Saudade é …
Quando a alma vai para onde quer
E deixa o corpo para trás.
Alda M S Santos
MARCAS IMPRESSAS
Sempre vemos algo que dizemos: isso me lembra fulano…
Pode ser o jeito de sorrir, de jogar o cabelo
O modo de andar, de se vestir
A delicadeza das atitudes, o abraço, o beijo,
A voz, as palavras doces,
A fisionomia sisuda, o mau humor, a ansiedade.
A atenção, o carinho, a preocupação,
A criatividade, a intensidade, as bochechas coradas
A animação ou desânimo, o jeito lento ou acelerado.
O modo de dançar, cantar ou encantar,
A fé, a coragem, a força de vontade,
O perfume, o olhar, o batom rosa, a barba por fazer, aquela bebida…
Quais serão as marcas que deixamos impressas por aí?
Podem ser infinitas!
Preferiríamos que fossem apenas as agradáveis!
Caminhemos com esse intuito!
Alda M S Santos
E QUANDO TUDO PARECIA PERDIDO
E quando tudo parecia desabar
Surge aquela presença querida, que ilumina
Aquele sorriso entre lágrimas que diz:
“Tenho nada não, mas estou aqui”.
E quando tudo parecia escuro, frio
Surge aquele abraço amigo, apertado
Forte, que enlaça o corpo todo, que aquece a alma.
E quando tudo parecia perdido
Surgem amigos, que ouvem, que se solidarizam,
Que riem, que choram, que se calam,
Que, sobretudo, falam, e percebemos que Ele nos fala.
É quando tudo parece perdido que Ele mais nos aparece
E nos mostra uma constelação de estrelas e possibilidades
Aí percebemos tudo de maravilhoso que temos.
Alda M S Santos
Foto Everaldo Alvarenga
APRENDENDO A AMAR
Nós, humanos, nascemos com grandes potenciais.
Todos precisam ser desenvolvidos:
Alimentar, falar, andar, ler, escrever…
Aprendemos também a amar.
Cercamo-nos de pessoas que nos ensinam
A falar, a andar, a ler, a escrever, a nos alimentar.
Aprendemos tudo isso na prática diária.
Com o amor não é diferente,
Aprendemos a amar, sendo amados,
Aprendemos a amar, amando cada dia um pouco mais.
Descobrimos que o amor é antídoto para muitos males,
Que em qualquer “luta”, ele é o vencedor,
Que tem aliados importantes, que cativa outros bons sentimentos,
Se a lição for mesmo bem aprendida,
Sabemos que ele nunca é um mal, é voluntário, gratuito, nunca imposto.
As pessoas que mais sofrem e fazem sofrer nesse mundo têm carência dessa preciosa lição,
Não receberam amor o suficiente, não aprenderam o suficiente.
Seu aprendizado começa bem cedo, antes mesmo do nascimento,
No ventre de nossas mães já estamos praticando.
E nunca, nunca acaba!
Nesse círculo vamos girando, amando sempre,
Ensinando e aprendendo, enquanto houver vida!
Alda M S Santos
TÃO LONGE, TÃO DENTRO!
É preciso olhar ao longe, bem distante,
Quanto mais infinito houver ao alcance de nossas vistas
Mais para dentro conseguiremos enxergar.
Quanto mais silêncio ouvirmos no horizonte
Mais entenderemos os barulhos que vêm de nós.
Quanto mais claro o espaço lá fora,
Mais nítido ficará aqui dentro.
A emoção vive dentro, mas precisa do espaço lá de fora.
Tão longe, tão perto! Tão fora, tão dentro!
Alda M S Santos
BEIJOS, LINGUAGEM UNIVERSAL
Beijos são linguagem universal, vários tipos, vários significados.
Há o beijo na testa, representa cuidado e proteção.
O beijo na mão quer dizer respeito e admiração.
O beijo rápido no rosto é de alguém que se apresenta para o outro.
O beijo nas bochechas, cujas mãos seguram a cabeça, um abraço se segue, fazem um carinho, é o que diz: tudo bem, estou aqui, conte comigo!
O beijo de nariz é o beijo da cumplicidade e bom humor.
O beijo selinho, toque rápido de lábios com lábios, é cumprimento mais íntimo e carinhoso, de almas afins.
O beijo na boca, sempre acompanhado de abraços, carícias, é o encontro das almas numa só morada, onde gostariam de habitar para sempre.
Beijo é linguagem de um idioma só:
O Amor.
Alda M S Santos
MEMÓRIAS
“Fomos Garotas de Copacabana. Viu como eu era bonita? Igual você!”
Ela ajeitava seus lençóis o tempo todo. O espaço que era só seu.
Foto acima da cama, com nome, data de nascimento: 20/09/1930.
Um pequeno armário com o crucifixo pendurado, poucos pertences e fotos, muitas fotos.
Todas espalhadas na cama. Mostrava e contava sua história.
“Minha irmã morreu no Rio. Não tenho mais pra onde ir.”
Toda uma vida, memórias registradas ali em preto e branco, em cores.
Uma Bíblia, um livro do Pe Marcelo, todos inchados de fotos, cartões de aniversário, cartas, envelopes…
“Para marcar onde li e pra Jesus proteger. Jesus protege, sabia? Está com minha irmã! ”
Sim, e conosco também!- respondi.
“O meu coração é só de Jesus. A minha alegria é a Santa Cruz.”
Cantava e me pedia para acompanhar. A companheira ranzinza do quarto reclamou.
“Vamos parar! Ela dá chinelada na gente”.
Fui lentamente até ela. Expulsou-me. Insisti. Devagar. Deixei, voltei.
No final, coloquei a faixa de Miss Guerreira, abracei a ranzinza, beijei suas bochechas, sorriu, ganhei um “obrigada, vai com Deus”!
Deixei-as com suas histórias em papel, poucos objetos e memórias, muitas se apagando.
E fui embora com as minhas.
Farão parte de minha história a partir de hoje.
Alda M S Santos
MOTIVAÇÕES
Outro dia, numa das minhas caminhadas ao anoitecer, avenida muito cheia,
Passa correndo por mim uma jovem mãe empurrando um carrinho de bebê.
