NÃO DESTRUA!
Se quebrou, engesse, dá para colar
Se cortou dá para suturar
Se infeccionou dá para medicar
Se tem partes ruins, descarte-as
Se está desorganizado, organize!
Exclua a maçã podre,
Mas não perca o pomar inteiro
Não há necessidade de jogar tudo fora
Sob pena de extinção da humanidade
Que é inerente a todos nós, racionais…
Alda M S Santos
A TERRA CHORA…
Nosso Planeta Azul mudou de cor
A Terra acinzentada em todo canto chora
Ela pede, grita, suplica, alerta, implora
Pede através dos rios que transbordam
Grita quando os mares ressacam
Suplica quando o fogo destrói tudo
Alerta quando as estações se invertem
Implora quando tudo se torna excessivo
Chuva, neve, frio, calor, seca, inundação
A Terra está cansada dos humanos que a habitam
Ela sacode, balança e lança fora
Tudo que a maltrata, manda embora
Deseja ser novamente o Planeta Azul…
Alda M S Santos
ESSA PAZ
Será que está ali onde posso mergulhar
Ou no alto, no céu, em leves asas voar?
Será que está num canto, lá dentro de mim
Flores à espera de água para ser jardim?
Será que está no sorriso de um amigo
Naquele abraço que sabe ser abrigo
Será que está no amor que é reciprocidade
Que luta, permanece, mantém sua verdade?
Será que está na fé que se professa
Na dor que não se cala, se confessa
Ou na esperança que é bela promessa?
Será que dá para acessar dentro da gente
Essa paz tão essencial, essa vertente
Que faz valer cada minuto como ser vivente?
Alda M S Santos
DE QUE LADO?
De que lado você está?
Respondo convicta: do lado da paz!
Mas a garantia da paz por vezes exige guerra- retrucam.
Uma paz que exige guerra é uma paz questionável!
Certamente é uma paz unilateral, excludente.
Que segrega os mais simples, os inocentes.
A verdadeira paz pensa no bem coletivo
Não somente na dos aliados e amigos!
A paz que se propaga vem da fé na humanidade
Na crença de que somos todos filhos da mesma criação
E que matar a criatura é ferir de morte a mesma Criação!
Eu estou do lado da paz!
Alda M S Santos
BORBOLETA VOOU
Uma borboleta, linda, suave
Colorida, leve, encantadora
Passou por duras e incompreensíveis penas
Lagarta, casulo, criou asas
Borboleteou por aqui, incansável
Voou amou, flores tocou
Intensa, semeou vida, polinizou
Viveu sua metamorfose, aceitou
Lutou suas batalhas, recuou, avançou
Pediu trégua, venceu…
Ao Criador sempre agradeceu
Enfim, pousou…
Mas toda borboleta sabe que há fases
Logo estará voando do lado de lá
Borboleta tão bela assim de lá irá tudo aqui enfeitar
Saudades imensas no coração deixou
Mas os lugares que aqui voou, pousou, enfeitou
Nunca deixará de estar…
Seu brilho intenso, perfume delicado de flor
Será para todos que ficaram
A prova irrefutável de um grande amor
Vá com Deus, Borboleta
Outras flores precisam de ti…
Alda M S Santos
QUE ELA SEJA ASSIM
Que ela seja assim
Bela e triste como névoa na praia ao amanhecer
Animada como dia de sol no parque ao entardecer
Pacífica como céu estrelado no anoitecer
Que ela seja assim
Romântica feito banho de chuva com alguém especial
Divertida e quente como dançar num lual
Saborosa e madura como fruta colhida no quintal
Que ela seja assim
Refrescante como mergulho na cachoeira ao luar
Intensa e mágica como o amor nas areias do mar
Aconchegante como abraço para o cansaço aliviar
Que a vida seja assim
Nem sempre do jeito que nossa mente deseja
Mas na medida certa do que nossa alma almeja
Alda M S Santos
VIVENDO DO MAR
Para uns a diversão, lazer, contemplação
Para outros o trabalho, a lida, o ganha-pão
Seja no pescado em alto-mar
Ou nas atividades à beira-mar
Muitos fazem dali seu dia a dia, seu lugar
Nativos já conhecem sua impar linguagem
Quando está bravo, de ressaca, qual sua mensagem
Quando a maré vai subir ou baixar
Se vai chover ou o quanto irá ventar
Sabem direitinho até onde se pode brincar
Respeitam a natureza, de onde vem seu sustento
A pele já castigada pelo sol, são gratos a todo momento
Turistas vêm para passear, conhecer, se apaixonar
Pela cultura, encantos naturais, querem fundo mergulhar
Se gostarem certamente irão voltar
Talvez até venham a fazer dali o seu novo lar
Bom mesmo é que nativos e turistas
Saibam cuidar, amar, preservar
