OS PATAXÓS
Uma localidade do século XVIII
Que deu origem a Guanhães
Uma fazenda em ruínas
Reaproveitada pelos Pataxós
Mirueira pajé e descendentes
Lindo de se ver e conviver!
Alda M S Santos
OS PATAXÓS
Uma localidade do século XVIII
Que deu origem a Guanhães
Uma fazenda em ruínas
Reaproveitada pelos Pataxós
Mirueira pajé e descendentes
Lindo de se ver e conviver!
Alda M S Santos
CAMADAS DE NÓS
Peles sobre peles, pelos sobre pelos,
O barro que esconde o brilho do ouro,
Ou do poder da garrafa de Aladim,
Os resíduos que recobrem a pedra não lapidada,
A poeira que se aloja na madeira de lei,
As lembranças que uma casa antiga carrega,
A química escura que gruda na prataria,
Os líquens que vivem nos troncos das árvores,
As camadas de tecidos que recobrem nossa pele
A fuligem que adere a todo ser vivente, ou não.
As camadas de emoções que escondem outras emoções…
São necessárias, são proteção, são autodefesa,
Uma vez retiradas, cuidadosamente, no tempo certo,
Tudo volta a brilhar….
Alda M S Santos
RAÍZES
As folhas podem cair
Os galhos se quebrar,
Flores rarearem,
Mas se as raízes forem fortes,
Cedo ou tarde os frutos aparecem…
E trazem de volta a alegria.
Alda M S Santos
DIA DE DOMINGO
Sol ou chuva, frio ou calor,
No tempo ou debaixo do cobertor…
Domingo é dia de tudo absorver, internalizar.
É dia de tudo distribuir, compartilhar…
É dia em que tudo é potencializado em nós: bom ou ruim.
O sorriso é mais alegre,
Ou a tristeza é mais atroz.
A energia para realizar é mais intensa,
Ou a preguiça existente aumenta.
A saudade dói mais,
Ou o desejo do reencontro satisfaz.
Os parceiros podem ser verdadeiros companheiros,
Ou a solidão ser a melhor companhia.
Dúvidas e ressentimentos podem tomar conta,
Ou deixamos o amor falar por si só.
Somos nós que escolhemos a vida que queremos, que merecemos,
E nela colocamos nossa fé, nossas ações,
Não só aos domingos, mas de segunda a segunda!
Alda M S Santos
TUDO BEM?
Oi, tudo bem?
Sim, e você?
Quanto sentimento há escondido nessa resposta?
Quanto interesse verdadeiro há nessa pergunta?
Pode-se estar exultante de alegria contagiosa.
Pode-se estar realmente bem, em paz, problemas corriqueiros, mas passageiros.
Pode-se estar triste, olhos rasos de lágrimas, querendo colo e o outro já partiu.
Pode-se estar carregando um mundo de dores atrás do sorriso, e o interlocutor dizer, “você está tão bem”!
Seria tão bom se quando perguntássemos “tudo bem?”, estivéssemos mesmo dispostos a ouvir.
Seria maravilhoso se pudéssemos ter alguém para nos acolher quando respondêssemos, “tudo bem”.
Mas melhor mesmo, seria ter alguém que nos olhasse, sem precisar perguntar nada, dizer:
Vem cá, você precisa de um abraço…
Alda M S Santos
INDO…
Indo…
Sem saber para onde, sem saber o porquê
Apenas aquela vontade louca de seguir
Sempre em frente, sem retornos ou marcha à ré
Indo…
Cabelos ao sabor do vento, música que embriaga,
E uma estrada que parece pouca
Para a distância que se quer percorrer
Indo…
Olhos à frente, mãos distraídas, óculos escuros
Que escondem as lágrimas claras que insistem
Em descer e se alojar no peito que sobe e desce…
Indo…
Sem saber o caminho, sem conhecer o destino
Sempre em frente, engolindo quilômetros e soluços,
Construindo a própria estrada, abrindo espaços,
Na certeza que chegará onde deveria estar
Desde sempre…
Indo…
Alda M S Santos
VIDAS EM 4D
Vida “normal” é aquela em que você
Vê, sente e vibra com o que se passa contigo:
Dor, alegria, ansiedade, tensão, medos, desejos…
Vida em 3D é aquela em que você vê e identifica
Mais profundamente o que o outro sente ou passa.
Vida em 4D é aquela em que você não só vê
O que se passa com o outro,
Você sente junto, chora junto, ri junto, vibra junto,
Como se estivesse “na pele” do outro, em sincronia com ele,
Podendo, ou não, interferir, agir e ajudar.
