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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Deus

Força sobre-humana 

FORÇA SOBRE-HUMANA 

Sempre que observo as mariposas fico impressionada. Como são insistentes e “cegas” pelo poder da luz. 

De lâmpada em lâmpada, meio desesperadas, dominadas por tanto fascínio, vivem e morrem em busca de luz. 

Já vi colocarem uma bacia d’água sob a lâmpada. O reflexo da luz na água as engana, elas mergulham e morrem afogadas.

Como elas, somos seres persistentes, insistentes, corajosos. 

Podemos “quebrar a cara” inúmeras vezes, sermos enganados por falsa luz, mas continuamos a insistir nessa coisa maravilhosa que chamamos VIDA. 

Nunca desistimos do amor, da amizade, da felicidade. 

Como a mariposa insistente em torno da luz, podemos nos queimar, machucar, esfolar todo, mas voltamos ao mesmo ponto.

Há algo em nosso DNA que nos faz ser mais fortes que tudo, nos faz ignorar certas coisas, enfrentar outras, nos aliarmos ao que nos faz bem…

Só precisamos nos cuidar para não seguirmos a sina das mariposas, vivermos e morrermos em torno da luz sem nunca tê-la alcançado verdadeiramente.

Alda M S Santos

Chuva em mim

CHUVA EM MIM

Hoje o dia está indeciso

Ora chove, ora clareia

Esquenta, esfria…

A natureza, sábia, agradece e aproveita.

Sabe que tudo que Deus manda deve ser aproveitado! 

Absorve o que lhe convém

Deixa passar o que não cai bem

Águas sempre lavam 

Irrigam, hidratam.

E aguarda o Sol voltar a brilhar… 

Ele sempre volta.

Fora e dentro da gente.

Crê! A longa experiência a ensinou.

Ninguém perde por amar, acreditar e esperar. 

Alda M S Santos

Quem cuida de mim?

QUEM CUIDA DE MIM?

Quem cuida de mim? 

Há dias em que nos sentimos “abandonados”.

Cercados de pessoas, nos sentimos sós. 

Queremos um abraço daqueles que têm mais que braços, mais que apertos, mais que calor.

Abraços com laços que enlacem nossa alma. 

Abraços que digam “estou aqui para o que der e vier”. 

Nada parece haver que justifique tal abandono.

Mas a sensação é persistente.

Buscamos na mente, no coração, na alma os “abraços” que queremos. 

Uma oração, sempre bem vinda, sempre traz luz.

“Eu estarei contigo todos os dias até o fim dos tempos”! 

Sinto-me abraçada e protegida!

E o dia começa…

Alda M S Santos

Luz que não se apaga

LUZ QUE NÃO SE APAGA

Todos temos uma luz

Fundamental, ela é:

Energia que nos move

Calor que nos aquece

Carinho que nos acalma

Amor que nos alimenta

Essa luz nos mantém vivos

Ela é o fio que nos conduz

Se está lá, nada conseguirá apagá-la. 

Mesmo que pareça longe

Abastecida por duas fontes,

Uma parte dela vem de dentro de nós

A outra é acionada por terceiros.

Devemos manter em equilíbrio essas fontes

Quando uma enfraquece

Fortalecemos a outra. 

Depender da luz de “fora” 

Pode parecer difícil

Mas, tantas vezes, é ela que nos salva,

Quando a luz interior mingua, perde o foco.

Se ambas quiserem se apagar, busquemos a maior de todas

Aquela que nunca falha

Que devemos manter sempre conosco

A luz que vem do alto. 

A luz que vem de Jesus! 

Alda M S Santos

Se eu deixar de existir

SE EU DEIXAR DE EXISTIR

Se um dia eu deixar de existir

Busque-me na natureza

No perfume das flores

Nas asas das borboletas azuis

Na chuva forte que cai

Numa cachoeira barulhenta

Num rio tranquilo e caudaloso

No bico de um beija-flor

Se um dia eu deixar de existir

Ouça-me no sorriso de uma criança

Veja-me no olhar sábio de um idoso

Sinta-me no amor de uma mãe que amamenta

Se um dia eu deixar de existir

Busque-me dentro de você

Procure-me no seu coração bagunçado

Parte da bagunça ou da organização

Certamente lá eu estarei

Só deixarei de existir

Quando você não mais me procurar dentro de si…

Aí, morrerei!

Alda M S Santos

Ciclo vital

CICLO VITAL

Somos todos nós, por força de nossa vontade

Ou à nossa revelia, partes dessa grande floresta da existência.

Somos sementeiras, quando plantamos e distribuímos nossas alegrias.

Somos água quando irrigamos a terra árida com carinhos e sorrisos.

Somos Sol quando levamos o brilho e calor do nosso amor.

Somos adubo quando enriquecemos a terra com boas palavras.

Somos chuva quando penetramos a terra com a profundidade da nossa fé.

Somos brisa que acalma e sombra que refresca no calor de nossos abraços.

Somos todos, tudo isso, quando nos abrimos para dar e receber.

Essa é a beleza da floresta: a troca.

E ela não seria tão bela se tivesse somente eucaliptos, carvalhos ou aroeiras.

Manter a riqueza dessa vida depende de todos nós!

Plantar, cuidar, curtir, colher, num ciclo eterno….

Alda M S Santos

Quando olho pra você

QUANDO OLHO PRA VOCÊ
Quando olho pra você, enxergo a tristeza além do sorriso de capa de revista.
Quando olho para você, além dos passos trôpegos, caminhar vacilante, enxergo um objetivo, um destino.
Quando olho pra você, enxergo o que a alma diz em silêncio, não apenas o que a boca fala desenfreadamente.
Quando olho pra você, vejo além de um corpo com imperfeições, enxergo um coração que sabe amar.
Quando olho pra você, não vejo apenas um ser humano qualquer, procuro ver uma obra de Deus!
O que vês quando olhas para mim?
Sou apenas uma obra do Criador que busca melhorar a cada dia.
Simplesmente.
Alda M S Santos

Descanso

DESCANSO
Para o descanso do corpo: rede.
Para o descanso da mente: natureza.
Para alegria do coração: amigos verdadeiros
Para alimentar a fantasia: livros
Para refrigerar a alma: paz interior.
Para a paz interior: Deus!
Alda M S Santos

A quem seguimos?

