Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Categoria

Amor

Confusão interna, carinho externo

CONFUSÃO INTERNA, CARINHO EXTERNO

Ela acordou meio down. Um dia cheio a aguardava. Adorava dias cheios, mas nem isso a animava a sair da cama. 

Espreguiçou-se longamente e levantou. Escovou os dentes e nem quis se olhar no espelho. Seria assustador! A bagunça interna estaria em seus olhos.

Resolveu fazer o que toda mulher faz nessas ocasiões: cuidaria do exterior primeiro. Seria mais fácil. Aumentaria a autoconfiança e a atenção poderia ser total à bagunça interna.

Unhas, cabelos e pele tratados, partiu para a mente e o coração.

Conversou com amigos e familiares queridos. 

Leu um livro que gostava, escreveu um pouco.

Partiu a ajudar os outros…

Talvez quando terminasse, a bagunça nem seria mais tão importante! 

Alda M S Santos

O que mata o amor?

O QUE MATA O AMOR?

O que mata o amor? Quem disse que amor não morre?

Morre sim, definha, sofre de inanição, desidratação.

Amor é algo vivo, e tudo que é vivo pode um dia morrer.

Alguns ficam em fase terminal no CTI por anos a fio,

E morrem…

Outros sofrem morte súbita, violenta, trágica.

Uma palavra mal dita aqui, um descaso ali, um esquecimento acolá,

Uma pequena indiferença, um olhar sem ver, uma desconfiança,

Uma dúvida não esclarecida, discussões inoportunas e sem tato,

Um silêncio fora de hora, uma impaciência a qualquer hora,

Um abraço que não toca, uma pessoa que não se toca!

O amor nasce nas pequenas coisas, quando percebemos, amamos

E não sabemos explicar porque, normalmente listamos inúmeras coisinhas…

Sua morte também se dá da mesma maneira,

De pequenas em pequenas coisinhas,

Quase sempre as mesmas de outrora, que amamos, e foram-se embora.

Aquele sorriso cativante, aquele olhar carinhoso, aquele abraço terno,

As palavras doces, calmantes e oportunas, 

A atenção que se esqueceu de prestar atenção…

Desidratando, desnutrindo, definhando, morrendo…

A boa notícia é que mesmo pacientes no CTI podem se recuperar e sobreviver!

Alda M S Santos

Estarei contigo

ESTAREI CONTIGO

Quantas vezes ouvimos essa frase ou as similares: conte comigo, não vou te deixar, estaremos sempre juntos, não vou a lugar algum…

Talvez o mesmo número de vezes em que precisamos e os autores não estavam mais lá.

Não estamos fazendo nos entender, ou são desentendidos mesmo?

A quem fiz essas mesmas promessas? Tenho estado atenta?

Minha avó de 94 anos, que vive sozinha, sempre diz: “nascemos sozinhos e pelados, morremos também sozinhos, o que vier no intervalo é lucro”.

E ainda completa: “não espere nada de ninguém”!

Algumas pessoas lidam melhor com a individualidade, gostam de se isolar, não compartilhar, sabem e até preferem se virar melhor sozinhas. 

Outras, porém, precisam de gente, necessitam sentir que têm apoio por perto, ainda que não os utilize!

E ainda há aquelas que partilham apenas os bons momentos e alegrias. Nas tristezas e baixo astral preferem se isolar. 

Não sou pessimista como minha avó, mas, a cada dia mais percebo que, por mais promessas que recebamos, por mais gente que tenhamos por perto, o que vale mesmo é que nós nos ajudemos. 

Poder buscar e encontrar dentro de nós, pois sempre estará lá, o que se faz necessário, é a maior dádiva. 

Podemos contar com Alguém que nos prometeu ajuda, “que estaria conosco até o fim dos tempos”…

Ele não nos abandonará nessa busca.

Que possamos senti-Lo! 

Alda M S Santos

Esperando para ser feliz

ESPERANDO PARA SER FELIZ

“Depois de uma vida de trabalho, quando chega a hora de curtir, de viver, adoece”-ouvimos tantas vezes!

Ou “dedicou a vida aos outros, quando poderia ocupar-se de si mesma, perde tudo”…

Muitas são as histórias parecidas, mudam os protagonistas! 

Não quero fazer uma apologia ao egoísmo, ao modo inconsequente de vida, mas deixar de curtir, de viver, de ocupar-se de si, de se divertir, esperando o momento “ideal” não é boa pedida!

Esperar para ser feliz depois de qualquer momento: formatura, casamento, divórcio, um novo emprego, nascimento ou casamento dos filhos, uma herança, um salário melhor, aposentadoria, é contar com os ovos no fiofó da galinha. 

Nossa felicidade não pode ser depositada na conta de um evento ou momento. Ela precisa ser contínua. Debitada dia-a-dia em nossa conta-corrente. Enquanto há saldo. 

Todos os momentos são ideais! 

Necessário é encontrar um modo de ser feliz todo o tempo com o que tem, com o presente. Apenas ele é certo. 

Esses momentos “especiais” podem maximizar nossa felicidade, mas colocar todas as nossas fichas e esperança neles é dar um tiro pro alto, é nublar o sol dos momentos atuais!

Não esperemos! O amanhã é apenas expectativa.

E expectativas quase sempre são frustrantes!

Alda M S Santos

Relações light, diet ou zero? 

RELAÇÕES LIGHT, DIET OU ZERO?

Qual seu amor ou amigo mais antigo?

Num tempo de relações fugazes nos apegamos a quem?

Quem ainda tem um amigo de infância, da adolescência?

Quem ainda está com o amor da juventude?

Talvez mais recentes: quem convive com amigos da faculdade,

Os padrinhos de casamento, os compadres?

Até o convívio prazeroso com primos e irmãos muita gente não tem.

Quase sempre temos colegas ou conhecidos

Aqueles amigos confidentes ficaram nos meio-fios do passado

Os passeios de bicicleta viraram gifs nos smartphones

Os amores quentes, de beijos ardentes e amassos furtivos,

Ficaram nos alpendres das casas ou nos bancos da praça da igreja

E não vale culpar apenas o tempo, ou a falta dele.

A questão é que as relações são mesmo difíceis.

Nada é tão perfeito! São relações humanas!

Humanos são imperfeitos! E relacionar-se envolve dedicação, empenho.

Cada relação é construída dia-a-dia nas diferenças

Abraçando as semelhanças, aparando algumas arestas

Aceitando alguns pés ou olhares tortos,

Um sorriso murcho, uma gargalhada escandalosa

Um compromisso ou uma memória mais ou menos

O que não pode é carinho, afeto ou amor mais ou menos

São eles que dão a liga a toda relação feita para durar.

Relação exige alimento, coisas que deem substância

Num mundo onde tudo é light, diet ou zero

Uma relação de abraço forte, sorriso doce

E amor integral é quase uma ofensa!

Prefiro uma refeição completa, demorada, nada de fast food!

Antes viver “obesa” de amor e feliz!

Que ter que me contentar com amor “light” e amizades “zero”

FORA DIETAS!

Alda M S Santos

Simples livros?

SIMPLES LIVROS?

Todo bom leitor tem um jeito particular de ler

Sentado, deitado na cama, na rede, no ônibus.

Rápido, lentamente, grifando, voltando atrás

Dando umas puladas por curiosidade…

Quer interagir, sugerir, interferir, participar.

Dependendo do livro, fica triste com o final

Continua imaginando a história em sua mente

Cria outros finais mais felizes, retira personagens, acrescenta outros.

