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poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

Buscando a alegria de viver

Segunda-feira, dia de recomeçar: a semana, a dieta, a ginástica, um novo amor, os planos, a vida… 

Dia de acordar com o pé direito, uma oração aos céus, vestir uma cor alegre no corpo, um sorriso brilhante no rosto, a paz na alma. 

Ignorar aquela angústia no peito, a saudade doída, os desejos secretos, os sonhos quase impossíveis. 

Se preciso, parar, respirar fundo, se aquecer ao sol, chorar. Lavar o que machuca, deixar espaço para o que faz bem. 

Trazer à memória o corpo saudável, a mente lúcida, mesmo turbulenta, o coração que ama além da conta, os amigos queridos, a família amorosa, mas principalmente, um Deus que nos acompanha em tudo. 

Segunda-feira, pode vir! E traga as demais. Estamos prontos! Seja breve ou seja longa, seja produtiva, menos dolorida, mais feliz. 

Alda M S Santos

Bom dia!

Eu amo você!

Eu amo: Uma expressão tão bonita, mas tão indevidamente utilizada que tem se tornado sem sentido, descartável, desvalorizada. Tornou-se corriqueira, trivial. Eu amo dormir, amo viajar, amo pizza, amo ginástica, amo vinho, amo dançar, amo Denzel Washington e amo você! Será que poderíamos colocá-los assim, no mesmo grau de importância? 

Para mim, coisas e situações a gente gosta. Pessoas a gente ama. E não são todas também não. Algumas a gente apenas gosta, aprecia, outras nem isso, são indiferentes ou até desgostamos. 

Nesse caso não sei se Denzel Washington seria pessoa ou coisa! 

Já parou para pensar a quantas pessoas poderíamos verdadeiramente dizer “eu amo você”? Confesso, já disse que amo, quando deveria dizer que gosto, para coisas, tipo amo aquele livro ou filme. Mas nunca disse que amo para uma pessoa sem verdadeiramente amá-la. 

Como saber se realmente amamos alguém? Claro, tem aquelas máximas: quando ela está sempre no nosso pensamento, viver sem ela é um tormento, a distância machuca e a presença torna tudo brilhante, queremos contar tudo pra ela, precisamos que nos conte sobre si, necessitamos fazer parte de sua vida, a urgência de tocar e ser tocado é grande… Esse “amor” mais passional, que quase todos conhecem, pode até nem ser amor, só o tempo é capaz de dizer. 

Às pessoas que eu amo, sempre tenho necessidade de dizer que amo, mesmo que não consiga! Apenas um bate-papo, um encontro, um alô, sempre têm que terminar com um “eu te amo”, “Deus te abençoe”, “se cuida”. Se isso não for feito, fica faltando algo. A elas desejamos o melhor, lutamos por sua vida, caminhamos juntos. São aquelas que nos despertam sorrisos facilmente, sentimos aquele bem-estar só de estar em sua presença. Mas também são as capazes de provocar as dores mais profundas, de nos arrancar lágrimas. Quando o mal as atinge é como se atingisse a nós mesmos. Quando nos magoam, dói, sofremos. E fazemos por elas coisas inimagináveis. 

Esse, de certa forma, é um amor condicionado à reciprocidade. É preciso retorno para se manter. Pode haver entre pessoas próximas ou distantes, mas precisa de alimento. 

Há ainda o amor soberano, o amor incondicional, aquele que não espera nada em troca, nem perfeição, nem reciprocidade. Aquele que Jesus tem por nós. O amor que nos permite dar a vida pelo outro. Literalmente, morrer no lugar do outro, se preciso for, ou não, apenas dando tudo que temos de melhor. 

 Nós, humanos, somos capazes de sentir tal amor? Se o verdadeiro amor fosse apenas esse, a quantas pessoas poderíamos dizer realmente, sem exageros, “amo você”?

Independente disso, somos humanos, falhos, e o amor que somos capazes de sentir não deve ser escondido ou aprisionado. Se sentimos que amamos de verdade, devemos dizê-lo. 

