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poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

Voluntário: uma ramificação do bem

VOLUNTÁRIO: UMA RAMIFICAÇÃO DO BEM

Pense em algo que dá trabalho

Aquilo que tira você da mesmice

Que te leva a lugares inimagináveis

Que te emociona e engrandece

Que mostra lados diversos da vida

Que te aperta o coração, faz chorar, faz sorrir

Acrescente alegria, satisfação, prazer

Junte trabalho manual, pedidos, orações

Perca a vergonha de pedir ajuda para ajudar os outros

Distribua carinho, abraços, beijos, doces palavras

Encontre amigos e pessoas afins

Doem -se! Sem cobranças!

Unam -se em prol de alguém

Não desanimem!

Nada esperem em troca!

Sejam gratos, nunca superiores!

Cada um de nós tem suas falhas e carências…

Acredite que um mundo melhor começa dentro de você

Nasce em sua alma e se ramifica nas almas alheias

E, quando menos esperar, perceberá reciprocidade

A mola propulsora de tudo que é bom!

Ao preencher o que “falta” nos outros

Preenchemos também muitos vácuos em nós…

Isso é trabalho voluntário!

Isso é trabalho de amor!

Assim somos #carinhologos!

Seja um ramo de amor, seja voluntário!

Alda M S Santos

Preteridos?

PRETERIDOS?

Aquelas vezes que nos entristecemos, nos rebelamos

Por termos sido preteridos em algo

Quando alguém ganhou o que achamos que deveria ser nosso

Quando parece que fomos “roubados”

O emprego que não pôde ser nosso

O concurso em que não classificamos

O sorteio que não nos contemplou

O namorado que preferiu seguir outra

Aquele amigo que escolheu outros amigos

A família que nem sempre compreende nossos anseios

Os filhos que têm seus próprios caminhos e não precisam mais de nós

O amor que decidiu não amar mais…

Parece que o mundo fica contra nós

Que a roda gira na contramão

Que sempre alguém ganha e a gente só perde…

Mas se olharmos bem todas as vezes que nos julgamos preteridos

Veremos que foi, na verdade, uma proteção, um cuidado divino para conosco

A amizade não era sincera, o emprego traria inimizades

O namorado era pura mentira e ilusão

O amor não era suficientemente forte e verdadeiro

O concurso nos afastaria de quem amamos…

É Deus nos protegendo e amparando

Recolhendo os brinquedos perigosos que poderiam nos derrubar

Regulando as “doçuras” para proteger a saúde

Como um pai que tapa as tomadas para o filho não levar choque…

E, se insistimos, acabamos por nos arrepender ou ficarmos com dívidas eternas

Que talvez nem tenhamos cacife para pagar.

Confiemos em quem sabe tudo de nós e nos ampara

Como a toda criatura, por menor e mais insignificante que pareça…

Preteridos, não, protegidos!

Alda M S Santos

Amor ponto a ponto

AMOR PONTO A PONTO

Ponto a ponto vamos tecendo uma história de amor

Uma arte feita a mão, com carinho em cada laço e arremate

Em cada cor, em cada brilho

Uma estrela de Natal para aqueles que têm tão pouco

Silenciosamente pensando nas histórias daqueles que a receberão

Em oração por cada um, por suas lutas e dificuldades

Pela alegria que demonstram ao receber tão simples gesto

“Você que fez? Que anjinha boa”!

Diz o ditado que mentes e mãos vazias são oficinas do diabo

Mas prefiro acreditar em Madre Teresa de Calcutá

“Mãos que servem são mais santas do que lábios que rezam”

Creio que as mãos e os lábios juntos em bom trabalho são mais preciosos ainda

Um pouco de cada um faz a diferença para todos

Que essa estrela de amor traga consigo muita luz, saúde e alegrias

Feliz Natal, amores!

#carinhologos

Amor desperdiçado?

AMOR DESPERDIÇADO?

“Tanto amei a quem não foi digno de amor”

“Tanto fiz e me dediquei a quem não valia tal grandeza”

“Joguei pérolas aos porcos”

Quantas vezes nos sentimos assim?

Lamentamos o amor, a amizade, o carinho doado

A quem não soube aproveitar

A quem fez pouco caso do recebido

A quem não valorizou atitudes de desprendimento ou sacrifício

A quem não foi leal à entrega e bondade

A quem traiu nossa confiança e dedicação

Será que realmente perdemos por doar?

Olhemos para Ele!

Será que se arrepende de tanto amor doado a quem não fez por merecer?

Temos sido dignos de tamanha grandeza e pureza de amor?

Quem somos nós para reclamar amor doado, não valorizado?

Uma coisa é certa: quem doa amor nunca perde

Nunca!

Quem não sabe receber tem muito a aprender…

Alda M S Santos

Cacos de histórias

CACOS DE HISTÓRIAS

Tem histórias que são tão bonitas

Tão verdadeiras, tão intensas, tão profundas

Que até seus cacos são arredondados, não ferem

Acariciam…

Tem histórias que são tão tristes

Tão amedrontadoras, tão surreais

Que mesmo inteiras ferem, cortam, machucam, sangram

Agonizam…

Nosso trabalho é descartar os cacos

Ou ir aparando os mais pontiagudos para não sermos feridos de morte

Quando não for possível jogá-los no lixo…

Nossas vidas viram de uma página para outra

De um capítulo para outro

E vamos interagindo entre eles

Bem ou mal

Dando nosso melhor, leais, sinceros, verdadeiros

Até o epílogo…

Alda M S Santos

Depois das tempestades

DEPOIS DAS TEMPESTADES…

Todo pássaro canta feliz depois da tempestade

A noite pode ter sido de muita chuva, barulhos e destruições

Mas eles saem felizes a cantar ao amanhecer

Ao surgirem os primeiros raios de sol…

Eles olham para a frente, para a vida que ainda existe

Não olham para trás, agradecem cantando

E seguem…

Talvez por terem ciência da finitude da vida

Que de uma hora para outra tudo pode se acabar

Não perdem tempo a lamentar

Vivem… e cantam…

Celebram como a dizer

Enquanto houver vida, cantarei…

Minúsculas, lindas e sábias criaturas,

Me levem a dar um voo cantante com vocês?