Quase sempre quer que outros leiam, empresta, doa

Ou sente ciúmes daquela história e quer guardá-la só para si.

Alguns livros ficam esquecidos num canto empoeirado da estante

Sob as almofadas do sofá, numa gaveta qualquer,

Ou, mais queridos, ficam na cabeceira da cama, na bolsa

Alguns, cuja história é especial, ficam guardadas na mente,

Na alma, no coração, para sempre.

Não precisam da versão impressa, estão impressos em nós.

Cada pessoa de nossa vida é como um livro que lemos.

Há histórias grifadas, mexidas e remexidas,

As complexas e densas, que não se deixam ler facilmente

As fáceis e agradáveis de ler e interagir, as engraçadas, as tristes.

Nossa mente e nossos corações são nossas estantes

Alguns desses livros não queremos mais ler, outros estão guardados com carinho,

Há aqueles que são revisitados no fundo das gavetas,

Outros se confundem com nossa própria história, se mesclam, se fundem.

E, os mais interessantes, ainda estão sendo escritos

Ainda que a gente não se dê conta, a história continua

E é uma obra aberta com participações especiais.

E quem disse que não gosta de ler?

Alda M S Santos

Aceita uma máscara?

ACEITA UMA MÁSCARA?

Nós, humanos, temos o dom do aprendizado constante

Nascemos aprendendo e vamos fazê-lo até a derradeira hora

Mesmo os mais turrões.

Eu mesma tenho aprendido muito nos últimos tempos

Nos últimos meses bati meu recorde

Após esse carnaval, então, aprendi a última

Vendo tanta gente retirar as máscaras de foliões

E recolocar as máscaras do dia-a-dia

Esconder-se atrás de máscaras gélidas, sorrisos botox

Percebi o quanto elas são úteis em várias ocasiões

Podem evitar certos desgastes e estresses.

A máscara do sorriso, da satisfação, do “dane-se”

A máscara da simpatia, a máscara da aprovação…

Nunca fui dessas! Só de olhar para mim percebem o que vai lá dentro.

Mas isso traz sofrimento, angústias, tristezas.

Nem sempre estar abertos e de cara lavada nos livra do mal.

É a munição que o inimigo usa contra nós.

Para os jogadores, mostrar todas as cartas não é muito inteligente.

Ao verem meu rosto e minhas palavras viam o baralho inteiro.

Viam!… A partir de hoje usarei algumas máscaras e maquiagens.

Disfarçar alguns sentimentos, bons ou ruins, é autopreservação.

Não se assustem! Provavelmente demorarei a me adaptar a elas.

Só sairei às ruas quando estiver bem “trajada”.

Quem precisa que eu use não notará diferença.

Quem realmente me conhece não será “enganado”.

Estarei “escondida” em meus olhos, em meu sorriso.

Neles não cabe máscara alguma.

Quem se ocupar de olhá-los merecerá a verdade.

Alda M S Santos

Nosso lugar

NOSSO LUGAR

Num jardim, como deveria ser, havia várias flores, todas lindas!

Numa parte reservada, algumas rosas recebiam água, nutrientes e eram protegidas das intempéries, de visitantes e invasores.

Eram perfeitas, poucas, lindas, mas qualquer vento as destruía.

Outras, mais à mostra, também eram cuidadas, podadas, adubadas, mas não se misturavam. 

Só ficavam entre suas iguais. Enfeitavam parte do jardim e tinham seus admiradores. 

Havia ainda outras que recebiam menos cuidados, estavam mais pro centro do jardim, enfrentavam o sol escaldante, a chuva, visitantes e algumas “pragas”. 

Todos podiam tocá-las, sentir seu perfume, admirar sua forma e cores.

Qualquer observador poderia ver que essas eram flores fortes, meio selvagens, que além de belas, cresciam e se alastravam.

Conosco também é assim. 

Quem muito se preserva, fica lindo, perfeitinho, mas, escondidos, falta-lhes algo, perde o melhor da festa. 

Não se misturar mantém a pureza, mas perde-se a possibilidade de crescimento com os demais.

 Quem está no meio da “bagunça”, no centro do canteiro, interage, perde folhas, flores, se espeta, espeta os outros, sofre nas tempestades, mas vive tudo de melhor que o jardim oferece.

Cada qual escolhe o lugar que melhor se adapta nesse jardim.

Alda M S Santos

Culpas e responsabilidades

CULPAS E RESPONSABILIDADES

Todos nós somos acometidos por elas em algum momento da vida.

Quanto mais regras e normas de conduta carregamos, 

Quanto mais corretos e precavidos tentamos ser, mais o risco de as carregarmos em nossas bagagens.

Ninguém está livre ou isento, posto que somos humanos!

Errar, machucar, machucar-se, consertar, tentar de novo, errar outra vez, sempre fará parte de todo aprendizado. 

Análises, julgamentos, veredictos: culpados!

Nós mesmos prevemos grandes punições e sanções.

Acreditamos que os outros merecem,

Acreditamos merecê-las! 

Temos em mente a lei do retorno, da colheita, do “aqui se faz, aqui se paga.”

Vale lembrar que o grande Mestre do amor apregoa o perdão.

Se Ele é capaz de nos perdoar, após arrependimentos e mudança de atitudes,

Deveríamos ao menos ser mais complacentes com os erros dos outros, 

E, particularmente, com os nossos, e tentar de novo, sempre.

O tempo vai nos ensinando de quais perigos nos manter afastados ou vigilantes: animais, situações, pessoas…

Por mais bonitos ou convidativos que possam parecer.

Bagagens carregadas de culpas atrasam nossa caminhada,

Não são bons materiais de construção,

Impedem vivências ricas e maravilhosas. 

Peso inútil, descartável!

Alda M S Santos 

Pílula colorida 

PÍLULA COLORIDA!

Capazes de aumentar o interesse, 

E promover bem estar a dois, ativar os relacionamentos

Muitos se apresentam como opções

Catuaba, ginseng, mel, castanhas,

Canela, pimenta, chocolate, gengibre

Até uma milagrosa pílula azul surgiu.

Há os tradicionais e infalíveis: 

Beleza, sorriso, alegria, atenção, dedicação…

Uma boa conversa e inteligência têm também seu lugar

Mas não existe afrodisíaco maior que o amor e a confiança

Essa é a pílula colorida 

Não se engarrafa, não se comprime, não há contra indicações, nem risco de super dosagem.

E o sabor é doce…

Não se vende, se conquista!

Cuidado com os genéricos!  

Alda M S Santos

Amar é…

AMAR É…

Amar é respeitar…

Respeitar o tempo do outro, as fases,

Os momentos de alegria, de exposição de ideias, de sorrisos

De palavras, de autoconfiança, de fé.

Amar é aceitar, ainda que doa

A necessidade de introspecção, 

De silêncio, de mergulho em si mesmo,

De recusas, de certas ausências,

De baixa autoestima, de dúvidas ou descrenças.

Amar é entender, compreender

Que cada modo de ser carrega um modo de amar

Que a sinceridade é essencial, sempre 

Que as palavras têm peso, as atitudes, idem.

Amar é querer reciprocidade, sim,

Pois é ela que abastece, que nutre, que aduba,

Que irriga, que faz crescer o amor. 

Amar é, acima de tudo, confiar

Confiar na eternidade do amor do outro

De longe ou de perto,

Pois mesmo que pareça adormecido em alguns períodos,

Ele apenas hiberna para romper mais belo e forte. 

