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poemas e reflexões da vida cotidiana

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solidariedade

Espinhos

ESPINHOS

Nada atraente, puro espinho

Porco-espinho

Se chegar perto, machuca

Humanos-espinho

Que não se aproximam, que repelem

Ferem a si mesmos, ferem ao outro

Porcos ou animais, independe!

Sempre há um jeito de se aproximar

Sempre é possível ajudar

Um ponto acessível sempre há

Para quem tem sensibilidade,

A vida agradece!  

Alda M S Santos

Foto de Deva Daya

Registros

REGISTROS 

92 anos e dando uma lição: 

“O que mais vale nessa vida é fazer amigos, 

Nossos irmãos perante o mesmo Pai, que está no céu,

Aquele que cuida de todos nós” 

A memória já falhando, muitos beijinhos e carinhos

Registrou meu nome no livrinho que carrega

Com capricho na letra e doçura no olhar.

Eu a registrei em meu coração: Arlette.

Lição reafirmada: amigos são especiais na vida da gente.

Alda M S Santos

Reflexões

REFLEXÕES

Reflexões: a base de nossa essência que nos torna racionais. 

Aquilo que nos faz humanos.

Será?

Basta refletir e raciocinar para sermos espécie humana?

Acredito que a essência humana passa pelas emoções.

Pela capacidade de sentir e expressar sentimentos. 

Pela alteridade, pela capacidade de nos colocarmos no lugar do outro.

Pelo desejo verdadeiro de ajudar, de fazer parte, de sentir-se parte do outro. 

Pela vontade de levar respostas onde a dúvida paira. 

Pela ânsia quase incontrolável de levar ao menos um abraço onde há dor, seja ela qual for.

Pela necessidade quase física de levar amor, onde a indiferença tenta tomar conta. 

Refletir qualquer um pode.

Emocionar-se, importar-se só um verdadeiro homem ou mulher são capazes!

Alda M S Santos

Não é!

NÃO É!
Não é desejo de ser grande

Tampouco vontade de aparecer

Ou ser mais que qualquer pessoa.

É saber que quando nos doamos

Seja em carinho, amor, tempo,

Sempre sobra algo para nós mesmos.

É apenas o desejo de ser bem melhor

Que fomos ontem, mas ainda menos

Do que podemos e queremos ser amanhã.

A vida da humanidade como um todo

Pode ser melhor, se cada um de nós for melhor,

Um pouquinho a cada dia…

Alda M S Santos

#carinhologos

Tudo bem?

TUDO BEM? 

Oi, tudo bem? 

Sim, e você?

Quanto sentimento há escondido nessa resposta? 

Quanto interesse verdadeiro há nessa pergunta? 

Pode-se estar exultante de alegria contagiosa.

Pode-se estar realmente bem, em paz, problemas corriqueiros, mas passageiros.

Pode-se estar triste, olhos rasos de lágrimas, querendo colo e o outro já partiu.

Pode-se estar carregando um mundo de dores atrás do sorriso, e o interlocutor dizer, “você está tão bem”! 

Seria tão bom se quando perguntássemos “tudo bem?”, estivéssemos mesmo dispostos a ouvir.

Seria maravilhoso se pudéssemos ter alguém para nos acolher quando respondêssemos, “tudo bem”. 

Mas melhor mesmo, seria ter alguém que nos olhasse, sem precisar perguntar nada, dizer:

Vem cá, você precisa de um abraço… 

Alda M S Santos

Coisas Miúdas

 COISAS MIÚDAS
Enquanto se espera pelas grandezas
E busca-se algo imperioso, arrebatador,

Ofusca-se a visão, perde-se o foco,

E não se percebe que de miudeza em miudeza

Se constrói, ou se destrói, um grande amor…

Alda M S Santos

Vidas em 4D

VIDAS EM 4D

Vida “normal” é aquela em que você

Vê, sente e vibra com o que se passa contigo:

Dor, alegria, ansiedade, tensão, medos, desejos…

Vida em 3D é aquela em que você vê e identifica

Mais profundamente o que o outro sente ou passa.

Vida em 4D é aquela em que você não só vê 

O que se passa com o outro,

Você sente junto, chora junto, ri junto, vibra junto,

Como se estivesse “na pele” do outro, em sincronia com ele,

Podendo, ou não, interferir, agir e ajudar.

Um mundo de vidas em 4D seria mais sensível e amoroso,

Ou só traria mais problemas insolúveis para cada um de nós?

Eis a questão! 

Alda M S Santos

Anestesiados 

ANESTESIADOS

Estamos todos insensíveis,

Ou a sensibilidade mudou de cara?

Estamos todos inertes,

Ou nosso movimento é que é parado mesmo?

Estamos todos anestesiados por medo da dor,

Ou é pura covardia mesmo?

Estamos todos imunes à dor e sofrimento do outro,

Ou apenas estamos usando de autodefesa?

Seja como for, insensibilidade, inércia, imunização não são infalíveis!

Podem apenas mascarar um problema que cresce a despeito da analgesia.

Quando passar, chegará o momento da dor…

Quem estará preparado?

