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Olhem para mim!

OLHEM PARA MIM!

Olhem para mim!

Gritava o jovem sequestrador no ônibus

Gritava a garota morta pelo namorado

Gritavam os jovens LGBTs surrados até morte

Olhem para mim!

Gritavam os idosos torturados em lares

Gritavam os indígenas outra vez roubados

Gritavam as crianças abusadas por familiares

Olhem para mim!

Cada qual com seu jeito de gritar, de protestar

De querer ser visto, respeitado

Mesmo que na depressão, no silêncio, na solidão

Descaso mata, indiferença mata, exclusão mata

Olhem para mim!

Agora grita um país de medos

Grita um país que queima suas matas

Que mata seus jovens, suas mulheres, seus negros

Seus homossexuais, suas crianças e idosos

Grita um país que mata o futuro da humanidade

Olhem para mim!

Quando iremos ouvir???

Quando iremos agir???

Socorro!!!

Alda M S Santos

Medos

MEDOS

Tenho medos, alguns já são de estimação

Tenho medo de perder aqueles que amo

Mais ainda de me perder de mim mesma

Pois é em mim mesma que encontro todos eles

Tenho medo de perder as forças, a energia, a saúde

Mais ainda de perder o sorriso, a alegria de viver

Tenho medo de ficar dependente dos outros

Mais ainda de não ter ninguém de quem possa depender

Tenho medo de perder a visão

Mais ainda de perder a capacidade de ver com o coração

Tenho medo de adoecer de tanto me envolver

De tanto querer mudar algo nesse mundo desigual

Mas tenho mais medo ainda de perder a capacidade de me importar

Tenho medo de perder minhas lembranças

Mais ainda de não ser capaz de gerar novas boas memórias

Tenho medo de morrer muito cedo

Mais ainda de sobreviver àqueles que me são caros

Tenho medo de morrer de saudades, de viver de lágrimas

Mais ainda de não ter nada do qual possa sentir falta

Tenho medo de ir embora e deixar os outros na mão

Mais ainda de não fazer falta a ninguém…

Tenho muitos medos

Mas enquanto eles existirem é sinal que existo também

Uma vida sem medos

É uma vida sem nada valioso a ser perdido

Uma vida de fé, com medos, mas enfrentados

É uma vida que vale a pena ser vivida

Assim, sigo meu caminho…

Alda M S Santos

Quanto tempo temos?

QUANTO TEMPO TEMOS?

As chamas intensas lambem monumentos centenários

As águas ruidosas das tempestades levam encostas, derrubam árvores e edificações

Vendavais arrastam tudo que encontram pela frente

Estruturas firmes sobre vigas e concreto “implodem” e soterram vidas

Nada está a salvo na terra, no ar ou no mar…

Tragédias, devastação, destruição… são tantas!

A vida como um todo se rebela, se revela frágil

Gritos de alerta que imploram por socorro

Todas elas deixam algo aterrador: sentimentos

Sentimentos de impotência e tristeza

A dor da destruição, da perda, da incapacidade de reagir

A angústia das histórias que “apagam” em nós

Que tentam deletar de nossa memória

Que acontecem além do oceano

Ou bem aqui ao nosso lado

E provocam curto-circuitos internos

Incendiando o que temos de bom

Ou acionando um sistema parado

Quanto tempo resistiremos

Sem ter nossa base, nossa estrutura abalada

Nossa liga emocional estremecida

Sem desmoronarmos também?

Quanto tempo temos?

Alda M S Santos

Impotência

IMPOTÊNCIA

Impotência diante de um mundo que parece girar tão rápido

Mas em tantas outras vezes parece tão estacionado

Impotência diante da dor do outro

Quando só nos cabe oferecer um abraço

Impotência diante de perdas irreversíveis

Quando só nos resta a dolorosa saudade

Impotência diante da esperança desbotada, sem cor

Quando falta tinta para pintá-la, renová-la, sem pudor

Impotência diante da própria inércia

Quando, cansados, quase desistimos

Quase caímos, quase entregamos os pontos

Quase…

Mas preferimos, como Fernando Sabino, fazer

“Da queda um passo de dança”

E seguir…

Alda M S Santos

Medos

MEDOS

Muitos e muitos medos me seguem

Medo de perder pessoas queridas

Medo de me perder das pessoas amadas

Medo de perder a saúde, a lucidez

Medo de não mais ser capaz de me compadecer pela dor do outro

Medo de perder minhas memórias e lembranças boas

Medo de me decepcionar com amigos e amores

Medo de esquecer ou ser esquecida por quem amo

Muitos medos…

Não é por ausência de fé em Deus

Nem por fraqueza ou fragilidade excessiva

Tampouco por falta de coragem de enfrentá-los

De todas as coisas que me dão medo

Que me causam insegurança e dor

Um aprendizado sempre fica:

O amor é o único medo cuja dor sei que vale o risco…

Alda M S Santos

E quem poderá dizer?

