SÓ UM DIA DE CHUVA

Acordei com ela tamborilando no meu telhado
Janela molhada, embaçada, sabiá meio calado
Acho que ficou no ninho quentinho, bom namorado
O sol decidiu descansar, céu bastante nublado
Virei para o canto, sonolenta, me pus de lado
Tentando não me incomodar, peito apertado
Queria voltar a dormir, sonhar meu sonho abençoado
Daqueles que nos tiram do chão, nos fazem alados
O mundo se nubla lá fora, propõe recolhimento
Um tempinho para buscarmos abrigo na alma, discernimento
Entre poças d’água e ventanias internas
Encontrarmos nosso ninho, nossas cavernas
Ali ficar quietinhos, um tempo hibernando
Até abastecer toda a emoção para seguir caminhando
Com coragem, fé, vivendo, amando
Só mais um dia de chuva…

Alda M S Santos