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Checkin

CHECKIN

Hora de voltar, fazer o checkin de vida, prosseguir

Conferir dados, documentos, bagagens a despachar

Facilitar acesso a itens importantes na bagagem de mão

Aqueles dos quais podemos precisar a qualquer momento.

Que colocaríamos em nossa bagagem de vida,

Se tudo que pudéssemos ter acesso se limitasse a uma mala de 23 kg,

E nada mais pudesse ser levado?

Deixaríamos muito para trás?

Que temos carregado de supérfluo a pesar em nossas costas?

Que temos carregado que não é nosso de verdade?

O quanto de importante temos deixado pelo caminho?

Temos feito bem nosso checkin de vida?

Alda M S Santos

Salva-vidas

SALVA-VIDAS

Uma placa, uns dizeres, uma boia dependurada, uma esperança: Salva-vidas!

Salva vidas? Qualquer uma?

Um grande e maravilhoso mar à frente

Alguns banhistas aventureiros, outros sem noção, sempre em perigo

Quantos “bombeiros” seriam necessários para salvar outras vidas, a seco?

Quais as boias e acessórios seriam usados?

Quantas vezes lançamos boias sem saber?

E, lamentavelmente, quantas vezes fomos a mão que faltou,

Ou até mesmo a que “empurrou” pra baixo uma vida já à beira do abismo?

Quantas vezes não aceitamos a mão que se ofereceu,

E não salvamos nossas próprias vidas?

Vida é muito preciosa para ser jogada fora: a nossa, as dos outros…

LEMA: Nunca esquecer os bombeiros que nos salvaram, ainda que uma única vez,

Pois uma única vez é o bastante para liquidar uma vida,

E vez ou outra tornamos a precisar deles…

Alda M S Santos

Queria apenas saber

QUERIA APENAS SABER

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele pelo qual produzimos mais lágrimas

Ou o que mantém vivos nossos sorrisos?

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele que sente necessidade de proximidade

Ou o que nos preenche mesmo de longe?

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele cuja ausência nos causa a “morte”

Ou aquele cuja simples existência é vida?

Queria apenas saber…

Alda M S Santos

Um ponto de paz

UM PONTO DE PAZ

Entre tantos altos e baixos dessa vida

O segredo é manter a estabilidade

Em cima, para não cair rápido demais

Embaixo, para gerar forças para nova subida…

Mas bom mesmo seria encontrar um ponto no meio desse caminho

Sem grandes euforias, sem grandes baques!

Simplesmente, um ponto de paz…

Alda M S Santos

Voos perigosos

VOOS PERIGOSOS

De um galho para o outro, do galho para o chão

Pequenino, desconhece os perigos, se arrisca, se expõe

Volta para o mesmo galho baixo, cochila,

Encantado com o mundo grande fora do ninho.

Quase consigo pegá-lo!

Os canarinhos adultos ficam do alto, de longe…

Vez ou outra tentam protegê-lo, arriscando-se também,

Ensinando os melhores caminhos…

Aprenderam a se proteger, se preservar, ficar de longe,

Mas o instinto protetor impera, descem,

E o pequenino insiste onde há perigo!

Quando irá aprender?

Tal pássaros, tal gente!

Alda M S Santos

Podar ou arrancar?

PODAR OU ARRANCAR?

Eu podava umas plantas na cerca e um garotinho do sítio vizinho apareceu

“Por que você está cortando as flores todas”?

“Não! Estou cortando os matos e podando as flores”- respondi!

“Mas mato também é da natureza”!

“Sim, mas matos sufocam as flores que precisam ser podadas para crescerem mais bonitas e fortes”!

“Mas você está cortando as flores, elas são bonitas ”-ele acusou!

Expliquei o que era podar, e pus-me a pensar na nossa conversa.

Em nossa natureza humana, somos feitos de matos e flores.

Nossa tendência é sempre arrancar nossos matos: os sentimentos negativos.

As flores, lindas e perfumadas, nossos sentimentos nobres, queremos deixar livres!

Todo cuidado é necessário para não cultivar matos e arrancar flores.

Mas, mesmo sentimentos bonitos precisam ser educados, podados, contidos.

Como as rosas, por exemplo, mesmo que a gente se machuque ao podá-las, é preciso!

Se deixados livres demais, tomam conta de tudo e sufocam a gente.

Até mesmo o amor em excesso pode nos sufocar!

Alda M S Santos

Duas imagens

DUAS IMAGENS

No porta-retratos a imagem era de uma mulher madura

Meio corpo para fora da piscina, sorridente, feliz

Exalava energia e saúde

Contrastando com aquela senhora que estava numa cama hospitalar

Pálida, envelhecida, enfraquecida, doente

Sondas e apetrechos médicos variados ligados a seu corpo

Cochilava, boca aberta, muito magrinha

Fiz um carinho em seus cabelos, em seu rosto, dei-lhe um beijo

Ela abriu os olhos e me encarou

Desejei um Ano Novo de alegrias, saúde e paz

Entreguei umas lembrancinhas, li um cartão

Sorriu para mim com os olhos em agradecimento

Tornou a fechá-los…

A vida se esvaía ali naquele lar de idosos

Que passava em sua mente?

