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poemas e reflexões da vida cotidiana

Meu céu

MEU CÉU

Meu céu nem sempre está limpo, céu de brigadeiro
Digno de grandes voos no fim de semana inteiro
Por vezes fica escuro, tenso, carregado
Só se consegue ver que está bem pesado

Gosto da grandeza da imensidão celeste
Seja em norte, sul, leste ou oeste
Para todo lado há algo insondável
Que desperta o desejo, o inimaginável

Se escuro, deixar de voar será o ideal?
Aguardar que tenha condição especial?
Ou seguir assim mesmo, não temer o vendaval?

Meu céu pode mudar a qualquer hora
Olho, me recolho, espero, não demora
Logo meu voo será intenso por aí a fora …

Alda M S Santos

Sou capaz

SOU CAPAZ

Sou capaz de manter um sonho guardado
Nem sei por quando tempo, aguardando aliado
Sou capaz de amar sem medidas
Desejando colo, aconchego, guarida

Sou capaz de voar por aí, meio perdida
Na imaginação que flui, meio dividida
Sou capaz de chorar pela ingratidão
Também pela bondade de um coração

Sou capaz de encarar a vida de frente
Mesmo quando tudo parece dormente
Sou capaz de me recolher em meu cantinho
Aquele que me leva para um só caminho

Sou capaz até mesmo de desistir
Até encontrar nova razão para seguir
Sou capaz de lutar pra fazer valer por aqui
Minha existência, minha vida, meu porvir

Alda M S Santos

Por que rosa?

POR QUE ROSA?
Ele é rosa, o outubro é rosa
Todos os meses deveriam ser rosa
Rosa é coisa de mulherzinha, também de mulherão
Rosa é coisa de mulher, associado ao feminino, é força e fragilidade
Rosa cor, rosa flor, rosa amor, rosa de superação da dor
Somos rosa não apenas pela delicadeza
Somos rosa pela força que se agiganta quando preciso
Que brota do fundo, cresce e se alastra como roseiral
Somos jardim de rosas em luta pela saúde feminina
Rosa que conscientiza a fazer o autoexame dos seios
Rosa que nos leva a lutar pelo direito à saúde pública, a exames de imagem
Rosa que nos lembra da prevenção do câncer de mama
Rosa que nos faz guerreiras ao extirpar um tumor
Rosa que nos fortalece a encarar de peito aberto essa batalha pela vida
Rosa que nos leva a sensibilizar companheiros da importância do apoio familiar
Rosa que nos faz sentir sempre belas, queridas e desejadas
Rosas amadas, ainda que nos falte temporariamente uma parte bem feminina
Que tem o poder de alimentar outras pequenas vidas
Mas que nos lembra que somos femininas por muitas outras razões
Principalmente o amor, a bondade e a coragem
Nada chega ou se vai sem deixar algo importante
E o câncer de mama tem esse poder
Despertar a força adormecida em cada rosa desse lindo roseiral
O outubro é rosa, somos todas rosa
Somos rosas pela vida!
Cuidar desse jardim é responsabilidade de todos!
Alda M S Santos

#outubrorosa

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA
Ânsia, necessidade premente de seguir
Seguir em frente para o desconhecido, o novo
Até onde não haja mais chão para caminhar
E ali pousar…
Ânsia, necessidade premente de seguir
Seguir, mas pegando o retorno, voltar
Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável
Buscar o conhecido, prazeroso, sentar
E ali pousar…
Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar
Num lugar de tranquilidade e paz…
Enquanto houver propósito de seguir haverá vida
Em pouso ou em trânsito…
Cada qual faz sua melhor versão do caminho
Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …
Alda M S Santos

Estações

ESTAÇÕES 

Nascemos Primavera, flores, beleza, encanto, projetos, sonhos, árvores a plantar,

Crescemos Verão, sol, calor, energia, diversão, frutos a colher, realizações,

Amadurecemos Outono, perdas, danos, reconstrução, seletividade, recomeços,

Envelhecemos Inverno, sabedoria, tranquilidade, paz, serenidade, resignação, calmaria…

Não há como escapar das estações de nossas vidas.

 É preciso aproveitar! 

Nada impede que possamos curtir os veranicos em pleno outono ou inverno. 

Nossa estação “interna” apenas nossa alma pode determinar…

Alda M S Santos

Nas gavetas da memória

NAS GAVETAS DA MEMÓRIA

Mexo, remexo, procuro, vasculho
Nas gavetas de minha memória há entulho
Mas com jeitinho, esperança e carinho
Encontro também doçura, cuidado, desalinho

Nas gavetas repletas da minha mente
Há muitos fatos, histórias, muita gente
Mas gosto de revirar as gavetas do coração
Lá encontro a poesia, a boa sensação

Uma lágrima, um sorriso, um jeito especial
É o que está registrado em meio ao temporal
Não preciso ir fundo, ali há emoção, afinal
Nas gavetas bem guardado, o amor é imortal

Arrumo as gavetas, reorganizo espaços
Jogo fora coisas que já não fazem laços
Mas o amor sempre terá seu lugar
Na alma de quem não desiste de sonhar

Alda M S Santos
ENCONTRO PÔR DO SOL
TEMA: NAS GAVETAS DA MEMÓRIA, UM AMOR

É preciso permitir-se!

