas… Sei lá!

Enquanto isso vou fazendo do agora o meu céu

Tal qual crianças a brincar, a pular amarelinha

Continuo subindo até o céu…

Alda M S Santos

Isso é amor

ISSO É AMOR

Os teus passos eu acompanho

Perto ou longe sempre está comigo

Suas vitórias me alegram, me orgulham

Quando acerta eu aplaudo

Quando erra, sofro, oriento

Quando cai, te estendo a mão

Quando se machuca, eu choro

O que te fere, me fere

Se dói em você, dói em mim

O que te engrandece, me engrandece

Se você se perde, te aponto o caminho

Mas quando é você que me fere, magoa

Sou eu que me sinto perdida, sem rumo

Pois, ao me afastar de ti, quebra-se a reciprocidade

E preciso buscar outro caminho até você

Isso é amor, todo tipo de amor!

Assim amamos em Ágape, Philia, Eros, Storge

Assim amo vocês!

Alda M S Santos

Desertificando

DESERTIFICANDO

Um planeta desértico estamos nos tornando

Picos de temperatura, amplitude racional, aridez emocional

Deserto de compaixão, de doação, sensação de solidão, abandono

Desconhecimento do outro, que parece tão longe ou inexistente

Perdidos e sem rumo, a esmo, presos à ingratidão

Grudados a “valores” questionáveis, a egos indomáveis

Mas como em todo deserto

Enquanto houver lembrança da umidade e frescor

Enquanto brilhar a esperança de um oásis

Enquanto estiver firme o desejo de mudança

Ainda será possível abrir os olhos e o coração

A despeito da ventania, da areia, do calor intenso

E, em marcha, seguir toda a humanidade

Um passo de cada vez

Um ser humano após o outro

Em busca de nova vida…

Alda M S Santos

Não estamos sozinhos

NÃO ESTAMOS SOZINHOS

Somos humanos cercados por outros humanos

Numa casa rodeada por outras casas

Numa cidade fronteiriça de outra cidade

Dentro de uma nação que se avizinha de outras nações

Habitantes do planeta Terra, ao lado de outros planetas e astros

Membros de uma galáxia gigantesca

Não estamos sozinhos!

Mesmo quando não nos sentimos mais que pequeninos grãos de areia

E parecemos estar muito sós, não estamos

Em nossa mais intensa introspecção temos a nós mesmos

E quando encontramos a nós mesmos

Somos capazes de identificar o outro tão perto de nós

E estender a mão, pegar uma mão…

Alda M S Santos

Teimosia

TEIMOSIA

Uma vida de teimosias, de bater de pé, de insistências

Um joelho esfolado que cicatriza

Um braço fraturado que se cola

Um coração partido que não se emenda

Teimosias…

Uma lágrima que escorre junto a um sorriso que ilumina

Tal qual arco-íris pós tempestade

Um corpo alquebrado que se refresca num rio caudaloso

Que se renova num abraço carinhoso

Teimosias…

Uma mente conturbada em curto-circuito

Uma alma repleta e, paradoxalmente, ainda cheia de espaço

Um ser humano pensado e criado para não desistir

Quando tudo parecer ruir

Teimosias…

Amor: a maior teimosia do mundo

Mas a única capaz de ainda garantir o viver…

Alda M S Santos

Muitas moradas

MUITAS MORADAS

“Há muitas moradas na casa de Meu Pai”

Nossos corações são uma casa de muitas moradas

Neles cabem os mais diversos moradores

Em diferentes graus de necessidade e profundidade

Em diversos níveis e capacidade de ensinamento e aprendizado

Nem sempre sabemos ou conseguimos controlar quem chega e quem se vai

Apenas tentamos organizá-los melhor, mais confortavelmente

Distribuindo melhor cada espaço

Evitando que alguns tomem posse de tudo

Estamos aprendendo a lidar com nossos inquilinos e proprietários

Aceitando tranquilamente os donos cativos por usucapião

E enfrentando as dores do eterno entra e sai

Apenas Ele sabe lidar bem com Seus moradores

Há perfeição, sabedoria e amor bastantes

Talvez um dia a gente aprenda melhor a morar e ser boa morada…

Alda M S Santos

Quimeras

QUIMERAS

Quiséramos ter estendido mais nossa infância

Ter congelado amigos dentro da gente

Do jeitinho que eram

Para nunca mais deixá-los partir

Quimeras…

Quiséramos ter curtido mais nossa adolescência

Sem tantos desejos de crescer

De ser independente, de acelerar o tempo

Apenas abraçar nossos “amigos para sempre”

Sermos apenas jovens desabrochando

Quimeras…

Quiséramos ter nos dedicado mais a nossos amores

Atendido mais nossos familiares

Prolongado sorrisos e abraços

Ter feito mais amor com a vida

Podido ser mais que simples adultos preocupados

Tendo sido mais leves em brancas e suaves nuvens de paz

Quimeras…

Quiséramos ter sido mais nós mesmos

Atendido mais nossas próprias vontades

Sem invadir as vontades e espaços dos outros

Cuidado melhor do que realmente importa

Sem contudo sermos egoístas,

Porque, afinal, sem desconsiderar tudo que conquistamos

E que faz parte de nós também

O que temos de real e verdadeiro, sempre

Somos nós mesmos…

Quimeras…

Meras quimeras…

Mas quiséramos…

Alda M S Santos

Apenas um bronco

APENAS UM BRONCO

“Queria ser apenas um bronco”