Arrependimentos, decepções, mágoas,

Ou alegrias, amores vividos, saudades?

Visitava mentalmente lugares queridos?

A foto era como queriam se lembrar dela

Alegre, jovial, saudável…

Mas o choque era grande para quem não a conheceu antes!

Associar as duas imagens era desconcertante

A sensação que fica é de que a vida é fluida

E quase sempre termina de um modo bem triste…

Precisamos valorizar a saúde que temos

A vida que há em cada um de nós,

Antes do fim…

Alda M S Santos

Universo paralelo

UNIVERSO PARALELO

Na balança da vida oscilei bastante

Sempre em busca do equilíbrio, do ponto neutro

Sorri muito, chorei bastante

Fui necessária a alguns

Precisei de tantos outros

Sem intenção, atraí ou afastei pessoas, situações

Trabalhei, me doei, mergulhei de cabeça

Acertei, errei, me decepcionei

Acreditei estar num universo paralelo

Vivendo num mundo do qual não faço parte

Fiquei perdida, um navio encalhado, à deriva

Caí, machuquei, levantei,

Sempre em busca do equilíbrio, da paz interior

Olho longe, olho para dentro de mim mesma

Busco conexões, elos perdidos

Encontro amigos, família, Deus…

Apenas um pedido:

Que no próximo ano vocês todos estejam comigo

E eu com vocês!

Feliz 2018!

Alda M S Santos

A riqueza da simplicidade

A RIQUEZA DA SIMPLICIDADE

Uma casinha simples, uma terra fértil

Flores coloridas e perfumadas, gramado,

Árvores nativas ou pequeno pomar,

Uma gangorra na mangueira,

Uma porteira entreaberta e convidativa

A vista alcança longe…

Aromas de fogão a lenha e café recém-coado

Pássaros cantando, macacos gritando, galinhas cacarejando

Ora sol forte, ora chuva refrescante

Cai no telhado, cai lá fora, inebria

Sempre leva à nostalgia, à saudade de tempos idos

Espetáculo da natureza, sempre agradecida

Uma rede na varanda, um livro,

E eu…aprendendo a viver…

Alda M S Santos

Moradas

MORADAS

Posso querer viajar o mundo inteiro

Encontrar várias pousadas

Instalar-me em palácios ou palacetes

Cabanas ou choupanas

No alto da montanha ou no pé da serra

Sozinha ou acompanhada

Mas a melhor morada

Onde preciso me encaixar perfeitamente

É dentro de mim mesma…

Sem espaços vazios, sem sobras, sem apertos

Só assim caberei em qualquer lugar,

Serei capaz de dar pouso para outro alguém

E ser feliz…

Alda M S Santos

Há esperança na humanidade

HÁ ESPERANÇA NA HUMANIDADE

Um mendigo disfarçado de cuidador de veículos

Sujo, descalço, dormindo nos passeios a qualquer hora

Vive do que recebe da caridade dos que transitam por ali

Abandonado, largado, entregue ao mundo?

Mas é um ser humano!

Alcoolizado sempre, não sei se outros entorpecentes também

Sempre me compadeço de sua situação

Vejo-o todos os dias na rua da academia

Já perguntei uma vez se precisava de ajuda quando estava largado na calçada

Hoje vi uma mulher dando banho nele no meio da rua

Jogava água contida em algumas garrafas pet, ensaboava, esfregava

Ele aceitava a ajuda a contragosto, alcoolizado.

Um misto de sentimentos me invadiu

Feliz por alguém ter ajudado, uma mulher se arriscando

Triste por um ser humano precisar desse tipo de ajuda de desconhecidos

Envergonhada por eu mesma não ter tido essa coragem, essa iniciativa!

Orgulhosa dessa mulher que conheço e deu um exemplo de bondade…

O amor precisa ser convertido em ações!

Há esperança na humanidade!

Alda M S Santos

Como um beija-flor

COMO UM BEIJA-FLOR

Entre muitas cores e sons

Tons, nuances, texturas …

O olhar transita entre o próximo

O distante e o longínquo

Ora apenas fixa longe sem nada ver

Ora quer trazer para dentro de si as belezas distantes,

Acalentá-las num cantinho qualquer de nossa alma,

Somos assim…incertos…

Como um beija-flor que suga sem cessar

Precisamos parar, descansar, observar calmamente a grandeza à nossa volta,

Absorver tudo de bom que pudermos conseguir…

Abastecer-nos de riquezas,  estocar para as horas de carestia,

Corpo, mente, alma, coração…

Sabedoria da natureza: tudo aproveitar, nada desperdiçar,

Como um beija-flor…

Alda M S Santos

Aquieta meu coração

AQUIETA MEU CORAÇÃO

Quero um coração em paz, confiante

Em harmonia com a vida do entorno

Em equilíbrio com a vida de dentro

Trocas do bem, curas do mal

Olhos que saibam ver além da superfície

Corações que se amem independente da distância

Pés que saibam de cor o caminho

Mãos que se deem, se doem, que se autovalorizem

Quero uma alma que sintonize com outras almas

E que ali se aquiete, se acalme, se encontre…

Alda M S Santos

Quanto dura uma promessa?