Ah, e Denzel Washington é uma pessoa que gosto!  

A vocês que eu amo, certamente sabem, pois digo sempre: eu amo vocês! 

E você, já disse a alguém hoje “eu amo você”?

Alda M S Santos

Como os livros

Se as pessoas fossem livros, muitas seriam escolhidas pela capa, várias seriam descartadas pela profundidade do conteúdo, pela extensão da narrativa ou densidade de sua prosa. Tantas outras, ignoradas pela simplicidade ou complexidade de seus versos não compreendidos. Como os livros, muitas seriam escolhidas ou preteridas pelos motivos errados. Como os livros, também não há pessoas ruins. Como os livros, o que há são pessoas mal lidas e mal interpretadas.

Alda M S Santos

Viver de saudades

A palavra saudade é tão forte que só de ouvi-la já podemos sentir aquele aperto característico no peito. Às vezes, esse aperto pode ser doloroso, outras prazeroso, sempre nostálgico. 

Mas será que a saudade é um sentimento benéfico ou contraproducente? 

Penso que a saudade é sempre uma sensação de ausência, de falta. O que fará com que seja benéfica, ou não, será a capacidade que relembrar venha a ter de amenizar esse vazio, ou aumentá-lo. 

Podemos sentir saudades da casa da infância, dos irmãos e amigos da escola, de um animal de estimação, das brincadeiras na rua, de um parente que faleceu, das loucuras do primeiro amor, do primeiro beijo roubado, dos bate-papos na calçada até a madrugada, dos bailes da juventude, dos apertos da faculdade, do casamento, do nascimento dos filhos, de um sentimento que morreu ou adormeceu… São inúmeras as vivências que podem gerar saudades. 

As que conseguem gerar um sentimento de completude, de preenchimento do vazio, são aquelas nas quais nos envolvemos a fundo, em que não há arrependimentos, pois, em sua época, foram vivenciadas plenamente, ficaram para trás, mas geram lembranças boas, gostosas de reviver. Essa saudade é extremamente benéfica. Faz-nos rever bons tempos e nos anima a seguir em frente. Gera forças. 

Em contrapartida, há aquelas situações cujas lembranças não preenchem o vazio deixado. Reviver dói sempre, porque, em sua época, o viver, apesar de intenso, foi doloroso. Foi incompleto, não vivenciado como gostaríamos, deixou espaços em branco, arrependimentos, vácuos. Portanto, ao reviver, não se lembra apenas do que foi bom, mas do que poderia ter sido e não foi. Fica sempre a pergunta “por que não agi assim?”, “teria sido tão diferente se eu tivesse feito outra escolha!” Ao viver essa saudade sempre ficamos incompletos, com vontade de voltar no tempo e consertar certas coisas: estudos, empregos, amizades, amores. Fica, para muitos, um gosto amargo na boca, com a sensação de ter sido preterido pela vida. 

Essa saudade, que não gera preenchimento, tende a ser maléfica, porque nos paralisa, nos deixa inertes, impotentes, visto que não temos como voltar no tempo e reviver o que ficou faltando, o que nos causa dor. 

Os mais velhos tendem a sentir mais saudades, é natural, já tiveram mais experiências. São mais nostálgicos, mas não precisam ser tristes. 

De todo modo, se viver de saudades, por tempo demasiado, nos impedir de viver o tempo presente, seja qual tipo de saudade for, não será bom a médio e longo prazo.

Todos nós temos momentos maravilhosos para sentir saudades e relembrar, e outros que preferiríamos corrigir, consertar, ter outra oportunidade. Alguns talvez possamos fazer isso. A maioria, não. Na impossibilidade, quando essa saudade bater, aproveitemos para analisá-la, avaliar nosso comportamento, e usar desse conhecimento, dessa experiência, para sermos mais plenos em nossas vivências atuais. Aprendemos, por experiência própria, que as saudades mais dolorosas são daquilo que deixamos por fazer. Com isso em mente, poderemos viver mais plenamente e deixar para o futuro menos saudades dolorosas e mais razōes para saudades benéficas, prazerosas, intensas! 