Vestida para malhar, o bebezinho deitado no carrinho todo satisfeito e protegido,
Participava da vida da mãe enquanto ela praticava sua corrida.
Pus-me a pensar em “quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa”.
Sabe-se lá o que essa mãe não teve que fazer para estar ali se exercitando?
Ou do que precisou abrir mão?
Penso que isso vale para tudo na vida. Tudo depende da nossa força de vontade.
Obviamente a vontade sozinha não resolve tudo, mas é mais da metade do caminho.
Tanta gente se entregando a doenças, vícios, males dos mais variados…
Sem querer minimizar o problema de ninguém, é preciso buscar a vontade dentro de si.
Buscar amigos, família, ajuda profissional, Deus, o que se fizer necessário.
Parece óbvio, mas só colhemos aquilo que plantamos.
Há pessoas que passam a vida fumando como chaminé, quando um médico diz: “ou para agora ou morre”, milagrosamente a força de vontade aparece.
Quando uma mãe diz: “ou arruma uma ocupação ou acabou televisão, computador e mordomias”, um emprego aparece.
Quando uma esposa diz: “ou as bebedeiras ou eu”, a escolha é feita, ainda que sejam as bebedeiras. Nem sempre as pessoas gostam de si mesmas.
O que falta na vida das pessoas para gerar mudanças importantes e significativas é a motivação, a força de vontade, o medo de perder algo.
Muita ajuda pode vir de fora, mas a primeira marcha somos nós mesmos que engatamos, quando percebemos que só estamos andando em marcha-à-ré.
É pra frente que se anda!
Alda M S Santos.
CONSTRUINDO
Passamos a vida a construir. Somos construtores natos:
Uma casa, uma profissão, um lar, uma família, um amor, uma amizade…
Li certa vez que há pessoas que sofrem da síndrome do arquiteto
Planejam, constroem, dedicam-se a algo com afinco e amor,
Quando a obra planejada fica pronta não a habitam,
Partem para nova construção.
Pessoas inquietas, nômades, em trânsito, que não se prendem a nada ou ninguém.
Encontram prazer no construir, no conquistar, no realizar, no poder possuir.
Objetivo atingido, obra pronta, buscam novas emoções.
Acredito que nossas conquistas precisam ser curtidas.
As construções precisam ser habitadas!
Deus construiu o mundo aos poucos até chegar a seu objetivo máximo.
E parou para descansar e admirá-lo.
Acho que todos devemos chegar nesse ponto.
Porém, o ideal é que encontremos prazer na construção e na morada.
E sempre podemos reformar, quebrar uma parede aqui, mudar a cor ali.
Aumentar uns espaços, vitalizá-los, trocar portas e janelas…
Um bom construtor sempre encontra um jeito,
Sem ser preciso novas construções.
Deus até hoje mexe na sua obra, mas não desistiu dela.
Ele habita em nós todo o tempo.
Alda M S Santos
CIÚME É AMOR?
Se pudéssemos escalonar, organizar os sentimentos
Em ordem de relevância, aceitabilidade e produtividade
O ciúme estaria nos últimos lugares.
Até depois do ódio.
Porém, apresentaria uma diferença crucial:
O ódio é reconhecido como 100% negativo, unanimidade.
Já o ciúme ainda é tido como prova de amor.
Definitivamente, não é!
A reação de cuidado com o outro, de proteção, de medo de perder,
Isso não pode ser chamado de ciúme. É até saudável.
O ciúme é maléfico, danoso, desconfiado,
Coisa de uma mente doente, possessiva e insegura.
E, quase sempre, evolui para o ódio.
Contudo, em diferentes graus, quase ninguém está a salvo;
De ser o ativo ou o passivo dos ciúmes.
E nenhuma das duas alternativas é agradável.
O ciumento sofre e faz sofrer, pois usa vendas
E só enxerga o que sua mente doente quer ver.
Desconfia, acusa, maltrata, fiscaliza, prende.
E nunca, nunca mesmo pode ser benéfico, visto que é irracional.
Ciúme é fogo que consome aos poucos o que há de bom no amor.
Se o intuito for prender, segurar o outro,
Quase sempre fracassa e o tiro sai pela culatra
Acaba por afastar seu “objeto” de adoração.
Quem sofre com os ciúmes, ativo ou passivo,
O ideal é que se faça um tratamento ou fuja dessa relação.
Alda M S Santos
SENTINELAS
Reclamamos muito dos juízes e carrascos da vida, que não são poucos!
Porém, muitas vezes, somos nós mesmos que nos julgamos, condenamos e executamos a pena: juízes, jurados e carrascos.
Por medo, preconceitos, desconhecimentos, falta de habilidade ou tato, por preguiça ou covardia, nos excluímos da vida.
Aquele curso, trabalho, empreendimento, ou proposta interessante que recusamos.
Uma atividade física que melhoraria nossa saúde e humor e não fazemos.
Uma viagem, um passeio, um convívio familiar dos quais não tomamos parte.
Novas amizades ou amores que abrimos mão, que fugimos, julgamos não merecer.
Nós mesmos abrimos mão, desistimos de algo que nos faria apenas o bem.
Somos nós mesmos, com nossa mente conturbada e volúvel, ora leão feroz e corajoso, ora ratinho amedrontado e covarde, que fazemos os caminhos de nossa vida.
Muitas vezes nós, como carrascos, não matamos de imediato, apenas somos sentinelas da cela nas quais nos colocamos.
Alda M S Santos
DE VOLTA PARA O ÚTERO
Vontade enorme de me enroscar em mim mesma
Ficar quietinha, respirar suavemente, pensar em nada
Preocupações e sensações zero, apenas o “inexistir”.
Colocar-me em modo voo, gastar pouca energia
Não atender a ninguém, nem a mim mesma.
Tudo nos ajustes “inativos”, “não perturbe”.
Voltar para o útero, encolhidinha,
Ambiente aquecido, solitário,
Dentro d’água, sons amortecidos.