Esses maravilhosos encantos que a Criação veio nos presentear…
Alda M S Santos
UM BANHO DE LUA
Fechei os olhos na quente e escura noite
Natureza rica, água refrescante
Apenas sentindo o brilho da Lua
Banhar meu corpo provocante
Em suaves versos ela me envolve
Busca encantar-me com sua poesia
Leva-me para outra galáxia
Num mundo mágico de quase heresia
Já ali entregue, quase rendida
Nessa doce troca, sem medida
Sou puro amor, por ela absorvida
Já não quero mais nada desse mundo
Já nada mais preciso dessa vida…
Alda M S Santos
ORQUESTRA
Muitos são os tipos de instrumentos
Violões, pianos, violinos, teclados e baterias
Saxofones, oboés, flautas, tambores
Tão diferentes entre si, mas com o mesmo propósito
Produzir um som melodioso e harmônico
Cativar, encantar, maravilhar…
Não importa qual tipo de instrumento é:
De corda, de sopro, de percussão…
Todos são importantes, todos podem fazer uma bela “apresentação”
O que dá o diferencial numa orquestra é a harmonia entre os instrumentos
A afinação e sintonia que fazem uma bela canção
Sob a batuta do maestro experiente que extrai o melhor de cada um
E os utiliza nos momentos mais adequados
Graves ou agudos, grandes ou pequenos, altos ou baixos
Todos são essenciais…
Entendêssemos e aplicássemos essa complementariedade de uma orquestra às nossas relações
Usando a batuta de modo harmônico às diferenças dos “instrumentos” de nossa vida
Teríamos um viver mais belo, em sintonia e harmônico
Mais feliz e encantador…
Alda M S Santos
*foto: meu filho Pablo tocando
CENAS DA CIDADE
Burburinho de gente na estação do metrô
Corre e corre para pegar o ônibus integração
Trem lotado, perfumes misturados, smartphones
Alguns conversam, um casal abraçado, um senhor idoso, de pé, é ignorado
Entra e sai constante a cada estação
Uma multidão atravessa no semáforo aberto
Outros correm entre os carros mesmo
Caminho na larga calçada sem muita pressa
De um lado da avenida o Parque Municipal, árvores, lagos, brinquedos e edificações tombadas
No meio, o Ribeirão Arrudas canalizado, águas sujas
Do outro lado, prédios e mais prédios
Um ambulante vende loterias: “hoje é dia da sorte”
Outros vendem biscoitos, salgados gordurosos, variedades
Outro grita: “moça bonita que sorrir não paga…”
E a gente ri, não da piada antiga, mas da expressão do vendedor
Pessoas apressadas, umas sorriem, dizem bom dia
Outras ainda dormem nos bancos, ao lado de lixeiras
Enroladas em seus cobertores, provavelmente doações
Debaixo de árvores ou nos cantos das ruas
Ruas que são suas casas…
Bens públicos e bens privados usados inadequadamente
Tantos rostos, tantas histórias…
Vontade de perguntar a cada uma delas o que se passa
Mas eu também sigo, também tenho uma história, sou parte da cena da cidade.
Refletindo sobre a vida, entro no hospital, desejo “bom dia”
“Posso ajudar?”- um porteiro solícito pergunta
Quero gritar: “acordem todos”!
Mas falta-me a voz, a coragem
“Onde marco cirurgias”?
“Siga em frente, moça, até o fim”!
Parece profético!
“Pode deixar, seguirei…”- ele sorri
“Obrigada! Bom trabalho”!
“Boa cirurgia, Deus abençoe!”-alguém que não é indiferente.
Da janela do andar lá em cima observo as cenas da cidade…
Como será que somos vistos do Alto, por Ele?
Esse louco formigueiro humano disputando espaço
Atrapalhadamente, vivendo…
Alda M S Santos
INFILTRAÇÕES
Trincas nas paredes, rachaduras nas calçadas
Buracos no asfalto, aberturas nos canteiros
Fendas nos quintais, fissuras nos jardins
Permitem a entrada gradativa de água
Possibilitam infiltrações e o lento, nocivo
E quase imperceptível ceder do terreno
Abalam as estruturas, derrubam edifícios
Jogam ao chão monumentos, grandes construções
Como as rachaduras em nossa emoção
Aquelas pequeninas, que quase ninguém vê
Uma decepção aqui, uma indiferença ali, um descaso acolá
Frestas que nem nós notamos
Vão deixando entrar elementos perigosos
Que abalam nossas estruturas
Derretem a liga que nos sustenta
Urge tapar essas gretas: na rua, nos quintais, nos lares, em nós
Deixar apenas a abertura suave das persianas e dos sorrisos
Por onde entra ou sai a luz do sol e do amor
Que nos aquece, nos mantém inteiros, de pé
E de braços abertos para a vida!