A QUEM SEGUIMOS?

“Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me.” (Mateus, 19-21)

Um senhor, abismado, colocou-nos essa questão: “Jesus ou os que o seguiram deviam ter algo que nenhum de nós tem. Eu não seguiria nenhum homem que me pedisse para largar minha mulher, filhos, vender tudo e o seguir. Sem ao menos me oferecer um emprego, apenas dizendo que teria vida melhor e eterna. Ele devia ser muito bom ou os caras eram tolos. Se Jesus aparecesse hoje seria morto de novo.”

Na hora, respondemos apenas que Ele era o filho de Deus, certamente tinha algo de especial, alguma luz, alguma bondade, que atingia os corações daqueles que Dele se aproximavam. Refletia amor, por isso despertava amor.

Fiquei pensando que poderia ter-lhe dito outras coisas.

Acredito que há muitos de nós que ainda O seguimos. Não no sentido literal, de andar lado a lado. Subir e descer montanhas e pregar.

Não somos tolos, mas abandonamos tudo e O seguimos quando entendemos e agimos de acordo com os ensinamentos que deixou.

Quando demostramos amor pela família e pelos nossos semelhantes, mesmo os que nos desagradam, quando nos dedicamos com afinco ao nosso trabalho, quando estendemos a mão a alguém menos afortunado que nós, quando dizemos não à negatividade de certos sentimentos, quando enxergamos o outro, de verdade, além de nós mesmos.

Acredito que todos nós seguimos algo. Qual o sentimento que nos comanda? O que queremos? O que buscamos? O que fazemos para conseguir? Quem levamos conosco? Quem deixamos para trás?

Ele nos ensinou a maior lição de todas: O AMOR. A Deus, a nós e ao nosso próximo.

Se em nossa vida diária agimos com amor, por amor, pelo amor, conosco e com nossos semelhantes, nós O seguimos.

Ele prometeu voltar. Enquanto não vem, vamos amar e cuidar de toda a beleza de Sua criação, seja ela qual for. E quando Ele chegar, saberemos identificá-Lo.

Alda M S Santos

Belezas

BELEZAS 

Em meio a tamanha diversidade Deus nos presenteia com inúmeras belezas naturais. 

A natureza é rica delas. Além delas, há, também, belezas humanas de todo tipo a nos fascinar. 

Algumas chamam atenção por dotes físicos, umas pelo bom humor, outras pela bondade e simplicidade, outras ainda pela inteligência ou luz divina que refletem… 

Mas há aquelas que têm o dom de concentrar em si todas essas características, ou quase.

 Devemos amar e ajudar a todas, mas essas, nunca devemos deixá-las se afastar de nosso convívio… 

São bênçãos!

Alda M S Santos

Há receitas?

HÁ RECEITAS?

Para estar de bem com a vida
Não há receitas, não há tutoriais.
Cada pessoa exige ingredientes diferentes
O “ponto” de cada massa é diverso
O tempo que se leva para “assar” é variável
Mas há ingredientes que são unanimidade:
Boas companhias, um lugar agradável e Deus.

Alda M S Santos

Amanheceu

AMANHECEU
Amanheceu! O sol invade a janela do meu quarto.
Uma oração de agradecimento..
Que dia é hoje?
O que faz com que hoje seja diferente dos demais?
Não é o dia da semana, férias, sol ou chuva…
São as expectativas que coloco sobre ele.
É o modo como agirei sobre ele, com a ajuda Dele!
Somos nós que fazemos nossos dias, nossas vidas.
Abro os olhos, abro a janela, abro-me para a vida!
Bom diaaaa! ❤️
Alda M S Santos

Milagres diários

MILAGRES DIÁRIOS
Há dias que parecem vir pra gente sob encomenda. Nunca fui uma pessoa descrente, mas sempre me emociono e surpreendo com os milagres da vida.
Ouvir relatos e depoimentos de superação pela fé, lutas que pareciam inglórias serem vencidas, doenças serem tiradas com “as mãos”, acontecimentos que pareciam perdas se revelarem como ganhos, é de arrepiar.
Seria preciso a pessoa ser demasiado insensível, muito prejudicada emocionalmente ou racional demais para não notar a “magia” que nos cerca.
Analisando, penso que milagres cercam nossas vidas todo o tempo. Talvez a gente nem perceba, ou só note os “grandes” milagres nos outros. Pode ser que não nos julguemos merecedores.
Quantas vezes será que já não fomos desviados de um caminho perigoso, afastados de pessoas maléficas, protegidos contra situações arriscadas, sofrido apenas um mal físico?
Às vezes, um trajeto maior a percorrer, um “amigo” que se vai, um emprego que se “perde”, uma gripe forte, uma decepção amorosa, um trabalho exaustivo, um pequeno acidente, foram apenas os efeitos colaterais, o que ficou depois de recebermos o milagre.
Se isso acontece sem pedirmos, o que não conseguiríamos pela oração e pela fé?
Se Ele cuida de toda a criação, o que não faria por nós que somos feitos à Sua imagem e semelhança?
Em cada situação ruim devemos sempre pensar: o Pai estava aqui e me protegeu! Poderia ter sido pior.
Somos parte do milagre diário de Deus!
Alda M S Santos

Aprendendo a pescar 

APRENDENDO A PESCAR

Nossa vida é uma grande pescaria. Numa hora pegamos um peixe tão pequenino que, insatisfeitos ou compadecidos, o devolvemos ao rio.

Noutra, passamos um tempão na beira do lago, gastamos empenho e paciência para pescar um grandão e nos decepcionamos.

Há ainda as vezes em que sequer percebemos os peixes que, insistentes, mordem nossa isca, e os ignoramos.

Também existem aqueles que nos oferecem, gratuitamente, mas, orgulhosos, dispensamos.