QUANTO DURA UMA PROMESSA?

Preciso cuidar da saúde, fazer uma atividade física

Ano que vem vou trabalhar menos e me divertir mais

Vou me dedicar àquela atividade que amo: escrever

Ou viajar, ler, fazer trabalho voluntário, estudar

Vou fumar ou beber menos,

Não ficarei tanto tempo sem visitar aqueles que amo

Confiarei menos nas pessoas para evitar decepções

De hoje em diante só vou gostar de quem gosta de mim…

Quanto duram as promessas que fazemos

Aos outros, a nós mesmos?

Os dias passam, novo ano começa

E quase tudo permanece como antes…

Continuamos sedentários, crédulos, trabalhando muito,

Divertindo pouco, nos decepcionando

Amando aqueles que, muitas vezes, não se importam mais conosco…

Certo é que algumas coisas precisam ser mudadas em nossas vidas

Mas fundamental mesmo é estar bem conosco, nos admirar, nos amar

Não carregar culpas e frustrações!

Violentar a nós mesmos é um mal difícil de conviver!

No mais, seguir nosso caminho até a linha final

Pois, querendo ou não, nós encontramos nosso destino

Até mesmo no caminho que tomamos para fugir dele…

Alda M S Santos

Perdão

PERDÃO

Perdoar não é tarefa fácil! Não mesmo!

Dependendo de quem causou a mágoa, o mal

Mais difícil se torna!

Mas não existe perdão mais difícil

Que o perdão a si mesmo…

Tanto que nas pessoas depressivas

Com dependências químicas diversas

Ou com problemas de saúde mental

Há várias culpas não resolvidas

E o sofrimento é autoinfligido

O mal causado aos outros, a si mesmo

Torna-se árduo e pesado demais para carregar

Perdoa-se aos outros com o tempo

Mas o que quase sempre fica para trás

É o auto-perdão

E esse é um peso que impossibilita a caminhada, que trava,

Para perdoar ou se perdoar é preciso humildade

Reconhecer-se humano e falho

E capaz de refazer, recomeçar, aprender com os erros, seguir outro caminho

O Grande Mestre perdoou a todos nós, sempre misericordioso

Só nos faria bem se aprendêssemos

Um pouquinho desse amor, dessa misericórdia

E o dividíssemos com os outros,

Começando por nós mesmos…

Alda M S Santos

No pódio, o amor

NO PÓDIO, O AMOR

E esse ano o prêmio máximo novamente é dele

O amor expresso em palavras e ações

Ou até mesmo aquele existente no silêncio

O amor que se permitiu viver, partilhar

Ou até mesmo aquele que se acovardou

O amor solidário, que se multiplicou, que estendeu a mão

Ou até mesmo aquele que ficou na vontade

O amor que foi correspondido, dividido,

Ou até mesmo aquele que sobreviveu sozinho

O amor que produziu sorrisos, frutos, que se doou

Ou até mesmo o que deixou lágrimas e saudades

O amor que abdicou de si mesmo para proteger o outro

Ou até mesmo aquele que não soube se cuidar

O amor que lutou, que soube esperar e até se afastar

O amor que foi filho, pai, o amor que foi amigo,

Ou até mesmo aquele que nada pareceu ser além de dor…

No pódio: o amor

Porque amor é soberano, simplesmente por ser amor

O menor dos amores, ainda semente, engatinhando, é maior

Que qualquer outro sentimento árvore frondosa

Pois, se cuidado, enraíza-se e atinge alturas inimagináveis…

No pódio: o amor!

Alda M S Santos

Em casa

EM CASA

Verdadeiro fascínio, admiração, encanto pelas árvores

Preciso delas para viver

E não me refiro a oxigênio ou alimentação

Tenho necessidade emocional

Posso ficar horas sob algumas

Apenas a observar os detalhes, o movimento

E não há nenhuma que não me desperte o desejo

De subir, escalar seus galhos e troncos

Se um dia eu me perder,

Física ou emocionalmente de mim mesma,

Que seja entre árvores frondosas,

De alguma forma estarei em casa…

Alda M S Santos

Os meus, os seus, os nossos erros

OS MEUS, OS SEUS, OS NOSSOS ERROS

Erros sempre serão erros

Ainda que venham disfarçados de acertos

Mesmo que a gente, não muito sabiamente, insista neles

Que tente justificá-los para nós mesmos, para os outros

Eles não costumam ser muito diferentes

Mudam casa, nome, endereço, mas os erros são similares

Quando não mais resistem de pé e desmoronam

Os danos causados costumam ser grandes, dolorosos…

Isso quando não vão além de nós mesmos

E desmoronam outras vidas!

Aí tudo anoitece em nós!

Pior é ver quem a gente ama cometê-los

Saber com certeza que estão errados

E não conseguir impedi-los!

Isso porque temos mais facilidade de identificá-los nos outros que em nós mesmos.

Alguns erros têm como ser corrigidos, outros não,

Mas uma coisa importante todos os erros têm em comum

Os meus, os seus, os nossos erros

Eles ensinam!

Com amor ou com dor!

E cada qual tem o “direito” de cometer o seu

Até de, não muito inteligentemente, repeti-los!

