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poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

Exangue

EXANGUE

Exaurido, debilitado, sem forças

Exangue! Sem sangue, sem cor…

É possível um coração ficar assim?

Apenas se estiver sem vida!

Pois qualquer que seja a emoção

Boa ou ruim, alegre ou triste,

Mesmo que ele pareça vazio demais

Ou totalmente sobrecarregado,

Sempre terá cor, terá vida,

E continuará a bater, a bombear vida, a espalhar amor…

Alda M S Santos

O quanto dói o que mais dói?

O QUANTO DÓI O QUE MAIS DÓI?

Dor de dente, cólicas renais, parto, coluna,

Enxaquecas, ressacas, crises de abstinência, nervo ciático,

Luto, amor, saudade, solidão, compaixão, ingratidão…

São tantas a doer!

Dores são bem democráticas

Quase sempre distribuídas a todos

O grau de cada uma e o que fazemos delas

É o que nos difere uns dos outros.

Tantas pessoas sorridentes por aí

Com dores que uns julgam pouca coisa

E outros sequer pensariam em suportar.

Qual a dor que mais dói?

Aquela que sabemos que também dói no outro,

Ou a que sabemos suportar sozinhos?

A dor que mais dói é certamente a que sentimos no momento.

O quanto cada dor dói, só quem a sente é capaz de dizer.

Nunca subestimar a dor ou sofrimento do outro,

Não potencializar a nossa, tampouco fingir que não existe,

São bons modos de encarar esse mal comum a todos.

Uma injeção de amor também seria o ideal!

Alda M S Santos

Simplesmente, viva!

SIMPLESMENTE VIVA

“Simplesmente viva… tem uma energia

De beija-flor as suas fotos e poesias…”

Definição de um poeta blogueiro (Anovamente)

Ao indicar o ‘Vida, Intensa Vida’ para um prêmio.

Como se aproximou da realidade!

Energia de beija-flor que, intenso, agitado

Precisa de alimento para o corpo e a alma

Para manter sua essência, para estar vivo…

E a busca nos lugares mais lindos

Perfumados, coloridos e encantadores

Os jardins…de flores ou de pessoas…

Simplesmente, viva!

Alda M S Santos

No outro, em nós…

NO OUTRO, EM NÓS…

No outro podemos encontrar o estímulo

Em nós encontramos a energia

No outro podemos encontrar um apoio

Em nós encontramos a força

No outro podemos encontrar a amizade

Em nós encontramos o amor próprio

No outro podemos encontrar a palavra

Em nós encontramos a fé

No outro podemos encontrar a admiração

Em nós encontramos nosso real valor

No outro podemos encontrar a dor

Mas ela só doerá em nós se houver amor…

No outro, em nós…

Tudo repercute, tudo alegra, tudo dói,

Tudo se mistura quando a massa é a mesma:

O amor!

Alda M S Santos

Um dia…

UM DIA

Um dia a angústia pode queimar o peito

Um dia as lágrimas podem inundar a fé

Um dia a tristeza pode fechar o sorriso

Um dia a desesperança pode secar a alegria

Um dia o amor pode ser só dor e saudade

Um dia a amizade pode não corresponder

Um dia um abraço, um beijo, um olhar podem não ser suficientes,

Um dia a amargura pode calar nossa voz,

Um dia a vida pode se assemelhar a um chão de folhas secas e mortas.

Quase sempre é um dia, alguns dias, semanas, meses…

Nesses dias é que precisamos buscar um pouquinho de alegria no fundo de nós

Sempre há!

E focar nela, regá-la, nutri-la

E, aos poucos, bem aos pouquinhos,

Ela se encarregará de inundar o resto.

Basta ter fé e esperar…

Alda M S Santos

Torço por você!

TORÇO POR VOCÊ!

Torço por você!

Às vezes falamos para os outros

Torcida é bom, fortalece, encoraja, anima

Mas bom mesmo é ter alguém a mais em campo

Um jogador ao nosso lado

Que jogue no mesmo time

Na defesa ou no ataque, na retranca ou na ofensiva

Não importa!

O que vale é lutar conosco nossas lutas

Comemorar juntos nossas vitórias

Chorar conosco nossas derrotas

E aguentar a apatia dos empates!

Mudança de time ou desistência do esporte é que não dá

Torço por vocês da arquibancada!

Mas, se precisarem, entro em campo e bato um bolão

Mesmo contundida!

Alda M S Santos

O que me toca fundo

O QUE ME TOCA FUNDO

O que me toca mais fundo?

