RACHADURAS
Somos feitos de gretas, falhas, rachaduras, frestas
Pelas gretas é que entram os amores, desavisadamente
Num momento de distração ou fragilidade, tomam posse
E são a liga que une o que há de melhor em nós ao outro
Mantendo-nos estáveis, mesmo sob constantes balanços
Pelas rachaduras é que saem as decepções, amarguradamente
Quando estão nos sufocando buscam ar, aos goles, aos borbotões
E deixam extravasar os excessos, permitindo novo respirar, sobrevivência
Pelas frestas podemos antecipar maremotos e nos preparar
Essas falhas em nossa rocha permitem a água passar sem grandes danos
Tapar nossas gretas e rachaduras não é muito sábio
Uma estrutura sem gretas, sem rachaduras, sem frestas, sem “falhas”
Que permitam que nosso prédio interno se ajeite, se estabilize, se reorganize, dilate
Nos balanços das grandes tempestades
Pode ruir, implodir, explodir, desmoronar…
Alda M S Santos
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