AH, QUE SAUDADES…
Tenho saudades das muitas de mim
Daquelas que foram ficando pelo caminho
Sufocas ou desnutridas pelas circunstâncias
Perdidas na escuridão das trilhas
Tenho saudades das muitas de mim
Daquelas de confiança cega e sorriso fácil
De entrega apaixonada e sem grandes expectativas
Tenho saudades das muitas de mim
Daquelas de brilho no olhar, coragem e romantismo
Muita energia e boa vontade, até uma certa ingenuidade
Tenho saudades das muitas de mim
Da audaciosa, da atrevida, da sapeca, da nerdzinha
Até da medrosa, chorona ou impaciente
Tenho saudades das muitas de mim
Que foram ficando pelo caminho
Que não me acompanharam até aqui
Que se ofuscaram pelo brilho falso de outras pedras
Que foram se apagando nas gotas das mágoas e decepções
Minguando, minguando até desaparecer…
Tenho saudades das muitas de mim
Mas logo percebo que “elas” todas não se foram
Apenas deram lugar a outra
Foram usadas como ingredientes essenciais
Diluídas na massa de uma grande forma para moldar o que sou hoje…
Quando as saudades de mim atingem forte
Percebo que basta ir para um cantinho
Garimpar bem, com calma e paciência
Que encontrarei meu tesouro: as muitas de mim
Aquelas sem as quais eu não existiria
E fazer as pazes com elas
Fazer as pazes comigo…
Alda M S Santos
dezembro 12, 2018 at 6:51 am
texto emblemático: a saudade de nós mesmos à medida em que o tempo vai passando. e ao mesmo tempo, sem essa saudade jamais seríamos o que somos. brilhante, Alda. abraços de feliz dia.
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dezembro 12, 2018 at 6:53 am
Sim! Dolorosa, ora satisfatória, nostálgica. Necessária para ser o que somos… obrigada, amigo! Para vc Tbm!
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janeiro 15, 2019 at 4:29 am
Sinto o mesmo quando olho para mim hoje e para mim ao longo do meu percurso de vida… Tenho saudades… às vezes dou comigo a dizer a mim mesmo: “como mudaste!”
– Gostei, como sempre das suas crónicas ! Abraço e bom ano 2019
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janeiro 15, 2019 at 7:53 am
Muitk obrigada! Igualmente! 🙏🏼
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