A CULPA É MINHA
Estava numa dimensão intermediária entre a terra e o céu
À beira de um abismo, via que ele sofria do outro lado, prestes a cair
Tentava alertá-lo, gritava “te amo”, pedia para sair de lá, para não se arriscar
Encolhido, olhos opacos, distantes, não parecia me ouvir
Chorei, implorei que o salvassem, que trouxessem para mim, tirassem dele a dor que o torturava
Ouvi uma voz firme me dizendo: “ele pode cair, mas voltará mais forte”
“Transfiram para mim o que o machuca, a culpa é minha”- eu pedia chorando
A resposta veio logo “não, ele escolheu, ele quis viver, aprenderá”
“Mas sou mais experiente, podia ter impedido, alertado”
“Não é mais experiente, tudo isso é novo e perigoso para ambos, afaste-se daí”
Eu estava tão à beira do abismo quanto ele
Mas a queda dele era mais assustadora para mim que a minha
Abaixei, em prantos, rezei por ele, quando não mais o vi…
Acordei chorando, mas amedrontada e com fé, continuei as orações…
Alda M S Santos
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