Alda M S Santos

Um círculo

UM CÍRCULO

Histórias que se cruzaram há 4 anos

Primeiro os casais, logo suas famílias

Encontros de estudos, de conversas

De trocas de experiências, de histórias de vida…

Uns mais tímidos, mais contidos, outros mais extrovertidos

Uns mais sérios, outros brincalhões

Tão diferentes entre si quanto as pessoas podem ser

Tão semelhantes na humanidade, na fé em Deus

Diversos e iguais na condição de casais, de famílias

Sempre dispostos a ajudar, a estender a mão

Juntos pelo prazer da partilha, de socializar alegrias e dificuldades

A aprender, a tomar para si um problema do outro

Nas famílias que crescem e se renovam, nas orações partilhadas

Somos um círculo da família ECC

Acham que foi por acaso?

Somos Aliança Renovada!

Muito prazer! Amo estar com vocês!

Alda M S Santos

Você é forte!

VOCÊ É FORTE!

“Você é forte! Supera!”

Já ouvi isso muitas vezes ao longo da vida

Tantas vezes sinto-me tão frágil

Mas a força que temos só se manifesta quando exigida

E ela existe mesmo quando as lágrimas caem sem cessar

Ainda que o medo assombre, que os pesadelos atormentem

Que a realidade não corresponda aos sonhos

Não pode dizer-se forte quem nunca foi submetido à fragilidade

Quem nunca escondeu a dor atrás de um sorriso

Tantas vezes retiramos forças da solidão, da escuridão

Outras vezes é do silêncio à beira de um rio

Numa oração, numa caminhada

Nas atividades incansáveis do bem

Noutras nos abastecemos no abraço de alguém querido

Ser forte é buscar no seu entorno ou dentro de si

Motivos para prosseguir

Cada qual encontra seu motivo, sem machucar o outro

Eu o encontro ao estender a mão aos que precisam

Enquanto cuido dos outros

Deus cuida de mim…

É! Posso dizer que sou forte na minha fragilidade…

Tenho um Bom Protetor!

Sou grata!

Alda M S Santos

#carinhologos

Então…é Natal!

ENTÃO…É NATAL!

Então…é Natal!

Corações mais solidários, mais receptivos, mais abertos

Humanidade à flor da pele, contagiante, espírito do bem

Disseminação de amor e compaixão

Abraços, carinho, prosa boa, atenção

Peito apertado, fragilizado, presentes, presença

O amor está no ar…

O amor está em cada um de nós

É Natal!

Ele começa de verdade quando o permitimos brotar em nós

Alastrar, crescer e se multiplicar no outro

Se bem plantado e cuidado

O Natal pode durar o ano todo, uma vida inteira

Que Ele renasça em cada um de nós todos os dias

Feliz Natal, amores!

Alda M S Santos

#carinhologos

Nos lugares errados

NOS LUGARES ERRADOS

Muitas vezes encontramos entre os loucos mais saúde mental e alegria

Que entre os tidos como normais, sem qualquer anomalia

Muitas vezes notamos mais carinho num abraço entre amigos saudosos

Que entre irmãos de sangue e familiares, tantas vezes maldosos

Muitas vezes há mais amor e cuidado na distância

Que entre aqueles que caminham lado a lado sem se dar importância

Muitas vezes há mais vida num leito hospitalar

Que entre aqueles que a desperdiçam entre brigas e lamúrias no lar

Muitas vezes há mais sinceridade num sorriso doloroso que acolhe

Que numa lágrima que se pretende solidária, mas se recolhe

Muitas vezes nota-se mais a presença de Deus entre pagãos e ateus a trabalhar

Que entre religiosos de joelhos diante de um altar

Muitas vezes há mais paz num grito de liberdade para o mundo

Que num silêncio que fere a alma, corta fundo

As coisas estão mesmo nos lugares errados

Ou somos nós que não sabemos procurar?

Alda M S Santos

Escrever…

ESCREVER…

Escrever uma história é se aventurar

É misturar ficção com realidade

É ler sonhos e desejos alheios

É traduzir e transcrever sentimentos

É reviver…

Escrever é viajar na imaginação

É abrir asas, flutuar, ver de cima, de fora

É mergulhar fundo e intensamente na emoção

É se eternizar…

Escrever é se tratar, se curar

É medicar, remediar, vacinar, fazer terapia

É uma catarse…

Escrever é lidar com medos, traumas, angústias, alegrias

É dar um drible na saudade, na dor, nas mágoas e decepções

É fixar aprendizado…

Escrever é também ler, ser lido, decifrar

É fazer-se entender numa história, é identificar-se nos versos do outro

É sintonizar…

Escrever é conversar consigo mesmo

É sensibilizar, é sorrir, é chorar

É um reencontro com seu próprio eu

Passando pelo eu do outro

É intensamente viver…

Alda M S Santos

Pisa fundo

PISA FUNDO

No volante, vidros abertos, cabelos ao vento

Ela pisa fundo…

Uma música após a outra atiçando a vida

Tocando as emoções superficiais ou profundas

Ela pisa fundo, quer ir longe

Encontrar algo perdido, resgatar alegrias e esperanças

Não quer sumir, não quer ir embora

Quer deixar o que for ruim para trás

Quer, paradoxalmente, um caminho que a traga de volta

Por isso ela pisa fundo…

O movimento, a estrada, o vento, a música, a solidão

Tudo leva a reflexões e pensamentos

Uma solidão consigo mesma não é solidão

É encontro… e dos bons…

Alda M S Santos

O que você é hoje?

O QUE VOCÊ É HOJE?

Quantos anos você tem hoje?

Trinta, quarenta, cinquenta, setenta?

Volte lá atrás, à metade disso…

A sua vida de hoje corresponde àquela que propôs para si?

O que você realizou é o que sonhou décadas atrás?

Vida pessoal, profissional, familiar, social?

Tem a família, os amigos, o trabalho, a saúde, o lar que sonhou?

