MEMÓRIAS EM CINZA
Um descuido, uma pequena distração
E uma casa pega fogo, literalmente
E tudo que se tem é consumido pelas chamas
Colchão, cama, móveis, roupas, calçados
Documentos, livros, fotografias, artigos pessoais
Memórias registradas em papel, pendrive, computadores
A cada minuto percebe-se algo que se foi
Levado para sempre, consumido pelo calor do fogo
Tudo é fumaça, fuligem, sujeira, dor, culpa, desespero
Aí percebemos o quanto de valioso possuíamos
E se tornou cinzas…
Passada a fase aguda do susto, do choque
Nota-se que algo valioso sempre fica
Aquilo que não se reconstrói quando se perde: a vida
Mantendo-a, é possível reconquistar o que foi perdido
Amigos verdadeiros e falsos serão revelados
Saberemos quem não nos abandona e podemos contar sempre
Novas memórias serão gravadas, misturadas às antigas
E, mais tarde, tudo estará de pé novamente…
O mesmo não se dá quando o “fogo” da doença ou da maldade destrói a mente, a alma
Quando apaga os circuitos cerebrais que registram em nós o que vivemos
Isso só recuperaremos nas mentes daqueles que conviveram conosco
Que nos amaram, ou não
E que têm de nós boas ou más lembranças registradas…
O amor é a borracha que apaga o mal
Mas também é o lápis que reescreve uma nova história…
Vamos reescrever!
A vida num instante pode se apagar
Ou se acender feito sol no horizonte…
Alda M S Santos
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