Alda M S Santos

Sobre o amor

SOBRE O AMOR

O amor é o sentimento mais complexo que existe. 

Tanto que muitos não escolheriam vivê-lo, se pudessem.

Ele carrega consigo a carga da perfeição. E isso é muito difícil de lidar. 

Além do mais, há vários tipos, intensidades, além da necessidade de aliados para se manter. 

Outros são bem mais fáceis. 

Ódio é ódio e pronto! Feio, mas “puro”! Sem misturas. Não há tipos de ódio. Apenas um, e mortal. 

Amizade é amizade, linda, leve, plural, recíproca, verdadeira. Não exige nada. Quanto mais, melhor.

O amor tem vários tipos e é exigente. 

Há amor declarado, possessivo, amor secreto, amor platônico, amor duplo, egoísta. 

Pode ficar letárgico uma vida inteira, esperando um sopro de vida para acordar. Pode ser assassinado pelo descuido.

Amor exige reciprocidade, exige fidelidade, exige beleza, sensualidade, confiança, respeito, presença constante.  

Amizade pode ser muitas ao mesmo tempo, o amigo pode ser feio, rabugento, desde que te faça sorrir, fica lindo.

O amor exige atenção direta, que desperte paz de espírito e solte borboletas no estômago.

Exige que tenhamos gostos parecidos, romantismo, que caminhemos pro mesmo lado, que coloquemos o outro como prioridade e que nossos olhos tenham apreciação única.

Confunde a mente, aperta o coração, deixa a alma vazia, se não correspondido.

Tão imperfeito, porque vive dentro de seres imperfeitos!

Enquanto quisermos sua perfeição, sofreremos.

Essa é nossa falha! 

Apesar disso, é lindo e poderoso. 

Frágil e delicado como uma borboleta, insistente e barulhento como um grilo, forte e feroz como um leão. 

Pode estar à mão ou distante do nosso toque.

Uma vez sentido, nunca mais iremos querer dele abrir mão.

Uma vida sem amor é uma vida sem cor e sem brilho. 

Alda M S Santos

Encontro

ENCONTRO

Ele a aguardava no início de um longo caminho

À frente descortinava-se paisagem paradisíaca

Céu azul e nuvens branquinhas, um por-do -sol de tirar o fôlego, gramíneas e árvores frondosas no caminho.

Ela chega, ele estende a mão para recepcioná-la, olhos nos olhos, falam silenciosos

Mãos dadas iniciam lentamente aquele longo caminho.

Às vezes se olham, sorriem, se entendem.

Qualquer dúvida, receio ou problema tinha ficado para trás.

Vestes leves, esvoaçantes, pés descalços

Os dela estavam machucados, ele se abaixa, faz um carinho em seus pés feridos.

Levanta-a no ar num longo abraço…

Poderiam ficar sem respirar, a energia fluía de um corpo ao outro, de uma alma à outra.

Parece querer absorvê-la, não deixá-la nunca mais sair de perto.

Cabeça encaixada em seu ombro, ela sorri e chora ao mesmo tempo.

Enfim, estão no lugar certo, tão desejado!

Cenário cinematográfico: silhuetas abraçadas ao por-do-sol. 

Hora das letras FIM aparecerem, 

Porém, o que aparece é

RECOMEÇO

E vão desaparecendo lentamente, abraçados, juntos, ao longe.

Alda M S Santos

Baile de Máscaras

BAILE DE MÁSCARAS

O quanto de nosso modo de ser pode ser captado pelo outro? 

Tantas máscaras, tantas maquiagens, perucas, fantasias…

Escondem olhares, disfarçam sentimentos, escondem o essencial

Em pleno carnaval é aceitável.

Porém, a quarta-feira de cinzas chega e o desfile de máscaras e fantasias continua.

Para quê? Autoproteção? 

Quem consegue ver através de tantas camadas?

Não superficialmente, mas perceber a essência? 

Somos sensíveis e observadores o bastante? 

E aqueles tão transparentes?

Quantas críticas! Autenticidade é crime!

Pedras e pedras são lançadas!

Críticas, juízos, muitas opiniões! 

Quase sempre, o número de pedras nas mãos dos “carrascos” é proporcional às máscaras que usam.

Para mim, carnaval dura quatro dias, se tanto.

Fora isso, cara lavada.

“Pedras? Junto todas. Um dia vou construir um castelo!”, já dizia Fernando Pessoa.

E completo: guardarei as lágrimas também.

Podem ser úteis na construção.

Alda M S Santos

Pais e filhos

 PAIS E FILHOS

Pais e filhos: uma relação única, especial, abençoada

Nasce do ventre, mas se alimenta do coração

Carinho que sobrevive e resiste a atritos, excessos, exageros, mágoas

Amor que, se faltar, deixa um vazio que não se preenche por nenhum outro amor.

Amor que se alia a respeito, perdão, união.

Compreendemos melhor o amor dos nossos pais, sendo pais

Na grande roda giratória da vida, “transferimos” aos poucos 

O cuidado aos nossos filhos, para o cuidado aos nossos pais.

Esses, cada dia mais dependentes, aqueles, cada vez mais independentes e autossuficientes.

Se pudermos olhar para nossos pais com menos crítica, com mais gratidão,

Se pudermos olhar para a vida de nossos filhos, com mais compreensão, menos imposição, 

Certamente teremos uma vida mais amorosa, mais leve e feliz.

Afinal, estamos na roda da vida e ela gira todo o tempo até a última parada para descermos.

Remorso e culpa são bagagens muito pesadas e dispensáveis!

Filhos, pais, avós são apenas fases do mesmo amor.

Que possamos viver cada uma da melhor maneira possível.

Alda M S Santos 

Onde estão?

ONDE ESTÃO?

Onde estão os abraços que precisamos?

Aqueles, cujo único interesse é ser e fazer alguém feliz?

Onde estão nossos sorrisos, nosso brilho?

Aqueles, que vêm de dentro e saem invadindo tudo?

Onde estão nossa empatia, nossa alteridade? 

Aquelas, que nos tornam capazes de sentir o que o outro sente? 

Onde estão nossa compaixão e solidariedade? 

Aquelas, que nos fazem ser mais gente, mais humanos?

Onde estão o amor, a amizade?

Aqueles, sem os quais não há vida?

Onde estão nosso sossego, nossa paz?

Aqueles, que buscamos nos outros, mas só encontramos em nós mesmos? 

Buscando em nós mesmos encontraremos todas as respostas! 

Os abraços eu encontrei, e como é bom!

Alda M S Santos

Solitude 

SOLITUDE

Reclusão e introspecção voluntária, benéfica

Disso precisamos quase tanto quanto água

Silêncio acolhedor, analítico, questionador

A capacidade de ouvir nosso interior, rasgar-nos, ao menos para nós mesmos

Encontrar nossos lagos, sombras, luzes e oásis internos

Sem buscar tantas respostas nos outros, nas palavras alheias

Quase sempre elas se encontram no silêncio, nas atitudes

As palavras podem ser duras, cruéis, ofender, magoar, matar

É preciso ausência de ruídos, de barulhos

No silêncio de nós mesmos

Em nossa companhia mais íntima estarão as respostas.

Antes de sermos de qualquer um, somos de nós mesmos.

