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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Carinho

Apenas mais uma

APENAS MAIS UMA…

Nada tão humano quanto a necessidade de nos sentirmos especiais

De sermos importantes na vida dos outros, de fazer a diferença

Ao menos na vida de um alguém…

Descobrir-nos apenas uma pessoa a mais pode ser doloroso

Por mais que isso pareça ilógico ou infantil

Particularmente, se for na vida de alguém que nos é especial

Todos temos essa necessidade de sentir-nos amados, valorizados

Ser “apenas mais uma” deixa a sensação de fracasso

De não cumprimento de nossa tarefa por aqui, de vazio

E torna-se um círculo vicioso

Quando não nos sentimos especiais para o outro, não nos amamos o bastante

Se não nos amamos, menos chance temos de ser amados

E um mundo sem amor não é digno de ser vivido…

Alda M S Santos

Família: laboratório do mundo

FAMÍLIA: LABORATÓRIO DO MUNDO

O que quisermos fazer pelo mundo

Façamos primeiro por e para nossas famílias

Nelas desenvolvemos nossos dons, crescemos

É um mundo em miniatura onde enfrentamos de quase tudo

Não há ilusões!

Família é escola da vida, reflexo dela

Coisas maravilhosas e odiosas acontecem dentro de famílias

Enfrentamos ciúmes, inveja, rebeldias, crises, alegrias

Diversidade de opiniões, habilidades diversas, disputas

Ensinamos, aprendemos, nos reconstruímos, amamos, perdoamos

Se o que queremos para o mundo não funcionar num ambiente reduzido em que deveria prevalecer o amor

Mudemos de tática, ou destruiremos a nós mesmos, nossas famílias, as demais famílias, o mundo…

Uma família não se destrói ou se constrói por um só

Todos somos responsáveis, dentro ou fora delas!

O mesmo se aplica ao mundo…

Construir um mundo melhor implica em amar, respeitar e construir a família que nos foi confiada!

Alda M S Santos

Atrofiados

ATROFIADOS

Tudo aquilo que não usamos atrofia, enferruja, torna-se obsoleto, perde a utilidade, a validade, o brilho

O mesmo vale para objetos, eletrônicos, máquinas, alimentos, músculos, cérebro, sentimentos, emoções …

Não usar uma máquina, um veículo não os preserva

Não ingerir um alimento não o conserva ou eterniza

Não trabalhar músculos faz com que se atrofiem, percam tônus

A utilização é que faz correr o óleo, o sangue, o oxigênio, o fluido da vida…

Motor em uso mantém a máquina ativa

Sentimentos e emoções são o óleo, o fluido vital que gira o motor da vida

Coração partido tem mais vida que coração intacto, atrofiado por falta de uso…

Alda M S Santos

A pergunta certa

A PERGUNTA CERTA

A pergunta certa não é “o que posso receber de alguém?”

Ou “o que o outro pode me oferecer?”

A pergunta certa não é aquela que nosso egocentrismo determina

A pergunta certa é “o que posso oferecer de mim ao outro”?

“Em que posso melhorar a vida de alguém”?

Buscando o que de mais livre e sincero pudermos oferecer

Acabaremos por ser o que o outro mais necessita

A via se torna de mão-dupla, vai e volta infinitamente

E recebemos, sem buscar, sem cobrar, o que mais necessitamos

Fazendo, assim, um mundo melhor para todos nós…

Alda M S Santos

#carinhologos

Fragilidades

FRAGILIDADES

Ser frágil é a coisa mais fácil do mundo, mais humana, mais dolorosa

Mostrar-se frágil, aparentar fraqueza, por sua vez, a mais difícil

Transparecer fragilidade, impotência, pedir ajuda

Estender a mão, gritar por socorro, chorar, necessitar

Demonstram um fracasso que não ousamos admitir

Mostrar-se necessitado exige uma força sobre-humana, uma certa humildade, pureza de coração

Que poucos possuímos, e quase nunca conseguimos obter, alcançar

Não combinam com o orgulho e vaidade que gostamos de ostentar

Pouquíssimos conseguem acessar esses nossos recônditos frágeis

Quem consegue, não é por ser forte, mas por também ser frágil e se reconhecer no outro.

Assim, fechados em nós mesmos, sepultando fraquezas e lágrimas

Aumentamos dia a dia nossas fragilidades, nossos medos

Muitas vezes, a força estando a um abraço de distância…

Alda M S Santos

Autoridade feminina

AUTORIDADE FEMININA

Toda mulher possui autoridade, chorando ou sorrindo tem postura de deusa, de rainha

Autoridade conferida pelo afeto, capaz de comandar um batalhão

Sem parecer que moveu sequer uma palha, cheia de doçura, fada madrinha

Olhar que diz mais que uma ladainha inteira, que gera por respeito a desejada ação

Toda mulher possui autoridade conferida pelo amor

Amor que gera vida dentro de si, amor que cria, que dá colo, que protege

Amor que se passa por frágil, que amansa leões com sorriso, que cura com beijinho uma dor

Amor que desperta vontades, satisfaz desejos, que revoluciona o ser, que a todos rege

Toda mulher possui autoridade conferida pela Criação

Daquele que a fez capaz de retirar forças tanto das lágrimas dolorosas quanto de um sorriso singelo, brava lutadora por aconchego, por união

Daquele que a desenhou com traços finos, alma delicada, rica, amorosa, agregadora, hábil em sentir e despertar compaixão

Alimentada e abastecida por qualquer atitude que demonstre amor, carinho e proteção…

Somos assim, mulheres…por Ele sonhadas

Evas, Madalenas, Anas, Esters, Marias, Rutes, Saras da Criação…

De ontem, de hoje, do amanhã, de sempre

Alda M S Santos

Uma questão de cabimento

UMA QUESTÃO DE CABIMENTO

Quando não estamos cabendo bem dentro de nós mesmos

Nenhum lugar será bom o bastante para nos acomodar

Nunca será agradável, nunca nos sentiremos em casa

Ou será apertado como sapato novo ou grande demais como roupa de irmão mais velho

Tão escuro como noite sem estrelas, ofuscante demais como luz refletida no espelho

Será tão barulhento quanto quarto de adolescente, ou silencioso e triste feito funeral em dia de chuva

Enquanto não coubermos dentro de nós mesmos

Como meias quentinhas em tardes de domingo chuvoso

Não haverá cabimento para nós dentro de ninguém

Em lugar algum!

