INSPIRE, EXPIRE!
Inspire o ar que te cerca, rico em oxigênio
Expire o ar de dentro de si, carregado de gás carbônico
Inspire a luz e a energia boa à sua volta
Expire a escuridão e o medo lá de dentro
Inspire confiança, sabedoria, fé
Expire a raiva, a decepção e a desesperança
Inspire amor e amizade em forma de sorrisos e abraços
Expire a tristeza e a desilusão junto às lágrimas
Inspire, expire! Expire, inspire!
Às vezes tudo parece se inverter
Inspiramos dor, desamor, desconfianças e medos
Somos frágeis, somos humanos, erramos, sofremos…
Temos o direito de não sermos sempre fortes!
Mas como humanos não desistimos, insistimos
E acabamos, cedo ou tarde, aprendendo a respirar corretamente.
Em qualquer lugar que estiver…
Inspire, expire!
Alda M S Santos
E O NIVER PASSOU…
Questionada porque não fiz nada,
– Não quis nada!- respondi
-Justo você que sempre organiza comemorações para todos?
-Não tive vontade!
Não é que seja mal agradecida!
Algumas pessoas queridas longe,
Muitas de perto e de longe, que se importaram, enviaram palavras belas e votos de felicidade,
Foi o bastante para uma segundona!
A Deus agradeci a vida e tudo que Ele me proporcionou até hoje,
E que me permita viver o que julgar necessário para ajudar os que se aproximarem de mim.
Que a minha estrela, meu sol interno, mesmo quando houver nuvens
Possam brilhar para mim e para aqueles que amo,
De perto ou de longe!
Que as más águas passem, que levem o que for ruim
E que novas águas tragam sempre coisas boas!
Preciso só disso!
Alda M S Santos
Estava deitada, dormindo suavemente, corpo meio descoberto.
Ela acordou, ele a olhou nos olhos, deu a ela uma mão: “venha”!
E ela foi com aquele ser que parecia conhecer a vida toda…
Estavam no alto, quando ela olhou para além dele, estavam flutuando, acima de qualquer mal.
Sentaram-se numa nuvem, ela olhou para baixo e chorou tudo que queria.
“Vai derreter minha nuvem de algodão! Não chore”!
Mostrou a ela lá de cima os caminhos de tanta gente!
Tudo parecia fácil, simples, e as pessoas escolhiam o caminho mais difícil.
“Merecemos qualquer coisa que nos aconteça, visto que temos escolhas!”- ela disse, chorando ainda mais.
“Não quer dizer que acerte sempre, todos estão aprendendo lá embaixo”!
“Eu morri, é isso?”
“Só se você quiser ficar aqui. Você tem escolha.”!
Ela olhou para seu caminho lá embaixo, tão nítido e simples dali…
Sentiu a presença daquela pessoa amada ali nas nuvens, tão protegida, sem qualquer dor!
Ele a observava com amor e esperava…
Ela viu de novo seu caminho, com dores, tristezas, amores e alegrias,
E tanta gente que esperava por ela, contava com ela, sofreria com sua ausência…
Ele percebeu tudo, olhava-a com muito amor e olhos rasos d’água.
Deu-lhe um beijo no rosto, um abraço como nunca havia sentido!
E voaram mais um bom tempo, juntinhos.
Sentiu um beijo delicado na testa e um “até breve”.
E acordou, estava descoberta e com o rosto banhado em lágrimas.
Mas leve e feliz, tinha estado noutra dimensão,
Onde a dor não tinha qualquer poder…
E sempre seria uma possibilidade!
Alda M S Santos
APPs PARA FACILITAR AS RELAÇÕES
Tantos aplicativos para facilitar a vida digital
E se houvesse aplicativos para o ser humano,
Automaticamente ativados em ambas,
Quando duas pessoas se aproximassem, sem poder burlar?
Tipo em letras luminosas na testa, no olhar, na roupa…
“Totalmente confiável” ou ” Sou uma fraude”
“Se deixar posso te fazer feliz” ou “Só aceito se vier inteiro”
“Totalmente frágil, cuidado” ou “Não se aproxime, perigo”
“Necessitando reparos urgentes” ou “Casada/o e feliz”
“Não perca tempo comigo” ou “Estou precisando de amigos”
“Mantenha distância para nossa segurança” ou “Covarde, tenho medo de viver”
“Sou doação 100%, não aceito menos, consegue encarar?”ou “Não me apego a nada ou ninguém”
“Meu Deus é maior e me protege de toda maldade”…
Entre tantos outros….
Muitas pessoas incompatíveis não se aproximariam
E tantas outras em sintonia não perderiam tanto tempo!
