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Duas imagens

DUAS IMAGENS

No porta-retratos a imagem era de uma mulher madura

Meio corpo para fora da piscina, sorridente, feliz

Exalava energia e saúde

Contrastando com aquela senhora que estava numa cama hospitalar

Pálida, envelhecida, enfraquecida, doente

Sondas e apetrechos médicos variados ligados a seu corpo

Cochilava, boca aberta, muito magrinha

Fiz um carinho em seus cabelos, em seu rosto, dei-lhe um beijo

Ela abriu os olhos e me encarou

Desejei um Ano Novo de alegrias, saúde e paz

Entreguei umas lembrancinhas, li um cartão

Sorriu para mim com os olhos em agradecimento

Tornou a fechá-los…

A vida se esvaía ali naquele lar de idosos

Que passava em sua mente?

Arrependimentos, decepções, mágoas,

Ou alegrias, amores vividos, saudades?

Visitava mentalmente lugares queridos?

A foto era como queriam se lembrar dela

Alegre, jovial, saudável…

Mas o choque era grande para quem não a conheceu antes!

Associar as duas imagens era desconcertante

A sensação que fica é de que a vida é fluida

E quase sempre termina de um modo bem triste…

Precisamos valorizar a saúde que temos

A vida que há em cada um de nós,

Antes do fim…

Alda M S Santos

E a vida segue…

E A VIDA SEGUE…

Dia: sol, luz, insegurança, amor, coragem, expectativas,

Vida que segue…na leveza ou peso do que somos

Noite: escuridão, medos, perseguições, ameaças, desconfianças, acusações…

Morte que tudo interrompe…na leveza ou peso do que carregamos

Sonhos e pesadelos…

Tudo cinzento e cruel!

Alegrias que fortalecem

No brilho do amor e amizade

Lágrimas que lavam a alma

Força que renasce da coragem e fé

E a vida segue…

Na linha tênue que a separa da morte!

Alda M S Santos

Se eu faltar pra você…

SE EU FALTAR PRA VOCÊ…

Se eu faltar pra você, quanto tempo sofrerá por mim?

Ficará revoltado, achando que a vida foi injusta, que merecia mais?

Será daqueles que mergulham em histórias e mais histórias pra esquecer minha partida?

Escreverá um livro contando nossa história para relembrar, não me apagar da sua mente?

Sentirá falta do quanto te amei, de minha companhia diária, do quanto nos fizemos bem?

Ou será do tipo que procuraria exatamente por quem disse que nunca faria, por pura rebeldia?

Seria capaz de me responsabilizar pelo que não foi culpa minha?

Saberia ser agradecido a Deus pela vida que compartilhamos, ou revoltado pelo fim?

Seguirá em frente, amará outra mulher logo, pois acostumou-se a uma vida de amor?

Não sei o que você faria…

Soubesse com antecedência da minha partida poderia até levar você…

Mas não seria justo! Você tem direito à sua vida!

Afirmo apenas que levaria você comigo para sempre:

No coração e na alma para qualquer dimensão…

Alda M S Santos

Um anjo

UM ANJO 

A estação parecia abandonada, não passava nenhum trem

Vários passageiros iam para um lado ou para o outro

Nenhuma bagagem, uns se despediam

Ela estava triste num canto, aguardava

Alguém se aproximou dela

Não parecia um passageiro qualquer

Pareceu reconhecê-lo, mas não se lembrava de onde

Ninguém ali conversava, apenas se olhavam

Abraçavam, choravam, se entendiam

Ele disse “você já pode ir”, apontou para um lado 

 “Não estou pronta, não me despedi”- falou ela em silêncio 

“Já está 50% do lado de lá, vá”

Deu a mão a ela e foram andando, ela se equilibrando no trilho do trem

Quando olhou para trás viu que ele tinha asas, era um anjo

Seu olhar dizia “não posso ir com você” 

Chorando, ela seguiu para um destino com letreiro nas nuvens:

SAUDADE!

Alda M S Santos

Vida e Morte

VIDA E MORTE

Nascer e morrer, morrer e nascer

Extremos de uma mesma história,

Ou parceiros nessa caminhada?

Partes comuns de uma mesma vida,

Ou pontos antagônicos?

Por que temos tanta dificuldade em lidar com a morte?

Ela está perto de nós todo o tempo

Quase tanto quanto a vida!