A sinfonia de pássaros numa árvore na janela

O desabrochar de um botão de rosa

O som suave no leito de um rio

A força torrencial das águas de uma cachoeira

O constante vai-e-vem das ondas do mar

Uma canção feita de versos singelos

Uma valsa dançada por um par em sincronia

O sorriso puro de uma criança

Uma mãe que amamenta seu filho

Um jovem de joelhos a rezar

O abraço de um casal apaixonado

A saudade nos olhos de um idoso que sofre abandonado pela vida

A bondade no coração de quem se doa?

Não sei…

São muitas as coisas tristes na vida,

Mas são tantas as coisas tocantes e lindas,

Que por elas vale um esforço para viver!

Alda M S Santos

#carinhologos

Poesia

POESIA

Poesia é energia em estado bruto

Que o poeta lapida e transforma em poema.

Quem tem sensibilidade vê seu brilho,

Sente as emoções que ele partilha

Internaliza, complementa com lágrimas, sorrisos

Saudades, alegria ou amor e o espalha por aí….

Alda M S Santos

Quando não estou em mim

QUANDO NÃO ESTOU EM MIM

Procuro-me em todos os cantos

Tento me identificar, me localizar

Saber onde me encontro

Quando não estou em mim.

Se eu não estivesse mais aqui

Onde poderia ser mais facilmente encontrada?

O que remeteria as pessoas diretamente a mim?

O que olhariam e diriam: isso me faz lembrar dela!

Uma cachoeira, uma mata densa, pássaros, borboletas, flores?

O mar, um rio, a chuva, as estrelas, a Lua cheia?

Certamente, sinto-me em casa junto a tudo isso.

Um sorriso, um abraço, uma palavra, um poema? Identifico-me.

Meus filhos? Claro, partes mais lindas de mim.

Meus pais? Sim, sou parte deles.

Meu amor, meus amigos? Alguns deles, os que me amaram, me entenderam, sintonizaram comigo.

Em cada pessoa que passou por minha vida, que me agregou valores, me fez feliz, me fez sofrer?

Sim, foram também partes de mim.

Estou em muitos lugares, em cada pedaço de chão que pisei

No ar que respirei, mas, principalmente, no amor que doei.

Se quiserem me encontrar, procurem em tudo isso,

Também no sorriso de uma criança,

Na nostalgia de um idoso, no abraço de um casal apaixonado…

De preferência, num dia de chuva.

Eu estarei lá!

Quando não estou em mim estou naqueles que amo,

Onde quer que estejam.

E estar neles, é um modo de estar em mim.

Alda M S Santos

Tanta estrela por aí…

TANTA ESTRELA POR AÍ…

De hoje até terça uma chuva de meteoros Oriônidas cortará o céu

Nossas tão queridas estrelas cadentes

Aquelas que ao serem avistadas

Fazemos um pedido secreto

E muitos garantem:

Pedido feito ao ver estrela cadente

É pedido realizado

Vê-las(los) já é um espetáculo

Mas não custa fazer um pedido

“Oh! Oh! Oh! Seu Moço

Do disco voador

Me leve com você

Pra onde você for

Oh! Oh! Oh! Seu Moço

Mas não me deixe aqui

Enquanto eu sei que tem

Tanta estrela por aí”

Alda M S Santos

Imagem google

Labirinto

LABIRINTO

A cada passo tecemos em fios finos

Um labirinto belo e complexo para caminharmos.

Por vezes assustador, com curvas perigosas

Com retornos e vias incertas e enganosas.

Buscamos sempre a saída,

Mas a saída derradeira ninguém quer.

Nem sempre sabemos ou podemos voltar à largada.

Devemos enxergar uma saída

Em cada encruzilhada perigosa desse labirinto.

Ainda que seja retornando, andando em círculos.

Num labirinto, nunca se sabe exatamente o que é seguir em frente.

Muitas vezes, parar, voltar, reiniciar de determinado ponto

Pode ser o melhor meio de prosseguir,

Sem ser engolido pelo medo do que encontrará na próxima curva.

Alda M S Santos

Leitura: Braille

LEITURA: BRAILLE

Há uma leitura que exige decodificação especial

Que não basta decodificar o alfabeto

Ler frases e compreender textos e contextos

É uma leitura que exige ler com o toque, como o Braille

É uma leitura que exige a percepção do brilho ou sombra do olhar

É uma leitura que exige ler sentimentos

É uma leitura que se faz no silêncio

É uma leitura que conecta dois olhares,

É uma leitura de almas!