Alda M S Santos 

Opacidade

Onde pulsa o seu coração? 

Onde pulsa o nosso coração? Muitos diriam do lado esquerdo do peito, outro tanto acredita que bate no corpo inteiro. 

Acredito que ele pulse fora do peito, fora de nós. Óbvio, com uma conexão dentro de nós. 

Sem o estímulo externo ele é apenas um órgão que bombeia o sangue para executar as dezenas de tarefas sob sua responsabilidade.

Mas o que dá a ele o pulsar da emoção é o que vem de fora. Pensemos no quanto ele “trabalha” quando está sob tensão. Quando estamos sob o “domínio” da paixão é quando ele mais pulsa. Além da paixão sensual, talvez a mais desnorteada, incontrolável e que gera prazer, há também a paixão pelo trabalho, que gera lucros e satisfação, pela família, que gera união e harmonia, por um projeto novo que gera sucesso, pela tristeza do irmão, que gera compaixão e solidariedade, pela vida, que gera amor e alegria, por Deus, que gera força e fé. 

Sendo assim, nosso coração pulsa na pessoa pela qual estamos apaixonados, no trabalho que executamos, na família a qual nos dedicamos, no irmão que nos compadece, em Deus que nos fortalece, e por aí vai. 

Coração preso dentro do peito até bate, mas não pulsa com a emoção que gera vida. Coração dentro do peito é coração vazio. 

Coração ativo vive fora do peito, fora de nós. Está naqueles que amamos. Esfola-se, machuca, sangra, dói…

Recupera-se e recomeça. 

O meu coração pulsa por aí. Onde pulsa o seu coração? 

Alda M S Santos 

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Amor especial

Vontade de sumir

Quem nunca teve essa vontade, em alguma fase da vida, que atire a primeira acusação. 

Não importa a causa, a razão ou a ausência de motivação… Nem se para o outro não é motivo bastante. O que devemos considerar é que quando temos esse pensamento estamos sofrendo. Estamos lidando com algo que, ao menos no momento, julgamos que seja superior às nossas forças. Várias podem ser as causas: um prejuízo financeiro, perda de emprego, de um amor, de uma amizade, uma doença… 

Somos únicos e lidamos de modo único com nossos problemas. Pode ser que tenhamos acumulado coisas demais e a gota d’água tenha sido uma briga com o companheiro. Desse modo, pode parecer que o desejo de sumir seja sem propósito e repentino, mas só quem o vive sabe o peso que tem.

Há, obviamente, os casos graves de depressão, em que esse desejo de fugir surge com mais frequência. Esses casos, além da ajuda de familiares e amigos, torna-se necessário também o tratamento terapêutico e espiritual. 

Mas quando ocorre entre os dito “normais”, apenas alguns cuidados devem ser tomados. 

Precisamos respeitar esse grito de nossa alma. A vontade de sumir é um pedido de socorro, um grito de pare, me dê um tempo. Muitas vezes, tudo que precisamos é fugir para dentro de nós mesmos. Pode haver coisas demais em conflito lá dentro, precisando sair, se organizar… Fazermos uma faxina emocional. Descartar coisas, guardar outras com carinho, tirar algumas de evidência. Talvez precisemos de ajuda externa, mas muitas vezes precisamos só de nós mesmos. Chorar, gritar, ouvir música bem alto, orar, isolar-se, dirigir sem rumo, até mesmo viajar por uns tempos. Respeitar nosso tempo. Até nos encontrarmos conosco mesmos. A vontade de sumir é a vontade de nos reencontrarmos. No fundo, sabemos que nosso lugar é onde estão aqueles que amamos e que nos amam. 

Muitas vezes, ao ouvir isso de alguém, nossa tendência é “segurar” os que desejam ir. Não adianta. Eles precisam de tempo para se encontrar. Devemos apenas estar por perto para ampará-los, abraçá-los, amá-los, quando voltarem.