Quantos problemas seriam evitados?
Alda M S Santos
O QUE NOS REDIME?
Se o amor não justifica tudo
A ausência dele, tampouco
Se existe nesse mundo ou no outro
Algo capaz de nos redimir
São os atos realizados por amor,
Com amor, para o amor
Em nome do amor…
Não amar, por si só, já é pecado!
Alda M S Santos
NAQUELA RUA
Parado na esquina estava aquele mesmo carro
Que tantas vezes por ali passou, leve, carregando alegria
Agora pesava muito, semblante carregado
Não descia, apenas olhava, esperava, triste,
Que alguém saísse por aquela porta com o mesmo sorriso
A dizer que nada mudou, que o amor era o mesmo
Que nada existia, nem de dentro de si mesmos ou dos outros,
Que pudesse impedir de ficarem juntos.
Aquela casa conhecida, sempre convidativa e amável
Parecia estranha, a dizer que nada mais havia ali de importante.
Isso não era certo! Então porque doía tanto?
Agora todo mundo passava e olhava, menos quem interessava
Enquanto isso não acontecia, entre nascer e pôr de sol,
Esperava, olhava e chorava…
Quem sabe um dia deixaria de doer ou de se importar?
Alda M S Santos
A FILA ANDA!
Frase preferida das pessoas recém saídas de relacionamentos
E o que se constata é que quase sempre anda para trás.
Na necessidade de “estar” sempre com alguém
Acabam por se envolver com pessoas-problemas da mesma maneira:
Ciumentas, possessivas, com baixa autoestima, desonestas,
Complexo de vítimas, imaturas, comprometidas…
Não se dão um mínimo tempo de reclusão para autoanálise
Não se permitem sofrer ou estar consigo mesmas, repetem os mesmos erros.
Enquanto não avaliarem e mudarem algo em si mesmas,
O “problema” que todos têm e que dificulta as relações,
Acabarão atraindo ou sendo atraídas pelas mesmas pessoas- problemas.
Pegar qualquer um que está na fila é andar para trás
Entrar nessa fila é fazer pouco de si!
Não se dar um tempo é violentar a si mesmo
É fazer pouco do amor que viveu
É desvalorizar o que ainda poderia chegar de bom.
Se ficasse fora dessa tão falada fila
E da premente necessidade de mostrar que não está só,
Talvez um amor de verdade pudesse ser vivido com plenitude.
Alda M S Santos
RESPONSÁVEL PELO QUE CATIVAS
“Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas!”
Meio pesado, porém, contém alguma verdade
Mal damos conta de nossas ações e sentimentos
Não podemos ser responsabilizados pelas ações dos outros
Tampouco pelo que sentem ou deixam de sentir
Mas, se bem avaliarmos, notaremos certa responsabilidade
Na esperança que ora alimentamos nos outros
Nas promessas que fizemos e deixamos de cumprir
No que fomos ou deixamos de ser para alguém
Ainda que sem saber…
Não somos totalmente “inocentes” no que despertamos no outro
Exupéry, então, tem razão com seu Pequeno Príncipe:
Somos, de certa forma, responsáveis pelo que cativamos!
Alda M S Santos
AMOR MULTIPLICADO
A importância que temos ou tivemos na vida de alguém
Sempre fica impressa em seu modo de ser e agir
Os conselhos, mesmo calados, que soube ouvir,
Os cuidados que passou a ter diante da vida
A coragem em enfrentar certas situações ou fugir de outras
O momento de saber se recolher e esperar
O respeito ao que o outro é e considera certo ou errado
O cuidado em não magoar por bobagens
Vemos o amor que o outro soube receber
Quando notamos um pouco de nós impresso neles
Nós nos multiplicamos naqueles que amamos
E que souberam nos amar…
Alda M S Santos
AMOR QUE FICA
Costumam me alertar: não se apegue demais
Você se envolve muito e depois sofre!
Num momento as pessoas estão bem, noutro podem não estar mais…
Um abraço carinhoso, um toque delicado
Um sorriso sincero e sofrido
O prazer num bom bate papo…
Atenção, companhia, amor desinteressado
E não sabemos quando podem ser os últimos…
Rapidamente são levados de nós pela doença, por males diversos
Pelas circunstâncias das quais não temos controle.
Eles têm me ensinado muito!
Independente de como a gente ou o outro esteja
Não dá pra ter medo de demonstrar amor e carinho
Receio de se entregar e se envolver.
Não sabemos quando aquele abraço, aquele olhar,
Aquele toque, palavra, sorriso ou lágrima
Podem ser um adeus!
E isso vale para convívios em qualquer idade ou estado de saúde
A única certeza que temos é a do hoje!