Alda M S Santos

Bela panorâmica

BELA PANORÂMICA

Vista abrangente, vista definitiva, vista bela e encantadora

Olhar distante, até onde a vista alcança

Capacidade relaxante e revigorante

Uma vista panorâmica nos permite ver a beleza distante e nos abstrair dos problemas

Ou focar em pequenas partes sem perder a visão geral

E do quanto somos apenas parte de um todo,

Do quanto somos interligados, mas apenas um

Nesse maravilhoso multiverso!

Alda M S Santos

E a vida segue…

E A VIDA SEGUE…

Dia: sol, luz, insegurança, amor, coragem, expectativas,

Vida que segue…na leveza ou peso do que somos

Noite: escuridão, medos, perseguições, ameaças, desconfianças, acusações…

Morte que tudo interrompe…na leveza ou peso do que carregamos

Sonhos e pesadelos…

Tudo cinzento e cruel!

Alegrias que fortalecem

No brilho do amor e amizade

Lágrimas que lavam a alma

Força que renasce da coragem e fé

E a vida segue…

Na linha tênue que a separa da morte!

Alda M S Santos

Pontos, laços e nós

PONTOS, LAÇOS E NÓS

Entre tantos esforços para se entender

Antever, planejar o futuro ou sofrer por ele

Ficamos perdidos no presente que é onde tudo acontece

Numa simples voltinha ao passado fazemos conexões

Só permitidas e compreendidas pós-vivido

Pontos são ligados, laços refeitos, nós desfeitos

E a trama do presente torna-se mais bonita

Consequentemente, a do futuro deixa de importar tanto

Aprendemos a ir desfazendo ou evitando novos nós…

Nosso viver é um constante ir e vir, retornar e prosseguir

Na vida não há estacionamentos, apenas vias de tráfego

E a velocidade, o veículo e a via somos nós que escolhemos

Mesmo quando parecemos estar apenas estacionados.

Conhecemos a via que deixamos para trás, a que transitamos

Mas o que tem lá na frente, nem teria graça se soubéssemos,

Pois a única certeza é que ela chega ao fim!

Alda M S Santos

Aprendendo a viver

APRENDENDO A VIVER

Quantas vezes é preciso cair para aprender a ficar de pé?

Quantas vezes precisamos passar pelo escuro para valorizar a luz?

Quantas vezes passaremos pela mesma pedra no caminho até aprender a dela desviar?

Quantas vezes cometeremos o mesmo erro até evitá-lo?

O cachorro chega devagar o focinho num canto onde foi sapecado por lagarta e se afasta veloz

Um bebê olha ressabiado para a tomada em que levou um choque

Quantas vezes precisamos passar por algo para entender?

Deus disse que deve-se perdoar 70 vezes 7

Supõe-se que se erre o mesmo tanto

Mas não precisa ser necessariamente o mesmo erro!

Isso se chama autoproteção, maturidade, experiência!

Nem é preciso muita racionalidade ou inteligência, apenas instinto, medo!

E assim a vida segue…

Deus tirando as pedras, a gente sendo atraído por elas

Entre erros, acertos, cuidado e proteção

Da gente mesmo, dos outros…

Vamos aprendendo a viver!

Alda M S Santos

Neblina

NEBLINA

Neblina: parece que o mundo sinaliza para a introspecção

Lá fora está tudo fechado e escuro

“Volte para dentro de si, encontre-se”!

“A luz que precisa acende-se primeiro em você”!

Olhamos lá fora, tentamos identificar algo

Mas nada tem nitidez, tudo é sombra

As flores gostam, abrem-se viçosas para o dia

Os passarinhos não se importam

Cantam, felizes! Têm luz própria!

Alguns de nós voltam para dentro e se encasulam

Outros, descem as escadas e enfrentam a neblina

“Neblina na serra, chuva na terra”

“Neblina baixa, sol que racha”

Independente da hora que for, sol ou chuva

A vida não espera por ninguém…

Alda M S Santos

Somos uma fraude?

SOMOS UMA FRAUDE?

Quantas vezes nos decepcionamos nessa vida

Com os outros, conosco mesmos?

Aquelas vezes em que a realidade é cruel

Diante do que esperamos dos outros ou de nós…

Quando esperamos coragem e nos acovardamos,

Quando esperamos audácia e fraquejamos,

Quando esperamos alegria e entristecemos,

Quando esperamos parceria e não encontramos,

Quando esperamos força e sucumbimos,

Quando queremos colo e ele nos falta,

Quando esperamos fé e a montanha não se move…

Somos uma fraude? Para os outros, para nós mesmos?

Talvez sejamos como crianças grandes emburradas porque perderam o doce…

Ou somos apenas seres humanos errantes e temerários

Em busca de aprendizado, evolução e amor?

Somos uma fraude quando mais precisam de nós?

Somos uma fraude quando mais precisamos de nós?