É PRECISO PERMITIR-SE!
É preciso se permitir sorrir para o bem propagar, o bem atrair
Mas também é preciso se permitir chorar,
Para a tristeza extravasar, a alma lavar.
É preciso se permitir amar para a vida ser plena, o coração não ser pequeno,
Mas também é preciso se permitir não gostar, se afastar do que faz mal,
Para respeitar a si e ao outro.
É preciso ser permitir falar, dizer tudo que agrada ou incomoda,
Mas também é preciso se permitir calar, silenciar, segredar,
Para não magoar, não magoar-se!
É preciso se permitir ser o que é, viver a própria essência,
Mas também é preciso saber aceitar a essência dos outros.
É preciso se permitir viver,
Mas de um modo que não fira ou impossibilite a vida alheia.
É preciso permitir e permitir-se!
Alda M S Santos

É tempo de desabrochar

É TEMPO DE DESABROCHAR

É tempo de desabrochar
Rosas em tantos belos tons
Brancas, amarelas, laranjas
Qual mais te causa frisson?
Azul, cor-de-rosa, champanhe, vermelha
Despertam o sentir, acendem a centelha
Rosas são em nós puro simbolismo
Prenúncio de amor, amizade e otimismo
É tempo de desabrochar…
Suavidade no toque, perfume de inebriar
Rosa atrai, encanta, sabe eternizar
O que faz bem, leva-nos a apaixonar
E terá sempre em nós um bom lugar
É tempo de desabrochar…
Em cada alma há um botão
Fechado ainda, aguardando a melhor ocasião
Prestes a se abrir, ser emoção
Espalhando boa energia em cada coração
É tempo de desabrochar…
Branca, laranja, vermelha ou amarela
Tanto faz, todas são belas
Vale mesmo o que você traz
Que faz brilhar os olhos dela
É tempo de desabrochar e encantar…

Alda M S Santos

De pouquinho em pouquinho

DE POUQUINHO EM POUQUINHO

Um passo de cada vez, sem atropelar
Dá para ir longe nessa viagem, nesse lugar
Fora ou dentro de órbita, só ou acompanhado
A vida gira, segue, sabe o que deixar de lado

O sorriso pode se esconder, o olhar ficar apagado
Mas de pouquinho em pouquinho dá para esquecer
O que deixa o coração triste e amargurado
E buscar nas reservas internas uma razão de ser

Bem devagarinho dá para ir cicatrizando
Com carinho e atenção, a alma vai acalmando
Não desistir de seguir, tampouco ficar chorando
Até a ferida ficar curada, não dá para ficar cutucando

De gota em gota dá para cuidar do broto
Hidratar, reanimar, cozer o que estiver roto
Quero mesmo é apagar o que está dolorido
E pintar sempre nessa tela um novo colorido

Alda M S Santos

Nasceu!

NASCEU!

Já deixei brotar, já deixei nascer
Já cultivei para crescer, já vi morrer
Mas também já nasceu sem meu querer
Já foi embora, triste, vi desaparecer

Ora é saudade, ora é vontade
Ora é desejo de trazer de volta, sem piedade
Cultivo as lembranças com simplicidade
Para ver se renascem para nossa felicidade

Aparece como nuvens brancas no céu
Ou bem pesadas, verdadeiro véu
Ora são brisa leve, chuvinha fina
Tempestades seguidas de arco-íris, brilhante purpurina
Que aquecem de amor o coração da menina

Assim é a poesia em mim
Rústica, delicada, sofisticada,
Ou firme como marfim
Assim são os poemas, enfim…

Alda M S Santos

Quem sou eu para questionar?

QUEM SOU EU PARA QUESTIONAR?

Tenho direito às minhas sombras!

Até o Sol se esconde no horizonte, tira um tempo para si
As rosas perdem suas pétalas que adubam o jardim
A Lua tem suas fases, sua luz e sua escuridão
O rio tem tempo de seca, quase desertificação

Tenho direto às minhas sombras!

Os ipês têm tempo de beleza, de florescer
Mas também têm períodos em que parecem morrer
O mar tem as marés, altas, baixas, as ressacas
Os trópicos também têm períodos de friaca

Também tenho direito às minhas sombras!

Até mesmo a fé tem momentos em que não move tantas montanhas
Ou os heróis tiram a capa, sem grandes façanhas
O amor tem momentos carentes, em que tem mais fome ou sede
E a vida pede uma pausa, um descanso na rede

Então, quem sou eu para questionar minhas sombras?

Alda M S Santos

Quero ouvir

QUERO OUVIR

Quero apurar meus ouvidos
Colocar ali toda sensibilidade
Ajustar no processo todos os envolvidos
E ouvir bem tudo que vier, com alteridade

Quero ouvir o que a voz cala
Mas a opacidade da lágrima grita
Ou o brilho do olhar nos fala
Aquilo que traz a alma contrita

Quero ouvir em sonhos o amor manifesto
Nas palavras, na expressão corporal
Quero captar o que vem por protesto
Escutar os ensinamentos de cada vendaval

Quero ouvir o som suave do vento
O que ele diz no nosso pensamento
Entender o que falam as águas da cachoeira
Ou o Sol que vai sumindo na ribanceira

Há muitos dizeres, audição, compreensão
Basta afinar os ouvidos com o coração
Se houver bondade, luz e emoção
Tudo que for “dito” terá boa interpretação

Quero dizer, quero ouvir…
Você me ouve?