Alimentada, nua, nem respirar precisa…
Apenas um carinho suave vez ou outra,
E nada podendo me fazer mal ou causar dores.
Faço X nessa opção!
Alda M S Santos
DORES NA SIMPLICIDADE E NO LUXO
Numa semana, num lar de idosos de classe baixa, na outra, num núcleo luxuoso para a maturidade.
Ambos com idosos colocados ali para serem cuidados, tratados, terem sua dignidade preservada.
Espaços limpos, pequenos e simples de um, destoam dos espaços amplos, muito bem decorados e bem aproveitados de outro.
Idosos em seus melhores trajes para receberem as visitas.
Um banho e roupas simples e ausência de acessórios de um, roupas e calçados finos, colares, brincos, maquiagem, chapéus, penteados, cabelos bem pintados e unhas bem feitas do outro.
No primeiro, poucas atividades além da rotina diária: refeições, banho, TV, pátio, sono, medicamentos.
No segundo, agenda cheia: leituras, músicas, visitas agendadas, apresentações, artes, convidados de todo tipo.
Mulheres interagem mais. Os homens, ou são galanteadores ou ranzinzas, muito calados, ou quase incapazes.
O que há de semelhante além de serem homens e mulheres idosos entre 70 e 100 anos de idade?
São como crianças! Olhos sem muita vivacidade, mas com brilho úmido, carentes de afeto. Todos eles!
Abraçam-nos e agradecem a nossa atenção e dedicação como algo precioso.
Querem ser tocados, ouvidos, compreendidos. Precisam do nosso tempo.
Cantamos músicas da sua época (com nossas vozes maravilhosas), deixamos a vergonha em casa, dançamos, tentamos ignorar os mais rabugentos, trazê-los para nós. Quase sempre conseguimos.
Em ambos, poucas visitas recebem. Alguns, ninguém os procura.
O mais triste é que, mesmo aqueles cercados de gente, de atividades, de “amigos”, de tarefas, falta-lhes algo.
Recebem amor, mas querem aquele amor especial, aquele amor específico, aquele que grudou na alma e dói a ausência.
Como me disse uma idosa sabiamente, eles têm muitas presenças, mas uma ou duas ausências impedem definitivamente a felicidade.
Concordo com uma senhora trovadora, residente do lar, autora de livros de outrora:
“Saudade, com tanto lugar lá fora, porque você insiste em doer aqui dentro?”
Divirto-os, me divirto e agradeço a cada um deles a oportunidade de me tornar uma pessoa melhor.
Alda M S Santos
SENTIMENTOS CRÔNICOS?
Nos consultórios médicos, quase sempre há diagnóstico da cronicidade de alguns males:
Doenças autoimunes, cardíacas, digestivas, respiratórias, alergênicas, circulatórias, entre outras.
Muitas doenças são agudas, ou seja, têm um pico de ação dos antígenos.
Nessa fase, os sintomas incomodam mais: dores e desconfortos vários.
Após um tempo ou tratamento com medicamentos, passam.
As doenças crônicas são aquelas que não têm cura, é preciso aprender a conviver com elas.
Há alguns medicamentos ou mudanças de hábitos que podem ajudar nesse convívio.
Porém, os doentes nunca irão se livrar do mal.
Penso que também possuímos alguns sentimentos que são agudos em nós:
Raiva, euforia, paixão, tristeza, decepção, revolta, mágoa, ciúmes…
E, como tal, não podemos permitir que se tornem crônicos. Podem matar!
Sentimentos crônicos são aqueles com os quais não podemos nem devemos deixar de conviver:
Felicidade, compaixão, solidariedade, alteridade, caridade, amizade, amor…
Nem sempre trarão alegrias, nem sempre será fácil.
Podem também causar dor e reações adversas, particularmente o amor, quando não correspondido.
Porém, ainda que fique bem guardadinho dentro de nós, que tenha suas fases agudas e retorne para seu cantinho,
Sempre fará bem, sempre, especialmente a quem o sente.
Alda M S Santos
DIANTE DO ESPELHO
Diante do espelho eis a questão:
Quem é essa que me retribui o olhar?
Que olha além do brilho úmido, do tom castanho?
Dos cílios negros, do piscar intermitente?
Que tenta atravessar, ver em 3D, do outro lado?
O que vê? O que quer? Do que precisa?
Corajosa, mantém o olhar fixo em mim.
Mergulho profundamente, navego ali, temo me perder.
Vasculho recantos escondidos, cutuco pontos doloridos
Áreas obscuras, fechadas, há muito trancadas.
Retiro descartes jogados num canto, recupero itens da lixeira,
Troco “objetos” de lugar, demoro-me junto a alguns sentimentos
Sento, converso com eles, negocio, tento compreendê-los,
Aceitá-los, aproveitá-los, reativá-los ou descartá-los.
Tanta gente que já se foi e está ali. Reencontros, sorrisos. Para sempre serão amadas.
Vejo muito, vejo tudo, entendo tanto!
Hora de voltar!
Ela continua a me olhar. Lágrimas escorrem ali…
Lubrificaram o caminho difícil.
Encaram-se. Sorriem.
Não foi difícil encontrar o caminho de volta.
Bastou seguir o amor, como migalhas de pão, deixado nas trilhas.
Apesar de tudo, são vitoriosas.
Lembram de um verso que leram:
“Perdoa o que tiver que perdoar, abrace o que tiver que amar e o resto deixa, que a vida se encarrega de afastar”- (Tati Zanella)
Ou trazer de volta.
Alda M S Santos
VENTOS
Uma brisa, um ventinho leve, uma ventania
Aprecio seus efeitos estimulantes ou calmantes.
Se felizes, senti-lo na pele é extremamente prazeroso.
Causa euforia, animação, energia.
Se tristes, tem o poder de relaxar, de acalmar.
Um desânimo, uma alma angustiada, um coração apertado
Uma saudade, uma mente inquieta, um corpo cansado…
Na sacada, no alto de um prédio,
No alto de uma montanha, sentados na relva.
Na rede, na varanda, de madrugada, olhando a lua
Pedalando furiosamente numa estrada qualquer
Numa motocicleta, sem capacete, com cuidado.