Ter a paciência para esperar e identificar o peixe certo morder nossa isca é habilidade de poucos.

Saber qual peixe devolver ao rio, num ato “caridoso”, também!

Estar atento para não deixar passar em branco aqueles insistentes é importante. Pode ser o “peixe” de nossa vida!

Pescar é divertido, mas dispensar o peixe gratuito, salvo se não for de boa procedência, pode não ser muito inteligente.

Nessa grande pescaria que é a vida, as oportunidades, as pessoas, as situações, são os peixes. Somos apenas um entre milhões de pescadores. Todos queremos pescar!

O rio é grande, nem sempre limpo ou caudaloso, mas há peixes para todos que têm paciência e habilidade.

Devemos nos concentrar em nossa cesta e esquecer a cesta do pescador vizinho. Ela não melhorará nossa pescaria.

Finalmente, lembrar que também somos peixes pode ser muito útil na hora de pescar.

Qualquer dúvida, há grandes lições do maior pescador de almas que já houve: Jesus. Encontram-se num “manual” chamado Bíblia!

Boa pescaria a todos!

Alda M S Santos 

Disque Emergência

DISQUE EMERGÊNCIA
Temos números de emergência para quase tudo: SAMU, Polícia Militar, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Procon, Direitos Humanos, Delegacia da Mulher, Hospitais e tantos outros.
Mas e se a nossa emergência for mais íntima: uma alegria extrema, uma novidade deliciosa, uma dor profunda, uma saudade doída, um amor proibido, uma decepção tremenda ou uma simples vontade de dar um abraço? Qual número discamos? Quem atende nossas emergências cotidianas?
Quanto mais “códigos numéricos” tivermos a quem recorrer, melhor estaremos servidos.
São, os donos desses números, as preciosidades de nossas vidas. Nosso refúgio, nosso colo, nosso aconchego, nosso porto seguro.
A elas devemos nossa gratidão e amor incondicionais todo o tempo, principalmente àquela cujo código para a acionarmos é a oração: Deus.
Àqueles que atendem minhas emergências diárias, todo o meu carinho e amor.
Bom dia!
Alda M S Santos

Espelhos da alma

ESPELHOS DA ALMA

Não existe nada mais cativante no ser humano que os olhos. Sem querer desfazer de um corpo bonito, um rosto de traços harmônicos, um coração bondoso, uma mente inteligente, uma alma elevada.

E não estou falando de sua anatomia, de sua beleza estética, formatos e cores. Refiro-me à sua capacidade expressiva. Não há olhos que mentem! Há olhos que tentam disfarçar, e isso já é expressivo.

Há olhares curiosos, alegres, que querem tudo perceber, sem se fixar. Deixam-nos à vontade. Há os distraídos, que observam aleatoriamente e se detêm apenas quando convém. São seletivos e nos pegam desprevenidos. Há ainda os atentos, sensíveis, que parecem invadir, tudo captam: pequenos detalhes, diferentes sentimentos, qualquer humor…

Se encontrarmos olhares atentos, fugir deles é impossível. Eles perceberão qualquer emoção que estiver ali. Não saberão a razão, mas reconhecerão a emoção, aquela disfarçada pelo sorriso ou forçada pelas lágrimas.

Notarão a ansiedade, a preocupação, a culpa, a tristeza, o medo, a decepção, a afobação… São olhos com uma camada de nebulosidade. Por vezes, úmidos.

Perceberão a alegria, a euforia, o prazer, a satisfação, a vitória. São olhos com brilho intenso, cores vivas, transparentes.

Captarão em alguns olhares a censura, a inveja, a raiva, a crítica, a cobrança, a avaliação, o julgamento. São olhares com ar de superioridade. Olham por cima.

Sentirão olhares carregados de desejo, admiração, atração, paixão. São olhos quentes, brilhantes, agitados, pidões.

Serão atraídos por olhares de compaixão, amor, carinho, solidariedade… São olhares doces, tranquilos, pacíficos.

Espelhos da alma, ou não, eles refletem o que se passa em nosso interior. Os dos homens costumam ser mais expressivos, talvez por serem mais focais. Os das mulheres costumam ser mais perceptivos, por serem mais periféricos. As crianças os têm claros, transparentes e cristalinos. É natural delas, não escolhem. São maravilhosos e cheios de expectativas. Os idosos já não querem mais esconder nada, seus olhos são quase tão expressivos quanto os das crianças. Por eles, deixam extravasar a emoção dos anos vividos. Sabem que não adianta esconder. Mergulhar nos olhos de um idoso é entender sua história: rica, bonita, carregada de alegrias, tristezas, frustraçōes e culpas. É como ler um livro.

E, entre crianças e idosos, estão os adultos que “aprenderam” a disfarçá-los. E vão vivendo acreditando enganar a todos sobre o que sentem. Até conseguem, muitas vezes, mas não os olhares atentos e sensíveis.

Mas o mais bonito e emocionante da vida é quando olhares perceptivos e expressivos se encontram em uma via dupla. Olhares atentos de ambos os lados se percebem, trocam sentimentos, energias, desejos, amor, carinho, amizade, paz, sonhos, esperança, tudo sem ser necessário trocar uma palavra sequer. Se olham, se entendem, se aproximam, se abraçam. Aqueles que dizemos que “o santo bateu”. Na verdade, os olhares bateram! As almas se encantaram.

Enfim, todos os olhares são lindos, em todos os olhares há uma poesia a ser lida, uma vida a ser descoberta. Olhar nos olhos não é para qualquer um. Olho no olho é para quem tem coragem!

Alda M S Santos

 

Há dias

HÁ DIAS

Há dias em que a estrada parece longa, interminável, quase infinita…

As pernas cansadas, os pés inchados, os calçados tão gastos quanto a coragem.

Há dias em que tento mirar a chegada, parece inalcançável.

Vontade de sentar à beira da estrada e apenas observar.

Descansar!

Sinto-me só…

Há dias em que os atalhos e desvios não são animadores.

Há dias em que quero voltar à largada.

Respiro fundo e percebo que a bagagem pesa.