Um mundo de vidas em 4D seria mais sensível e amoroso,
Ou só traria mais problemas insolúveis para cada um de nós?
Eis a questão!
Alda M S Santos
CONVITES
A vida nos manda vários convites
E tantas vezes declinamos sem sequer abrir o envelope.
É porque muitos convites vêm disfarçados de cobranças
De contas a pagar, de ônus antigos, de previsões ruins.
Nossos olhos viciados enxergam apenas o lado negativo
Não se habituaram a ver além do feio envelope.
Quantas coisas boas já ocorreram naquele ônibus lotado
Que insistimos em reclamar e dele fugir?
Quantas delícias não já aconteceram em dias chuvosos
E nublados que “amaldiçoamos”?
Quantas vezes aquela tempestade não trouxe em suas águas
Aquele tesouro sujo de barro que mudou nossa trajetória?
Quantas vezes aquela pessoa briguenta que “odiávamos”
Nos trouxe a maior de nossas alegrias?
Quantas vezes o feio não acabou se tornando
O mais lindo e maravilhoso espetáculo de nossas vidas?
Vamos acordar, abrir os envelopes da vida,
E parar de jogar no time adversário.
Alda M S Santos
REPRESAS
Somos uma grande represa!
Vamos acumulando em nós tudo que recebemos
Coisas maravilhosas, coisas boas e coisas ruins.
Elas entram, mas precisam sair.
O bom, porque não é justo ficar só para nós,
O ruim, nocivo, não é aconselhável que se guarde.
Fazer essa seleção exige habilidade.
Toda represa precisa de um vertedouro!
Há pessoas que possuem excelentes vertedouros:
Lazer, fé, leitura, amigos, amores…
Retribuem o que recebem de bom,
Não sem antes guardar um pouquinho na alma.
Assim, aquilo que vem de ruim, quase nunca entra,
E, se entrar, encontra processadores à altura,
Que logo neutralizam o negativo
Ou o revertem para o ambiente.
Represas sem vertedouros, ou que falham quando precisam, podem romper,
E causar sérios danos!
Alda M S Santos
MÃOS QUE SE DÃO
Mãos: segunda parte do corpo a unir duas pessoas.
A primeira delas são os olhos.
Estes se encontram, se olham, se admiram, se atraem.
Logo as mãos se tocam.
Vejam uma criança que nos estende as mãozinhas, quanta pureza e entrega!
Dar-se as mãos é sinal de afeto, de confiança,
Dar-se as mãos transmite segurança, apoio, carinho,
Dar-se as mãos é prenúncio de amizade.
Tantas vezes é tudo que precisamos!
O calor que aquece devagarzinho, como num fogão à lenha…
Mãos que se tocam, comunicam-se entre si,
Conectam mentes, corações e almas.
Mãos que se dão e que permanecem dadas,
Ou se têm a intenção de assim ficarem,
São mãos que se amam, grudaram-se,
E se elas se amam, as almas já foram tocadas…
Alda M S Santos
MAR, RIO OU LAGO?
Pessoas mar, revoltas, sons inebriantes, agitadas, vão e vêm, marés que dão o incansável movimento da vida. Meio incertas do que querem, volúveis, sempre buscando algo novo.
Pessoas rio, água corrente, cercadas de “mata”, protegidas, metas definidas, seguindo em frente, a despeito dos obstáculos que surgirem. Incansáveis, buscam o que querem com persistência e sabedoria.
Pessoas lago, calmas, serenas, paradas, aparente ausência de vida, mas é nas profundezas de suas águas que a vida acontece. Encontraram o que queriam ou, tranquilas, esperam que chegue até elas o que precisam.
Podemos ser mar, rio ou lago em diferentes fases da vida, ou uma leve misturinha deles todos, mas nossa essência é de um só e devemos nos respeitar.
Todas, mar, rio ou lago, a seu modo, convidam ao mergulho.
Há nadadores para cada um deles, basta serem receptivos.
Alda M S Santos
NAMORADOS INSUBSTITUÍVEIS
Alguns dizem repetidamente a um certo alguém, algo que soa como ameaça: “você é minha vida, não vivo sem você”!
Outros, felizes, alardeiam o fato de serem insubstituíveis para alguém.
Somos seres únicos, nesse aspecto somos todos insubstituíveis.
Deixando de existir, fim por aqui!
Porém, elevar alguém a tal patamar em nossas vidas é algo complicado.
Querer ser insubstituível na vida de alguém, idem.
Ter alguém insubstituível, sem o qual não vivemos, é colocar na conta do outro dívidas que são nossas.
