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Não é bom ter medos

NÃO É BOM TER MEDOS

Não é bom ter medos

A sensação é angustiante, dolorosa

Porém, só mudamos de fase se os enfrentamos

E fazemos passar essa etapa tão chorosa

Não é bom ter medos

Menos ainda se o medo vier de onde deveria vir amor

A sensação de andar na corda bamba

Ou na beira do abismo causa pavor

Não é bom ter medos

O desconhecido é como andar na contramão

Mas ele nos tira da mesmice e permite evolução

Não é bom ter medos

Nesses casos bom buscar carinho, abraços

Fazer de todos os nós, lindos laços…

Alda M S Santos

Mito?

MITO?

Dragões são monstros,

Horrendos, alados, rastejantes

Que sopram fogo…

Amigos ou inimigos?

Mitos ou verdades bruxuleantes?

Eles estão por aí

A nos assustar ou a nos salvar?

Carregam o mal e a destruição

Ou são fonte de sabedoria e imaginação?

Que se esconde atrás de sua aparência horrenda?

Qual dragão “rege” nossas vidas?

Qual dragão habita em nós?

Ou você acredita que tudo isso é lenda?

Um dragão, quimera ou não

Não posso resolver essa contenda

Mas fico com meus diversos dragões

Feios ou bonitos, acolhedores ou assustadores

Eles acalmam meus furacões…

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

#flalfestival2019

Qual seu maior medo?

QUAL SEU MAIOR MEDO?

Qual seu maior medo?

Envelhecer, enfraquecer, adoecer

Dos outros depender?

Qual seu maior medo?

Perder dinheiro, o emprego

A segurança, a fé, a alegria, o prazer?

Qual seu maior medo?

Perder o amor, a admiração

Família, amigos, o desejo de viver?

Qual seu maior medo?

Não mais conseguir belezas admirar

Perder a capacidade de amar

De com qualquer coisa se importar?

Tenho medo dos meus medos

Que me assustam, me tiram o sono

Me estacionam muitas vezes

Porém, mais medo teria de não ter medos

Isso significaria nada ter de valioso a perder

Ou de que a vida não me bastaria…

Qual seu maior medo?

Alda M S Santos

O abismo

O ABISMO

A música tocava, ela seguia

Na estrada longa e vazia

Vez ou outra um carro surgia

E sumia…ela seguia

Pra onde não sabia, apenas ia…

O céu de intenso azul reluzia

Ela olhava, admirava, e a lágrima escorria

Que era aquilo lá longe na via

Algo naquele lugar a atraía

E, então, mais rápido ela seguia

Cansada, parou à margem de um abismo

Ele lá estava, muita agonia

Olhava lá para baixo, tão distante, intensa magia

Um medo estranho ela sentia

Ali ficou sentada, balançando os pés, nada resolvia

Sentindo o peso que o abatia

Olharam-se, um tácito acordo surgia

Por fim, olhou de novo para o sol que se punha no horizonte

Amanhã de novo ele nasceria

Então, decidiram-se: como o sol eles seriam

Todas as noites adormeceriam

Mas na manhã seguinte sempre acordariam

Dispostos a brilhar por mais um dia

E o abismo para trás deixariam…

Alda M S Santos

Olhem para mim!

OLHEM PARA MIM!

Olhem para mim!

Gritava o jovem sequestrador no ônibus

Gritava a garota morta pelo namorado

Gritavam os jovens LGBTs surrados até morte

Olhem para mim!

Gritavam os idosos torturados em lares

Gritavam os indígenas outra vez roubados

Gritavam as crianças abusadas por familiares

Olhem para mim!

Cada qual com seu jeito de gritar, de protestar

De querer ser visto, respeitado

Mesmo que na depressão, no silêncio, na solidão

Descaso mata, indiferença mata, exclusão mata

Olhem para mim!

Agora grita um país de medos

Grita um país que queima suas matas

Que mata seus jovens, suas mulheres, seus negros

Seus homossexuais, suas crianças e idosos

Grita um país que mata o futuro da humanidade

Olhem para mim!