E QUEM PODERÁ DIZER?

Quem poderá dizer do quanto de cada um de nós é autêntico ou fuga?

Os introvertidos, calados, que preferem a solidão

Ou a própria companhia, quase não se misturam

Não gostam de aglomerações nem de improvisos…

Os rebeldes que reclamam, brigam, sozinhos ou não, riem, choram, gritam, esbravejam

Nunca parecem quietos, estão sempre envolvidos, insistem, “comem” a vida…

E aqueles que participam de inúmeras atividades, gostam de tudo, dispostos e cheios de energia

Literalmente, abraçam o mundo, sempre sorrindo…

Quem é verdadeiramente feliz ou infeliz?

O quanto disso é autêntico ou quem está usando subterfúgios para se esconder de si e dos outros?

O quanto no modo de ser de cada um é prazer, alegria, insatisfação ou fuga?

Quem está verdadeiramente em paz consigo mesmo, com a própria consciência, com a vida?

Quem poderá dizer do quanto disso tudo não é sobrevivência?

Quem poderá saber ou julgar?

Quem não gostaria de ser diferente ou estar de outro modo, noutro lugar?

Afinal, cada qual luta com o que tem, com a arma que melhor conhece…

Ou levanta a bandeira branca!

Quem poderá dizer algo ou contradizer?

Alda M S Santos

Frágil ou forte?

FRÁGIL OU FORTE?

Somos fortes quando perdoamos a quem nos ofende e magoa

Somos frágeis quando não estendemos esse perdão a nós mesmos

Somos fortes quando dizemos sim às necessidades dos outros

Nos tornamos frágeis quando dizemos não às nossas próprias necessidades

Somos fortes quando escolhemos vencer nossos inimigos

Somos frágeis quando ignoramos o inimigo dentro de nós

Somos fortes quando temos autocontrole e autoestima

Somos frágeis quando escolhemos o autoflagelo e vitimização

Somos fortes ao identificar nossas falhas e medos

Somos frágeis ao nos concentrar apenas neles

Somos fortes quando vivemos o amor recebido

Somos mais fortes ainda quando amamos

Somos fortes não quando não temos fraquezas e medos ou não nos quebramos inteiros

Somos fortes por lidar com esses cacos sem nos ferir de morte

Sem ferir de morte aqueles que amamos e queremos bem

A força é evidenciada onde a fragilidade não foi desconsiderada…

Alda M S Santos

Na calada da noite

NA CALADA DA NOITE

Tudo é silêncio, parece silêncio

Na escuridão o mal se agiganta

Medos e traumas antigos parecem maiores

Forças minam, a fé luta para prevalecer

Gatos miam, tomam o que julgam seu sobre os telhados

Gatas dão o que fingem “amarrar”

Cães ladram e tentam proteger o que parece perdido, ameaçado

Casais se amam, namoram sob os telhados

Uns nascem, renascem, outros matam, morrem

Munidos das mais variadas armas: brancas, de fogo, da confiança, da desesperança

Gatunos de colarinhos brancos, becas, batas, ternos

Disfarçados, vestidos de seres do bem, mascarados de “amor” e bondade

Invadem casas, veículos, escolas, igrejas, pessoas

Quebram janelas, estouram fechaduras, aproveitam uma fissura qualquer

Às vezes arrombam, outras são convidados a entrar

Nas TVs abertas ou fechadas, nas ondas do rádio, na web conquistam adeptos e seguidores

Pilham, roubam, amarram, matam

Amealham dia a dia tudo que se tem de bom

Sequestram o corpo, torturam a mente

Aliciam corações e almas carentes, sofridas

“Protegidos” pelas sombras o mal age calado

Na calada da noite…

Usurpam a vida, destroem sonhos

Roubam a inocência de infantes e adultos, ameaçam

Desestruturam famílias, passam-se por amigos, por anjos de Deus

Enquanto os anjos dormem…

Será que dormem?