Alda M S Santos

Contradições

CONTRADIÇÕES
Frágil em sua força, forte em sua fragilidade
Sorriso que ilumina ou que se apaga,
Lágrimas de alegria ou profunda tristeza
Palavras que nem sempre conseguem expressar o que quer, gritando ou sussurrando
Silêncio que grita o que vai no fundo, mas não é compreendido
Ora sozinha entre tantos,
Tantas vezes acompanhada de si mesma.
Um baú de possibilidades, de emoções,
Cheia de “vazios”, vazia de espaços.
Amor sem medidas, amor em excesso
Mas que tantas vezes não é o bastante.
Um poço de contradições, como todo ser humano.
Só quer viver e amar!
Alda M S Santos

Entre eles

ENTRE ELES

Estar entre, no meio, comprimida, espremida

Mesmo com todas as habilidades adquiridas

Nunca é confortável!

Ora é o amor que espreme, ora é a dúvida,

As cobranças, ou a insensatez que comprimem.

Num puxa e repuxa, evita tomar partido

Maleável, flexível, resiliente, tenta sempre

Dialogar, falar, pedir com os olhos

Com as palavras, com os gestos,

Com o silêncio, com as lágrimas…

Ainda que tudo que precise e queira

Seja fazer parte, manter as partes unidas.

Mas se fere, se cansa, se machuca,

Dói!

A cada ferida que cicatriza sai mais forte.

Qual é o saldo?

O quanto perde de si mesma?

Será que sai mais feliz?

Alda M S Santos

Jardins

JARDINS

Não há quem não se encante com jardins

Quem não dê uma paradinha, tire uma foto

Faça um carinho ou aspire seu perfume.

Quanto mais cores, perfumes, formas, variedades

Raridade, espessura e textura das flores e folhas

Mais belo e encantador ele será.

Consequentemente, mais visitantes atrairá.

Para um observador casual tudo parece perfeito:

Um excelente jardineiro cuida e dedica seu tempo àquele jardim

Rosas viçosas, hortênsias carregadas, orquídeas singelas

Ervas daninhas e pragas controladas, húmus na medida certa

Borboletas, beija-flores e joaninhas vivem felizes ali.

Já um visitante mais sensível e detalhista notará diferenças.

Claramente perceberá as flores que recebem mais adubo,

Mais água, maior incidência de raios solares, terra mais fofa

Saberá quais as preferidas do jardineiro, com quais ele não se importa,

E quais ele prefere esconder…

Por não compreender, por não saber lidar bem com elas

Ou por saber que atrairiam atenção excessiva, ofuscando as demais,

Pondo em risco até seu próprio trabalho.

Um bom jardineiro cuida bem de todas as espécies de seu jardim

Estuda, dedica-se, faz com que floresçam e apareçam

Não irá deixar uma espécie rara relegada a segundo plano

Sabe que ela poderá se fortalecer e colocar em risco todo o jardim

Essa é a essência de todo jardim: ser belo e encantar com todas as suas espécies.

O jardineiro que entende isso e as ajuda será sempre querido e necessário.

Sabe que como não vive sem seu jardim,

Suas flores também não sobreviveriam longe dele.

Alda M S Santos

Os outros e nós

OS OUTROS E NÓS

Quando quero saber de um amigo o que ele gosta de ler

Se gosta de esporte, de poesia, de filme, de jogos

Quais passeios aprecia, como lida com a introspecção,

Que tipo de música curte, como reage às frustrações

Como aceita as perdas, com quais sentimentos interage melhor

Porque eles são tão rígidos e até duros com algumas coisas,

Tão extrovertidos, brincalhões ou “infantis” com outras

Descobrimos que há muitas coisas que admiramos e outras não.

Sem querer passar por psicóloga de botequim,

Apenas, sozinha, avaliando experiências próprias e observando os outros,

Percebo que quando analisamos o que não apreciamos em nossos semelhantes

E buscamos em nós a resposta para essa “aversão”,

Quase sempre descobrimos que parte do problema está em nós também.

Muitas vezes temos dificuldade em lidar com determinado sentimento

Não porque ele existe no outro, mas por seu antagonismo em nós.

O que o outro é desperta reações negativas em nós

Talvez porque nos alerte para alguma falta, ou nos aponte alguma falha.

Coisas que gostaríamos que não fossem expostas nem para nós mesmos.

Queríamos ser diferentes? Iguais a eles? Talvez sim, talvez não.

E ninguém é completo, melhor ou perfeito.

Somos todos diferentes, e isso é extremamente rico.

Vale lembrar que todos temos algo a desenvolver.

Conviver com o diferente de nós possibilita receber algo, oferecer algo.

E nessa troca se dá o autoconhecimento, o mergulho em nós mesmos.

A melhor maneira de conhecermos e aceitarmos a nós mesmos

É buscar conhecer e aceitar o outro.

A verdadeira aceitação do que somos e do que o outro é com respeito.

“Aceita-me tal como eu sou. Só então poderemos descobrir-nos um ao outro.”(Federico Fellini)

Aprendizagem longa, difícil, nem sempre vitoriosa, porém necessária e prazerosa.

Alda M S Santos

Confiança

CONFIANÇA

Um dos vários sentimentos aliados do amor e da amizade: a confiança.

Ela que nos dá a leveza, a tranquilidade, a paz

A certeza de podermos ficar “nas mãos” do outro e não nos decepcionarmos

Saber que aquele amigo, aquele amor, aquele familiar

Sempre irá nos defender, acreditar em nós, na nossa índole. 

E, mesmo que não concorde conosco, estará do nosso lado nos ajudando.

Quantos de nós podemos encher duas mãos de pessoas de confiança?

Para confiar no outro, precisamos confiar em nós mesmos.

É uma dádiva confiar, ser de confiança. 

Quem confia é mais leve, mais feliz!

“Você pode ser enganado se confiar demais, mas viverá atormentado se não confiar o suficiente”. (F. Crane)

Alda M S Santos

Antecipações

ANTECIPAÇÕES
Dizem que o melhor da festa é esperar por ela
As expectativas que criamos,
Nosso figurino, nossa companhia,
Quem poderemos rever para matar as saudades
A playlist que será tocada
Com quem iremos dançar, as boas conversas
O vislumbre do que poderá vir a ser,
Torna tudo mais agradável, prazeroso
Cria uma ansiedade boa.
Aguardamos uma festa, antecipamos um feriado
Esperamos pelas férias, ansiamos por um encontro
Organizamos uma viagem de fim de semana,
Aquele happy hour com as amigas…
Tudo baseado nessas sensações antecipadas.
Muitas vezes o que antecipamos é melhor do que o real.
Benéfico na medida que prolonga a sensação prazerosa
Prejudicial se fizer sombra à realidade.
Mas ninguém pode nos tirar essa capacidade imaginativa
Tão nossa, tão singular, tão necessária!
Que possamos dar asas a ela e ser felizes,
Afinal, só pode haver sombras onde a luz brilha!
Alda M S Santos

Pequenos prazeres

PEQUENOS PRAZERES 

Um beijo de “bom dia, princesa”, 

A roseira que desabrocha pela primeira vez

O pão quentinho e o café fresquinho

O abraço gostoso de uma amiga

O sorriso gentil de um desconhecido qualquer

O ônibus que passa na hora certa

A música preferida bem alta

Aquele lindo filme tantas vezes reprisado

Andar semi nua pela casa sem se preocupar com olhares curiosos

A gargalhada de uma criança sapeca

A satisfação de um velhinho que se distrai com o plástico bolha

O fim de um livro perfeito

A soneca depois do almoço

O balançar na rede debaixo de uma árvore

A canção entoada pelos pássaros

Pessoas que nos amam ao nosso lado…

São tantos os pequenos prazeres…a todo o tempo.