A vemos na natureza: plantas e bichos, água, ar, fogo, terra

E vezes demais entre os humanos também: renovação

A diferença é que morte entre plantas e bichos quase sempre vemos como “natural”.

Aceitar a ideia da morte não significa, necessariamente, desvalorizar a vida!

Acostumar com a morte pode nos fazer ter uma vida plena

Da qual sabemos que terá fim a qualquer momento,

Independente de nossas vontades ou desejos.

O que não é natural é desejá-la mais que a vida.

A morte não deveria nos meter mais medo

Mas a vida nos meter mais coragem!

Alda M S Santos

Adormecido

ADORMECIDO

Quando algo começa a adormecer dentro da gente

Surge alguma coisa para nos despertar da “letargia”

Um homem qualquer de capuz na rua

Uma mulher assassinada ao oferecer carona na rodovia

Uma notícia qualquer de violência e atrocidades

Um pesadelo sobre assaltos, estupros e morte.

Coisas que fazem reviver sensações de terror.

Mais tempo ainda torna-se necessário para adormecer

E fazer a sensação ruim ser jogada fora

Ou empurrada para o fundo e nunca mais sair…

Alda M S Santos

Meu Sol me abandonou

MEU SOL ME ABANDONOU

Meu Sol hoje não me acordou

Não me chamou carinhosamente para a vida

Não me mostrou a beleza que há lá fora

Não me garantiu que essa dor passará

Que essa parte do caminho é válida

Não admirou meu sorriso ou secou minhas lágrimas

Não me convidou a passear no jardim

Não sinto seu calor a me aquecer lentamente

Não vejo seus raios dourados

Não percebo sua energia brotando dentro de mim

E ainda ontem se punha tão lindo em meu horizonte

E irradiava de manhã num maravilhoso alvorecer interno

Não quero me levantar enquanto não senti-lo!

Quero o escuro debaixo de meus cobertores

A segurança de minha cama

O apoio de meus travesseiros

Se não vejo cores, não sinto o calor

Não percebo a beleza, fico aqui

Até que ele possa me acordar de novo todas as manhãs

Abrir as janelas de minha alma

Ou que consiga me mostrar

Que a nebulosidade e a chuva

E a vida em cinza

Também podem ser vida…

Alda M S Santos

Dia dos mortos

DIA DOS MORTOS

Temos dia pra tudo nesse mundo

Hoje é dedicado aos que já se foram

Como se precisassem de dia especial

O máximo que se pode fazer por eles é oração

Qualquer atitude, pensamento ou sentimento bom

Precisa ser feito por aqui mesmo.

E mortos, todos somos um pouco.

Quantas coisas em nós foram mortas

Assassinadas por nós mesmos ou pelos outros ao longo da vida

Ou, simplesmente, deixamos morrer por inanição?

A vantagem dos que estão vivos

É que sempre é possível deixar renascer o que morreu, ou quase

Replantar, cuidar, deixar brotar novamente,

Enquanto houver vida, esperança e desejo…

Alda M S Santos

À beira do abismo

À BEIRA DO ABISMO

Todos podem, por vezes, sentirem-se à beira do abismo

Andando na corda bamba

Sob o fio da navalha

Pisando em ovos…

Qualquer pisada em falso

Um momento de distração

Uma brisa mais forte

E tudo vai para o brejo

Cai-se para o fundo do abismo,

A corda se parte, a navalha corta

Os ovos se quebram…

Nem sempre é adrenalina, quase nunca é divertido

Desgaste que vai cansando,

Levando ao recolhimento, à introspecção,

E tantos caem no escuro da depressão!

Quantos pertinho de nós podem estar assim?

Saberíamos se fôssemos nós a ficar assim?

Alda M S Santos

Quase morrer

QUASE MORRER

Não se expor, não falar, não demonstrar, não pedir ajuda,

Não se expressar, se fechar, se calar, se esconder, ser forte…

Ficar cada um na sua! Bem pequenino, quase invisível!

Recolher-se para dentro de si mesmo!

Essa é a ordem! Que nos impõem, que nos impomos.

Até quando?

Até esquecermos como é ser autêntico.

Ou até esse mundo insano entender que vida não se oprime,

Que vida oprimida é quase morrer, ou matar!

Quantas mortes são necessárias para se valorizar uma vida?

Alda M S Santos

Exangue

EXANGUE

Exaurido, debilitado, sem forças

Exangue! Sem sangue, sem cor…

É possível um coração ficar assim?

Apenas se estiver sem vida!

