Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Pobres de nós

POBRES DE NÓS

“Nem tudo que reluz é ouro”

A vida vai nos ensinando pouco a pouco

Tombo a tombo, escuridão a escuridão

Batalha por batalha, derrota ou vitória

Nem todo sorriso é felicidade

Pode ser também desejo de se manter forte

Nem toda lágrima é negativa

Pode ser a limpeza que faltava nesse terreno baldio que somos tantas vezes

Uma vida festeira pode carregar uma pessoa solitária

Buscando companhias na agitação do cotidiano

Nem toda bela estampa exterior revela um interior bonito

Nem toda imagem familiar de comercial de margarina

Revela uma vida tão simples, fácil e bonita

O que cada um de nós enxerga do outro

É apenas aquilo que o outro permite que seja visto

Por dentro, cada qual sabe de si

Suas lutas e dificuldades, suas derrotas diárias

E o quanto custa manter um sorriso ou segurar uma lágrima

Nem tudo que reluz é ouro

Mas todo ouro, mesmo fosco, não lapidado, carrega seu valor

Muitas vezes quem está ao nosso lado aparentemente “tão feliz”

Enfrenta males que sequer desconfiamos

São poucos que conseguem atravessar essa couraça protetora do cotidiano

E ver o que o outro realmente é ou precisa

Pobres de nós!

Alda M S Santos

Curas homeopáticas

CURAS HOMEOPÁTICAS

A natureza tem poderes curativos

Não apenas os que vêm das plantas medicinais, que brotam do chão

Natureza tem poderes curativos da emoção

Aqueles que trazem paz, acalmam o coração

Em doses homeopáticas e constantes

Atingem pontos importantes na alma

Via tato, visão, olfato, paladar, audição

Paulatinamente despertando a nossa reação

Nos salvam até de nós mesmos

Quando não enxergamos mais saída

E nos tornamos nós mesmos nossos maiores adversários…

Natureza desperta em nós o que é essencial

E que, por vezes, fica escondido em meio a tanta coisa artificial…

Alda M S Santos

E o amor?

E O AMOR?

Crise de ciúmes, um dedo apontado, uma voz alterada, um susto

Aí vem um pedido de desculpas, um beijo, um “tudo bem”

E o amor?

Um descaso qualquer, uma indiferença, um grito, uma grosseria

Lágrimas, decepção, perdão

E o amor?

Um empurrão, uma ordem, uma cobrança, um tapa

Um abraço, “surtei, eu te amo, não vai mais se repetir”

E o amor?

Um tanto faz, “não vivo sem você”, uma surra

Uma ameaça, “se não for minha não será de mais ninguém”

Falta coragem, sobra vergonha, tristeza, solidão

E o amor?

Boletim de ocorrência, caso de polícia, medida de proteção

E o amor?

Morreu de inanição, de sede, por falta de alimento, de cuidado

Estrangulado pelos gritos presos na garganta

Sufocado pelas mágoas e decepções

Amor não morre de morte natural

Amor morre assassinado, morte lenta e dolorosa

Subjugado pelo sentimento de posse, de propriedade

Fica em tratamento intensivo muito tempo

E acaba entrando em falência múltipla

Falta ar, falta oxigênio, falta liberdade de ser

Falta prazer de viver…

A morte do amor não precisa ser a morte do indivíduo

Feminicídio é crime, a mais pura covardia e crueldade

É a prova de que se houve amor

Foi um amor doente desde o princípio

Se não faz bem não é amor…

Salve-se, salve uma vida, denuncie qualquer agressão

Se puder ajudar, estenda a sua mão…

Alda M S Santos

#feminicidio

A majestade

A MAJESTADE

Toda majestosa ali, a primeira que noto

O cartão de visitas, a recepcionista

Parece convidar à sua sombra

Chamar-nos para nos sentarmos em suas raizes

Subir em seu tronco, alcançar seus galhos

Admirá-la, ou, simplesmente, abraçá-la

E sermos gratos a tanta beleza e encanto

Ali, fazendo parte dessa história

Participando de tudo, silenciosa e receptiva

Pode entrar, aqui sempre cabe mais um…

Amo flamboyant, amo árvores!

Alda M S Santos

Camping

CAMPING

Tudo escuro aqui dentro

Silêncio!

Lá fora há a luz do luar

Sons da noite, noite no campo

Noite de camping

Todos aboletados em suas barracas

Silêncio!

Uma risada abafada, um ronco leve

Bichos da noite e seus barulhos

Silêncio!

Depois de tanto riso e alegria

Conversas, músicas, violão, diversão

Uma brasa resta ainda no fogão improvisado

As estrelas brilham intensamente no firmamento

Silêncio!

E o rio, ah o rio, o encanto maior de todo acampamento

É vida de todas as maneiras

Na alimentação, na higiene, na diversão…

Silêncio!

Noite no camping, noite rústica, simplicidade…

Aqui valorizamos mais ainda tudo que temos de bom

O que é mesmo necessário e o que é supérfluo…

Silêncio, escuro, noite de camping

Logo o sol irá nascer…

Mais barulho, mais vida, mais amigos, mais rio

Dia de camping…

Alda M S Santos

Meninos do Rio

MENINOS DO RIO

No rio nos tornamos meninos

Crianças sapecas a nos divertir e lavar a alma

Água fria, transparente, corrente…

E ainda assim nos aquece

Aquece a alma de coisas boas

Pura natureza de matos, bichos, terra e água

Não há quem não sorria, não grite, não brinque

Que não jogue água no outro

Que não mergulhe, nade de braçadas

Que não se divirta num tombo

Que não escale uma árvore, que não se deite no chão

Que não se encante…

No rio somos meninos

Por isso no rio somos felizes

Porque só somos verdadeiramente felizes

Quando deixamos aflorar nosso lado menino…

Seja feliz, seja rio, seja menino…

Alda M S Santos

Heroínas

HEROÍNAS

Em tempos de mundo do avesso

Muitos podem ser os pequenos grandes feitos

E são heroínas todas aquelas que conservam seu lado “direito”

Que, a despeito de todo avesso e adversidade,

Ventos contrários, covardias de todo tipo

Abandono, tsunamis, raios e trovões

Mantêm-se de pé, firmes tal qual árvore frondosa

E sustentam sua prole, sua família, sua vida

Financeira, moral e amorosamente

Sem jogar a toalha, sem lamúrias

E sem perder a própria essência

Somos nossas próprias heroínas!