Deixo alguns itens desnecessários para trás.

E sigo, mais leve.

Não preciso ser a Lebre ou a Tartaruga.

Vou no meu ritmo.

Apesar dos expectadores, concentro-me em mim mesma.

Há dias em que sinto que a força tem que vir de mim, de dentro.

Esqueço a chegada, tiro o foco.

Não há pote de ouro no fim do caminho.

As moedas douradas encontram-se na estrada.

Devo pegá-las e usá-las no percurso.

O final pode ser a qualquer momento.

Olho para frente, limpo os olhos, e sigo.

Há dias, que percebo, feliz, afinal, que minha melhor companhia nunca me abandona.

Ela brota de dentro.

Ela se chama fé,

Ela atende por Jesus!

Alda M S Santos

Quando

QUANDO

Quando o coração está em paz,

O som do despertador parece música,

Quando a luz vem de dentro,

Dias nublados são brilhantes

Quando a esperança nos acompanha,

Uma cara feia é apenas uma oportunidade de ajudar

Quando a fé na humanidade é nosso guia,

Um “bom dia” torna-se um “eu te amo”! 

Quando Deus está conosco,

Até a maior tempestade é pacífica.

Quando somos amor,

Somos alma, somos sorriso, somos paz! 

Bom diaaaaa! 

  1. Alda M S Santos 

Cuidados e amor de Pai

CUIDADOS E AMOR DE PAI

Ele não nos tira nada. Ele permite certas coisas, desvia algumas, redireciona outras, permite-nos escolher, mas orienta. 

Como todo filho, achamos que tudo sabemos, queremos o impossível, damos murros em pontas de faca, usamos viseiras para não ver o que não queremos. 

Tantas vezes nos entristecemos, nos rebelamos, fugimos ou não reconhecemos todo o Seu amor.

E o Pai, sempre amoroso e cuidadoso, segue nossos passos amparando, cercando por todos os lados, retirando do caminho “objetos” que nos levem ao tropeço e ao tombo. 

Quando insistimos e caímos, Ele está lá, limpa nossos esfolados, enxuga nossas lágrimas, coloca-nos no colo. Ele é aquela vozinha que diz: “eu sabia que não devia ter ido por ali”. 

Paciente, dá-nos a mão, a coragem, a perseverança. Levantamos e seguimos em frente. 

Aprendemos? Que nada! Erraremos outras vezes, cairemos de novo, nos machucaremos tantas outras. O Pai nos permitirá passar por alguns caminhos, fazer certas escolhas que, mesmo dolorosas, nos levarão ao aprendizado. Voltaremos chorando, tristes, derrotados. 

Porém, nunca nos abandonará. Ele conhece cada filho, sabe de suas forças e limites. Puxa o muito atirado, instiga o tímido, encoraja o mais fraco, dá mais carinho e amor ao mais carente. 

Quando estivermos tristes com algo que “perdemos” ou que não saiu como esperávamos, analisemos. Pode ser a mão do Pai retirando aquele brinquedo do tapete que nos levaria de testa ao chão, ou isolando aquela tomada que nos daria um choque tremendo.

Pensar nisso, pode fazer a “perda” doer menos. 

Alda M S Santos

Porque escolhi viver

PORQUE ESCOLHI VIVER

Porque escolhi viver nem sempre serei sorrisos.

Viver implica aceitar um pacote de possibilidades.

Tantas vezes é meter a cara onde parecia arriscado.

É pegar o ônibus em movimento.

Acordar cedo, dormir tarde, nem dormir…

É enfrentar humores oscilantes, humanos vacilantes.

É chorar de dor de dente, de dor de amor, sofrer pela dor do outro.

É dormir orando de preocupação ou agradecimento.

É ter dias nublados e outros ensolarados.

É encharcar-se até a alma nas tempestades próprias.

Poderia ter escolhido me recolher, não me envolver, não participar.

Sentar na janela e só observar a paisagem…

Mas eu escolhi viver.

Por isso, sou assim

Multifacetada…

Ora lágrimas, ora sorrisos…

Ora prazer, ora saudade…

Nem sempre sorrisos

Mas quando eles existem…

Sua luz é capaz de gerar brilho por dias…

Porque escolhi viver…

Alda M S Santos

Eclipse humano

ECLIPSE HUMANO

Tal como a Lua, algo ou alguém pode vir a encobrir parcialmente a luz que recebemos. Entrarmos em eclipse pessoal.

Visível a olho nu, essa sombra, ao contrário da Lua, nem sempre é bonita. É dolorosa!

Recolhemo-nos em nós mesmos, meio “apagados”, querendo que o eclipse seja total e por tempo indeterminado.

Passageiro ou duradouro, parcial ou total, precisamos desfazer o alinhamento de corpos que permite tal sombra, que cria nosso eclipse interior.

Enquanto isso, recolhidos em nós mesmos, buscamos um gerador de luz pessoal que nos mantenha “acesos”

Assim, alinhamento desfeito, nossa luz interna se unirá à externa e, mais fortes, tudo voltará a brilhar.

Intensamente!

Alda M S Santos

Preciso falar com Deus

PRECISO FALAR COM DEUS

Preciso falar com Deus. 

Acordei com esse propósito, essa necessidade.

Fico quietinha, deitada, chamo: Pai! Bom dia!

Tudo é silêncio!

Pai!-repito: O Senhor está aqui?

Ao longe, ouço o piar dos pássaros, a claridade do amanhecer já invade minha janela. 

Levanto em silêncio, olho pela janela. Pego minha Bíblia. Abro aleatoriamente. 

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mateus 28,20).

A Paz me invade lá de dentro e, na certeza que poderei buscá-lo em mim a qualquer momento, meu dia começa radiante. 

Bom diaaaa! 