Eles fazem a alegria de nossas vidas.

Quem muito espera pelos grandes acaba por perder os pequenos prazeres,

Deixa a vida ir e fica para trás com sua rabugice.

Alda M S Santos

Obra-prima

OBRA-PRIMA

A eles foi dada a intensidade das cores

A suavidade do canto, a delicadeza do voo

A ternura do convívio, a parceria entre os sexos

A proteção e cuidado da prole

Tudo pensado, planejado e criado sem rascunho

Uma obra-prima de primeira

E a cada uma de suas criaturas, o mesmo cuidado, o mesmo amor.

Tudo em nós foi feito com Sua perfeição 

Somos criaturas Dele, especiais para Ele

Cercados por outras tantas dádivas,

Valorizemos!

Alda M S Santos

No palco

NO PALCO

Todos gostamos de apreciar os grandes espetáculos que acontecem continuamente nos palcos por aí

Satisfação, surpresa, admiração, desgosto, sustos, sorrisos, lágrimas…

Várias são as emoções vivenciadas. 

Mas os espetáculos da vida não acontecem só nos palcos.

Bastidores, camarins e plateias também têm suas histórias

Muito ricas e admiráveis! 

Esperar estar no palco para viver 

Ou acreditar que só se é feliz sob aplausos é ilusão

Podemos também ser protagonistas estando na plateia

Valorizar e aplaudir nosso próprio show

Fora de foco, das luzes da ribalta, grandes emoções acontecem

Quem está atento as aproveita em sua totalidade.

Alda M S Santos

Viajar

VIAJAR

Quer seja sobre duas ou quadro rodas

Sobre as águas, hélices ou turbinas

Ou nas asas da imaginação…

Não importa o meio de transporte, 

Importa que queiram estar com a gente

Que apreciem estar conosco,

Que valorizem e lutem para estarmos juntos. 

Família, amigos, amores…

O que todos queremos, 

O que todos precisamos…

É ir longe, bem longe…

Sem perder o próprio chão

Alda M S Santos

Orquestra 

ORQUESTRA

Somos um instrumento tocando todo o tempo

Inúmeros são os sons e as melodias que irradiamos

Não é qualquer um que entende e aprecia nossos acordes, 

Tampouco somos capazes de compreender sempre a música que emana da alma dos outros… 

Compreendendo ou não, podemos apreciar

Como apreciamos a música dos pássaros 

Se houver sintonia dá-se uma maravilhosa orquestra,

A vida consiste em acompanhá-las,

E dançar, se possível!

Alda M S Santos

Bolsa de Mulher

BOLSA DE MULHER

Dizem que bolsa de mulher é só bagunça, nada se encontra ali

Território desconhecido, perigoso, melhor nem mexer!

Verifiquei a minha, há pouca coisa! 

Um pente, pouco usado, um batom rosa, um rímel e um perfume,

Um desodorante, um hidratante e um protetor solar. 

Uma lixa, cortador, acetona e uma base de unhas. 

Escova, fio e creme dental.

Um pequeno kit-costura: agulha, linhas e alfinetes.

Kit-escritório: canetas, lápis, tesoura, durex e apontador.

Primeiros socorros: termômetro, analgésico, band aid, antiácido, antialérgico e absorvente.

Chaves, celulares, carregadores, fones, pinça.

Balas, amendoins, chicletes…

Documentos, vários, cartões de crédito e dinheiro.

Um terço, uma Nossa Senhora, uma mini lanterna, lenços.

Um espelho, um brinco, uma foto querida.

Alguns cartões de amigos…

Acho que acabou…

Bolsa e coração de mulher são iguais

Bagunçados, mas tudo se encontra ali

Pode-se encontrar também um olhar, um sorriso, uma palavra, um colo, um abraço, um carinho..

Para salvar um/a amiga/o, um amor,

Desde dor de cabeça até alma triste.

Alda M S Santos

Quanto custa?

QUANTO CUSTA? 

Vivemos num grande, maravilhoso e, por vezes, enganador comércio.

Quase sempre o preço a pagar é em dinheiro, nas várias modalidades que ele se apresenta.

E vivemos comprando: alimento, vestuário, teto, estudo, medicamentos, lazer…

Outros, a aquisição se dá pela troca, o bom e velho escambo.

Um olhar por um sorriso, um abraço por um beijo,

Uma palavra amena por outra bem sábia

Lágrimas por ombro, ombro por colo…

Há outras trocas que se equiparam: amigo por amigo, cuidado por cuidado, ternura por ternura, amor por amor…

No comércio, atenção é fundamental a três coisas:

Estamos comprando o que precisamos? 

Pagamos um preço justo?

Não nos endividamos além da conta? 

Muitas vezes, compramos sem necessidade, por capricho!

Outras tantas, pagamos além, ou aquém, do real valor. Alguém ficará insatisfeito!

Há itens nesse maravilhoso comércio que não temos cacife para comprar! Simples!

Se o preço a pagar, por mais desejado e importante que seja o produto, for nossa consciência, nossa paz de espírito ou daqueles que amamos, não é um preço justo! Não podemos arcar com essa despesa.

Melhor fazer como uma criança que olha na vitrine um brinquedo que não pode ter: brinca com outra coisa, tenta esquecer.

Aquele brinquedo sempre será desejado, será sempre especial.

Ficará na caixa dos sonhos e desejos lindos.

Talvez uma fada um dia o tire de lá e a gente perceba que já pode pagar por ele.

No comércio é preciso paciência e perseverança, como na vida…

Quanto custa ser feliz?

Alda M S Santos 

Vazios 

VAZIOS

Vazio é incompletude, falta, desocupação

Espaço livre, desabitado, desprovido de conteúdo.

Tão cheio, nada falta, tudo tem…

É possível haver vazios onde há total preenchimento?

A falta de um espaço a preencher pode ser também um vazio?

Abarrotado, completo!

Mas será que ainda cabe mais alguma coisa?

Podemos condensar conteúdos, realocar ocupações.

São vazios ou apenas necessidades?

Vazios só nós preenchemos

Necessidades podem nos ajudar a atender.

Mas, o mais importante, é verificar o coração

Vazio ou completo é relativo

Num coração cheio sempre cabe mais um.

Coração vazio não cabe nada, não é boa morada,

Impróprio para a vida!

Alda M S Santos

Só dançar!

SÓ DANÇAR!
Quero, gosto, preciso de algo leve, suave, delicado
Como as asas de uma borboleta
Simples, bonito, perfeito
Como um passo de dança!
Que se mexe, gira, levanta-se nas pontas dos pés
Abaixa-se e volta a se aprumar…
Que acorda, que se toca, que toca o outro,
Como o beijo de um beija-flor
Olhos fixos ao longe, enxergam dentro de si
Aumenta o ritmo, acordes fortes, passos firmes
Bota pra fora o que está em excesso
Salta, corre, escorrega, cai
E tudo é um lindo passo de dança.
Flutua em torno de si, em torno de todos,
Comunhão do corpo com a música,
Entrega de sentimentos à melodia
Sua alma determina o ritmo
Suavemente faz um volteio, alonga-se
Relaxa, sorri, extravasa em suor, sente a leve brisa
Traz pra dentro de si o que estava fora
Mas que deveria estar dentro.
E segue acreditando em Eugénia Tabosa:
“Voar sempre cansa, por isso ela corre, em passo de dança’
Alda M S Santos

Barulhos de dentro

BARULHOS DE DENTRO

Eta mundo barulhento!