Colocando na balança as oportunidades que teve

E aquelas que deixou passar, não soube aproveitar

As vezes em que tiraram seu chão

Ou aquelas que não soube flutuar

Qual o saldo? Está inteiro? Faltam partes, mantém a essência?

Qual sua responsabilidade nisso tudo?

Qual sua perspectiva para o futuro?

O que você é hoje pode ser diferente do que imaginou para si

Pode até ser meio frustrante para o jovem sonhador que foi

Mas no equilíbrio entre sonhos e realidade

O saldo certamente é bom

E, se não for, a boa notícia é que a vida continua

Dá para tentar fazer diferente de agora em diante

Boa caminhada para todos nós!

Alda M S Santos

Bom mesmo

BOM MESMO

É bom encontrar abrigo num dia de chuva

Mas bom mesmo é ser abrigo quando a casa cai

É bom ter amigos para sorrir, passear, nos divertir

Mas bom mesmo é ser/ter amigo quando o peito aperta, a alma dói

É bom ter para quem contar nossas alegrias e sucessos

Mas bom mesmo é ter com quem dividir nossas mágoas e angústias

É bom ter em quem confiar quando a subida ao topo é íngreme,

Mas bom mesmo é ser/ter apoio quando as pernas falham nas descidas

É bom ter alguém para amar, cuidar, dar carinho e atenção

Mas bom mesmo é ser digno de amor, de saudades, de boas lembranças

É bom olhar para o passado e relembrar uma vida recheada de delícias e lutas,

Ou para o futuro e ter boas expectativas

Mas bom mesmo é curtir um abraço saudoso no presente

É bom seguir por um caminho iluminado, florido, acompanhado

Mas bom mesmo é não nos perdermos de nós mesmos quando tudo escurecer…

É muito bom ter, mas bom mesmo é ser…

Sempre!

Alda M S Santos

Entre céu e inferno

ENTRE CÉU E INFERNO

O céu e o inferno existem em nós, coexistindo

Transitamos de um para o outro todo o tempo

Daquela parte que nos faz mal, que nos faz sofrer, que machuca

Para aquela que nos faz bem, alegra, anima, vitaliza, acaricia

Algumas coisas ou pessoas do meio nos instigam, nos levam

A sair de um para o outro, do inferno para o céu e vice-versa

E é a isso que devemos estar atentos

Fugir de pessoas “inferno”, que nos dificultam o trânsito para nosso céu

Buscar pessoas “céu”, que nos deixam em nosso paraíso

Bom mesmo é quando nosso céu se conecta ao céu do outro

Aí fica mais difícil, quase impossível, o trânsito para o inferno

Um céu conectado a outro céu é mais forte, mais iluminado

E não deixa a escuridão do inferno prevalecer …

Céu conectado a outro céu é repleto de anjos bons

E que fazem a vida ser mais linda…

Alda M S Santos

Dá para explicar?

DÁ PARA EXPLICAR?

“Você conseguiria explicar isso para seus pais, para seus filhos

Sem pestanejar, sem titubear, sem subterfúgios

Com leveza, certeza, tranquilidade?

Essa é a pergunta que me faço antes de tomar qualquer decisão

Seja na vida profissional, pessoal, social ou religiosa”

Ouvi isso certa vez e achei muito sensato!

Se qualquer atitude tomada for envergonhar

Não der para explicar de modo claro, sem mentiras

Para aqueles que mais amamos e nos importamos

Para quem nos admira e se importa conosco

É sinal que não é uma boa opção

Se não dá para explicar sem medos ou receios de rejeições

As construções, escolhas, desconstruções e consequências

É uma atitude que não deve ser tomada

Certamente irá machucar alguém e ferir a própria consciência…

Certa vez ouvi uma pessoa amiga dizer

“Não queria isso, como vou explicar para meus filhos”?

Isso pode não ser tão fácil sempre

Mas é uma maneira sábia de lidar com indecisões

Com erros e acertos, com tropeços e quedas

Com as ventanias da vida…

Alda M S Santos

Ingratidão

INGRATIDÃO

Sofrer de ingratidão nem sempre é ter esperado retribuição

Sofrer de ingratidão nem sempre é esperar reconhecimento

Não deveria sofrer de ingratidão quem não esperou nada em troca

Quem deu o melhor de si, disponibilizou tempo, carinho e amor gratuito

E percebeu que o outro sequer percebeu isso…

Mas somos humanos e nos ferimos ao receber ingratidão

Daqueles para os quais mais oferecemos, mais nos doamos

Mais nos arriscamos, mais amamos…

Não é preciso dar algo em troca, apenas ser confiável e não ser indiferente ou maldoso

Mas a cada experiência um degrau de aprendizado

A cada tombo ou lágrima uma cicatriz de sobrevivência

E, após processar tudo, saber que, para um coração grande,

Nao há ingratidão que o atinja a ponto de imobilizá-lo

Ao contrário, aprende que fazer o bem sempre o fará maior

Mais rico, mais bondoso, mais amoroso e solidário …

Aprendendo…

Alda M S Santos

Atrás de um sorriso

ATRÁS DE UM SORRISO

Atrás de todo sorriso há uma história

Nem sempre bonita como possa parecer para alguns

Nem sempre iluminada pelo modo que contagia a outros

Nem sempre sedutora como outros pensariam

Nem sempre mal-intencionada como uns maldosos poderiam crer

Nem sempre alegre e encantadora como todo sorriso deveria ser

Mas atrás de todo sorriso que se dispõe a brilhar num rosto

Mesmo que ele não chegue aos olhos

Ainda que não venha de um coração feliz

Existe uma alma corajosa, grata e disposta a lutar

Sabedora de que um sorriso pode não resolver os problemas

Mas também ciente de que sua ausência pode fazer tudo piorar…

Um sorriso sempre faz bem!

