CONFIANÇA, INGENUIDADE OU PUREZA?
Tão confiante que se aproxima daquele que o alimenta
Ingênuo o bastante para lamber a mão que se estende
Puro o suficiente para não perceber
Que aquele que o alimenta e cuida
Tem outros interesses que ele desconhece
Ambos apenas buscam suas necessidades básicas de sobrevivência
Uma certa empatia, olhar doce, focinho gelado
A mão que o alimenta, outro dia virá para lhe tirar a vida
Para alimentar outras vidas…
Sou meio covarde!
Até como a carne, mas desde que outro tire a vida
Que não precise encarar esse olhar todos os dias
Que não crie laços de afinidade
Não tenho coragem de tirar a vida!
Como se a carne que viesse do açougue
Não representasse uma vida como aquela
Que me olha terna ali…
É estranho pensar que uma vida precise se perder
Para outra poder permanecer…
Quem determina qual vida é mais valiosa?
Será mesmo necessário?
Humanos precisam mesmo disso?
Por que ao olhar dentro desse olhar
Tudo isso parece tão (des)humano?
Alda M S Santos
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