Amemos uns aos outros! Não amar também é sofrer
Só devemos nos afastar de quem amamos,
Quando nossa presença puder causar mais mal do que bem.
A saudade é a dor do amor que fica gravado na alma!
Alda M S Santos
#carinhologos
A DOR
A dor é o óleo que deixa
As engrenagens do coração lubrificadas
E o tornam sensível e propício para viver
As posteriores alegrias intensamente,
Sem trepidações ou danos à sua mecânica.
Cuidado com a falta ou o excesso do óleo!
Alda M S Santos
UM ANJO
A estação parecia abandonada, não passava nenhum trem
Vários passageiros iam para um lado ou para o outro
Nenhuma bagagem, uns se despediam
Ela estava triste num canto, aguardava
Alguém se aproximou dela
Não parecia um passageiro qualquer
Pareceu reconhecê-lo, mas não se lembrava de onde
Ninguém ali conversava, apenas se olhavam
Abraçavam, choravam, se entendiam
Ele disse “você já pode ir”, apontou para um lado
“Não estou pronta, não me despedi”- falou ela em silêncio
“Já está 50% do lado de lá, vá”
Deu a mão a ela e foram andando, ela se equilibrando no trilho do trem
Quando olhou para trás viu que ele tinha asas, era um anjo
Seu olhar dizia “não posso ir com você”
Chorando, ela seguiu para um destino com letreiro nas nuvens:
SAUDADE!
Alda M S Santos
COLO(RINDO) A ALMA
Nunca estamos cansados demais, tristes demais
Para alegrar um alguém, um coração carente
Uma alma já vivida e sofrida
Que, ainda assim, se alegra e agradece
E, ao preencher de cores os desenhos,
Enche de cores sua própria alma
Nos mostrando como lidar com a dor, as angústias, a saudade,
As decepções, a tristeza, o abandono, o desamor, o amor
A fé e a esperança com maestria e bondade
Com um sorriso terno no rosto, um abraço quente
E a alegria de uma boa conversa
Sem qualquer intenção de nos dar lições
Acaba dando mais que recebendo: muito amor
Alda M S Santos
#carinhologos
POR QUE O MUNDO NÃO PARA?
Porque o mundo insiste em girar
O Sol continua a nascer, a chuva a cair
O vento a balançar as folhas, os pássaros a cantar
Se eu estou aqui sem calor, sem voz, sem canto
Sequer sinto o vento ou a chuva a me molhar?
Parece uma afronta!
Porque o mundo insiste em girar
As pessoas a sair e a sorrir, a trabalhar
A se amarem, brigarem ou se odiarem
Guerrearem e se matarem…
Se eu estou aqui querendo que ele pare para eu descer
Ou que gire bem rápido e me lance para fora de órbita?
Por quê?
Será que está gritando algo para eu ouvir?
Terá que fazer um esforçozinho um pouco maior!
Alda M S Santos
NAS TEIAS DA VIDA
Uma aranha tece quietinha sua teia
Em muitas e muitas tramas delicadas
Sua casa, sua proteção
Já para os insetos que nelas caem
É suplício, é morte certa
Ali a aranha transita em casa, segura
Conhecedora de cada laço, nó, arte
Para ela a teia é vida
E o inseto se perde, se enrola, se prende
Para ele a teia é morte
E se houvesse uma reviravolta qualquer
E a aranha também se prendesse nas próprias tramas
Como alguém com um transtorno psicológico qualquer
Que não se encontra, não se sente em casa na própria teia
Sente-se como um inseto preso e à beira da morte
Quem poderá ajudar?
Outra aranha que conhece a teia
Ou um inseto que já a enfrentou?
Ora somos aranhas, ora insetos
Sempre nas teias da vida…
Alda M S Santos
NA CHUVA
Posso vê-la andando ali, devagar
Deixando a chuva cair, molhar tudo
Olha para cima, deixa a chuva molhar seu rosto, se entrega
Senta-se num banco na calçada
Tudo está fechado, é tarde
Coloca uma bolsa a seu lado, abraça a si mesma
Um ou outro transeunte em seu guarda-chuva passa e a olha displicente
Carros esporádicos espirram água para todos os lados
Um cachorro parece se compadecer e para a seu lado
Faz um carinho em sua cabeça, abraça-o
Ambos ficam ali por um bom tempo
Logo ele se vai atrás de uma cadelinha
Ela olha para cima, abre os braços
E se deixa lavar por inteiro.