A quem dá, a quem recebe…

Se vier com sinceridade atinge a alma…

Alda M S Santos

#carinhologos

Caçadores de belezas

CAÇADORES DE BELEZAS

Caçadores de belezas têm passos leves

Flutuam por aí como borboletas azuis

E sugam suavemente o néctar escondido

Deixando ali um pólen fecundo gerador de nova vida

Caçadores de belezas têm olhar profundo

Que segredam o que as palavras são incapazes de dizer

Seu brilho ilumina e atrai como raios de sol

E aquecem corações frios e carentes de calor

Caçadores de belezas têm alma pura

Que se reflete nas atitudes de delicadeza e doçura

Daquelas capazes de com um toque ou olhar afastar a amargura

Caçadores de belezas não usam armas

Não esperam por momentos lindos para capturar

Caçadores de belezas tornam belo aquilo que seu olhar tocar…

Caçadores de belezas são amantes da vida…

Alda M S Santos

Névoa

NÉVOA

Caía uma névoa fininha

Daquelas que embaçam o tempo

Esfriam até nossos ossos

Da varanda, tomando uma xícara de café recém coado eu observava

Como a natureza tem a capacidade de atingir nossas emoções!

Quando fica assim sinto-me em outro mundo

Dizem que é o momento em que a tristeza e depressão têm seu auge

Tem-se a percepção de que a Terra parou…

Poucos passarinhos se arriscavam a sair de suas casas

A cigarra sossegou seu canto

Beija-flor aparecia e beijava mais rápido que o normal

Para logo se recolher e se aquecer

Parece que a ordem geral em suspense era: recolham-se!

Uns recolhiam-se para dentro de suas casas

Outros, para dentro de suas lembranças e emoções

Outros para os recônditos de suas almas inquietas

Muitos não achavam para onde se recolher

Perdidos…

Esses que costumam não achar o caminho de volta…

Gosto de tempo assim!

Saio admirando as flores molhadas

Os bichos recolhidos, as pessoas que passam apressadas

Ou aquelas que nem se importam com aquela névoa

Que insistia em atingir os ossos

Volto e vou acender o fogão à lenha

Aquecendo…

Alda M S Santos

Há quem se divirta…

HÁ QUEM SE DIVIRTA…

Há quem se divirta de todos os modos

Há quem se divirta dançando, cantando, acompanhado

Há quem se divirta numa dança solo

Há quem se divirta dançando em grupos

Há quem se divirta vendo os outros dançarem, conversando

Há quem se divirta instigando os outros a dançarem

Há quem se divirta por estar num meio musical

Há quem se divirta escolhendo ritmos ou dançando todos eles

Há quem se divirta com o prazer das companhias, amigos

Há quem se divirta com os comes e bebes

Há quem se divirta fazendo troça e piada com todos

Há quem se divirta independente das próprias limitações

Há quem se divirta proporcionando diversão ao outro

Há quem se divirta apenas por ver quem ama se divertir

Há quem se divirta por tudo isso ou por nada disso

Mas há quem se divirta por estar vivo, ter saúde, amigos

Há quem se divirta por poder agradecer as bênçãos recebidas

Ainda que nem sempre os “bailes” que a vida nos dá

Sejam tão divertidos…

Vamos nos divertir enquanto pudermos…

Alda M S Santos

Aceita o prazer dessa dança?

ACEITA O PRAZER DESSA DANÇA?

Dançar é deixar-se levar pelo ritmo que a vida nos impõe

É bailar em harmonia, passos leves, em uníssono

É deixar a música invadir nossa alma, internalizá-la

Dançar é poder extravasar de modo prazeroso o que está em nós

É devolver ao meio o que recebemos

É buscar no meio aquilo que precisamos

Dançar é trocar, é doar o que temos de bom

É recebermos aquilo que nos falta

Dançar é resgatar a conexão perdida consigo mesmo

Dançar é conectar-se com o outro, se divertir

Um corpo que dança é bonito

Um corpo que dança em sintonia com a própria alma é divino!

Aceita o prazer dessa dança?

Esse convite deveríamos fazer a nós mesmos

Antes de fazê-lo ao nosso partner.

Alda M S Santos

Os olhos que me veem

OS OLHOS QUE ME VEEM

Gosto de olhos que falam

As palavras ditas pelos olhos não são falsas

Podem até não agradar

Mas a linguagem do olhar é verdadeira

Alguns olhos são treinados

Aprendem a desviar, pestanejar

Mas não enganam outro olhar também treinado

A ler o que diz o olhar desviado

Gosto de olhos que me veem inteira

Sem aumentar ou diminuir

Sem enaltecer ou depreciar

Gosto de olhos que dizem

“Eu te entendo, estou aqui”!

Gosto de olhos perspicazes a me olhar

Que me olham sem esperar demais de mim

Tampouco sem diminuir-me perante si

Gosto de olhos que acolhem, não julgam

Gosto de olhos que realmente me veem como sou

De dentro para fora…

Alda M S Santos

Vícios do bem

VÍCIOS DO BEM

Encontrei uma amizade querida que há um tempo não via.

Um olhar meio ressabiado, sem saber como agir.

“Como vai você”?

“Tô indo”- “E a família?”

“Estamos bem! Como Deus manda!”

Nos afastamos, a amizade esfriou por problemas diversos, decepção, mágoa, muitas lágrimas derramadas.

Mas por longo tempo nossas vidas caminharam juntas, parceiras, amigas, necessárias.

Um abraço apertado, gostoso, perfumado…

Conversamos um pouco, meio sem jeito, lembranças…

Creio que foi recíproco, aquele olhar investigador, penetrante, nos olhos.

Amizades e amores verdadeiros são como vícios!

Pode-se ficar muito tempo longe, a dependência ser mais tolerada, as crises de abstinência quase superadas,

Mas basta um simples “trago”, “gole”, “encontro” para tudo recomeçar.

Nos despedimos…

Fui embora emocionada, coração apertado, para variar.

Novamente, pensei em que parte algo começou a dar errado.

Mas gostei tanto de reencontrá-la!

Nossos filhos brincaram juntos, cresceram, ela enviuvou, é avó…

Mesmo com tanta decepção o carinho ainda é imenso.

O perdão é característica base das amizades e amores sinceros.

Não gosto de tirar pessoas da minha vida!

Prometi a mim mesma ir até sua casa retomar de onde paramos,

Reaquecimento…nossas vidas são reflexos de nossas atitudes…

Amizades verdadeiras são únicas e eternas…

Alda M S Santos

Santuário

SANTUÁRIO

Se buscas um santuário

Onde possas refugiar-se de todo mal

Não desista, siga em frente!