Ser insubstituível para alguém é carregar conosco o peso da vida do outro.
Devemos almejar ser insubstituíveis apenas para nós mesmos.
Se pudermos arcar com nossos ônus e bônus, sorrisos e lágrimas, vitórias e derrotas, teremos feito bastante.
E isso não é egoísmo,
É dar conta de algo que é só nosso e não deve ser delegado a outros:
Nossa vida!
Alda M S Santos
VIVO OU MORTO
Quem está mais perto da morte
Um semimorto ou um semivivo?
No semimorto supõe-se uma parte viva
No semivivo supõe-se uma parte morta
Ou a pergunta deveria ser
Quem ainda tem chances de sobrevida?
Depende do CTI que frequente,
Dos cuidados profissionais recebidos,
Das visitas especiais constantes,
Das motivações que receba em doses diárias,
Mas, principalmente, do desejo de viver,
E esse vem de dentro,
Quer seja no semivivo ou no semimorto.
Vivo ou morto?
Alda M S Santos
SABORES
Qual o sabor da vida?
Doce como chocolate quente,
Refrescante como bala de hortelã,
Amarga como jiló,
Picante como pimenta malagueta,
Embriagante como champagne,
Salgada como carne de sol,
Travante como a saudade,
Sem graça como sorriso amarelo,
Triste como um adeus,
Terna como um abraço,
Doce e quente como um beijo de amor?
Ela apresenta vários sabores no cardápio,
Nós escolhemos o nosso preferido.
Alda M S Santos
NO CORREDOR
Na janela, no centro, no corredor,
Assim nos acomodamos para curtir o voo.
Cada qual curte essa viagem de um modo.
Dependendo do que “recebe” do ambiente
Do que busca, da sua disposição em mudar de lugar,
Do que consegue captar do local que ocupa.
Uns querem “conquistar” tudo, curtir tudo, preferem a janela.
Outros estão sempre prontos para “sair” de qualquer situação, preferem o corredor.
Quem ocupa o meio, oscila,
Espicha os olhos para a janela, olha para o corredor, indeciso,
Mas curte o que consegue de onde está.
Vale lembrar que o destino de todos é o mesmo.
Independente de nossa posição nesse voo,
É preciso aproveitar a viagem
Antes do destino final.
Alda M S Santos
PERGUNTA INOCENTE OU PREVISÃO?
Voltando ao trabalho do qual me aposentei,
Uma ex-aluna, grudada em mim, perguntou: “por que você não fica mais com a gente”?
Outra mais que sabida: “ela aposentou, não sabe”?
Ela mesma respondeu: “você está doente, sempre no médico, né”?
Respondi: “eu me aposentei, sabe o que é aposentadoria”?
As pessoas se aposentam para descansar e fazer outras coisas, depois de terem trabalhado muitos anos.
Pus-me a refletir em quem estaria mais certo daqui a um tempo, minha aluna ou eu.
Aposentados no Brasil terão energia e saúde para fazerem outras coisas, ou viverão sempre “no médico”?
A inocência infantil é pura sabedoria!
Alda M S Santos
PROPÓSITOS
Pressupondo que tudo na vida tem um propósito
E que passaremos por tais situações,
Quer queiramos ou não
Melhor procurar identificá-los e vivê-las
Mesmo com toda nebulosidade aparente.
Fugir ou negar só irá protelar a dor, o sofrimento, a amargura
Ou a alegria, a satisfação, o prazer.
E isso só descobriremos, vivenciando.
Alda M S Santos
SOMBRIA
Como um dia sem sol, nublado e turvo
Em que muito pouco se vê à frente,
Nebulosidade externa e interna,
Às vezes, ficamos nós também:
Frios, carrancudos e nostálgicos.
Precisamos de abrigo, apoio, repouso, colo.
Mas, sempre, sempre, mais cedo ou mais tarde,
O Sol volta a brilhar,
Nova luz, intenso calor, nova vida.
E cada qual com seu encanto e magia.
Identificá-las e passar por elas sem grandes danos é sabedoria.
Alda M S Santos
CAIXINHA DE TESOUROS
Todos temos nossa caixinha de tesouros
Pode conter bichinhos, pedrinhas coloridas,
Bolinhas, figurinhas, bijuterias ou laços.
Cartinhas de amor, papéis de carta, rosas secas,
Fotos especiais, objetos secretos, diários…
Joias, dinheiro, objetos de valor…
Não importa!
Mas a caixinha mais importante está dentro de nós
Nela guardamos sentimentos especiais,
Declarados ou secretos, pessoas importantes,
Aquele sorriso de um, o abraço do outro,
A simpatia de sicrana, o encanto de beltrano,
Fulano inteiro…
Aberta ou fechada ela nos é especial!