Certo é que onde quer que a gente vá, levaremos conosco nossa mente, nosso coração, nossa alma…e tudo e todos que lá estiverem. Que a gente vá, se encontre e volte ainda mais forte! 

Alda M S Santos

Fênix

Destinos

Lei da atração

Há dias que precisamos perto de nós de pessoas quentes, inflamadas, pura energia e disposição, um mar revolto, um vulcão em erupção. Noutros, necessitamos da tranquilidade, paz, aconchego e calmaria de uma lagoa. Nosso estado de espírito no momento é que define as pessoas que buscamos. São essas pessoas que atraímos, a essas pessoas devemos gratidão.

Alda M S Santos

Afinidades 

Sentindo na pele

É sempre tão fácil aconselhar! Os problemas dos outros sempre nos parecerão simples, ou ao menos não tão complicados. Sentimo-nos até mesmo “superiores” por poder ver o que o outro não está conseguindo enxergar, vislumbrar uma saída, quando ele parece estar perdido. 

Podemos não entender uma mãe que chora e perde o sono por um filho doente, duvidar da força de vontade de alguém que insiste em beber, sabendo que o álcool lhe faz mal, desacreditar no amor quando vemos um homem chorar por tê-lo perdido, perder a paciência com o papo repetitivo de um idoso ou com a mania de doença e morte de uma jovem bonita e saudável.

Mas há um momento em que tudo muda de figura! 

Quando temos os nossos filhos, entendemos e nos emocionamos com qualquer problema que envolva crianças. Acreditamos no alcoolismo como doença, que deve ser tratada, quando o vivenciamos na família. Entendemos o homem que chora por amor, quando amamos, lutamos, sofremos, sorrimos, choramos e perdemos alguém que é tudo pra nós. Passamos a amar os idosos quando vemos alguém sendo grosseiro com as histórias que tanto amamos de nossos avós. Aprendemos a ter carinho com a jovem “saudável” quando temos uma sobrinha bulímica, anoréxica ou depressiva em casa.

Há outros meios de aprender a se colocar no lugar do outro, de exercitar a alteridade, a compaixão, a solidariedade, o amor. Porém, nenhum deles é tão eficaz quanto sentir na própria pele, vivenciar o mesmo problema. 

Será por isso que Deus nos permite vivenciar tantas experiências? É apenas um professor amoroso, mas “exigente”? 

Seja como for, sempre vale a pena repensar, ter bastante sensibilidade, quando nosso olhar recair sobre os problemas de alguém. Só ele, somente ele, poderá dizer a intensidade de sua dor. Estejamos atentos! 

Alda M S Santos 

Amor 

Ele está em qualquer lugar

Para quem vê com os olhos da alma

Pode ser de qualquer cor

Desde que seja amor

Ele está dentro de nós

Está em nossas mãos

Com ele pode até doer

Mas sem ele não existe o viver…

Alda M S Santos

Setembro

O mês pode ser novo, nova estação a caminho…
Renovando as esperanças, criando expectativas
Mas a primavera é construída bem antes
Não surge de uma hora para a outra…
Para que possamos receber suas flores
Suas cores, perfume, brilho e beleza
Temos que tê-la cultivado desde o inverno
Aquele escuro e frio que nem todos apreciam
Mas de onde brotam as mais belas rosas
Os mais belos e fortes sentimentos…


Alda M S Santos

Maquiagem

Saudades

Fuga

Só por hoje

Só por hoje gostaria de sentir o amor Dele. Poder vê-Lo, falar com Ele, tocá-Lo, sentir Seu amor infinito. Só por hoje, queria sentar-me em Seu colo como criança que esfolou o joelho e chora, sentir Suas mãos em meus cabelos suavemente. Só por hoje, ouvir Sua voz calma e sábia dizendo que amor não é pra doer, que trabalho não é tudo, que família se desentende mesmo, que aquele exame não será nada, que os anos chegam para quem merece. Só por hoje, queria que Ele caminhasse ao meu lado, acertasse o passo comigo, me desviasse das trilhas sem saída, das pedras que machucam, pois tenho chorado a toa. Só por hoje, dar-me as mãos, olhar-me nos olhos e saber tudo que sinto, dizer-me que quem ama também erra, que os filhos são pro mundo, que a saudade deve ser doce. Só por hoje receber um abraço bem longo e apertado que afastasse tudo que dói ou machuca da mente e do coração.