Alda M S Santos

Festa em mim

FESTA EM MIM
Gosto de festas, na verdade adoro festas!
Não qualquer festa!
Gosto de festas íntimas, em que conheço todo mundo.
Aquelas em que posso bater um papo e rir com todos.
Estar à vontade, ouvir boa música, dançar, me divertir.
As melhores festas são as preparadas dentro da gente.
Aquelas que planejamos com antecedência, sonhamos…
Imaginamos nossas vestes, penteados, perfumes e maquiagens.
Conseguimos nos ver nítidos, claros e transparentes através delas.
Imaginamos cenários, condições do tempo, sensações, cheiros.
Inserimos alguns personagens, retiramos outros.
Somos os donos da situação, da festa.
Escolhemos as falas, as risadas, as interações.
Acrescentamos carinhos, abraços e beijos…
Dançamos com quem queremos, escolhemos a música.
Descartamos quem não nos agrada.
Colocamos quem tem algo a acrescentar.
Criamos início, meio e fim, como um enredo.
Assim é a alma de quem se dispõe a escrever.
Alma em festa.
Íntima, mas em festa!
Alda M S Santos

Quero os dedos e os anéis!

QUERO OS DEDOS E OS ANÉIS

Tantas vezes fomos treinados na técnica da compensação, da conformação, da aceitação. 

Não sou tão competente, mas sou responsável.

Não tenho o emprego dos sonhos, mas conformo-me com o que consegui.

Não tenho inteligência bastante, nem adianta estudar, fico assim mesmo.

Não tenho quem amo, mas aceito aquele que me ama. 

Não sou feliz, mas vivo alguns momentos felizes. 

Tudo bem! Todos nós precisamos saber lidar com as frustrações. Muitas vezes não teremos tudo que queremos. Nossas vontades não são soberanas. 

Porém, aceitar o imutável é uma coisa, nem tentar mudar é outra. 

Precisamos buscar, lutar, acreditar naquilo que queremos, que nos fará mais felizes, nos tornará um ser humano melhor. E aceitar ajuda é parte do processo. Deus não nos fez solitários! 

O risco de quem se conforma com a falta dos “anéis” é culpar quem os conseguiu e tornar-se amargo. 

Façamos assim: se os “anéis” foram perdidos, devemos valorizar os “dedos” que ficaram, sim, mas buscar, na medida do possível, novos anéis, e não apenas se conformar com sua falta. 

Deus nos criou para sermos felizes. Buscar o que pode proporcionar tal felicidade é parte do processo, portanto:

Eu quero os dedos e os anéis! E é atrás deles que eu vou! 

Alda M S Santos

Ele poderia estar entre nós

ELE PODERIA ESTAR ENTRE NÓS

Seríamos capazes de identificar um herói, um gênio, uma grande personalidade, até mesmo alguém especial entre nós?

Depois dos caminhos trilhados, fatos transcorridos, tramas esclarecidas, desfechos revelados, tudo torna-se claro, compreensível.

Porém, no momento em que a história está sendo construída, quantos de nós temos esse discernimento?

Quantas vezes algumas personalidades importantes em variadas áreas, admiradas e ovacionadas pelo mundo todo, não foram e não são reconhecidas entre os seus?

Como se precisássemos de um aval externo a dizer “vejam como fulano revolucionou a medicina, a educação, a política, a literatura, a arte, a fé”!

Isso aconteceu até mesmo com Jesus, “Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra”.(Marcos 6,4).

Necessário é que estejamos atentos. Retirar a venda dos olhos, aguçar o olhar, o coração. Pertinho de nós pode estar “crescendo” alguém que irá revolucionar o mundo, independente da área de atuação. Podemos contribuir, podemos usufruir.

Se Jesus nascesse novamente entre nós, ou se aparecesse no nosso meio, convivesse conosco, seríamos capazes de identificá-Lo? Em sua simplicidade? Aceitaríamos se Ele se destacasse? Teríamos que ver para crer?

O quanto de preconceito com o que, ou quem, é diferente de nós ou se destaca, há ainda em nós?

Sejamos sinceros!

Alda M S Santos

Caminhos difíceis

CAMINHOS DIFÍCEIS

Há dias em que tudo parece mais difícil. A estrada mais longa, caminhos mais sinuosos, sol escaldante a minar a resistência. O objetivo torna-se longe e quase inalcançável. Oásis? Só na imaginação. 

Nesses momentos, vale olhar para o caminho já percorrido. Veremos as curvas em que quase caímos, o sono nas subidas íngremes, as pernas bambas nas descidas derrapantes, mas, sobretudo, lembraremos claramente dos momentos em que ultrapassamos os obstáculos e das pessoas que nos ajudaram quando seguimos em frente. 

Olhando de fora, como um observador casual, conseguiremos ver as dificuldades, mas, principalmente, apesar dos momentos em que não acreditávamos, ver as vitórias. Deus estava lá. Deus está aqui. Vencemos outrora, venceremos novamente! 

Não esperemos um caminho tranquilo e florido todo o tempo. Estando preparados para as intempéries, superaremos mais facilmente cada obstáculo. E com a experiência adquirida, poderemos até ousar curtir a paisagem e os caminhantes, prováveis oásis, desse caminho.

Boa caminhada! 

Alda M S Santos

Olhe para o Alto

OLHE PARA O ALTO

Para frente tudo parece tão distante, tão difícil!

As pernas estão cansadas. A alma precisa de tempo. 

Para baixo tudo é amargura e cinza. Nada se vê de belo.

Mas se olhar por muito tempo, vicia. Risco de mergulho profundo na tristeza.

Para trás, quase nada se vê! Apenas atrasos…

Para dentro de si, tudo é confuso, conflituoso… 

Precisa-se encontrar a paz! 

Olhemos para o Alto!

Braços, olhos e coração abertos.

Coragem! 

A Luz que vem de lá é poderosa. 

Aciona o que há de melhor em nós! 

E poderemos dar o primeiro passo, seguir em frente…

Corpo, mente e alma numa só sintonia! E, finalmente, encontrar a paz! 

Alda M S Santos 

Quero ficar aqui!

QUERO FICAR AQUI! 

Ah, quero ficar aqui. 

Coração angustiado, cabeça pesada, corpo dolorido, vontade de hibernar como um urso. Tempo indeterminado.

É preciso que o desejo de nos “levantarmos” apareça primeiro no coração, na mente, para que o corpo obedeça.