Alda M S Santos

Sou mulher, sou minha!

SOU MULHER, SOU MINHA!

Ora sou forte, ora sou frágil

Sou humana, feminina, carente ou autossuficiente

Não sou mais nem menos que você

Posso ser razão ou emoção,

Pés no chão ou cabeça nas nuvens

Sou mel, sou fel, rosa ou azul

Multicor!

Choro sorrindo, sorrio chorando

Transbordo amor!

Rosa ou espinho, ora ferida, ora ferindo

Se você me enxergar e bem cuidar

Se me aceitar como sou e a mim respeitar

Terá uma alma sempre leal para te amar

Posso te fazer chorar, mesmo sem querer

Mas posso ser a razão do seu sorriso

Aquela que desperta seu lado bom, te faz crescer

Posso ocupar qualquer espaço que eu queira

Profissional, social, pessoal, amoroso

Inclusive um lugarzinho especial dentro de você

Não sou sua costela, tampouco um corpo apenas

Mas posso ser seu coração

Assim como você também pode ser o meu

Não para tomarmos posse um do outro

Mas por querermos e escolhermos estar juntos

Por saber que só somos plenos

Quando encontramos no outro

Aquilo que atiça o melhor de nós…

Sou mulher, sou feminina e, como todas elas,

Posso ser sua, nua e crua, mistério

Mas antes de tudo sou minha!

Alda M S Santos

#diainternacionaldamulher

Rosas, sim, todas elas…

ROSAS, SIM, TODAS ELAS…

Mulheres…

Rosas, sim, todas elas

Não só pela delicadeza, suavidade e perfume

Tampouco apenas pelas cores, beleza e encanto

Mulheres…

Rosas, sim, todas elas

Pela força que brota mesmo em terreno árido

Pelos ventos e tempestades que suportam

Pelos espinhos que usam para se proteger

Mulheres…

Rosas, sim, todas elas

Pelos outonos em que perdem partes de si

Pelos invernos frios sem se abaterem

Pelas primaveras que recebem em total plenitude

Mulheres…

Rosas, sim, todas elas

Pelos “cravos” que ainda a “despedaçam”

Mas aprenderam a fazer mais que chorar “debaixo de uma sacada”

Por precisar a cada dia conquistar seu espaço, ir à luta

Por sobreviver, muitas vezes, irrigadas com as lágrimas

Que poderiam matá-las pouco a pouco

Mulheres…

Rosas, sim, todas elas

Por toda a força, beleza e grandeza

Pelas vidas que geram, pelo amor que doam

Nesse lindo jardim no qual, mesmo podadas,

Elas, como rosas, resistem cada vez mais belas

Sem perder a doçura

Mulheres, rosas, jardins…

Tudo parte da mais bela criação… Cultive sua rosa, cuide de sua mulher!

Alda M S Santos

#diainternacionaldamulher

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Enfrente a vida

Faça-o como uma mulher!

Em frente! 🙏🏼💖😘

Ponte: uma saída

PONTE: UMA SAÍDA

Uma ponte sempre é uma boa opção

Une pontos, encurta caminhos

Aquela que nos leva de cá para lá

Que nos tira de algo não mais desejado

E nos leva para o almejado

Uma ponte nunca é o destino, apenas a passagem

Mas cada qual a vê de um modo

Pode ser bonita, tranquila, bem aproveitada

As saídas enxergadas ali são variadas

A disposição para seguir, idem

Uns a atravessam em busca do novo

Alguns querem voltar, na contramão

E outros se lançam dali, do alto

Entregam os pontos, desistem

Veem apenas o fim de uma dor…

Que não fiquemos estacionados na ponte

Que ela nos aponte vida, luz, esperança e paz!

Alda M S Santos

Uma bela manhã para viver

UMA BELA MANHÃ PARA VIVER

Uma bela manhã para viver

Céu, sol, brisa, flores e cores

Ou uma bela manhã para morrer

Também de belezas, encantos e perfume

O que diferencia uma da outra

Será que ela sabe flutuando por ali

Vive tão intensamente, tão pouco

Nesse mundo tão assustador

Lagarta, casulo, escuro

Tem medo?

Borboleta, luz, cores, brilho

Tem medo?

Tudo tem seu devido tempo…

Será?

Uma bela manhã para viver

Ou uma bela manhã para morrer

Quem determina?

Voa suave e para nas mãos dela confiante

Quer responder à questão silenciosa

Leve, linda, desliza delicada por seus dedos

E voa serena em torno dela no jardim

Mas deixa sua resposta

Quer seja uma bela manhã para viver

Ou uma bela manhã para morrer

É a paz que reina em cada alma

Que será capaz de fazer…

Alda M S Santos

A melhor professora

A MELHOR PROFESSORA

Ela é considerada a melhor professora

Nem sempre a mais doce

Tampouco a mais justa

Pode levar tempo, machucar

Precisar reapresentar as mesmas lições

Do mesmo modo, mesmos recursos e técnicas

Ou com um método diferente, novos livros, material didático atualizado

Para os alunos mais “complicados” e difíceis

Mas ninguém pode negar sua eficiência

Ela ensina, leve o tempo que levar

Por bem ou por mal

Por prazer ou por dor

A vida ensina! E como ensina!