Daqueles dos confins do sertão

Ter toda a “ciência” da natureza

Do mesmo modo que tem a ciência da mente, das emoções

Sem complexidade, sem grandes devaneios

Ter toda a esperança advinda da fé

Toda a paz que a consciência da finitude da vida permite

Nada de grandes preocupações ou conjecturas

Nada de medos, culpas, traumas, desafios intransponíveis

Apenas a certeza que, mesmo em dias difíceis,

Tudo está em seu devido lugar

Não luta contra monstros imaginários

Aceita e abraça o que a vida apresenta

O sol nasce, se põe, a lua surge, as estrelas brilham

O galo acorda a todos, a chuva cai, as árvores produzem

Pessoas nascem, morrem, chegam e se vão

Algumas nos amam, outras não

Somos apenas parte de um universo maior

O rio segue seu curso…

E o bronco que nada tem de complexo

Simplesmente, vive…

Não entende das grandes (des)conexões que afetam os demais

Suas conexões físico/emocionais não se perdem

E, por isso mesmo, mantém-se inteiro

Bronco? Quisera ser…

Alda M S Santos

Olhe para mim

OLHE PARA MIM

Olhe para mim, mas olhe devagar

Preste atenção, demore-se…

Olhe e me enxergue verdadeiramente como sou

Um alguém que precisa de você, de carinho e atenção

Não me deixe ir embora, silenciar

Não quero fugir para dentro de mim, me afastar

Quero estar com você, sentir você

Sentir-me uma pessoa amada…

Não quero mergulhar no meu mundo

Quero fazer parte do seu mundo também

Sinto-me só, um ninguém nesse mundo

Do qual tantas vezes quis ir embora

Nesse seu mundo tão “perfeitinho” sinto-me um nada

Olhe para mim! Me abrace!

Por favor, me enxergue, faça-me ver propósito nessa vida

Que eu possa ser importante, necessária ao menos pra você

Preocupe-se comigo, me imponha limites de amor e cuidado

Olhe para mim!- é o grito silencioso de tantas crianças e jovens

Ao se rebelarem, enfurnarem-se no quarto

Quebrarem regras, ultrapassarem limites

Tantas vezes têm “tudo”, mas falta-lhes o essencial

Sentir-se alguém no mundo de alguém

Falta amor em atitudes simples

O amor é que nos faz ter prazer no viver

Aquele amor demonstrado no cuidado e atenção diários

O amor é que impede que tantos queiram acabar com a vida, com o inexistir

“Olhe para mim!”

Alguém perto de nós está gritando esse pedido…

Prestemos atenção!

Alda M S Santos

Somos todos responsáveis

SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS

A cada vez que ignorei um grito de socorro

A cada vez que não ouvi um silêncio sofrido

Eu também fui responsável

A cada vez que não me importei com as lágrimas

A cada vez que chamei de frescura a dor do outro

A cada vez que menosprezei o diferente

Eu também fui responsável

A cada vez que exigi que os outros fossem iguais a mim

A cada vez que desconsiderei as dificuldades individuais

Eu também fui responsável

A cada vez que ignorei e me calei

Quando gordos, homossexuais, feios, negros ou pobres foram ridicularizados

Eu também fui responsável

A cada vez que nada fiz, que pensei “esse problema não é meu”

Eu contribuí para que uma tragédia pudesse crescer

E ganhar forma dentro de alguém já doente e excluído

É fácil e cômodo culpar a política, a segurança, a educação, a estrutura familiar

São culpados sim!

Mas que possamos assumir com coragem nossa parcela de culpa

A cada vez que nos fechamos em nosso mundo particular

Que somos individualistas e egoístas

Que pensamos que “amar a teu próximo como a ti mesmo”

Parece coisa de otário

Ou que ajudar o outro mais carente é “dar o peixe” para preguiçoso

Nós também fomos responsáveis

Por inércia ou instigando o mal

Nós contribuímos para que uma tragédia pudesse acontecer

Bem pertinho de nós …

Muitas vezes desconsiderando que estamos no mesmo mundo

Que ele gira e balança todo o tempo

E nada garante que não explodirá algo em nosso colo!

Somos responsáveis por cada flor impedida de germinar

Pensemos nisso!

Somos todos responsáveis!

Alda M S Santos

Trapaças

TRAPAÇAS

Trapaças no trabalho, na rua, no trânsito, no esporte

Na fila do banco, na escola, nos hospitais

Trapaças na política, na igreja, até nas famílias

A palavra de ordem é levar vantagem

Toma-se o que não lhe pertence

Justifica-se de qualquer modo

Quem foi trapaceado?

Ah, isso é mero detalhe…

Quem se importa?

De tanto trapacear o certo tornou-se relativo

Raizes sólidas não mais existem em nada

O errado evaporou, não mais existe

Sequer nota-se quando alguém é trapaceado

Ou quando se é o autor da falcatrua

Exceto quando sofre a trapaça

Aí tudo muda de figura…

Sentir na pele o mal que alguém sofre

É o melhor meio de entender a dor do outro

E procurar evitá-la…

Alda M S Santos

Joga no chão

JOGA NO CHÃO

Tão velha, caindo aos pedaços

Paredes de adobe, ainda fortes

Telhado gasto, em ruínas, madeiras de sustentação abaladas

Assoalho rangendo, janelas caídas

Uma casa centenária, morada de muitos

Lar de uma família, muitas histórias

Quem vê de fora não nota as marcas que ela deixou nele

“Não compensa reformar, desperdício”

“Joga no chão e faz outra”

Mas ele não quer, afirma que ela está boa

Só refazer aqui, consertar ali…

Como jogar no chão uma história?

Seria o mesmo que jogar por terra o coração que está ali

Como se ao conservar a casa de pé

Estivesse conservando o amor que ali viveu

Respeitando a história que ainda vive dentro dele

Bom seria se não precisasse se preocupar com capital financeiro

Se o capital emocional fosse o bastante para mantê-la de pé

Conservá-la inteira, segura e habitável

Como o amor e o respeito pelos que ali viveram e se foram

E permanece inalterado dentro de si…

Ruínas… será?