Será que ainda haveria vida por aqui se não estivessem acordados, agindo?

Na calada da noite o mal se agiganta

Na calada da noite é que os anjos mais trabalham…

Na calada da noite não podemos nos calar

À luz do dia devemos nos fortalecer e gritar…

Alda M S Santos

Pedidos de socorro

PEDIDOS DE SOCORRO

O mundo pede socorro

Quem é capaz de ouvir?

Pedidos tão barulhentos quanto uma sirene

Ou tão silenciosos como uma lágrima que cai

Crianças precoces sempre de agenda lotada e irritadiças

Jovens perdidos em tantas “opções” de vida moderna

Trancados em seus quartos, “góticos”, marcas roxas debaixo de lenços

Idosos “protegidos” em suas fantasias e remédios

Sorrisos, lágrimas, saudades, abandono

Adultos espremidos entre a infância e a velhice

Solitários entre tantas obrigações e cobranças, entre tanta gente necessitada

Escondidos em suas tarefas, fugindo em seus smartphones

Atrás de amigos virtuais nas telas dos PCs na solidão da madrugada

Todos “gritando” por socorro

Quem é capaz de ouvir?

Cada qual gritando sua dor de um modo

No andar, no olhar, no se esconder, no se mostrar

Na solidão autoimposta, nas atividades excessivas

Nas rebeldias constantes, nas drogas lícitas ou ilícitas

Na irritação desmedida, nos vícios diversos

Quem é capaz de ouvir?

A dor atinge a todos, o grau é variável, de “normal” a patológico

No sentir e no demonstrar

Mas há sempre uma “droga” a nos salvar

Até que não haja mais salvação

Quem é capaz de ouvir?

“Ouvir” a dor do outro é um modo de nos enxergarmos também

E, talvez, conseguirmos nos salvar…

É preciso olhar devagar, demorar-se na dor do outro

Mergulhar fundo na própria dor

Até não mais temê-la, até conseguir diluí-la…

É preciso a pureza e confiança de uma criança para “herdar o reino do céu”

O mundo pede socorro

Quem é capaz de ouvir?

Alda M S Santos

Sonhos…

SONHOS…

Sonhos…tão nossos, só nossos…

Sonhos “presos” no âmbito do in(consciente)

Estão protegidos em sua irrealidade

Trancados atrás das telas frias da impossibilidade

A partir do momento que ousam ser compartilhados

Cruzam uma fronteira perigosa e audaciosa

Passam a correr dois riscos:

Tornar-se reais, ainda que diferentes do sonhado

Transformando-se em realidades lindas, leves e doces como voo de beija-flor

Ou morrerem, em pesadelos escabrosos, sufocados pela grossa nuvem de poeira do mundo real

De um modo ou de outro deixam de ser sonhos

Daí tantos humanos cautelosos preferirem manter sonhos como sonhos

Guardadinhos na mente, na alma, no coração, protegidos…

Alda M S Santos

Fugia…

FUGIA…

Ela apertava fundo o acelerador, fugia

Rodovia escura e muito curva, chovia

Um ou outro farol em sentido contrário, sequer percebia

Nas lágrimas que sem cessar, refletiam

Escapara mais uma vez, vida salva, coração acelerado

Mas o medo persistia…

E fugia!

Para onde? Não sabia!

Queria fugir para qualquer lugar

Onde o medo não imperasse

Onde a dor não reinasse

Mas sabia…

A única fuga que permite reencontro consigo

Capaz de matar ou neutralizar qualquer monstro

É a fuga consciente para dentro de si mesma

Onde pudesse novamente se fortalecer, se reencontrar

Respirar, viver, agradecer

Ficar livre de pesadelos e ter apenas bons sonhos

Ainda que irreais…

Seria utopia?

Alda M S Santos

Medos

MEDOS

Medo do escuro, medo do desconhecido, medo de água

Medo de perder a luta, medo de perder-se

Medo de sofrer, medo de causar sofrimento

Medo de perder tudo que valha ter medo da perda

Medo de tornar-se indiferente a qualquer medo

Medo de não mais saber o que valorizar

Medos que movem ou que travam a humanidade

Medos que são usados e abusados

Por aqueles que não têm medo

Por aqueles que já não têm nada de valioso a perder

Ou por não saberem o que tem real valor

Medos todos temos,

Mas escolhemos quais nos mover quais nos paralisar…

Alda M S Santos

À ESPREITA

À ESPREITA

“Vírus da conjuntivite atinge níveis epidêmicos.”