Muitos e muitos decibéis a invadir nossos tímpanos

De todos os tipos, timbres, inúmeros ruídos

Graves, agudos, verdadeira poluição sonora.

Nossa percepção acústica acaba por se confundir.

Frequências sem padrão,

E o efeito é um sinal complexo.

Difícil de ser caracterizado com exatidão.

Tantas vezes são bem vindos!

Principalmente quando os escolhermos

Com o intuito de confundir outros ruídos de fora

Ou, particularmente, para abafar os barulhos de dentro.

Aqueles que gritam, confusos, não os entendemos, não aceitamos,

Tampouco conseguimos silenciá-los!

Cantamos alto, desafinados, rimos, choramos, dançamos

Aquela linda canção, no volume máximo, repetidas vezes.

Que nos isola lá de fora, nos isola cá de dentro

E, em transe, no meio do caminho, ficamos.

Aguardando quem sairá vitorioso:

O barulho de fora ou o barulho de dentro…

Alda M S Santos

Hoje, não!

HOJE, NÃO!

Quando abro meu guarda-roupas todas as manhãs, escolho o que usar:

Um vestido estampado, uma sandália confortável, roupas íntimas, maquiagem, perfumes, cabelos esvoaçantes, acessórios diversos… 

Outras vezes, posso escolher cores mais escuras, sem acessórios, rosto lavado, cabelos presos…

Tudo vai depender do meu estado de espírito.

Posso, simplesmente, olhar para aquele vestido alegre e dizer: hoje, não! 

Quisera fazer isso também com os sentimentos!

Abrir a porta de minhas emoções todas as manhãs e dizer:

Fiquem aí fechadas nesse porta-sentimentos: tristeza, melancolia, saudade, sensualidade, raiva, frustração.

Hoje, não!

E abrir a caixinha da alegria, solidariedade, compreensão, paciência, amor.

Podem chegar!

Todos eles fazem parte de nós. Estão guardados lá dentro. Não temos como excluí-los, mandá-los embora. 

Alguns saem sem autorização e tentam confundir tudo. Não respeitam sua vez.

Como não são muito obedientes, o jeito é aprendermos, do modo que conseguirmos, a lidar com eles.

A experiência é nossa aliada nesse processo.

Muitas vezes os sentimentos que não queremos ficarão apenas nos tangenciando, sem grandes interferências. 

E os que mais usarmos se tornarão quase que nosso uniforme emocional! 

Assim como não saímos de casa nus, também não ficamos nus emocionalmente.

Certo é que sempre estaremos carregados deles, e são eles que passaremos para os outros, querendo ou não.

Hoje, sim! Hoje, não! Nós fazemos a opção.

Alda M S Santos

Além do horizonte

ALÉM DO HORIZONTE

Os anos passam, a tecnologia avança, as pessoas crescem

A medicina evolui, o amor e o romantismo se transformam…

Todos para melhor, certo? Há sérias controvérsias!

No que tange ao amor e ao romantismo houve transformações

Mas, para melhor? Analisemos!

Basta uma simples “apreciação” nos nomes pensados para atrair

Entre “bondes”, “gaiolas” “popozudas”, “safadões”, “créus”,

“Fogosas” e “quebra-barracos”

Ainda podemos encontrar “letras” que atingem fundo:

“Meu p. te ama”, “piranha recalcada”, “late, que eu to passando,”,

“Um otário para bancar”, “encaixa nela”…

Todas dessa estirpe!

Como diria o “ultrapassado” Roberto Carlos, são muitas emoções.

Como ficam o amor e o romantismo, a sedução, o namoro no portão?

A conquista, o dar-se as mãos, as poesias num cartão, as rosas?

“Aquelas rosas que não falam, mas exalam o perfume que roubam de ti”?

São as mesmas as “amadas amantes” de hoje?

Prefiro um amor velhinho e ultrapassado

“Esse amor demais antigo, Amor demais amigo, Que de tanto amor viveu”

Mesmo os amores não vividos eram lindos, poesia pura!

“Tentei deixar de amar, não consegui/Se alguma vez você pensar em mim

Não se esqueça de lembrar/Que eu nunca te esqueci”.

Alguém aí entendido de “bondes”, pode me informar

Onde passa o próximo com destino ao passado?

Vou a “120, 150, 200km por hora”…

“Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz”

“Não deixo marcas no caminho pra não saber voltar”…

Alda M S Santos

Ecos

ECOS

Ecos são a resposta sonora que chega até nós depois de emitirmos qualquer som.

Há ecos bem vindos como os emitidos pelos radares e sonares,

E outros indesejáveis, como aqueles que recebemos nos aparelhos telefônicos.

Nossos relacionamentos são como os radares ou sonares,

Eles desejam emitir eco, precisam receber eco.

Se possível, reverberados, em muitas reflexões “sonoras”.

Nas nossas relações de amizade, de amor, familiares ou de trabalho,

Precisamos que nossas ações produzam ecos

Que sejam ouvidas e atendidas na mesma medida

Que produzam efeito positivo no outro. Esse é o eco.

Gostamos quando nossas palavras, beijos, abraços e carinhos

Obtêm ecos de palavras, beijos, abraços e carinhos…

Eco é correspondência, eco é reciprocidade.

Se se joga flores, o eco não pode ser de pedras.

Uma relação sem ecos é uma relação incompleta, vazia

Uma relação onde sempre alguém estará insatisfeito

Onde alguém acabará por “gritar” mais em busca deles,

Ou, por fim, se calar…

Alda M S Santos
 

Água

ÁGUA!

Sempre fui apaixonada por água

Não nado bem, tampouco bebo o bastante

Mas ela exerce verdadeiro fascínio em mim

Não importa como se apresente:

Rio, cachoeira, mar, lagoa, chuva, nascentes…

Posso ficar horas admirando!

Água tem o poder de me acalmar

Molho os pés, a nuca, lavo o rosto, sento à beira

Ouço o barulho suave do rio ou furioso da cachoeira ou tempestade,

Mergulho, sinto seu frescor, lavando tudo.

Tudo é encanto! 

Quero ali ficar até tudo de negativo ir embora

Encher-me de positividade

Restabelecer a confiança, o amor

A fé no ser humano, na vida, em mim mesma

Enquanto houver água correndo,

Haverá encanto, haverá vida. 

Água que nasce, que brota

Que corre, que cai, que vai, me leva…

Em busca de outros caminhos

De outras águas,

Em busca de mim…

Alda M S Santos

Espelhos

ESPELHOS

De vez em quando aparecia em minha sala de aula alguma colega a se olhar no grande espelho.

Diziam: “gosto desse espelho, ele me emagrece”. 

Nós sabemos o que somos, mas por alguma “deficiência” qualquer, gostamos de ver refletida no outro uma imagem positiva de nós, que corrobore nossos pensamentos e ideias.

Os outros são nossos espelhos. Nós nos mostramos diante deles. E aguardamos o reflexo.

O que for refletido pelo outro ajudará na construção de nossa identidade, de nossa autoimagem, de nossa autoestima.   

Obviamente, nem sempre gostaremos do reflexo que iremos receber. 

Ninguém quer o espelho da madrasta da Branca de Neve, mas também não precisa ser um espelho de parque de diversões.

Há espelhos côncavos ou convexos demais, que irão distorcer nossa imagem. 