Visitação constante e essencial!
Geradora de vida!
Alda M S Santos
OXIGÊNIO
Ficar nos espremendo num pequeno espaço,
Levantando a cabeça, fugindo do afogamento,
Buscando pequenas bolhas de ar para respirar
Não é viver, é evitar a morte.
Queremos, precisamos de oxigênio à vontade
Merecemos ar puro,
Respirar fundo e livremente,
Viver!
Alda M S Santos
TU, QUE ÉS PROFESSOR
Tu, que és professor, ensina-me a fugir dos holofotes, sem contudo, ficar na escuridão.
Tu, que és professor, ensina-me a brincar com a vida, sem contudo, desvalorizá-la.
Tu, que és professor, ensina-me a priorizar as lições, a me esforçar, a não desistir.
Tu, que és professor, mostra-me os caminhos, ajuda-me a dar o primeiro passo.
Tu, que és professor, pega na minha mão quando eu tiver muitas dificuldades.
Tu, que és professor, deixa-me caminhar, meio trôpego, às vezes, mas caminhe comigo um pouco!
Tu, que és professor, mostre-me a maravilha do novo, sem contudo, descartar o velho.
Tu, que és professor, mostre-me as janelas das possibilidades, ajuda-me a fechar as que não mais renovam o ar.
Tu, que és professor, ensina-me a usar minhas asas, e que voar não é só teoria.
Tu, que é professor, ensina-me a aceitar que retroceder pode ser uma boa estratégia, que chorar pode clarear caminhos.
Tu, que és professor, ensina-me que problema que se resolve junto, a solução é mais rápida e mais confiável.
Tu, que és professor, ensina-me a ter amigos, parceiros, mas a valorizar sempre minha própria companhia.
Tu, que és professor, ensina-me a sonhar, encoraja-me a realizar.
Tu, que és professor, ensina-me a aceitar o amor em todas as suas vestes, sem contudo, torná-lo démodé.
Tu, que és professor, ensina-me a ser independente de você, sem contudo, deixar de amá-lo.
Tu, que és professor, sendo grande, aprenda suas próprias lições.
Alda M S Santos
ESTAÇÕES
Nascemos Primavera, flores, beleza, encanto, projetos, sonhos, árvores a plantar,
Crescemos Verão, sol, calor, energia, diversão, frutos a colher, realizações,
Amadurecemos Outono, perdas, danos, reconstrução, seletividade, recomeços,
Envelhecemos Inverno, sabedoria, tranquilidade, paz, serenidade, resignação, calmaria…
Não há como escapar das estações de nossas vidas.
É preciso aproveitar!
Nada impede que possamos curtir os veranicos em pleno outono ou inverno.
Nossa estação “interna” apenas nossa alma pode determinar…
Alda M S Santos
E A NATUREZA CHORA…
Quando a Natureza parece chorar,
Mergulhada num cinza profundo,
Fria, molhada, ventania, silêncio, outono,
Convida-nos à reflexão, ao recolhimento…
Mostra-nos que em toda estação há beleza,
Incita-nos a aproveitar as possibilidades de cada uma,
Acreditar que há um círculo girando, sempre
Escolhemos o que levar, o que deixar,
E que tudo passa, bom ou ruim,
Basta saber esperar!
Alda M S Santos
BANHO
Quero um banho profundo e demorado
De banheira, chuveiro, rio, mar, lago ou cachoeira.
Mas quero um banho que me lave por dentro
Que saiba o que levar e o que deixar
Que saiba o que renovar, hidratar, dar brilho
E deixar um delicioso perfume de gente boa
E de vida nova…
Alda M S Santos
PASSAGEM COMPRADA
Viemos para esse mundo com a passagem de volta comprada.
Falta apenas o carimbo com a data de retorno.
E quando acontecerá nós não sabemos.
Podemos fazer inúmeras viagens por aqui antes dela,
E acompanhados!
Muitas são as possibilidades!
Concentrar-nos na derradeira viagem impede que aproveitemos o passeio.
Ela chegará, quer a gente queira, quer não.
E nela iremos sozinhos!
Podemos escolher aproveitar bem todas elas.
Alguma delas pode ser nosso retorno, de avião, de trem, a pé…
E iremos felizes de volta para casa!
Alda M S Santos
ESPERANÇA
Esperança: motiva ou paralisa?
Instiga, encoraja, estimula, impele
Ou abate, esmorece, deprime, limita?
Dizem que é a última que morre.