Outra hora é o da febre amarela, da influenza…

Parece que estão sempre por aí, à espreita.

Aguardando apenas uma fragilidade ou baixa imunidade para atacar e tomar nosso corpo.

Vírus não “sabem” ser diferentes, são parasitas, precisam de um organismo vivo para se reproduzirem.

Mas não atingem qualquer indivíduo, escolhem os mais frágeis, aqueles que não foram imunizados.

A boa notícia é que o mesmo vírus não ataca a mesma pessoa mais de uma vez, elas criam anticorpos.

A notícia que merece alerta é que eles são mutantes, como o Influenza, por isso gripamos tanto.

Como todo “ladrão”, entram por nossas portas deixadas abertas ou janelas mal trancadas, a qualquer hora do dia ou da noite.

Escolhem nosso calcanhar de Aquiles, sem alarde, ficam encubados ganhando força.

Descobrem nossas falhas, carências e necessidades e, como bons vendedores, nos atendem.

Apresentam-se em nossas TVs, invadem computadores de nossos filhos, usam colarinhos brancos, fazem promessas vãs, são nossos “amigos” da atualidade.

Como os vírus, usam nova roupagem, “enganam” nosso organismo, nossa mente, nossa boa fé, abalam nossa confiança.

Levam, além de bens materiais, o que temos de mais precioso: a saúde, o sossego, a confiança, a paz…

Como os vírus, quando conseguem seu objetivo, buscam novas vítimas!

Cabe-nos estar alertas e nos fortalecer

Proteger nossas “casas” e tudo que temos de mais valioso…

Alda M S Santos

Medo de não ter medo

MEDO DE NÃO TER MEDO

Sentir medo é uma sensação desagradável

Hormônios liberados como a adrenalina causam mal estar e ansiedade

Medo de perder pessoas amadas

Medo de ser roubado, invadido

Medo de perder a saúde

Medo de não se sentir amado ou querido

Medo de fazer mal aos outros

Medo de não se encantar perante a beleza da natureza ou um ato de bondade

Medo de não amar, não sentir saudade

Não se sensibilizar perante os sofrimentos alheios

Medo de perder a fé em Deus

São muitos os medos que podem nos assolar…

Mas, mesmo desagradáveis,

Meu pior medo é o de não sentir qualquer medo

Seria sinal de que nada tenho de valioso a perder

Indiferença perante a vida

Esse sim é um medo perigoso

Isso seria quase morrer…

Alda M S Santos

Na madrugada

NA MADRUGADA

Ausência de luz, a cidade descansa

Sombras escuras se agigantam nas luzes artificiais

Shshshshsh, silêncio total

Crianças, jovens, famílias inteiras adormecidas

Os males, o medo, parecem muito maiores na madrugada…

Escondidos durante o dia, disfarçados na luz, de luz

Buscam os desprevenidos…

À noite parecem ganhar força

Sorrateiros, entram em lares, nas pessoas, nos corações

Se escondem, disfarçam, crescem, assustam

Invadem, arrombam, pilham, roubam,

Bens materiais, a família, a paz, o sossego, a vida…

Distraídos, por descuido ou enganados,

Muitas vezes cedemos a chave

Sonhos, pesadelos e realidades se misturam

E nossos anjos têm muito mais trabalho para nos salvar

Inclusive de nós mesmos

De nossa “escuridão” interior…

Mostrando que a luz é mais forte

E brilha imperiosa como o sol da manhã

Para aqueles que a querem ver…

Alda M S Santos

Janeiro Branco: Saúde Mental

JANEIRO BRANCO: SAÚDE MENTAL
Qual nosso primeiro pensamento numa foto dessas
No alto das pedras, o mar revolto lá embaixo,
Céu de intenso azul, brisa gostosa nos cabelos,
Água morninha a acariciar a pele,
Alguns banhistas, um sol brilhante e quente?
Ou sequer notamos esses detalhes?
Como nos imaginamos ali?
A saúde de nossa mente permite vários modos de ver e sentir essa imagem
O quanto ela é capaz de nos tocar, animar, alegrar, enternecer, entristecer…
Aquela pessoa sorridente perto de nós pode estar precisando de ajuda!
Pode estar sofrendo calada!
Depressão, ansiedade excessiva, fobias não são para se brincar!
Estenda a mão! Seja a ponte!
E nós mesmos? Como estamos?
Alda M S Santos