Enfim, levanta e segue seu caminho lentamente
Ela faz parte daquela madrugada chuvosa, fria e triste
Olha para cima, me vê, percebe-se fora
E volta para dentro de mim
Juntas vamos para casa…
Alda M S Santos
Foto Google imagens
TROCO
Troco meu sorriso por suas lágrimas
Meu bem-estar pela sua dor
Minha energia pelo seu desânimo
Minha alegria pela sua tristeza
Minha saúde pelos seus males
Minha paz por seu desassossego
Não é que eu seja boazinha ou tola
Talvez seja até egoísmo
É porque sei lidar melhor com as lágrimas, a dor, o desânimo
A tristeza, os males, o desassossego
Quando estão em mim
Do que quando estão naqueles que amo!
Troco, inclusive, meu amor por seu “desamor”
Quem sabe nessa troca a gente não se equilibre melhor?
Alda M S Santos
A MÚSICA QUE A VIDA TOCA
A vida é um grande musical
Toca músicas animadas, dançantes
Também toca músicas tristes, frustrantes
Tantas vezes aprendemos o ritmo, dançamos com prazer
Mas a música que a vida toca nem sempre irá nos satisfazer
Muitas vezes teremos vontade de chorar
Outras, até desejo de partir, não mais bailar
Mas precisaremos aprender a dançar
Porque a vitrola da vida não para de tocar
Podemos dançar sozinhos
Mas melhor mesmo é quando dançamos com um par…
Com o outro aprende-se nova coreografia
A dançar a dois com harmonia
Rimos dos erros e tropeços
Até novas canções passamos a tocar
Uma dança aos pares ou em grupos
Tem muito mais magia…
Posso até ter minha canção favorita
Mas ela só fará mais sentido
E se tornará ainda mais prazerosa e bonita
Se tiver alguém que aceite dançá-la comigo…
Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com
VIDA NUBLADA
Quem gosta de chuva e dias cinzentos
Tende à depressão- ouvi certa vez.
O tempo lá fora costuma influenciar dentro da gente.
Sol “exige” energia, animação, alegria, festa
Chuva “exige” introspecção, nostalgia, quietude…
Não necessariamente!
O sol ou a chuva apenas conectam o que já há em nós
Potencializam, trazem à tona, tornam visíveis.
Se houver animação, não há chuva que aquiete
Se houver introspecção, não há sol que dê energia
A verdade é que o sol ou a chuva estão dentro da gente
Uns são mais sol, outros são mais chuva
E quem disse que não precisamos de ambos?
Amo dias de sol, mas nada se compara a um
Nostálgico e lindo dia de chuva!
Alda M S Santos
HÁ MÚSICAS!
Há músicas para dançar sozinho ou agarradinho
Músicas para relaxar, para adormecer
Há músicas para protestar, para louvar
Músicas para chorar, para sofrer
Há músicas para cantar alto no banheiro, outras para sussurrar no ouvido
Músicas para sentir saudade, para matar saudade
Há músicas para amar, para se sentir amado
Música para ouvir alto no carro, ou baixinho nos fones de ouvido
Há música que nos faz lembrar de alguém, nos tornar lembrados a alguém
Há músicas que só se ouve dentro de nós, lá no fundo…
Músicas fazem nossa trilha sonora.
Amo poesias em forma de músicas!
Alda M S Santos
VIDA E MORTE
Nascer e morrer, morrer e nascer
Extremos de uma mesma história,
Ou parceiros nessa caminhada?
Partes comuns de uma mesma vida,
Ou pontos antagônicos?
Por que temos tanta dificuldade em lidar com a morte?
Ela está perto de nós todo o tempo
Quase tanto quanto a vida!
A vemos na natureza: plantas e bichos, água, ar, fogo, terra
E vezes demais entre os humanos também: renovação
A diferença é que morte entre plantas e bichos quase sempre vemos como “natural”.
Aceitar a ideia da morte não significa, necessariamente, desvalorizar a vida!
Acostumar com a morte pode nos fazer ter uma vida plena
Da qual sabemos que terá fim a qualquer momento,
Independente de nossas vontades ou desejos.
O que não é natural é desejá-la mais que a vida.
A morte não deveria nos meter mais medo
Mas a vida nos meter mais coragem!
Alda M S Santos
ADORMECIDO
Quando algo começa a adormecer dentro da gente
Surge alguma coisa para nos despertar da “letargia”
Um homem qualquer de capuz na rua
Uma mulher assassinada ao oferecer carona na rodovia
Uma notícia qualquer de violência e atrocidades
Um pesadelo sobre assaltos, estupros e morte.
Coisas que fazem reviver sensações de terror.
Mais tempo ainda torna-se necessário para adormecer
E fazer a sensação ruim ser jogada fora
Ou empurrada para o fundo e nunca mais sair…
Alda M S Santos
QUANDO O AMOR DIZ: AFASTE-SE!