No lombo de um cavalo trotando em trilhas na mata.
Num carro, vidros abertos, música alta, velocidade máxima…
Apertando o pé e seguindo em frente.
Sentindo o vento secar as lágrimas insistentes
Desarrumando os cabelos já rebeldes.
Levando embora o que é ruim, trazendo o que é bom!
Arrumando as gavetas da alma e do coração…
Alda M S Santos
ADAPTAÇÕES 💔
Sempre me impressionou a capacidade de adaptação dos seres humanos.
Quantas mutilações podem sofrer e continuar em frente.
Transferem a tarefa ou função perdida para outra área, outro membro, outro órgão.
Perdem pés, pernas, mãos, braços, articulações, órgãos diversos.
Usam outros em substituição, adaptam-se, sobrecarregam outra área. Basta ver uma paraolimpíada.
Diminuem a capacidade, arrefecem a vitalidade, mas a vida continua.
A vida sempre se impõe!
Até o cérebro pode “perder” certas partes e continuar ativo.
Mas se existe uma parte cuja adaptação é complicada é o coração.
Transplanta-se coração, tudo bem. O músculo coração pode ser substituído.
Porém, seu conteúdo, aquele gravado na alma, não se substitui facilmente.
Um filho, os pais, irmãos, amigos, amores…
Quem perde algo ou alguém importante tem sérias dificuldades para continuar.
Aqueles cuja alma já registrou como parte de si,
Quando se vão, saem levando um pedaço da própria alma em que grudou.
Substituição ou complementariedade de alma eu nunca vi.
A saudade até tenta compensar, mas não faz um trabalho muito bom.
Ao mesmo tempo em que pode alegrar, pode também ferir.
Esse tipo de adaptação o ser humano ainda precisa aprender.
Alda M S Santos
MANTENHA DISTÂNCIA PARA SUA SEGURANÇA
Sabe aqueles dias em que estamos dando choque em nós mesmos?
Pois é! Aqueles nos quais deveríamos carregar pendurada no pescoço e nas costas uma placa com a frase de para-choque de caminhão:
“Mantenha distância para sua segurança”.
Estamos impacientes, tristes, inseguros, insatisfeitos, decepcionados, com raiva até!
Ideal que nem saíssemos do quarto para evitar maiores danos ao “patrimônio” próprio e alheio! Risco de curto-circuito! Pane total.
Mas a vida chama! Trabalho, estudo, família, amigos, afazeres diversos.
Felizmente!
Lá fora, mesmo emburrados, escondidos atrás de uns óculos escuros, tentamos acordar.
Devagarzinho, vamos começando a enxergar as coisas belas e boas, que são muitas, e retribuir.
Fazendo o levantamento dos males que nos atingem, deixando todos eles, um a um, pelo caminho.
Com calma, com alma, respeitando nossos próprios limites, dores e lágrimas.
Aceitando os sorrisos, os carinhos, o amor que se apresenta.
Como “diz” outro caminhão:
“Nas curvas da vida, entre devagar…”
Se não quisermos atropelar ou ser atropelados.
Que aproveitemos a paisagem e as companhias.
Boa viagem!
Alda M S Santos
A DONA ARANHA
“A Dona Aranha subiu pela parede, veio a chuva forte e a derrubou”…
Insistentes muitos de nós agimos como a dona aranha, subimos, escalamos, sob forte sol, com a confiança de chegarmos lá em cima.
Vem uma “chuva” forte e nos derruba.
E parece tudo desabar!
“Já passou a chuva, o sol já vai surgindo e a dona aranha continua a subir”.
Baqueamos, mas fortes e guerreiros que somos não ficamos ali parados.
O sol volta a brilhar, novas paredes, novas aranhas, novas companhias…
Continuamos a subir!
“Ela é teimosa e desobediente, sobe, sobe, sobe, nunca está contente!”
Afinal a chuva derrubou a aranha, não a parede.
Enquanto houver paredes ela irá acreditar que é possível subir.
Não é qualquer chuva que derruba de vez uma aranha!
Não é qualquer coisa que derruba uma pessoa determinada.
Alda M S Santos
MADRUGADA
É madrugada!
A cidade inteira adormece! Silêncio!
Um cachorro late, outro responde,
Uma motocicleta ronca veloz, meu marido ressona levemente ao meu lado.
Sons do ventilador, do motor da geladeira sendo acionado e interrompido,
Sons do silêncio da madrugada.
E eu aqui, acordada!
Fui despertada por um sonho estranho.
Os barulhos em mim são mais altos que a geladeira, o ventilador, os cães ou motos.
Apreensão, medo, angústia, decepção, arrependimentos, uma tristeza lá no fundo.
Tento relaxar para pegar no sono novamente.
Meu marido parece sentir e me abraça ternamente.
Enumero o que pode ser real do sonho, o que é sinistro, surreal, armadilhas do meu subconsciente.
Revejo as pessoas no meu sonho. Elas são realmente assim? São capazes disso?
Busco o que há de belo, de alegre, de amoroso e de pacífico em minha vida, tento contrapor.
Esse embate dura mais de uma hora. Mente agitada, alma comprimida.
Quando deixo as lágrimas rolarem, desaperto um pouco o coração, converso com Ele, tomo algumas decisões, consigo pegar finalmente no sono.
Acordo com o sol alto e parecendo ter levado uma surra.
À luz do dia nada é tão tenebroso quanto parece!
Felizmente! E a vida continua, feliz.
Alda M S Santos
AMOR/AMIGO
O que se espera de um amigo/a?
Mais ainda do que se espera de um amor.
Pois a amizade é um amor especial, diferente, mais leve,
Sem tantas cobranças, ciúmes ou desatinos.
Amizade tem confiança, confidências, lamentos, congratulações.
Não há necessidade de impressionar, há naturalidade, transparência.
Há ouvidos atentos, braços abertos, ombros largos, expressão calorosa.
A alegria na companhia do outro salta aos olhos de qualquer um, por mais diferentes que sejam entre si.