Os meus, os seus, os nossos erros

OS MEUS, OS SEUS, OS NOSSOS ERROS

Erros sempre serão erros

Ainda que venham disfarçados de acertos

Mesmo que a gente, não muito sabiamente, insista neles

Que tente justificá-los para nós mesmos, para os outros

Eles não costumam ser muito diferentes

Mudam casa, nome, endereço, mas os erros são similares

Quando não mais resistem de pé e desmoronam

Os danos causados costumam ser grandes, dolorosos…

Isso quando não vão além de nós mesmos

E desmoronam outras vidas!

Aí tudo anoitece em nós!

Pior é ver quem a gente ama cometê-los

Saber com certeza que estão errados

E não conseguir impedi-los!

Isso porque temos mais facilidade de identificá-los nos outros que em nós mesmos.

Alguns erros têm como ser corrigidos, outros não,

Mas uma coisa importante todos os erros têm em comum

Os meus, os seus, os nossos erros

Eles ensinam!

Com amor ou com dor!

E cada qual tem o “direito” de cometer o seu

Até de, não muito inteligentemente, repeti-los!

Alda M S Santos

Terapia e florais

TERAPIA E FLORAIS

Meio a contragosto ela observava os peixinhos, respiração acelerada

Aguardando um terapeuta que ouviu mais que falou:

“Você precisa se permitir vivenciar isso, sofrer, chorar”

“Tente não resolver tudo sozinha”

“Você não precisa ser forte todo o tempo”

“Entenda que isso não é real, que passou, que você está bem”

“Segundo Freud, sonhos e pesadelos são modos de se trabalhar no inconsciente o que incomoda no consciente”

“O tempo irá diminuir a intensidade dos pesadelos se trabalhar isso em você”

Ela saiu de lá com uma receita de florais

Para amenizar ansiedade, culpas, medos, traumas, melhorar a qualidade do sono

E um pouco incrédula da eficácia

Mas disposta a tentar amenizar pesadelos massacrantes…

Ocupar corpo e mente e afastar qualquer mal…

Alda M S Santos

E a vida segue…

E A VIDA SEGUE…

Dia: sol, luz, insegurança, amor, coragem, expectativas,

Vida que segue…na leveza ou peso do que somos

Noite: escuridão, medos, perseguições, ameaças, desconfianças, acusações…

Morte que tudo interrompe…na leveza ou peso do que carregamos

Sonhos e pesadelos…

Tudo cinzento e cruel!

Alegrias que fortalecem

No brilho do amor e amizade

Lágrimas que lavam a alma

Força que renasce da coragem e fé

E a vida segue…

Na linha tênue que a separa da morte!

Alda M S Santos

Quando?

QUANDO?

Quando um mal agudo se transforma em crônico?

Quando não dói mais ou quando aprendemos a conviver com a dor?

Quando a tempestade passou?

Quando limpamos a sujeira e estragos ou quando conseguimos admirar o arco-íris que surge?

Quando uma ferida curou?

Quando não deixou marcas ou quando restou uma cicatriz que não mais sangra, mas está ali?

Quando um monstro não mais assusta?

Quando ignoramos sua presença no escuro da noite

Ou quando de peito aberto o enfrentamos e dizemos

“Sou real e, mesmo com medo, sou mais forte que você”!

Quando?

Alda M S Santos

Adormecido

ADORMECIDO

Quando algo começa a adormecer dentro da gente

Surge alguma coisa para nos despertar da “letargia”

Um homem qualquer de capuz na rua

Uma mulher assassinada ao oferecer carona na rodovia

Uma notícia qualquer de violência e atrocidades

Um pesadelo sobre assaltos, estupros e morte.

Coisas que fazem reviver sensações de terror.

Mais tempo ainda torna-se necessário para adormecer

E fazer a sensação ruim ser jogada fora

Ou empurrada para o fundo e nunca mais sair…

Alda M S Santos

Lágrimas não fazem barulho

LÁGRIMAS NÃO FAZEM BARULHO

Tudo estava muito escuro, respirar era difícil

Tanto pelo exíguo espaço quanto pelo medo

Cheiro de álcool, cigarro, barulhos ao longe

Curvas perigosas, risadas mais ainda

Vou me encolhendo, abraçando os joelhos,

Tentando passar despercebida.