Alda M S Santos

Quando é amor

QUANDO É AMOR

Quando é amor, qualquer um nota.

Não precisa dizer “eu te amo” com palavras.

Quando é amor, os olhos brilham e falam,

Quando é amor, o sorriso se abre e “grita”,

Quando é amor, está escrito na testa,

Quando é amor, está desenhado no rosto caipira ou de palhaço,

Ou de ambos, ou de nenhum desses, 

Mas em qualquer cara de “bobo” que se apresente.

Quando é amor, todo o corpo diz, da cabeça aos pés.

Quando é amor, reflete, bate e volta feito bumerangue, 

E enche todos os seres da mais pura alegria!

Quando é amor, tudo vale a pena, ou melhor, o tinteiro todo! 

Alda M S Santos

#carinhologos

Rir ou chorar?

RIR OU CHORAR?

Qual a melhor canção, a que faz rir ou chorar?

Qual o melhor livro ou poema, o que faz rir ou chorar?

Qual o maior e mais sincero amigo, o que faz rir ou chorar?

Qual o maior e mais verdadeiro amor, o que faz rir ou chorar?

Sorriso e lágrimas são expressões de fortes emoções.

Se a emoção despertada for boa, não importa

Se é demonstrada por sorrisos ou lágrimas!

O que não vale são emoções mais ou menos

De sorrisos amarelos e lágrimas de crocodilo.

Viver é uma emoção forte e maravilhosa!

Ria, chore, mas viva!

Alda M S Santos

#carinhologos

De onde vem?

DE ONDE VEM?

De onde vem o sorriso que te ilumina o rosto?

De onde vêm as lágrimas que te fazem mais humano?

De onde vem a força que brota do seu interior?

De onde vem a fragilidade que te imobiliza e te engrandece?

De onde vem a necessidade não identificada?

De onde vem a capacidade de renovação?

De onde vem a fé em coisas impossíveis?

De onde vem a esperança em dias melhores?

De onde vêm tantos sonhos?

De onde vem a vontade de realizar cada um deles?

De onde vem?

Descubra, vá pra lá, grude e não largue nunca mais!

Alda M S Santos

#carinhologos

Toque de amor

TOQUE DE AMOR

Amor verdadeiro, amor real, 

Amor presença, amor presente

Amor além de qualquer sonho, amor que se doa…

Amor de pertinho, amor que se pega

Nos braços, nos laços, nos enlaces.

Amor de abraços, de beijos, de carinhos, de sensações.

Amor de trocas, de afetos, amor gratuito.

Amor de força, de fragilidade, de entendimento, 

Amor colo, que dá, que recebe. 

Amor segurança, amor de olhares, de palavras,

Amor de histórias partilhadas, amor de segredos. 

Amor que não se explica, amor que se sente.

Amor que toca:

O corpo, o coração, a alma.

Amor que se toca, 

E sabe que amor mesmo se mantém e se renova

Na presença, em cada gesto,

Em cada toque de amor. 

Alda M S Santos 

#carinhologos

AMOR SEMPRE CONVÉM!

“Há muito tempo eu não dançava.

Você alegrou o meu dia!

Só seria melhor se eu enxergasse…

Muito obrigada, palhacinha”!

Não importa de onde vem

Se é amor, sempre convém!

Não há nada que pague ou apague.

Nada que substitua, nada!

Alda M S Santos

#carinhologos

Se eu nascesse de novo

SE EU NASCESSE DE NOVO

Se eu nascesse de novo, o que gostaria que fosse diferente?
Talvez não ter nascido no Brasil, terceiro mundo, corrupção…

Ter a beleza da Penélope Cruz, a fama da Júlia Roberts?

Ser a amada do Antônio Banderas ou casada com Denzel Washington?

Ser dona da fortuna do Bill Gates?

Loucuras à parte, conformo-me com meu tipo físico, minha “pobreza”,

Meu país, meu anonimato, minha profissão, minha família, minha vida…

Mas eu bem que poderia nascer com desejo menor de me envolver nas coisas alheias!

Se fosse difícil, que eu pudesse mesmo ter a capacidade de ajudá-las, não atrapalhar a elas ou a mim mesma.

Na impossibilidade, que eu ao menos não me importasse ou me frustrasse tanto.

Ou, ao contrário, que me importasse tanto, tanto para me tornar uma Madre Teresa de Calcutá!

Já que nada disso é possível, um pouquinho de (in)sanidade agora não me faria mal.

Alda M S Santos

Receita

RECEITA

Todos chegamos aqui com o mesmo propósito

Com o mesmo pedido: fazer um bolo e distribuí-lo

Porém, as receitas são variáveis, ingredientes, idem.

Nem todos têm a manteiga, ou o açúcar é escasso.

Outros não gostam de ovos ou o leite azedou…

A farinha é grossa, o fermento está vencido.

Alguns nem gostam de bolo,

Outros não gostam de distribuí-lo.

Num mundo onde há tantos famintos,

Há aqueles que, sabiamente, substituem ingredientes,

Enquanto há também quem desperdice o que possui.