Sempre imaginamos o amor como algo que une
Aquele sentimento poderoso capaz de atrair vidas
Uma emoção acima de qualquer mal
Ou seja, quem ama nunca fica longe!
Sempre entende e aceita o modo de ser do outro.
Certo?
Falácia!
O amor puro sim, esse é soberano, mas raridade.
Poucos chegam nesse nível de amor incondicional.
O amor que quase sempre lidamos carrega agregados.
Muitas vezes é amizade, carinho, respeito, admiração,
Mas, noutras, os agregados não são bem vindos:
Ciúme, inveja, possessividade, opressão
Cobranças, desconfianças, ameaças e medos
Se tivermos paciência, sabedoria e amor suficientes, vamos vencendo um a um
Caso contrário, o amor pondera e diz: afaste-se!
Mesmo que seja por uns tempos
Por um, por ambos…
Proteção, cuidado, maturidade!
Se o amor for forte o bastante
Ele certamente voltará: sinto saudades, preciso de você,
Você é importante para mim…
Estar longe nem sempre é sinal de desamor,
Pode ser justamente o contrário!
Pra isso estamos aqui nessa nau
Para amar e crescer ajudando e aprendendo uns com os outros.
Alda M S Santos
IMPOTÊNCIA
Não existe sensação pior que a da impotência
A incapacidade de realizar algo que se quer
Por quem se ama, por si mesmo.
Saber do sofrimento, da necessidade premente
Do grito contido, calado, sofrido
No silêncio audível, no sorriso disfarçado
Na distância forçada, na solidão,
Nas lágrimas escondidas…
Saber que tudo que somos de nada vale
Que os caminhos trilhados nem sempre ajudam
Que não conseguimos tirar a dor com a mão, como gostaríamos
E que, certas coisas, somente o tempo pode curar
Ou anestesiar, ou fazer adormecer…
Alda M S Santos
SONHO QUE SONHEI
Um sonho dos mais antigos: ser bailarina!
Desde pequerrucha sonhava com tudo que envolvia a dança
Particularmente o balé.
As músicas, o figurino, a leveza das bailarinas
Sempre foram um mundo mágico e encantado para mim.
Sonho não realizado, mas a fantasia permanece…
Vez ou outra ainda faço de conta que sou bailarina
Acho que teria tentado “realizar” esse sonho numa filha,
Se tivesse tido uma, ao invés de filhos.
Mas o gosto pela dança é constante, pulsante.
Desde então, muitos outros sonhos vieram,
Aqueles que dependem de nós, dos outros, das circunstâncias
Uns realizados, alguns em partes, outros não.
Mas a fantasia não pode morrer
Ela que dá sentido ao viver.
Uma vida repleta de sonhos pelos quais lutar
É sempre uma vida rica!
Alda M S Santos
POR QUÊ?
Por que conseguimos ajudar a tanta gente
E não conseguimos ser tão úteis aos mais próximos de nós?
Por que conseguimos estender uma mão que é acolhida por tantos
E aqueles que mais amamos a ignoram ou não veem nela o conforto?
Por que o abraço do “desconhecido” aquece mais?
Por que as palavras mais sábias vêm de fora?
Santo de casa não faz milagre?
Será que veem em nós a obrigação de amar e acolher?
Por quê?
Será que somos vistos com nossas falhas e incapacidades
Aquele lado por demais humano, normal, corriqueiro
E não pelas nossas qualidades e capacidade de acolhimento?
Por que será que é tão mais simples ajudar os outros, aconselhar
Que conseguir ajudar, inclusive, a nós mesmos?
Por quê?
Alda M S Santos
NAS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ
Dizem que quando começamos a reviver certas coisas
A reencontrar pessoas que ficaram para trás
A relembrar tanta coisa do passado
A resgatar sentimentos e emoções
A ser menos cerimonioso, mais piedoso, menos juízes,
Nossas vidas já deram uma volta completa
E estamos recomeçando, dando a segunda volta, obtendo uma revanche.
Bom seria se pudéssemos ir passando a limpo
Um novo caderno, reescrevendo, desenhando,
Melhorando o que não ficou bonito, borrado pelas lágrimas ou erros,
Dando cor ao que foi maravilhoso, desbotando o que fez mal,
Resgatando o que se perdeu e fez tanta falta!
Nas voltas da vida eu teria muito a resgatar,
A querer reviver, colorir,
Quase nada a apagar…
Bom sinal?
Alda M S Santos
UM TEMPO PARA NÓS
Todos precisamos de nossa individualidade,
Um tempo para nós,
Para mergulharmos no silêncio de nós mesmos
Avaliarmos atitudes, sentimentos, posicionamentos,
Fazermos nossas reflexões, questionamentos, redirecionamentos.