Não que eu não saiba de tudo isso, mas é que sou frágil e preciso ser lembrada.

Se não for possível Ele vir pessoalmente, que me faça percebê-Lo, num bom dia sorridente de um colega, no beijo de “vá com Deus” dos meus pais, na palavra doce daquele amigo que insiste em ajudar, no abraço gratuito de uma criança, até nas brigas familiares, eu possa perceber Seu amor.

Que O veja naquele pedinte na rua, nas flores que desabrocham, no cachorro que me recebe feliz, na chuva fina que cai, no cobertor que me aquece, no sol que nasce todos os dias e me  permite recomeçar.

Se não for pedir muito, que eu possa dizer “só por hoje” todos os dias de minha vida.

Só por hoje.

Alda M S Santos

Guerreando

Nossa trilha sonora

 Nem sempre podemos escolher a trilha sonora de nossas vidas. Tantas vezes aparece cada ritmo que não nos cabe, ficamos duros, emburrados, insatisfeitos. A vontade é sentar num cantinho afastado e escuro e aguardar a festa acabar, ou simplesmente fugir. Outras queremos desligar a música, trocá-la, apelamos com o DJ. Mas esses são apenas atos rebeldes e paliativos. Não resolvem. Se não escolhemos a música, precisamos aprender a dançar. Quando dançamos a música que não nos agrada ela “toca” mais rápido. Talvez a próxima seja no nosso ritmo preferido. 

A boa notícia é que, apesar de não escolhermos o ritmo, podemos escolher nosso par, nossos parceiros, nossa equipe de dança. 

Poder selecionar quem vamos tirar para dançar cada ritmo, ou quem vai nos acompanhar em todos eles é primordial. Isso faz toda a diferença. Seja qual for o ritmo que se apresente, sintonizemos e dancemos.

Alda M S Santos

Maravilhosa diversidade

Basta um simples correr de olhos num grupo de pessoas: amigos, colegas de trabalho ou familiares para perceber o quanto podemos ser diversos em nossa humanidade. Alguém mais atento irá observar que há aqueles mais calados, que ficam nos cantos, silenciosos e, vez ou outra, esboçam um sorriso, aqueles que conversam, riem e brincam o tempo todo, os que preferem “provocar” os mais tímidos, os que falam alto, se exaltam, contam aventuras, os que adoram piadas, aqueles que sempre estão reclamando de algo. Há os que chegam receosos e, no máximo, dão um seco cumprimento. Em contraste, há aqueles que entram distribuindo sorrisos e abraços. Que parecem brilhar o tempo todo ofuscando os demais. Mas, um bom observador é capaz de ver o brilho existente em cada um. 

Ser assim ou assado não nos faz melhores ou piores que ninguém. Todos nós podemos ter ou expressar algumas dessas características em algum momento, mas nossa essência é formada por algumas delas que são imutáveis. O mais interessante é que, mesmo que a gente critique, acaba sendo atraído pelas pessoas diferentes de nós. Isso se dá pela complementariedade. Alguém exatamente igual a nós não nos acrescentaria quase nada. Uma pessoa tímida, retraída e que esconde suas emoções, precisa de alguém mais expansivo por perto, desde que não a force ou invada. Outra, mais alegre e extrovertida, necessita do “controle” e capacidade reflexiva dos mais retraídos, e por aí vai… A capacidade de superação que adquirimos em vários momentos são motivadas por pessoas diferentes de nós. 