Se esse for o único quesito exigido, o troféu vai para ela

A vida é a melhor professora!

Alda M S Santos

Sempre a luz

SEMPRE A LUZ

Ora em tons de verde, florido, claro, quentinho

Ora cinzento, frio, escuro, fosco, triste

Mas a luz está sempre lá…

Quantas pegadas foram deixadas para trás

Quanto há dessa estrada a percorrer

Mais, menos… não sabemos

Mas a luz está sempre lá…a chamar

Quantas vezes quisemos voltar, parar, seguir

Sorrir, chorar, gritar, silenciar

Pular partes, sentar, desistir

Vencer tudo de uma vez só

Mas a luz estava sempre lá…a nos chamar

Vamos construindo passo a passo esse caminho

Lentamente, apressadamente, andando ou correndo

Mas a luz está sempre lá…

Sentimentos se alternando em nós, humanamente

Bem acompanhados, muitas vezes, agradecidos

Solitários e meio desamparados em outras, descrentes

Mas a luz está sempre lá…

Ela é nossa bússola, nosso guia

Aquela que nos traz de volta aos trilhos

Nas vezes em que, por imperícia, descarrilhamos

Ela é nosso objetivo

Sempre a luz…

Sempre a busca incessante pela luz

É ela que nos fortalece e anima

Quanto falta? Não sei…

Sei que sigo a minha Luz…

Alda M S Santos

Brincar para ser feliz

BRINCAR PARA SER FELIZ
Uma menina corre descalça, sapeca
Um rabo de cavalo, um sorriso no rosto
Um balanço, um quintal e um amiguinho
Igualmente descalço, levado a lhe puxar o rabo de cavalo…
Não é preciso muito para ser feliz
Criança brinca e, brincando,
Resolve seus pequenos conflitos
Torna a vida leve, a brisa suave
E se a corda arrebentar, esparrama no chão, machuca
Chora, limpa as lágrimas, ganha um beijinho na ferida
E volta a balançar, a vida segue…
Constrói e desconstrói o que é necessário para continuar brincando
Quando foi que complicamos tanto?
Os problemas mudam, é verdade, aumentam
Mas nós mudamos primeiro, “crescemos”…
Passamos a engolir lágrimas e sapos
Desaprendemos o poder de saber brincar?
Urge reaprender a brincar para ser feliz
Para não enlouquecer…
E não brincar de que se é feliz!
Alda M S Santos

Borboletas…

BORBOLETAS…

Quisera essa leveza, essa cor, essa liberdade de ser

De flor em flor, jardim em jardim, puro prazer

Quisera encantar, polinizar, a vida levar nas asas

De metamorfose em metamorfose, voar, renascer

Quisera nunca perder a fé, acreditar num propósito maior

Saber onde pousar, em quem poder confiar

Ainda que seja curta e fugaz

Levar uma vida intensa de amor e paz

Quisera jamais perder a calma e trazer na alma a certeza

De que tudo está em seu devido lugar

Quisera sua marca aqui poder imprimir e deixar

Tal qual bela, leve e encantadora borboleta…

Alda M S Santos

Pierrô, Arlequim ou Colombina?

PIERRÔ, ARLEQUIM OU COLOMBINA?

“Pierrô apaixonado que vivia só cantando…”

Vai Carnaval, vem Carnaval

E sempre serão encontrados

Pierrôs apaixonados, cantando ou chorando

Arlequins preguiçosos e malandros

Colombinas encantadoras, confusas e disputadas

Amores e desamores de teor teatral

Cenários tragicômicos, amores frustrados

Uma “peça” a nos pregar peças

Personagens que atravessam a linha do espaço e do tempo

Gênero, cultura, classes sociais

Histórias e releituras da mesma sátira social

O circo, o palhaço, a arte, a plateia

A vida imitando a arte

Ou a arte imitando a vida?

Rótulos quebrados ou reforçados

Amor não é só flor, é cego, é também dor

Palhaço não é só sorrisos ou alegrias

Cantar não imuniza contra qualquer dor

E, com toda certeza, Carnaval ou não

Vez ou outra, em algum momento da vida,

Não estamos a salvo, seremos tomados por um Pierrô, Arlequim ou Colombina

Independente se somos homem ou mulher

Palhaços somos, cantando ou chorando…

Alda M S Santos

Nossa estrela

NOSSA ESTRELA

Quanto menos luz externa

Mais a luz interna se faz necessária

Para não nos perdermos na noite escura…

Felizmente, a bateria dela é recarregável

Não se estoca, não se acumula

Possui vários modos de acionamento

Só se esgota por falta de atividade

Quanto mais se usa, mais se tem

Quando a vida ficar mais escura lá fora

Quando os medos forem grandes

Os pesadelos maiores que os sonhos bons

Mais nossa estrela precisará brilhar dentro de nós

E quanto mais ela brilhar dentro de nós

Mais ela poderá atingir nosso entorno

E meu brilho com seu brilho

Pode nos iluminar e iluminar parte desse mundo

Enquanto estivermos por aqui

Quiçá quando dele partirmos também…

Brilhemos juntos, coração com coração!