Alda M S Santos

Misérias humanas

MISÉRIAS HUMANAS

Medo: a maior de todas as misérias humanas

Se bem dosado nos protege, sem medidas nos assombra

Medo de ser assaltado, de adoecer, de ser traído, de perder alguém querido

Medo de não conseguir proteger o amor, a vida, de causar a dor, o mal

Capaz de nos confundir, distorcer fatos, embaralhar memórias, criar incapacidades e fantasmas

Leva-nos a duvidar de nossas forças, de nosso eu, a fantasiar monstros ultra poderosos

Em nome dele acabamos desconfiando de tudo, imaginando e legitimando barbáries

E o pior, fazendo acepção de pessoas, excluindo o diferente de nós que nos enriqueceria

Desacreditamos do poder do amor puro, universal, fraterno, do perdão

Vemos Deus sob a nossa ótica humana limitada, medrosa, culpada e distorcida

Aquele que julga e castiga cruelmente nossas falhas, nossos erros

O medo que venda nossos olhos, que nos paralisa, impede de ver toda a natureza do entorno, nossa natureza, é uma armadilha atroz

É extremamente negativo, afasta-nos do melhor de nós:

Nossa capacidade de confiar e amar, de recomeçar com esperança

Essa é a face contraditória do amor

O medo de sermos dele privados nos distancia bastante de sua essência gratuita, incondicional

O medo de perder, de ser julgado e condenado, nos condena por antecipação

Nos afasta de Deus, do amor…

E, lamentavelmente, isso já é a própria condenação!

Alda M S Santos

Acendendo nossa luz

ACENDENDO NOSSA LUZ

Dons que todos temos, mas que pouco desenvolvemos

Acender ou apagar, ligar ou desligar

A energia necessária para viver e fazer nossa luz propagar

Uns encontram uma faísca de luz num completo breu

Outros apagam até um holofote

Uns transformam nossos cacos de vidro em diamante

Nossas pedras em ouro, nossas dores em esperança

Outros, apagam nosso sorriso com críticas, veem nossa alegria como algo irritante

Uns buscam o que há de bom até nos defeitos

Outros, ao contrário, querem, a todo custo, encontrar o que há de ruim nas qualidades

Na triste incapacidade patológica de verem qualidades em si mesmos

Tentam também não enxergá-las nos outros

Pior, enaltecem apenas o ruim dos demais e até de si mesmos

Visam apagar tudo que o outro tem e o faz um ser único, especial

Inconscientemente, acabam apagando a própria luz

E, talvez, um possível gerador de luz e brilho que o outro poderia vir a lhe ceder…

Alda M S Santos

Florescendo

FLORESCENDO

A vida é feita de cores, de flores, de amores

Quanto mais amor, mais cor, mais flor

Ou seria mais flor, mais amor, mais cor

A ordem não importa…

Oferecidas com alegria, por prazer, por vontade

Rosas, orquídeas, flores quaisquer

Doados com carinho, por desejo, por necessidade,

Amizades ou amores quaisquer

Sempre irão florescer, encantar

Perfumar, colorir o mundo…

Se houver o mesmo carinho e amor em quem recebe e sabe cultivar!

Alda M S Santos

Carinho também se aprende

CARINHO TAMBÉM SE APRENDE!

O ato de doar carinho, amor, atenção

É aprendido, desenvolvido, trabalha-se a emoção

O fato de ser inerente ao ser humano, a cada coração

Não implica necessariamente que todos tenham na mesma dimensão ou proporção

Uns apresentam maior dificuldade em oferecer

Já outros são inseguros, travados para receber

Mas ambos podem e devem essa habilidade praticar

Quem trabalha doando carinho e amor sabe bem valorizar

Oferecer o abraço acompanhado daquele olhar empático, terno

E de um “eu te amo” fraterno, sincero

Leva a sentir no outro e em si a grandeza e elasticidade do amor Paterno

Fluindo de nós para o outro, do outro para nós, seu poder curativo, eterno…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Que sou pra você?

QUE SOU PRA VOCÊ?

A brisa suave que refresca e acalma, a água que gela

Ou o fogo que aquece, mas a tudo consome

Que sou pra você?

O colo que acolhe, o abraço que acalenta e apascenta

Ou a presença que agita, movimenta, preocupa, enerva

Que sou pra você?

A companhia, a amizade, o amor, a confiança, o cuidado

Ou a ausência dolorosa e saudosa, porém, necessária

Que sou pra você?

Um presente desejado, querido e amado

Ou aquele “objeto” a mais que tens a entulhar seus móveis

Que sou pra você?

A fraqueza, o calcanhar de Aquiles, o ponto nevrálgico

Ou a rocha firme, a raiz, a força onde se apoias nas crises

Que sou pra você?

Um passado saudoso, um presente tolerável e um futuro incerto

Ou apenas aquilo sem o qual você não se imagina viver

Que sou pra você?