Vontade de ficar aqui! 

Por quê? Sei lá! 

Ignoro o -“Vamos, um lindo dia te aguarda lá fora!”- que ouço de uma vozinha interior. 

Quero o direito de me entristecer, de chorar, de me lamentar, de gritar, de ter dúvidas, de ser preguiçosa, se for o caso. 

Quem disse que precisamos ser fortes todo o tempo? 

Quero virar para o canto, enfiar-me embaixo do edredom, voltar-me para mim mesma. 

Tantas vezes precisamos dessa limpeza! Que seja à base de orações, reflexões, lágrimas ou cama! 

Que o trabalho espere! Que o mundo espere! 

Eu sem mim mesma não sou nada para ninguém! 

Até breve! 

Alda M S Santos 

Sentimentos não se prendem

SENTIMENTOS NÃO SE PRENDEM!
Não somos guarda-volumes, caixas-fortes ou depósito de sentimentos. Sentimentos existem para serem expressados, transformados, sublimados ou eliminados, nunca estocados.
Se forem sentimentos ruins, negativos, que nos fazem mal ou aos outros, precisamos trabalhar para transformá-los ou eliminá-los. É o caso do ciúme, da inveja, da raiva, da negatividade, da superioridade, da possessividade. É necessário investigar as causas, analisá-las a fundo, buscar substituição por sentimentos melhores tipo confiança, fé, bondade, compaixão e amor.
Se forem sentimentos nobres, mas que, de alguma forma, não têm feito bem, é preciso alguma ação sobre eles. É o caso da fé cega, da compaixão, da solidariedade, da alegria, do amor. Sim! Eles também podem fazer mal.
A fé cega costuma gerar superioridade e preconceitos para com os demais. Ela precisa transformar-se em ação, humildade e compaixão. A fé sozinha, sem ação, é inútil!
A compaixão e a solidariedade excessivas podem paralisar e tornar dependentes aqueles que delas necessitam. Oferecer ajuda é carregar no colo primeiro, em seguida dar as mãos, mas depois deixar livre para seguir. E não pode também paralisar a vida de quem ajuda.
A alegria contagia, faz vibrar, mas perto de quem está muito mal soa “ofensiva”, portanto, não deve ser escondida, mas dosada.
O amor sempre será positivo. Sempre. Para quem sente e para quem o recebe. Porém, há os casos em que o amor tem que vir com uma dose de cobrança, de firmeza, como no caso do amor paternal. Mas nunca deve se esconder atrás da severidade.
Há os casos em que ele ocupa um só coração, então, deve ser transformado em amizade ou “direcionado” para outro beneficiário.
Há ainda os casos “proibidos”, se é que existe amor proibido. Pode ser por um esporte, inadequado fisicamente para quem o aprecia, por um hobby, oneroso demais para se manter, por um objeto, viciante, por uma pessoa, inacessível. Nesses casos, há a sublimação. A força desse amor deve ser sublimada em outra atividade que lhe dê prazer. Um “amor” excessivo ao fumo, por exemplo, pode ser sublimado numa habilidade musical. O amor por uma pessoa inacessível pode ser sublimado numa energia de amor fraternal e solidária, e por aí vai…
Não estou querendo de modo algum simplificar. Apenas afirmo que sentimento preso e estocado não produz coisas boas, ao contrário, pode gerar doenças.
Precisamos nos cercar de pessoas alegres e sábias que, de uma forma ou de outra, sempre nos ajudam.
Podemos pensar que não somos responsáveis por sentimentos que brotam em nós. Não somos mesmo! Sentimento é vivo, nasce, cresce, se expande, está em constante movimento. Brota por algum motivo. Mas uma coisa é certa, podemos escolher o que fazer com eles, quais vamos alimentar, deixar crescer e manter como nossa marca registrada.
Que seja o amor!


Alda M S Santos

 

Tapetes de Amor

TAPETES DE AMOR

A noite foi chuvosa, a manhã está fresquinha, depois de uma tarde muito quente no dia anterior.   

Céu nublado, ruas molhadas, lindos ipês floridos formam tapetes coloridos sobre a calçada. 

Algumas pessoas se escondem em agasalhos, semblante fechado, chateadas por terem que se levantar. Outras se “colorem” e se “abrem” para o novo dia, assim como as flores receberam o calor, a chuva, a brisa suave, a queda das flores. 

Deus, como Pai zeloso, prepara nosso caminho. Ouvimos “bom dia” da natureza, das pessoas… Até um tapete de flores Deus prepara para o nosso caminho. 

A natureza confia e espera. Nós, humanos, tão sábios, tantas vezes, ao invés de agradecer a chuva, nos enraivecemos com o trânsito que apresenta problemas, enxergamos as ruas com lixo acumulado, mas não notamos as árvores que agradecem a bênção recebida, reclamamos de tantas folhas e flores que sujam o quintal e as ruas, mas não admiramos o lindo tapete perfumado que formam, resmungamos ou acenamos a cabeça a um bom dia simpático que recebemos, ao invés de agradecer por estar vivo, poder se levantar, ter a chance de sempre recomeçar.

Seja de flores ou não, Deus sempre prepara um tapete para nosso caminho. Basta que a gente mantenha olhos e coração abertos para identificá-lo e curti-lo. Pode ser a família, o trabalho, um amigo, a natureza…

Qual é seu tapete hoje?  

Alda M S Santos 

Ele está no arco-íris

ELE ESTÁ NO ARCO-ÍRIS

Desconheço quem seja capaz de ignorar a beleza das cores, da luz e da vida que um arco-íris irradia. 

Por mais forte que tenha sido a tempestade, quando ele aparece tudo se renova! É o modo de Deus nos dizer que tudo ficará bem. 

Se pudéssemos pensar nas lindas cores durante a tormenta, passaríamos mais incólumes por ela. 

Se fôssemos capazes de sentir Deus, tanto na tempestade quanto no arco-íris, teríamos mais fé, mais força, seríamos mais felizes. Quem passa pela tempestade valoriza mais o arco-íris! 