Alda M S Santos

Gerenciando emoções

GERENCIANDO EMOÇÕES
Controlar o que sai, manter reservas
Repor gastos, ficar sempre no azul
Manter a balança financeira positiva
Equilibrando ônus e bônus
Isso é gerenciar bem a vida econômica
Mais importante que isso
É saber gerenciar nossas emoções
Não depositar em nós qualquer “valor”
Escolher bem nossas prioridades de retiradas
Ser seletivo com emoções que causem grandes déficits
A curto ou longo prazo
Aquelas que oneram nosso corpo e mente
Dar prioridade para emoções boas
Que preencham bem nossos vazios
Que nossos sorrisos ou lágrimas de giro sejam especiais
Que não causem danos aos outros
Que gerem lucros e dividendos
E não nos levem a abrir falência emocional
Que nosso gerenciamento das emoções seja tão bom
Que mantenha nossa alma sempre ativa
Sujeita sempre a bons investimentos
Isso é ser um bom gerente de si mesmo
Esse diploma buscamos todos…

Alda M S Santos

Oh, jardineira

OH, JARDINEIRA
“Oh, jardineira por que estás tão triste”?
Não se importe com uma flor que se perdeu
Não será essa a sina das flores, das rosas
Nascer, crescer, florescer, perfumar, encantar
E partir?
Não fique triste, não se perca também
A cada flor o seu perfume e encanto
A cada jardineiro o seu cuidado e proteção…
Seja você flor ou jardineiro, seja cor
Seja amor!
“Não fique triste que esse mundo é todo teu”
Você é pessoa digna da vida florida que ainda nao morreu…

Alda M S Santos

Sim é sim!

SIM É SIM!
Sim é sim!
No campo, numa cachoeira, numa praia deserta
No sofá, na rede, no tapete da sala diante da TV
Sim é sim!
Gosto do meu carnaval assim
Minha festa da carne, do prazer
É possibilitar paz, descanso, sossego, e tranquilidade
A corpo, mente, alma, coração
Busco a sinfonia dos pássaros
O farfalhar das folhas na copa das árvores sob a brisa ou vento forte
O canto das marés numa praia deserta com a areia fina sob os pés
A rede na varanda, a chuva no telhado
O bom livro sobre a grama macia…
Quero qualquer lugar em que ouça apenas a natureza
Associada à minha natureza
Com quem amo por perto, mesmo que na imaginação
No coração, na oração, sob a divina proteção …
Sim é sim!
Quero uma vida toda de prazeres assim…
Alda M S Santos

Se o rio seca…

SE O RIO SECA…

Fortalecer nossas asas para um voo livre e leve

Alimentar a brasa que nos aquece e revitaliza

Valorizar os ombros em que nossas cabeças repousam

Amaciar o colo onde acalmamos nossas angústias

Cultivar o que gera a sombra fresca onde nos livramos do cansaço

Manter acesos os motivos de nossos sorrisos

Nunca perder a fé que nos torna mais humanos

Cuidar bem de nossas matas ciliares

Porque quando o rio seca em torno da gente

Nunca mais volta a ser corrente…

Alda M S Santos

Tire as sandálias

TIRE AS SANDÁLIAS
Abra a porteira, respire o ar puro
Tire as sandálias, pise devagar
Seja bem-vindo
Deixe lá fora qualquer peso
Sinta a leveza desse lugar, inspire
Tire as sandálias, as pedras que nela houver
Que possam cortar, ferir, atrapalhar
Refestele-se…
A maciez fria da grama refresca
Percorre a corrente sanguínea, acalma
Leva um sinal de paz a cada cantinho de nós
Tire as sandálias, entre, sorria com e por prazer
Levante os braços, agradeça
Inspire, expire, faça saudações à vida
Não há caminho mais longo e desejado
Que o que nos leva até nossa alma
Tire as sandálias, continue
Você está quase lá, mais um pouquinho só
E logo se encontrará com quem mais importa
O divino que habita em você!
Alda M S Santos

Aproveite o orvalho

APROVEITE O ORVALHO

Mesmo nas noites mais secas e escuras

Nas mais frias e longas

O orvalho é produzido e depositado

Belo, natural, encantador, motivador

Quando tudo parecer secar e morrer

Quando tudo for noite fria, assustadora

Com seus barulhos ensurdecedores do silêncio

Aproveite o orvalho

E nova alvorada há de despontar na serra

Mais linda e iluminada que antes

Despertando e trazendo de volta vidas adormecidas

Com mais cores, brilho, beleza e perfume…

Alda M S Santos

Está chegando a hora

ESTÁ CHEGANDO A HORA

É preciso que a gente se divirta

Não precisa ser só no carnaval ou épocas especiais

Bloco nas ruas, bailes nos salões ou escolas de samba na avenida

Nem precisa gostar do tumulto do carnaval

Pode querer se estirar no sofá e assistir um filme

Preferir ir para o mato, deitar na rede, olhar o céu

Ouvir as marchinhas cantadas pelos pássaros

Ou assistir ao desfile das borboletas e beija-flores…

Mas de diversão todos gostam

Aquela que usa o carnaval ou qualquer data festiva

Como mera desculpa para interagir, sorrir, brincar

Tempo para encontrar e socializar com os amigos

Do trabalho, da escola, da igreja, da família

Da academia, do Pilates ou aqueles de tempos idos…

Qualquer um que queira espalhar alegria

Porque de tristeza estamos todos saturados…

Quem se diverte e se alegra com a diversão dos outros

Tem Deus, sim, é mais feliz, mais saudável, vive mais…

Vamos curtir enquanto há tempo

Porque ele passa ligeiro e nos arrasta junto

Tal qual trenzinho nos bailes

“Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai

Está chegando a hora

O dia já vem raiando meu bem

Eu tenho que ir embora…”

Alda M S Santos

Como entender?

COMO ENTENDER?

Passaremos a vida inteira por aqui

Sem entender os critérios do fim

Quem fica ou quem se vai

Como, quando ou por que ficam ou se vão

(De)méritos, ônus, bônus, proteção, acerto de contas?