Onde há ao menos dois amigos/as juntos há risadas, gargalhadas, zombarias.
Também há papos sérios, conselhos,
puxões de orelhas, lágrimas, logo enxugadas pelo outro.
Há carinhos, abraços, toques, sorrisos…
Acima de tudo, os amigos acreditam uns nos outros.
Defendem-se perante tudo e contra todos.
Conhecem todos os seus defeitos e qualidades.
E tudo faz parte do mesmo pacote de amor.
Qualquer coisa boa ou ruim que lhes aconteça pensam logo nos amigos/as. Sabem que nunca os decepcionarão.
Torcem pelo sucesso um do outro e as competições, se houver, são saudáveis!
Um amor para ser completo precisa ser um amor/amigo.
Já a amizade basta por si só, pois o amor incondicional é sua essência.
Amizade verdadeira assim é coisa de alma!
Muito raro de encontrar!
Alda M S Santos
NOSTALGIA DO VOO
Qual o objetivo de se aprender a voar?
Obviamente, ser capaz de realizar o voo sem ajuda.
Voo solo. Sem supervisão ou orientações, independente.
Todos que se dispõem a ensinar algo sofrem da nostalgia do mestre.
É a nostalgia do voo solo.
Aqueles que de alguma forma se dedicam a ensinar
A orientar, estimular, curar, possibilitar o crescimento
Apagando mágoas, traumas e inseguranças
Querem que seus pupilos cresçam e apareçam
É o caso dos professores, dos médicos, dos psicólogos
De modo mais pessoal, dos pais, das mães,
Dos amantes, dos amigos…
Veem dia-a-dia a evolução de seus aprendizes
O passo a passo do aprendizado, as lutas
As quedas, a impotência, os avanços, as vitórias
E chega o dia deles voarem sozinhos, longe dos “mestres”.
Mostrar que a lição foi válida, a que vieram,
Para que tanto se dedicaram e se esforçaram.
Alegres, seguem seus caminhos, voam alto.
Aos mestres, cabe o sentimento de orgulho e de dever cumprido
Mesclados à imensa saudade e sensação de perda.
Os alunos superaram os mestres e se foram.
Os mestres devem se recolher e ficar em segundo plano,
Muitas vezes até sair de cena. Deixá-los voar.
Como as aves, as borboletas e os beija-flores.
Seres feitos para voar não podem ser mantidos presos.
Se as lições foram mesmo aprendidas
Saberão que é bom ter pouso entre voos,
E um dia retornarão para um abraço.
Os alunos, os pacientes, os filhos, os amantes, os amigos…
Alda M S Santos
POESIA
Dia Nacional da Poesia
Dia de todos nós…
Cada ser carrega em si a magia
O encanto, a beleza poética.
Em estado de dormência, de latência,
À espera dos “poetas” de plantão para despertá-la.
Uns a transformam em poemas.
Outros apenas vivem a poesia que encontram nos outros
Em forma de sorrisos, de carinhos, de abraços, de saudades,
De trabalho, de vida, de doces beijos e muito amor.
Desperte a poesia que há no outro,
Desperte a poesia que há em você!
Alda M S Santos
DESCAMINHOS
E quando chegamos naquela parte do caminho
Em que já atravessamos partes leves, agradáveis, floridas
Também as difíceis, duras, pedregosas,
Já fomos longe demais e percebemos que não é mais possível prosseguir?
Descobrimos que pra frente pode haver raios e trovões
Tempestades, tsunamis, maremotos intensos?
É possível descaminhar?
Dar marcha à ré, retornar pelo mesmo caminho,
Voltar ao ponto de largada, retomar?
Como se ao voltar fôssemos desfazendo tudo, desmanchando detalhes
Voltando a fita em câmera lenta
Sorrindo e chorando tudo outra vez
Apagando as pegadas deixadas na areia…
Ou o melhor a fazer é seguir em frente
Por outro caminho, gravando por cima?
Talvez possamos usar nova fita, fazer nova gravação
E deixar esse arquivo guardado num cantinho
Para ser utilizado em momentos de nostalgia e saudade
Ou de novos aprendizados…
De qualquer maneira, perder a “direção” nunca é bom.
É preciso sentar-se à beira do caminho, refletir, retomar as forças e a serenidade.
De quem tanto caminhou, espera-se que logo pegará sua bússola e, cedo ou tarde, vislumbrará uma nova trilha!
Alda M S Santos
MARCADO A FERRO
Estava de camiseta estilo nadador
Ombros e braços à mostra,
Uma bela tatuagem de uma garota de longos cabelos nas costas
E um nome que não pude ver.
Malhava no aparelho ao lado do meu
“Nem precisa registrar assim, não é?”
O quê?
“A tatoo. É minha garota!”- disse aquele senhor mais velho.
Há outros tipos de registros, concordei.
“As pessoas escrevem suas histórias em nós de diversas formas”. – disse sorrindo.
Certamente! Umas escrevem a lápis, logo se apaga e não deixam marcas.
Outras escrevem à caneta, demora um pouco mais, mas também desmancham e deixam algumas marcas.
“E há aquelas que registram a ferro. Nunca mais conseguimos apagar”- ele completou.
Sim. Ficam impregnadas em nós. Registradas na pele, no coração e na alma. Nem que a gente queira consegue extirpar.
“É o caso dessa garota, minha filha, nem precisaria estar nas minhas costas. Ela se foi, mas está registrada a fundo lá dentro”.
Todos temos histórias registradas em nós!
“Você tem a pele limpa, mas certamente tem muitas histórias marcadas a ferro”.
Todos nós, senhor! Todos nós!
Alda M S Santos
LOBOTOMIA
“Por que a gente fica velha e lembra só de coisas que machucam o peito da gente?” -Perguntou-me uma idosa, lágrimas a escorrer no rosto enrugado, olhos cheios de histórias!
Pessoas jovens também, querida! Precisamos levar a mente a pensar nas coisas boas que todos temos, respondi.
“Mas até coisas boas ferem o coração, porque não existem mais”.