Esgotadas as possibilidades, ela morre?
Ou quando morre, mata também as possibilidades?
Tudo vai depender dos aliados que a esperança amealha.
Ela sozinha é paralisante, único foco, coloca viseiras
Nada mais permite que se veja ou faça.
Mas se ela se une à força, à determinação,
A uma razão equilibrada com o coração,
Tem muitas chances de ser estimulante,
E levar à conquista do objetivo.
Esperança é inerente aos seres humanos de qualquer idade.
Uma pessoa sem esperanças é uma pessoa sem sonhos…
Uma pessoa sem sonhos…
É uma pessoa sem vida!
Alda M S Santos
RETOQUES
São inúmeros os retoques
Correções, aperfeiçoamentos, acabamentos,
Reforços ou disfarces do original
Entre tantos belos retoques
Opto pelos toques sem retoques.
Opto pela originalidade,
Essência pura!
Alda M S Santos
MILHAGEM
Dúvida: Onde troco minhas milhas de vida?
Existe um programa de milhagem que posso resgatar?
É que já tenho algumas acumuladas e não sei quando expiram.
Posso escolher destino, data, companhias?
Se não for pedir demais, pode ser só de ida?
Alda M S Santos
PASSAGEIRA
Nossa vida pode muitas vezes ser
Tal qual fogo de palha, tempestade de areia,
Chuva de verão, a luz de um raio,
O barulho de um trovão, as ondas do mar,
Um trem bala ou um avião a jato.
São rápidos, passageiros,
Mas sempre deixam seus rastros.
Gravam suas marcas indeléveis,
Nos outros, em nós mesmos.
Alda M S Santos
SEJA!
Seja semente, seja raiz,
Seja tronco, seja galhos
Seja flor, seja fruto…
Seja a água que hidrata,
Seja o sol que aquece,
Seja a seiva que tudo alimenta,
Mas faça parte!
Alda M S Santos
DESABROCHAR
Tempo de aquecer e umedecer o solo para a semente germinar
Tempo de crescer, desenvolver, fortalecer
Tempo de floração, beleza e encanto,
Tempo de frutificar e alimentar a todos,
Novas sementes surgem,
E o ciclo recomeça…
Assim é nossa vida!
Algumas áreas estamos em semente, outras em flor, em frutos…
E há os períodos de repouso para nova germinação.
É preciso saber esperar e respeitar essa natureza que temos em nós.
Alda M S Santos
RECEITA
Todos chegamos aqui com o mesmo propósito
Com o mesmo pedido: fazer um bolo e distribuí-lo
Porém, as receitas são variáveis, ingredientes, idem.
Nem todos têm a manteiga, ou o açúcar é escasso.
Outros não gostam de ovos ou o leite azedou…
A farinha é grossa, o fermento está vencido.
Alguns nem gostam de bolo,
Outros não gostam de distribuí-lo.
Num mundo onde há tantos famintos,
Há aqueles que, sabiamente, substituem ingredientes,
Enquanto há também quem desperdice o que possui.
E, mesmo possuindo todos eles, I
O modo de fazer será determinante para essa receita
Chamada VIDA crescer e satisfazer a todos.
Bom apetite!
Alda M S Santos
FANTASMAS
Fantasmas…
Não há portas, fechaduras ou trancas
Guardas, sentinelas ou vigilantes
Que os mantenha do lado de fora,
Quando “queremos” mantê-los do lado de dentro
Criando-os como bichos de estimação…
Fantasmas…
Talvez uma vigília interna, ou um auxílio externo
Tornem o ambiente impróprio para eles.
Quem sabe se a abertura de uma janela
Mostre a eles o encanto do lado de fora,
E não queiram mais morar dentro da gente?
Alda M S Santos.
PERDIDO
Se há muito busca encontrar-se
Refazer-se, tornar-se de novo inteiro
E de tantas partes
Encontrou apenas algumas
Busque-se em sua última morada
Junto à escova de dente, perfume, roupas íntimas
E alguns utensílios dispensáveis esquecidos,
Pode ter deixado algo mais valioso
Que reconstitua seu quebra-cabeça particular.
Se lá houver mais partes que cá,
Mude-se de vez para lá.
Alda M S Santos
TARDE DEMAIS?
Cedo ou tarde,
Quem pode determinar
Além da vontade e da fé
De tudo realizar?
Cedo ou tarde,
Quem pode determinar
Além de uma alma lutadora
Que enxerga o amor em tudo?
Cedo ou tarde,
Quem pode determinar
Além do próprio desejo
De fazer acontecer?
Tarde demais?
Quem pode dizer além de você?