Ao encontrar, saberá

Aconchegue-se, silencie

Esqueça de toda destruição que reina lá fora

Apague toda lembrança ruim

Você está no seu santuário!

Pode ser naquela cadeira confortável na varanda olhando o horizonte

Na rede estendida no alpendre a te ninar sob lembranças boas

Num balanço dependurado na árvore do quintal a rememorar sapequices

Na grama ou no banco de uma praça a buscar por ela

Aquela memória que sempre te traz sossego e esperança

Santuário é aquele local capaz de nos levar para dentro de nós

Aquele no qual conseguimos nos desconectar de tudo que machuca

Nos ajoelharmos perante nós, sermos gratos pela vida

Nos perdoarmos …

A despeito do que ocorreu ou ocorre lá fora

Santuário é paz!

Alda M S Santos

Somos filhos do mesmo Pai?

SOMOS FILHOS DO MESMO PAI?

“En que mundo vives? Fe en esto? Anda ya…”

Fui questionada num blog ao defender a fé em Deus.

Caminhando numa avenida movimentada, observando tudo a minha volta, lembrei-me disso.

Armava uma chuva forte, céu escuro, ventos fortes.

Um ser humano “qualquer” estava enrolado nos lençóis sob uma marquise.

Uma madame desceu de um carro com seu cachorrinho no colo todo agasalhado.

Vendedores de guarda-chuvas gritavam seu produto.

Ambulantes de ocasião, ofereciam seus serviços.

Em carros escuros e com ar condicionado executivos negociavam nos tablets e nos arranha-céus.

Num ponto de coletivos pessoas se espremiam pra caber num ônibus já lotado.

Um táxi embarcava um único passageiro.

Vários homens de terno e sapatos finos passavam sem ver outros de bermudas e chinelos.

Um casal de pedintes fumava e namorava num cantinho.

Na porta do hospital um médico com roupa verde de bloco cirúrgico tomava um suco no carrinho de lanches.

Na recepção do pronto socorro público cada semblante mais carregado de dor que o outro.

Crianças vestidas de adultas eram levadas por babás em seus carros de luxo.

Outras, quase nuas, esmolavam junto às mães debaixo de uma árvore.

Um senhor velhinho, tal qual caracol, sentado sob seus cobertores e apetrechos, carregava “sua casa”.

Outro juntava todos os lixos que recolhia num carrinho para vender.

Um casal idoso, de mãos dadas, apoiava um ao outro em suas bengalas e limitações.

Um “louco” deitado num canto falava coisas desconexas sobre a guerra das ruas.

Alguns riam, outros ignoravam.

Fiquei olhando um tempo e ele disse: “porque tá chorando, moça bonita?”

Sequer percebi que chorava…

“Vai passar, sou assim mesmo”- respondi sorrindo.

“Vá com Deus, e sorria, menina”!

Tanta desigualdade! Será que somos mesmo todos filhos do mesmo Pai?

O quanto será que cada um ali já lutou nessa vida?

Respondo à pergunta que me foi feita:

“É nesse mundo que vivo!”

Mesmo as pessoas mais desvalidas têm fé!

Sem ela não somos nada nem ninguém!

Segui meu caminho, entrei num hospital público para consulta.

A chuva já caía…mas eu já estava molhada mesmo…

Alda M S Santos

Saturando

SATURANDO

A dor nem sempre é aguda como os raios que riscam de prata o céu escuro

A dor nem sempre faz barulho como os trovões que fazem tremer tudo abaixo das nuvens

A dor nem sempre é de devastação pontual e rápida como tornado ou tsunami

A dor, muitas vezes, pode ser crônica, fininha, contínua, persistente

Como a chuvinha silenciosa que cai insistente na terra já saturada

Atinge fundo, vai encharcando pouco a pouco

Com avisos ignorados ela vai pesando, trincando, rachando, devastando

Até que provoca grandes deslizamentos dos morros e encostas mais resistentes…

Quem vigia apenas as grandes tempestades

Acaba sendo atingido, levado pela garoa insistente e persistente

Como as dores crônicas físicas ou emocionais nossas de todo dia…

Alda M S Santos

De frente para a vida

DE FRENTE PARA A VIDA

De frente, braços abertos, receptivos

A vida nos manda de volta aquilo que a ela enviamos

Sorriso que envia fagulhas de esperança e alegrias

Atitudes que emitem amor em cada gesto

Palavras que são néctar a ouvidos sensíveis

E são ímãs de carinho e confiança a atrair levezas

De frente para a a vida, se emitirmos luz

Receberemos reflexos de calor e energia

Mas, se emitirmos negatividade

Receberemos decepções e mágoas…

Isso é lei do retorno, efeito bumerangue

Ele vai, ele volta…

De frente para vida…quero estar sempre…

Abram os braços!

Alda M S Santos

Florescendo, flores(sendo)…

FLORESCENDO, FLORES(SENDO)…

Sob sol, sob chuva, sob tempestades

Florescendo, flores sendo…

Acolhendo abelhas, borboletas e beija-flores

Ensurdecendo com o canto das cigarras

Florescendo, flores sendo…

Sob o entardecer, sob o luar ou a aurora

Dividindo espaço, multiplicando belezas

Queimando e perdendo pedaços para as formigas

Florescendo, flores sendo…

Alimentando-me de brisa, de doçuras, de toques delicados

Fazendo minha fotossíntese

Purificando o ar, espetando os dedos com espinhos

Molhando a raiz de lágrimas salgadas

Florescendo, flores sendo…

Nascendo, crescendo, perfumando a vida, encantando, morrendo…

Florescendo, flores sendo…

Alda M S Santos

Foi assim…

Somos aquareláveis

SOMOS AQUARELÁVEIS

De todas as cores que a natureza nos possibilita

Seria muita falta de imaginação e desperdício de nossa (in)consciência ficar apenas no branco

A Criação nos permitiu essa diversidade

De cores, tons, nuances, misturas e raças

Brancos, amarelos, pretos, marrons, vermelhos…

E todas as suas misturas e miscigenações

Mulatos, morenos, marrons, bombons…

E aí está nossa beleza, nossa grandeza, nossa leveza

Mas, nem sempre sábios, somos excludentes

Nossa (in)consciência é branca

Hierarquizamos cores, raças, costumes

O pódio de nossa existência é branco, precisa ser aquarelável, multicor

Nossos corações são ensinados a odiar/excluir o diferente

E acabar vendo isso como normal e natural

Mas nossa essência, nossa base, nossa massa é o amor

Em todas as cores…

Qual a cor do seu amor?