E, mesmo possuindo todos eles, I 

O modo de fazer será determinante para essa receita

Chamada VIDA crescer e satisfazer a todos.

Bom apetite!

Alda M S Santos

Valor

VALOR

Nossa vida passa a ter

Muito mais valor

Quando o sorriso dos outros

Depende dela.
Alda M S Santos

Ovos de Páscoa

OVOS DE PÁSCOA

Dentro da sacola enorme, uma caixa grande

Dentro da caixa, água com açafrão, chá e vinagre,

Mergulhados na água, cascas inteiras de ovos, sem o conteúdo.

Depois de andar 2km, com muito cuidado,

Tudo isso do colo pro chão no metrô lotado.

Ao final, serão ovos coloridos recheados de brigadeiro.

Uma pequena “arte” para alegrar a Páscoa no Lar dos Idosos.

Se interceptada, pode ser acusada de “bruxaria” ou terrorismo…

Imaginar a alegria deles vale qualquer “esforço”.

Alda M S Santos

Apenas um pouquinho de afeto

APENAS UM POUQUINHO DE AFETO
Repetidas vezes pergunta meu nome completo. Eu respondo. E recita o seu.
Sento-me ao seu lado, seguro suas mãos, faço carinho.
E completa: “Nascida a 22 de março de 1922. Tenho 90 e muitos anos.”
“Você sabe quem descobriu o Brasil? Pedro Álvares Cabral em 22 de abril de 1500.”
“Tem que decorar, senão a professora briga e a mãe bate.”
“Cadê o banheiro? Não posso fazer xixi na calçola. Você me leva?”
“Que dia é hoje? Ah! Amanhã é domingo, dia de Jesus! Gosto de Jesus, nascido em Belém da Judéia, crescido e criado em Nazaré, por isso era chamado de Jesus Nazareno.”
“Aprendi na escola dominical. Ah, domingo é quando meus filhos vêm me ver.”
“Faz muito tempo que não aparecem. Que dia é hoje? A gente não pode obrigar, né?”
“Você é baiana? Chapéu de Maria Bonita. Parece baiana. Eu sou baiana, mas me trouxeram para cá. Mãos macias, eu gosto das suas mãos.”
“Meu marido voltou para lá. Será que levou meus filhos embora também?”
“Você tem mãe? Eu tinha! E tem filhos? Traz seus filhos aqui.”
“Vamos cantar música de louvor? Eu gosto, senão fico brava.”
E ela fala sem parar com poucas interferências minhas, exceto o carinho.
Cantamos Maria de Nazaré. Voz forte. Diz que cantou no coral da igreja. Sabe a música de cabo a rabo.
Levanto-me, sento ao lado de um senhor e começo a conversar com ele.
“Senta aqui! Você estava aqui! Fica perto de mim.”
Ao que ele responde: “Baiana, ela agora é minha, tem que dividir!”
Ela se cala e fica emburrada. Jogo beijos. Faz beicinho.
Deixo uma mão com ele, levanto, vou lá e a aperto.
São crianças brigando por um pouquinho de afeto.
Apenas um pouquinho de amor…
Alda M S Santos

Doações, pra quê?

DOAÇÕES, PRA QUÊ?
Têm me causado muita angústia certas situações.
Basta dar uma navegada na internet, conversar com amigos, andar por aí…
Mal fiz uma divulgação de pedido de doações para idosos dos asilos, vejo uma notícia de que o Hospital Maternidade Sofia Feldman, público, que atende a milhares de gestantes carentes, está dependendo de doações para não fechar as portas.
E esta é apenas mais uma. Há inúmeros pedidos de doações para as mais variadas coisas: centros de narcóticos e alcoólicos anônimos, creches, asilos, hospitais, famílias sem teto, desamparadas, deficientes, aidéticos, doenças graves, suplementos alimentares, entre outras.
Mais uma “navegada” e a gente vê golpes, desvios de dinheiro, transações ilícitas, “laranjas” e o escambau!
Das duas uma: ou eu ando muito sensível ou esse mundo passou da hora de ser passado a limpo. Penso que as duas coisas.
Dá uma sensação de impotência perceber que por mais que se faça, esse buraco é sem fundo, o fosso não para de crescer.
Todos sabemos que com a quantidade de impostos que pagamos, se eles fossem bem administrados, não desviados, não haveria tanta necessidade de doações.
Por mais que a gente possa ajudar, financeiramente, trabalho voluntário, carinho, afeto, tempo, sempre parece ter mais e mais pessoas precisando.
O risco que se corre é que os corações se endureçam e ninguém se importe mais, não queira mais ajudar ou participar, ou sequer tenha condições de fazê-lo.
A história nos mostra que sempre houve necessidade de compaixão, de solidariedade, de caridade.
O que aumentou de forma gritante foi a corrupção, a safadeza, a hipocrisia e maldade de nossos governantes.
Nosso país possui recursos naturais, financeiros e humanos para ser uma nação de primeiro mundo.
Nosso maior problema são os desumanos que o administram e os humanos que os aceitam, por falta de consciência ou comodismo.
Precisamos atacar essas duas frentes, ou estaremos sempre “chovendo no molhado” e aumentando esse fosso.
Alda M S Santos

Dores na simplicidade e no luxo

 DORES NA SIMPLICIDADE E NO LUXO

Numa semana, num lar de idosos de classe baixa, na outra, num núcleo luxuoso para a maturidade.