Alda M S Santos
Tarde de Poesias. Tema: Quero ouvir

Amor-próprio

AMOR-PRÓPRIO
Amor-próprio e autoestima é muito mais que se alegrar
Com a pele lisinha e dentes branquinhos
É mais que a satisfação de caber na calça jeans de sempre
Ou poder usar um biquíni de lacinho
É mais do que gostar da imagem que o espelho reflete
Autoestima em dia, amor-próprio o bastante
É encarar a si mesmo no espelho
É não desviar os olhos daquele olhar que te encara
É sorrir de volta para aquela imagem refletida
Com admiração, respeito, coragem
Apesar dos medos e derrotas
É reconhecer-se um vencedor
É saber perdoar os próprios erros
Encarar a si mesmo, sorrir de volta
Ou até mesmo chorar
Mas fazer as pazes consigo mesmo
E seguir em frente
É bom ter amigos, ter um amor
Mas jamais seremos bons amigos, bons amores
Se não entendermos que precisamos ser
Nossos melhores amigos
Nosso verdadeiro amor…
O primeiro compromisso que temos por aqui
É conosco mesmos!
Isso não é egoísmo
É a base de todo tipo de amor e amizade…
És capaz de se admirar ao espelho?
Alda M S Santos

Ainda me ama?

AINDA ME AMA?
Sei que me ama
Quando sou sorriso, alegria, atividade
Sei que me ama também
Quando sou entrega, amor, pura sensualidade
Ou luz, carinho, bondade, verdadeira amizade
Mas será que me ama ainda
Quando tudo fica escuro
O sorriso vira lágrima
A atividade cessa
O amor não tem pressa
A alegria arrefece
A sensualidade adormece…
E aí? A amizade se compadece?
Seu amor está condicionado a quê,
Para que possa permanecer ao meu lado?
Posso contar contigo, meu coração
Para ser, mesmo nos erros, meu abrigo, meu irmão?
Alda M S Santos

Sem saber o porquê

SEM SABER O PORQUÊ

Quando o peito aperta sem saber o porquê
Se tudo parece nublado sem razão de ser
A energia fica seca como areia no deserto
E nem se sabe se quer alguém por perto

Que se pode fazer?

Falta uma conexão importante, especial
Desejo de embrenhar no fundo do quintal
Em meio às folhas e galhos pós-vendaval
Ali parece ser acolhedor,  nada convencional

Que se pode fazer?

Um vazio que, paradoxalmente, é pesado
Uma angústia que nos deixa à parte, de lado
Questiona-se a razão de tudo isso aqui
E bate um desejo grande de partir

Que se pode fazer?

A vida vai sempre ensinando o caminho
Mostrando por onde seguir, mesmo sozinho
Abrindo trilhas em nossas matas fechadas
Se possível, levando boas almas aliadas

Assim, talvez, se encontre a razão de ser
E, finalmente, se saiba o que fazer…

Alda M S Santos

Eu te dei

EU TE DEI

Eu te dei…
A tela branca para pintar o seu sol
As árvores frondosas onde canta o rouxinol
As estrelas brilhantes para iluminar o seu céu
Uma linda paleta para satisfazer seu pincel

Eu te dei…
A chuva prata que irriga sua plantação
Que mata a sua sede e de sua criação
Que alimenta seus desejos de amor
Que te faz na vida um sonhador

Eu te dei…
A brisa para seu rosto refrescar
O rio para seu corpo banhar
A Lua para seu amor encantar
As rosas para sua vida perfumar

Só Eu te dei tanto…
Sem cobrar nada, tudo por encanto
Seu pouso, seu mais doce recanto
Alegria, gratidão, nada de pranto

Só Ele nos deu…

Alda M S Santos

Esperançar

ESPERANÇAR

Gosto de poder um substantivo verbalizar
Transformar em ação o que é abstrato
Particularmente, gosto de esperançar
Firmar comigo mesma um novo trato

Esperançar é se alimentar de sonhos
É lutar contra a tristeza, o que parece medonho
Esperançar não é sinônimo de esperar
Esperar é aguardar, esperançar é ir atrás, é buscar

É tão bom ser amor, poder amar
Mas melhor ainda é poder esperançar
Acreditar que se abastece essa chama 
Quando uma alma por outra clama

Esperançamos melhor com parceria
Quando partilhamos entre nós a energia 
Esperançar é abrir caminhos, não desistir
Acender nova luz, multiplicar, dividir e seguir…

Alda M S Santos
#setembroamarelo

Bom presságio

BOM PRESSÁGIO

Às vezes nossa luz míngua, meio assustadora
Desejo de ficar no cantinho, em hibernação
Mergulhar fundo na alma apaziguadora
Em busca de cura, de cicatrização

Mas algo nos impele, empurra pra frente
Diz: vá em busca de luz, de boa gente
Há delas para todo lado, felizmente
Reclamar do escuro é contraproducente

Há propósito para tudo, eu quero acreditar
A tristeza, a angústia têm razão de ser
Arrumar cada coisa em seu devido lugar
Sorrisos e lágrimas podem nos fazer crescer