Alguns são tão mestrados nessa área

Que leem de longe ou de perto

Não se enganam, não interpretam mal

Sentem!

Alda M S Santos

Lápis e borracha

LÁPIS E BORRACHA

Histórias escritas, desenhadas

Grafitadas, coloridas!

A cada dia um novo traço, um novo risco

Uma palavra mal escrita, um traçado mal feito

Ou até tudo bem feito, mas no livro errado

E lá surgem lágrimas a borrar toda a obra!

Borrachas tornam-se necessárias

Apagar o que deixou de ser parte da história,

Ou que não pode continuar sendo…

Borrachas deixam marcas, sombras

Mas tudo pode ser reaproveitado

Uma palavra mal dita pode ser inserida noutro contexto

Uma frase noutro capítulo

Um capítulo noutro momento

Uma pedra pode se transformar numa flor

Uma flor numa borboleta no roseiral

Uma lágrima numa gota a regar o novo jardim.

Que será sempre revisitado no fundo de nós.

Nesse livro da nossa vida

Podemos, precisamos, ter muitos críticos,

Editores deverão ser ouvidos,

Mas somos nós que selecionamos as palavras, os riscos, os rabiscos

Que farão os capítulos dessa história

Somos nós que daremos cor ao que for importante

E deixaremos em escala de cinza o que precisa sair de cena,

Ou ficar nos bastidores desse espetáculo chamado vida.

Alda M S Santos

Quando tudo dói

QUANDO TUDO DÓI

Há dias em que tudo dói

Até cabelos e ossos

Partes que dizem ser desprovidas de sensibilidade

Por não terem terminações nervosas

Mas quando sentimos dores que não identificamos,

Tudo parece doer!

Normalmente são dores que vêm lá de dentro

Alguma questão mal resolvida dentro de nós.

Qual o remédio? Qual a cura?

Silêncio e oração, família e amigos,

Independente da ordem em que apareçam para nós,

Ou que tenhamos que buscá-las!

Simplesmente, precisamos…

Alda M S Santos

Um dia de cada vez: só por hoje!

UM DIA DE CADA VEZ: SÓ POR HOJE!

A máxima dos grupos de ajuda

Das pessoas que sofrem qualquer mal

Quer seja mal físico, emocional, dependência química, vícios, é:

Um Dia De Cada Vez.

Só por hoje!

Só por hoje vou ser forte!

Só por hoje vou resistir!

Só por hoje não vou querer!

Só por hoje terei coragem!

Só por hoje não terei saudade!

Só por hoje não vou sentir medo!

Só por hoje não vou sofrer!

Amanhã será novo dia e novamente: só por hoje.

Assim fica mais fácil vencer qualquer dor, tristeza, sofrimento, saudade…

Pensar em lutar contra algo para sempre é tempo demais!

E se houver recaídas, tudo parte novamente daí.

Humanos erram, caem, levantam e seguem…

Humanos acreditam, mesmo sofrendo!

Por isso, quase sempre vencem…

Alda M S Santos

Excluir, arquivar, back, next: aprendendo a usar

EXCLUIR, ARQUIVAR, BACK, NEXT: APRENDENDO A USAR

Tantos são os novos aplicativos, cada dia surge mais um

Mas o mais antigo de todos, que nos vem acoplado ao DNA

É a capacidade de manter aquilo que nos faz bem

De excluir o que nos traz mágoas e tristezas

De arquivar o que é bom ou que pode vir a ser,

De voltar quando é possível,

De prosseguir, seguir em frente, mudar de fase.

Esses recursos vêm de fábrica

Mas vamos aprendendo a usar com o tempo

Com as necessidades que surgem.

E como todo jogador, cada qual tem suas estratégias e perfis

Uns são audaciosos e buscam sempre mais, nunca voltam,

Quase nada arquivam, excluem e seguem em frente.

Outros, mais conservadores, mantêm muitos dados, arquivam demais,

Têm dificuldade de excluir, caminham mais pesadamente.

Mas todos estamos nos aperfeiçoando

Aprendendo a usar, buscando suporte técnico,

Pois a qualquer hora pode haver baixa,

O game over sempre chega, cedo ou tarde.

Alda M S Santos

Professores: profissão de amor

PROFESSORES: PROFISSÃO DE AMOR

Entre várias profissões que não permitem simplesmente o exercício da técnica

Que exigem muita vocação, dom, entrega e amor

Está o magistério.