Alda M S Santos
O DIA EM QUE A TERRA NÃO PAROU…
Quando não nos posicionamos perante a vida
Quando não escolhemos caminhos ou não fazemos opções
Por inércia, ignorância, covardia, dúvidas ou medos
A vida não deixa de acontecer, o planeta não deixa de girar
A Terra não para pra nos esperar
As pessoas seguem as trilhas que escolheram
A vida se impõe, alguém “escolhe” por nós
E somos “obrigados” a aceitar a escolha de outros que caiu em nosso colo
O caminho a nós imposto, bonito ou feio, plano ou cheio de aclives
Sem nossa análise, avaliação ou aprovação
Delegamos a outros, por inércia ou inaptidão, o controle de nossas vidas
E percebemos que aquele “dia em que a Terra parou”
Existiu apenas na canção, nos sonhos loucos de Raul Seixas
Ela seguiu em ensandecida rotação e translação e fomos lançados fora de órbita
Para um lugar melhor ou pior…
A Terra, indiferente à nossa “preguiça”, continuou a girar…
A Terra continua a girar…
Alda M S Santos
PLACAS TECTÔNICAS
O movimento das placas tectônicas causa graves acidentes na superfície do planeta
Terremotos, maremotos, tsunamis e vulcões assustam
Mas são sinais da vida ativa no interior da Terra
A cada vez que elas se movimentam
Grandes desastres naturais são gerados resultando em morte, terror, destruição
Uma nova posição elas tomam, nova organização se dá: sobrevivência
Quem está melhor preparado sabe o que fazer, como lidar, seleção natural
Nem sempre os mais altos e bonitos edifícios mantém-se de pé
Muitas vezes são os primeiros a ruir e tombar ao chão,levando consigo muitos outros
O que vale é a estrutura firme, a base forte, a flexibilidade das colunas
Desconsiderar a força da vida interna que se rebela e se revela não é sábio
Nos terremotos naturais os sobreviventes conhecem a regra: o tripé da vida
Apoiar-se em algo sólido e firme, abaixar-se, proteger-se
E esperar a lava quente, a fumaça tóxica, os destroços serem levados oceano afora …
Nesse grande planeta azul, somos dele pequenas miniaturas
Onde estamos nos apoiando quando nossas placas tectônicas se movimentam perigosamente?
Alda M S Santos
SAIU SEM SABER QUE NÃO VOLTARIA…
Uns voltando para casa, outros a passear
Uma rodovia de tráfego intenso, fim de tarde
Famílias inteiras em férias, caminhoneiros no trabalho
Ônibus lotados, escuridão total, alguns invadem a contramão, ansiosos
Todos parados num gigantesco engarrafamento
A PRF alerta: acidente grave com vítima fatal próximo a BH
Quatro veículos envolvidos, colisão frontal ocupando ambas as vias
Sirenes de ambulâncias e resgates passam velozes
Vários motoristas fora dos veículos a conversar
Alguns a fumar ou alongar as pernas
Passageiros impacientes no interior dos veículos
Muitos lamentando a perda de tempo
Outros, a família que perdeu um ente querido
Alguém que saiu de casa sem saber que não voltaria
Imprudência, má sorte, era chegada a hora, muitos a opinar
A lua aparece na serra devagarzinho, como a espiar o que aconteceu
Waze oferece rotas alternativas impossíveis
Penso que poderíamos estar já em casa
Mas lembro de quem não mais poderá chegar
Partiu de volta para a origem
Saio do carro, tiro uma foto da lua que está maravilhosa
E faço uma oração de agradecimento por quem se salvou
Mas, mais ainda, bênçãos a quem se foi e respectivas famílias
Que Deus nos proteja a todos!
Alda M S Santos
Foto de Pablo Vinicius Silva Santos
ENQUANTO HOUVER VIDA
Enquanto houver vida quero seguir meu caminho
Posso parar à beira da trilha para reabastecer energias
Sob sol intenso ou sombra de uma árvore frondosa, enxugar o rosto
Sorrir ou chorar, nunca desistir, confiar sempre
Entre flores ou espinhos, terra ou pedras
Receber uma dose de ânimo, um abraço de amor, uma palavra de confiança
Uma mão, um sorriso de carinho, esperança e amizade
Daqueles que Ele envia para me interpelarem…
Só não posso fechar os olhos, ignorar Seu cuidado
E agradecer, retribuindo tanto amor, estando disponível sempre
Vencendo medos e culpas, erros e tropeços
Sem autoacusações ou autoflagelos, com aprendizado
Sendo aquela que Ele envia para iluminar o caminho de outros
Em qualquer circunstância, valorizando e protegendo a vida, sempre
Até o reencontro com Ele, em casa…
Alda M S Santos
METADES?