Por dentro dele está tudo inteiro

Até que ponto o que está inteiro nele

Depende da sustentação dessa “casa velha”?

Ou o amor à sua história e aos antepassados que ali viveram

Depende exclusivamente de seu coração amoroso?

Alda M S Santos

Pobres de nós

POBRES DE NÓS

“Nem tudo que reluz é ouro”

A vida vai nos ensinando pouco a pouco

Tombo a tombo, escuridão a escuridão

Batalha por batalha, derrota ou vitória

Nem todo sorriso é felicidade

Pode ser também desejo de se manter forte

Nem toda lágrima é negativa

Pode ser a limpeza que faltava nesse terreno baldio que somos tantas vezes

Uma vida festeira pode carregar uma pessoa solitária

Buscando companhias na agitação do cotidiano

Nem toda bela estampa exterior revela um interior bonito

Nem toda imagem familiar de comercial de margarina

Revela uma vida tão simples, fácil e bonita

O que cada um de nós enxerga do outro

É apenas aquilo que o outro permite que seja visto

Por dentro, cada qual sabe de si

Suas lutas e dificuldades, suas derrotas diárias

E o quanto custa manter um sorriso ou segurar uma lágrima

Nem tudo que reluz é ouro

Mas todo ouro, mesmo fosco, não lapidado, carrega seu valor

Muitas vezes quem está ao nosso lado aparentemente “tão feliz”

Enfrenta males que sequer desconfiamos

São poucos que conseguem atravessar essa couraça protetora do cotidiano

E ver o que o outro realmente é ou precisa

Pobres de nós!

Alda M S Santos

Jogo da vida

JOGO DA VIDA

Tal qual bola branca no bilhar

Que sofre o golpe inicial do taco

E lança todas as demais bolas

Num bate e rebate

Num vai e volta frenético

Umas sempre interferindo na trajetória das outras

Rumo à caçapa ou fugindo dela

Por menor que seja o movimento

Cada “tacada” nossa atinge muitas outras vidas

Somos bolas e tacos nessa grande sinuca

Ora tacando, ora sendo tacados

Desviando ou caindo nas caçapas da vida

Não existe movimento “inocente”

Calculado ou não, planejado ou descuidado

Até a inércia é um movimento que afeta todo o jogo…

Alda M S Santos

Degustação

DEGUSTAÇÃO

Numa analogia com um grande restaurante

A vida teria uma quantidade diversa de clientes

Glutões, famintos, anoréxicos, bulímicos

Aqueles que comem de tudo sem critério ou medida

Os que não ingerem quase nada por medo de peso extra

Os que engolem de tudo desenfreadamente e logo vomitam, descartam

Aqueles cujo organismo não dá conta de processar muito bem o alimento

Os que querem apenas variedade, sem qualidade

Os que ficam pegando rebarbas dos pratos alheios

Os que preferem somente a degustação, não pagam o preço do “prato”

Passam fome…

E aqueles sábios e experientes que sabem o que querem

Buscam exatamente o que precisam para se alimentar

Não se encantam mais só pela apresentação ou aroma do prato

Buscam prazer e valor nutritivo num prato que seja seu

Que tenham plantado ou pescado

Querem alimento para o corpo e para a alma

Estão sempre bem alimentados

Sabem que degustação por degustação não traz satisfação…

Alda M S Santos

Algoz

ALGOZ

Não existe maior algoz que a própria consciência

Quase tão grande quanto o maior amor: o divino

Se ela funciona bem a luz de alerta se acende

Aprendizados acontecem, erros passam, a vida evolui

Se ela falha o maior amor entra em ação, poderoso

E permite novas oportunidades para recuperação

Se parecermos estacionados nos mesmos erros

As mesmas falhas repetindo -se infinitas vezes

É Deus agindo

A lição não foi aprendida

Se a consciência doer, ouça

Se tudo parecer se repetir, aproveite

O Maior e Melhor Professor está sempre a nos ensinar

Incansavelmente…

Alda M S Santos

Se quebrar…

SE QUEBRAR…

E se quebrar?

Se quebrar, pode até se lamentar

Mas logo pegue, cole, conserte, refaça

Jogue fora o que puder ferir

Substitua o que não servir mais

Recupere o que é essencial

Retire devagar e com carinho o que estiver inteiro

A essência sempre permanece intacta

O dano pode estar apenas na superfície, no invólucro

O conteúdo profundo é blindado pelo amor

Não importa o tempo de existência

Mesmo que pareça quebrado

O que é profundo e verdadeiro atravessa décadas

E permanece guardado misturado às areias do tempo

Protegido nas perfumadas gavetas secretas de nossa alma

Registrado tal qual marca de ferro quente na pele

Quebrou? E daí?

Aproveite a oportunidade para renovar o viver…

Alda M S Santos

Next!

NEXT!

A vida, muitas vezes, parece com aqueles cadastros online

Onde há lacunas obrigatórias a serem preenchidas

Não adianta ignorar, fingir que não viu

Recusar-se a cumprir a tarefa

Não há como prosseguir!

Sempre aparecerão os erros que impedem “a próxima página”

Ou os resolvemos, ou empacamos ali

São “problemas” cuja solução são a senha para o próximo passo

São erros(!) cujo alerta sinaliza que há algo impedindo a passagem

Que é preciso voltar atrás, corrigir, consertar, preencher

Ou, simplesmente, ficar ali estacionado

Não é vergonha pedir ajuda

Há erros e lacunas que não resolvemos sozinhos

Vergonha é repetir o mesmo erro até ser bloqueado

Next! Em frente! Enfrente!