Posso ser um pouco de tudo isso

Em momentos diferentes…

Assim como você pode ser tudo isso para mim também

Como somos quase todos uns para os outros

Somos humanos, falhos, aprendizes,

E co-dependentes do amor, da doação, dos erros para crescer…

Alda M S Santos

E a vida acontece

E A VIDA ACONTECE…

Uns deixam ir tão facilmente quanto deixaram chegar

Esquecem na mesma medida em que foram capazes de lembrar

Sofrem por pouco tempo, descartam tudo que venha para doer

Vivem na mesma proporção em que deixam viver

Preferem cultivar o momento à nostalgia de uma saudade

Muitas vezes têm seu jeito displicente confundido com maldade

Pode ser apenas uma maneira de se cuidar, de se autoproteger

Lições que com a vida e seus tropeços aprendeu aos poucos conviver

Outros, têm dificuldade de abrir mão, deixar ir, são intensos

Também incompreendidos, apontados como moles, são densos

Sofrem mais de saudades, de tristezas, de ausências

Que não se aliviam com razão, consolo, alertas, avisos ou advertências

E a vida se constrói no silêncio de cada coração …

Alda M S Santos

A culpa é minha

A CULPA É MINHA

Estava numa dimensão intermediária entre a terra e o céu

À beira de um abismo, via que ele sofria do outro lado, prestes a cair

Tentava alertá-lo, gritava “te amo”, pedia para sair de lá, para não se arriscar

Encolhido, olhos opacos, distantes, não parecia me ouvir

Chorei, implorei que o salvassem, que trouxessem para mim, tirassem dele a dor que o torturava

Ouvi uma voz firme me dizendo: “ele pode cair, mas voltará mais forte”

“Transfiram para mim o que o machuca, a culpa é minha”- eu pedia chorando

A resposta veio logo “não, ele escolheu, ele quis viver, aprenderá”

“Mas sou mais experiente, podia ter impedido, alertado”

“Não é mais experiente, tudo isso é novo e perigoso para ambos, afaste-se daí”

Eu estava tão à beira do abismo quanto ele

Mas a queda dele era mais assustadora para mim que a minha

Abaixei, em prantos, rezei por ele, quando não mais o vi…

Acordei chorando, mas amedrontada e com fé, continuei as orações…

Alda M S Santos

Condicionamento

CONDICIONAMENTO

Nossa vida é feita de muitos condicionamentos

Somos “treinados” todo o tempo: corpo e mente

Disciplina, rotina, ordem, para tornar a vida mais “fácil”, mais segura

Temos horário para tudo: dormir, acordar, alimentar, trabalhar…

O corpo fica condicionado e “pede” sono, alimento, descanso, atividade, repouso

Nossa mente é um pouco mais complicada para treinar

Pudéssemos manter apenas bons pensamentos ou lembranças

Barrar entrada de pessimismo, tristeza e medos

Conservar bons sentimentos, apagar os ruins, afastar o que machuca…

Nossa mata interna fica, por vezes, escura, fria, sem vida

Abrir frestas para entrada do sol é importante, criar trilhas de fuga

A mente mantém ativo aquilo que não está resolvido

Enquanto não for trabalhado e solucionado

Inútil tentar condicionar!

Alda M S Santos

Deus em nós

DEUS EM NÓS

Como Deus se apresenta em nós?

Onde Ele está?

Certo é que somos templos do Divino, onde quer que estejamos: no deserto ou no oásis

Como deixamos que Ele se manifeste em nós?

Deus está na beleza física, na música, na arte, nas nossas condições financeiras?

Na solidariedade, na bondade, no trabalho, nos relacionamentos, no amor?

Deus tudo criou!

Ele está em todo tipo de beleza, nas artes, nas lágrimas e no dinheiro,

Tanto quanto pode estar no amor, na solidariedade ou na bondade.

Nada é bom ou mau por si só.

A diferença entre um e outro estará no uso que deles fizermos.

A beleza, a arte, o dinheiro podem ser utilizados para o bem, para tocar alguém, salvar alguém

Assim como em nome do “amor”, com um sorriso, muito de negativo pode ser feito também

Pessoas, famílias, vidas serem prejudicadas ou destruídas,

Inclusive a de nós mesmos…

Como temos deixado Deus agir em nós?

Alda M S Santos

O amor na ausência

O AMOR NA AUSÊNCIA

O amor é sentimento tão ímpar

Que é sempre identificado

Ainda que na sua ausência.

Onde ele encontra morada

Tudo é luz, brilho, resplandecer

Cor, forma, contágio, alegria

Visível até aos mais incrédulos

Onde ele não é percebido

Notamos as pegadas de sua ausência:

Secura, tons acinzentados, amargor

Opacidade, escuridão, tristeza

Lágrimas, espaços vazios, vácuos

Mas ele está lá, em forma de semente

Pronta para germinar à primeira gota d’água

Ao calor do primeiro raio de sol

Ao cuidado de um mínimo gesto de reciprocidade

Vira broto, desenvolve raiz, cresce

Torna-se flor, árvore frondosa

Sem precisar fazer sombra ou derrubar outras “árvores”…

Alda M S Santos

Ninhos vazios?

NINHOS VAZIOS?