Ambos com idosos colocados ali para serem cuidados, tratados, terem sua dignidade preservada.

Espaços limpos, pequenos e simples de um, destoam dos espaços amplos, muito bem decorados e bem aproveitados de outro.

Idosos em seus melhores trajes para receberem as visitas.

Um banho e roupas simples e ausência de acessórios de um, roupas e calçados finos, colares, brincos, maquiagem, chapéus, penteados, cabelos bem pintados e unhas bem feitas do outro.

No primeiro, poucas atividades além da rotina diária: refeições, banho, TV, pátio, sono, medicamentos.

No segundo, agenda cheia: leituras, músicas, visitas agendadas, apresentações, artes, convidados de todo tipo.

Mulheres interagem mais. Os homens, ou são galanteadores ou ranzinzas, muito calados, ou quase incapazes.

O que há de semelhante além de serem homens e mulheres idosos entre 70 e 100 anos de idade?

São como crianças! Olhos sem muita vivacidade, mas com brilho úmido, carentes de afeto. Todos eles!

Abraçam-nos e agradecem a nossa atenção e dedicação como algo precioso.

Querem ser tocados, ouvidos, compreendidos. Precisam do nosso tempo.

Cantamos músicas da sua época (com nossas vozes maravilhosas), deixamos a vergonha em casa, dançamos, tentamos ignorar os mais rabugentos, trazê-los para nós. Quase sempre conseguimos.

Em ambos, poucas visitas recebem. Alguns, ninguém os procura.

O mais triste é que, mesmo aqueles cercados de gente, de atividades, de “amigos”, de tarefas, falta-lhes algo.

Recebem amor, mas querem aquele amor especial, aquele amor específico, aquele que grudou na alma e dói a ausência.

Como me disse uma idosa sabiamente, eles têm muitas presenças, mas uma ou duas ausências impedem definitivamente a felicidade.
Concordo com uma senhora trovadora, residente do lar, autora de livros de outrora:

“Saudade, com tanto lugar lá fora, porque você insiste em doer aqui dentro?”

Divirto-os, me divirto e agradeço a cada um deles a oportunidade de me tornar uma pessoa melhor.

Alda M S Santos

Outro olhar

OUTRO OLHAR

Outro dia li que devemos ver as coisas que não nos agradam sob uma nova perspectiva.

Sempre deveríamos tentar um ângulo novo, outro olhar, uma nova possibilidade.

Tentei aplicar esse “conselho” ao que via naquele momento.

Um ser humano jazia no asfalto, virava e se ajeitava, fazia-o de cama.

Passei, olhei, pensei: “tristeza viver assim, dói na gente”.

Uma avenida perigosa, carros, motos, ônibus e caminhões para todo lado.

Pessoas passavam apressadas, como eu.

Retornei, quis tentar um novo olhar.

Deve ser uma possibilidade para eu fazer algo, pensei.

Bem assim na minha frente! E não é a primeira vez!

Pensei no meu marido a dizer para não me meter, tomar cuidado, que tudo é perigoso!

Cheguei mais perto, devagar. Abaixei-me, chamei, cutuquei.

Ele se virou, se ajeitou, como se estivesse sobre seus travesseiros macios.

Chamei outra vez. Ele abriu os olhos, mas não parecia me ver.

Perguntei se precisava de algo. Claro que precisava!

Mas a gente fica meio impotente, sem saber o que dizer.

Ele riu meio sem entender e tentou se levantar.

Perguntei se queria que o ajudasse a ir para casa, onde morava.

“Por aí! Pode me pagar uma branquinha, branquinha?”

Riu da própria associação e repetia: uma branquinha, branquinha!

Falei: “Pago um prato de comida, te ajudo a ir pra casa, mas pinga não pago.”

“Então, não quero nada, branquinha! Me deixa dormir quieto aqui!”

Resmungando enrolado se ajeitou de novo em sua “cama”.

Segui meu caminho meio inconformada.

Ouvi ainda umas pessoas dizerem: “é bêbado, deixa para lá, moça!”

Mas venci meu medo e tentei ver com outro olhar.

Um dia dá certo! Pra mim e pra eles.

Alda M S Santos

Somos responsáveis

SOMOS RESPONSÁVEIS!
Tinha um homem no meio do caminho
Não um caminho especial,
Ou bonito, arborizado, gramado ou fresquinho
Piso de cimento quente, sob o sol, atrás de veículos,
À vista de todos
Sem ser realmente visto por ninguém!
Não era um ser humano, um alguém
Era um homem qualquer
Jogado num caminho qualquer,
Abandonado por outros seres humanos(?) quaisquer,
Somos responsáveis!
Alda M S Santos

Apenas o que temos

APENAS O QUE TEMOS

O que somos capazes de doar?