Ensinar pede que se crie uma relação de afeição entre educandos e educadores

E manter a alegria e o prazer de ensinar,

Mesmo lutando contra todas as dificuldades diárias.

Onde há alguém disposto a ensinar,

Sempre haverá alguém desperto para o aprendizado.

Independente de ser uma profissão, um ganha-pão

Ensinar sempre será um ato de amor!

Alda M S Santos

Quero tanto

QUERO TANTO

Quero tanto a luz do Sol, esse brilho que aquece e dá vida

Quero tanto essa água fria, na qual deslizo suavemente e sigo em frente

Quero tanto essa tranquilidade, essa paz,

Quero tanto boas companhias, alguém a quem guiar e ajudar

Quero tanto alguém a me guiar, em quem confiar, a quem buscar

Sempre que o desânimo bater, a tristeza quiser se apossar

Quero tanto essa natureza e essa fé em mim, pra mim…

Quero tanto!

Alda M S Santos

Não dá pra mensurar

NÃO DÁ PARA MENSURAR!

Há coisas que por mais que se tente, não conseguimos mensurar!

O tamanho da dor que aperta no peito de quem perde um amor,

Ou o vazio na vida de uma mãe que não poderá mais abraçar seu filho,

Não dá pra mensurar!

A culpa de alguém que não pôde proteger a quem amava,

Ou a saudade que machuca no peito dos apaixonados,

Não dá pra mensurar!

A tristeza e revolta que acompanham os perseguidos,

A dificuldade de seguir em frente com fé, quando tudo que se quer está no passado,

Ou o medo de caminhar rumo a um futuro incerto e sem brilho,

Não dá pra mensurar!

A verdade é que só se pode mensurar

Aquilo que está dentro de nós!

O que se passa com o outro,

Podemos apenas imaginar…

Alda M S Santos

Quando a vida vale mais?

QUANDO A VIDA VALE MAIS?

Quando a vida vale mais?

Saber que há ao menos um alguém nesse mundo que daria a própria vida por você?

Saber que já houve Alguém que há mais de 2000 anos deu a vida por você?

Ou saber que você, sem demagogia, seria capaz de doar a própria vida por vários alguéns, literal ou figurativamente?

Sua vida vale muito, não é?

A minha também!

Alda M S Santos

Divididos

DIVIDIDOS

Quantas vezes ficamos divididos na vida?

Entre o ir e o ficar, entre o prosseguir ou voltar atrás

Entre um e outro querer

Até mesmo o de nada querer?

Quantas vezes ficamos divididos na vida?

Entre nosso gosto e o gosto de outro alguém

Entre mergulhar fundo ou ficar na superfície

Entre o medo e a coragem,

Até mesmo a total covardia?

Quantas vezes ficamos divididos na vida?

Entre a força e a energia que nem sempre vem,

Entre a razão e a emoção,

Entre a descrença e a fé?

Quantas vezes essa divisão nos coloca inertes perante tudo,

Vontade de desistir ou deixar que tudo se resolva à nossa revelia?

Quando vezes ficamos divididos na vida,

E tudo acabou por se resolver?

Quantas?

Alda M S Santos

Anjinhos meus

ANJINHOS MEUS

Neles a gente encontra alegria

Com eles qualquer dor pede colo

Qualquer esfolado cura com beijinho

Desânimo se transforma em pega-pega

Lágrimas se enxugam na manga da blusa

Um sorvete é bálsamo da vida

Uma bola, mil possibilidades…

Qualquer história lida, contada ou escrita tem final feliz!

Em que parte pedimos para mudar de fase?

Que botão apertamos para voltar?

Alda M S Santos

Infância

INFÂNCIA

Quanto tempo dura a infância?

Até a troca definitiva dos dentes de leite,

Ou até o corpo se transformar pelos hormônios?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto se empanturrar de doces sem se preocupar com formas redondas,

Ou até cair nas armadilhas da mente e do coração?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto a brincadeira de bonecas for mais interessante que paquerar um “boneco”,

Ou até o guarda-roupas não ter mais nada que agrade?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto uma mágoa durar apenas alguns minutos,

Ou até o perdão ser uma ação mais complicada?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto um beijinho curar qualquer ferida,

Ou até ser comum dormir chorando e acordar sem vontade de levantar?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto a valsa da bailarina for a maior preocupação do dia,

Ou até os sonhos bons serem atropelados mais vezes por pesadelos?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto um copo de leite for mais saboroso que uma taça de vinho,

Ou até o joelho ralado doer mais que coração partido?

