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Trilhando

TRILHANDO

Busco as trilhas do viver

Na mata densa e quase fechada

Sigo em frente, não olho para trás

Caminho sob árvores, piso em folhas secas, sou animada

Cheiro bom de terra molhada

Ar puro, sons da natureza, verde intenso

Um pássaro que canta para atrair sua namorada

Nas árvores, num coração, as marcas de um amor, de alguém

Em frente, sigo a trilha, não busco ninguém

Roupas dependuradas num galho

De quem serão? Não há ninguém!

Despertam a imaginação…

Barulho de água corrente me atrai, mudo a rota

Quanto mais ando, mais quero andar

Tão fácil ali me perder…

Percebo que nas trilhas da mata densa

Sempre em frente, numa água cristalina que cai

Encontro a minha própria trilha

O cansaço não vence, se esvai

Aquela trilha leva a mim mesma

Perdendo e me encontrando

Vou trilhando, vou vivendo…

Alda M S Santos

Um atalho

UM ATALHO

Se a estrada estiver longa e interminável

Se o destino parecer inalcançável

Pegue um atalho, corte caminho

Se a trilha mansamente escurecer

Se o cansaço quiser te abater

Pegue um atalho, corte caminho

Se o terreno for pura aridez

E o humor total acidez

Pegue um atalho, corte caminho

Se a solidão for a sua companhia

Ofereça-a sua mão, viva essa magia

Pegue um atalho, corte caminho

Se um dia quiser desistir, exausto demais para prosseguir

Pegue um atalho, concentre-se no entorno, na natureza

Inspire, expire, encontre sua própria beleza

Quando a chegada parecer distante, quase invisível

Construa seu atalho, acredite, torne-a possível!

Alda M S Santos

Rotas aternativas

ROTAS ALTERNATIVAS
Quando é para ser não há nada que possa impedir
A chuva não molha, ou, se molha, serve apenas para refrescar
Se o sol não aparece, o calor vem de dentro
Se não há luz, brinca-se de fazer figuras de sombras na parede
Se falta dinheiro, sobra criatividade
Se o mal arromba a porta, o bem entra com educação pelas janelas
Se há lágrimas, desesperança, uma dádiva surge de onde menos se espera
Se os medos do escuro assombram, servem também para tornar mais visíveis as fontes de luz
Se os erros pesam nas costas, na consciência, o aprendizado se faz presente
Se o destino parece distante e impossível, as boas companhias são refrigérios
Se falta justiça, sobra compaixão e solidariedade
Se tudo é caro e nada parece valer a pena, surge um amor gratuito
Se a solidão atormenta, o encontro consigo é um presente
Se clamamos por anjos, surgem amigos
Quando tudo parece difícil, a fé fortalece
Quando é para ser, qualquer descaminho é apenas uma rota alternativa…
Alda M S Santos

Enquanto houver vida

ENQUANTO HOUVER VIDA

Enquanto houver vida quero seguir meu caminho

Posso parar à beira da trilha para reabastecer energias

Sob sol intenso ou sombra de uma árvore frondosa, enxugar o rosto

Sorrir ou chorar, nunca desistir, confiar sempre

Entre flores ou espinhos, terra ou pedras

Receber uma dose de ânimo, um abraço de amor, uma palavra de confiança

Uma mão, um sorriso de carinho, esperança e amizade

Daqueles que Ele envia para me interpelarem…

Só não posso fechar os olhos, ignorar Seu cuidado

E agradecer, retribuindo tanto amor, estando disponível sempre

Vencendo medos e culpas, erros e tropeços

Sem autoacusações ou autoflagelos, com aprendizado

Sendo aquela que Ele envia para iluminar o caminho de outros

Em qualquer circunstância, valorizando e protegendo a vida, sempre

Até o reencontro com Ele, em casa…

Alda M S Santos

Descarrilhou?

DESCARRILHOU?