Oferecer gratuitamente a conhecidos ou desconhecidos?

A familiares, amigos, amores?

Um sorriso acolhedor, um olhar compreensivo?

O ombro, o colo, o silêncio? 

Um abraço, um beijo, um pão com queijo?

Palavras de conforto e estímulo?

Um chocolate, um beijinho melado, uma rosa, uma oração?

Um teto, uma cama, um lar, um coração onde morar?

Tudo isso, nada disso? Apenas dinheiro?

Por mais desejo que a gente tenha

Só podemos doar aquilo que temos em nós.

Risco de ficar desabastecido não há. 

O que se doa, multiplica-se!

Alda M S Santos

Por amor

POR AMOR

Morreu por amor… Deu a vida por amor.

Qualquer outro ato por amor pode parecer insignificante perante esse.

Claro, ele veio do Mestre do Amor, ninguém se igualaria, mesmo tendo sido feito à Sua imagem e semelhança.

Mas o que realmente somos capazes de fazer por amor? Sinceramente!

Pelos nossos filhos, pais e até por alguns familiares ou amigos é fácil imaginar.

Poderíamos até chegar ao ponto de dar nossas vidas.

Mas, simplificadamente, no nosso dia-a-dia, o que temos feito por amor?

Tolerância? É um ato de amor! Ah, mas nem sempre conseguimos!

Respeito aos diferentes? Tentamos! Mas eles são tão estranhos!

Atenção? Conversamos com muita gente! Mas algumas pessoas, as que mais precisam, nos metem medo!

Delicadezas? Um simples “bom dia”, ceder o lugar no transporte, aguardar um idoso no caixa eletrônico, pacientemente, dar a preferência no trânsito… Mas temos tanta pressa!

Um sorriso ou um abraço? Sim, bem, seletivamente. Afinal, não é todo mundo que é de confiança!

Disponibilidade? Temos! Para alguns, é claro. Não podemos resolver tudo.

Na maioria das vezes nos calamos ou nos omitimos em situações tão simples e corriqueiras.

São situações simples de amor! E nos fechamos em nosso silêncio e (des)conforto interno.

Quando indagados, respondemos convictos: “Por amor? Ah, por amor sou capaz de tudo!”

Enquanto aguardamos o momento de fazer “tudo” por amor, as oportunidades se esvaem pertinho de nós, todos os momentos…

Vamos lá! Por amor!

Alda M S Santos

Carinhólogos Solidários de BH 

http://www.carinhologos.com

 carinhologos@gmail.com

Abraços grátis? 

ABRAÇOS GRÁTIS?

Abraços grátis?- perguntamos com um sorriso de palhacinhas, ou mostramos nossos cartazes.

Assim começa nossa tarde de carinho na região hospitalar de BH com o grupo Carinhólogos Solidários.

– Grátis? Tem certeza?-dizem alguns.

– Claro! Há muito tempo precisava de um abraço!- respondem outros.

– Quem é que quer abraçar um preto velho como eu? -diz um senhor negro e de olhar sofrido.

– Abraço você e vejo meu irmão! Ele foi palhaço por vinte anos! – e chora de soluçar no meu abraço.

– Poderia ficar muito tempo num abraço. Estou muito sofrida!-diz a mãe com o filho internado.

– Abraço você e pego energia boa para levar para meu filho que está lá em cima. É um aviso de Deus que tudo ficará bem.- fala um pai preocupado.

Uns se recusam, outros nos procuram e se oferecem, uns demoram a se entregar ao abraço, outros não querem dele se soltar.

Contam suas histórias sofridas. Reconhecem o valor daquele abraço “enviado por Deus” e agradecem.

Há aqueles que estendem apenas a mão, olhares carentes de abraço, mas coração duro, machucado.

Histórias de dor e sofrimento nas recepções e portarias de hospitais. 

Porteiros, recepcionistas e funcionários recebem felizes, com gracejos e abraços o nosso grupo. 

Crianças e idosos são mais receptivos, mais emotivos. Adultos os recebem mais ressabiados.

Em cada um dos mais de 500 abraços de hoje, muito carinho e conforto foi levado.

Cada uma de nós recebeu aquilo tudo em dobro. 

Abraços grátis?

Claro! São os melhores!- resumiu um senhor todo feliz!

Alda M S Santos

Carinhólogos Solidários de BH- facebook

carinhologos@gmail.com

Instagram: http://www.carinhologos.com

Confusão interna, carinho externo

CONFUSÃO INTERNA, CARINHO EXTERNO

Ela acordou meio down. Um dia cheio a aguardava. Adorava dias cheios, mas nem isso a animava a sair da cama. 

Espreguiçou-se longamente e levantou. Escovou os dentes e nem quis se olhar no espelho. Seria assustador! A bagunça interna estaria em seus olhos.

Resolveu fazer o que toda mulher faz nessas ocasiões: cuidaria do exterior primeiro. Seria mais fácil. Aumentaria a autoconfiança e a atenção poderia ser total à bagunça interna.

Unhas, cabelos e pele tratados, partiu para a mente e o coração.

