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Águas de março

ÁGUAS DE MARÇO

Elas chegam lavando tudo, as águas de março
Fortes ou não, desfazem nós, apertam laços
Apagam e levam para longe os medos
Acalentam conosco nossos segredos

Lá fora tudo é beleza, nostalgia
Convite à reflexão, um toque de magia
Buscamos na natureza molhada uma sintonia
Que nos faça mais amorosos, em harmonia

Chuva é presente que cai do céu
Dias cinzentos, cobertos por um véu
Lindo, insinuante, tiro meu chapéu

Logo vem o outono, introspecção
As águas fecham o verão, vem a seca, então
É tempo de curtir o melhor de cada estação

Alda M S Santos

Só um dia de chuva

SÓ UM DIA DE CHUVA

Acordei com ela tamborilando no meu telhado
Janela molhada, embaçada, sabiá meio calado
Acho que ficou no ninho quentinho, bom namorado
O sol decidiu descansar, céu bastante nublado
Virei para o canto, sonolenta, me pus de lado
Tentando não me incomodar, peito apertado
Queria voltar a dormir, sonhar meu sonho abençoado
Daqueles que nos tiram do chão, nos fazem alados
O mundo se nubla lá fora, propõe recolhimento
Um tempinho para buscarmos abrigo na alma, discernimento
Entre poças d’água e ventanias internas
Encontrarmos nosso ninho, nossas cavernas
Ali ficar quietinhos, um tempo hibernando
Até abastecer toda a emoção para seguir caminhando
Com coragem, fé, vivendo, amando
Só mais um dia de chuva…

Alda M S Santos

Depois das tempestades

DEPOIS DAS TEMPESTADES…

Todo pássaro canta feliz depois da tempestade

A noite pode ter sido de muita chuva, barulhos e destruições

Mas eles saem felizes a cantar ao amanhecer

Ao surgirem os primeiros raios de sol…

Eles olham para a frente, para a vida que ainda existe

Não olham para trás, agradecem cantando

E seguem…

Talvez por terem ciência da finitude da vida

Que de uma hora para outra tudo pode se acabar

Não perdem tempo a lamentar

Vivem… e cantam…

Celebram como a dizer

Enquanto houver vida, cantarei…

Minúsculas, lindas e sábias criaturas,

Me levem a dar um voo cantante com vocês?

Alda M S Santos

Tempestades de fora e de dentro

TEMPESTADES DE FORA E DE DENTRO

A tempestade parece devastar o mundo lá fora

Barulho ensurdecedor, ventos uivantes

Granizo forte e gelado, doloroso

Atinge em cheio tudo que encontra pela frente

Destrói, amassa, assusta

Mais assustadora por ser fora de época

Relâmpagos riscando de luz o céu escuro

Uns, dormindo, acordam assustados

Outros sequer acordam…

Muitos, expostos nas ruas, tentam se abrigar, se proteger

Outros, caminham na chuva, se encharcam, levam “pedradas”

Será que também não acordaram?

Ou será exatamente por terem acordado? Não sei…

Muitos questionam o porquê dessa tempestade em pleno inverno

Sequer lembram que a loucura das tempestades se deve às insanidades humanas

Quantas vezes nós mesmos ignoramos alertas

Destruímos nosso planeta, poluição gerando superaquecimento global

Descuidos conosco gerando indiferenças

As tempestades não surgem do nada

Sempre vão dando sinais que fingimos não ver

Tanto aquelas no mundo lá fora ou no mundo cá dentro

E quando ela chega a gente se abriga e espera passar

Salva o que puder salvar

Ou sai às ruas e enfrenta o vendaval e as pedradas…

De todo modo, danos sempre existirão pós-tempestade

Avaliar o que restou, reconstruir o que foi destruído

Acostumar-se, “superar” o que não puder ser reconstruído

Devido a terrenos arenosos e frágeis

E aguardar a próxima, mais experientes para enfrentá-la

Com mais cuidados e proteção, sem os mesmos erros

Certamente parecerá menos dura, menos devastadora

Apenas uma chuva refrescante e deliciosa na qual vale a pena dançar

E amar…

Será?