Um ninho vazio, aparentemente um emaranhado, muito bem tecido

Fios, fiapos, pequenas linhas e folhas, galhos, tudo bem escolhido

Montado com o máximo capricho e cuidado

Amor e proteção em cada mínimo detalhe

Para realizar desejos, receber bênçãos, dar vida ao que foi sonhado

Há pouco eram só penugem, fome, pios, bicos abertos

Carinho ao alcance das mãos, ou melhor, dos bicos famintos

E logo se transformaram em penas, força, canto, asas, voo

Inseguro, a princípio, raso, baixo, assustado

Seguido de força, coragem, beleza e encanto

Proporcionando muito orgulho àqueles que no ninho ficaram

E, paradoxalmente, uma alegria salpicada de tristeza, de saudade

O amor tem o dom de alimentar quem trata de alimentar o outro

E o alimento parece faltar a quem não tem mais os alimentandos

Aquele ninho não é mais útil, não os cabe mais

Não para a mesma finalidade, ficou apertado para o tamanho de suas asas

O alimento dali já não é nutritivo o bastante

Mas quem aprendeu a se alimentar nesse bico

Quem cultivou o amor no pulsar desse coração

Quem ali desenvolveu os músculos das asas e alçou o primeiro voo

Não se esquece…

E se lembrará quando novo ninho for tecer

Com o mesmo amor e cuidado

Vida e amor se renovam

E mantêm os ninhos sempre cheios…

Alda M S Santos

Subversivo

SUBVERSIVO

Quando estiver num ambiente e faltar amor

Seja o subversivo: ame!

Espalhe o amor, plante o amor

Subversivos têm facilidade para atrair seguidores

Para contagiar, impregnar

E não há vacina que resolva!

Alda M S Santos

Céu e inferno

CÉU E INFERNO

Ansiamos pelo céu, tememos o inferno

Mas ambos estão muito pertinho de nós

Na verdade, ambos estão dentro de nós, ou nós dentro deles

Estamos no paraíso quando experimentamos boas sensações

Amor correspondido, amizade sincera, família unida

Corpo e mente saudáveis, paz conosco mesmos

Tudo lá fora torna-se lindo, colorido, brilhante, mesmo com raios e trovões, gelo ou nuvens pesadas…

Isso é paraíso.

Experimentamos o inferno quando não temos sintonia conosco, com os outros

Quando faltam empatia, amor, amizade, sossego

Quando sobram culpas, autoflagelos, dores, males físicos e mentais

Autopiedade, desconfianças, desamor, escuridão

Lá fora pode ser um espetáculo maravilhoso, sol quente, amor, natureza viva

E nós de olhos cerrados nos sentindo destruídos …

Isso é inferno.

O céu e o inferno, se fossem um lugar específico

Se tivessem que ser localizados num mapa

Seriam dentro de nossa própria mente, de nossa consciência

No mais íntimo de nossa alma

E depende de nós entrar ou sair de cada um deles

Fazer malas, mudar, deixar pra trás o que fere, ainda que com sofrimento

Mudanças sempre são dolorosas

E não precisamos morrer para isso…

Alda M S Santos

De tudo um pouco fazemos nosso tudo

DE TUDO UM POUCO FAZEMOS NOSSO TUDO

Um pouco de tudo, de tudo um pouco

Recheamos de amor, sorrisos

Compreensão, abraços, beijos, solidariedade

Troca de calor, de empatia, de lágrimas, doação de amor

Prazer na presença, nas companhias

De pouco em pouco, de muitos poucos,

Amizade embebida de amor, carinho, saudade

Embrulhamos na embalagem do amor e nos fazemos felizes…

Um pouco de tudo, de tudo um pouco

Tornam, assim, parte de nosso tudo…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Autênticos como crianças

AUTÊNTICOS COMO CRIANÇAS

“Oh jardineira por que estás tão triste, mas o que foi que te aconteceu?”

Quanto mais tenho contato com idosos

Mais me convenço que o que somos se mantém

Talvez até se potencialize com a chegada da idade

Excetuando-se mudanças advindas das limitações físicas e de saúde

Ninguém torna-se mais paciente, comunicativo

Amoroso, pacífico, solidário, cristão, festeiro

Porque a idade chegou…

Muitas vezes acontece justamente o contrário

A certa liberalidade que a idade autoriza

Que as rugas validam

Que o andar trôpego confere

Fazem dos idosos pessoas mais autênticas, como crianças

E todos acabamos por admirá-los, dando um “desconto”

Achamos até bonitinho a rabugice e implicância

Ou a alegria e espontaneidade excessivas

Mas seria ingenuidade esperar que um introvertido, quieto, preguiçoso, desconfiado, malicioso, rabugento

Ou o oposto desses, festeiro, animado, alegre, extrovertido, namorador, crédulo

Mudasse da água para o vinho

Virassem “santos” porque passaram para a terceira idade

Acredito em mudanças, crescimento, aprendizado

Particularmente com as lições que a vida dá

Mas essência é algo muito difícil de mudar…

De todo modo, nada disso nos impede de amá-los

E querer fazê-los um pouco mais felizes…

Nós os amamos do jeitinho que são!

“Não fiques triste que esse mundo é todo seu

Tu és muito mais bonita que a camélia que morreu”…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Nos braços do Juquinha

NOS BRAÇOS DO JUQUINHA

Onde ele viveu, como ele viveu

Cercado das serras de Minas

Na Serra do Cipó, grande atração eternizada numa estátua

Parada obrigatória para se maravilhar com a vista

Saborear um frango com quiabo ou tropeiro numa taberna

E estar nos braços do Juquinha

Aquele que, gentil, entregava flores às moças

Andarilho, amante da natureza, apegado às montanhas

Que, uma vez morto, voltou e viveu mais um pouco, cataléptico,

Maravilhosas estradas de Minas,

Onde hoje, José Patrício, o Juquinha, tornou-se lenda…

Alda M S Santos

Caminho da roça

CAMINHO DA ROÇA

Uma estradinha de terra serpenteando por aí

Morro acima, ladeira abaixo, tanto faz

Árvores, flores, pasto, vegetação até onde a vista alcança

Insetos e pássaros cantando ritmicamente

Gado mugindo ao longe, cachorros a nos encontrar a meio caminho, receptivos

Cheiro de mato, de bichos, de flores, de vida

E nós, contando casos, relembrando histórias

Até chegar à fazenda dos tios queridos,

Gente boa até “encostar no barranco”

Onde tudo é encanto e magia…

Mudamos para a capital, pais e dois filhos, há 49 anos

Mas nossas raízes estão fincadas aqui

Esse caminho da roça sempre iremos fazer

Inverno ou verão, sol ou chuva

Até quando formos chamados para outra travessia…

Alda M S Santos

Minha avó

MINHA AVÓ

Pequena, magrinha, miudinha mesmo

Um abraço parece que irá quebrá-la

Minha avó, cabeça branquinha até onde minha memória alcança

Ela tem 95 anos, 6 filhos, 19 netos, 18 bisnetos e uma tataraneta

Olhos fundos, uma vida de força escondida ali!