Eles caminhavam de mãos dadas na avenida movimentada numa manhã ensolarada e fria.
Andavam devagarzinho entre apressados, agasalhos quentinhos quase tanto quanto a cena.
Cabelos brancos como neve brilhavam sob a luz forte.
Uma bengala numa das mãos dele, uma sombrinha grande fechada na dela.
Corpos meio encurvados somando umas quinze décadas…
Vez ou outra trocavam uma palavra, mas os olhares se comunicavam melhor.
Um bueiro aberto à frente, aquele cuidado de desviá-la do cone sinalizador do perigo.
Quantas vezes desviaram um ao outro do caminho interrompido?
Quantas vezes limparam as feridas das quedas nos bueiros da vida ou frustraram-se por não poderem fazê-lo?
Quantos segredos compartilhados ou guardados para proteção?
Quantos momentos de dor superados, fraturas coladas, perdão oferecidos, lágrimas misturadas?
Quantas marcas trazem nos joelhos, nos corações, nas almas?
São metades complementares, despareadas?
Não, são inteiros afins, falhos, com cicatrizes!
Contudo, dispuseram-se a caminhar juntos, a aceitarem-se e diminuírem essas falhas.
Quem vê conclui: “que lindo, que vida perfeita”.
Não, não são perfeitos e, por isso, ajudam-se em suas imperfeições e crescem.
Perfeitos não precisam do outro, de ninguém, não toleram imperfeições.
Lindo, sim! Não pela perfeição, mas pelo amor que cultivaram, que sobrevive às imperfeições.
Se estão unidos ainda assim, de mãos dadas, como a dizer “te aceito”, é exatamente por saberem-se imperfeitos!
Quantos de nós almejamos tudo isso, seguimos no barco da vida, remando sozinhos sem saber nos expressar?
Um viva às nossas imperfeições, melhorando a cada dia,
Sem desgastadas pretensões de alcançar a perfeição…
Alda M S Santos
AQUELA TELA BRANCA
Aquela tela que parece branca
Onde imaginamos muito espaço para pintá-la a nosso modo
Traz consigo cores sensíveis ou vibrantes
Claras, fortes, foscas, disfarçadas, aparentes ou nem tanto
E foi desse jeitinho que ela nos atraiu
Querer que ela se apague, que torne-se inócua
Para receber novas cores a nosso bel prazer
Seria desfazer o que ela tem de próprio e belo
Seria desfazer o que nós temos de nobre e original
Somos, às vezes, tão narcisos que só mergulhamos fundo
Se virmos no outro a nossa imagem refletida
Artista e tela precisam se harmonizar para produzir uma bela obra de arte
EU e TU precisam gerar uma nova obra
EU e TU que gera NÓS, sem descaracterizar ninguém
Essa é a obra perfeita…
Alda M S Santos
CAMINHOS DA ALMA
Os caminhos de nossa alma são abertos devagarzinho
Uma gentileza aqui, um cuidado ali, um sorriso, um abraço, uma atenção mais à frente
Trilhas, esquinas, curvas, recônditos secretos, o prazer de um balancinho
Neles transitamos, claro ou escuro, sorrindo ou chorando, diariamente
Só é capaz de neles trafegar quem os ajudou a construir
Ainda que involuntariamente, sem perceber, sem desejar
E, uma vez conhecido o caminho, mesmo sem o possuir
Será sempre alguém capaz de ali fazer a luz se acender ou se apagar…
Alma possui caminhos com vias só de entrada…
Alda M S Santos
QUANTO VALE UMA VIDA?
Uma pergunta difícil : quanto vale uma vida?
Uma vida vale tudo, mas não há nada que pague.
Também não vale nada, visto que não há valor material que possa sustentá-la
E tantas vezes parece estar presa a um único fio…e perdura
E outras, parece forte… e se perde
Vale o tamanho do nosso amor, da dor que fica
Da ausência deixada, da lacuna não preenchida
Como amor não tem medida, a vida também não tem…
Qualquer vida que se perde
Que permitimos que se vá
Que não conseguimos impedir a partida
É uma perda irreparável,
Independente de quem foi
Sexo, idade, classe social, instrução, religião, profissão…
É sempre um projeto de Deus interrompido…
E uma vida nunca pode substituir a outra
Cada vida é única e especial
Algumas são mais preciosas para a gente que outras
São aquelas que Deus nos entregou nas mãos e disse
“Cuida, confio em você”!