Vê-Lo no arco-íris é fácil! Identificá-Lo na tempestade é bênção! Obter aprendizados de ambos é dádiva: Ele não nos abandona nunca! 

Alda M S Santos 

Acordando

ACORDANDO

Acordar, preparar um café, ir à padaria.

Sol alto, quente, brilhante

Domingo, poucos se levantaram,

Menos ainda estão nas ruas.

Sem correrias, observar quem passa.

Uns ainda sonolentos, meio emburrados.

Aqueles que dão o bom dia, sorridentes.

Outros que parecem vir de uma noite na farra,

E os que já trabalham, me recebem na padaria. 

Lanço um olhar “avaliador” sobre cada um e questiono:

Qual será o olhar que lançam sobre mim? 

O que veem?

O que pareço a cada um deles? 

Cheios de pré-conceitos, tantas vezes olhamos assim nossos irmãos. 

Julgamos.

Nesse lindo domingo,

Só dois pedidos a fazer:

Que eu possa ver cada um como Jesus vê: além da aparência,

Na impossibilidade, que possa tratá-los como Deus trata.

Se merecedora, que seja também digna desse olhar e tratamento.

Bom dia, filhos de Deus! 

Alda M S Santos

MUDANDO O/OU PARA O INTERIOR?

MUDANDO O/OU PARA O INTERIOR?
Cada dia que passa as pessoas têm procurado mais a vida no campo. Uns querem apenas desfrutar de suas belezas e conforto, por um fim de semana ou férias. Outras, querem voltar às origens, retornar ao passado que ficou lá atrás e, após um tempo, volta com tudo, especialmente após os 40 anos. Há também aquelas que nunca tiveram experiência com a vida rural, e se encantam ao primeiro contato.

Outro dia, numa sala de espera de um consultório médico, dois senhores conversavam sobre isso. Um dizia que o médico tinha recomendado procurar uma vida mais calma para afastar o estresse. O outro sugeriu que comprasse um sítio, ao que ele respondeu que não se acostumaria àquele silêncio todo e à vida dura de trabalhos braçais.

Daí surgiu todo um relato da nova vida que passou a levar após um infarto. Passou a viver num sítio, cujos familiares se opuseram veementemente. Acharam que era mania de velho, visto que nunca tinha demonstrado interesses pela área rural. Acabaram por ceder, visando preservar a saúde do patriarca da família. Compraram um sítio não muito longe da cidade. Todos os dias, esposa e filhos dirigiam 50km para ir para o trabalho.

Reclamaram muito no início, mas se acostumaram. Sentiram falta das regalias da cidade no início: pizzarias, cinemas, celulares, internet, shoppings… Mas acabaram por se encantar pela pureza do ar, as cores dos jardins, o contato com a terra, a horta, as árvores frutíferas, os animais que passaram a criar, o rio.

A família ia e voltava todos os dias. Não acreditava que quisessem ficar lá para sempre. Quanto a ele, não abria mão daquela vida. Gostava de acordar cedo, ver o sol nascer, alimentar seus bichos e cuidar de suas plantas. Quem diria que teria forças para usar a enxada? Gostava das caminhadas nas trilhas de terra, de sentar-se à beira do rio, ouvir os pássaros, cochilar à tarde, ouvir música em seu mp3 velho… Sentia prazer nas mínimas coisas. Num bate-papo com os poucos vizinhos que encontrava quando ia ao pequeno comércio na região, nas leituras prediletas, no violão que gostava de tocar à noite… Voltou a escrever poemas, hábito da juventude, abandonado pelos atropelos da vida.

Só ia à cidade para realizar consultas periódicas com o cardiologista. Logo o médico o chamou. Despediu-se do amigo e foi recebido pelo médico com carinho. “Estou precisando ir para o campo também! Que saúde, vigor e alegria você demonstra”! O outro senhor atendeu ao celular, ficou vermelho e concluiu: “Preciso mesmo dar um novo rumo à minha vida”!

Saí de lá pensando no privilégio que é poder ter as duas opções: o campo e a cidade. Mas o fundamental é desacelerar, adquirir hábitos mais simples, menos consumismo, adquirir paz interior. O campo, com suas dificuldades geográficas e de consumo, pode aumentar os problemas se não mudarmos nosso interior “urbano” e estressado. Mudar nosso interior antes de nos mudarmos para o interior.
Alda M S Santos

 

 

O que nos torna humanos? 

Observando o corre-corre da vida diária, seja na rua, na família, no trabalho, nos jornais ou na TV, ninguém seria capaz de negar o quanto as desigualdades são inúmeras. Vemos pessoas diferentes: altas, baixas, gordas, magras, brancas ou negras, entre outras. Possuem em comum o fato de serem seres humanos. Isso deveria, a princípio, dar a elas as mesmas condições de evolução física, psicológica, espiritual ou material. Na prática não é o que acontece. O que determina que algumas pessoas tenham mais habilidades, dons e capacidade de conquistas que outras? Veio em seu DNA? Recebeu de Deus? Foi desenvolvido? 

Se veio no DNA, não escolhemos. Se recebemos de Deus, qual seria o critério por Ele utilizado para fazer tal distribuição, considerando-O um Deus de amor? Se é desenvolvido pelas pessoas, seria a partir de que base? 

Sabemos que, via de regra, as pessoas com saúde física e mental, espiritualizadas e com algumas conquistas emocionais e materiais são mais felizes. Enfrentam com mais recursos as adversidades que se apresentam. Delas poderia ser “cobrada” uma atitude mais positiva perante a vida.

Mas, e aquelas que desde o nascimento já são acometidas pelos problemas: miséria física, material, emocional, espiritual? Vêm de um lar onde reina a pobreza extrema, em todos os aspectos da vida humana? Falta-lhes alimento para o corpo e para a alma. Seria justo que se cobrasse delas, com o mesmo rigor, a mesma evolução das demais? 