Pois qualquer que seja a emoção

Boa ou ruim, alegre ou triste,

Mesmo que ele pareça vazio demais

Ou totalmente sobrecarregado,

Sempre terá cor, terá vida,

E continuará a bater, a bombear vida, a espalhar amor…

Alda M S Santos

Tragédia em Janaúba

TRAGÉDIA EM JANAÚBA

Além da dor daqueles que perderam um familiar,

Criancinhas inocentes num lugar que deveria ser seguro

Tendo vidas ceifadas ou machucadas por alguém que deveria protegê-las,

Que talvez também fosse um doente sem ajuda,

Como tantos por aí escondidos atrás de sorrisos,

Dói ainda saber que nos hospitais que deveriam socorrê-las

Faltam itens básicos como Dipirona, luvas, seringas, agulhas e afins…

Num país com uma das maiores cargas tributárias do mundo!

Não há palavras para expressar tamanha revolta!

Que Deus olhe por todos nós!

Alda M S Santos

Bomba-relógio

BOMBA-RELÓGIO
Vida contada, morte anunciada
O que é viver sob uma espada
Na expectativa do fim, e nada temer?
Tantos vivem assim, esperando apenas 
Que o relógio chegue a 00:00:00
Se dói, a dor irá embora.
Não temer o fim é sinal que a vida valeu
Ou que de nada vale?
Alívio total!
Alda M S Santos

Morrer por amor?

MORRER POR AMOR?

Nada de Romeu e Julieta,

Esse romantismo exacerbado,

Amor impossível, que se mata para permanecer “junto”.

Mas que há muitos que se envenenam dia a dia,

Pelo outro, para o outro,

Isso não se pode negar!

A cada vez que você se nega,

Que deixa de lado algo que ama,

Que abre mão, que cuida, que se descuida,

Que tolera coisas que não gosta,

Que deixa espaços vazios,

Que se conforma com a falta de algo,

Que “cede” sua felicidade para proteger o outro,

Para ver o outro bem,

Um pouco de “veneno” é ingerido.

Há muitas maneiras de “morrer” para manter vivo a quem se ama!

Há muitas maneiras de “viver” para não matar a quem se ama.

Alda M S Santos

Ídolos não morrem?

ÍDOLOS NÃO MORREM?
Tudo bem, admirar um cantor, um ator, um artista qualquer
Pelas habilidades ou dons que possua,
Pelos diferenciais, pela capacidade de cativar e encantar,
Até aí é compreensível! 
Mas até que ponto é preciso ser bitolado para se ter um ídolo?
Para se colocar em risco?
Para realizar loucuras ou se expor a situações ridículas?
Idolatrar outro ser humano!
Passar recibo de pouca inteligência, acreditando piamente que seu ídolo não morreu!
Sem qualquer prova racional, apenas pela emoção!
E não é viver na obra, não!
Literal mesmo!
Elvis Presley não morreu!
E está aí com mais de 80 anos!
Pois existe gente assim! Que ainda busca “provas”!
Posso chamar a isso de que?
Encantamento de massas, ou loucura coletiva?
E dura 40 anos!
Nada contra o Elvis Presley, cujos filmes muito assisti,
cantor e dançarino muito original e avançado para a época.
Mas deixou alguns admiradores parados no tempo.
Elvis vive nas músicas, nos filmes, na lembrança dos fãs!
O resto é falácia de admiradores inconformados!
Alda M S Santos
Imagem AMP- EBC

Quem morre e quem vive?

QUEM MORRE E QUEM VIVE?

Quem morre e quem vive

Quem não recebe um sorriso ou quem nem o oferece?

Quem morre e quem vive

Quem dedica-se ao trabalho que não gosta procurando apreciá-lo, ou quem o suporta?

Quem morre e quem vive

Quem viaja pela imaginação ou quem fica no chão por medo de voar? 

 Quem morre e quem vive

Quem aspira o perfume de uma rosa ou quem a evita por medo de insetos?

Quem morre e quem vive

Quem mergulha fundo em busca das pérolas ou quem se conforma com a impossibilidade de obtê-las?

Quem morre e quem vive

Quem planta e não colhe ou quem sequer planta?

Quem morre e quem vive

Quem ama e se arrisca a chorar ou quem sequer ama?

Quem morre?

Quem vive? 

Quem?

Aos poucos vamos vivendo,

Aos poucos vamos morrendo…

Alda M S Santos

Corpo Presente

CORPO PRESENTE

Sempre achei estranhas as celebrações de “corpo presente”.