Cuidar de si, cuidar do outro, evitar naufrágio
A humanidade avança por contágio
Seja pelo mal ou pelo bem, paga-se pedágio
Ser luz na escuridão é sempre bom presságio

Alda M S Santos

Movendo montanhas

MOVENDO MONTANHAS

Passamos a vida movendo nossas montanhas
Descobrindo quem nos impele a isso
Quem nos dá essa energia, essa força sobrenatural
De tudo mover, mudar, tornar especial
O que ou quem nos faz derrubar muros, afastar barreiras
E ainda assim nos sentir bem conosco mesmos
Sabedores de termos feito o melhor, abrindo fronteiras
E encontrando nosso oásis em meio ao deserto
Depois de sofrer com a angústia tão de perto
Mover montanhas não precisa ser pesado
Pode e deve ser por e com prazer, com cuidado
Dizem que a fé move montanhas
Sim! A fé em Deus, no seu amor, sem artimanhas
Mas sobretudo na fé que Ele depositou em nós
Nos mandando pra cá para enfrentar esse mundo feroz
Se Ele acredita e espera tanto da gente
Quem somos nós para fazer diferente?
Quero mesmo é mergulhar fundo nessa lagoa que é a vida
Ora parada, calma, ora agitada, bela miragem
E mover qualquer montanha será um ato de coragem …

Alda M S Santos

Tempo de amanhecer

TEMPO DE AMANHECER

A música tocando suavemente
As estrelas lá em cima, coração dormente
Em fones, é puro encanto a melodia
Toca fundo, irriga, pura poesia

As lágrimas rolam sem medo
Traçam um caminho, pedem arrego
Um encontro especial com as questões internas
Já não tem tanta força as coisas externas

Conexão com o alto, recônditos secretos
Desejo de viajar para longe, pouso certo
O viver tantas vezes é tão incerto!

Lágrimas lavam tudo, têm poder
De lavrar a alma, fazer acontecer
Surge um novo dia, tempo de amanhecer

Alda M S Santos

Pequi

PEQUI

Quem gosta de pequi
Ia gostar bem de vir aqui
Há pequi para todo lado
Na rua, na cidade ou no cerrado

Quem conhece um pequizeiro?
Bela árvore, bem copada, bom sombreiro
Alegria de goianos, baianos e mineiros
Se facilitar plantam até nos canteiros

Pequi é de gosto forte, polpa amarela
Tem espinhos, se não cuidar gruda na goela
Isso não impede de estar em nossa panela

Como tudo na vida é preciso saber apreciar
É bom no arroz, com frango, boa iguaria
Posso te apresentar o pequi, nossa gostosa especiaria

Alda M S Santos

Educação libertadora

EDUCAÇÃO LIBERTADORA

Ele acreditou na capacidade do ser humano sempre aprender
Ele afirmou que há aprendizado recíproco no ato de ensinar
Divulgou e defendeu a educação, um exímio intelectual
Sempre a apontou como o melhor meio de justiça social
Filosofou e intelectualizou a Pedagogia do Oprimido
Acreditou na capacidade de cada um construir seu saber
Sem eliminar o que puder do outro receber
Apenas incentivando a disposição interna e a individualidade
Freire responde pelo que há de mais democrático na intelectualidade
Para ele não há saber superior, apenas saberes diferentes
Todos aprendemos na troca constante ou intermitente
A máxima de Freire: a leitura do mundo precede a leitura da palavra
Ou seja, a leitura de nós mesmos e do outro é essencial
A qualquer um que pretenda crescer, modo gradual
Ninguém é superior a ninguém, isso é pontual
Mas, mesmo o.contrariando, Paulo Freire é sabedoria sem igual

Alda M S Santos
SARAU CENTENÁRIO DE PAULO FREIRE

No silêncio de um coração

NO SILÊNCIO DE UM CORAÇÃO

A poesia brota suavemente em todo lugar
No voo das gaivotas no céu a planar
No jardim em botões, bem devagar
No espírito solitário que a lágrima quer disfarçar

A poesia nasce e cresce se bem irrigada
Atiça os poetas de mente inspirada
Surgem versos sentidos na madrugada
Desperta a alma estagnada e a faz apaixonada

A poesia mergulha em águas profundas
Sabe nadar, flutuar, ser ilha, não afunda
Ao leitor traz luz, reflexão, ponderação
Ou atiça a vontade de viver a emoção

Há poesia no silêncio de um coração
O leitor entende cada entrelinha, a sensação
Ela finca raiz, brota e estende galhos e flores
E a alma se alegra, vive, sai dos bastidores

Alda M S Santos

Que você vê?