Também há aqueles espelhos que refletem apenas nossas rugas, assimetrias, falhas. Ou que nos mostram coisas de um modo que nos farão sentir vergonha. 

Eles são importantes, mas não são agradáveis.

Espelhos humanos têm que ter equilíbrio e sensibilidade.

Como humanos, falhos e carentes de aprovação, acabamos por nos afastar dos espelhos irreais ou reais em demasia.

Como diz outra colega, “Gosto desse espelho, porque ele ao menos não me engorda mais. Já sou gorda o bastante.”

O espelho não precisa ser “bonzinho”, não sendo “mentiroso” já gostaremos dele.

E, mesmo inconscientemente, seremos atraídos por espelhos que emitem os melhores reflexos de nós.

Rubem Alves está certo: “Amamos as pessoas não pela beleza que existe nelas, mas pela beleza nossa que nelas aparece refletida. Por isto, somos mendigos de olhares. Olhos são espelhos…”

Alda M S Santos

Cristal quebrado

CRISTAL QUEBRADO

Caiu, espatifou-se no chão, separou-se em mil cacos

E o encanto se desfez!

O que estava suspenso, prossegue

A terra volta a girar, pássaros a voar, flores a crescer…

Assim acontece nos contos de fada,

Onde a vida está suspensa pela magia retida num frasco de vidro.

No mundo real magias e encantos também existem:

Na nossa mente que acredita que tudo é possível

Que insiste, determinada, em algo que parece inalcançável

Nas nossas pernas que caminham sempre em frente,

Apesar das dores adquiridas no cansaço

Advindo de tantos descaminhos

Nos corações que toleram a rejeição, a ingratidão,

Que se doam mesmo sem reciprocidade.

Na alma que sempre busca sintonia em outras almas

Em meio a um mundo barulhento e turvo.

Porém, algo em nós retém o encanto, a magia

E eles não podem se perder…

É preciso descobrir e proteger o cristal que os mantém

Uma palavra mal proferida, um vento mais forte,

Um descuido qualquer pode jogá-lo ao chão

O cristal se quebra, a magia se perde, o encanto se vai…

Mente, pernas, coração e alma nunca mais serão os mesmos.

Independente da cola que se use para restaurar o cristal quebrado.

Cristal quebrado e coração partido nunca mais serão os mesmos.

Alda M S Santos

Olhar sem vergonha

OLHAR SEM VERGONHA

Há olhos e olhos, modos e modos de enxergar

Já não notamos aquela nuvem que se modela,

A sombra engraçada à nossa frente

As flores viçosas naquele jardim na calçada cimentada

Um casal idoso de mãos dadas

Os olhares opacos de quem passa, o mendigo à margem

A pessoa ao nosso lado, as rugas no rosto de nossos pais

Se um observador atento diz “que lindo o dia”

Ainda pensamos, às vezes, “onde, tá louco”?

Sequer olhamos nosso próprio rosto!

Nosso olhar não se fixa mais, exceto no vazio.

Ou para recriminar e fazer críticas negativas  

O feio está cada dia mais feio,

E o bonito tornou-se corriqueiro.

Acredito que precisamos “deseducar” nosso olhar,

Afastar a superficialidade, o ver sem ver.

Olhar sem vergonhas, sem princípios,

Sem direções, sem tutoriais, sem vícios.

Precisamos olhar com olhos infantis, olhos puros,

Olhos fixos, profundos e deslumbrados…

Olhos que descobrem, desvendam, olhos da alma.

Só assim, o muito visto, se nos apresentará como novo…

E encontraremos beleza em todos os cantos e recantos.

Alda M S Santos

Apenas nosso

APENAS NOSSO

Nascemos sós, morremos sós

É o que sempre ouvimos dos pessimistas!

Outros ainda completam: vivemos sós!

Para esses, digo “nem sempre”.

Como seres gregários, passamos a vida em busca de companhias.

Queremos estar cercados de gente, crescer, caminhar ao lado de alguém

Dividir as tristezas, multiplicar as alegrias, compartilhar o prazer.

Nesse caminho buscamos a harmonia e a sintonia com nossos semelhantes.

Mesmo que seja uma busca infrutífera ou inglória.

Mas há caminhos bem individuais, muito particulares, só nossos.

Aqueles que ninguém é convidado a entrar, a participar.

Ainda que tentem, não encontram porta de entrada.

Nele mergulhamos, buscamos trilhas novas, atalhos,

Ou pegamos o trajeto mais longo mesmo…

Encontramos áreas devastadas pela seca, outras floridas

Irrigamos com lágrimas parte do caminho, e seguimos…

É nele que encontramos as mais belas e prazerosas paisagens,

Dele depende muito o caminho que será traçado quando acompanhados,

Dele advêm nossos maiores prazeres e frustrações,

E é nele que muitas vezes nos perdemos: no fundo de nós mesmos.

Alda M S Santos

Esculturas na areia

ESCULTURAS NA AREIA

Somos feitos de muitos materiais

Moles ou duros, firmes, ou nem tanto.

Podemos ter a dureza de uma rocha,

A maleabilidade e força da água,

Outras vezes, a resiliência da areia

Que aceita a deformação causada pela brisa

Pelas águas, pelas tormentas,

Mas sempre volta ao seu estado natural

Está ali, vivendo e deixando-se viver…

Certamente sente, se encolhe, se recolhe

Magoa-se, revolta-se, rebela-se,

Muitos entulhos, coisas desnecessárias, pesadas

Podem recair sobre si,

Porém, entende que tudo vem para acrescentar

Ainda que venha carregado de decepções

Sabe que a maior decepção que pode sofrer

É aquela causada por si mesma.

A perda da fé e do amor-próprio.

A perda de sua essência.

Aprendeu que tudo serve para moldá-la

Para criar lindas esculturas!

E segue acreditando que, com sol ou com chuva,

É ela que faz seu próprio brilho!

Alda M S Santos

Escuridão

ESCURIDÃO
As estrelas brilham mais
Numa noite mais escura
Há benefícios na escuridão!
A luz é benéfica, mas, se forte demais, cega nossos olhos.
Distrai nossa mente,
Impossibilita que a gente enxergue algo próximo e, muitas vezes, óbvio.
Na escuridão, somos obrigados a acionar outros sentidos.
Que possibilitem ver o que precisamos
E que não estão ao alcance dos olhos,
Mas dos sentimentos, da nossa alma.
Na escuridão, um pequeno foco de luz que encontramos no fundo de nós,
Tal qual vagalume no breu da noite,
É valioso e ilumina tudo
Lá fora, ou cá dentro…
Alda M S Santos

Fim

FIM

Se existe algo pelo qual ninguém passa inerte, incólume, é o fim.

Qualquer fim. Coisas maravilhosas ou coisas ruins.

Sempre deixarão um vazio, um vácuo, algo a preencher.

Um trabalho cansativo ou prazeroso, o curso na faculdade, 

Uma amizade espontânea, uma visita inesperada,

Um amor possessivo, impossível ou irreal,

Uma viagem na imaginação, um sonho, uma esperança, uma expectativa…

Quanto maior o espaço ocupado em nós, 

Quando chega o fim, 

Maior será o vazio, maior a necessidade de preenchimento.

Não precisa ser ruim, é preciso saber lidar com os finais.

Alguns ofendem, magoam, maltratam, ameaçam,

Decepcionam, morrem, matam, deixam de viver.

Muitas vezes algo que foi prazeroso, vivo, verdadeiro, mas que mudou,

É jogado no mesmo lixo, sem coleta seletiva, tudo no pacote do fim.