Até porque um corpo morto nada representa,

Exceto, a despedida derradeira.

Para os que ficam, momentos tristes a lembrar.

Para os que se vão, nada levam daqueles instantes.

Orações chegarão a eles de qualquer modo.

Tudo bem, é cultural, é religioso, vem da fé.

Mas precisamos nos preocupar realmente

Em estarmos mais do que de corpo presente nessa vida.

Levar nossa alma em cada ato,

Carregar nossas emoções no dia-a-dia, 

Distribuir nosso calor a todos que nos cercam.

Afinal, é isso que deixamos de nós para os outros. 

É isso que levamos de quem nos foi especial.

O resto é apenas ritual…

Alda M S Santos

Fogo amigo

FOGO AMIGO

Numa guerra, fogo amigo é ser atingido por aliados.

Certamente, nunca proposital, ou não seriam aliados.

Nas guerras cotidianas, recebemos muito fogo amigo.

Pode ser despreparo, boa pontaria, proposital…

Fogo sempre dói, pode matar, não importa de onde venha.

Ao sermos atingidos, nem sempre conseguiremos avaliar a intenção do atirador.

Primeiro nos concentramos em nossa dor, em nossos ferimentos,

Só depois nos preocuparemos de onde vieram os projéteis e o porquê.

Ao “atirarmos” devemos sempre saber se o alvo é mesmo aquele,

Se a munição não atingirá órgãos vitais, se o fogo não é forte demais.

Bom mesmo é atirar amor, qualquer alvo é bom, amigo ou inimigo,

Nunca mata, sempre traz vida nova, e vida boa!

Alda M S Santos

Vivo ou morto?

VIVO OU MORTO

Quem está mais perto da morte

Um semimorto ou um semivivo?

No semimorto supõe-se uma parte viva

No semivivo supõe-se uma parte morta

Ou a pergunta deveria ser

Quem ainda tem chances de sobrevida?

Depende do CTI que frequente,

Dos cuidados profissionais recebidos,

Das visitas especiais constantes,

Das motivações que receba em doses diárias,

Mas, principalmente, do desejo de viver,

E esse vem de dentro,

Quer seja no semivivo ou no semimorto.

Vivo ou morto?

Alda M S Santos

Passagem comprada

PASSAGEM COMPRADA

Viemos para esse mundo com a passagem de volta comprada.

Falta apenas o carimbo com a data de retorno.

E quando acontecerá nós não sabemos.

Podemos fazer inúmeras viagens por aqui antes dela, 

E acompanhados!

Muitas são as possibilidades!

Concentrar-nos na derradeira viagem impede que aproveitemos o passeio.

Ela chegará, quer a gente queira, quer não. 

E nela iremos sozinhos!

Podemos escolher aproveitar bem todas elas.

Alguma delas pode ser nosso retorno, de avião, de trem, a pé…

 E iremos felizes de volta para casa! 

Alda M S Santos 

O que mata o amor?

O QUE MATA O AMOR?

O que mata o amor? Quem disse que amor não morre?

Morre sim, definha, sofre de inanição, desidratação.

Amor é algo vivo, e tudo que é vivo pode um dia morrer.

Alguns ficam em fase terminal no CTI por anos a fio,

E morrem…

Outros sofrem morte súbita, violenta, trágica.

Uma palavra mal dita aqui, um descaso ali, um esquecimento acolá,

Uma pequena indiferença, um olhar sem ver, uma desconfiança,

Uma dúvida não esclarecida, discussões inoportunas e sem tato,

Um silêncio fora de hora, uma impaciência a qualquer hora,

Um abraço que não toca, uma pessoa que não se toca!

O amor nasce nas pequenas coisas, quando percebemos, amamos

E não sabemos explicar porque, normalmente listamos inúmeras coisinhas…

Sua morte também se dá da mesma maneira,

De pequenas em pequenas coisinhas,

Quase sempre as mesmas de outrora, que amamos, e foram-se embora.

Aquele sorriso cativante, aquele olhar carinhoso, aquele abraço terno,

As palavras doces, calmantes e oportunas, 

A atenção que se esqueceu de prestar atenção…

Desidratando, desnutrindo, definhando, morrendo…

A boa notícia é que mesmo pacientes no CTI podem se recuperar e sobreviver!

Alda M S Santos

Quem ama, mata!