A infância já ficou bem lá atrás quando nos fazemos todas essas perguntas,

Mas se for uma nostalgia e saudade gostosa,

Conservamos uma alma infantil,

Isso é que vale!

Alda M S Santos

Abraços e desejos de felicidades a todas as crianças, de qualquer idade! 🙏🏼🙏😘😘👶👦🏼👧👨🏻👩🏻👵🏼👴🏼

Preciso cuidar mais de mim

PRECISO CUIDAR MAIS DE MIM

Precisando cuidar mais de mim

Coração muitas vezes apertado, dolorido, choroso

Cuidando de tantas dores e sofrimentos alheios

Que nem sempre entendem, aceitam

Ou estão preparados para receber ajuda

Precisando fortalecer meu coração…

Pois ele é meio paradoxal!

O que fazer se só me sinto cuidando de mim

Quando estou cuidando do outro?

Alda M S Santos

Mãos que se tocam

MÃOS QUE SE TOCAM

Todo amor começa e caminha por nossas mãos,

Logo depois dos olhares.

Pelo toque suave de duas mãos diferentes que se atraem

Mãos que se dão, que se medem, se alongam

Se tocam, se acariciam, se escalam

Brincam, dedos com dedos

Espalmadas, cruzadas, se exploram

Ora calmas, ora ansiosas, grudadas.

Ficam íntimas, tornam os donos mais íntimos,

Se aquecem, se abraçam, se beijam,

Buscam o brilho do olhar, o sorriso

Mãos que se paqueram, que se querem, se namoram

Se convidam, se oferecem, fazem amor…

A despeito dos observadores casuais ou propositais

Tudo em simples toques

Que antecipam nos contatos de dedos e palmas

Um contato que se pretende mais amplo, mais intenso.

Nossas mãos se amam bem antes de tudo o mais

Pela atração e prazer das mãos

Se mede a intensidade do amor.

Alda M S Santos

Inspire amor

INSPIRE AMOR

Quando o amor está solto no ar,

Inspire! Leve amor para dentro de si.

Quando o amor estiver preso lá dentro,

Expire! Leve o amor para fora!

Amor deve ser cíclico para crescer,

Amor deve ser compartilhado

Para alimentar vidas.

Amor preso é vida que se perde…

É vida que morre aos poucos.

Inspire, expire, ame!

Alda M S Santos

Onde me encontro?

ONDE ME ENCONTRO?

Não importa onde eu esteja

Quer seja em casa, na rua, na academia, numa festa

Na visita a amigos, a um asilo ou hospital, na igreja,

Em alto mar, num voo internacional, num trem

No meio do mato, no lombo de um cavalo,

Posso estar onde estiver, com quem estiver

Independente de todos os caminhos que percorra

Só vou me encontrar dentro de mim mesma.

E esse caminho só eu posso traçar

Só eu posso percorrer

Seja qual for o “transporte”,

Passando por atalhos ou não,

Regada a sorrisos ou lágrimas,

Sozinha ou acompanhada,

Só eu posso me encontrar,

E somente depois, talvez me encontre dentro de outro alguém…

Alda M S Santos

O que você fez do amor que lhe confiei?

O QUE VOCÊ FEZ DO AMOR QUE LHE CONFIEI?

E se nos for perguntado noutro plano,

Noutra dimensão, no paraíso, como preferirem:

O que você fez do amor que lhe confiei,

Das várias oportunidades de amar que te ofereci?

O que você fez com o amor que lhe dediquei?

Cuidou, regou, adubou, fez florir,

Negou, abandonou, negligenciou, deixou morrer?

O que teremos a dizer a nosso favor?

Há algo que nos abone, que nos mostre dignos?

Alda M S Santos

Sonhos e pesadelos

SONHOS E PESADELOS

Se os sonhos e pesadelos existem para resolvermos algo no inconsciente

Que o consciente não dá conta de resolver

Sou uma pessoa muito mal resolvida, de consciente problemático.

Se por outro lado, existem para acelerar algumas soluções

Eu não deveria ter qualquer pendência!

Entre sonhos espetaculares e dignos de se tornarem reais,

E pesadelos escabrosos, de tirar o sono e deixar uma sensação ruim o dia todo,

Transitando da consciência à inconsciência, do real ao imaginário,

Pintando o rosto, sorrindo ou chorando,

Feliz ou sofrendo,

Vou vivendo…

Alda M S Santos

Doutores do amor

DOUTORES DO AMOR

No mês dos médicos somos “doutores” do amor

Prescrevemos Xarope da Alegria

Aplicamos injeções de ânimo

Auscultamos corações saudosos

Abraçamos corpos cansados

Ouvimos com atenção sonhos e desejos

Sorrimos diante de muitas histórias repetidas

Nos emocionamos diante de histórias de vida,

Histórias de dor, de amor…

E assim vamos escrevendo nossa própria história!