Tentar entender essa (i)lógica seleção ou exclusão

É pura perda de tempo…

Não somos capazes de compreender

Há muitas coisas que não nos foi dado conhecer

Para não enlouquecermos ou jogarmos a toalha

Resta-nos confiar em quem nos colocou aqui

E aceitar seus desígnios para nós

Ainda que doa, magoe, corte fundo

Afinal, Ele mesmo foi embora muito cedo

E de um modo crucial para todos nós…

Alda M S Santos

E as lágrimas secaram…

E AS LÁGRIMAS SECARAM…

Sentada num canto ela dizia que já sofreu demais

Tanto chorou, e chorou, que hoje,

Por maior que fosse a dor, não tinha o alívio das lágrimas

Secaram todas, afirmava

Décadas e décadas vividas, evidenciadas em cada ruga

No corpo frágil que parecia muito leve

Para carregar tamanho peso…

Que será que carrega a pesar tanto?

Algo que fez, que deixou de fazer, ou permitiu que fizessem consigo?

Males que causou aos outros, a si mesma, arrependimentos,

Sonhos que não viveu, impediu que outros vivessem

Caminhos que não trilhou, portas que arrombou

Lições que não aprendeu ou não ensinou

Ou saudades, alegrias perdidas, não mais vividas?

Observo os mais velhos, e considero a sabedoria da natureza

Ao ir limitando a memória dos idosos

Um modo de poupar energia

E aliviar um pouco o sofrimento daquilo que não tem mais jeito,

Pois lágrimas e sorrisos, ambos podem fazer bem ou mal

Dependendo do modo que se olhe para eles,

E da expectativa que se tenha pela frente…

Alda M S Santos

Quem mais viveu?

QUEM MAIS VIVEU?

Quem mais viveu?

Aquele que acumulou mais idade cronológica

Ou aquele que mais cresceu, amadureceu emocionalmente?

Quem mais viveu?

Aquele que acumulou mais sorrisos

Ou aquele que mais chorou?

Quem mais viveu?

Aquele que mais conquistou bens

Ou aquele que mais prestou serviços?

Quem mais viveu?

Aquele que mais prazer vivenciou

Ou aquele que mais se doou?

Quem mais viveu?

Aquele que conheceu o mundo todo

Ou aquele que conheceu melhor a si mesmo?

Quem mais viveu?

O que despertou mais empatia e amor

Ou o que mais intensamente amou?

Quem mais viveu?

Aquele que lutou e brigou por um mundo melhor para si e para os outros

Ou aquele que aceitou o que a vida apresentou

Extraindo dela o melhor?

Quem?

Quem mais viveu foi o que soube ser feliz em qualquer circunstância

Estando pleno mesmo na falta…

Quanto nos “falta” para a plenitude?

Alda M S Santos

O poder de uma canção

O PODER DE UMA CANÇÃO

As canções são poderosas quando

Se trata de tocar nossas emoções

Letra, música, a melodia como um todo

Têm poderes calmantes, revigorantes, curativos,

Ou estressantes, rebeldes, massificantes

Algumas são capazes de envolver, de aliciar

Despertam nostalgia, saudade, solidariedade, amor

Canções marcam épocas, situações, movimentos de luta

Rebeldia, conquistas, identificam uma geração inteira

Fazem a trilha sonora de nossas vidas, nos levam a dançar

Marcam o amor e a dor, a alegria e a tristeza

Pelas canções que se ouve, pelo estilo musical

Podemos saber muito do modo de ser de uma pessoa

Ou de como ela se encontra naquele momento

A música é capaz de nos identificar e nos apresentar a nós mesmos

A música é capaz de nos revelar aos olhos dos outros

Alda M S Santos

Todos precisamos de um amor assim…

TODOS PRECISAMOS DE UM AMOR ASSIM…

Era já velhinho, bem vivido, amigo, indispensável

Mesmo que todos dissessem que não era mais muito útil

Era sempre aquela presença agradável

Isso que importava…

Ele a salvava nos momentos mais solitários e tristes

Sentia o que ela sentia, dor ou alegria

Tão fiel e grande companheiro de todas as horas

Era tudo que um amigo precisa ser…

Soube calcular certinho o tempo que tinha ainda por aqui

Não foi embora enquanto não a deixou mais forte e segura

E só quando chegou um “substituto”

Um novo amigo fiel e protetor

Ele a deixou e voltou para casa, seguiu seu destino

Mesmo sabendo que seu lugar nunca seria preenchido

Muitos outros poderiam chegar

Mas seu lugar seria seu, somente seu para sempre

Amizade que nunca abandona

Ainda que vá embora

Fica para sempre marcada no coração

Daqueles que se encontraram, conviveram e se amaram

Todos precisamos de uma amizade ou amor assim…

Alda M S Santos

Esquecer ou lembrar?

ESQUECER OU LEMBRAR?

Você já se esqueceu?