Imaginemo-nos num grupo onde todos sejam iguais a nós! Como seria? Certa vez um amigo perguntou-me: “você acha que o mundo seria melhor ou pior se todos fossem iguais a você?”. Respondi que seria certamente pior, pois não haveria o que se encantar, o que aprender. Seríamos narcisos a nos observar num espelho. Ele surpreendeu-se. 

Em meio à natureza, onde tudo é verde, há verdes e verdes. Penso que Deus possibilita essa diversidade para que possamos apurar nosso olhar, aprender e ensinar e, assim, melhorarmos como seres humanos. Que possamos nos lembrar disso ao nos defrontarmos com aquele amigo tão diferente de nós, que nos irrita, assombra, afasta, atrai e encanta ao mesmo tempo. E viva a diversidade! 

Alda M S Santos

Carinho Que Cura

Nunca me canso de observar, admirar, me encantar e aprender com as crianças. Ninguém ensina aos outros melhor que elas. 

Se querem amor, carinho, atenção sabem pedir, sabem doar, sem limites, sem vergonhas, sem pudores! 

Nunca devemos negar ou recusar amor e carinho. A vida precisa, exige, cobra! Seja qual for o ser vivo!

Desde o ventre o bebê se acalma ao receber o contato carinhoso da mãe, a voz que acalenta, a música que tranquiliza. Ao nascermos, só o colo quente e aconchegante do adulto nos consola. 

Se temos dor, fome, frio, qualquer desconforto, nos acalmamos com um abraço.

E vamos crescendo assim. Pedindo, recebendo, doando carinho e amor. Tudo muito naturalmente. 

Em alguma parte do caminho vamos perdendo essa naturalidade, desaprendendo o que nascemos sabendo. Um abraço nos custa, um sorriso “arranca” pedaço, uma palavra doce perde-se no corre-corre diário, beijo só se for preliminar sexual. 

A verdade é que perdemos muito ao nos tornarmos adultos. Sabemos o quanto um ato de carinho nos faz bem, nos cura, nos fortalece e anima, porém, não somos mais crianças. O que os outros vão pensar, não é mesmo? 

Será apenas coincidência as crianças serem mais felizes que nós, que “sabemos tudo”? 

Há tempo ainda! Podemos começar! Já abraçou alguém hoje?

Alda M S Santos 

Dorme que passa

Sabe quando a gente quer algo, insiste, chora, pede, reza e, nada? Uns até brigam, chantageiam, causam confusões, deprimem. Lembro- me da infância, quando expressávamos alguma vontade mirabolante, para o olhar adulto, ou, simplesmente, uma vontade de brincar na rua e nossos pais diziam, “dorme que passa”. E não é que passava mesmo? Tudo era tão simples! Mesmo que tivéssemos ido dormir chorando, ao amanhecer nem lembrávamos mais.

Não sei se era a cama, a confiança, o carinho recebido. Talvez outros desejos tomassem a frente, ou os “problemas” e desejos fossem mais simples mesmo. Fato é que quase tudo se resolvia depois de uma noite de sono.

Mas a gente cresce. Os desejos e vontades tornam-se grandes também. Tentamos alcançá-los, refletimos, lutamos, buscamos ajuda, rezamos. Muitas vezes, conseguimos, substituímos ou desistimos. E ficamos bem.

O problema se dá quando a vontade insiste, o desejo de obter algo é forte. Pode ser qualquer coisa, material, profissional, pessoal, emocional, não importa. Muitas vezes, insignificante para o outro, mas fundamental para nós. Gostaríamos de ter à mão a eficácia da receita de nossos pais. Dormir e, ao acordar, tudo ter passado.

Tudo isso faz um pouco de sentido. O sono descansa o corpo, acalma a mente, apazigua a alma. Pode não resolver os problemas, tornar reais os sonhos ou realizar os desejos, mas nos torna mais aptos a nos encarar sem eles ou mais fortes para correr atrás do desejado.

Quando estivermos “down”, vamos dormir? Pode ser que passe!