Conversou com amigos e familiares queridos. 

Leu um livro que gostava, escreveu um pouco.

Partiu a ajudar os outros…

Talvez quando terminasse, a bagunça nem seria mais tão importante! 

Alda M S Santos

Estarei contigo

ESTAREI CONTIGO

Quantas vezes ouvimos essa frase ou as similares: conte comigo, não vou te deixar, estaremos sempre juntos, não vou a lugar algum…

Talvez o mesmo número de vezes em que precisamos e os autores não estavam mais lá.

Não estamos fazendo nos entender, ou são desentendidos mesmo?

A quem fiz essas mesmas promessas? Tenho estado atenta?

Minha avó de 94 anos, que vive sozinha, sempre diz: “nascemos sozinhos e pelados, morremos também sozinhos, o que vier no intervalo é lucro”.

E ainda completa: “não espere nada de ninguém”!

Algumas pessoas lidam melhor com a individualidade, gostam de se isolar, não compartilhar, sabem e até preferem se virar melhor sozinhas. 

Outras, porém, precisam de gente, necessitam sentir que têm apoio por perto, ainda que não os utilize!

E ainda há aquelas que partilham apenas os bons momentos e alegrias. Nas tristezas e baixo astral preferem se isolar. 

Não sou pessimista como minha avó, mas, a cada dia mais percebo que, por mais promessas que recebamos, por mais gente que tenhamos por perto, o que vale mesmo é que nós nos ajudemos. 

Poder buscar e encontrar dentro de nós, pois sempre estará lá, o que se faz necessário, é a maior dádiva. 

Podemos contar com Alguém que nos prometeu ajuda, “que estaria conosco até o fim dos tempos”…

Ele não nos abandonará nessa busca.

Que possamos senti-Lo! 

Alda M S Santos

Onde estão?

ONDE ESTÃO?

Onde estão os abraços que precisamos?

Aqueles, cujo único interesse é ser e fazer alguém feliz?

Onde estão nossos sorrisos, nosso brilho?

Aqueles, que vêm de dentro e saem invadindo tudo?

Onde estão nossa empatia, nossa alteridade? 

Aquelas, que nos tornam capazes de sentir o que o outro sente? 

Onde estão nossa compaixão e solidariedade? 

Aquelas, que nos fazem ser mais gente, mais humanos?

Onde estão o amor, a amizade?

Aqueles, sem os quais não há vida?

Onde estão nosso sossego, nossa paz?

Aqueles, que buscamos nos outros, mas só encontramos em nós mesmos? 

Buscando em nós mesmos encontraremos todas as respostas! 

Os abraços eu encontrei, e como é bom!

Alda M S Santos

Carências

CARÊNCIAS

Pessoas bondosas, solidárias, amorosas e generosas ajudam os outros, dão aquilo que não usam mais. 

Sempre oferecem aos necessitados aquilo que lhes sobra, que não é utilizado, supérfluo.

Não acumulam nada, passam para frente qualquer excesso. 

Certo? Também!

Porém, o grande desafio que se impõe, a prova maior de amor é dar o que temos, ou que buscamos, que usamos, precisamos. 

Não necessariamente apenas bens materiais ou recursos financeiros. 

Quem ama verdadeiramente compartilha, doa até o que não tem, o que não dispõe, o que precisa buscar dentro de si. 

Distribui aquilo que não se compra, pois não tem preço.

Paciência, tempo, compreensão, carinho, diálogo, amor…

Dão mais que um prato de comida ou uma veste, alimentam a alma. 

Compartilham aquilo que multiplica quando se doa. Benefício bumerangue.

Tantas vezes flanamos por aí contrafeitos, “superiores”, com um verniz de alegria…

Contudo, muitas são as carências humanas, mas a maior delas, a que todos temos e nem sempre são visíveis, se supre com algo que o dinheiro não paga: 

AMOR!

Alda M S Santos 

Quem se importa?

QUEM SE IMPORTA? 

Uma marquise no centro da cidade barulhenta.

Noite de forte tempestade, manhã de chuva fina.

Quem se importa?

Camas improvisadas, cobertas que mal cobrem os corpos semi-nus.

Num canto, uma “cabana” com seus pertences. 

Ali é sua casa: dormem, comem, se alimentam, brincam, fazem amor.

Metade da manhã se foi.

Ainda dormem, alheios à correria à sua volta. 

Certamente acostumados a ignorar os comentários:

“Marginais, podem nos assaltar a qualquer momento.”

“São fortes, podem trabalhar”.

“Preguiçosos, enfeiam a cidade e afastam os clientes”.

Num canto, um deles me flagra os observando.

Sustento o olhar do senhor, cicatrizes na alma, tristezas profundas se encontram.

“Bom dia”, digo, sem saber o que dizer.

Firme no meu olhar responde: “Jesus te abençoe”. 

Choro…

Por eles, por suas dores.

Pela minha inércia, apesar da vontade de sentar,bater um bom papo, ouvir aquela história. 

Tenho vontade, tenho medo, tenho pressa. 

Na volta, esmolavam em vários cantos. 