Alda M S Santos

Que haja vida em nós

QUE HAJA VIDA EM NÓS

Tantas vidas valiosas se perdendo todos os dias

Levadas de modos tão estúpidos e cruéis

Nos tiram o chão, o ar, nos deixam à mercê do acaso

Fazem-nos crer que não valemos grande coisa

Que não temos controle de nada

Somos um grão de areia nessa imensa galáxia

Que podemos simplesmente sair para trabalhar e não voltar

Sem sequer poder nos despedir, nos desculpar

Dar um último abraço ou beijo

Ou fazer uma bela declaração de amor

Com palavras, com uma delicadeza, um olhar ou um aceno

Mas será que há mesmo acaso?

Qual nossa responsabilidade sobre nossas vidas

E sobre as vidas dos que nos são caros

Ou que são caros para os outros?

Quero crer que um propósito há nisso tudo

Que ainda podemos seguir, abraçar, amar, viver

Porque no dia em que não acreditarmos mais nisso

A vida já terá se acabado em nós

Com ou sem tragédias

E isso é pior que morrer…

Que a fé e o amor prevaleçam

Que os aprendizados aconteçam

Que as mágoas arrefeçam

E que sempre haja vida em nós para recomeçar

Quantas vezes forem necessárias…

Alda M S Santos

Foto Serra da Moeda – MG

Ritmo da vida

RITMO DA VIDA

Havia um burburinho por ali

No entorno ouvia gargalhadas de algumas pessoas

Numa mesa algumas mulheres sorriam contando casos

Na outra um casal se falava com os olhos e as mãos

Um grupo de homens assistia ao futebol num canto

A música que se ouvia vinha de uma pequena banda ao vivo

Um senhor sério conversava com duas mulheres bem mais jovens

Os três pareciam isolados em si mesmos

Garçons e garçonetes frenéticos procuravam atender a todos

Numa mesa, virada para a rua, estava uma mulher olhando a Lua

Bonita, vestida de si mesma, parecia esperar alguém

Olhava o relógio todo o tempo e enxugava os olhos

Chamou o garçom, entregou a ele um guardanapo onde escreveu algo

Ele se encaminhou e entregou a mensagem ao violeiro da banda

Ele ruborizou, saiu de lá, foi até a mulher

E saíram dançando entre as mesas sob aplausos

Um guardanapo caiu no chão

Havia uma marca de beijo de batom, lágrimas e um “vamos dançar”?

Seguiram dançando ao ritmo que a vida impunha

Quantas histórias haviam ali?