Lágrimas não fazem barulho, exceto dentro da gente.

Uma oração que não consegue ser verbalizada

Um pedido de socorro que não sai, por mais que se tente.

E as lágrimas aumentam… A velocidade diminui.

O porta-malas se abre, duas imagens conhecidas me encaram,

Maldosas, cruéis, dispostas a tudo.

Tentam me levar dali, fico imóvel.

Fecho os olhos, tento gritar, a voz não sai

Aguardo o inevitável.

Silêncio total!

Devagar e amedrontada, abro os olhos

A oração apenas pensada, o pedido mudo de socorro

Foram atendidos, não havia mais ninguém ali.

Chorei convulsivamente num agradecimento também mudo,

E, chorando, acordei…

Na certeza de que mais uma vez, entre tantas, fora salva!

Alda M S Santos

Era apenas um pesadelo?

ERA APENAS UM PESADELO?

“Você não tem medo, você já é grande”!

Falam-nos nossas pequenas crianças

Que em nós buscam auxílio para seus medos

Do escuro, dos monstros debaixo da cama, do lobo mau

Dos animais peçonhentos, das pessoas estranhas,

De perderem o amor dos pais, de serem esquecidas na escola…

Mas enganam-se muito ao pensar que não temos medo!

Quiséramos não tê-los!

E nossos medos são muito reais!

E nem sempre buscamos ajuda!

Medos de ordem física ou emocional, social ou financeira.

Elas não sabem, mas também temos nossos escuros,

Nossos lobos maus, nossos estranhos peçonhentos,

Também tememos perder alguém,

E temos também nossos monstros,

Tanto dentro quanto fora de nós,

E são também assustadores, quase invencíveis.

Queríamos que se afastassem ao acendermos a luz,

Ao chamarmos um super-herói,

Ou ao recebermos um abraço de “era apenas um pesadelo, estou aqui”.

Alda M S Santos

Medos

MEDOS
Não há tamanho valentão

Que nunca tenha sido acometido pelos medos.

Negou, fugiu, se entregou, ainda que não tenha admitido,

E, por fim, acabou por enfrentá-los.

A angústia maior é não ter acesso direto a eles,

Poder confrontar face a face, em pé de igualdade.

Na verdade, os medos é que são covardes,

Escondem-se onde temos dificuldades de acessá-los.

Se tivessem a ousadia de se mostrar, viriam,

E nos encontrariam de mangas arregaçadas, 

Independente de nosso tamanho, 

Saberiam que não dá para habitar

Onde habita uma coragem alicerçada na fé.

Alda M S Santos

O lado escuro da noite

O LADO ESCURO DA NOITE
O lado mais escuro da noite não está lá fora
Ele fica dentro da gente, na nossa inconsciência.
É escuro quando a gente entra sem querer
É perigoso e triste quando não conseguimos sair.
Tudo é sombrio, atemorizante, aterrador…
Mesmo assim a gente luta, a gente enfrenta,
A gente não se acovarda, corre se precisar,
Foge se acreditar que é a melhor saída.
Amigos viram inimigos, cruéis, incapazes de ajudar,
Inimigos tornam-se piores ainda.
O real não existe, o irreal toma conta, lágrimas, idem.
Até que a luz retorna, a consciência volta, o fôlego também.
Até a próxima noite escura…
Até quando?
Alda M S Santos

Medos

MEDOS

Entre todos os medos

O mais danoso é o medo de amar

Porque o amor que ele impossibilita,

É pai de todos os demais.

Alda M S Santos

 

Brincadeira de criança

BRINCADEIRA DE CRIANÇA
Do inferno ao céu na Amarelinha de ontem
Aos desafios infernais da Baleia Azul de hoje
Dos contos de fadas e histórias de doces vovós
A vovós bruxas que torturam e aterrorizam netas
De corridas descalços e suados nas ruas
A uma tarde e noite hipnotizados em frente ao vídeo-game
De amigos reais que brigavam e se amavam
A amigos virtuais que nada de bom oferecem
De mães e pais que, presentes, castigavam e amavam
A pais permissivos e, quase sempre, ausentes
De uma cabeça leve, livre e ativa
A uma mente confusa, dependente e desequilibrada.
Dizem: “ah, não, morri”!
Não sabem o quanto isso tem sido literal!
Quero game-over, reiniciar…
Começando de umas cinco décadas atrás.
Alda M S Santos