Manter essa essência é trabalho diário…

Alda M S Santos

Nunca desistir de mim

NUNCA DESISTIR DE MIM

Seguir em frente, lutar sempre

Essa é minha promessa

Nem sempre fácil de manter

Curtir um dia de raios de sol que me aquecem

Mas também aceitar quando meu sol se esconder

Amar sob um céu estrelado e inspirador ou sobre nuvens de algodão

Mas aproveitar quando a Lua não aparecer e tudo for escuridão

Dançar na chuva entre abraços apertados e beijos molhados, aquecida

Mas saber suportar as fagulhas ameaçadoras das tempestades de gelo, sofrida

Enquanto nova alvorada não surge em mim, renascida

Retribuir o amor e carinho daqueles que me cercam e apoiam

Mas aceitar e respeitar o direito daqueles que não me querem por perto, não me amam

Sobretudo, amar a mim mesma, sempre

Ainda ou principalmente quando outros me abandonarem

Mesmo em minhas fragilidades, medos e carências

Ainda que erre, caia e não consiga levantar tão facilmente

Ou que nem sempre seja minha maior fã

E queira ficar escondida debaixo das cobertas…

Pois a promessa fundamental é, independente do que acontecer,

Cuidar do meu coração

E nunca desistir de mim mesma!

Alda M S Santos

Passado, presente, futuro…

PASSADO, PRESENTE, FUTURO…

Se quero saber algo do futuro, olho um pouco para trás

Se quero, saudosamente, lembrar o passado, olho para frente

Assim mesmo! Paradoxal!

Ver-se nos filhos, nos pais

Saudades, expectativas…

Meus filhos me mostram meu ontem, minha infância e juventude

Meus pais me possibilitam visualizar meu futuro

Uma idade que não sei se virá

Se quero que chegue, se terei coragem de vivê-la

Tento me concentrar no hoje, agir nele

Aproveitando o que o ontem me forneceu

E a expectativa e incerteza do que o amanhã me possibilita

Eu também fui o ontem e sou o amanhã de alguém

Quero apenas um hoje bom, para que a lembrança seja boa

Para mim, para os que comigo conviverem…

Alda M S Santos

Papai

PAPAI

Sempre alegre, bem humorado

Completa hoje 75 anos, passou para os 76, como diz

Garante que passa dos 100 anos

Animado, adora uma roça, passear e bater um papo

Pessoa ímpar e engraçada, temente a Deus

Muito prestativo, vaidoso, sem vícios

Toma vinho com Fanta Uva!

Confia muito nas pessoas e isso o coloca, às vezes, em maus lençóis

Do seu jeito simples e contido nos ama a todos

Esse é meu pai: Adair

Felicidades papito!

Que passe mesmo dos 100 com saúde e alegria.

Te amo! 💕🙏🏼

Alda M S Santos

Qual seu oásis?

QUAL SEU OÁSIS?

Qual seu oásis?

Aquele repouso tão sonhado e desejado

Pós longas caminhadas sedentas no deserto?

Qual seu oásis?

Pós lábios ressequidos, pele castigada pelo sol escaldante

Tempestades de areia furiosas maltratando os olhos

Qual seu oásis?

Pós calor intenso do dia a derreter seus miolos

O frio noturno a quase roubar sua sanidade?

Qual seu oásis?

Pós solidão, abandono, sensação de estar perdido, sem rumo?

Qual seu oásis?

Aquele que reduz seu cansaço com um olhar

Que molha seus lábios num beijo

Devolve a sanidade, a sensação de fazer parte num abraço

Lembra que você é importante, que não está só

Irriga sua alma de alegria, esperança, mesmo que temporária?

Qual seu oásis?

Todo deserto precisa de oásis

Toda vida carece de refrigérios…

Qual seu refrigério?

Alda M S Santos

Atemporal

ATEMPORAL

Que não tem tempo, de qualquer tempo

Além de qualquer efeito advindo de temporalidades

Atravessa qualquer época, estação

Cai bem em qualquer tempo ou espaço

E permanece em nós, firme, forte, exigente

Que transpassa e perpassa sentimentos

Agrega, completa, faz parte

E se torna infinito em nós

Atemporal…

Alda M S Santos

Sem fronteiras

SEM FRONTEIRAS

Voam na imensidão do azul do céu

Não têm limites, não têm fronteiras

Sozinhas, em pares ou em grandes grupos

No céu dançam um lindo ballet

Em silêncio ou cantando, se comunicando

Simplesmente, voam…

Sem destino? Não sei!

Parecem livres, despretensiosas

Pousam numa árvore frondosa

Fazem muito barulho

Será uma reunião de revisão de rota?

Algum perigo? Temem algo?

Ou será apenas uma pausa para descanso?

Param todas na beira de um lago

Molham-se, hidratam-se, banham-se

E seguem seu caminho no espaço…

Haverá algo que possa interromper seu curso, seu voo?

Vão e voltam, fazem estações

Sem fronteiras….