Sei que não é fácil, mas a mente é flexível, precisamos levá-la para bons lugares. Curtir a saudade boa. Interagir com as companheiras, participar mais, digo.
“Quero não, perdi o gosto, estou aqui esperando pra morrer e sozinha. Queria fazer aquela operação que apaga o cérebro da gente, como chama mesmo”.?
Lobotomia?
“Essa mesmo! Aí a gente não sofre, apaga o que dói!”
Eu a abracei e brinquei: gosta de abraço? Não gosta de cantar? Vamos cantar? Se fizer lobotomia irá esquecer os abraços, as músicas!
Ela riu e disse: “vou tentar lembrar do que é bom! Quando você volta?
Quantos de nós não temos vontade de “apagar” em nós o que nos machuca?
O risco é apagar o que há de bom também!
Melhor mesmo é conviver com nossas dores, nossos amores, nossas amizades, nossos atropelos.
E tentar produzir mais sorrisos que lágrimas, equilibrando a balança.
Alda M S Santos
NÃO HÁ VACINAS!
Entre tantos os machucados e feridas
Das mais superficiais até as mais profundas
Daquelas que ficam secas até as que mais sangram
Das que causam dor aguda ou crônica
Que precisam suturas ou anestesias
Que causam pranto ou, num canto, solidão
Além do medo de se machucar novamente
Entre todos eles, o machucado mais doloroso
A ferida mais difícil de cicatrizar
Que demanda mais tempo e coragem
É aquela causada pelo (des) amor
Simplesmente, porque é de onde a gente menos espera o golpe
Pega-nos desprevenidos, distraídos, confiantes.
Aí atinge fundo, rasga, mutila, deixa marcas, cicatrizes.
Mas quando se convalesce, se recupera, fica mais forte
E recomeça tudo… Novos riscos!
Contra o (des)amor não há vacinas!
Alda M S Santos
RESPOSTAS
Muitas são as questões nessa vida,
Maiores ainda as variedades de respostas!
Quando a questão é a indiferença, a tristeza, a apatia
Nossas respostas podem ser idênticas à questão,
Ou também podem vir em forma de revolta, bom humor, energia
Se a questão que se apresenta for a raiva, a rebeldia, a intolerância,
Pode-se obter esses mesmos itens como resposta,
Mas é possível haver também o silêncio, a calma, a alteridade.
Quando a questão é o carinho ou o amor acontece o mesmo.
Muitos responderão com carinho e amor em diferentes intensidades.
Porém, há aqueles que responderão com indiferença, repulsa
Afastamento e até mesmo certa rispidez.
As respostas que damos ao que se nos apresenta
Dependerá, em parte, de quem nos faz o questionamento
E, a maior parte, do que temos em nós.
Questões quase sempre são as mesmas
Existem para nos instigar, nos provocar, nos acordar
O que difere nas respostas que oferecemos
São as fórmulas e dados de que dispomos para resolvê-las em nós.
Quem não aprecia a raiva ou indiferença,
Dificilmente responderá com raiva ou indiferença.
Quem não “reconhece” o carinho ou o amor,
Terá sérias dificuldades em reconhecê-lo numa “questão”
Para oferecer resposta à altura.
Porém, uma vez aprendido, sentido e reconhecido
Ninguém ficará imune a ele.
É contagioso e incurável.
Ainda bem!
Alda M S Santos
AI, QUE VONTADE QUE DÁ!
Uma fonte numa linda praça no centro da cidade
Um calor de lascar, uma criança seminua a correr na água e voltar
Um ciclista a se refrescar
Jovens “malucos” a correr na água e a sorrir…
Ai, que vontade que dá!
Uma senhora que te abraça e te aperta
Que segura sua mão, conta sua história e se lamenta, carente de afeto
Quer você, precisa de você, confia em você,
Como se te conhecesse a vida toda.
Ai, que vontade que dá!
Uma criança que te sorri, te chama a brincar, a pular, a contar-lhe uma história.
Ai, que vontade que dá!
Um amanhecer claro, ensolarado, poucas nuvens brancas a correr no azul do céu,
Deitar-se no chão, sentir o calor do sol aquecer cada parte de seu corpo e agradecer a vida.
Ai, que vontade que dá!
Um domingo inteiro pela frente, sem nenhuma programação, livre, a ser preenchido como quiser…
Ai, que vontade que dá!
Alda M S Santos
NUM LAR
A vida inteira num lar
Com pais, irmãos, avós, primos
Companheiros, filhos, sobrinhos…
Ou uma vida dedicada à família dos outros,
Que cresceram, se foram, não precisam mais deles
De repente, não há mais lar, ou familiares, ou amigos…
A solidão é a fiel companheira
E surge um novo lar…
Cuidados, novas pessoas, talvez novas amizades…
Algumas atividades, visitas esporádicas…
Pra que ainda estou vivendo?- alguns se perguntam.
Tenho onde morar, estou aqui porque quero!-dizem outros.
Meu sobrinho quer vir me ver, a mulher dele que não deixa! – afirma outra.
Gosto de vocês aqui, alegram nosso dia!- diz outra sorridente a cantar.
E assim a vida segue…
85, 99, 102 anos de idade.
O que querem? O que esperam?
Algo que o dinheiro não compra:
Atenção, um toque, um carinho, ouvidos, ombros…
Só isso!
Que possamos cuidar de nossos idosos!
Que tenhamos quem cuide de nós quando chegar nossa vez.
A maior pobreza é a falta de carinho.
Alda M S Santos
OUTRO OLHAR
Outro dia li que devemos ver as coisas que não nos agradam sob uma nova perspectiva.
Sempre deveríamos tentar um ângulo novo, outro olhar, uma nova possibilidade.
Tentei aplicar esse “conselho” ao que via naquele momento.
Um ser humano jazia no asfalto, virava e se ajeitava, fazia-o de cama.
Passei, olhei, pensei: “tristeza viver assim, dói na gente”.
Uma avenida perigosa, carros, motos, ônibus e caminhões para todo lado.
Pessoas passavam apressadas, como eu.
Retornei, quis tentar um novo olhar.
Deve ser uma possibilidade para eu fazer algo, pensei.