Alda M S Santos

#carinhologos

1000 Posts! Ufa!

1000 POSTS! UFA!

1000 posts! 395 dias de blog!

Sempre penso: não tenho mais nada a escrever

Nada a declarar, nada a compartilhar…

Mas, entre crônicas, textos

Prosas poéticas e poemas,

Estou aqui! E tenho vocês!

Meus amigos “invisíveis”!

Minhas inspirações, minha terapia!

Meu abraço carinhoso a todos!

Alda M S Santos

Retirando camadas

RETIRANDO CAMADAS

Muitas vezes precisamos retirar todas as camadas

Que recobrem nossa mente, nossa alma

Como alguém que retira peça por peça de roupa

Inclusive as íntimas, totalmente despidos

Para ficar mais leve na balança

Com menos pesos adicionais.

São muitas as coisas que podem pesar:

Culpas, fracassos, sonhos perdidos, desejos impossíveis.

Ainda que seja apenas na frente do próprio espelho

É preciso começarmos a nos despir

Retirar tudo, jogar no chão, deixar lágrimas rolarem

Mostrar nossa verdadeira face para nós mesmos,

Antes da coragem de mostrá-la ao mundo

Ou não!

E nos sentirmos verdadeiramente leves…

Alda M S Santos

Creche Gente Inocente

CRECHE GENTE INOCENTE

Percebe-se a insignificância da vida

Quando crianças inocentes sofrem atrocidades

Sem qualquer explicação razoável!

Um “doente” funcionário quer morrer e as leva junto covardemente,

Uma corajosa professora, mãe de três filhos, quer viver, quer que elas vivam

E também se vai…

Para cada covarde nesse mundo há ao menos um corajoso?

Creche Gente Inocente:

Que nome mais apropriado!

Alda M S Santos

Metamorfose

METAMORFOSE

Fechados num casulo invisível, isolados do mundo de fora

Consumindo aos poucos as reservas acumuladas em si.

Assim são todos em processos de transformação.

Metamorfoseando-se!

Trancados em si mesmos, vão evoluindo para emergir um novo ser.

Muitos têm barreiras que impedem o acesso às boas reservas,

Acessam apenas o negativo, as culpas, angústias e medos,

Deixam de lado o amor recebido, doado, os sorrisos, as vitórias…

Aqueles momentos pelos quais vale uma vida inteira.

E, assim, as boas energias evaporam, não são aproveitadas Ficam frágeis, o casulo murcha.

Esse casulo doente precisa de interferência externa.

Precisa de um toque de amor,

De um sopro de vida…

Precisa de metamorfose!

Alda M S Santos

Tragédia em Janaúba

TRAGÉDIA EM JANAÚBA

Além da dor daqueles que perderam um familiar,

Criancinhas inocentes num lugar que deveria ser seguro

Tendo vidas ceifadas ou machucadas por alguém que deveria protegê-las,

Que talvez também fosse um doente sem ajuda,

Como tantos por aí escondidos atrás de sorrisos,

Dói ainda saber que nos hospitais que deveriam socorrê-las

Faltam itens básicos como Dipirona, luvas, seringas, agulhas e afins…

Num país com uma das maiores cargas tributárias do mundo!

Não há palavras para expressar tamanha revolta!

Que Deus olhe por todos nós!

Alda M S Santos

O coração selecionou

O CORAÇÃO SELECIONOU

“Amigos em apuros eu já chego dando voadora,

Depois o amigo explica o que houve, se quiser explicar”.

Uma das mais lindas defesas de amizade que já ouvi.

Se é amigo,o coração já selecionou, já ama.

Sabe que é humano, que é passível de erros e acertos,

Que possui fraquezas, forças, belezas e feiúras,

Que ri, que chora, que precisa de colo,

E de um amigo bom de palavras e de atitudes.

Não importa se o amigo acertou ou errou

É amigo! Merece defesa!

Ser amigo de gente bonitinha e perfeitinha é fácil,

Ser amigo para todas as horas poucos conseguem!