A vida é assim, ela impõe o ritmo

Mas somos nós que escolhemos se, como

Quando e com quem dançar…

Alda M S Santos

Deixe-se seduzir

DEIXE-SE SEDUZIR

Ela vem cheia de charme

Luz, brilho, cantos e encantos

Sedutora, tira você para dançar

Gira pelo salão, pelas ruas, na contramão

Sobe e desce, oferece flores, perfumes e delicadezas

Faz que vai, volta, te abraça

Você a segue no sol ou na chuva

Dia ou noite, cedo ou tarde

Anda sobre águas, mergulha, vai longe

Você quer fugir, às vezes, quer desistir, tem medo

Mas ela não deixa você se abater

Habilidosa, sabe de seu valor, sua supremacia

É soberana, poderosa, instintiva

E usa de todos os artifícios para manter sua atenção e desejo

Quer venha nua ou coberta de riquezas

Ela te vence, te embriaga, te encanta, te seduz

E você se entrega…

Ela é a vida, que nunca desiste de você

Não desista dela

Deixe-se seduzir…

Alda M S Santos

Porteira fechada

PORTEIRA FECHADA

A vida nos é dada de porteira fechada

Como propriedades negociadas com tudo que carregam porteira para dentro

Recebemos ao nascer um pacote pronto, sem escolhas

Mas não precisa ser assim para sempre

Aos poucos vamos “negociando” o que ela nos deu

Fazendo trocas, descartes, novas aquisições

Vamos fazendo valer nossas escolhas, desejos

Descobrindo o que nossa “terra” produz melhor

Ou aquilo que ela não é boa em cultivar

Adubando o que cresce, enriquece, matando pragas

E dando a essa “propriedade” chamada vida

Que é só nossa, querendo ou não

A nossa cara, nossas características

Tudo que temos ou somos é resultado de nosso trabalho

Na propriedade que recebemos a princípio

Há alguns anos ou décadas…

A porteira veio fechada

Abri-la e fazê-la crescer cabe a cada um de nós…

Alda M S Santos

Perdendo vida

PERDENDO VIDA

Perder documentos, óculos, carteira, chaves

Num bolso, na bolsa, no transporte público ou na rua

Talvez se recupere, talvez não

E a vida continua…

Mas perder ideias, sonhos, ideais, pessoas, sentimentos

Escondidos num coração ou numa alma

Que não se mostra para o mundo

Que teme a dor, a rejeição, o sofrimento

É muito mais danoso, é perder o rumo, é perder vida

E talvez de modo irreversível

Todo cuidado é pouco com o que deixamos se perder de nós por aí …

Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS

Mudar causa medo, insegurança

Expectativa, dores, desalento, esperança…

Mas não mudar pode ser muito pior

Quando tudo a nossa volta muda

Permanecer estático e agarrado ao passado

É deixar a derrota chegar sem lutar

Ninguém vive totalmente no presente

Dizem que vivemos 40% apenas no presente

O restante ficamos entre a saudade do passado e expectativas do futuro

E buscar esse equilíbrio é que é saudável

Mas nem sempre é fácil

Uns crescem, se vão, se viram sozinhos

Outros não mais precisam de nós ou nunca precisaram

Precisamos reaprender a viver dia a dia

A lidar com (des)amor,(in)gratidão, (in)felicidade

Concentrando um pouco mais em nós mesmos

Pois até pra seguir em frente e ajudar

Precisamos estar bem…

Alda M S Santos

Isso é se eternizar…

ISSO É SE ETERNIZAR…

Pode ser que um dia nosso nome esteja gravado por aí

Pode ser que esteja escrito noutros lugares

Além da pedra de nossa lápide

Pode estar gravado nos documentos de filhos e netos

Nas escrituras de imóveis, nos registros de bens diversos

Pode estar gravado em letras garrafais e douradas

Dando nome a uma empresa importante

Ou a uma rua, escola, viaduto ou teatro

Pode estar impresso nos diários da vida de alguém

Na capa de um livro, na porta de uma sala ou consultório

Mas se não estiver gravado feito tatuagem nos corações daqueles que ficaram

Que fizeram parte de nossas vidas

Que amamos, que nos amaram

Marcado como digital firmada dia a dia nas delicadezas

Nenhuma gravação em letras douradas terá valia

E nossa passagem por aqui estará apagada para sempre

Pode ser que eu esteja gravada em vocês

Com as letras suaves da doçura e do amor

E vocês certamente estarão gravados em mim

E seremos eternos a cada vez que a lembrança de nosso nome

De nosso sorriso, abraço ou carinho

Fizer pulsar mais forte um coração

Isso é se eternizar…

Alda M S Santos

Renovando…

RENOVANDO…

A vida nem sempre é como a gente quer

As pessoas e situações quase nunca correspondem às nossas expectativas

A dor muitas vezes se impõe, as forças minam

Sentimo-nos excluídos, esquecidos, desvalorizados, preteridos

Mas brota lá de dentro uma semente, a da sobrevivência

E a gente cuida, rega, aduba, se deixa cuidar e adubar

Enquanto formos capazes de levar um abraço, um cuidado

Enquanto formos capazes de respeitar e cuidar de toda vida existente

Enquanto formos capazes de sorrir um para o outro

Para nós mesmos, a despeito de todo e qualquer sofrimento

O amor prevalecerá, a vida se renovará

Cada dia mais bela e promissora…

Alda M S Santos

A alma chora e agradece

A ALMA CHORA E AGRADECE

Fadigado o corpo luta para sobreviver à lama

Esgotada a alma chora

Chora por aqueles que se foram

Chora pelo descaso, pela insignificância da vida

Chora por si mesma…

Ao redor tudo é destruição

Quanto ouro vale uma vida?

Mais especificamente, quantas vidas são necessárias

Para pagar pela mineração?

Fundão, Feijão, decepção, repetição

Não foi aprendida a lição?

E a alma estremece, quase desiste, chora

E se entrega, agradecida, nos braços daquele que a acolhe

Uma alma que entende outra alma

Corações em sintonia, dor, alegria

E a alma chora, agradece…

Alda M S Santos

Construindo história

CONSTRUINDO HISTÓRIA

Tudo tem história, tudo produz história

Algumas admiradas, escritas, lidas por todos

Retratam crescimento, luta, coragem, sobrevivência

Vontade de reviver, sentir os mesmos aromas, ouvir os mesmos sons

Outras que nos envergonham, nos fazem querer pedir perdão

Apagar, deletar da memória, dos registros oficiais ou não

Voltar lá atrás e consertar um momento, uma página, um capítulo

Que poderia ter produzido vidas diferentes a muitas pessoas

Uma humanidade menos desumana

Aí percebemos que a história já construída não permite muito

À história passada só nos cabe isso: aprender com ela

Quer tenha sido boa ou não, deixado saudades ou decepção

Possibilita apenas muito aprendizado para a história que será lida ou admirada amanhã

Aquelas que hoje escrevemos

Que ainda estão em processo de construção dentro da gente

Somos como uma cidade histórica

Carregamos em nós um passado bonito e de lutas

Mas a cidade não para, assim como nós

E não serve apenas para admiração

A história continua…que valha a pena ser lida!

Alda M S Santos

Quero a verdade

QUERO A VERDADE

Quero toda e qualquer verdade

Aquela que é escondida atrás de um sorriso

Ou disfarçada num olhar fosco e vago

Quero a verdade que tentamos deletar da memória

Que possa magoar ou nos ferir fundo

Vinda num silêncio tenso ou num grito angustiado

Quero a verdade doce que traz alegrias ou esperanças

Capaz de curar qualquer dor

Quero a verdade amenizada nos eufemismos

Ou revestida e clareada nas metáforas

Quero a verdade que ficou perdida nos buracos do caminho

Aquela que foi acovardada nos medos e decepções

Quero a verdade que nos move, que dá o brilho ao olhar

Aquela que nos impulsiona sempre para frente

A despeito de qualquer entrave, obstáculo ou subterfúgio

Quero a verdade mesmo que cause vergonha, traumas ou culpas

Aquela que soterramos nos escombros de nós mesmos

Quero a verdade sempre, ofereço a verdade sempre

Mesmo que ela termine com um “perdoe-me”, “te amo”, “tenho orgulho de você”

A verdade deve ser sempre a liga de todo tipo de relação saudável

De amizade, de trabalho, de amor

Quero a verdade sempre!