São aquelas pelas quais seremos cobrados
São aquelas que trazem tudo de bom que temos
Que fazem a nossa própria vida ser preciosa
Que nos alimentam de sorrisos e lágrimas
Que nos fazem acender, manter e fazer valer nossa porção divina…
Alda M S Santos
COISIFICANDO
Substituir, esse é o lema moderno, a nova ordem
Estragou, avariou, deu problema, preocupação, trabalho
Jogue fora, troque, substitua!
Mundo do descartável!
Pode ser um copo, um eletrodoméstico, eletrônico, objetos pessoais, pessoas…
Nada se conserta mais!
Nem amizades, nem amores, nem família: substitui-se!
Pessoas estão sendo transformadas em coisas, em objetos
Estão sendo coisificadas!
Nada errado em ter novas pessoas na vida, em acolher,
Em ser acolhido, amparado
Mas pessoa não pode substituir pessoa
Pessoas descartadas também poluem o ambiente
Danificam a si mesmas, ao outro
Pessoas não se joga fora e fica-se bem
Como se tivesse trocado de celular
Cada qual tem seu lugar, seu espaço
Se a rotatividade de pessoas estiver grande demais
Estamos nós mesmos a um passo de nos transformar em coisas!
Alda M S Santos
EMPARELHAR
Andar lado a lado, sintonizar
Emparelhar com alguém
Tarefa tão difícil quanto desejada
Encaixar, harmonizar,
Buscar pontos comuns é tão importante
Quanto valorizar o que é diferente
Preto ou branco, grande ou pequeno
Audaz ou receoso, falante ou introvertido
Carinhoso ou contido, animado ou quieto
Aceitar e respeitar o diferente é ser humano
Nas diferenças há também harmonia
Se o coração sintonizar no amor…
Alda M S Santos
MALAS PRONTAS
Não importa para onde vamos
Se é logo ali ou atravessando o oceano
Malas arrumadas é fundamental
O que vai, o que fica,
Quem vai, quem fica?
Malas cheias, coração abarrotado…
Expectativas de diversão e alegria
Se necessário, mudamos o destino final(?),
E que possamos trazer mais que levamos
Uma alma mais leve, em sintonia com as demais
Em paz…
Vamos?
Alda M S Santos
VERDADE OU MENTIRA?
Tantas verdades inquestionáveis
Que passamos a colocar em xeque!
Será que tudo não passou de uma mentira?
Tantas mentiras que elevamos ao patamar das verdades!
Será que avaliamos bem?
Verdade ou mentira?
Dizem que a verdade é apenas uma,
E que as mentiras são muitas…
Verdades também podem ser várias,
Se forem avaliadas sob o prisma dos pontos de vista, das opiniões, dos sentimentos
Esses são flexíveis, regridem, mudam ou evoluem.
Assim, cada qual tem sua verdade…
Verdade ou mentira?
Nesse vai e vem o que era verdade torna-se mentira
O que era mentira vira verdade
Independente das nossas vontades
Ou até mesmo por nossos desejos ou amadurecimento.
Verdade ou mentira?
Quisera podermos escolher, sem qualquer dano, o que doesse menos!
Alda M S Santos
CATAPULTA
Não é preciso nem um extremo nem outro
Não preciso sorrir todo o tempo, tampouco chorar
Posso ter energia bastante para lutar
Mas posso querer hibernar por uns tempos
A alegria pode ser rara, a tristeza também
Mas não preciso nem um extremo e nem outro
Não quero viver na zona de confronto todo o tempo
Mas a zona de conforto também não é satisfatória
O amor não necessita ser daqueles de contos de fadas
Mas também não precisa ser de conto policial
Não preciso nem um extremo e nem outro
O trabalho pode ser intenso e prazeroso
Mas a inércia também pode fazer parte, ser necessária
Ou posso optar por deixar-me levar pela letargia
Vez ou outra preciso me desligar de tudo
Antes que tudo se desligue de mim
Não é preciso nem um extremo nem outro
Mas se chegar a qualquer dos extremos
Que eu possa me encontrar em qualquer um deles
E ser catapultada de volta ao prumo!
Alda M S Santos
EM LETRA CURSIVA
A vida é tecida em letras cursivas
Sobe, gira, desce, desce mais, faz uma volta
Um laço, um nó, curvas, círculos, segue em frente
Volta, faz um corte aqui, coloca uns pingos acolá
As letras são as mesmas, mas a escolha delas difere
E o modo de traçá-las também.