Bem assim na minha frente! E não é a primeira vez!
Pensei no meu marido a dizer para não me meter, tomar cuidado, que tudo é perigoso!
Cheguei mais perto, devagar. Abaixei-me, chamei, cutuquei.
Ele se virou, se ajeitou, como se estivesse sobre seus travesseiros macios.
Chamei outra vez. Ele abriu os olhos, mas não parecia me ver.
Perguntei se precisava de algo. Claro que precisava!
Mas a gente fica meio impotente, sem saber o que dizer.
Ele riu meio sem entender e tentou se levantar.
Perguntei se queria que o ajudasse a ir para casa, onde morava.
“Por aí! Pode me pagar uma branquinha, branquinha?”
Riu da própria associação e repetia: uma branquinha, branquinha!
Falei: “Pago um prato de comida, te ajudo a ir pra casa, mas pinga não pago.”
“Então, não quero nada, branquinha! Me deixa dormir quieto aqui!”
Resmungando enrolado se ajeitou de novo em sua “cama”.
Segui meu caminho meio inconformada.
Ouvi ainda umas pessoas dizerem: “é bêbado, deixa para lá, moça!”
Mas venci meu medo e tentei ver com outro olhar.
Um dia dá certo! Pra mim e pra eles.
Alda M S Santos
DE QUANTAS HISTÓRIAS SE FAZ NOSSA HISTÓRIA?
Rimos de chorar esses dias, minhas irmãs e eu!
Extremamente prazeroso lembrar episódios da infância
As artes, as birras, as surras, a cumplicidade de irmãos
As rixas, os ciúmes, as dificuldades, o amor acima de tudo.
Ou da adolescência, as incertezas, os medos, a baixa autoestima,
A incerteza do ser adulto ou ser infantil, espremido entre ambos.
Os amigos confidentes, os primeiros beijos e paixonites
A vida adulta, os compromissos, as responsabilidades…
Tantas são as histórias! Tão ricas de emoções!
Relembrá-las é viver de novo, com uma nostalgia boa
Sem os sofrimentos! Se possível com quem as viveu conosco.
Estes, mesmo se lembrados, já não doem tanto.
O que ficou foi a certeza de ter vivido algo especial
Com pessoas especiais,
Ainda que não façam mais parte do nosso convívio!
Minha história é feita de muitas histórias,
E muitos e valiosos personagens!
E a de vocês?
Alda M S Santos
AMOR, AMAR!
Amor é substantivo abstrato, pois designa um sentimento:
“Amor é dor que desatina sem doer”
Amor é adjetivo, pois qualifica um ser agradável:
“Ela é um amor de pessoa”!
Amor é objeto direto, pois completa o sentido do verbo:
“Não há quem não goste de fazer amor”.
Amor é advérbio de modo, pois modifica o verbo:
“Cuida dele amorosamente, independente do que faça”.
Amor é sujeito: aquele que age sobre o verbo
“O amor cura todas as feridas”.
Amor é predicado: o que se diz sobre o sujeito:
“Aquele senhor não é muito amoroso!”
Mas principalmente, o amor é verbo.
Ele não poderia ser mais nada se não sofresse nossa ação direta ou indireta.
Amor é construção diária! Eu amo, tu amas, ele ama!
Eu sofro, tu és feliz, ele acredita! Não importa!
Verbo amar! Quero conjugar!
Em todos os tempos, modos, vozes e espaços!
Alda M S Santos
E O DIA DO HOMEM?
Perguntaram-me: por que Dia da Mulher, se não existe Dia do Homem?
Ao longo da existência humana a mulher sofre tudo quanto é tipo de preconceitos e estereótipos.
De criatura menos inteligente, inferior, objeto e serva do homem, percorreu um longo caminho para ter hoje direito a vez, voz, voto, valor…
Tem uma profissão, seu espaço como cidadã, mãe, esposa/amante.
É um ser independente física, financeira e emocionalmente.
Não sou feminista e não prego superioridade de qualquer dos gêneros.
Sou feminina, de rosa ou azul, pilotando o fogão ou um carrão e, como tal, defendo que homens e mulheres são seres iguais em direitos e deveres, cada um com suas semelhanças, diferenças e individualidades.
Ambos são complementares entre si, não apenas em sua anatomia, mas em todas as áreas.
Hoje, o desafio da mulher é enfrentar as inúmeras cobranças, inclusive as próprias, de indivíduo multifuncional.
Não exigir tanta perfeição de si mesma como mãe, esposa, profissional, amante, dona de casa…
E, além de tudo, estar sempre magra, linda, perfumada e sorridente. O dia é de reflexão para todos.
Um VIVA A TODAS AS MULHERES e homens que se amam como filhos do mesmo Criador e se respeitam acima de tudo.
Alda M S Santos
MULHER!
Ser humano do sexo feminino
Bela, mas que pode ser fera
Encantadora, mas que assusta
Frágil, mas de força descomunal
Levanta ou derruba com um olhar
Capaz de ser colo enquanto pede colo
Emoções de tirar o fôlego ou devolver o ar.
Submissa? Só se quiser!
Parceira? Pra quem merecer!
Inteira, mas que se faz metade
Para ter o prazer de completar e completar-se,
Sendo a metade de outro alguém.
Simplesmente, Mulher!
Alda M S Santos
UM PASSO DE DANÇA
Sentir-se flutuar, fazer parte do ar
Estar dentro, mas livre
Estar fora, mas presa na magia
Em cada acorde, um movimento em sincronia
Em cada passo, uma expressão, um dizer com o corpo
A comunhão é do corpo com a música
A harmonia é da alma com a melodia
Afinam-se enquanto se completam
Até nos erros sintonizam-se.
Precisam-se!
Ela e a melodia tornam-se uma só
Num simples passo de dança…
Alda M S Santos
APENAS O QUE TEMOS
O que somos capazes de doar?
Oferecer gratuitamente a conhecidos ou desconhecidos?
A familiares, amigos, amores?
Um sorriso acolhedor, um olhar compreensivo?
O ombro, o colo, o silêncio?