Há aqueles que acreditam que somos um mesmo espírito vivendo em vários corpos, várias vidas, e que estaríamos, de acordo com a evolução de cada um, resgatando dívidas passadas, daí viriam as diferenças. Cada religião explicaria de uma forma diferente as desigualdades. Certo é que quem professa uma fé, conforma-se melhor com a própria situação e é até feliz.

Religiões à parte, o que temos pra lidar são as desigualdades que batem às nossas portas, invadem nossas casas, corpos e mentes de todas as maneiras. Independente de qual seja a causa das diferenças, podemos minimizá-las. Seja qual for a situação em que nos encontremos, sempre haverá alguém melhor ou pior que nós, que tem mais ou que tem menos, que pode mais ou que pode menos. 

Cabe a nós, então, manter os olhos em trânsito: lá na frente, para crescermos sempre, lá atrás, para oferecer a mão a quem tem menos.

Se a humanidade que nos faz uma espécie única não for o bastante para ajudar, usando de tudo que possuímos, material, mental ou espiritual, que independente de religião, possamos nos lembrar que: ” A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido”.(Lucas, 12-48)

Que possamos crescer em nossa humanidade, sempre. 

Alda M S Santos 

Eu amo você!

Eu amo: Uma expressão tão bonita, mas tão indevidamente utilizada que tem se tornado sem sentido, descartável, desvalorizada. Tornou-se corriqueira, trivial. Eu amo dormir, amo viajar, amo pizza, amo ginástica, amo vinho, amo dançar, amo Denzel Washington e amo você! Será que poderíamos colocá-los assim, no mesmo grau de importância? 

Para mim, coisas e situações a gente gosta. Pessoas a gente ama. E não são todas também não. Algumas a gente apenas gosta, aprecia, outras nem isso, são indiferentes ou até desgostamos. 

Nesse caso não sei se Denzel Washington seria pessoa ou coisa! 

Já parou para pensar a quantas pessoas poderíamos verdadeiramente dizer “eu amo você”? Confesso, já disse que amo, quando deveria dizer que gosto, para coisas, tipo amo aquele livro ou filme. Mas nunca disse que amo para uma pessoa sem verdadeiramente amá-la. 

Como saber se realmente amamos alguém? Claro, tem aquelas máximas: quando ela está sempre no nosso pensamento, viver sem ela é um tormento, a distância machuca e a presença torna tudo brilhante, queremos contar tudo pra ela, precisamos que nos conte sobre si, necessitamos fazer parte de sua vida, a urgência de tocar e ser tocado é grande… Esse “amor” mais passional, que quase todos conhecem, pode até nem ser amor, só o tempo é capaz de dizer. 

Às pessoas que eu amo, sempre tenho necessidade de dizer que amo, mesmo que não consiga! Apenas um bate-papo, um encontro, um alô, sempre têm que terminar com um “eu te amo”, “Deus te abençoe”, “se cuida”. Se isso não for feito, fica faltando algo. A elas desejamos o melhor, lutamos por sua vida, caminhamos juntos. São aquelas que nos despertam sorrisos facilmente, sentimos aquele bem-estar só de estar em sua presença. Mas também são as capazes de provocar as dores mais profundas, de nos arrancar lágrimas. Quando o mal as atinge é como se atingisse a nós mesmos. Quando nos magoam, dói, sofremos. E fazemos por elas coisas inimagináveis. 

Esse, de certa forma, é um amor condicionado à reciprocidade. É preciso retorno para se manter. Pode haver entre pessoas próximas ou distantes, mas precisa de alimento. 

Há ainda o amor soberano, o amor incondicional, aquele que não espera nada em troca, nem perfeição, nem reciprocidade. Aquele que Jesus tem por nós. O amor que nos permite dar a vida pelo outro. Literalmente, morrer no lugar do outro, se preciso for, ou não, apenas dando tudo que temos de melhor. 

 Nós, humanos, somos capazes de sentir tal amor? Se o verdadeiro amor fosse apenas esse, a quantas pessoas poderíamos dizer realmente, sem exageros, “amo você”?

Independente disso, somos humanos, falhos, e o amor que somos capazes de sentir não deve ser escondido ou aprisionado. Se sentimos que amamos de verdade, devemos dizê-lo. 

Ah, e Denzel Washington é uma pessoa que gosto!  

A vocês que eu amo, certamente sabem, pois digo sempre: eu amo vocês! 

E você, já disse a alguém hoje “eu amo você”?

Alda M S Santos

Só por hoje

Só por hoje gostaria de sentir o amor Dele. Poder vê-Lo, falar com Ele, tocá-Lo, sentir Seu amor infinito. Só por hoje, queria sentar-me em Seu colo como criança que esfolou o joelho e chora, sentir Suas mãos em meus cabelos suavemente. Só por hoje, ouvir Sua voz calma e sábia dizendo que amor não é pra doer, que trabalho não é tudo, que família se desentende mesmo, que aquele exame não será nada, que os anos chegam para quem merece. Só por hoje, queria que Ele caminhasse ao meu lado, acertasse o passo comigo, me desviasse das trilhas sem saída, das pedras que machucam, pois tenho chorado a toa. Só por hoje, dar-me as mãos, olhar-me nos olhos e saber tudo que sinto, dizer-me que quem ama também erra, que os filhos são pro mundo, que a saudade deve ser doce. Só por hoje receber um abraço bem longo e apertado que afastasse tudo que dói ou machuca da mente e do coração.

Não que eu não saiba de tudo isso, mas é que sou frágil e preciso ser lembrada.

Se não for possível Ele vir pessoalmente, que me faça percebê-Lo, num bom dia sorridente de um colega, no beijo de “vá com Deus” dos meus pais, na palavra doce daquele amigo que insiste em ajudar, no abraço gratuito de uma criança, até nas brigas familiares, eu possa perceber Seu amor.

Que O veja naquele pedinte na rua, nas flores que desabrocham, no cachorro que me recebe feliz, na chuva fina que cai, no cobertor que me aquece, no sol que nasce todos os dias e me  permite recomeçar.

Se não for pedir muito, que eu possa dizer “só por hoje” todos os dias de minha vida.

Só por hoje.

Alda M S Santos

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