Infinitas palavras, frases, textos e histórias
Vão sendo compostos com a nossa marca
As nossas digitais, a nossa caligrafia original
Algumas letras são mais caprichadas
Outras até mesmo ilegíveis, até para quem escreve
Uns textos são mais longos, histórias mais complexas
Uns bem simples e fáceis de ler…
O importante é que isso é tarefa intransferível
Nós selecionamos, nós compomos, nós vivemos,
Ainda que o único leitor sejamos nós mesmos…
Alda M S Santos
A DOR
A dor é o óleo que deixa
As engrenagens do coração lubrificadas
E o tornam sensível e propício para viver
As posteriores alegrias intensamente,
Sem trepidações ou danos à sua mecânica.
Cuidado com a falta ou o excesso do óleo!
Alda M S Santos
POR QUÊ?
Por que conseguimos ajudar a tanta gente
E não conseguimos ser tão úteis aos mais próximos de nós?
Por que conseguimos estender uma mão que é acolhida por tantos
E aqueles que mais amamos a ignoram ou não veem nela o conforto?
Por que o abraço do “desconhecido” aquece mais?
Por que as palavras mais sábias vêm de fora?
Santo de casa não faz milagre?
Será que veem em nós a obrigação de amar e acolher?
Por quê?
Será que somos vistos com nossas falhas e incapacidades
Aquele lado por demais humano, normal, corriqueiro
E não pelas nossas qualidades e capacidade de acolhimento?
Por que será que é tão mais simples ajudar os outros, aconselhar
Que conseguir ajudar, inclusive, a nós mesmos?
Por quê?
Alda M S Santos
AMOR À VIDA
Folhas velhas, seca, repouso
Aparente morte…
Gotas d’água, lágrimas, brotos
Renascimento…
Folhas novas, botão, rosa.
Fases da natureza,
Fases de nós…
Esperança, respeito, fé.
Isso é amor à vida!
Alda M S Santos
CHUVA, CHOVA!
Chuva, chova!
Só faltava você, seu cheiro
Seu tilintar no meu telhado
Seu pinga, pinga na minha janela
Para embalar meu sono,
Para encantar meus sonhos…
Mas venha com bastante calma,
Pois posso ficar tentada,
A ir aí pra fora
Fazer bagunça junto a ti…
E adeus sono….
Alda M S Santos
SOU FEITA, NÃO PERFEITA!
Sou feita de tudo aquilo que me cerca
Dos carinhos que recebo, das lágrimas que verto
Da luz que emito, da escuridão em que me meto,
Das emoções que compartilho, dos sonhos desfeitos,
Das esperanças que nutro, das decepções que engulo,
Dos topos que atinjo, dos tombos que levo…
Sou feita, estou sendo feita!
Sou feita, não perfeita!
Alda M S Santos
EXPECTATIVAS
Segunda ou sexta-feira?
Quarta-feira ou domingo?
O que difere um dia do outro, um mês do outro?
A expectativa que neles colocamos, certamente!
Levantar da cama disposto para o trabalho
O passeio, a família, o namoro
Faz com que qualquer dia tenha a “cara” de sábado.
Levantar com rabugice e mau humor dá a todo dia o tom da preguiça característica da segunda- feira!
Quero sete dias na semana com aparência de disposição, energia e amor!
Vamos levantar! Boa semana!
Alda M S Santos
Foto de Sílvia Helena Brito
DECEPÇÕES
Decepções são como nuvens escuras, carregadas
Passam, deixam uma tempestade de lágrimas
Vão embora, o Sol volta a brilhar
Mas nunca mais sobre as mesmas criaturas!
A tempestade lava a inocência
O Sol vem para secar as má(aguas)
E manter a vida em curso…
Alda M S Santos
ECLIPSE TOTAL, E DAÍ?
Eclipse total do Sol, a estrela maior
A que mais brilha, a que possibilita a vida
Muitas superstições surgem
Inúmeros cuidados de observação são apontados
Acostumados a ignorar os próprios eclipses,
A observar a olho nu os eclipses totais ou parciais do outro,
Sequer notá-los, atravessá-los, indiferentes
Estarão todos já com os olhos protegidos com o filtro necessário,
Afinal, é um simples eclipse solar!
Quem está no escuro, nada vê!
Quem tem a luz, sabe que ela retornará!
Alda M S Santos
ÍDOLOS NÃO MORREM?
Tudo bem, admirar um cantor, um ator, um artista qualquer
Pelas habilidades ou dons que possua,
Pelos diferenciais, pela capacidade de cativar e encantar,
Até aí é compreensível!
Mas até que ponto é preciso ser bitolado para se ter um ídolo?
