NOSSOS FRACASSOS
Eram dois, um preto grande e um amarelado, brigando feio.
Latidas e mordidas se intercalavam na disputa pela cachorrinha marrom que olhava assustada.
Uma mordida, um ganido, e o cão amarelo foge, orelhas baixas.
O preto segue atrás da cadelinha pequenina que foi protegida, vitorioso.
Logo à frente o perdedor já está atrás de outros cães e cadelas, recuperado.
E, provavelmente, envolvendo-se em outras brigas similares, com vitórias ou derrotas…
Aceitássemos assim tão bem e rapidamente as perdas, os fracassos, nossa vida teria menos problemas e complicações emocionais,
Sem ficar remoendo, amargando, acalentando fracassos e dores.
Tudo bem, somos racionais, refletir sobre nossas ações faz parte de nossa essência humana
Sofrer, chorar, nos revoltar com perdas, idem
Até mesmo para evitar fracassar sempre no mesmo ponto, machucando a nós mesmos e aos outros.
Porém, não podemos ficar estacionados lamentando derrotas.
Precisamos passar logo pelas fases de negação, acusação dos outros, de nós mesmos, desejo de vingança, de autopiedade, vitimização, raiva
Até chegar, finalmente, à superação e ao aprendizado
Mais fortes, talvez menos crédulos, mais vividos
Mais perto de Deus…
Alda M S Santos
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