Daqui de baixo a tudo observo, invejo tal liberdade de ser, de pouco precisar

Voo com elas… vou longe… e volto…

Pés no chão, coração no espaço…

Alda M S Santos

Universo inexplorado

UNIVERSO INEXPLORADO

O universo que carregamos em nós

Por mais desbravado e explorado que tenha sido

Por mais terras, luas e planetas descobertos em nós

Sempre haverá aquela estrela escondida

Aquele meteoro veloz não acompanhado

Aquele cometa tão aguardado

Aqueles asteroides desconhecidos e esquecidos…

Somos um universo ainda muito inexplorado

Inclusive por nós mesmos

Cada um de nós carrega em sua galáxia interior

Regiões obscuras e carentes de luz e vida

Necessitando de uma remexida intergaláctica para ser ativada

E mostrar todo seu potencial…

Alda M S Santos

Medos

MEDOS

Muitos e muitos medos me seguem

Medo de perder pessoas queridas

Medo de me perder das pessoas amadas

Medo de perder a saúde, a lucidez

Medo de não mais ser capaz de me compadecer pela dor do outro

Medo de perder minhas memórias e lembranças boas

Medo de me decepcionar com amigos e amores

Medo de esquecer ou ser esquecida por quem amo

Muitos medos…

Não é por ausência de fé em Deus

Nem por fraqueza ou fragilidade excessiva

Tampouco por falta de coragem de enfrentá-los

De todas as coisas que me dão medo

Que me causam insegurança e dor

Um aprendizado sempre fica:

O amor é o único medo cuja dor sei que vale o risco…

Alda M S Santos

Águas passadas

ÁGUAS PASSADAS

Águas passadas não movem moinhos

Diz sabiamente o ditado popular

Por que sempre voltamos ao mesmo moinho

Acreditando encontrar as mesmas águas a movê-lo

Ou buscando naquelas novas águas que agora o fazem rodar

As mesmas características anteriores?

Se o moinho é o mesmo, e continua sendo movido à água

Algo semelhante haverá entre essas e as águas passadas.

Buscamos nova familiarização, nova sintonia

O que nem sempre nos atentamos

É para o fato que o moinho também se modificou,

Não é o mesmo moinho de outrora

Tem fissuras, partes escurecidas, está mais silencioso ou barulhento

As mesmas águas que passaram e foram embora rio abaixo

Fizeram seu trabalho na roda do moinho

Deixaram ali sua marca…

Águas passadas não movem moinho

É verdade!

Mas o deixam cada vez mais forte e eficiente

E capaz de aproveitar melhor a força das novas águas …

Águas passadas são lições aprendidas

Nos livros dos moinhos de nossa existência…

Alda M S Santos

Em casa, onde quer que seja

EM CASA, ONDE QUER QUE SEJA

No meio do mato, perdida na mata

Ouvindo os sons do silêncio

Em casa, onde quer que seja…

Numa estrada de terra, margeada de buganvílias

Sentindo o cheiro das cores intensas

Em casa, onde quer que seja…

Mergulhada nas águas de um rio gelado

Dependurada de ponta a cabeça numa árvore centenária

Em casa, onde quer que seja…

Numa casinha de pau a pique, numa barraca de lona

Num colchonete sob céu estrelado

Em casa, onde quer que seja…

Debaixo de uma tempestade, sem energia

Ouvindo o tamborilar das gotas insistentes na janela

Em casa, onde quer que seja…

Num jardim florido e colorido, entre abelhas e borboletas

Ouvindo as cigarras agitadas e o “motor”dos beija-flores

Em casa, onde quer que seja…

No deserto, numa região árida e seca, sob sol escaldante

Em busca de um oásis sonhado

Em casa, onde quer que seja…

A sensação de estar em casa em qualquer lugar

Surge quando estamos bem conosco mesmos

Quando acalmamos nossos gritos, fazemos as pazes com nossos silêncios

Nossa verdadeira casa é aquela que carregamos conosco

Como caracóis…

Se essa casa abala alicerces, trinca paredes, desmorona, em qualquer lugar nos sentiremos intrusos

Todos queremos estar sempre

Em casa, onde quer que seja…

Alda M S Santos

Duelando

DUELANDO

De frente, de costas, de perto ou de longe

Confrontos visando resolver desagravos diversos

Armados: armas brancas, de fogo, palavras, cérebro, coração

E os digladiadores “modernos” continuam a duelar

Quem tombará primeiro?

Quem vence afinal?

Duelos de cunho físico ou emocional

Quem tem o gatilho mais rápido

Ou o chicote mais certeiro?

Qual a arma mais potente?

Qual a palavra mais poderosa?

Qual o prêmio desse entrave, dessa disputa?

Quem são afinal os adversários, quais as desavenças?

Num combate corpo a corpo, mente a mente, alma a alma

Vence aquele que se entrega

Aquele que usa a arma mais poderosa: o coração

Ainda que esteja fora do corpo, ele não nos deixa na mão

Ele sabe até onde pode ir sem matar, sem morrer…

Alda M S Santos

Mergulhos

MERGULHOS

Água: um delicioso e assustador mistério

Oceanos, mares, lagos, lagoas, rios, cachoeiras, poços

Caindo do céu, escorrendo nas pedras, formando lençóis freáticos

Minando da terra, evaporando no ar

Abastecendo a terra de vida nesse ciclo sem fim…

Leves, pesadas, fortes ou tempestuosas

Convidativas ao mergulho, a nelas se aventurar

E ali, deslizando suavemente, cada vez mais longe

Se perder…ou se encontrar…

Alda M S Santos

Super-heróis

SUPER-HERÓIS

Um é de aranha, outro é de ferro

A questão é ser herói, super-herói

Uma pantera negra, um humano que se agiganta e se transmuta de raiva…

Um modo de se achar pouco, menos

Ou, ao contrário, perceber-se capaz de ser mais?

Fuga, covardia, alienação ou coragem?

Covardia por imaginar um mundo em que apenas heróis teriam vez

Ou coragem por colocar ali suas angústias, limitações e sonhos?

Entre fantasia e realidade, em quartetos ou duetos, viveu 95 anos

E fez menos amarga, mais feliz, a vida de muitos admiradores e fãs

Quem nunca sonhou em ser um super-herói

Ou ser salvo por um?

Quem nunca valeu-se dessa fantasia em momentos difíceis

Que se enrole na própria teia

Que tenha um coração doce num corpo de ferro

Que seja atingido por raios cósmicos, destruído pela kriptonita

Ou que fique verde de raiva…

O melhor disso tudo é saber que mesmo sem super poderes especiais

De ultra força, visão de longo alcance, capacidades extras

Sem Marvel ou DC

Somos nossos próprios heróis!