Alda M S Santos

Rituais de passagem

RITUAIS DE PASSAGEM

Andar, falar, nos expressar além do choro

Nossos primeiros rituais de passagem

Da primeira para a segunda infância

Ler, escrever, descobrir o mundo alfabetizado

Outro importante ritual de passagem

Descobrir o sexo oposto, nos apaixonar

Sofrer, achar que o mundo despencou

Também é outro ritual que nos leva para a vida adulta

Uma vocação, uma profissão, o trabalho

Amar, se envolver, casar, ter filhos

Não necessariamente nessa ordem, dirão alguns,

Mas vários são os rituais de passagem nessa vida…

Qual é o ritual que nos leva para a velhice?

Aquele ao qual se chega e pensa: “é, mudei de fase”!

“Atravessei uma ponte que não tem mais volta”

Será que existe essa ponte, essa travessia?

Será tão importante identificá-la? Atravessá-la?

A vida é uma continuidade, sempre algo ficará para trás

Mas enquanto houver sonhos, a vida continuará

Não há esse e o outro lado!

Independente de atravessarmos ou não essa ponte imaginária

O caminho continua…com aquilo e aqueles que levarmos conosco

E somos nós que o tornaremos belo, ou não!

Alda M S Santos

Desfocada

DESFOCADA

Como você me vê?

De perto ou de longe, como enxergar?

Se corrijo a visão de longe, embaço a de perto

Se corrijo a de perto, desfoco a de longe

A vida já é bastante difícil de entender

Para se ter visão monofocal

Se foco muito em mim, corro o risco de não ver os outros

Se foco muito nos outros embaço a visão de mim mesma

Quero uma visão multifocal!

Quero equilíbrio!

Preciso enxergar o mundo!

Preciso me enxergar!

Como você me vê?

Alda M S Santos

Em letra cursiva

EM LETRA CURSIVA

A vida é tecida em letras cursivas

Sobe, gira, desce, desce mais, faz uma volta

Um laço, um nó, curvas, círculos, segue em frente

Volta, faz um corte aqui, coloca uns pingos acolá

As letras são as mesmas, mas a escolha delas difere

E o modo de traçá-las também.

Infinitas palavras, frases, textos e histórias

Vão sendo compostos com a nossa marca

As nossas digitais, a nossa caligrafia original

Algumas letras são mais caprichadas

Outras até mesmo ilegíveis, até para quem escreve

Uns textos são mais longos, histórias mais complexas

Uns bem simples e fáceis de ler…

O importante é que isso é tarefa intransferível

Nós selecionamos, nós compomos, nós vivemos,

Ainda que o único leitor sejamos nós mesmos…

Alda M S Santos

Constelação

CONSTELAÇÃO

Tudo ainda parecia muito real dentro dela

Deitada na rede lá fora, encolhida, rosto banhado em lágrimas

Rezava, tomava um copo d’água e tentava afastar aquilo da mente

Pesadelos não são reais, repetia para si mesma sem parar

São apenas sua mente tentando trabalhar o que te faz mal, insistia ela

Na tentativa de neutralizar aquela imagem ruim.

Sabia que precisaria de tempo para voltar à realidade

Entender que pessoas que a amavam não seriam capazes daquilo.

Tentava identificar as constelações no céu

Eram tantas e tantas estrelas…

E como quando criança, queria acreditar que uma delas, apenas uma

Era alguém querido que lá de cima olhava por ela

E a protegia de todo mal.

Aos poucos ia se acalmando, despedia daquela estrela

Que de repente parecia brilhar mais que todas,

E voltava para dentro para dormir…

Alda M S Santos

Por aí, noutra dimensão…

POR AÍ, NOUTRA DIMENSÃO…
Estava deitada, dormindo suavemente, corpo meio descoberto.
Ele a tocou de leve, fez um carinho no rosto, uma brisa suave na pele.
Ela acordou, ele a olhou nos olhos, deu a ela uma mão: “venha”!
E ela foi com aquele ser que parecia conhecer a vida toda…
Estavam no alto, quando ela olhou para além dele, estavam flutuando, acima de qualquer mal.
Sentaram-se numa nuvem, ela olhou para baixo e chorou tudo que queria.
“Vai derreter minha nuvem de algodão! Não chore”!
Mostrou a ela lá de cima os caminhos de tanta gente!
Tudo parecia fácil, simples, e as pessoas escolhiam o caminho mais difícil.
“Merecemos qualquer coisa que nos aconteça, visto que temos escolhas!”- ela disse, chorando ainda mais.
“Não quer dizer que acerte sempre, todos estão aprendendo lá embaixo”!
“Eu morri, é isso?”
“Só se você quiser ficar aqui. Você tem escolha.”!
Ela olhou para seu caminho lá embaixo, tão nítido e simples dali…
Sentiu a presença daquela pessoa amada ali nas nuvens, tão protegida, sem qualquer dor!
Ele a observava com amor e esperava…
Ela viu de novo seu caminho, com dores, tristezas, amores e alegrias,
E tanta gente que esperava por ela, contava com ela, sofreria com sua ausência…
Ele percebeu tudo, olhava-a com muito amor e olhos rasos d’água.
Deu-lhe um beijo no rosto, um abraço como nunca havia sentido!
E voaram mais um bom tempo, juntinhos.
Sentiu um beijo delicado na testa e um “até breve”.
E acordou, estava descoberta e com o rosto banhado em lágrimas.
Mas leve e feliz, tinha estado noutra dimensão,
Onde a dor não tinha qualquer poder…
E sempre seria uma possibilidade!
Alda M S Santos

O que nos redime?