QUE VOCÊ VÊ?
Dá para ver tanta coisa aí
Que você vê?
Pássaros a plainar, peixes a nadar
Pessoas a mergulhar, se aventurar?
Que você vê?
Uma praia deserta, uma alma aberta
A pessoa certa, uma mulher desperta?
Que você vê?
Crianças a brincar, o sol a esquentar
Um casal a se olhar, se beijar, se apaixonar?
Que você vê?
Um horizonte, um entardecer
Uma briga, um romance, um momento de prazer
Ou a solidão de um ser?
Que você vê?
Dá para ver tanta coisa aí
Tanta cor, tanta luz, brilho, tanta escuridão e magia
Muita arte, beleza, imaginação, fotografia
Tudo irá depender do seu olhar
Da intensidade da sua poesia…
Que você vê?
Alda M S Santos

Quero água

QUERO ÁGUA

Minha natureza pede água, vivo submersa
Se não em corpo, na alma controversa
Água que encanta, que seduz, que atrai
Água que faz brincar, nos alegra, nos distrai

Nosso planeta azul é água setenta por cento
Dela necessitamos pra vida em todo momento
Será que temos cuidado, preservado
Ou ignoramos, deixamos de lado?

Se estou feliz gosto de nadar na cachoeira
Se estou triste curto a chuva de bobeira
De todo modo gosto de caminhar à beira

Seja em rio, mar, lago ou cachoeira
Água é minha alegria, minha maior bandeira
Nela sou mais eu, mais forte, mais faceira

Alda M S Santos

Modo avião

MODO AVIÃO 

Vou me colocar em modo aviāo 
Descansar a mente,  o coração 
Se precisarem de mim, sejam originais 
Nada de usar redes ou Wi-Fis

A energia será renovada em novas paradas
Não vou precisar de fios ou tomadas 
Quero fonte nova, solar ou lunar 
Num rio caudaloso poder me banhar 

O que for superficial talvez não passe 
A prosa será mantida face a face
E a poesia declamada em interface 

Vou me colocar em modo avião, bem natural
Ouvir meu coração,  alimentar o essencial 
E quem chegar, ficará, será fundamental 

Alda M S Santos 

Quero acreditar

QUERO ACREDITAR

Quero acreditar que estou no mundo das possibilidades
Que ainda que algo se quebre, não dê certo
Sempre haverá novas realidades

Quero acreditar que estou num mundo direito
Que ainda que ele se vire do avesso
Sempre será possível fazer de novo, bem feito

Quero acreditar que estou no mundo dos sonhos
Que ainda que eles se tornem pesadelos
Nunca serão cansativos, enfadonhos

Quero acreditar que estou no mundo das amizades
Que mesmo que a gente chore ou sofra
Sempre teremos nelas a reciprocidade

Quero acreditar que estou no mundo da beleza
Que mesmo que tudo fique seco ou frio
Ainda acharei refrigérios na natureza

Quero acreditar que estou no mundo do amor
Que mesmo que ele esteja repleto de medos
Sempre será pra nós bem sedutor

Quero, preciso acreditar!

Alda M S Santos

É real?

É REAL?

Posso falar de doença ou cura, fome ou nutrição
Posso versar sobre dor, alegria ou ilusão
Posso poetizar sobre um amor que alegra o coração
Posso expressar a tristeza que traz uma traição

Posso rimar sobre vontades, querências e desejos
Sobre carinhos, carências, abraços e beijos
Um soneto de luz, paz e fidelidade
Ou uma prosa, expressão da alma cheia de vontade

O que o poeta escreve é da vida a sua percepção
O que o tocou, sensibilizou, gerou inspiração
Nem sempre será sua real situação
O que não elimina de ser retratada com emoção

O que o poeta põe no papel pode ser sobre você
Talvez tenha uma razão, um porquê
Pode ser sobre si mesmo, sobre um alguém
Certamente será sempre o que sua alma contém

Alda M S Santos

Muita sede ao pote

MUITA SEDE AO POTE
Quem vai com muita sede ao pote
Com muita ânsia e gula em busca de saciedade
Acaba por derrubá-lo e morrer de sede
Se se demora demais perde-se o pote para outro sedento
Bom mesmo é ir devagar
Gole por gole, um pouquinho de cada vez
Antecipando o prazer da satisfação
Saciando aos poucos o desejo que se apresenta
Vale para todo tipo de sede
De água, de vinho, de amor ou de carinho
Física, profissional, financeira ou emocional
Se não se busca pelo pote d’água morre-se de sede
Se se quebra o pote perde-se o conteúdo
Morrendo de sede à beira do rio…
Tudo é uma questão do tamanho da sede
E da sabedoria na hora de satisfazê-la…
Tá com sede?
Alda M S Santos

Já me faltou…

JÁ ME FALTOU…

Já faltou a luz, o norte, a direção
Mas nunca faltou o caminho, a oração
Já faltou o ânimo, o desejo, a vontade
Mas nunca faltou a esperança de felicidade
Já faltou a força,  a energia, a coragem
Mas a fé sempre foi bela paragem
Já faltou a crença na humanidade 
Mas Deus sempre renovou em mim a bondade
Em alguns momentos sobraram medo e solidão
E me abasteci de  sonhos e renovação
Já faltou autoestima, o amor-próprio
Na literatura, na poesia encontrei meu ópio
Já não me senti querida, amada, desejada
Mas quem nunca pensou em abandonar essa parada?
Já tive a fé estremecida, a esperança perdida
Mas nunca faltou amor à vida
E em mim mesma busquei guarida
Já me faltou o ar, o gás, o chão
E os sonhos foram meu céu, a rima do meu coração
Que já te faltou?

Alda M S Santos

Qual sua natureza?

QUAL SUA NATUREZA?