Tempo este quase sempre confundido com solidão!
Desses momentos de liberdade conosco
É que surgem as mais preciosas decisões.
Tantas vezes somos companhia para todo mundo
Exceto para nós mesmos!
Quase sempre a mão que nos salva
O coração que nos ampara
A alma que nos acolhe, mesmo sofrida
Vem de dentro de nós mesmos,
De uma nova reorganização.
Nunca devemos recusar ajuda
A começar pela nossa própria!
Alda M S Santos
DEVOLVE MEU INTERRUPTOR
Há caminhos que trilhamos sozinhos
Entre luzes e sombras
Precisa ser assim!
Apenas nossa luz interior o ilumina
Mas é necessário ficarmos atentos.
Para não caminharmos na escuridão,
Precisamos tirar o interruptor das mãos dos outros.
Nossa luz precisa depender mais de nós mesmos!
Alda M S Santos
NO TRAVESSEIRO
Estacionamos nossa mente ao colocar a cabeça no travesseiro.
Será mesmo?
A quantas anda nossa mente nesse momento tão nosso?
Revive o dia que passou? Alegra-se, lamenta?
Planeja o dia seguinte com esperança e fé?
Dá umas voltas no passado? Sente saudades, quer retornar?
Quem entra, quem sai, quem fica nela?
Temos controle? Conseguimos mudar o canal,
Selecionar momentos, pessoas, sentimentos que queremos?
Ou ela é bandoleira e fica onde quer, livre,
Até se desligar por superaquecimento ou exaustão?
Alda M S Santos
MEU SOL ME ABANDONOU
Meu Sol hoje não me acordou
Não me chamou carinhosamente para a vida
Não me mostrou a beleza que há lá fora
Não me garantiu que essa dor passará
Que essa parte do caminho é válida
Não admirou meu sorriso ou secou minhas lágrimas
Não me convidou a passear no jardim
Não sinto seu calor a me aquecer lentamente
Não vejo seus raios dourados
Não percebo sua energia brotando dentro de mim
E ainda ontem se punha tão lindo em meu horizonte
E irradiava de manhã num maravilhoso alvorecer interno
Não quero me levantar enquanto não senti-lo!
Quero o escuro debaixo de meus cobertores
A segurança de minha cama
O apoio de meus travesseiros
Se não vejo cores, não sinto o calor
Não percebo a beleza, fico aqui
Até que ele possa me acordar de novo todas as manhãs
Abrir as janelas de minha alma
Ou que consiga me mostrar
Que a nebulosidade e a chuva
E a vida em cinza
Também podem ser vida…
Alda M S Santos
BRINCADEIRAS À PARTE
Dia das bruxas, halloween,
Doçuras ou travessuras…
Tudo uma brincadeira!
Mas que dá vontade de ser capaz de fazer poções mágicas
Não de caldeirão, mas de coração
Que nos torne mais aptos numa “colherada”
Num abracadabra, numa oração
Ser capazes de trocar o amargo pelo doce
A dor pela alegria
Saudade por reencontro
Egoísmo por solidariedade
Medo por coragem
Lágrimas por sorrisos
Tristeza por amor…
Em nós, nos outros!
Quem não queria?
E não precisa de bruxices
Basta humanidade a fundo
Em doses diárias e ininterruptas!
Alda M S Santos
AMOR À VIDA
Folhas velhas, seca, repouso
Aparente morte…
Gotas d’água, lágrimas, brotos
Renascimento…
Folhas novas, botão, rosa.
Fases da natureza,
Fases de nós…
Esperança, respeito, fé.
Isso é amor à vida!
Alda M S Santos
DIA DOS MORTOS
Temos dia pra tudo nesse mundo
Hoje é dedicado aos que já se foram
Como se precisassem de dia especial
O máximo que se pode fazer por eles é oração
Qualquer atitude, pensamento ou sentimento bom
Precisa ser feito por aqui mesmo.
E mortos, todos somos um pouco.
Quantas coisas em nós foram mortas
Assassinadas por nós mesmos ou pelos outros ao longo da vida
Ou, simplesmente, deixamos morrer por inanição?
A vantagem dos que estão vivos
É que sempre é possível deixar renascer o que morreu, ou quase
Replantar, cuidar, deixar brotar novamente,
Enquanto houver vida, esperança e desejo…
Alda M S Santos
IM OU EXPLOSÃO?
Implosão, explosão, ambas destruidoras
Derrubam, desmancham, apagam, zeram
Em se tratando de pessoas
Qual a que causa menos mal?