O QUE NOS REDIME?

Se o amor não justifica tudo

A ausência dele, tampouco

Se existe nesse mundo ou no outro

Algo capaz de nos redimir

São os atos realizados por amor,

Com amor, para o amor

Em nome do amor…

Não amar, por si só, já é pecado!

Alda M S Santos

Free day

FREE DAY

E se pudéssemos reviver um dia das nossas vidas

Exatamente como foi. Apenas um. Saberíamos escolher?

E se pudéssemos, ao contrário, apagar totalmente

Um dia de nossas vidas. Seria difícil?

E se pudéssemos rever ou reencontrar alguém

Que partiu de nossas vidas, por morte ou descuido

Bater um longo papo, deixar as lágrimas rolarem

Ou simplesmente abraçar longamente?

Entre quantas pessoas teríamos que escolher?

E se pudéssemos ter um dia livre, um free day

Em que fosse possível fazer tudo que desse vontade

Sem que ninguém fosse magoado, culpado ou punido

O que faríamos? Um dia seria o suficiente?

E se pudéssemos?

Nosso mundo seria um paraíso ou uma barbárie?

Nossas vidas são feitas de momentos que se vão…

Alda M S Santos

Vida e Morte

VIDA E MORTE

Nascer e morrer, morrer e nascer

Extremos de uma mesma história,

Ou parceiros nessa caminhada?

Partes comuns de uma mesma vida,

Ou pontos antagônicos?

Por que temos tanta dificuldade em lidar com a morte?

Ela está perto de nós todo o tempo

Quase tanto quanto a vida!

A vemos na natureza: plantas e bichos, água, ar, fogo, terra

E vezes demais entre os humanos também: renovação

A diferença é que morte entre plantas e bichos quase sempre vemos como “natural”.

Aceitar a ideia da morte não significa, necessariamente, desvalorizar a vida!

Acostumar com a morte pode nos fazer ter uma vida plena

Da qual sabemos que terá fim a qualquer momento,

Independente de nossas vontades ou desejos.

O que não é natural é desejá-la mais que a vida.

A morte não deveria nos meter mais medo

Mas a vida nos meter mais coragem!

Alda M S Santos

Sonho que sonhei

SONHO QUE SONHEI

Um sonho dos mais antigos: ser bailarina!

Desde pequerrucha sonhava com tudo que envolvia a dança

Particularmente o balé.

As músicas, o figurino, a leveza das bailarinas

Sempre foram um mundo mágico e encantado para mim.

Sonho não realizado, mas a fantasia permanece…

Vez ou outra ainda faço de conta que sou bailarina

Acho que teria tentado “realizar” esse sonho numa filha,

Se tivesse tido uma, ao invés de filhos.

Mas o gosto pela dança é constante, pulsante.

Desde então, muitos outros sonhos vieram,

Aqueles que dependem de nós, dos outros, das circunstâncias

Uns realizados, alguns em partes, outros não.

Mas a fantasia não pode morrer

Ela que dá sentido ao viver.

Uma vida repleta de sonhos pelos quais lutar

É sempre uma vida rica!

Alda M S Santos

Nas voltas que o mundo dá

NAS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

Dizem que quando começamos a reviver certas coisas

A reencontrar pessoas que ficaram para trás

A relembrar tanta coisa do passado

A resgatar sentimentos e emoções

A ser menos cerimonioso, mais piedoso, menos juízes,

Nossas vidas já deram uma volta completa

E estamos recomeçando, dando a segunda volta, obtendo uma revanche.

Bom seria se pudéssemos ir passando a limpo

Um novo caderno, reescrevendo, desenhando,

Melhorando o que não ficou bonito, borrado pelas lágrimas ou erros,

Dando cor ao que foi maravilhoso, desbotando o que fez mal,

Resgatando o que se perdeu e fez tanta falta!

Nas voltas da vida eu teria muito a resgatar,

A querer reviver, colorir,

Quase nada a apagar…

Bom sinal?

Alda M S Santos

Um tempo para nós

UM TEMPO PARA NÓS

Todos precisamos de nossa individualidade,

Um tempo para nós,

Para mergulharmos no silêncio de nós mesmos

Avaliarmos atitudes, sentimentos, posicionamentos,

Fazermos nossas reflexões, questionamentos, redirecionamentos.

Tempo este quase sempre confundido com solidão!

Desses momentos de liberdade conosco

É que surgem as mais preciosas decisões.

Tantas vezes somos companhia para todo mundo

Exceto para nós mesmos!

Quase sempre a mão que nos salva

O coração que nos ampara

A alma que nos acolhe, mesmo sofrida

Vem de dentro de nós mesmos,

De uma nova reorganização.

Nunca devemos recusar ajuda

A começar pela nossa própria!

Alda M S Santos

Devolve meu interruptor

DEVOLVE MEU INTERRUPTOR

Há caminhos que trilhamos sozinhos

Entre luzes e sombras

Precisa ser assim!

Apenas nossa luz interior o ilumina

Mas é necessário ficarmos atentos.