Olho para o céu, tão negro, tantos pontinhos brilhantes
Estrelas que estão a anos-luz de distância, piscantes
E ainda irradiam brilho, luz, magia
Encantam, atraem, seduzem, são pura energia
Tão poderosas, mas para se mostrarem precisam da escuridão
Fico a imaginar o quanto de força e brilho em nós
Está lá dentro aguardando  para desatar nós
Quando tudo parecer escuro ou solitário cá fora
A luz que se evidencia na escuridão
A própria companhia que nos acolhe na solidão
A sabedoria que brota na dureza do chão
O amor que chega ou vai embora a cada estação…
As estrelas estão no meu céu agora
Mas em algum lugar há sol nessa hora
Ou o céu está tristonho, nublado
Ou a chuva cai, torrencial, tempo fechado
Mas o que vale lembrar é que as estrelas estão lá
E quando tudo estiver bem escuro
É o momento de deixarmos que brilhem
E extrair e contemplar o melhor dessa beleza
Do céu, lá de fora ou de nossa própria grandeza
E em você, há sol, estrelas, chuva, qual sua natureza?

Alda M S Santos

A passeio?

A PASSEIO?

Não viemos por aqui a passeio
Temos uma missão, tarefas, anseios
Não significa que não possamos nos divertir
Há muitas maneiras de no bem agir

Temos dons, viemos abastecidos
Todos têm finalidade, dão nosso colorido
O tempo deve ser bem aproveitado
Para seguirmos juntos, mais lado a lado

Podemos ser a luz num caminho
A coreografia que une num passinho
A poesia que acolhe com jeitinho
O abraço que expressa muito carinho

O que tenho, o que sou, meu sentir
Vale mais se posso por aí distribuir
Se a vida se acabasse hoje, nesse momento
Teria bom fechamento, sem ressentimento?

Alda M S Santos

Só a poesia

SÓ A POESIA

Só a poesia nos dá poderosas asas
Aquelas que permitem voos sensacionais
Para dentro ou fora de nós em espaços astrais
Saindo ou não do chão, em passeios tridimensionais

Só a poesia nos permite ver beleza
Em tudo que nos cerca, toda a grandeza
Até mesmo no que oprime ou machuca
Que nos deixa insanos, alma meio maluca

Só a poesia traduz num idioma conhecido
O que é confuso, nos deixa oprimidos
Ela é pura, bela e suave  comunicação
Mas algo que se faz somente de coração para coração

Só a poesia nos capacita a ser mais intensos
A andar pela vida sendo mais propensos
A mirar o futuro e o passado sem perder o foco do presente
Poesia é pura e deliciosa magia dentro da gente

Alda M S Santos

Intuição

INTUIÇÃO

Aquela intensa e contínua sensibilidade
Sempre a alertar, despertar a curiosidade
Tornar alerta, avaliar a credibilidade
Sexto sentido, intuição ou mediunidade

Uns dizem que o santo não bateu
Que o sinal vermelho acendeu
Quando é assim, aprendi, sou mais eu
Acredito no que em mim nasceu

A vida tem meios de nos alertar
Aos pouquinhos sabe nos orientar
E o melhor caminho irá nos apontar

Basta não ignorar os contínuos sinais
Por mais insignificantes, não são banais
Corpo, mente, coração, juntos são sensacionais

Alda M S Santos

Delicadeza e espinhos

DELICADEZA E ESPINHOS

Porque a rosa tem muitos espinhos
Ela nos espeta em seus caminhos
A vida pede cuidado, delicadeza
Um pouco mais de amor e sutileza

Os espinhos de cada rosa são proteção
Mas não tiram sua beleza, não
Evitam que sofra grandes avarias ou danos
Daqueles afoitos cheios de desejos mundanos

Quem ama uma rosa aceita sua condição
Ama até mesmo seus espinhos, sua (im)perfeição
Em cada uma delas uma delicada sensação

Rosas e pessoas são mesmo assim
Encantos, cores, delicadezas e espinhos sem fim
Cada uma atrai e encanta a seu modo o seu jardim

Alda M S Santos
Tarde de Poesias: Porque as rosas têm espinhos

Tempo de escolhas

TEMPO DE ESCOLHAS

Tensão, pretensão, atenção
É tempo de análise e escolhas
Entre o que faz bem para a alma, o coração
E não nos deixa acuados, presos em bolhas

É tempo de aprender a confiar
Deixar para trás o que não tem mais lugar
Abrir as portas para o novo chegar
Cuidando para em águas turvas não afundar

O mal também pode exercer atração
Confundir a mente, enganar a emoção
Urge exercitar a sabedoria, sem pretensão

O viver ensina sempre, deixa lição
O que é verdadeiro ou enganação
Se avaliarmos bem, uma hora surge boa opção

Alda M S Santos

Roda pião, bambeia pião

RODA PIÃO, BAMBEIA PIÃO

Somos piões sendo por outros girados
Pelas mãos de alguns somos balançados
Ficamos rodando, rodando, sendo forçados
Até pararmos no próprio eixo, avariados

A vida pede luta, pede análise, pede calma
Tanto por fazer, precisamos paz na alma
Urge ter sabedoria, buscar informação
Saber quem nos comanda, exige nossa atenção

