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Manhã de chuva

MANHÃ DE CHUVA

Espreguiçou-se toda feito gata
A claridade do dia passava pela persiana
Mas não havia sol, estava tudo acinzentado
O corpo meio descoberto, noite quente
Na janela a chuva batia fina e insistente
Sonhos bons da noite invadiram sua mente
A cama estava ainda com seu calor
Aquela música da chuva era inebriante
Um misto de agitação e alegria a atingia
“Bom dia, chuva! Que bom que deu o ar da sua graça!”
Dia de chuva era assim, ficava cheia de energia, de ideias …
Levantar, sair para se molhar, olhar os outros a correr
Ver a alegria de plantas e bichos
Ou ali ficar mais um pouco, só curtindo?
Tantas opções ela via para um dia de chuva…
Resolveu ficar um pouco mais na cama
Encostou-se ronronando ao seu “cobertor de orelha”
Ele abriu os olhos, sorriu, “bom dia”!
E o dia deles começou ali…

Alda M S Santos

Chuvinha

CHUVINHA

Chuvinha caindo lá fora

Ela continua ininterrupta

Despertando prazer, medo, nostalgia

Não atinge a todos da mesma forma

Alguns se molham por prazer

Outros por falta de opção ou abrigo

De alguns leva a tristeza, a incerteza

Irrigando o coração e a vida

Traz alegria, satisfação, magia

De outros leva bens, trabalho, afetos, um futuro

Traz dores, desespero, prejuízos, angústia, é duro!

Pode cair, chuvinha, mas seja boazinha

Não maltrate esse povo que já sofre tanta agonia

Que estejamos protegidos e abrigados

Que possamos ser o abrigo a quem precisar

Um lugar para o corpo, para a mente, para a alma se abrigar…

Alda M S Santos

Chuva combina com o quê?

CHUVA COMBINA COM O QUÊ?

Chuva combina com o quê?

Uma rede, um livro, um poema

Sofá, pipoca, filme, qual o tema?

Chuva combina com o quê?

Casaco, galocha, indisposição

Música, viola, animação?

Chuva combina com o quê?

Uma sesta depois do almoço

Um dia sem muito alvoroço?

Chuva combina com o quê?

Rosto rosado, nariz gelado

Um beijo sob o guarda-chuva, molhado?

Chuva combina com o quê?

Raios, medos, trovões

Um colo que acolhe corações?

Chuva combina com o quê?

Um banho longo e quentinho a dois

Um amor lento e gostoso depois?

Chuva combina com o quê?

Com natureza, beleza, poesia

Com poetas em perfeita sintonia?

Chuva combina com vida que se renova

A cada gota que abastece e bota nossa existência à prova…

Saudade de combinar com a chuva…

Alda M S Santos

Chuva lá fora

CHUVA LÁ FORA

Quero ouvir o tamborilar da chuva no telhado

E o bater do seu coração ao meu lado

Enxergar as gotas escorrendo na vidraça, tudo molhado

Enquanto aqui, deitados, sob o cobertor

Tudo é calor…

As árvores balançando, entregues ao vento

E nós aqui, entregues a esse momento

Uns raios lá fora iluminam a tarde escura

E trovões que apavoram rasgam o céu, total bravura

Mas aqui, tudo é paz, é doçura …

Amo a chuva lá fora, leve candura

Amo nós dois aqui dentro, doce aventura…

Alda M S Santos

Pede o quê?

PEDE O QUÊ?

“Hoje é domingo, pede cachimbo”

Que pede seu domingo?

Uma neblina baixa, friozinho

Chuvinha fina, insistente

As flores até demonstram um sorrisinho

Voam no céu, ignoram a chuva os canarinhos

Galos cantam ao longe, saracura saliente

Só os bichos acordaram, não estão sozinhos

E eu aqui na rede na varanda

Bom dia!

Meias nos pés, respirando essa poesia

Domingo pede descanso, pede calor

Pede café recém coado, um queijo coalhado

Pede um amor debaixo do cobertor

Domingo pede magia, pede poesia

Pede nós dois aqui em harmonia…

Hoje é domingo, pede um pingo de chuva, de vida

Agradeço, sem choramingo

A chuva, o amor, a paz e a magia de viver…

Seu domingo pede o quê?

Alda M S Santos

Quero chuva

QUERO CHUVA

Quero chuva na minha primavera

Abraços e amor quando tudo for solidão

Uma vida por demais sincera

E alegria constante no coração

Quero chuva para disfarçar meu pranto

Fazer brotar meus jardins internos

Dos pássaros ouvir o canto

E amigos cada vez mais ternos

Quero chuva para irrigar a vida

Lavar e levar para longe

Tudo que não for bênção, mão amiga

Em ouro, prata ou bronze

Quero chuva, quero alma, quero paz

Quero um viver mais eficaz

De humanos mais amigos

E que não seja tão fugaz!

Quero chuva!

Alda M S Santos

Deixe as águas rolarem

DEIXE AS ÁGUAS ROLAREM

Deixe as águas caírem e rolarem

Sejam das nuvens, das cachoeiras ou dos olhos

Águas represadas por muito tempo

Geram dores, malefícios, ficam ácidas, apodrecem

Águas paradas causam tragédias e destruição

E o que poderia ser uma chuvinha fina, uma garoa bem vinda

Torna-se um furacão perigoso e assustador

Deixe as águas rolarem

Elas sempre lavam o que está sujo

Elas sabem e encontram o caminho a seguir…

Alda M S Santos

Chuva lá fora

CHUVA LÁ FORA

Raios rasgam o céu e atravessam a janela

Trovões estremecem a porta, os tímpanos

Chuva forte no telhado, goteiras intensas

Enxurrada lava tudo

Ou suja tudo, diriam alguns

Cá dentro estamos seguros

As árvores se agitam nervosas

A terra se encharca, bueiros transbordam

O barulho lá de fora sobressai

E acalma o barulho cá de dentro

Uma boa chuva sempre molha

Até mesmo aqueles que dela se protegem

Ainda que não nos molhe por fora

Sempre nos irriga por dentro

E nos torna um terreno quente e úmido

Permitindo que algo de novo brote

E que faça o amanhecer em nós mais bonito…

Alda M S Santos

Louca-molhada

LOUCA-MOLHADA

Quero poder caminhar na chuva, me encharcar

Trocar fluidos com ela

Me embriagar, entorpecê-la

Louca?

Louca-varrida, louca-molhada, louca-feliz ou infeliz

Louca-menina, louca-mulher, louca de alma infantil

Simplesmente, louca!

Quero correr debaixo do temporal

Chutar água, abrir os braços, cantar, sorrir, chorar

Afastar todo o mal

Pedir e oferecer o perdão, a gratidão

Que a água leve, que a água traga

A vida que nasce e renasce em cada gota

Quero me inundar

Sem guarda-chuvas, sem proteção

Protegida pela emoção de viver

E de sonhar

E quem sabe num ponto qualquer te encontrar?

Alda M S Santos

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