Urge saber que há “lixos” aproveitáveis, 

Particularmente o que envolve sentimentos.

Sentimentos se transformam e o fim pode ser apenas um recomeço.

Basta fazer uma boa reciclagem, reduzir a bagagem, reutilizar, reaproveitar

Manter um bom foco e voltar a viver.

Alda M S Santos

Está pesado? 

ESTÁ PESADO?

Engraçado observar o quanto as pessoas pesam

Não é preciso balança alguma, apenas um olhar atento.

Um senhor que parece puxar um caminhão invisível amarrado aos pés,

Uma mulher que aparenta ter alguém sentado sobre seus ombros,

Rapazes que carregam tristeza e ansiedade no rosto,

Meninas que trazem no caminhar o peso da beleza, ou “ausência” dela.

Crianças irritadiças em meio a inúmeras “obrigações”…

Como estamos todos pesados!

Pesam o desejo de crescer, de ser sucesso, de ter muitas coisas,

No menor período de tempo possível.

Pesam em nós as malas de ontem, problemas do passado,

Arriam nossos ombros acontecimentos do porvir,

Carregamos em nós o peso de sentimentos diversos,

Trazemos na bagagem o desejo secreto de agradar aos outros,

Sem, contudo, desagradar a nós mesmos,

E isso pesa mais ainda…

Pesos, pesos e pesos…

Precisamos esvaziar as malas, levar apenas o que for leve.

Passado deve ficar lá atrás, futuro lá na frente,

Presente bem aqui, levinho como uma borboleta…

Se está pesando ou desagradando, é hora de esvaziar as malas.

Deixar apenas o que dá prazer e alegria, ultraleves!

Sentimentos e pessoas boas não pesam…

Tocam em nós como o doce beijo de um beija-flor,

Sentimos apenas a leve brisa, frescor e perfume,

E a paz que deixa em seu lugar quando se vai…

Alda M S Santos

Marsupiais

MARSUPIAIS

Outro dia, minha cadela matou uma gambá. Ela é uma vira-latas metida a caçadora. E muito linda!

Quando fui recolher o corpo da pobre gambá, vi que vários gambazinhos pelados entravam e saíam daquele corpo enrijecido.

Buscavam ali o que precisavam para continuar se desenvolvendo e vivendo: o conforto do marsúpio.

Nós somos, de certa forma, mamíferos marsupiais. 

A diferença é que nosso marsúpio nem sempre é aquela bolsa grudada ao corpo de nossa mãe. 

Porém, não saímos prontos da placenta para a vida. 

Vira e mexe buscamos o conforto de nossa mãe, pais e familiares. 

Não o desenvolvimento físico, mas emocional. 

E, ao longo da vida, adquirimos outros marsúpios: nos amigos, nos amores, nos filhos…

As crianças procuram sem receio. Por isso são mais felizes.

Nós, adultos, maduros, fortes, independentes, sabemos nos virar sozinhos. 

Ou tentamos nos convencer disso.

Mesmo que tudo que a gente queira é um “marsúpio” quentinho para nos escondermos lá dentro, sem tempo determinado, encolhidinhos, deixando nada pra fora. 

E só sair quando estivermos com carga total na bateria, em pleno desenvolvimento.

Sou marsúpio para muitos! 

Eu sei bem quais são meus marsúpios.

Tento buscá-los sempre.

Alda M S Santos

Resisto

RESISTO

Está me olhando, espiando, sempre,

Insistentemente!

Às vezes de longe, outras, bem de pertinho.

Quer me tocar, me levar

Digo “não, não quero”,

Resisto…

Tenta outros artifícios, quer conquistar, convencer, seduzir…

Faz sua auto-promoção.

Cansada, quase cedo, quase me entrego, 

Porém, resisto…

Mas temo, não sou tão forte assim, 

Retribuo o sorriso: “não, obrigada”!

Mais uma vez, resisto.

Acompanha-me em meu dia-a-dia, 

Olho pro lado e lá está!

Quando passeio, me divirto, me alimento,

Quando vou pra caminhada, pra academia ou pra Yoga,

Quando deito ou me levanto, 

Resisto…

Quis ir até pro banho!

Mas hoje dei um basta! 

“Chega, não vou com você”! 

Afinal, estou muito jovem e animada ainda 

Para acompanhar aquela que se apresenta como “melhor idade”. 

Melhor idade o caramba! 

Cheia de limitações, isso sim!

Irritada, mando-a catar coquinhos, 

“Se sua coluna deixar”! 

“Volte mais tarde, bem mais tarde, daqui uns 20 anos, talvez”!

“Nada pessoal, chegará sua hora”!

Temos que resistir, ser firmes.

Ou, possessivos, grudam-se em nós e não querem mais largar.

Enquanto puder,

Resistirei…

Para quando tiver que acompanhá-la, ir sem reclamar,

Sem deixar dívidas ou coisas mal resolvidas…

Melhor idade somos nós que fazemos! 

Quando nos aceitamos, damos nosso melhor,

Com qualquer idade!

Alda M S Santos

Mergulhos

MERGULHOS

Tantos os caminhos,

Mas, às vezes, não os enxergamos..

Olhos tristes, opacos, submersos em nós mesmos.

Porém, vamos tentando,

Indo, fugindo, mergulhando…

Nas profundezas da imaginação

Nem sempre tranquila, nem sempre clara

Mas sempre possível! 

Quem sabe dela pode vir a nascer

Uma trilha linda e prazerosa?

Alda M S Santos

Terras férteis

TERRAS FÉRTEIS

Sempre acreditamos que devemos plantar em terra boa, 

Sempre nos ensinaram que só colheremos frutos se a terra for fértil,

Porém, pode haver secura e rigidez à princípio, 

É preciso disposição e coragem para investir.

Mas, depois de plantar, vamos cuidando…

Com água, húmus, adubo,

Sol, amor e carinho,

Porque mesmo em meio a toda aridez,

Pode haver vida! 

Brotar vida,

E vida bela…

Para quem mantém o coração e os olhos abertos…

Alda M S Santos 

Sonhos e mais sonhos

SONHOS E MAIS SONHOS

Tenho sonhado muito, muito mesmo!

Não sonhos acordada, também os tenho.

Mas sonhos dormindo, aqueles que não escolhemos ou controlamos.

Aqueles que são escolhas de nosso inconsciente confuso ou agitado.

Alguns são bem claros, continuação de algo vivido durante o dia.

Outros são bem misteriosos, sinistros.

Tudo parece distorcido e irreal, mesmo que seja algo bom ou desejado.

E ficamos a especular sobre o que há de real neles.

A Neurociência não explica porque eles acontecem, mas afirma que são positivos e únicos.

Alega que nossos sonhos buscam memórias novas e velhas em uma ordem que não é sequer parecida com a que elas foram adquiridas, por isso parecem estranhos. 

Tentamos entender se são prenúncio do porvir.

Se precedem futuro bom ou alguma tragédia. 

Penso que nos sonhos processamos algo que somos impedidos ou censurados de alguma forma no mundo real.

Nosso cérebro, mesmo em repouso mantém a atividade. E nem creio que o que lembramos ao acordar seja tudo.

E não podemos fazer uma interpretação genérica. Cada sonho tem significado com relação à vivência de cada pessoa.

São uma maneira inteligente do nosso cérebro de nos salvar da insanidade.

De qualquer modo, gosto muito de sonhar, acordada ou dormindo, e sempre tento analisá-los. 

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