Alda M S Santos

Lavando a alma

LAVANDO A ALMA

No Sol que irradia e aquece a pele

Nas pedras que massageiam e acariciam os pés

Na água da cachoeira que refresca e limpa corpo e mente

Na chuva que inunda e fecunda ideias

Na Lua que cresce, diminui, some e volta, nunca desiste

Nas estrelas que brilham na escuridão do firmamento

No som do silêncio que desperta saudades

No carinho e cuidado daqueles que me cercam

Que precisam de mim, que deles necessito

Em tudo lavo minha alma, pouco a pouco

Pois a alma precisa de um sabonete especial chamado amor

E ele só encontramos naquilo que Ele criou…

Lavando minha alma sigo buscando a paz…

Alda M S Santos

Meu tempo

MEU TEMPO

Meu tempo já não é mais o mesmo

Menos ansiedade ou afobação

Um leque maior de opções, sem tanta obrigação

Correria só por lazer ou diversão

O número de coisas a adquirir importa cada vez menos

É preferível despertar emoções saudáveis e bons sentimentos

Já aceito melhor a qualidade em detrimento da quantidade

Aprecio novos lugares, mas sei bem que “com quem” vale mais do que “onde”

Já não tenho tempo a perder remoendo raivas, ciúmes

Sofrendo culpas, me martirizando pelo que não tenho controle

Sei que dar soco em ponta de faca só fere a mim mesma

Prefiro me encontrar nos sorrisos, nos abraços

No carinho sincero, no amor declarado mesmo no silêncio

Assumo o produto de minhas escolhas, erros e acertos

Para o bem ou para o mal

Aceito melhor os tempos das outras pessoas diferentes de mim

Valorizo o amor que se apresenta

Não cobro, não peço, não imploro nada

Doar o que temos é o melhor modo de conquistar o que precisamos

Estou aprendendo que nadar contra a corrente suga a energia

Mas não é pior que seguir um curso indesejado e indefinido

Que quase sempre não leva a lugar algum …

Meu tempo não é mais o mesmo

Mas ainda estou aprendendo a lidar com ele

Qualquer hora dessas eu consigo

E atinjo todas essas metas!

Alda M S Santos

Minha idade não permite

MINHA IDADE NÃO PERMITE

A única coisa que a idade não permite

Seja ela pouca ou muita, iniciando ou já avançada

Masculina ou feminina, é a infelicidade

Se a felicidade pede, não é a idade que deverá impedir

Se a felicidade pede, não é o olhar maldoso do outro que irá impedir

Se a felicidade pede e não fere a consciência

Se a felicidade pede e não está retirando nada de ninguém

Se a felicidade pede e não põe em risco a felicidade do outro

Não é a idade que poderá impedir

Corpo e mente devem estar em uníssono, em sintonia

Para ouvir o que a alma precisa realmente para ser feliz

E não abrir mão da felicidade por preconceitos próprios ou alheios

A idade, seja ela qual for, não só permite

A idade pede, exige que façamos o que nos faz bem

A idade apenas nos mostra que o tempo tá passando veloz

E cabe a nós fazê-lo correr o mais prazerosamente possível

Para nós e para os outros

Enquanto há vida…

Minha idade não me permite ser infeliz!

Alda M S Santos

Sabedoria da areia

SABEDORIA DA AREIA

Viver a sabedoria da areia

Absorver o que é bom, que cabe em si

Deixar de fora, na superfície, o que não dilui, não flui

Aceitar sobre si diferentes tipos de vida

Ser apoio, refrescância, acolhimento, calor

Viver a sabedoria da areia

Deixar-se moldar pelas ondas

Parecer desabar, desfazer-se e persistir

Na certeza de que nada é eterno

Nem a tormenta, nem a calmaria…

Alda M S Santos

As tochas estão acesas

AS TOCHAS ESTÃO ACESAS

“Bruxas” expulsas de algum “paraíso”

Julgadas e condenadas à fogueira

Onde ardiam a queimar o ”mal”

Junto dos livros subversivos, e todo seu material

Conhecimento sempre foi problema

Para quem, sem argumentos, precisa de fantoches

É mais fácil dobrar um povo alienado

Que aceite se curvar, ser manipulado

Proíbem uma fala, um jeito de ser, uma expressão

Logo será um livro, um jeito de trabalhar, uma profissão

Quando assustarmos já estará acesa a “fogueira”

Na qual arderão os conhecimentos das “bruxas” de plantão

As tochas estão acesas…

Alda M S Santos

Ao sabor do vento

AO SABOR DO VENTO

Um barco, uma âncora, uma bandeira a balançar

Seus olhos observam, sua alma voa

Ao sabor do vento navegam no oceano

Leva para lá e traz de volta para cá

E nesse constante remexer, nessa brisa refrescante

Ora é paz, calmaria, ora é tempestade, inconstância

Tenta encontrar seu lugar, se encaixar

Ser barco, ser âncora, ser vento, ser pouso…

Joga água salgada no rosto, aquece-se ao sol

Tenta lavar e aquecer também a alma

E o barco balança, a âncora repousa

O porto está longe e a bandeira balança ao sabor do vento

Fecha os olhos e, como ela, solta-se, entrega-se, deixa-se levar…

Alda M S Santos

Gosto de gente

GOSTO DE GENTE

Gosto de gente

De barulho de gente silenciosa

De silêncio de gente barulhenta

De ter gente por perto

Ainda que não interaja com elas

Gosto de observar, de aprender com o que vejo

Gente me inspira, me faz refletir, me atrai

Gosto de gente que acerta, que erra

Sobretudo que aprende com os erros, que se desculpa

Gosto de gente malucona, fora dos padrões

Gosto de conversar com gente de verdade

Gente que é real, instável ou insegura

Gente imperfeita como eu, meio fora de órbita

Mas conectada em outras “gentes”

Gosto de imaginar uma história para cada um que vejo

Tenho até vontade de confrontar dados

Ou seja, gosto de gente que não se envergonha de ser gente

Gosto de gente que se comunica com o olhar

Gosto de imaginar o que o olhar diz

Gosto de gente que não passa por cima de gente em hipótese alguma

Gosto de gente que respeita gente, que dá as mãos

Gosto de um pouco de solidão também

De caminhar sozinha à beira-mar ou no meio do mato

E ruminar tudo que vejo e sinto

Assim fica mais fácil lidar com gente que mora dentro da gente

Inclusive as muitas de nós…

Gosto de gente!