É fácil ser bom quando tudo parece perfeito

Quando o trem da vida segue nos trilhos

O céu está limpo, jardim florido, pássaros a cantar

Quando somos queridos e amados, quando notamos justiça a nossa volta

Os amigos nos abraçam, há borboletas no jardim e no estômago

A fé prevalece, Deus é Pai, somos agradecidos…

Porém…

Provamos realmente que somos bons e sábios

Se conseguirmos manter certa paz, serenidade e confiança

Quando a saúde física perturba, a emocional oscila

Quando o trabalho é muito cansativo, o chefe nos desvaloriza

Os filhos são rebeldes, com ou sem razão, os pais precisam de ajuda e não pedem ou reconhecem

Os amigos nos abandonam ou não podem estar por perto

O cônjuge nem sempre compreende nossas angústias

O céu escurece, o mundo cai, sem perfumes, sem sorrisos, sem beija-flores

Quando nos decepcionamos, perdemos algo que amamos, nosso time tropeça

Quando nos sentimos lesados e todos parecem se tornar nossos inimigos

Deus não nos ama mais, nos rebelamos, queremos consertar tudo à força…

Nessas horas é difícil ser bom, pacífico

Mas de que vale uma bondade apenas quando tudo parece bem

Se ela é mais necessária quando tudo vai mal?

Se o trem da vida descarrilhar, melhores peritos temos que nos tornar

Para os vagões não desgovernarem e atropelarem todos a nossa volta!

Alda M S Santos

Por onde tens andado?

POR ONDE TENS ANDADO?

Por onde tens andado?

As estradas nem sempre são planas ou belas…

Que caminhos tens trilhado?

As trilhas, muitas vezes, têm bifurcações confusas…

O que tens plantado?

As sementes nem sempre são boas ou as terras férteis…

O que tens colhido?

A colheita nem sempre é farta ou digna…

Mas, mais vale com quem se anda

Com quem se planta e se cuida

E com quem se partilha a colheita…

Os pés podem estar sujos dos caminhos incertos

As mãos machucadas pela colheita mirrada

Mas o coração precisa estar limpo e puro

Recheado de bondade, amor e compaixão

A alma repleta de luz a iluminar nossos caminhos

E, se não iluminar, ao menos não criar sombras nos caminhos dos outros

São coração e alma que mostram os caminhos que trilhamos

Mesmo que nem sempre haja flores ou belas paisagens,

Podemos vislumbrar um jardim, um oásis…

Por onde tens andado?

Alda M S Santos

Caminhos controversos

CAMINHOS CONTROVERSOS

Para se encontrar talvez o melhor caminho

Seja esconder ou ignorar certas partes de si

Bloquear algumas trilhas ou atalhos

Fechar algumas caixas secretas que insistem em se abrir.

Há caminhos que se apresentam para confundir,

Quando não se está preparado para trilhá-los.

Há peças que não se encaixam no jogo.

Há encaixes que no momento não parecem se adequar.

Há jogos feitos para ganhar, outros para perder

E aqueles feitos apenas para jogar…

Alda M S Santos

Sinto o amor 

SINTO AMOR

Sinto amor nas mínimas coisas

Uma palavra de estímulo, um olhar compreensivo, um abraço terno, uma companhia presente de verdade.

Um telefonema, uma mensagem, uma brincadeira para relaxar.

Sinto desamor da mesma forma

Olhar inexpressivo, palavras vagas, críticas veladas, silêncios inoportunos, ausências. 

Apenas opto focar no amor.

Fácil? Quase nunca!

Sorrio, choro, sofro, fico feliz…

E traço meu caminho nessa jornada.

Dia-a-dia, passo a passo, em frente.

Até o destino final, sempre buscarei o amor…

Alda M S Santos

Descaminhos

DESCAMINHOS

E quando chegamos naquela parte do caminho

Em que já atravessamos partes leves, agradáveis, floridas

Também as difíceis, duras, pedregosas,

Já fomos longe demais e percebemos que não é mais possível prosseguir?

Descobrimos que pra frente pode haver raios e trovões

Tempestades, tsunamis, maremotos intensos?

É possível descaminhar?

Dar marcha à ré, retornar pelo mesmo caminho,

Voltar ao ponto de largada, retomar?

Como se ao voltar fôssemos desfazendo tudo, desmanchando detalhes

Voltando a fita em câmera lenta

Sorrindo e chorando tudo outra vez

Apagando as pegadas deixadas na areia…

Ou o melhor a fazer é seguir em frente

Por outro caminho, gravando por cima?