Medos

MEDOS
Você tem medo de quê?
“Tenho medo de escuro”,” tenho medo de ficar sozinho”,
“Tenho medo de monstros”, “tenho medo de ficar perdido”,
”Tenho medo de estranhos”.
Essas são algumas respostas infantis à pergunta acima.
Guardadas as devidas proporções, nossos medos não se diferem muito.
Continuamos a não gostar de escuro, talvez não do ambiente,
Mas aquele de dentro das pessoas, de dentro de nós mesmos.
Temos ainda pavor de monstros,
Não daqueles de chifres, membros grandes, olhos exagerados,
Mas de monstros que se disfarçam de pessoas decentes e honradas e nos roubam a alegria.
Temos medo de nos perder, não na rua, na escola, no shopping, na igreja,
Mas medo de nos perder de nossos amigos, nossos familiares, de nós mesmos.
Continuamos a não gostar de estranhos,
Principalmente os estranhos que se tornam aqueles que já conhecemos muito um dia.
Temos muito medo de ficar sozinhos, e da pior maneira possível,
Aquela solidão quando estamos cercados de gente,
E permanecemos sós.
O melhor jeito de vencê-los é como as crianças fazem,
Do jeito que nós mesmos as ensinamos.
Admitir a existência dos medos e enfrentá-los de frente.
Acender nossa própria luz, espantar os monstros com nossa perspicácia,
Admitir o amor e a necessidade que temos dos amigos e familiares,
Nunca nos tornarmos estranhos para nós mesmos,
Não criarmos grandes expectativas nos outros.
Aprendermos a gostar de nossa própria companhia para nunca nos sentirmos sós.
Medo se vence com coragem.
Coragem só existe quando há medos a vencer.
Alda M S Santos

Sentinelas

SENTINELAS

Reclamamos muito dos juízes e carrascos da vida, que não são poucos!

Porém, muitas vezes, somos nós mesmos que nos julgamos, condenamos e executamos a pena: juízes, jurados e carrascos.

Por medo, preconceitos, desconhecimentos, falta de habilidade ou tato, por preguiça ou covardia, nos excluímos da vida.

Aquele curso, trabalho, empreendimento, ou proposta interessante que recusamos.

Uma atividade física que melhoraria nossa saúde e humor e não fazemos.

Uma viagem, um passeio, um convívio familiar dos quais não tomamos parte.

Novas amizades ou amores que abrimos mão, que fugimos, julgamos não merecer.

Nós mesmos abrimos mão, desistimos de algo que nos faria apenas o bem.

Somos nós mesmos, com nossa mente conturbada e volúvel, ora leão feroz e corajoso, ora ratinho amedrontado e covarde, que fazemos os caminhos de nossa vida.

Muitas vezes nós, como carrascos, não matamos de imediato, apenas somos sentinelas da cela nas quais nos colocamos.

Alda M S Santos

De peito aberto

DE PEITO ABERTO
De peito aberto, cara lavada, coragem
A melhor maneira, o jeito certo de enfrentar a vida
Mesmo que não haja tanta coragem assim
Nem sempre é o “ser alguma coisa” que resolve
Acreditar que se é, pode valer tanto quanto
Cabeça baixa, medos e covardias
Não nos ajudam em nada!
Acreditar-se lindo, forte, amado
Cheio de energia, saúde e sabedoria
Nos leva ao menos até a metade do caminho.
E tendo descoberto o trajeto
O restante torna-se bem mais leve e prazeroso.
Descobri que só nós mesmos podemos barrar nossos passos!
Alda M S Santos

Sob meu telhado

SOB MEU TELHADO

Vida que nasce, cresce, se desenvolve

Absorve tudo de bom à sua volta

Aprende, junta forças, coragem,

E se prepara para o primeiro voo.

Medos? Receios? Poucos.

Procura ignorar a imensidão lá fora 

Tão convidativa, tão amedrontadora!

Quantos pássaros temos em nós 

Encantados com o novo, desejosos de aventurar-se

Buscar aquilo que faz bem,

Mas com receio de voar?

Quantos ainda estão presos sob nossos “telhados”?

Alda M S Santos 

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