Alda M S Santos
NÃO HÁ GARANTIAS
Que a fé não arrefeça
Que o mal desapareça
Que a esperança não desfaleça
Que o amor prevaleça
Não há garantias!
Mas que a vida sempre aconteça,
E a gente se fortaleça!
Alda M S Santos
ABORTO: EM DEFESA DA VIDA.
Em pauta a descriminalização do aborto.
Duas correntes se formam e afirmam: defendem a vida.
Uma delas defende o direito à vida de um ser em formação.
A outra defende uma vida em curso, levanta o direito de escolha da mulher no que tange a seu próprio corpo.
Ambas são vidas e, em graus diferentes, indefesas.
Uma das questões que a corrente pró-aborto coloca é que, com a lei em vigor, o aborto não é evitado, vidas não são protegidas. Ele é apenas feito de maneira clandestina, o que tem ceifado muitas vidas de mães cada vez mais jovens e onerado os cofres dos serviços públicos de saúde.
Outra questão alegada é que, ao proteger a vida do feto, considerada pseudo-vida nessa corrente, não se protege e não se respeita a vida da mulher e seu direito de decidir o que fazer com seu próprio corpo.
A outra corrente, contra o aborto, defende que é desumano e cruel, um assassinato de inocentes, retirar uma vida que ainda não pode falar por si.
Nessa mesma corrente, questões religiosas são colocadas, onde toda vida humana é válida e não cabendo a outro ser humano decidir se ela vingará, ou não.
Um ponto bastante debatido e controverso entre ambos é quando se inicia a vida.
E, nisso, não há concordância. Os pró-aborto menos radicais afirmam que não há vida antes do feto estar totalmente pronto, aos 90 dias de gestação. Antes disso, chamam de um aglomerado de células.
A corrente que quer manter a criminalização do aborto considera que há vida após o momento da concepção, ou seja, quando óvulo e espermatozoide se fixam no útero e a gravidez se inicia.
Independente de quando se inicia um novo ser, ainda há aqueles que defendem o direito da mulher de retirar aquela vida em crescimento dentro de si em qualquer época.
Não há como não pensar essa questão sob um viés religioso. Nós, seres humanos, produzimos apenas o corpo físico de um novo ser, no qual o corpo da mulher é apenas o receptáculo.
Mas todos nós possuímos uma alma, um espírito, e esses vêm do Alto. Nenhum de nós tem o direito de interceptar o que vem de Deus!
Quem não quer gerar uma vida deve evitá-la, não jogá-la fora depois de pronta. As marcas que ficam numa mulher que aborta são indeléveis.
Outro ponto importante é que, quando se fala em aborto, deve-se referir ao casal que aborta, não apenas à mulher. O pai é tão responsável por aquela vida quanto a mãe. Muitas são “levadas” ao aborto pelo abandono sofrido.
Quando a criança nascer, se realmente a mãe ou o casal não tiverem condições de criá-la, a mesma é colocada para adoção. Há muitos pais sem filhos nas filas para adoção.
Se a questão é respeitar a mulher, sua vida, suas escolhas, que se invista em educação de qualidade, educação sexual de meninos e meninas.
A descriminalização do aborto, com a educação sexual que possuímos, pode vir a fazer da interrupção da vida um método contraceptivo.
É um caminho muito mais longo e trabalhoso, mas é um caminho que não banaliza a vida, nem das mães, nem dos bebês inocentes.
Alda M S Santos
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FASES: JOGANDO
Somos feitos de fases. Todos nós. Como num jogo.
A cada uma delas que é vencida, outra logo se segue.
Como nos jogos eletrônicos, nos viciantes vídeo games.
E ela não quer saber se estamos preparados ou não.
Vem com tudo, novas dificuldades e provações
Que exigirão habilidades já desenvolvidas,
E também muitas outras a desenvolver.
Não há sequer tempo de comemorar a fase anterior superada.
A seguinte se impõe logo como dona da vez.
Se não ficarmos atentos, é morte súbita, game over.
Sem dó ou piedade!
E mesmo com tantos viciados nos vídeo games
Nem mesmo eles estão preparados para o jogo da vida.
Ela não permite pausar o jogo.
O jogador pode até estagnar, mas o jogo continua à sua revelia.
Aliás, enquanto jogam viciantemente, outro jogo segue em paralela.
O jogo de suas próprias vidas.
Alda M S Santos
APRENDENDO A AMAR
Nós, humanos, nascemos com grandes potenciais.
Todos precisam ser desenvolvidos:
Alimentar, falar, andar, ler, escrever…
Aprendemos também a amar.