Talvez possamos usar nova fita, fazer nova gravação

E deixar esse arquivo guardado num cantinho

Para ser utilizado em momentos de nostalgia e saudade

Ou de novos aprendizados…

De qualquer maneira, perder a “direção” nunca é bom.

É preciso sentar-se à beira do caminho, refletir, retomar as forças e a serenidade.

De quem tanto caminhou, espera-se que logo pegará sua bússola e, cedo ou tarde, vislumbrará uma nova trilha!

Alda M S Santos

Apenas nosso

APENAS NOSSO

Nascemos sós, morremos sós

É o que sempre ouvimos dos pessimistas!

Outros ainda completam: vivemos sós!

Para esses, digo “nem sempre”.

Como seres gregários, passamos a vida em busca de companhias.

Queremos estar cercados de gente, crescer, caminhar ao lado de alguém

Dividir as tristezas, multiplicar as alegrias, compartilhar o prazer.

Nesse caminho buscamos a harmonia e a sintonia com nossos semelhantes.

Mesmo que seja uma busca infrutífera ou inglória.

Mas há caminhos bem individuais, muito particulares, só nossos.

Aqueles que ninguém é convidado a entrar, a participar.

Ainda que tentem, não encontram porta de entrada.

Nele mergulhamos, buscamos trilhas novas, atalhos,

Ou pegamos o trajeto mais longo mesmo…

Encontramos áreas devastadas pela seca, outras floridas

Irrigamos com lágrimas parte do caminho, e seguimos…

É nele que encontramos as mais belas e prazerosas paisagens,

Dele depende muito o caminho que será traçado quando acompanhados,

Dele advêm nossos maiores prazeres e frustrações,

E é nele que muitas vezes nos perdemos: no fundo de nós mesmos.

Alda M S Santos

Seguindo o fluxo

SEGUINDO O FLUXO

Ao volante, vidros abertos, cabelos ao vento, música no volume máximo. 

A estrada é longa, vários veículos à frente, atrás, outros no contra-fluxo.

E ela segue o fluxo… 

Canta algumas canções, tamborila e tenta dançar outras, dentro das possibilidades, sorri, sente dores, saudades, se impacienta, chora…

Começa a cansar daquele ritmo, daquela estrada, não quer seguir ninguém, quer estar só.

Desvia, ultrapassa um, outro, até tomar a dianteira. 

Uns reclamam, xingam, mas ela segue seu caminho. Pisa fundo, quer outras matas, outras metas, outros rios, outro céu. 

Quer encontrar seu destino…

No final das contas o destino final é o mesmo. Os caminhos, rotas, trilhas, desvios que pegamos ou caronas que oferecemos é que fazem a diferença. 

Às vezes, quando cansados, precisamos apenas passar para o banco do carona, nos recostar, dormir, confiar, e nos deixar levar.

Pode ser que a gente se surpreenda com a nova rota e o novo condutor. 

É muito bom conduzir, mas deixar-se conduzir por Aquele que nos ama é certeza de chegar bem ao destino. 

Alda M S Santos

Atalhos

ATALHOS

Há caminhos que são só nossos, exclusivos. Só nós sabemos das pedras e buracos a desviar, das flores a admirar, dos atalhos a optar, das subidas e descidas fortes, das sombras para descansar, dos oásis existentes… 

Só nós abrimos as portas, só nós temos as chaves, só nós permitimos entradas ou saídas. 

E, nesses caminhos, acabamos por perceber que quanto mais simples, mais rústico, mais natural, menos sofisticado, menos incrementado, será mais bonito, mais gostoso de ser trilhado.

 Sabemos também quando vale a pena seguir pelo atalho ou pelo caminho mais longo, mesmo que demore.

Às vezes sós, pois alguns companheiros desistem, debandam. Muitas vezes acompanhados pelas pessoas maravilhosas que escolhemos. 

O único a estar sempre conosco é Ele: Deus.

Sempre em frente, amigos!

Alda M S Santos

Fora dos trilhos 

Prosseguindo

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