Explodir, quase sempre com os outros
E tudo que nos incomoda, machucar
Queimar tudo!
Implodir, para dentro de nós mesmos,
Estourar para o nosso interior,
Arrefecer por falta de alimento, de oxigênio, ferir-se
Como aqueles espirros contidos…
Qual o menos danoso?
Im ou explodir?
Alda M S Santos
TEMPESTADES
Tempestades quando vêm saem arrastando e levando tudo
Como no leito de um rio
As águas e ventania levam consigo plantas, peixes, pedras
Saem arrastando as matas ciliares, revolvem tudo.
Fauna e flora sofrem,
O curso d’água se perde, se suja, se mistura a outras águas.
Mas a tempestade uma hora passa, qualquer hora passa,
E o leito do rio deve ser reconstruído.
Recolher o que de bom sobrou, chorar pelo que morreu,
Alegrar-se pelo que ficou, sofrer pelo que se foi…
E organizar novamente o que for possível.
O rio será sempre um rio,
Mas um rio que passa por uma tempestade
Nunca mais será o mesmo!
Alda M S Santos
À BEIRA DO ABISMO
Todos podem, por vezes, sentirem-se à beira do abismo
Andando na corda bamba
Sob o fio da navalha
Pisando em ovos…
Qualquer pisada em falso
Um momento de distração
Uma brisa mais forte
E tudo vai para o brejo
Cai-se para o fundo do abismo,
A corda se parte, a navalha corta
Os ovos se quebram…
Nem sempre é adrenalina, quase nunca é divertido
Desgaste que vai cansando,
Levando ao recolhimento, à introspecção,
E tantos caem no escuro da depressão!
Quantos pertinho de nós podem estar assim?
Saberíamos se fôssemos nós a ficar assim?
Alda M S Santos
TÃO EU!
Andar na chuva, amar a chuva, ouvir música alta,
Dirigir com vento nos cabelos, sonhar acordada
Agitada, impaciente, falante, esbaforida…
Tão eu!
Dormir com a TV ligada, de óculos, deitada sobre um livro,
Ter pesadelos bem reais, acordar chorando,
Ocupar a cama toda, comer de tudo…
Tão eu!
Gostar de sorrisos, amar abraços, andar apressada,
Encantar com as crianças, emocionar com a velhice,
Rir por tudo, gargalhar de graça, chorar sem motivo…
Tão eu!
Subir em qualquer árvore, escalar montanhas,
Banhar em rios, mares e cachoeiras sem saber nadar,
Admirar bichos e plantas, fazer pedido pra estrela cadente,
Tão eu!
Preferir o dia, gostar de uma boa conversa, escrever,
Sentir falta de dançar, dos amigos, ter fé imensa em Deus,
Amar gente, oferecer ajuda, não pedir ajuda,
Tão eu!
Viver e amar, amar e viver…
Mesmo que em momentos tristes ou doloridos,
Escolher sempre a vida!
Alda M S Santos
NÃO VIVO SEM
Podem ser muitas as coisas sem as quais não vivemos
Não vivo sem meus filhos, partes essenciais de mim
Não vivo sem meus pais, refúgio certo
Não vivo sem o abraço e sorriso de meus amigos, colo e abrigo fundamentais
Não vivo sem a natureza por perto, ar que respiro
Não vivo sem trabalho, sem solidariedade, ocupações vitais
Não vivo sem Deus, alimento da alma
Não vivo sem amor, companhia necessária para todas as horas
São tantas as coisas essenciais
Aquelas que o dinheiro não compra!
Mas a principal de todas:
Não vivo sem mim mesma!
Preciso me encontrar, me admirar, me ajudar
Ser a alegria e força que nascem lá de dentro
Pois para viver e valorizar todo o resto
Preciso existir para mim…
Todos nós precisamos!
Alda M S Santos
FALAMOS QUANDO…
Quando olhamos superficialmente ou profundamente,
Ou desviamos o olhar, falamos
Quando silenciamos, falamos
Quando cuidamos de alguém, falamos
Quando mergulhamos na natureza, falamos
Quando ouvimos música, falamos
Quando oramos, falamos
Quando choramos ou sorrimos, falamos
Quando abraçamos, beijamos, falamos
Quando verbalizamos, falamos…
Tudo em nós fala, se expressa
Do fio de cabelo ao coração.
São idiomas que somente almas afins entendem.
Perdem muito aqueles que só leem palavras…
Alda M S Santos
PÉROLAS AOS PORCOS
“Não lanceis vossas pérolas aos porcos”!
Quem são as pérolas, quem são os porcos?
Podemos tanto lançar pérolas aos porcos
Quanto sermos porcos às pérolas que nos são lançadas!