Para se colocar em risco?
Para realizar loucuras ou se expor a situações ridículas?
Idolatrar outro ser humano!
Passar recibo de pouca inteligência, acreditando piamente que seu ídolo não morreu!
Sem qualquer prova racional, apenas pela emoção!
E não é viver na obra, não!
Literal mesmo!
Elvis Presley não morreu!
E está aí com mais de 80 anos!
Pois existe gente assim! Que ainda busca “provas”!
Posso chamar a isso de que?
Encantamento de massas, ou loucura coletiva?
E dura 40 anos!
Nada contra o Elvis Presley, cujos filmes muito assisti, cantor e dançarino muito original e avançado para a época.
Mas deixou alguns admiradores parados no tempo.
Elvis vive nas músicas, nos filmes, na lembrança dos fãs!
O resto é falácia de admiradores inconformados!
Alda M S Santos
Imagem AMP- EBC
FELICIDADE ARTIFICIAL?
Nunca devemos incomodar uma “felicidade”,
Mesmo que pareça artificial,
Se não pudermos oferecer algo verdadeiro
E melhor em troca.
Alda M S Santos
TRUCO E OUTROS JOGOS
Num jogo de cartas vence aquele que mais sabe esconder o jogo
Aqueles que são mais abertos e mostram suas cartas
Quase sempre são os perdedores.
No jogo da vida há poucas diferenças,
Porém, os de cartas escondidas são pessoas mais pesadas,
Os de cartas na mesa são pessoas mais leves.
Mas os vencedores e os perdedores não tem como saber,
Há que se avaliar….
E o jogo segue à nossa revelia.
Quer a gente mude de parceiros na mesa, ou não,
Com cartas abertas ou marcadas,
Com bons adeptos e jogadores ou não,
Até que alguém grite “truco”!
E, game over.
Alda M S Santos
É MELHOR…
Melhor que adormecer é fazê-lo suavemente nos ombros de alguém
Melhor que sorrir, é ter alguém especial para oferecer nosso sorriso
Melhor que acordar, é ter a luz do olhar de alguém a nos desejar bom dia
Melhor que nos aquecer numa xícara de chá quente, é ter alguém que nos aqueça num abraço
Melhor que não correr riscos, é ter alguém que nos ofereça proteção e cuidados,
Melhor que ser forte, é nos dar o direito de fragilizar, de ter onde nos apoiar
Melhor que não cair, é encontrar um ponto de equilíbrio em qualquer situação
Melhor que levantar para a vida, é ter alguém que nos dê um bom motivo para viver…
Mas melhor mesmo que tudo isso,
É termos a nós mesmos,
Sermos nosso melhor motivo para viver…
Alda M S Santos
QUANDO A LUZ CEGA
A escuridão dificulta a visão que a luz possibilita,
Todos temos isso como certo.
Mas e quando é a luz que nos impossibilita de ver?
Pouca escuridão nos permite enxergar melhor,
Que o excesso de luz…
Um amor bem dosado é mais valioso,
Em todos os seus tons e matizes,
Que seus excessos: para mais ou para menos.
Se é que pode-se chamar de amor essa versão…
Excessos, sejam quais forem, podem ser danosos,
Simplesmente, porque prejudicam nossa capacidade
De visão e análise!
Alda M S Santos
É PRECISO SORRIR
Um sorriso opera milagres
Em quem sorri, em quem recebe o sorriso
Vi num outdoor, não lembro qual marca
“Vamos mudar o mundo: um sorriso de cada vez”!
Acho muito válido!
Mas o nosso precisa estar incluído
Como causa ou consequência!
É preciso sorrir, para fazer sorrir os outros.
Alda M S Santos
#carinhologos
VENTOS
Brisa, ventinhos, ventanias, tempestades, tornados…
Alguns agradáveis como a brisa suave ou os ventinhos,
Encantadores como as ventanias,
Toleráveis como as tempestades,
Assustadores e destruidores como os tornados…
Todos têm como base os ventos,
A intensidade com que acontecem.
Quase sempre temos que enfrentar todos eles em nossas vidas,
Podemos ser cada um deles em momentos diferentes!
Há pessoas brisas, ventanias, tempestades e tornados.
Vamos aprendendo a identificar os sinais, os alertas,
Com os quais podemos lidar,
E quando sair para o tempo e curtir,
Ou nos fecharmos dentro de abrigos subterrâneos
E aguardar nova calmaria.
A vida vai ensinando…entre sorrisos e lágrimas…
Alda M S Santos
DIA DOS NAMORADOS: TROCA-SE!
Troca-se um jantar romântico do dia dos namorados por um lanche juntinho todas as noites.