Queremos o bem, a harmonia, a paz, afinal
Mas estamos sendo sacudidos num vendaval
E o pião vai girando desgovernado, sem final

Todo cuidado é pouco para não cairmos na tentação
De agir contra o que acreditamos, ferir nosso coração
A luz deve sempre prevalecer, seguirmos em evolução

Alda M S Santos

Tenho medo…

TENHO MEDO…

Esse mundo anda tão estranho, tão assustador
Muito humano sendo usurpador
De direitos, de vontades, espalhando dor
Tenho medo de tanta gente do mal, sem pudor

A noção do certo e do errado está distorcida
Só se vê uma longa e desfreada corrida
Para ver quem ao outro se impõe
E seu modo de ser e viver se sobrepõe

Relações de mentira, muita insanidade
Ameaças, medos, sobra maldade
Aprisionamento, exclusão, falta autenticidade

A vida pede sabedoria, pede verdade
A Deus clamamos por bênçãos e bondade
Que possamos crescer em paz e liberdade

Alda M S Santos

O Sol vai me dizer

O SOL VAI ME DIZER

Um dia ainda vou perguntar ao Sol
Para onde você vai em cada entardecer
Será que adormece para tudo esquecer
Ou simplesmente aguarda novo amanhecer?

Um dia ainda vou pedir ao Sol
Explica para mim, por favor
De onde vem sua força, seu esplendor
De Deus, da Terra, ou de um viver sem pudor?

Um dia ainda vou querer saber do Sol
Será que vai se encontrar com a Lua
Todas as noites vê-la bela e nua
E num romance terno fazê-la sempre sua?

Um dia ainda vou sugerir ao Sol
Leve-me para onde você for
Sei que lá haverá vida e calor
Paz, amizade, luz, brilho e amor

Por favor!

Alda M S Santos

O melhor do Brasil é o brasileiro

O MELHOR DO BRASIL É O BRASILEIRO

Fala-se que somos um país tupiniquim
Que não sabemos cuidar de nossa grama, nosso jardim
Que não somos independentes, apenas festeiros
E que pra tudo dá um jeitinho, o brasileiro

Isso é minimizar nossa capacidade de enfrentar as adversidades
Nossas lutas e conquistas em qualquer idade
Um país gigante com inúmeros entraves
Políticos, econômicos, sociais, nada suaves

Temos terra fértil, clima ameno, povo guerreiro
Alegre, carinhoso, acolhedor e hospitaleiro
Nao desistir, persistir com bom humor é nosso lema
Falta-nos uma visão política melhor, sem tanto problema

Receptivos a todos, somos amorosos
Temos esperança, fé, não somos rancorosos
Rica história, simplicidade em nossa grandeza
Ainda somos um poço de esperança e beleza

Pedimos a Deus que tenha de nós piedade
E nos fortaleça em cada descaminho ou fragilidade
Se dizem que o maior problema do Brasil é o brasileiro
Afirmo que quem pode salvar essa nação também é o brasileiro

Alda M S Santos

Gigante pela própria natureza

GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA

É nosso, é único, é forte, é gigante
Na verdade, em tantas coisas ainda é um infante
Tão amado, tão especial, tão belo
Um menino grande, sua natureza, seu flagelo

Nossa pátria amada, nosso coração
Tantas vezes descuidada, filhos sem noção
Crescendo um pouco a cada dia
Verde e amarelo, fantasia que ainda nos contagia

Buscando autossuficiência, real independência
Já temos clara e definida a melhor direção
Seremos desenvolvidos com mais educação
Eliminando de nosso solo a corrupção

Gigante pela própria natureza
Nosso Brasil, verde, amarelo, azul anil
Que cada coração seja espelho de sua grandeza
Seja orgulho, seja pai, seja filho, oh, mãe gentil!

Alda M S Santos

De coração para coração

DE CORAÇÃO PARA CORAÇÃO

Um mundo mais bonito tem vários caminhos
São lindos aqueles em que não estamos sozinhos
E todos eles passam por dentro do coração
Deixando ali um pouco de paz e emoção

A boa energia flui de coração para coração
Quando acolhe com carinho um irmão
Sinergia, luz, calor, empatia e atenção
Assim somos melhores, somos evolução

Ser valorizado é bom, conversar também
É divino ser compreendido, desabafar com alguém
O coração agradece essa troca do bem

Quando a vida parecer escura
E quiser amenizar a dor e a amargura
Numa conversa amiga pode estar o início da cura

Alda M S Santos
Setembro amarelo

cvv.org.br

A que vim

A QUE VIM

Nem sempre consigo identificar
A razão de por aqui estar
Não sei se faço bem em buscar
Um motivo, um objetivo para continuar

Tantas vezes já parece tão cheio o jardim
Já não me cabe, meio diferente assim
Abelhas, borboletas, beija-flores
Brincam entre os canteiros entre tantas cores

Ando para lá, voo para cá, dou o melhor de mim
Tento não ficar onde não estão a fim
Sigo buscando a que vim

Olho em volta, olho para dentro de mim
Busco força, um trampolim
Me descubro meu próprio jardim

Alda M S Santos

É setembro!

É SETEMBRO!