QUEM AMA, MATA!
Matou por amor.
Tão paradoxal que beira à insanidade.
Nossas crianças e jovens ouvem e veem isso todos os dias.
Crescerão acreditando que quem ama mata.
Basta não se sentir amado, ser contrariado ou não ter seus desejos atendidos.
Que é natural matar “por amor”.
Quem ama mata! Todos os dias, todo o tempo.
Não a morte do corpo, não a morte da alma.
Mata a necessidade de companhia, mata a ânsia de se ver belo no olhar do outro, mata o desejo de fazer amor, de sorrir e conversar juntos, mata a solidão…
Quem ama vive, gera vida, para si, para o outro.
Quem ama não mata, não mutila ou deforma o corpo, não ameaça, não amedronta a alma, não tira a luz do olhar, o brilho do sorriso.
Quem acredita que quem ama mata seu “objeto” de amor, literalmente, está matando aos poucos o amor no outro.
E já matou o amor dentro de si há muito tempo.
Alda M S Santos

Um bom dia para morrer

UM BOM DIA PARA MORRER

Qual seria um bom dia para morrer? 

Parece óbvio, nenhum, visto que ninguém quer morrer.  

Mas, sabendo que é a única certeza da vida, não seria “justo” que pudéssemos escolher? 

Tanta gente vai embora depois de muita luta, doenças e sofrimentos. Quase até podem imaginar o momento da partida.

Outras são subtraídas da vida no auge dela, em plena alegria e vigor, independente da idade.  

Quando criança ouvia e me impressionava muito sobre o quase fim do mundo com o dilúvio, e profecias sobre o próximo fim ser com fogo. Tinha muito medo! Falava que queria morrer dormindo e logo me arrependia pois, se Jesus, sendo perfeito, tinha morrido sob tortura, quem era eu para desejar moleza?

Mas qual seria o melhor momento? 

Depois de adquiridos todos os bens? Ter viajado muito? Gargalhado até a barriga doer? Trabalhado incansavelmente? Feito incontáveis amigos? Filhos independentes e criados? Ajudado aos mais necessitados? Vivido plenamente o amor que sentiu, que se apresentou? 

Seria melhor ir em plena saúde e energia, ou depois de ter corpo e mente definhados? 

Logo após uma grande alegria e conquista, ou num momento de perda e dor? 

Quando estamos no auge da alegria, amor, prazer, sequer pensamos nela. Tudo é vida! Pareceria injusto sair no melhor da festa! 

Quando sofremos por qualquer mal, nos entristecemos, não temos perspectivas, estamos doentes, pensamos nela com mais frequência. Não parece injusta ou assustadora. Até a encararíamos como uma amiga bem vinda! 

Sem fatalismos ou mau agouro, se ela chegasse hoje, o que pensaríamos? O que “diríamos” em nossa defesa? Ou a seguiríamos tranquilos?

Verdade é que, salvo exceções, não estamos preparados para ela.

Apesar de ninguém querer ficar entrevado numa cama, dependente dos outros, sempre pensaremos que ainda nos falta muito a viver. 

Fomos criados para defender a vida em qualquer circunstância, com ou sem sofrimentos, com 8, 18, 50 ou 80 anos! 

Ainda que em vários momentos tenhamos vontade de jogar a toalha, dizer que cansamos dessa brincadeira, que não está tão divertido assim, que queremos voltar pra casa…

Olhando por esse ângulo não é injusto não termos poder de escolha! Não saberíamos fazê-lo.

Sendo assim, seja qual for o momento que estivermos vivendo, melhor fazê-lo da melhor maneira possível. Se bom ou produtivo, intensamente, se triste ou ruim, fazendo nossa parte e torcendo para passar logo, pois, mesmo que não pareça, sempre passa.

Ideal seria que vivêssemos de tal modo a não temê-la, sequer lamentá-la! 

Ir, ou deixar ir, permitir que a luz se apague, de bom grado e com a certeza de ter feito o melhor que pudemos. 

Um bom dia para morrer? Qualquer um! Só Ele sabe! 

Alda M S Santos

Apenas um piscar de olhos

APENAS UM PISCAR DE OLHOS

Morte mexe com com a sensibilidade de todos

Futebol mexe conosco, brasileiros, com nossas emoções

Morte e futebol, juntos, nos paralisam

Tragédia dessa dimensão nos assusta!