“Vá com Deus, menina bonita”, ele grita para mim e acena. 

“Fique com Ele”. 

Seguimos nossos caminhos…

A cidade também…

Quem se importa? 

Alda M S Santos

Amor, sim senhor!

AMOR, SIM SENHOR!

Um dia muito quente, sol forte. Fechamos os vidros, ligamos o ar. 

Ao parar no semáforo, colocaram, como sempre, balas e paçocas dependuradas no retrovisor. 

Rapidamente, vi que era um casal jovem que corria para aproveitar o tempo do sinal. 

Na mensagem dos produtos à venda tinha um coração. Curiosa, abri o vidro e o peguei. 

“Adoce sua vida e nos ajude a adoçar a nossa. Contribua para realizarmos o nosso casamento! Jesus abençoe! ❤”

Li em voz alta. Rimos. Romântica incorrigível, quis logo ajudar. 

Rapidamente peguei o dinheiro e, quando retornaram correndo, compramos os produtos dos dois retrovisores. E completei: “bom casamento”! 

Riram, agradeceram e correram para o passeio. O sinal abriu. 

Olhei para trás. Estavam de mãos dadas e trocavam um beijo.

Quantas pessoas seriam capazes de crer naquela mensagem? 

Tenho certeza que muita gente diria que é golpe, estratégia para vender, má fé…

Vivemos na era dos “espertos”, as pessoas estão hiper-vacinadas contra golpes. Alguém correndo causa recuos. Um favor gera medo. Um espirro pode ser pneumonia. Como culpá-las? 

Quanto a mim, posso ser chamada de tola ou Pollyanna, mas prefiro acreditar no amor. 

Mesmo porque, ainda que não fosse para o casamento, de qualquer maneira ajudamos um casal que tentava ganhar a vida vendendo produtos no semáforo sob um sol escaldante! 

A lembrança deles nos fez sorrir por vários dias. 

E viva o amor, de que jeito for!

Alda M S Santos  

Apenas uma carona

APENAS UMA CARONA

Uma ida à cidadezinha, sol a pino. Calor de derreter os miolos, um senhor subindo a pé. 

Observo. Estranho. Mais velho, dificuldade no andar. 

Paro: “quer uma carona?”

Ele entra: “Que bênção! Estou com um cravo no pé me matando.”

Conta uns casos, fala de seu sitiozinho, seus bichos, do tempo… Simpatia interiorana. 

Andamos uns 2 km e ele desce, muito agradecido.

Pus-me a pensar. Se fosse na cidade, eu teria dado carona para um homem estranho? 

O que tem esse lugar que nos faz confiar nas pessoas? 

Ou o que tem nas cidades grandes que nos faz desconfiar? Nos impede de ser solidários?

Temos tanto medo de assédios de todo tipo, físicos, morais, financeiros, sexuais, que pensamos milhares de vezes antes de oferecer uma mínima ajuda. Pode ser algum maníaco com uma tara qualquer…

 E assim, vamos nos afastando das pessoas, nos distanciando de nossa humanidade. 

Vamos perdendo a capacidade de nos condoer com o sofrimento alheio, de atender às mínimas necessidades dos outros.

O que será que Deus vê em nós quando nos afastamos de um semelhante, desconfiados? 

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” vale só para as cidadezinhas do interior? 

Estamos nos perdendo da essência humana. Triste constatação! 

Alda M S Santos

O  Natal do Aniversariantes 

O NATAL DO ANIVERSARIANTE

Algumas vezes preferimos fingir

Ignorar aquilo que nos machuca

Esquecer aquilo que nos incomoda

Fechar os olhos para a tristeza que se avizinha

Não nos importarmos com a miséria que vemos ao nosso lado

Passar a vez quando nos pedem ajuda

Virar as costas para as oportunidades que surgem de crescimento

Consolando um amigo

Abraçando um irmão

Dando pão a quem tem fome

Roupas a quem está nu

Sorriso e atenção a quem está só

Colo a quem chora

Orientação a quem está perdido

Amor a quem está carente…

Porém, encarando o que se apresenta de frente

Tudo torna-se mais fácil

E quando uma criança disser “veja o Natal, mamãe”,

Apontando para as luzes que enfeitam a cidade 

Possamos mostrar o Natal que existe num coração bondoso e repleto de amor!

O Natal que o Aniversariante quer de nós nos 365 dias do ano. 

Feliz Natal! 