Geniosa, contadora de casos, vida sofrida, cismada

Sempre trajando saia e blusa de mangas compridas, trabalhadeira

Faça frio ou calor, sol ou chuva

Mora sozinha por opção, sempre na janela a olhar quem passa,

Cuida da horta, das galinhas, da casa

Deita-se junto com o sol e levanta-se com ele

Nunca tira fotos, dificilmente sai de casa

Não usa perfume, tem cheiro gostoso de vó, aroma da minha infância!

Econômica na demonstração de afetos, de emoções

Mas quem a conhece reconhece o brilho no olhar

Quando estão perto quem ela ama

E a opacidade que toma conta quando vão embora

Até a janela da frente se fecha em protesto

Junto com o semblante e o coração

Fala muito na morte para espantar o medo que sente dela, do desconhecido

Bem humorada, diz que tem três coisas: velhice, feiúra e ruindade recolhida

Pra mim tem outras: força, fé, coragem e muito amor contido

Nas minhas lembranças mais antigas de vida, ela está

E ficará para sempre…

Te amo, vó!

Alda M S Santos

Minha terrinha

MINHA TERRINHA

Se um dia eu me perder

Aqui sempre será um bom lugar para juntar pedaços de mim

Olho para minha avó, 95 anos, suas rugas, sua frágil força, seu carinho contido,

Quantas histórias!

Tios, primos, parentes e amigos vários

“Troquei suas fraldas, curei seu umbigo, cuidei muito de você”

“Brincamos muito juntos, tenho saudades”

“Já exploramos uma boa parte disso tudo aqui”

“Você não mudou nada, mesmo sorriso, mesma carinha”

Todos têm algo a lembrar, a contar, a saudar

Cada cantinho, cada casa, cada espaço natural, cada montanha, mina d’água,

Aromas, o jeitinho de ser de cada um

Ver que todos envelhecemos, mas que nossa essência permanece

A despeito, ou até mesmo por causa, dos tropeços e entraves da vida

Dizem que uma parte de nós sempre fica onde se enterra nosso umbigo

E que irá ajudar a nos lembrar quem somos, nossos valores

A não nos esquecermos de nós,

Independente do que o mundo lá fora tenha feito conosco.

Sempre é bom voltar…

Alda M S Santos

Nas ondas

NAS ONDAS

Num ir e vir infinito

Ora calmas, ora bravias

Sempre em movimento, barulhentas

As ondas acalmam, relaxam

Encantam, amedrontam…

Deixam ir o que incomoda, levam pra longe

Trazem de volta o que alegra, o que faz bem

Vão e vêm, vão e vêm…

Hipnotizam …

Quem sabe num desses ires e vires

Não trazem de volta um pedaço de nós perdido por aí?

Alda M S Santos

Queria apenas saber

QUERIA APENAS SABER

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele pelo qual produzimos mais lágrimas

Ou o que mantém vivos nossos sorrisos?

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele que sente necessidade de proximidade

Ou o que nos preenche mesmo de longe?

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele cuja ausência nos causa a “morte”

Ou aquele cuja simples existência é vida?

Queria apenas saber…

Alda M S Santos

Que eu me importe

QUE EU ME IMPORTE…

Que eu me importe com o outro

O bastante para ajudá-lo nas tristezas, nas dores, nas necessidades mais prementes

Sem sufocá-lo ou parecer superior…

Que eu me importe com o outro

O bastante para me alegrar com suas alegrias

Sem invejar ou me enciumar, se possível,

Ainda que a felicidade dele não mais me inclua…

Que eu me importe com o outro

O bastante para valorizar bons momentos, guardar no coração, respeitar

Aquilo que hoje já não é mais como antes…

Que eu me importe com o outro

O bastante para dar a ele aquilo que não consigo dar nem pra mim mesma

Pois é algo que a gente só encontra fora de nós…

Que eu possa ser assim para o outro: verdadeira, inteira, amorosa

E que ele também possa ser desse grau e magnitude para mim,

Pois para isso fomos feitos: nos fazer bem…

Que nos importemos o bastante!

Alda M S Santos

Mais amor, por favor!

MAIS AMOR, POR FAVOR!

Entre tantas as falhas humanas

Entremeados das contradições a que nos submetemos todos

A pior de todas elas seria julgar o comportamento, o “erro”alheio,

Sentados no trono dos santos, encastelados na torre dos puros a julgar os mortais pecadores.

Enquanto isso, sabemos bem citar as escrituras quando nos convém:

“Aquele que for livre de pecados que atire a primeira pedra”.

Justificamos, assim, nossa companhia no erro, no pecado!

Porém, muitas vezes nos esquecemos do complemento

“Ninguém te condenou? Vá e não peques mais”.

Somos humanos, por essência falhos, contraditórios,

Mas também, por essência, dotados de inteligência para não repetir um erro.

Julgar o outro, carregar pedras nas mãos, não nos faz menos pecadores,

Apenas um pecador ocupado com a vida alheia!