Alda M S Santos

Tempestade se armando

TEMPESTADE SE ARMANDO

Nuvens escuras se atropelam no céu

Numa corrida frenética e assustadora

Pássaros se recolhem desarvorados

Mulheres correm a recolher roupas na cerca

Folhas parecem ter asas na forte ventania

Crianças brincam nos redemoinhos de poeira felizes

Beija-flores fazem uma refeição na flor que balança

Um pai chama o filho para dentro

Um boi muge ao longe, cães procuram abrigo

Macacos gritam na mata, uma seriema passa correndo

As árvores sabiamente dançam ao sabor do vento,

Sabem que não adianta resistir…

Relâmpagos riscam o céu, trovões gritam sua força

E a água cai forte e certa do que está fazendo…

Molha, lava e leva tudo numa beleza impressionante

A terra absorve o que dá conta e deixa ir o que sobra

Confia que tudo está em seus devidos lugares…

Quiséramos ter a sabedoria da natureza!

A tudo observo maravilhada, sinto-me parte

Levanto da rede, deixo o livro, e vou passar um café…

Aceitam?

Alda M S Santos

Na Chuva

NA CHUVA

Posso vê-la andando ali, devagar

Deixando a chuva cair, molhar tudo

Olha para cima, deixa a chuva molhar seu rosto, se entrega

Senta-se num banco na calçada

Tudo está fechado, é tarde

Coloca uma bolsa a seu lado, abraça a si mesma

Um ou outro transeunte em seu guarda-chuva passa e a olha displicente

Carros esporádicos espirram água para todos os lados

Um cachorro parece se compadecer e para a seu lado

Faz um carinho em sua cabeça, abraça-o

Ambos ficam ali por um bom tempo

Logo ele se vai atrás de uma cadelinha

Ela olha para cima, abre os braços

E se deixa lavar por inteiro.

Enfim, levanta e segue seu caminho lentamente

Ela faz parte daquela madrugada chuvosa, fria e triste

Olha para cima, me vê, percebe-se fora

E volta para dentro de mim

Juntas vamos para casa…

Alda M S Santos

Foto Google imagens

Arco-íris ao longe

ARCO-ÍRIS AO LONGE

Sempre visível depois das chuvas, das tempestades

Cores lindas, vibrantes, energizantes

De um lado a outro do céu

Onde quer que a gente esteja

É possível vê-lo,

Se não nos concentrarmos nos obstáculos.

É preciso olhar além, mais à frente, no horizonte

Por perto, pode ainda haver os estragos da tempestade

As cercas farpadas que machucam, sangram

E vendam nossos olhos para as lindas cores adiante…

Se quisermos o “pote de ouro” que há além do arco-íris

Precisamos desfocar a cerca

E caminhar…

Alda M S Santos

Tempestades internas

TEMPESTADES INTERNAS

Toda tempestade costuma ser, se não anunciada, no mínimo, armada aos poucos. Muito calor, muita umidade, muita evaporação, aí é só aguardar.

Quanto mais tempo de evaporação, maior a quantidade de água na atmosfera, mais carregadas serão as nuvens

Quando vier o resfriamento, mais forte, torrencial, assustadora a chuva será.

Nossas tempestades internas também são anunciadas, armadas, formadas lentamente.

O problema é que as ignoramos. Às vezes, alguns nos alertam: de 

“Se trabalhar tanto vai adoecer”, “sorria mais e se estresse menos”, “não acumule angústias, raivas”, “desfrute de lazer, passeie”, “não gaste tanto, seu orçamento vai estourar”, “beba menos, vai desgastar sua imagem”, “evite tensões, ciúmes de qualquer tipo”, “ame e aceite amor”, “amor exagerado e não vivido também estoura”…

Tudo que vamos acumulando em nosso interior tem o mesmo efeito que as gotas d’água que evaporam e vão para a atmosfera.

Nossas nuvens emocionais estão agora negras e pesadas. Quando vier um resfriamento ou detonador qualquer nossa tempestade desabará torrencialmente. 

Pode fazer muito barulho, ou não, mas chama a atenção. Desabamos junto, literalmente. 

Muita água rola, muitas lágrimas, muita dor, rebeldia, revolta, depressão.

A diferença é que ninguém questiona a chuva. Ela é bem vinda, não presta contas a ninguém. 

Já nossa “chuva” é questionada por todos. Principalmente se vier forte e atingir terrenos alheios, o que quase sempre acontece.

Mas quando ela cair, não tem jeito. Deixe rolar… Chore tudo que tem direito, brigue, fale, se abra… Se aliviar, chore na chuva, as águas confundirão os curiosos! 

Para reparar os danos, depois das águas passarem, desculpe-se, procure um médico, um amigo, quem tiver que ser, se aprume e prepare-se. Sempre desabarão novas tempestades. 

Com a lição aprendida, poderemos reduzir a formação, amenizar a força e controlar os danos das próximas. 

Alda M S Santos 

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