Há o momento para ver o broto
crescer
Em seu tempo cada qual rompe o alvorecer
Vai em direção ao Sol, à luz
Tão qual botão de rosa que seduz

É setembro, primavera é flor que venceu o inverno
Chegou até aqui cuidando do que é interno
Como flores, também alimentamos nossas raízes
Para resplandecer em brilho e vernizes

Como flores, temos também espinhos
Cores, perfumes, carecemos de carinhos
Para vencer nossos invernos e não sermos sozinhos

Fazemos parte de um grande jardim
Cada flor com sua beleza age assim
Atrai, encanta, embeleza, é plena, enfim…

Alda M S Santos

Em sonhos

EM SONHOS

Em sonhos vejo um mundo meio assustador
Luto contra ele, enfrento, busco curar a dor
Há gente de todo tipo, traiçoeiras e maldosas
Acendem sinal vermelho, sou mais cuidadosa

Em meus sonhos há gente do bem também
Almas amorosas, não fazem mal a ninguém
Trazem alegria, paz, são abrigo e esperança
Nesse mundo meio louco, de poucas alianças

Meus sonhos são prenúncio da realidade
São intensos, aparentam casualidade
Mas objetivam manter minha integridade
Aprendi a considerar sempre sua credibilidade

Meus sonhos sempre dizem algo importante
Basta que eu saiba avaliar todo o montante
Com calma e sabedoria, ainda que impactante
Escolher o melhor caminho e seguir adiante

Alda M S Santos

Como quem não quer nada

COMO QUEM NÃO QUER NADA

Como quem não quer nada
Vou seguindo meu viver, fugindo de cilada
Tentando lutar pelo que acredito
Ver a verdade, não acreditar em qualquer mito

Como quem não quer nada
Vou investindo no bem, numa boa empreitada
Ainda que tudo pareça assustador
Quero fazer minha parte, da luz ser seguidor

Como quem não quer nada
Quero pelo amor ser fascinada
Não querendo nada, posso ter quase tudo
Se a vida se construir no bem, sobretudo

Como quem não quer nada
Como boa mineira, vou comendo pelas beiradas
Devagarinho vou conquistando, amando, sendo amada
A vida pode ser maravilhosa se bem aproveitada

Como quem não quer nada
Tento ser a poesia na alvorada
No entardecer, por uma boa ação ser contagiada
E encerrar com uma oração de gratidão na madrugada

Como quem não quer nada..

Alda M S Santos

É SETEMBRO!

É SETEMBRO!

Há o momento para ver o broto crescer
Em seu tempo, cada qual rompe o alvorecer
Vai em direção ao Sol, ao calor, à luz
Tal qual botão de rosa que seduz

É setembro, primavera é flor que venceu o inverno
Chegou até aqui cuidando do que é interno
Como flores, também alimentamos nossas raízes
Para resplandecer em cores, brilho e vernizes

Como flores, temos também espinhos
Delicadezas, perfumes, carecemos de carinhos
Para vencer nossos invernos e não sermos sozinhos

Fazemos parte de um grande jardim
Cada flor com sua beleza age assim
Atrai, encanta, embeleza, é plena, enfim…

Alda M S Santos

O uso do cachimbo

O USO DO CACHIMBO

O uso do cachimbo faz a boca torta
Para o bem ou para o mal, quem se importa?
Na visão do vício pelo tabaco, pelo fumo
Já é sabido que faz mal, não me acostumo

Numa visão mais ampla e genérica
Há muitas coisas tortas, homéricas
Cada um sabe o tanto que é nocivo
O mal uso que se faz do que parece atrativo

Tudo que é excessivo faz mal
Bom mesmo é saber dosar, ser racional
Ainda que seja algo muito emocional

Se for para entortar ou endireitar
Que seja por atos de amor e compaixão
Um vício cujo uso faça bem ao nosso irmão

Alda M S Santos

Pai Nosso

PAI NOSSO

Pai Nosso que estais no céu
Clareie nossa mente, arranque o véu
Ensina-nos a santificar Vosso nome
Alimentando a alma, saciando nossa fome

Esteja em cada coração sofrido
Que implora no olhar por um abrigo
Guia-nos pelas mãos, mostre-nos um caminho
Absorva nossas lágrimas, dê-nos um carinho

Sei que compreendes nossas falhas
As vezes em que fugimos, batemos em muralhas
Ou que voltamos chorosos para Seu colo, Seu amor
Em busca de proteção, amparo e calor

Entendemos Seu amor que acolhe, que corrige
Que nos deixa livres para agir, por vezes, aflige
Um pedido especial querermos fazer
Podemos ter Você conosco em cada amanhecer?

Alda M S Santos

Só gratidão

SÓ GRATIDÃO

Hoje não venho pedir, quero só agradecer
Tenho muito de bom, tanto por fazer
Gratidão por cada vez que me salvou, orientou
Quando quase ninguém em mim acreditou

Quero agradecer pelos anjos que me enviou
Sei que estão comigo, me abençoou
Pela natureza que me alegra e anima
E por minha família, linda, razão de minhas rimas

Sou grata pela beleza das amizades
Que caminham comigo de verdade
São meus olhos, meu sonho, minha realidade

Sou grata pela saúde física e mental
Em meio a esse caos, esse vendaval
Sou equilíbrio, ora racional, ora emocional

Alda M S Santos

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