A vida continuou, não parou

Ao menos não parou para todo mundo

Mas para aqueles que sofreram a perda de alguém

Dor, angústia, lágrimas, revolta, tristeza, medos

Às vezes precisamos esquecer

Para seguir vivendo…

Noutras, exatamente ao contrário,

Precisamos lembrar de quem partiu e vive em nós

Para não nos sentir morrendo…

Uns precisam de 30 dias, meses ou anos para esquecer

Outros se lembrarão e serão lembrados

Mesmo que passe uma vida inteira

Algo sempre estará rompido em quem perdeu alguém

Que representou no mínimo 50% de seu viver

Esquecer ou se lembrar continuamente

São modos similares de ativar novamente a válvula da vida…

Alda M S Santos

Leituras

LEITURAS

Há leituras e leituras…

Há quem leia um poema e se emocione

Há quem leia uma capa e se admire

Há quem leia um número e racionalize

Há quem leia apenas palavras e viaje

Há quem leia um corpo e se encante

Há quem leia um olhar e ali se perca

Há quem leia um toque e retribua

Há quem leia um abraço e devolva

Há quem leia um sorriso e se ilumine

Há quem leia a distância e a percorra

Há quem leia o silêncio e grite em resposta

Há quem leia uma dor e se solidarize

Há quem leia uma lágrima e a enxugue

Há quem leia uma saudade e vá nela morar

Há quem leia mais uma história fictícia e desista

Há quem nessa história se encaixe e insista

Há quem leia um momento doce e se lambuze

Há quem apenas decifre códigos gráficos

E há quem leia e interprete tudo isso

De acordo com suas vivências…

Como você me lê, lê os outros?

Alda M S Santos

Que sejamos praia

QUE SEJAMOS PRAIA

Um grão de areia sozinho fica perdido

Levado pelo vento forte ou arrastado pelas águas

Sequer é visto ou notado

A não ser que esteja entre nossos dedos no sapato, incomodando

Ou que o vento o leve para nossos olhos, irritando

Um grão de areia sozinho desconhece seu poder

Sua capacidade de construção, beleza e importância

Um grão de areia para cumprir sua missão, valorizar-se

Precisa se juntar a outros grãos de areia

Um grão de areia não deixa de ser um grão de areia por estar sozinho

Mas só pode ser casa, lar ou praia

Quando se juntar a outros tantos grãos de areia

Aí entenderá seu propósito por aqui

Humanos sozinhos são grãos de areia

Humanos juntos são praia

E muitas praias formam a linda, complexa e controversa humanidade

Capaz de ser, ao mesmo tempo, construtiva ou autodestrutiva

Que possamos ser praia linda, encantadora e acolhedora…

Alda M S Santos

Girassol

GIRASSOL

Quando amanheci procurei pelo meu sol

Aquele capaz de me aquecer, fortalecer

Com esforço eu me virava em busca dele

Como girassol…

Quando amanheci busquei meu sol

Aquele que me revigora, me energiza

Desperta-me para a vida, para o bem…

Quando amanheci, afastei os medos, enxuguei as lágrimas

Sorri, espreguicei e me abri para ele

Gira, gira, girassol, assim fiquei

E o encontrei a brilhar naqueles que me aquecem

Me amam, me acolhem, me fazem bem

Quando amanheci me abracei bem apertado ao meu sol

E o segui todo o tempo nesse encanto diário

Tal qual belo e sábio girassol

Busquei meu alimento, minha luz

Aquela que quase sempre vem do alto

E responde pelo nome de Jesus

Amanhecer assim é despertar para a vida…

Alda M S Santos

Toque de amor

TOQUE DE AMOR

Uma geme na cama, dormindo ou acordada

A outra, de frente para o corredor, sempre observa quem se aproxima

A primeira tem feridas nas pernas, artroses múltiplas

A outra, após AVC, não fala mais, não é alfabetizada

Comunica-se com gestos e com o olhar

Há ainda outra que canta e gosta de dançar, apesar das limitações

Todas moram num lar para idosos

São bem cuidadas, medicadas, alimentadas

Uma agradece baixinho, reduzindo os gemidos,

O abraço, o beijo, o carinho que recebe

A outra fala de amor com os olhos

Recebe e retribui os abraços

Devolve os carinhos no rosto delicadamente

Todos lá não só gostam do toque, do carinho, da atenção

Mas precisam dele para viver

Só notamos verdadeiramente a falta que o calor humano faz

Quando nos defrontamos com quem mais carece dele …

O toque carinhoso de outra pessoa

É o que nos faz sentir humanos, vivos…

Alda M S Santos

#carinhologos

Temos pressa

TEMOS PRESSA

Os dias passam, a vida corre

O tempo voa…

Queremos também voar

Temos pressa!

O que é bom passa rápido

O que é ruim nem tanto

Corremos em busca do que interessa

Perdemos tempo com o que não presta

Temos pressa!

Tudo muda de lugar

Pessoas se vão, algumas ficam, outras chegam

Família, amigos, amores

Todos procurando se manter inteiros

Nessa ventania louca do tempo…

Temos pressa!

Tantas coisas boas se perdem

Queremos abrir nossas asas

Voar junto com o tempo

Amanhecer, entardecer, anoitecer

Entre alvoradas e luares

Almejamos parar o tempo

Para cessar a pressa de viver

E assim nada perder

Temos pressa!

Não queremos ir embora

Tendo deixado algo por viver…

Alda M S Santos

Jogo da vida

JOGO DA VIDA

Tal qual bola branca no bilhar

Que sofre o golpe inicial do taco

E lança todas as demais bolas

Num bate e rebate

Num vai e volta frenético

Umas sempre interferindo na trajetória das outras

Rumo à caçapa ou fugindo dela

Por menor que seja o movimento

Cada “tacada” nossa atinge muitas outras vidas

Somos bolas e tacos nessa grande sinuca

Ora tacando, ora sendo tacados

Desviando ou caindo nas caçapas da vida

Não existe movimento “inocente”

Calculado ou não, planejado ou descuidado

Até a inércia é um movimento que afeta todo o jogo…

Alda M S Santos

Baixa imunidade

BAIXA IMUNIDADE

Se a imunidade corporal baixa

Aparecem as doenças oportunistas

Influenza, resfriados, alergias, e as mais variadas infecções

O corpo fica entregue, custa a reagir

Se a imunidade emocional baixa

A autoestima cai, o amor-próprio míngua, a autoconfiança se esvai

A saúde emocional corre risco

A alma fica fragilizada

Surgem os (des)humanos oportunistas

Para o corpo, vitaminas, fortificantes e movimento

Para a alma, carinho, proteção, amizade

E o movimento do amor…

Esses são os remédios para baixa imunidade

Deles não abro mão …

Alda M S Santos

Louca-molhada

LOUCA-MOLHADA

Quero poder caminhar na chuva, me encharcar

Trocar fluidos com ela

Me embriagar, entorpecê-la

Louca?