RIP STAN LEE

Alda M S Santos

Fazer o bem, viver o bem

FAZER O BEM, VIVER O BEM

“Uma pessoa do bem, que ajuda a tantos não merece passar por isso”

Fala contínua pós-tragédias, particularmente quando atingem indivíduos “do bem”

Fazer o bem não livra ninguém de ser atingido pelo mal

É um modo caridoso de ser e de viver

Uma maneira de ser generoso consigo mesmo através dos outros

Uma vida tentando ser fiel a seus princípios

Que, infelizmente, não imuniza contra as maldades existentes por aí

Mas torna seus autores mais fortes e resistentes para enfrentá-las

Num mundo de cabeça para baixo

Ser bondoso, ético e correto, o que deveria ser visto como natural

É encarado com incredulidade.

Espanto com o mal deveria ser geral, independente de quem atinja…

Cercarmo-nos do bem, fazer o bem

Tornar mais equilibrada a luta do bem contra o mal

É na verdade uma maneira de tentar neutralizar o negativo existente por aí

Que sabemos que tem sempre muitos adeptos

Infelizmente…

Alda M S Santos

Passando o tempo

PASSANDO O TEMPO

– Vem cá, amiguinha, senta aqui do meu lado!

– Que lindos coloridos!

– Estou com saudades de você! Venha ver!

Não é uma escola, tampouco um ateliê.

É um lar para idosos…

Ele vive num quarto com outros três companheiros.

Fala das dificuldades de locomoção dos outros.

Ocupa-se fazendo seus coloridos em desenhos diversos.

Possui um kit de lápis de cor e livros de colorir “para passar o tempo”.

“As pessoas gostam e eu dou, não vendo não!”-diz orgulhoso

Num caderno em branco, pede para eu fazer um desenho para ele.

-Não demore a voltar. Vou colorir esse para você!

Os caminhos que percorreram até chegar ali são muitos!

As histórias se resumem a amor, dor, arrependimentos, resignação, esperanças e saudades…

O que precisam de todos nós não é tanto: carinho e atenção.

Que não os deixemos na mão!

Alda M S Santos

Que procuras?

QUE PROCURAS?

Um mundo feito de muitas procuras

Muitas vidas feitas de poucos achados

-O que procuras, que buscas?

– Ainda não sei, mas hei de encontrar!

-Se não sabes nem o que buscas

Como queres encontrar?

-Quando encontrar saberei o que preciso

Será sintonia instantânea e atração imediata.

Essa crença que move boa parte da humanidade

É que mantém a roda da vida girando

Que procuras?

Podemos não saber, mas enquanto sentirmos a falta

Estaremos sempre em busca, sem estacionar

Ainda que pensemos ter desistido

O desejo de encontrar o que buscamos

Estará tal qual fumacinha lá no fundo

Bastará um sopro, um toque

Para tudo se acender e voltar ao fogo que atiça a vida…

Que procuras?

Um mundo feito de muitas procuras

Mas muitas vidas feitas de achados na mesma proporção

E a roda segue seu curso infinito…

Que procuras?

Alda M S Santos

Ah, um carinho…

AH, UM CARINHO…

Quem não gosta, quem não quer?

Ah, um carinho….

Amolece os corações mais duros, enverga os mais resistentes

Atrai os desavisados, enlaça os distraídos

Derruba os céticos, acorda os descrentes

Ah, um carinho…

Quem não gosta, quem não quer?

Carinho com as mãos

Carinho com o olhar

Carinho com as palavras

Até fecha os olhinhos, se entrega

Confia…

Carinho que vai, carinho que volta

Ah, um carinho…

Quem não gosta, quem não quer?

Carinho que se doa é carinho que se recebe…

Alda M S Santos

Heranças

HERANÇAS

Trazemos conosco muitas heranças

Que vêm passadas de geração para geração

Pais, avós, bisavós, tios, primos…

A cada dia notamos em nós algo de algum dos nossos ascendentes

Ou algo nosso nos nossos descendentes

Algumas características que amamos, necessárias

Que nos orgulhamos por possuir, por passar para frente

Outras como um apêndice inútil a ocupar espaço

E outras que até pagaríamos para devolver, por machucar, envergonhar

Heranças genéticas, físicas e mentais

Heranças emocionais, de personalidade

Heranças materiais, bens ou dívidas

Mas somos muito além do que herdamos

Nada vem tão fechado, imutável, inerte

Sobre o que herdamos podemos agir, transformar, melhorar

Ou piorar, dependendo do que fizermos

Personalidade não mudamos, mas podemos aprimorar

Características físicas podemos aprender a valorizar

Dívidas podemos pagar ou arrolar

Bens materiais podemos multiplicar ou conservar

E a capacidade de amar e evoluir é pessoal e individual

Sempre pode ser aprendida e aprimorada

E, quem sabe, a herança que deixarmos

Possa ser cada vez melhor?

Alda M S Santos

Confiança, ingenuidade ou pureza?

CONFIANÇA, INGENUIDADE OU PUREZA?

Tão confiante que se aproxima daquele que o alimenta

Ingênuo o bastante para lamber a mão que se estende

Puro o suficiente para não perceber

Que aquele que o alimenta e cuida

Tem outros interesses que ele desconhece

Ambos apenas buscam suas necessidades básicas de sobrevivência

Uma certa empatia, olhar doce, focinho gelado

A mão que o alimenta, outro dia virá para lhe tirar a vida

Para alimentar outras vidas…

Sou meio covarde!

Até como a carne, mas desde que outro tire a vida

Que não precise encarar esse olhar todos os dias

Que não crie laços de afinidade

Não tenho coragem de tirar a vida!

Como se a carne que viesse do açougue

Não representasse uma vida como aquela

Que me olha terna ali…

É estranho pensar que uma vida precise se perder

Para outra poder permanecer…

Quem determina qual vida é mais valiosa?

Será mesmo necessário?

Humanos precisam mesmo disso?

Por que ao olhar dentro desse olhar

Tudo isso parece tão (des)humano?

Alda M S Santos

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