SINESTESIA
Sigo a vida sendo o máximo de sinestesia
Com cheiros adocicados de fantasia
Lágrimas salgadas, duras e pesadas
Sorrisos amarelos ou escandalosos
Tentando ser o olhar doce que acalma
O abraço feito de chocolate quente
As palavras cantadas no aconchego da alma
O toque que sussurra baixinho: estou aqui
Sigo sendo a brisa silenciosa ou a acidez do vendaval
A gostosa frieza da chuva no temporal
A maciez de um teto de céu estrelado
Ou sobre a grama, o silêncio molhado
O olhar que grita, a voz que anestesia
Mas, sobretudo, sou a alma que dança e fantasia
Que esse mundo ainda tem um lugarzinho
Para a gente sentar no colo da vida
E brincar de balanço devagarzinho
Alda M S Santos
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