O que nos faz menos pecadores é ser mais humanos e menos “deuses”!

Mais amor, por favor!

E pra quem gosta das escrituras

Eu prefiro essa: “Ame a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo”!

Alda M S Santos

Sempre amor

SEMPRE AMOR

Um grupo com um objetivo: levar alegria

A razão que trouxe cada um é variável

Todos parecem felizes, profissões variadas, vidas diferentes

Unidos no desejo de ajudar os outros, os idosos, particularmente

Olho para cada rosto desses palhacinhos, cada sorriso

Sei um pouco a história de alguns

Histórias de lutas secretas, sofrimentos, nem sempre vitoriosas

Muitos carregam angústias, frustrações e dores

Não doam o que lhes sobra, mas aquilo que mais precisam

Aquilo que valorizam, que sabem precioso

No prazer de levar amor, encontram uma razão a mais para lutar…

Para viver…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Não é pressa, é saudade!

NÃO É PRESSA, É SAUDADE!

Saudade que aperta, que oprime, que leva a falhas

Saudade que embaça o para-brisas, o olhar

Saudade que gera velocidade, imprudência

De noite ou de dia, faça chuva ou faça sol

Saudade que se arrisca, que põe o outro em risco

Saudade que visa apenas satisfazer-se

Saudade que, na (preça), fere o Português

Saudade que ignora castas ou classes

Saudade que mata quilômetros e quilômetros de rodovias

Saudade que se mata, finalmente, num olhar, num sorriso,

Se satisfaz num abraço, num colo quentinho

Saudade que tudo justifica, que se autojustifica,

Até começar tudo de novo, nas lembranças…

Alda M S Santos

Eu te amo!

EU TE AMO!

Um grupo de pessoas ia embora para um lugar sem volta.

Ora parecia um portão de embarque de aeroporto, ora o portão de São Pedro.

Uma fila se formava, alguns queriam retornar, resolver pendências,

Outros insistiam em levar as bagagens.

Um “São Pedro” controlava a entrada.

“Só libero por alguns segundos e por um motivo apenas : para perdoar ou pedir perdão a alguém”!

Uns pediam, imploravam, se enraiveciam…e nada conseguiam!

Chegou minha vez, eu chorava calada, ele me olhou e disse:

“Para isso você não precisa retornar”!

“Mas eles precisam saber!” – eu insisti.

“Não! Todos que você amou sabem bem. Você disse ‘eu te amo’ incansáveis vezes por palavras e atitudes”!

“Quero me desculpar por ir embora”! -tentei.

“Não se preocupe! Os que te amaram entenderão, e vocês voltarão a se encontrar logo!”

Ele abriu o portão e eu entrei sozinha, mas esperançosa.

Uma paisagem paradisíaca de muito verde e lindos lagos se descortinava à minha frente, e segui…

Acordei com o coração apertado e indagando:

Demonstro mesmo meu amor por palavras e atitudes,

Ou isso seria uma advertência?

Quantas vezes digo “eu te amo”?

E você?

Alda M S Santos

Duas imagens

DUAS IMAGENS

No porta-retratos a imagem era de uma mulher madura

Meio corpo para fora da piscina, sorridente, feliz

Exalava energia e saúde

Contrastando com aquela senhora que estava numa cama hospitalar

Pálida, envelhecida, enfraquecida, doente

Sondas e apetrechos médicos variados ligados a seu corpo

Cochilava, boca aberta, muito magrinha

Fiz um carinho em seus cabelos, em seu rosto, dei-lhe um beijo

Ela abriu os olhos e me encarou

Desejei um Ano Novo de alegrias, saúde e paz

Entreguei umas lembrancinhas, li um cartão

Sorriu para mim com os olhos em agradecimento

Tornou a fechá-los…

A vida se esvaía ali naquele lar de idosos

Que passava em sua mente?

Arrependimentos, decepções, mágoas,

Ou alegrias, amores vividos, saudades?

Visitava mentalmente lugares queridos?

A foto era como queriam se lembrar dela

Alegre, jovial, saudável…

Mas o choque era grande para quem não a conheceu antes!

Associar as duas imagens era desconcertante

A sensação que fica é de que a vida é fluida

E quase sempre termina de um modo bem triste…

Precisamos valorizar a saúde que temos

A vida que há em cada um de nós,

Antes do fim…

Alda M S Santos

Sobre o amor

SOBRE O AMOR

De tudo deduzimos três pontos irrefutáveis sobre o amor:

A certeza de que ele sempre vale a pena

A clareza de que ele faz brotar forças inimagináveis em cada ser

A consciência de que ele, se verdadeiro, nunca morre, nunca mesmo, apenas adapta-se ao ambiente…

Alda M S Santos

Universo paralelo

UNIVERSO PARALELO

Na balança da vida oscilei bastante

Sempre em busca do equilíbrio, do ponto neutro

Sorri muito, chorei bastante

Fui necessária a alguns

Precisei de tantos outros

Sem intenção, atraí ou afastei pessoas, situações

Trabalhei, me doei, mergulhei de cabeça

Acertei, errei, me decepcionei

Acreditei estar num universo paralelo

Vivendo num mundo do qual não faço parte

Fiquei perdida, um navio encalhado, à deriva

Caí, machuquei, levantei,

Sempre em busca do equilíbrio, da paz interior

Olho longe, olho para dentro de mim mesma

Busco conexões, elos perdidos

Encontro amigos, família, Deus…

Apenas um pedido:

Que no próximo ano vocês todos estejam comigo

E eu com vocês!

Feliz 2018!