Cercamo-nos de pessoas que nos ensinam
A falar, a andar, a ler, a escrever, a nos alimentar.
Aprendemos tudo isso na prática diária.
Com o amor não é diferente,
Aprendemos a amar, sendo amados,
Aprendemos a amar, amando cada dia um pouco mais.
Descobrimos que o amor é antídoto para muitos males,
Que em qualquer “luta”, ele é o vencedor,
Que tem aliados importantes, que cativa outros bons sentimentos,
Se a lição for mesmo bem aprendida,
Sabemos que ele nunca é um mal, é voluntário, gratuito, nunca imposto.
As pessoas que mais sofrem e fazem sofrer nesse mundo têm carência dessa preciosa lição,
Não receberam amor o suficiente, não aprenderam o suficiente.
Seu aprendizado começa bem cedo, antes mesmo do nascimento,
No ventre de nossas mães já estamos praticando.
E nunca, nunca acaba!
Nesse círculo vamos girando, amando sempre,
Ensinando e aprendendo, enquanto houver vida!
Alda M S Santos
MELANCOLIA
Melancólicos ficamos quando percebemos que a vida, por vezes,
É muito cordão para pouca pérola…
Escolhe daqui, procura dali,
Muitas pérolas falsas, pouquíssimas verdadeiras.
Pérolas à venda, pérolas dos outros,
Fica difícil montar um colar.
Ainda assim, cuidemos de nosso cordão e das pérolas que possuímos.
Mesmo que demore, outras virão.
Sua raridade é que as faz tão valiosas…
Tão especiais!
Alda M S Santos
SOMOS RESPONSÁVEIS!
Tinha um homem no meio do caminho
Não um caminho especial,
Ou bonito, arborizado, gramado ou fresquinho
Piso de cimento quente, sob o sol, atrás de veículos,
À vista de todos
Sem ser realmente visto por ninguém!
Não era um ser humano, um alguém
Era um homem qualquer
Jogado num caminho qualquer,
Abandonado por outros seres humanos(?) quaisquer,
Somos responsáveis!
Alda M S Santos
NOSSO LUGAR
Num jardim, como deveria ser, havia várias flores, todas lindas!
Numa parte reservada, algumas rosas recebiam água, nutrientes e eram protegidas das intempéries, de visitantes e invasores.
Eram perfeitas, poucas, lindas, mas qualquer vento as destruía.
Outras, mais à mostra, também eram cuidadas, podadas, adubadas, mas não se misturavam.
Só ficavam entre suas iguais. Enfeitavam parte do jardim e tinham seus admiradores.
Havia ainda outras que recebiam menos cuidados, estavam mais pro centro do jardim, enfrentavam o sol escaldante, a chuva, visitantes e algumas “pragas”.
Todos podiam tocá-las, sentir seu perfume, admirar sua forma e cores.
Qualquer observador poderia ver que essas eram flores fortes, meio selvagens, que além de belas, cresciam e se alastravam.
Conosco também é assim.
Quem muito se preserva, fica lindo, perfeitinho, mas, escondidos, falta-lhes algo, perde o melhor da festa.
Não se misturar mantém a pureza, mas perde-se a possibilidade de crescimento com os demais.
Quem está no meio da “bagunça”, no centro do canteiro, interage, perde folhas, flores, se espeta, espeta os outros, sofre nas tempestades, mas vive tudo de melhor que o jardim oferece.
Cada qual escolhe o lugar que melhor se adapta nesse jardim.
Alda M S Santos
SOBRE O AMOR
O amor é o sentimento mais complexo que existe.
Tanto que muitos não escolheriam vivê-lo, se pudessem.
Ele carrega consigo a carga da perfeição. E isso é muito difícil de lidar.
Além do mais, há vários tipos, intensidades, além da necessidade de aliados para se manter.
Outros são bem mais fáceis.
Ódio é ódio e pronto! Feio, mas “puro”! Sem misturas. Não há tipos de ódio. Apenas um, e mortal.
Amizade é amizade, linda, leve, plural, recíproca, verdadeira. Não exige nada. Quanto mais, melhor.
O amor tem vários tipos e é exigente.
Há amor declarado, possessivo, amor secreto, amor platônico, amor duplo, egoísta.
Pode ficar letárgico uma vida inteira, esperando um sopro de vida para acordar. Pode ser assassinado pelo descuido.
Amor exige reciprocidade, exige fidelidade, exige beleza, sensualidade, confiança, respeito, presença constante.
Amizade pode ser muitas ao mesmo tempo, o amigo pode ser feio, rabugento, desde que te faça sorrir, fica lindo.