Quando iremos ouvir???

Quando iremos agir???

Socorro!!!

Alda M S Santos

Medos

MEDOS

Tenho medos, alguns já são de estimação

Tenho medo de perder aqueles que amo

Mais ainda de me perder de mim mesma

Pois é em mim mesma que encontro todos eles

Tenho medo de perder as forças, a energia, a saúde

Mais ainda de perder o sorriso, a alegria de viver

Tenho medo de ficar dependente dos outros

Mais ainda de não ter ninguém de quem possa depender

Tenho medo de perder a visão

Mais ainda de perder a capacidade de ver com o coração

Tenho medo de adoecer de tanto me envolver

De tanto querer mudar algo nesse mundo desigual

Mas tenho mais medo ainda de perder a capacidade de me importar

Tenho medo de perder minhas lembranças

Mais ainda de não ser capaz de gerar novas boas memórias

Tenho medo de morrer muito cedo

Mais ainda de sobreviver àqueles que me são caros

Tenho medo de morrer de saudades, de viver de lágrimas

Mais ainda de não ter nada do qual possa sentir falta

Tenho medo de ir embora e deixar os outros na mão

Mais ainda de não fazer falta a ninguém…

Tenho muitos medos

Mas enquanto eles existirem é sinal que existo também

Uma vida sem medos

É uma vida sem nada valioso a ser perdido

Uma vida de fé, com medos, mas enfrentados

É uma vida que vale a pena ser vivida

Assim, sigo meu caminho…

Alda M S Santos

Quanto tempo temos?

QUANTO TEMPO TEMOS?

As chamas intensas lambem monumentos centenários

As águas ruidosas das tempestades levam encostas, derrubam árvores e edificações

Vendavais arrastam tudo que encontram pela frente

Estruturas firmes sobre vigas e concreto “implodem” e soterram vidas

Nada está a salvo na terra, no ar ou no mar…

Tragédias, devastação, destruição… são tantas!

A vida como um todo se rebela, se revela frágil

Gritos de alerta que imploram por socorro

Todas elas deixam algo aterrador: sentimentos

Sentimentos de impotência e tristeza

A dor da destruição, da perda, da incapacidade de reagir

A angústia das histórias que “apagam” em nós

Que tentam deletar de nossa memória

Que acontecem além do oceano

Ou bem aqui ao nosso lado

E provocam curto-circuitos internos

Incendiando o que temos de bom

Ou acionando um sistema parado

Quanto tempo resistiremos

Sem ter nossa base, nossa estrutura abalada

Nossa liga emocional estremecida

Sem desmoronarmos também?

Quanto tempo temos?

Alda M S Santos

Impotência

IMPOTÊNCIA

Impotência diante de um mundo que parece girar tão rápido

Mas em tantas outras vezes parece tão estacionado

Impotência diante da dor do outro

Quando só nos cabe oferecer um abraço

Impotência diante de perdas irreversíveis

Quando só nos resta a dolorosa saudade

Impotência diante da esperança desbotada, sem cor

Quando falta tinta para pintá-la, renová-la, sem pudor

Impotência diante da própria inércia

Quando, cansados, quase desistimos

Quase caímos, quase entregamos os pontos

Quase…

Mas preferimos, como Fernando Sabino, fazer

“Da queda um passo de dança”

E seguir…

Alda M S Santos

Medos

MEDOS

Muitos e muitos medos me seguem

Medo de perder pessoas queridas

Medo de me perder das pessoas amadas

Medo de perder a saúde, a lucidez

Medo de não mais ser capaz de me compadecer pela dor do outro

Medo de perder minhas memórias e lembranças boas

Medo de me decepcionar com amigos e amores

Medo de esquecer ou ser esquecida por quem amo

Muitos medos…

Não é por ausência de fé em Deus

Nem por fraqueza ou fragilidade excessiva

Tampouco por falta de coragem de enfrentá-los

De todas as coisas que me dão medo

Que me causam insegurança e dor

Um aprendizado sempre fica:

O amor é o único medo cuja dor sei que vale o risco…

Alda M S Santos

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