Alda M S Santos

Há-braços, abraços…

HÁ-BRAÇOS, ABRAÇOS…

Sinceridade que desarma, carinho que surpreende

Afeto que toca, sorriso que encanta

Há braços, abraços…

Quentes, longos, pipoca

Na pontinha dos pés, perfumados

Encolhidinhos no peito, de ladinho

Receosos, no colo, sensuais,

Apertadinhos, ou que não querem largar…

Acompanhados de doces palavras, silenciosos,

Qualquer que seja ele, necessário!

Há braços, abraços

Marcantes, inesquecíveis, saudosos…

Que possamos oferecê-los

Que saibamos recebê-los!

Alda M S Santos

Amparo

AMPARO

Em retrospectiva, vislumbramos momentos

Estágios e situações da vida que enfrentamos

E não acreditamos que algumas coisas foram reais

De onde tiramos força e coragem para superar cada revés

Vencemos medos, risco de morte, ameaças, doenças,

Angústias, perdas, decepções, mudanças, saudades,

Ou ao menos estamos aprendendo devagarzinho a conviver…

Como conseguimos? Simples! Deus!

Fé e esperança! Enfrentamento! Não nos escondendo, mesmo sofrendo.

Ainda que a gente não tenha percebido nas ocasiões

Deus nos permite viver somente o que nos fará aprender e crescer.

Se Ele nos submete a algo, ele nos ajuda e nos ampara

Como um pai que coloca rodinhas na bicicleta dos filhos

Depois tira uma, a outra, segura a bicicleta e, finalmente, o deixa ir

Mas seu olhar sempre cuidadoso acompanha e ampara o filho

Saber disso nos dá forças para não estacionar, prosseguir

Mesmo que a gente ainda se aventure demais por aí,

Leve alguns tombos nos mesmos lugares de antes

Nas curvas, se esfole, sofra, chore…

Mas só compreendemos mais tarde

“Para ver a ilha como um todo é preciso estar minimamente fora dela”

Alda M S Santos

Há esperança na humanidade

HÁ ESPERANÇA NA HUMANIDADE

Um mendigo disfarçado de cuidador de veículos

Sujo, descalço, dormindo nos passeios a qualquer hora

Vive do que recebe da caridade dos que transitam por ali

Abandonado, largado, entregue ao mundo?

Mas é um ser humano!

Alcoolizado sempre, não sei se outros entorpecentes também

Sempre me compadeço de sua situação

Vejo-o todos os dias na rua da academia

Já perguntei uma vez se precisava de ajuda quando estava largado na calçada

Hoje vi uma mulher dando banho nele no meio da rua

Jogava água contida em algumas garrafas pet, ensaboava, esfregava

Ele aceitava a ajuda a contragosto, alcoolizado.

Um misto de sentimentos me invadiu

Feliz por alguém ter ajudado, uma mulher se arriscando

Triste por um ser humano precisar desse tipo de ajuda de desconhecidos

Envergonhada por eu mesma não ter tido essa coragem, essa iniciativa!

Orgulhosa dessa mulher que conheço e deu um exemplo de bondade…

O amor precisa ser convertido em ações!

Há esperança na humanidade!

Alda M S Santos

Como um beija-flor

COMO UM BEIJA-FLOR

Entre muitas cores e sons

Tons, nuances, texturas …

O olhar transita entre o próximo

O distante e o longínquo

Ora apenas fixa longe sem nada ver

Ora quer trazer para dentro de si as belezas distantes,

Acalentá-las num cantinho qualquer de nossa alma,

Somos assim…incertos…

Como um beija-flor que suga sem cessar

Precisamos parar, descansar, observar calmamente a grandeza à nossa volta,

Absorver tudo de bom que pudermos conseguir…

Abastecer-nos de riquezas,  estocar para as horas de carestia,

Corpo, mente, alma, coração…

Sabedoria da natureza: tudo aproveitar, nada desperdiçar,

Como um beija-flor…

Alda M S Santos

Aquieta meu coração

AQUIETA MEU CORAÇÃO

Quero um coração em paz, confiante

Em harmonia com a vida do entorno

Em equilíbrio com a vida de dentro

Trocas do bem, curas do mal

Olhos que saibam ver além da superfície

Corações que se amem independente da distância

Pés que saibam de cor o caminho

Mãos que se deem, se doem, que se autovalorizem

Quero uma alma que sintonize com outras almas

E que ali se aquiete, se acalme, se encontre…

Alda M S Santos

Os outros e nos

OS OUTROS E NÓS

Quando fazer-se bem passa, necessariamente,

Pelo fazer bem ao outro

Quando encontrar-se passa, obrigatoriamente,

Pelo caminho que atravessa o coração do outro

Quando acender a luz no olhar de alguém

É o modo mais eficaz de refleti-la em nós mesmos

Quando dar colo a quem dele precisa

É um modo de encontrar um ombro para descansar

Quando ser o motivo do sorriso de alguém

Torna-se o lenço capaz de enxugar nossas lágrimas

Quando direcionar nossa vida ao outro

É a maneira mais paradoxal de valorizar nossa própria vida!

Alda M S Santos

#carinhologos

Arte de viver

ARTE DE VIVER

A arte de bem viver consiste em estar preparado

Para perder tudo o que se tem

Mas acreditar que isso não irá acontecer…

Estar preparado para viver sem o que se tem

Sem, contudo, deixar de ser o que se é!