Alda M S Santos

Saudade não tem idade

SAUDADE NÃO TEM IDADE

Abraço sempre restaura energia

Traz carinho verdadeiro, calor que acalma

Se vier acompanhado de

“Fico com muitas saudades de você todo dia”,

É capaz de trazer alento, alegria

E percebemos que a saudade é sentimento que já nasce desde as fraldas

Não tem idade!

E com ela viveremos a vida toda

Mas sempre irá doer,

Sempre dará vontade de chorar,

Ainda que a gente sorria…

Alda M S Santos

Atracar

ATRACAR

Nadando, remando ou navegando

À bombordo ou a estibordo

À barlavento ou à sotavento

Num barquinho ou num navio

Sempre em alto mar, sempre a trabalhar

Lança velas, iça velas, controla o timão

Para algumas vezes, se estende na proa

Ou mergulha em águas calmas

Em contraste com águas internas turbulentas

Esse marujo não pensa em naufrágio

Deseja num porto, num momento atracar

Enquanto o porto for mais temeroso que o alto mar

Ele continuará a navegar…

Alda M S Santos

Ser Amor

SER AMOR

Enquanto cuidamos das dores alheias

Enquanto dos outros nos ocupamos

Alguém lá em cima sara nossa feridas e se ocupa de nós

E, através de nós, atinge os outros

“Eles não são pesados, são nossos irmãos”.

Alda M S Santos

Desisto

DESISTO!

Última vez! Agora desisto!

Quantas vezes afirmamos isso na vida?

Quando o trabalho é pesado demais,

Quando a incapacidade nos assola,

Quando a fé vai embora,

Quando o outro mente ou nos decepciona,

Quando nos sentimos sozinhos,

Quando até pensar no assunto dói,

Quando não temos perspectivas ou esperanças…

Afirmamos convictos: desisto!

Mas quantas vezes não cumprimos o prometido?

Do nosso interior, cedo ou tarde, nasce uma força, uma luz

Nova coragem, novo ânimo

Jorram como água límpida sobre nós, para nós

Isso dependendo da real importância do almejado

Do grau de amor envolvido

Fica apenas adormecido lá no fundo

E sempre algo o traz à tona

Cedo ou tarde

E acreditamos:

Vou tentar só mais essa vez!

Alda M S Santos

Enfermos e enfermeiros

ENFERMOS E ENFERMEIROS

Ninguém gosta de hospital,

Mas ter alguém para cuidar da gente é desejo de todos

Imagine que enquanto vivemos

Haja alguém atento e disposto para nos aplicar esperança intravenosa

Um comprimido de alegria sublingual

Uma ampola de força intramuscular

Uma higienização da alma com palavras sábias e silêncios oportunos

Um banho que lave toda mágoa e decepção

Uma dosagem oral de amor de hora em hora

Uma pomada de fé e disposição!

A vida quase sempre é assim,

Ora cuidando, ora cuidados

Ora enfermos, ora enfermeiros.

Precisamos nos entregar…

Alda M S Santos

Sim, não, talvez…

SIM, NÃO, TALVEZ

O sim remete a alegria, estado de graça, felicidade extrema

Satisfação, prazer, gozo total.

O não quase sempre é tristeza, é dor aguda, é golpe certeiro,

Lágrimas, reclusão, introspecção

O talvez é expectativa, nem sim e nem não

Talvez é espera oscilante, vascilante

Vai do quase sim ao quase não

É uma quase alegria, uma quase tristeza

É indecisão, é dor crônica

Talvez é brincadeira de balanço,

Ora lá em cima, ora cá embaixo

E não são todos que apreciam a adrenalina dos balanços

As emoções antagônicas dos “talvez”

Preferem os pés no chão,

Sentados no banco da pracinha

Vivemos entre o sim, o não e o talvez

Podemos até abolir os “talvez”

Mas nunca seremos só sim

Nunca seremos só não

E transitar do sim para o não

Já dá o balanço doloroso ou prazeroso da vida…

Alda M S Santos

Preciso esquecer

PRECISO ESQUECER

Preciso esquecer as dores e me concentrar nos amores

Preciso esquecer o que me falta e atentar ao que me preenche

Preciso esquecer as angústias e valorizar as bênçãos

Preciso esquecer tudo e todos que de mim não se ocupam

Preciso esquecer tudo e todos que de mim se esqueceram,

Montar e seguir caminho…

Preciso lembrar de esquecer!

Alda M S Santos

Quando os versos não saem

QUANDO OS VERSOS NÃO SAEM

Vontade danada de escrever, de organizar esse caos

Colocar pra fora o que se espreme aqui dentro.

Mas é tanta coisa misturada, tanta pressão!