Troca-se um bouquet de rosas vermelhas por um beijo gostoso todas as manhãs.
Troca-se uma joia cara por um abraço bem apertado e cheiroso a qualquer hora.
Troca-se uma ida ao cinema por um cineminha no tapete da sala quase todas as noites.
Troca-se uma bebida cara num restaurante fino por um vinho tinto na mesa da sala ou na cama.
Troca-se uma noite numa boate por um diálogo a dois na rede.
Troca-se a esticadinha num motel 5 estrelas por um passeio ao luar, diante de zilhões de estrelas, amando na relva.
Troca-se um eu te amo dito por um eu te amo demonstrado todos os dias…
Preferível é ter tudo isso!
Se não for possível, troca-se de namorado!
Alda M S Santos
NAMORADOS INSUBSTITUÍVEIS
Alguns dizem repetidamente a um certo alguém, algo que soa como ameaça: “você é minha vida, não vivo sem você”!
Outros, felizes, alardeiam o fato de serem insubstituíveis para alguém.
Somos seres únicos, nesse aspecto somos todos insubstituíveis.
Deixando de existir, fim por aqui!
Porém, elevar alguém a tal patamar em nossas vidas é algo complicado.
Querer ser insubstituível na vida de alguém, idem.
Ter alguém insubstituível, sem o qual não vivemos, é colocar na conta do outro dívidas que são nossas.
Ser insubstituível para alguém é carregar conosco o peso da vida do outro.
Devemos almejar ser insubstituíveis apenas para nós mesmos.
Se pudermos arcar com nossos ônus e bônus, sorrisos e lágrimas, vitórias e derrotas, teremos feito bastante.
E isso não é egoísmo,
É dar conta de algo que é só nosso e não deve ser delegado a outros:
Nossa vida!
Alda M S Santos
EQUILIBRANDO
Equilíbrio: habilidade de manter-nos de pé e estáveis
Quando tudo parecer desabar
Ficar apoiados num pé só ou sobre duas rodas
E ainda assim não perder a linha, a graça, o encanto.
Capacidade de abrir um sorriso, oferecer colo
Quando lágrimas escorrem
Ou quando tudo que se quer é pedir arrego.
Equilibrando, seguindo, vivendo…
Alda M S Santos
INSPIRAÇÃO
INS= em, PIRA= onde arde o fogo, AÇÃO= atitude
Inspiração: fogo em nós que aquece a vontade
Chama que gera e consome energia
Ação que possibilita criações.
Criações que produzem vida
Vida que aquece outras vidas…
De onde vem sua inspiração?
Alda M S Santos
FELICIDADE
A verdadeira paz e felicidade consistem
Na aceitação e equilíbrio entre
O que se quer, o que se precisa
O que se pode e o que se tem.
Alda M S Santos
NOSSO PRÓPRIO PARTO
Quando o espaço já está pequeno,
E já não nos cabe mais
É preciso renascer…
Retirar as camadas que nos envolvem
E, aparentemente, nos protegem
E dar a luz a nós mesmos.
Alda M S Santos
COMA INDUZIDO
Procedimento: Indução de um coma atemporal
Indicação: Proteção de circuitos importantes
Retorno à consciência de dentro pra fora
Quando for capaz de processar estímulos externos sem dor,
Quando a alma estiver em paz consigo mesma.
Alda M S Santos
TEMPOS DE AMOR E PAZ
Paz…amor…
Almejados para o futuro
Reconhecidos no passado
Pouco percebidos no presente.
Paz…amor…
É aqui e agora que se faz!
Alda M S Santos
OXIGÊNIO
Ficar nos espremendo num pequeno espaço,
Levantando a cabeça, fugindo do afogamento,
Buscando pequenas bolhas de ar para respirar
Não é viver, é evitar a morte.
Queremos, precisamos de oxigênio à vontade
Merecemos ar puro,
Respirar fundo e livremente,
Viver!
Alda M S Santos
NUDE
Em tempos de nudes, quase tudo se vê, nada se imagina.
Corpos nus, bronzeados, “bombados” e “preenchidos”.
À mostra, na vitrine, expostos para deleite, quase uniformes.
Competição acirrada, muitas ofertas, grandes negócios.
E se a nudez solicitada fosse a da alma?
Haveria tanta oferta, tanta competição?
Almas escondidas, vazias, murchas, quase inexistentes.
Onde poderiam ser bronzeadas, bombadas, preenchidas?
Lugar algum!
Alma não aceita acessórios ou aditivos.
Alma simplesmente é! Como a natureza!
E há muitas almas lindas escondidas em corpos nada uniformes por aí.
Procurando é que se acha!
Alda M S Santos