Alda M S Santos

Precisamos nos armar de amor

PRECISAMOS NOS ARMAR DE AMOR

Já estamos armados!

Fomos aos poucos sendo armados com a navalha da intolerância

Temos posse do sentimento de superioridade de todo tipo

Portamos conosco o veneno social e fatal do preconceito

Carregamos no bolso sem trancas ou cuidados a revolta e angústia contra males sofridos

Nossa aptidão para uso e manuseio está determinada pela pontaria

Exames psicológicos atestam nossa normalidade e direito à “defesa”

Tudo isso junto torna as armas de fogo apenas detalhes letais

Facas, espadas, revólveres e quaisquer outras armas

São apenas instrumentos do motor da intolerância que já trazemos licenciados em nós

Tendo esse motor uma pedra, um pau, uma garrafa

Até mesmo nosso corpo são armas letais

Com o motor do preconceito e da superioridade liberados

A diferença entre a posse e o porte de armas é circunstancial

Fica a cargo da raiva ou humor que você carrega no momento

De quem tiver atravessado seu caminho

Em casa, no trânsito, no trabalho, nas relações “amorosas” ou sociais

Já estamos armados!

Se quisermos mudar algo precisamos nos armar de amor…

Alda M S Santos

Fronteiras

FRONTEIRAS

Do lado de lá ou do lado de cá

Uma linha invisível a separar

Fronteiras a nos impor limites

A nos deixar de lados diferentes do front

Tal qual a linha no horizonte

A dividir o que é céu e o que é mar

Do lado de lá ou do lado de cá

Aquele traço suave quase apagado a separar

O amarelo fosco do entardecer e o cinza chumbo do anoitecer

As águas doces de um rio que se encontram com o sal do mar

A terra seca da chuva prata que a inunda

Do lado de lá ou do lado de cá

Nem sempre enxergamos a linha tênue a separar

O que é efêmero do que é eterno

O que é certo do que parece certo

O que é bom do que é ruim

O que é verdade ou o que é saudade

O que é nosso do que pensamos que fosse

O que é amor do que são só palavras

Do lado de lá ou do lado de cá

A fronteira a dividir esse front

Não é enxergada nem na luz nem na escuridão

Mas é sentida a cada passo

Em cada grito ou silêncio de dor ou alegria

Em cada pegada deixada nas areias dessa estrada chamada vida…

Alda M S Santos

Meu barquinho

MEU BARQUINHO

Bom mesmo é navegar

Com a força dos braços nos remos

Com as velas empurradas pelos ventos

Ou motores fortes a rasgar as águas

O que vale é navegar…

Desbravar nossos mares escuros

Irrigar nossa esperança de novas descobertas

Cuidando para evitar naufrágios

E, se acontecer, saber sobreviver, resistir e seguir

O que vale é navegar

Mas encontrar um porto seguro para descansar

Repor as energias e agradecer

É tão importante quanto…

Sigo navegando e atracando

Com meu pequeno barquinho

Ora sendo apoio, ora buscando apoio…

O que vale é seguir o curso…

Alda M S Santos

Aparências, nada mais…

APARÊNCIAS, NADA MAIS…

Não é porque parece sujo que não limpa

Ou limpo que não esteja sujo

Não é porque sorri que esteja sempre feliz

Ou chorando que seja um infeliz

Não é porque está vestido que tem pudores

Ou nu que seja despudorado

Não é porque seja tão belo e brilhante por fora

Que também o seja por dentro, lá pode estar fosco

Não é porque grite que tenha muito a dizer

Ou silencie que não esteja sufocando algo

Não é porque caminhe por caminhos diferentes

Que tenha mudado a rota original da própria vida

Não é porque desanime ou tantas vezes queira desistir

Que não seja grato ao amor e à vida…

Aparências, nada mais…

Apenas um bom olhar percebe o que vai dentro

Além da superfície!

Alda M S Santos

Esperas

ESPERAS

Vida de esperas incessantes

Esperamos por algo, por um lugar, por alguém

As horas e minutos contados vão se esgotando

Os sonhos se realizando, outros sendo minados

Vida de esperas boas ou vãs

Vida de esperas incessantes…

Esperas por um momento, que dura poucos minutos

Que valem todo o existir

Vida de esperas incessantes…

Mal uma se realiza, outra já toma seu lugar

São motivadoras, motores do existir

Quanto mais depender de nós mesmos

Mais felizes e realizados seremos

Vida de esperas incessantes

Esperando…

Enquanto isso, vivendo…

Alda M S Santos

Misturados

MISTURADOS

A capacidade de misturar

Pernas, pés, braços, corpos, ideias, corações

E manter-se individual, separado

A habilidade de caminhar junto

Ainda que por caminhos diferentes

E se encontrar no mesmo ponto

O jeitinho especial de ser duo

Sem perder a unidade

A perícia de estar dentro, mesmo estando longe

O prazer de voar juntos

Cada qual com suas asas

A satisfação de escolher a quais elos quer estar atado

Sem perder os próprios movimentos

Sem mudar a própria essência, sem ferir a alma

Potencializando a habilidade e a coragem de voar

Preservando a liberdade de viver e amar…

Alda M S Santos

Verão

VERÃO

Verão que tudo é luz, é calor

Energia que emana do interior

Do ar, da terra, do alto, do ser…

Verão que não é uma simples estação a viver

É rosa desabrochada, perfume, encanto, diversão

É amor em cores, multicores, alegria, brilho em profusão

É inspiração que instiga a alma, o coração

É o produto do longo hibernar do inverno, é emoção

É leveza, é brisa, é descanso, é preguiça, é união

Verão é viagem além-mar, logo ali

Ou mesmo na imaginação

Verão é só riso, sorriso, é gratidão!