Louca-varrida, louca-molhada, louca-feliz ou infeliz

Louca-menina, louca-mulher, louca de alma infantil

Simplesmente, louca!

Quero correr debaixo do temporal

Chutar água, abrir os braços, cantar, sorrir, chorar

Afastar todo o mal

Pedir e oferecer o perdão, a gratidão

Que a água leve, que a água traga

A vida que nasce e renasce em cada gota

Quero me inundar

Sem guarda-chuvas, sem proteção

Protegida pela emoção de viver

E de sonhar

E quem sabe num ponto qualquer te encontrar?

Alda M S Santos

Até a vida anoitecer…

ATÉ A VIDA ANOITECER…

Há quem nos sugue

O vigor, a energia, a força

Há quem nos abasteça

De coragem, esperança e fé

Há quem nos dê, há quem nos tire

Há quem nos leve de nós mesmos

Há quem nos ajude a nos encontrar

Há quem fique, há quem se vá

Mas o que quer que façam conosco

Só o fazem com nosso aval

Assim dizem os sábios mais evoluídos

Que se mantêm intactos dentro de si mesmos

Meros mortais seguem a sugar e a abastecer

A serem sugados e abastecidos

Até a vida anoitecer…

Alda M S Santos

Degustação

DEGUSTAÇÃO

Numa analogia com um grande restaurante

A vida teria uma quantidade diversa de clientes

Glutões, famintos, anoréxicos, bulímicos

Aqueles que comem de tudo sem critério ou medida

Os que não ingerem quase nada por medo de peso extra

Os que engolem de tudo desenfreadamente e logo vomitam, descartam

Aqueles cujo organismo não dá conta de processar muito bem o alimento

Os que querem apenas variedade, sem qualidade

Os que ficam pegando rebarbas dos pratos alheios

Os que preferem somente a degustação, não pagam o preço do “prato”

Passam fome…

E aqueles sábios e experientes que sabem o que querem

Buscam exatamente o que precisam para se alimentar

Não se encantam mais só pela apresentação ou aroma do prato

Buscam prazer e valor nutritivo num prato que seja seu

Que tenham plantado ou pescado

Querem alimento para o corpo e para a alma

Estão sempre bem alimentados

Sabem que degustação por degustação não traz satisfação…

Alda M S Santos

Nossa bagunça

NOSSA BAGUNÇA

Uma ampla sala arejada com poltronas aconchegantes

Um quarto quentinho, macio e acolhedor

Uma cozinha receptiva, com aroma de café e pão de queijo

Uma rede na varanda com uma vista da Serra

Um quintal com flores, frutos e balanço na goiabeira

Um gramado para brincar, dançar, se exercitar

Um sótão para guardar as bagunças e ferramentas…

Cada qual tem seu sonho de casa, de moradia

Mas para um lar todos têm o mesmo desejo

Que seja amoroso, pacífico, harmonioso

E isso independe da casa em que se mora

Depende muito de com quem se mora

E da sabedoria em manter organizados nossos ambientes internos

Nossa “casa” não é sempre um amplo espaço arejado

Mas também não pode ser toda ela um sótão bagunçado

Um lar “arrumado”, ou não, está diretamente ligado

Ao modo como cada pessoa presente ali

Lida com a bagunça que traz dentro de si

E com a bagunça que o outro traz consigo

Alda M S Santos

Sexo forte versus sexo frágil

SEXO FORTE VERSUS SEXO FRÁGIL

Mudam os modos de se conhecer

Mudam os modos de se relacionar

Tudo “evolui”, sofre “avanços”

Mas não muda a covardia de muitos membros do “sexo forte”

Sobre tantos membros do “sexo frágil”

Não importa o motivo, a causa

A desculpa esfarrapada que se use

A mulher acaba sendo sempre a subjugada, sobrepujada

A que sofre as agressões físicas ou psicológicas

A que acaba por ser ainda culpabilizada!

Carência, descuido, ingenuidade, personalidade

Confiança, independência, coragem ou pouca inteligência

Nunca podem ser apontados como detonadores do mal sofrido

A culpa do mal é do malvado, do covarde, do violento

Nunca da vítima!

Buscar na vítima as razões da violência

É transferir para ela um ônus que não lhe cabe

Um crime que só pertence à má índole e perversidade do réu!

Façam- nos o favor!