Além da surpresa, da dor, da alegria subtraída

Da sensação de impotência

Ficam três certezas:

Ninguém sabe a hora ou está a salvo

Essa vida é fugaz, passa num piscar de olhos

Vamos amar e viver hoje tudo que temos direito!

Que Jesus os receba no paraíso! 

Alda M S Santos

Autópsia

AUTÓPSIA

Se pudéssemos acompanhar uma autópsia dos nossos corações, o que veríamos? 

Tudo bem, sei que autópsia se realiza em seres que já morreram.

Mas, e se fizéssemos, se fosse possível? 

Será que haveria diferenças de um coração para o outro? 

Talvez alguns fossem mais moles, maleáveis, daqueles que levaram a vida mais tranquilamente, sem grandes sobressaltos ou estresses, amores leves, pacíficos.

Outros poderiam estar mais firmes, endurecidos, rígidos, de difícil manuseio. Foram se enrijecendo como autodefesa, meio usado para suportar o sofrimento, o desamor, as mágoas e solavancos da vida. 

 A maior parte acredito que se assemelharia a uma colcha de retalhos, pedaços grandes, pequenos, coloridos e disformes, ou a um terreno muitas vezes remexido, um asfalto muitas vezes reparado, uma árvore muitas vezes podada. 

Apresentaria áreas quase intocadas, por receio, finas, frágeis, delicadas, imaturas, sem alegria.

Outras partes estariam endurecidas por cima, capa de proteção, e amolecidas por dentro, cicatrização à força. 

Haveria ainda aquelas áreas estriadas, fortes, porém, flexíveis, que começaram a endurecer, mas seu “dono”, sempre corajoso, insistia no uso, não permitindo a rigidez ou a moleza excessiva. 

Quantas dessas partes tem nossos corações? Façamos essa autópsia em vida! 

Não queremos um coração imaturo, tampouco rígido. Um coração mole parece não ser opcional, ou vem de fábrica ou nada feito. 

Resta-nos o coração colcha de retalhos. Parece bonito, não? Colorido, enfeitado. Cada pedacinho um amor vivido, outro perdido, uma amizade autêntica, outra que se foi, pais, filhos, irmãos, cônjuges, uma vida que passou por nós, que ficou em nós. E que passa mais ligeira que um passo de dança, tão rápida quanto um sorriso.  

Quero que quando minha “autópsia” for realizada de verdade, seja onde for, espero que demore, meu coração tenha muitas lindas histórias para contar.

Alda M S Santos 

Epitáfio

EPITÁFIO

No dia seguinte ao meu aniversário

Pedem-me, numa formação em serviço

Para escrever meu epitáfio

Parece meio mórbido

Mas nos leva a refletir

Na nossa finitude

E no quanto tudo é vago

Se não houver amor e perdão.

Alda M S Santos

Heranças

HERANÇAS
Que essa vida passa bem rápido, todos já sabemos. Quer tenhamos feito, ou não, bom uso desse presente, ele se vai.
Sem papo mórbido ou tenebroso, o que gostaríamos de deixar aqui quando formos chamados para o outro lado?
Recursos financeiros todos gostaríamos de receber, de deixar, é verdade. Mas eles acabam, se esvaem. E são apenas recursos. Não nos representam.
Tantos exemplos temos tido do quanto a vida é fugaz. A morte não ceifa a vida apenas dos enfermos.
Se fôssemos levados agora, o que estaremos deixando de mais valioso? Independente de termos ficado por aqui 20, 30, 50 ou 70 anos, o que ficará de nós nos outros?
Sei de mim que gostaria de deixar lembranças. De preferência, boas.
Quero que ao menos uma pessoa se lembre que a tratei com carinho e compaixão. Quer sejam familiares, amigos ou desconhecidos.
Que outra se lembre que lhe dei atenção, dei colo, chorei junto, sorri, aconselhei.
Que lembrem-se de ajuda material também, pois aqui somos matéria.
Que quem eu feri de alguma maneira possa lembrar-se que me desculpei, que soube me redimir.
Que quem me magoou não se sinta mal com minha partida, pois terá a certeza do meu perdão.
Que alguns seres humanos possam sentir-me viva em seu coração, pois fiz morada ali, por uns tempos, ou pela vida toda.
Que quem se lembrar de mim possa dizer: ela não foi perfeita, mas soube se doar o máximo que podia! E aproveitou a vida!
Que possam mais se alegrar por mim que chorar.
Que nossa vida valha uma boa herança!
Alda M S Santos

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