Alda M S Santos

Abalando muralhas

ABALANDO MURALHAS

Aquelas tempestades que vêm e derrubam tudo

As que todos tememos e olhamos com desconfiança

Enxergando nelas apenas destruição e tragédias

Podem ser exatamente o que precisamos para recomeçar

Há muros que construímos ao redor de nós

Realidades que carregamos como verdades absolutas

Construídas sobre rochas aparentemente fortes

Que só uma boa tempestade para abalar suas estruturas

Mostrar sua real fragilidade e inconsequência

E nos permitir reconstruir, recomeçar

Mas há algumas construções que nenhuma tempestade derruba

São verdadeiras, reais, fortes, divinas

Construídas sobre a rocha do amor…

Muitas muralhas algumas tempestades conseguem derrubar e permitem reconstrução

Outras, é preciso cuidado, só com amor é possível derrubar

Pois carregam consigo estruturas que nos sustentam por inteiro

E que precisam ser resguardadas

Pois são impossíveis de serem reconstruídas…

Alda M S Santos

Teias sociais e familiares

TEIAS SOCIAIS E FAMILIARES

Tecemos nossas relações familiares e sociais

Como uma grande teia, um emaranhado no qual transitamos bem

Conhecemos os cantos e recantos, os nós, os laços, os embaraços

As linhas paralelas, aquelas que nunca se cruzam

As vias mais frágeis, as mais resistentes

Mas, como numa teia, qualquer anormalidade

Um inseto distraído, intruso que chega movimenta toda a sua estrutura

A aranha tem trabalho para proteger seu espaço de invasores

Tecer novamente o que foi danificado

Temos trabalho para reconstruir nossas relações social e familiar

Quando elas sofrem qualquer dano ou perda: interna ou externa

Mas só nós podemos fazê-lo

Fomos nós que, como aranhas, as construímos

Nós, como aranhas, conhecemos cada ponto como ninguém

E logo nova teia estará pronta

Mais forte e ainda mais resistente!

Alda M S Santos

Nadando em águas profundas

NADANDO EM ÁGUAS PROFUNDAS

O que leva um exímio nadador a se afogar

Não é a inabilidade, imperícia ou falta de treino

O que leva alguém a se afogar é a escassez ou o excesso de confiança em si mesmo

É a inércia perante as águas bravias que causa pavor

Falta-lhe a tranquilidade para lembrar o que possui

Tentar relaxar, mover-se ritmadamente e respirar devagar

Ou é o excesso de confiança que o faz se aventurar onde é perigoso e não mais conseguir voltar…

Quando nos afogamos mergulhados em problemas e tristezas

Advindos de mares profundos nos quais mergulhamos

Levados pelas circunstâncias ou por vontade própria

Quase sempre são por esses dois motivos:

Excesso ou falta de autoconfiança e coragem

Ambos podem ser danosos para o nadador e para quem tentar salvá-lo…

Que nossas águas sejam claras, que saibamos mergulhar e nadar bem…

Alda M S Santos

Retrospectiva

RETROSPECTIVA

Em retrospectiva analiso os últimos 365 dias

O que se destacou nesse ano que merece ser relembrado

As alegrias vividas, os sofrimentos superados

Outros jogados para um cantinho escuro

A força que surgiu de onde parecia ser só fragilidade

Os sorrisos que brotaram em meio a decepções

As lágrimas, os apertos e medos, mudanças e renovações

Quantas vezes fui salva do mal ou da morte sem saber

Quantas outras fui salva da vida por escolher

A quantos pude salvar, levar amor, compaixão

Ou apenas um pouco de alegria, um pedaço de pão

O quanto pude construir para mim, para os outros

Causei algum mal, destruí algo, derrubei muros, construí pontes?

Como água, soube desviar de obstáculos ou entrei onde não devia?

A bagagem que hoje carrego pesa mais que antes

Ou tem mais levezas, menos traumas ou culpas?

Uma coisa é certa: não desisti

Que posso levar para o próximo ano?

Quem estará comigo?

Independente de quem ou do que estiver comigo

Sei que Ele estará, não me desampara nunca

Nele está minha gratidão, minha fé, minha coragem

Que venha 2019!

Que seja feliz para todos nós!

Alda M S Santos

Fechado para balanço

FECHADO PARA BALANÇO

Tempo de balanço, de averiguar saldos

Entradas e saídas, déficits e superávits

Faturamento, prejuízos, reposições e trocas

Todo bom negócio realiza para equilibrar a balança comercial

Todo bom ser humano precisa para equilíbrio da balança emocional

Tempo de levantamento de dados na mente

Os excessos ou faltas que causaram curtos-circuitos

Hora de sondar o coração

Aquelas batidas aceleradas ou quase paradas

Verificar o que gerou ganho para a alma

Remanejar o que não possibilitou crescimento

Manter e aumentar o estoque do que fez bem

Descartar só em último caso

Pois tudo que fez parte de nós sempre há como reaproveitar

E portas abertas novamente

Seguindo corajosamente no sinal verde,

Brecando sabiamente no vermelho

E muita, muita atenção ao amarelo

A vida que está em nós precisa girar…

O amor precisa fluir, sem destruir …

Alda M S Santos

É possível?

É POSSÍVEL?

Para mudar algo, fazer diferente

Alcançar objetivos, bater metas

Melhorar, crescer, evoluir

Vencer, não ao outro, mas nossas próprias batalhas

Transformar divergências em convergências

Alguns princípios básicos devem ser obedecidos

Novas estratégias se impõem:

Aumentamos a intensidade da luta

Mudamos as armas ou as táticas

Ou trocamos os objetivos…

Só assim é possível um resultado diferente

Em qualquer esfera da vida

Que a sabedoria e o amor estejam presentes…

Alda M S Santos

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