O amor exige atenção direta, que desperte paz de espírito e solte borboletas no estômago.
Exige que tenhamos gostos parecidos, romantismo, que caminhemos pro mesmo lado, que coloquemos o outro como prioridade e que nossos olhos tenham apreciação única.
Confunde a mente, aperta o coração, deixa a alma vazia, se não correspondido.
Tão imperfeito, porque vive dentro de seres imperfeitos!
Enquanto quisermos sua perfeição, sofreremos.
Essa é nossa falha!
Apesar disso, é lindo e poderoso.
Frágil e delicado como uma borboleta, insistente e barulhento como um grilo, forte e feroz como um leão.
Pode estar à mão ou distante do nosso toque.
Uma vez sentido, nunca mais iremos querer dele abrir mão.
Uma vida sem amor é uma vida sem cor e sem brilho.
Alda M S Santos
LOUCURAS?
Quero ser um caracol, fechar-me dentro de mim mesma
Sair apenas quando a luz de fora entrar
Ou a de dentro conseguir iluminar tudo lá fora
Quero brincar de esconde-esconde
Encontrar um esconderijo bem original
E lá ficar até ser encontrada por alguém com a mesma ideia.
Quero inspirar fundo, bem fundo, sufocar-me em coisas boas
E expirar, jogando fora tudo que faz mal
Quero correr, correr muito, sem direção, até esgotar todas as forças e não sentir mais nada.
Quero ser uma bolha de sabão, subir, subir nas árvores, nas nuvens, encantar e desaparecer.
Quero mergulhar, sem máscaras ou snookers, sentir tudo, descobrir tudo
Afogar-me, se preciso for, e renascer.
Loucuras?
Às vezes são necessárias para se manter a sanidade.
Alda M S Santos
LIBERDADE
Busco a liberdade que almejo
Esse bem raro e precioso
Na simplicidade que me cerca
Deitar numa rede ou numa relva
Olhar para o céu e deixar-me levar
Soltar a mente, permiti-la voar junto àquele gavião
Viajar nos versos ternos de um poema
Ou na história triste de uma prosa.
Janelas do carro abertas, música invadindo tudo, vento nos cabelos
Pisar fundo e sentir que poderia voar pra bem longe, sem destino
Correr, dançar, soltar tudo que puder e quiser no papel
Embrenhar-me numa mata, respirar fundo, cheiro de mato
Cor de mato, sons do mato, encanto do mato…
Banhar-me lentamente num rio caudaloso, numa cachoeira, ou num chuveiro quentinho
Meus pensamentos e eu…
Encostar a cabeça nos joelhos, fechar os olhos e sonhar…
Nosso maior ato de liberdade permitido.
Que ninguém jamais poderá nos tirar…
Alda M S Santos
TERRAS FÉRTEIS
Sempre acreditamos que devemos plantar em terra boa,
Sempre nos ensinaram que só colheremos frutos se a terra for fértil,
Porém, pode haver secura e rigidez à princípio,
É preciso disposição e coragem para investir.
Mas, depois de plantar, vamos cuidando…
Com água, húmus, adubo,
Sol, amor e carinho,
Porque mesmo em meio a toda aridez,
Pode haver vida!
Brotar vida,
E vida bela…
Para quem mantém o coração e os olhos abertos…
Alda M S Santos
BACKUP DE NÓS
Assistindo ao filme “Diário de uma Paixão”
Reflito sobre a fragilidade de nossa existência.
Independente do tempo que vivemos por aqui,
Todos acumulamos muitos dados, muitas memórias.
Possuímos um disco rígido muito potente: o cérebro.
Assim como os computadores com seus HDs.
Como eles, também somos uma “máquina”.
Com o tempo, também podemos apresentar defeitos, avarias.
O HD pode não abrir, não permitir acesso, travar, deletar alguns dados, ou apagar de vez.
Todo especialista da informática aconselha: manter vários backups atualizados.
O mesmo vale para o nosso HD central.
E o fazemos sem perceber de um modo muito especial.
Em cada pessoa que convivemos vamos deixando arquivos
“Salvamos” nelas um pouco de nós: pais, filhos, cônjuge,
Amigos, amores, colegas, vizinhos, até em nossos desafetos
Em todos eles fazemos um pequeno backup de nós
Se um dia nosso HD vier a falhar podemos ser neles “restaurados”
Se ele se apagar de vez, nossa história estará registrada
Em todos aqueles que amamos, que nos amaram.
Devemos cuidar para fazer backups primorosos.
Voltando ao filme: vale a pena assistir.
Uma linda história de amor e backups!
Alda M S Santos