Para não caminharmos na escuridão,

Precisamos tirar o interruptor das mãos dos outros.

Nossa luz precisa depender mais de nós mesmos!

Alda M S Santos

Meu Sol me abandonou

MEU SOL ME ABANDONOU

Meu Sol hoje não me acordou

Não me chamou carinhosamente para a vida

Não me mostrou a beleza que há lá fora

Não me garantiu que essa dor passará

Que essa parte do caminho é válida

Não admirou meu sorriso ou secou minhas lágrimas

Não me convidou a passear no jardim

Não sinto seu calor a me aquecer lentamente

Não vejo seus raios dourados

Não percebo sua energia brotando dentro de mim

E ainda ontem se punha tão lindo em meu horizonte

E irradiava de manhã num maravilhoso alvorecer interno

Não quero me levantar enquanto não senti-lo!

Quero o escuro debaixo de meus cobertores

A segurança de minha cama

O apoio de meus travesseiros

Se não vejo cores, não sinto o calor

Não percebo a beleza, fico aqui

Até que ele possa me acordar de novo todas as manhãs

Abrir as janelas de minha alma

Ou que consiga me mostrar

Que a nebulosidade e a chuva

E a vida em cinza

Também podem ser vida…

Alda M S Santos

Amor à vida

AMOR À VIDA

Folhas velhas, seca, repouso

Aparente morte…

Gotas d’água, lágrimas, brotos

Renascimento…

Folhas novas, botão, rosa.

Fases da natureza,

Fases de nós…

Esperança, respeito, fé.

Isso é amor à vida!

Alda M S Santos

Dia dos mortos

DIA DOS MORTOS

Temos dia pra tudo nesse mundo

Hoje é dedicado aos que já se foram

Como se precisassem de dia especial

O máximo que se pode fazer por eles é oração

Qualquer atitude, pensamento ou sentimento bom

Precisa ser feito por aqui mesmo.

E mortos, todos somos um pouco.

Quantas coisas em nós foram mortas

Assassinadas por nós mesmos ou pelos outros ao longo da vida

Ou, simplesmente, deixamos morrer por inanição?

A vantagem dos que estão vivos

É que sempre é possível deixar renascer o que morreu, ou quase

Replantar, cuidar, deixar brotar novamente,

Enquanto houver vida, esperança e desejo…

Alda M S Santos

Tempestades

TEMPESTADES

Tempestades quando vêm saem arrastando e levando tudo

Como no leito de um rio

As águas e ventania levam consigo plantas, peixes, pedras

Saem arrastando as matas ciliares, revolvem tudo.

Fauna e flora sofrem,

O curso d’água se perde, se suja, se mistura a outras águas.

Mas a tempestade uma hora passa, qualquer hora passa,

E o leito do rio deve ser reconstruído.

Recolher o que de bom sobrou, chorar pelo que morreu,

Alegrar-se pelo que ficou, sofrer pelo que se foi…

E organizar novamente o que for possível.

O rio será sempre um rio,

Mas um rio que passa por uma tempestade

Nunca mais será o mesmo!

Alda M S Santos

À beira do abismo

À BEIRA DO ABISMO

Todos podem, por vezes, sentirem-se à beira do abismo

Andando na corda bamba

Sob o fio da navalha

Pisando em ovos…

Qualquer pisada em falso

Um momento de distração

Uma brisa mais forte

E tudo vai para o brejo

Cai-se para o fundo do abismo,

A corda se parte, a navalha corta

Os ovos se quebram…

Nem sempre é adrenalina, quase nunca é divertido

Desgaste que vai cansando,

Levando ao recolhimento, à introspecção,

E tantos caem no escuro da depressão!

Quantos pertinho de nós podem estar assim?

Saberíamos se fôssemos nós a ficar assim?

Alda M S Santos

Não vivo sem

NÃO VIVO SEM

Podem ser muitas as coisas sem as quais não vivemos

Não vivo sem meus filhos, partes essenciais de mim

Não vivo sem meus pais, refúgio certo

Não vivo sem o abraço e sorriso de meus amigos, colo e abrigo fundamentais

Não vivo sem a natureza por perto, ar que respiro

Não vivo sem trabalho, sem solidariedade, ocupações vitais

Não vivo sem Deus, alimento da alma

Não vivo sem amor, companhia necessária para todas as horas

São tantas as coisas essenciais

Aquelas que o dinheiro não compra!

Mas a principal de todas:

Não vivo sem mim mesma!

Preciso me encontrar, me admirar, me ajudar

Ser a alegria e força que nascem lá de dentro

Pois para viver e valorizar todo o resto

Preciso existir para mim…

Todos nós precisamos!

Alda M S Santos

Quase morrer

QUASE MORRER

Não se expor, não falar, não demonstrar, não pedir ajuda,

Não se expressar, se fechar, se calar, se esconder, ser forte…

Ficar cada um na sua! Bem pequenino, quase invisível!

Recolher-se para dentro de si mesmo!

Essa é a ordem! Que nos impõem, que nos impomos.

Até quando?

Até esquecermos como é ser autêntico.

Ou até esse mundo insano entender que vida não se oprime,

Que vida oprimida é quase morrer, ou matar!