Um abraço, um beijo, um pão com queijo?
Palavras de conforto e estímulo?
Um chocolate, um beijinho melado, uma rosa, uma oração?
Um teto, uma cama, um lar, um coração onde morar?
Tudo isso, nada disso? Apenas dinheiro?
Por mais desejo que a gente tenha
Só podemos doar aquilo que temos em nós.
Risco de ficar desabastecido não há.
O que se doa, multiplica-se!
Alda M S Santos
DE PEITO ABERTO
De peito aberto, cara lavada, coragem
A melhor maneira, o jeito certo de enfrentar a vida
Mesmo que não haja tanta coragem assim
Nem sempre é o “ser alguma coisa” que resolve
Acreditar que se é, pode valer tanto quanto
Cabeça baixa, medos e covardias
Não nos ajudam em nada!
Acreditar-se lindo, forte, amado
Cheio de energia, saúde e sabedoria
Nos leva ao menos até a metade do caminho.
E tendo descoberto o trajeto
O restante torna-se bem mais leve e prazeroso.
Descobri que só nós mesmos podemos barrar nossos passos!
Alda M S Santos
O QUE TIRA SEU SONO?
Sempre fui boa de cama, de sofá, de rede, de cadeira de balanço…
Deito e apago!
Acordo descansada e cheia de energia na manhã seguinte.
E sonho. Sonho muito mesmo!
Pra me tirar o sono tem que ser algo de grandes proporções,
Ao menos para mim.
Preocupações: essas são as primeiras da lista.
Quero “resolver” tudo de madrugada
Acordar com a equação, senão resolvida, ao menos destrinchada.
Mágoas e decepções: aquelas causadas por quem a gente ama
Daquelas que nos fazem dormir chorando, acordar à noite chorando.
Levantar chorando, querer sair porta à fora, ir embora, mandar embora…
Doenças e males físicos: aqueles crônicos que nem todo remédio resolve.
Tomamos toda a variedade possível, chás e unguentos diversos.
Doenças da alma: tristeza, insatisfações diversas, desamor, falta de perspectivas.
Esses, os mais difíceis de resolver. Precisam da ajuda externa.
Uma atenção, um abraço, um carinho.
Necessitam de amor.
Fora isso, NADA me tira o sono.
E você? O que tira seu sono?
Alda M S Santos
EM PRETO E BRANCO
Quando não conseguirmos ver as cores da vida
Apreciemos o preto e o branco
São únicos, extremos
Têm suas belezas, seus tons, suas escalas…
Nosso olhar pode ver o encanto, o brilho
Em preto e branco, em sua mesclagem
Em todas as suas matizes
Porque somos nós que damos o tom que queremos
Ao que nos é apresentado…
E os tornamos belos!
Alda M S Santos
SENSIBILIDADE À FLOR DA PELE
Um garotinho chorava e andava atrás da mãe apressada no supermercado.
Pequeno, uns dois anos, no máximo. Passos ainda inseguros.
Uma menininha, pouco mais velha, aguardando o pai que estava na fila do açougue, onde eu me encontrava, cutucou o pai, apontou para a criança. O pai não notou. Fiquei observando. Adoro ver as atitudes infantis.
Olhou para o pai e saiu devagarzinho, sempre olhando para trás para conferir se o pai não iria impedir seu afastamento.
Chegou perto do garoto que chorava, fez-lhe um carinho limpando as lágrimas e o abraçou.
Não ouvi o que dizia. A menininha falou algo e estendeu o bichinho de pelúcia que carregava.
O garotinho o segurou, deu aquela suspirada funda e parou de chorar. A menininha voltou saltitante para perto do pai.
Pouco depois, vem a mãe com o garotinho no colo e fala para o pai: “acho que é da sua filha”!
A menininha mais do que depressa: “é porque ele estava triste”!
Todos ao redor se emudeceram! Sorrisos amarelos, até meio envergonhados.
Será que pensaram no quanto também precisavam de um ursinho de pelúcia?
Quem sabe refletiram em quantas vezes poderiam ter feito o mesmo por alguém?
Cá entre nós, quantos ursinhos de pelúcia mantemos guardadinhos dentro de nós?
Vale lembrar que carinhos foram feitos para circular.
Guardados perdem o efeito!
Amo “ursinhos de pelúcia”!
Dar ou receber.
Alda M S Santos
POR AMOR
Morreu por amor… Deu a vida por amor.
Qualquer outro ato por amor pode parecer insignificante perante esse.
Claro, ele veio do Mestre do Amor, ninguém se igualaria, mesmo tendo sido feito à Sua imagem e semelhança.
Mas o que realmente somos capazes de fazer por amor? Sinceramente!
Pelos nossos filhos, pais e até por alguns familiares ou amigos é fácil imaginar.
Poderíamos até chegar ao ponto de dar nossas vidas.
Mas, simplificadamente, no nosso dia-a-dia, o que temos feito por amor?
Tolerância? É um ato de amor! Ah, mas nem sempre conseguimos!
Respeito aos diferentes? Tentamos! Mas eles são tão estranhos!
Atenção? Conversamos com muita gente! Mas algumas pessoas, as que mais precisam, nos metem medo!
Delicadezas? Um simples “bom dia”, ceder o lugar no transporte, aguardar um idoso no caixa eletrônico, pacientemente, dar a preferência no trânsito… Mas temos tanta pressa!
Um sorriso ou um abraço? Sim, bem, seletivamente. Afinal, não é todo mundo que é de confiança!
Disponibilidade? Temos! Para alguns, é claro. Não podemos resolver tudo.
Na maioria das vezes nos calamos ou nos omitimos em situações tão simples e corriqueiras.
São situações simples de amor! E nos fechamos em nosso silêncio e (des)conforto interno.
Quando indagados, respondemos convictos: “Por amor? Ah, por amor sou capaz de tudo!”
Enquanto aguardamos o momento de fazer “tudo” por amor, as oportunidades se esvaem pertinho de nós, todos os momentos…
Vamos lá! Por amor!
Alda M S Santos
Carinhólogos Solidários de BH
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