Alda M S Santos

Inspiração

Sensações

Vida Intensa

É comum ouvirmos que devemos viver a vida intensamente, aproveitar cada segundo como se fosse o último, esgotar nossas possibilidades.

Dessa maneira, a vida intensa de muitos é alardeada por todos os cantos: revistas, canais de TV, jornais, filmes, propagandas, biografias, etc. As celebridades ditam a intensidade que muitos tentam acompanhar: trabalho, viagens, academias, boites, festas gigante, aventuras, amores, família. Com esses “modelos” surgem, obviamente, as frustrações. Há pessoas que vivem uma vida tão corrida, sequer conseguem refletir sobre o que estão fazendo. Dizem viver de modo “intenso.” Quase sempre estão no piloto automático, ou ponto “morto”, deixando-se levar.

Concordo que devemos viver a vida intensamente, extrair dela o melhor que ela puder nos oferecer. Contudo, o que se ignora é que a intensidade não é absoluta, mas relativa. Isso quer dizer que quando dou 100% de mim, dou o meu máximo. E isso independe se não chega perto dos 100% do outro. Não quer dizer que minha vida é menos intensa que a dele. Posso ser intensa mergulhando em alto-mar ou tomando um banho de ducha, escalando o Everest ou caminhando no parque, viajando num foguete no espaço sideral ou nas páginas de um livro deitada na rede da varanda, jantando caviar e tomando vinho num restaurante da moda ou comendo pizza e tomando açaí na lanchonete da esquina, fazendo amor numa suíte presidencial ou na relva sob o luar.

O que vai ditar a intensidade de nossa vida é o quanto de nós, corpo, emoção, coração, alma, colocarmos no que estivermos fazendo. E isso, só nós podemos determinar.

Saberemos que estamos vivendo intensamente quando a nossa vida nos bastar. Sempre teremos algo a buscar, a desejar, a conquistar, a alcançar. Isso é inerente à vida. Mas seremos intensos, quando nossa vida for interessante o bastante para sabermos apreciar a vida do outro, sem contudo espicharmos os olhos cobiçosos sobre ela.

Enfim, não podemos determinar a duração de nossas vidas. Não sabemos quando pode vir a ser interrompida. O que podemos é colocar toda nossa intensidade em tudo que fizermos, com 18 ou 80 anos. Sobre isso ainda temos controle. Aproveitemos!

Alda M S Santos

Independência ou Morte???

Há exatos 194 anos D. Pedro I deu o famoso grito de Independência ou Morte, às margens do rio Ipiranga, libertando o Brasil do jugo de Portugal. Sabemos bem que tal independência foi apenas para alguns segmentos abastados da população da época, e que até hoje somos dependentes política, econômica e financeiramente de nações mais desenvolvidas.

Isso apenas nos mostra que ser independente não é tarefa tão simples. Não basta um brado de independência ou morte. Somos nações e indivíduos interligados em vários setores.

Ser independente é ter liberdade de escolha, onde quer estar, com quem quer estar, o que fazer, onde fazer? Poder dizer sim ou não, prestando contas apenas à nossa consciência? Seria.

Porém, viver em família, em sociedade exige de nós tal satisfação e dependência. Nunca estaremos independentes das opiniões e desejos alheios. Mesmo que nos tornemos ermitões, vivendo isolados numa montanha gelada, ainda seremos dependentes das condições climáticas para termos alimento, aquecimento, etc.

Com o tempo, nos libertamos um pouco das opiniões alheias, preocupamo-nos mais com nossa consciência, mas daí a sonhar com “liberdade” total é associá-la à solidão. Sempre seremos dependentes daqueles que amamos. Enquanto nosso coração for morada do outro ou habitarmos em corações alheios, seremos dependentes.

Nesse 7 de setembro, em verde e amarelo, azul, rosa ou vermelho, qual o brado que nos caberia? Qual o brado do nosso coração? Esse é nosso grito de “independência”!

Alda M S Santos

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