Quantas mortes são necessárias para se valorizar uma vida?

Alda M S Santos

Exangue

EXANGUE

Exaurido, debilitado, sem forças

Exangue! Sem sangue, sem cor…

É possível um coração ficar assim?

Apenas se estiver sem vida!

Pois qualquer que seja a emoção

Boa ou ruim, alegre ou triste,

Mesmo que ele pareça vazio demais

Ou totalmente sobrecarregado,

Sempre terá cor, terá vida,

E continuará a bater, a bombear vida, a espalhar amor…

Alda M S Santos

Simplesmente, viva!

SIMPLESMENTE VIVA

“Simplesmente viva… tem uma energia

De beija-flor as suas fotos e poesias…”

Definição de um poeta blogueiro (Anovamente)

Ao indicar o ‘Vida, Intensa Vida’ para um prêmio.

Como se aproximou da realidade!

Energia de beija-flor que, intenso, agitado

Precisa de alimento para o corpo e a alma

Para manter sua essência, para estar vivo…

E a busca nos lugares mais lindos

Perfumados, coloridos e encantadores

Os jardins…de flores ou de pessoas…

Simplesmente, viva!

Alda M S Santos

O que me toca fundo

O QUE ME TOCA FUNDO

O que me toca mais fundo?

A sinfonia de pássaros numa árvore na janela

O desabrochar de um botão de rosa

O som suave no leito de um rio

A força torrencial das águas de uma cachoeira

O constante vai-e-vem das ondas do mar

Uma canção feita de versos singelos

Uma valsa dançada por um par em sincronia

O sorriso puro de uma criança

Uma mãe que amamenta seu filho

Um jovem de joelhos a rezar

O abraço de um casal apaixonado

A saudade nos olhos de um idoso que sofre abandonado pela vida

A bondade no coração de quem se doa?

Não sei…

São muitas as coisas tristes na vida,

Mas são tantas as coisas tocantes e lindas,

Que por elas vale um esforço para viver!

Alda M S Santos

#carinhologos

Metamorfose

METAMORFOSE

Fechados num casulo invisível, isolados do mundo de fora

Consumindo aos poucos as reservas acumuladas em si.

Assim são todos em processos de transformação.

Metamorfoseando-se!

Trancados em si mesmos, vão evoluindo para emergir um novo ser.

Muitos têm barreiras que impedem o acesso às boas reservas,

Acessam apenas o negativo, as culpas, angústias e medos,

Deixam de lado o amor recebido, doado, os sorrisos, as vitórias…

Aqueles momentos pelos quais vale uma vida inteira.

E, assim, as boas energias evaporam, não são aproveitadas Ficam frágeis, o casulo murcha.

Esse casulo doente precisa de interferência externa.

Precisa de um toque de amor,

De um sopro de vida…

Precisa de metamorfose!

Alda M S Santos

Sim, não, talvez…

SIM, NÃO, TALVEZ

O sim remete a alegria, estado de graça, felicidade extrema

Satisfação, prazer, gozo total.

O não quase sempre é tristeza, é dor aguda, é golpe certeiro,

Lágrimas, reclusão, introspecção

O talvez é expectativa, nem sim e nem não

Talvez é espera oscilante, vascilante

Vai do quase sim ao quase não

É uma quase alegria, uma quase tristeza

É indecisão, é dor crônica

Talvez é brincadeira de balanço,

Ora lá em cima, ora cá embaixo

E não são todos que apreciam a adrenalina dos balanços

As emoções antagônicas dos “talvez”

Preferem os pés no chão,

Sentados no banco da pracinha

Vivemos entre o sim, o não e o talvez

Podemos até abolir os “talvez”

Mas nunca seremos só sim

Nunca seremos só não

E transitar do sim para o não

Já dá o balanço doloroso ou prazeroso da vida…

Alda M S Santos

Ele sempre está presente

ELE SEMPRE ESTÁ PRESENTE!

Quando a gente sente a proteção Dele

Numa curva qualquer da estrada

Num ambulatório hospitalar,

Nas palavras pronunciadas com sabedoria,

Ou até mesmo com raiva,

No silêncio oportuno dentro da gente,

Nas lágrimas que caem e quase tudo levam,

E deixam o que tem de valioso em nossa alma,

Aparente, ou não…

Na resposta sempre providencial,

Ainda que não nos pareça a mais adequada,

Ele está!

Basta confiar em Seu amor!

Deus tem modos especiais de nos manter perto Dele,

De Sua bondade, de Seu perdão.

É preciso confiar e agradecer!

Alda M S Santos

Questões

QUESTÕES

Sempre tidas como afirmativas

Algumas questões ainda são levantadas:

O amor em tudo crê mesmo,

É capaz de suportar qualquer coisa,

Aventura-se por mares desconhecidos,

Não desiste, persiste, se entrega,

Busca colo, oferece colo,

Arrisca a vida, desafia a morte?

Afirmativas ou negativas,

Tudo vai depender de quem ama ou desama.

Até mesmo o amor é processado de modos diferentes,

Dependendo de sua morada,

Pois todo telhado é posto à prova nas tempestades.

Alda M S Santos

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