E há pérolas e pérolas, porcos e porcos.
Qual vale mais: um porco verdadeiro, do qual se sabe o que esperar
Ou um cordão de pérolas falsas a nos enganar?
Alda M S Santos
QUANTAS VEZES?
Quantas vezes nos doamos?
Quantas vezes sorrimos para o outro para alegrá-los
Abraçamos alguém para acalentá-los
Dizemos palavras encorajadoras para animá-los
Damos atenção, carinho, silenciamos, para compreender a dor
Cedemos ao outro nossos ombros, nosso colo, nossa presença para secar lágrimas,
Se tudo que queremos e precisamos é de alguém
Que nos sorria, nos abrace, nos diga palavras sábias
Nos encoraje, nos dê atenção, colo, presença, amor…
Ou apenas silencie e acalme nossas angústias?
Quantas?
Exatamente o mesmo número de vezes
Que, ao nos doarmos, acabamos por receber muito em troca…
Quantas vezes?
Não sei! Sei que todas valeram cada segundo!
Alda M S Santos
LÁGRIMAS NÃO FAZEM BARULHO
Tudo estava muito escuro, respirar era difícil
Tanto pelo exíguo espaço quanto pelo medo
Cheiro de álcool, cigarro, barulhos ao longe
Curvas perigosas, risadas mais ainda
Vou me encolhendo, abraçando os joelhos,
Tentando passar despercebida.
Lágrimas não fazem barulho, exceto dentro da gente.
Uma oração que não consegue ser verbalizada
Um pedido de socorro que não sai, por mais que se tente.
E as lágrimas aumentam… A velocidade diminui.
O porta-malas se abre, duas imagens conhecidas me encaram,
Maldosas, cruéis, dispostas a tudo.
Tentam me levar dali, fico imóvel.
Fecho os olhos, tento gritar, a voz não sai
Aguardo o inevitável.
Silêncio total!
Devagar e amedrontada, abro os olhos
A oração apenas pensada, o pedido mudo de socorro
Foram atendidos, não havia mais ninguém ali.
Chorei convulsivamente num agradecimento também mudo,
E, chorando, acordei…
Na certeza de que mais uma vez, entre tantas, fora salva!
Alda M S Santos
ERA APENAS UM PESADELO?
“Você não tem medo, você já é grande”!
Falam-nos nossas pequenas crianças
Que em nós buscam auxílio para seus medos
Do escuro, dos monstros debaixo da cama, do lobo mau
Dos animais peçonhentos, das pessoas estranhas,
De perderem o amor dos pais, de serem esquecidas na escola…
Mas enganam-se muito ao pensar que não temos medo!
Quiséramos não tê-los!
E nossos medos são muito reais!
E nem sempre buscamos ajuda!
Medos de ordem física ou emocional, social ou financeira.
Elas não sabem, mas também temos nossos escuros,
Nossos lobos maus, nossos estranhos peçonhentos,
Também tememos perder alguém,
E temos também nossos monstros,
Tanto dentro quanto fora de nós,
E são também assustadores, quase invencíveis.
Queríamos que se afastassem ao acendermos a luz,
Ao chamarmos um super-herói,
Ou ao recebermos um abraço de “era apenas um pesadelo, estou aqui”.
Alda M S Santos
QUASE MORRER
Não se expor, não falar, não demonstrar, não pedir ajuda,
Não se expressar, se fechar, se calar, se esconder, ser forte…
Ficar cada um na sua! Bem pequenino, quase invisível!
Recolher-se para dentro de si mesmo!
Essa é a ordem! Que nos impõem, que nos impomos.
Até quando?
Até esquecermos como é ser autêntico.
Ou até esse mundo insano entender que vida não se oprime,
Que vida oprimida é quase morrer, ou matar!
Quantas mortes são necessárias para se valorizar uma vida?
Alda M S Santos
TE AMAREI PARA SEMPRE
Amo você para sempre…
Que pensa uma pessoa que diz tais palavras?
É possível afirmarmos isso? Acreditarmos nisso?
Como saber até quando vai o “para sempre”?
Num mundo de sentimentos fugazes,
Em que as emoções são atestado de fraqueza,
Em que a razão ou falta dela é que comandam o espetáculo,
O que pensa quem diz isso?
Pouco pensa, muito sente: ama de verdade!
Para sempre? Não tem como saber!
Essa parte se atribui à intensidade do amor,
Ao desejo imperioso de que assim seja.
Se o sempre for daqui a um ano, dez, trinta ou cinquenta anos,
O que vale é o amor.
Quem ouve é privilegiado, quem diz é afortunado,
Quem diz e ouve, abençoado!
Alda M S Santos