Alda M S Santos

Algoz

ALGOZ

Não existe maior algoz que a própria consciência

Quase tão grande quanto o maior amor: o divino

Se ela funciona bem a luz de alerta se acende

Aprendizados acontecem, erros passam, a vida evolui

Se ela falha o maior amor entra em ação, poderoso

E permite novas oportunidades para recuperação

Se parecermos estacionados nos mesmos erros

As mesmas falhas repetindo -se infinitas vezes

É Deus agindo

A lição não foi aprendida

Se a consciência doer, ouça

Se tudo parecer se repetir, aproveite

O Maior e Melhor Professor está sempre a nos ensinar

Incansavelmente…

Alda M S Santos

Nas batalhas

NAS BATALHAS

Batalha pelo pão que alimenta o corpo

Batalha pelas águas claras que hidratam o ser

Batalha pelo chão firme sob os pés

Batalha pelo céu azul que possibilita voos livres

Batalha pelo abraço gostoso que une os seres afins

Batalha pelos bons relacionamentos que enriquecem o viver

Batalha pelo amor recíproco que alimenta a alma

Batalha para sentir-se membro dessa nau

Batalha para ter onde repousar corpo, mente e coração

E viver um sonho real

De amor e compaixão…

Nas constantes batalhas para nos firmar como gente

Devemos nos cuidar para não perdermos nossa humanidade

Nas batalhas da vida precisamos, às vezes, nos render

Pedir uma trégua, talvez até nos sentir meio presos

Para poder sermos verdadeiramente livres e vitoriosos

E seguir em paz quando chegar o momento de voltar para casa

Alda M S Santos

Te carreguei no colo

TE CARREGUEI NO COLO

Criados para suportar toda adversidade

Nosso corpo é flexível

Nossa mente é adaptável

Nossa alma é renovável

Nosso coração é elástico, capacidade ilimitada

Muitas vezes desconhecemos esse fato

Constantemente colocados à prova

Numa análise preliminar

Pensamos tombar facilmente

Numa avaliação mais minuciosa

Em retrospectiva, descobrimos nossa força

A força que vem do Criador

Que olha por nós e nos ampara todo o tempo

Que nunca nos abandona, mesmo quando estamos muito pesados

Pelas dores e adversidades do viver

“Nos momentos mais difíceis de sua vida

Eu te carreguei no colo”…

Alda M S Santos

Se quebrar…

SE QUEBRAR…

E se quebrar?

Se quebrar, pode até se lamentar

Mas logo pegue, cole, conserte, refaça

Jogue fora o que puder ferir

Substitua o que não servir mais

Recupere o que é essencial

Retire devagar e com carinho o que estiver inteiro

A essência sempre permanece intacta

O dano pode estar apenas na superfície, no invólucro

O conteúdo profundo é blindado pelo amor

Não importa o tempo de existência

Mesmo que pareça quebrado

O que é profundo e verdadeiro atravessa décadas

E permanece guardado misturado às areias do tempo

Protegido nas perfumadas gavetas secretas de nossa alma

Registrado tal qual marca de ferro quente na pele

Quebrou? E daí?

Aproveite a oportunidade para renovar o viver…

Alda M S Santos

Deixe virar poesia

DEIXE VIRAR POESIA

Aquilo que te leva ao êxtase

Que provoca risos sem fim

Deixe virar poesia

Aquilo que te machuca, corta

Que causa dores e cicatrizes

Deixe virar poesia

Aquilo que você agora desconhece

Que te magoa, enrijece

Deixe virar poesia

Aquilo que te sensibiliza, emociona

Que aperta o coração, e que você tanto ama

Deixe virar poesia

Aquilo que te amedronta, aterroriza

Causa pesadelos que nem a luz ameniza

Deixe virar poesia

Aquilo que é real, imaginário

Que é fugaz ou que virou saudade

Deixe virar poesia

Aquilo que é beleza, na simplicidade ou na sofisticação

Que traz sabor e aroma ao cotidiano

Deixe virar poesia

Tudo aquilo que é vida, que não se desperdiça ou economiza

Se eterniza

Deixe virar poesia…

Alda M S Santos

O POEMA QUE DEU NOME AO LIVRO

Respondendo a quem quis saber o porquê do título, esse é o poema que deu nome ao livro…

QUANDO NÃO ESTOU EM MIM

Procuro-me em todos os cantos

Tento me identificar, me localizar

Saber onde me encontro

Quando não estou em mim.

Se eu não estivesse mais aqui

Onde poderia ser mais facilmente encontrada?

O que remeteria as pessoas diretamente a mim?

O que olhariam e diriam: isso me faz lembrar dela!

Uma cachoeira, uma mata densa, pássaros, borboletas, flores?

O mar, um rio, a chuva, as estrelas, a Lua cheia?

Certamente, sinto-me em casa junto a tudo isso.

Um sorriso, um abraço, uma palavra, um poema? Identifico-me.

Meus filhos? Claro, partes mais lindas de mim.

Meus pais? Sim, sou parte deles.

Meu amor, meus amigos? Alguns deles, os que me amaram, me entenderam, sintonizaram comigo.

Em cada pessoa que passou por minha vida, que me agregou valores, me fez feliz, me fez sofrer?

Sim, foram também partes de mim.

Estou em muitos lugares, em cada pedaço de chão que pisei

No ar que respirei, mas, principalmente, no amor que doei.

Se quiserem me encontrar, procurem em tudo isso,

Também no sorriso de uma criança,

Na nostalgia de um idoso, no abraço de um casal apaixonado…

De preferência, num dia de chuva.

Eu estarei lá!

Quando não estou em mim estou naqueles que amo,

Onde quer que estejam.

E estar neles, é um modo de estar em mim.

Alda M S Santos

QUANDO NÃO ESTOU EM MIM

A poesia está em toda parte, mas é preciso sentidos alertas para captá-la.

Transformar em poemas e prosas poéticas parte dessa poesia é o objetivo principal dessa obra.

Captar sensações, sentimentos, a relação com Deus, com o outro, consigo mesma é trabalho minucioso, prazeroso.

Destrinchar relacionamentos de amizade, de amor, de carinho, relações conturbadas, fazer da poesia sua maior catarse.

E, o principal, fazer com que o leitor sinta-se parte disso tudo é o desejo da autora.

Mesmo quando ela não está em si mesma, procura se encontrar no outro.

E deseja que, em contrapartida, ele também nela se encontre quando estiver distante de si mesmo…

GRATUITO na Amazon.com.br até hoje. Baixe o seu!

Blog no WordPress.com.

Acima ↑