Não há uma válvula de escape,

Não há saída de emergência,

E todos os sentimentos, toda essa poesia em mim

Que poderiam vir a ser um poema,

Ficam travados em frases sem nexo,

Se confundem num texto complexo,

E os versos não se materializam,

Se apertam na saída, barram a passagem

A magia e encanto se perdem.

E nada sai…

Quando os versos não saem,

Morre um pouco a poesia,

Morre um pouco de mim…

Alda M S Santos

Quero a certeza do Sol

QUERO A CERTEZA DO SOL

Quero a certeza do Sol

Aquela que o faz se “apagar”

Todos os dias, sempre belo…

Ou humilde ficar atrás das nuvens

E aguardar as tempestades passarem

Sabendo que na manhã seguinte

Ou no dia, semana, mês ou ano seguinte

Tudo será como antes:

Brilho, calor, beleza, vida.

Quero a certeza do Sol!

Alda M S Santos

Reencontro

REENCONTRO

O melhor reencontro de todos é o que acontece conosco mesmos

Aquele reencontro com partes de nós que julgávamos perdidas

Com pedaços de nós que admirávamos

E que ficaram escondidos, deram uma volta por aí

Ou simplesmente abriram espaço a outras

Aquela parcela de nós que transformava nossos medos em confiança e fé

Nossas lágrimas em esperança e sorrisos

Nossas culpas e frustrações em aprendizados e recomeços.

Saberemos quando olharmos com certo distanciamento

Que essas partes não se perderam, estavam ali

Foram resgatadas no momento que mais precisávamos

E nos ajudaram a levantar

Cambaleantes ainda, frágeis, chorosos,

Porém, com força potencial interna

Transformados pelo vivido ou pelo “quase” vivido

Percebemos que não nos perdemos de nós tão facilmente!

Em frente! Com fé!

Alda M S Santos

Esperas

ESPERAS

Saber esperar é uma habilidade, um dom.

Seja qual tipo de espera for

Na fila do banco ou supermercado

Pelo banheiro quando se está apertado

Pelo resultado do exame

Ou até que passe um vexame

Pelo grito na garganta contido

Ou pela volta do amor perdido

Sentado num corredor de hospital

Na angústia de nada poder fazer

Pelo filho que demora a nascer,

Ou por seu renascer a cada situação-problema.

Saber esperar é habilidade difícil

Como tal, precisa ser desenvolvida

Alia-se à paciência, à fé.

Olhar para o céu, para o alto, para dentro

Saber esperar é saber cuidar-se, valorizar-se

É saber prolongar a vida…

Alda M S Santos

Quer que desenhe?

QUER QUE DESENHE?

Para compreender

Há quem entenda olhares

Muitos precisam das palavras

Vários necessitam que desenhe

Outros, nem colorindo…

Alda M S Santos

Sorte e sabedoria

SORTE E SABEDORIA
Por onde formos,
Saber escolher é necessário,
Deixar-se escolher, importante,
Combinar ambos é sorte, 
Dirão alguns descrentes
Combinar ambos é sabedoria,
Dirão outros mais sagazes,
Escolher e ser escolhido em perfeita sintonia
É combinação rara
Quase tanto quanto aliar sorte à sabedoria.
Alda M S Santos

Perdas

PERDAS

Sempre sabemos lidar com perdas: as perdas alheias.

Para elas sempre temos algo a dizer, a aconselhar.

Mas quando a perda é com a gente, tudo muda de figura.

Não importa que tipo de perda seja: material, pessoal, humana…

Sempre irá doer, sempre irá machucar!

Perde-se emprego, casa, saúde, animais de estimação,

Amigos, familiares, amores…

Perde-se a paz, o sossego, a fé, a alegria!

Por que nunca somos ensinados a perder?

A família, a escola, a igreja, todos nos ensinam a conquistar.

Isso porque a teoria da perda de nada vale!

E, quase sempre, é essa teoria que passamos para os amigos “perdidos”.

Mas somente quem vivencia a perda é capaz de aprendê-la na prática.

Aprende-se a perder, perdendo: chorando, gritando, se recolhendo, sofrendo.

Não é lição que se ensina, é lição que se aprende só!

E o tempo que leva para se recuperar,

Depende do modo de ser de cada um.

Alguns rapidamente superam, esquecem, e a vida segue normal.

Outros demandam muito mais tempo, muitas lágrimas, muita tristeza…

Respeitar o próprio jeito, a própria dor, é fundamental no processo de cura!

Alda M S Santos

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