Equilíbrio entre o temido e o improvável,

Entre o desejado e o possível…

Alda M S Santos

No pódio, o amor

NO PÓDIO, O AMOR

E esse ano o prêmio máximo novamente é dele

O amor expresso em palavras e ações

Ou até mesmo aquele existente no silêncio

O amor que se permitiu viver, partilhar

Ou até mesmo aquele que se acovardou

O amor solidário, que se multiplicou, que estendeu a mão

Ou até mesmo aquele que ficou na vontade

O amor que foi correspondido, dividido,

Ou até mesmo aquele que sobreviveu sozinho

O amor que produziu sorrisos, frutos, que se doou

Ou até mesmo o que deixou lágrimas e saudades

O amor que abdicou de si mesmo para proteger o outro

Ou até mesmo aquele que não soube se cuidar

O amor que lutou, que soube esperar e até se afastar

O amor que foi filho, pai, o amor que foi amigo,

Ou até mesmo aquele que nada pareceu ser além de dor…

No pódio: o amor

Porque amor é soberano, simplesmente por ser amor

O menor dos amores, ainda semente, engatinhando, é maior

Que qualquer outro sentimento árvore frondosa

Pois, se cuidado, enraíza-se e atinge alturas inimagináveis…

No pódio: o amor!

Alda M S Santos

Ausências

AUSÊNCIAS

A gente percebe que não é autossuficiente

Quando começa a sofrer de ausências

Ausências de gente do bem conosco

Percebemos que somos essenciais uns aos outros

Quando começamos a “exigir” presenças

Presenças do amor e da alegria

Do carinho, do sorriso, da atenção

Aquelas que quando se vão fazem falta, a gente chora

Mas que sorri ao lembrar da marca que deixou

Por menor que tenha sido o convívio…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Miopia

MIOPIA

Somos um mundo de míopes

Que não enxerga a poucos metros dos próprios narizes

Se notamos algo, nada questionamos, não temos tempo

Um sorriso será sempre alegria

Uma lágrima é fraqueza que logo passará

O silêncio é de pessoa antissocial

Os gritos são de neuróticas!

Todo mundo rotulado, questionar para quê?

Um desconhecido que quer “sofrer em paz”,

Aquele vizinho que foi detido por agressão à esposa

O colega de trabalho que surtou e suicidou-se

Ou aquele amigo/a que trai, que vira as costas, que não é de confiança…

Mas como? Fulano? Ah, bem que ele era estranho!

E a vida segue…

Os problemas estão ao nosso redor, dentro das pessoas

Atrás de sorrisos sociais, de lágrimas antissociais

De “bom dia” por obrigação

De trabalho sem tesão, sem animação

Do silêncio gritado ou do grito calado

E que nossa miopia não nos permite ver!

Não há modo melhor de nos curar que ajudando na cura alheia!

Se não enxergamos, cheguemos mais perto, olhemos mais atentamente!

Pode ser nossa chance de curar a “miopia”, entre outras anomalias e patologias…

Alda M S Santos

Nosso papel, nossa escolha

NOSSO PAPEL, NOSSA ESCOLHA!

Eram seis homens idosos numa mesa a jogar cartas

Num clube tradicional e caro da cidade

Observamos e comentamos sobre a vida tranquila

Diversão num clube numa terça-feira de manhã

Olharam para nós de longe, talvez estranhando

Aquelas pessoas vestidas de palhaço numa terça-feira

Distribuindo abraços grátis, um sorriso, palavras doces.

Concluímos que eram aposentados, vida ganha…

E seguimos nossa atividade ali.

Ao sair, dirigindo o carro com cinco palhaços

Num semáforo adiante, outro idoso vinha trôpego

Camisa torcida e mal abotoada vendendo balas de goma

Passou por nós, olhou, sorrimos, sorriu

Ganhou um cartão de coração, um Feliz Natal e nosso carinho

Não conheço nem aqueles idosos e nem esse

Não sei o que determinou que uns estariam lá no clube

E que outros estariam a vender balas no semáforo

Berço? Escolhas? Trabalho? Dedicação? Sorte? Fé?

Sei que a nós não cabe julgar! Uns não são melhores que os outros!

Levar a todos aquilo que pudermos oferecer, sem preconceitos

Esse é nosso papel, nossa escolha!

Alda M S Santos

#carinhologos

Quando o ímã é o carinho

QUANDO O ÍMÃ É O CARINHO

Nenhum ser vivo se aproxima de outro por acaso

Quando o ímã é o carinho

Não importa a espécie, classe filo, gênero

Origem, ordem, reino, família, habitat

Se anda, voa, se arrasta ou se não sai do lugar

Criatura atrai criatura

Vegetal ou animal, racional ou irracional

Afinidades que apenas são sentidas

Não se explica, se curte se sente falta!

Alda M S Santos

Bela panorâmica

BELA PANORÂMICA

Vista abrangente, vista definitiva, vista bela e encantadora

Olhar distante, até onde a vista alcança

Capacidade relaxante e revigorante

Uma vista panorâmica nos permite ver a beleza distante e nos abstrair dos problemas

Ou focar em pequenas partes sem perder a visão geral

E do quanto somos apenas parte de um todo,

Do quanto somos interligados, mas apenas um

Nesse maravilhoso multiverso!

Alda M S Santos

Tanto faz!

TANTO FAZ!

Tanto faz se é dia ou se é noite, se faz chuva ou se faz sol

Se as horas correm ou se arrastam-se

Tanto faz se rimos ou se choramos

Se o outro nos machuca ou nos faz bem

Tanto faz se ontem foi bom, se hoje não é

Ou se o amanhã é pura incerteza

Tanto faz se exercitamos o amor no outro ou se o guardamos apenas em nós

Tanto faz como tanto fez!

Modo estranho de viver,

Se esse “tanto faz” se aliar à indiferença e descaso…

À ausência de tesão pela vida!

Ideal seria se o tanto faz se devesse sempre ao prazer de viver

Independente do externo

Pois o que é bom e nos mantém vivos de verdade

Brota de dentro de nós como flores em dias de chuva…

Como o amor que não carece de nada

Apenas de existir para já fazer o bem…

Alda M S Santos

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