NO ESPELHO
Cedinho, escuro ainda, meio sonolenta, horário de verão!
Olho-me no espelho. Ele me devolve o olhar. Ignoro, distraída, não quero papo, tampouco olhares perscrutadores.
Mas ele continua lá. Resolvo encará-lo. Não sou de fugir da “luta”.
Desvio um pouco dos olhos. Retiro pelos imaginários dos lábios, ajeito os cabelos, estico uma ruga, passo um batom, dou um leve sorriso.
Mas o olhar está lá, investigando, avaliando. Parece perguntar: está tudo bem? O que tem feito por si mesma? Pelos outros? Olhe para mim! Olhe para si!
Encaro-o, quer dizer, encaro-me.
Fisicamente, umas ajeitadas seriam necessárias. O tempo não perdoa.
Emocionalmente, apesar da intensidade exagerada, dos atropelos esporádicos, de alguns medos, de certas confusões mentais, prevalece um certo equilíbrio.
O tempo nesse caso favorece, traz sabedoria para quem se dispõe a aprender as lições diárias.
Encaro o espelho novamente, firme, corajosa. Coração sempre à frente, acelerado.
Digo, olhos nos olhos: você é capaz de vencer qualquer coisa a que se propuser. Acredite!Sorriso largo, lanço um beijo:
Bom dia, doidinha!
Alda M S Santos