Alda M S Santos 

Sentimentos não se prendem

SENTIMENTOS NÃO SE PRENDEM!
Não somos guarda-volumes, caixas-fortes ou depósito de sentimentos. Sentimentos existem para serem expressados, transformados, sublimados ou eliminados, nunca estocados.
Se forem sentimentos ruins, negativos, que nos fazem mal ou aos outros, precisamos trabalhar para transformá-los ou eliminá-los. É o caso do ciúme, da inveja, da raiva, da negatividade, da superioridade, da possessividade. É necessário investigar as causas, analisá-las a fundo, buscar substituição por sentimentos melhores tipo confiança, fé, bondade, compaixão e amor.
Se forem sentimentos nobres, mas que, de alguma forma, não têm feito bem, é preciso alguma ação sobre eles. É o caso da fé cega, da compaixão, da solidariedade, da alegria, do amor. Sim! Eles também podem fazer mal.
A fé cega costuma gerar superioridade e preconceitos para com os demais. Ela precisa transformar-se em ação, humildade e compaixão. A fé sozinha, sem ação, é inútil!
A compaixão e a solidariedade excessivas podem paralisar e tornar dependentes aqueles que delas necessitam. Oferecer ajuda é carregar no colo primeiro, em seguida dar as mãos, mas depois deixar livre para seguir. E não pode também paralisar a vida de quem ajuda.
A alegria contagia, faz vibrar, mas perto de quem está muito mal soa “ofensiva”, portanto, não deve ser escondida, mas dosada.
O amor sempre será positivo. Sempre. Para quem sente e para quem o recebe. Porém, há os casos em que o amor tem que vir com uma dose de cobrança, de firmeza, como no caso do amor paternal. Mas nunca deve se esconder atrás da severidade.
Há os casos em que ele ocupa um só coração, então, deve ser transformado em amizade ou “direcionado” para outro beneficiário.
Há ainda os casos “proibidos”, se é que existe amor proibido. Pode ser por um esporte, inadequado fisicamente para quem o aprecia, por um hobby, oneroso demais para se manter, por um objeto, viciante, por uma pessoa, inacessível. Nesses casos, há a sublimação. A força desse amor deve ser sublimada em outra atividade que lhe dê prazer. Um “amor” excessivo ao fumo, por exemplo, pode ser sublimado numa habilidade musical. O amor por uma pessoa inacessível pode ser sublimado numa energia de amor fraternal e solidária, e por aí vai…
Não estou querendo de modo algum simplificar. Apenas afirmo que sentimento preso e estocado não produz coisas boas, ao contrário, pode gerar doenças.
Precisamos nos cercar de pessoas alegres e sábias que, de uma forma ou de outra, sempre nos ajudam.
Podemos pensar que não somos responsáveis por sentimentos que brotam em nós. Não somos mesmo! Sentimento é vivo, nasce, cresce, se expande, está em constante movimento. Brota por algum motivo. Mas uma coisa é certa, podemos escolher o que fazer com eles, quais vamos alimentar, deixar crescer e manter como nossa marca registrada.
Que seja o amor!


Alda M S Santos

 

O que nos torna humanos? 

Observando o corre-corre da vida diária, seja na rua, na família, no trabalho, nos jornais ou na TV, ninguém seria capaz de negar o quanto as desigualdades são inúmeras. Vemos pessoas diferentes: altas, baixas, gordas, magras, brancas ou negras, entre outras. Possuem em comum o fato de serem seres humanos. Isso deveria, a princípio, dar a elas as mesmas condições de evolução física, psicológica, espiritual ou material. Na prática não é o que acontece. O que determina que algumas pessoas tenham mais habilidades, dons e capacidade de conquistas que outras? Veio em seu DNA? Recebeu de Deus? Foi desenvolvido? 

Se veio no DNA, não escolhemos. Se recebemos de Deus, qual seria o critério por Ele utilizado para fazer tal distribuição, considerando-O um Deus de amor? Se é desenvolvido pelas pessoas, seria a partir de que base? 

Sabemos que, via de regra, as pessoas com saúde física e mental, espiritualizadas e com algumas conquistas emocionais e materiais são mais felizes. Enfrentam com mais recursos as adversidades que se apresentam. Delas poderia ser “cobrada” uma atitude mais positiva perante a vida.

Mas, e aquelas que desde o nascimento já são acometidas pelos problemas: miséria física, material, emocional, espiritual? Vêm de um lar onde reina a pobreza extrema, em todos os aspectos da vida humana? Falta-lhes alimento para o corpo e para a alma. Seria justo que se cobrasse delas, com o mesmo rigor, a mesma evolução das demais? 

Há aqueles que acreditam que somos um mesmo espírito vivendo em vários corpos, várias vidas, e que estaríamos, de acordo com a evolução de cada um, resgatando dívidas passadas, daí viriam as diferenças. Cada religião explicaria de uma forma diferente as desigualdades. Certo é que quem professa uma fé, conforma-se melhor com a própria situação e é até feliz.

Religiões à parte, o que temos pra lidar são as desigualdades que batem às nossas portas, invadem nossas casas, corpos e mentes de todas as maneiras. Independente de qual seja a causa das diferenças, podemos minimizá-las. Seja qual for a situação em que nos encontremos, sempre haverá alguém melhor ou pior que nós, que tem mais ou que tem menos, que pode mais ou que pode menos. 

Cabe a nós, então, manter os olhos em trânsito: lá na frente, para crescermos sempre, lá atrás, para oferecer a mão a quem tem menos.

Se a humanidade que nos faz uma espécie única não for o bastante para ajudar, usando de tudo que possuímos, material, mental ou espiritual, que independente de religião, possamos nos lembrar que: ” A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido”.(Lucas, 12-48)

Que possamos crescer em nossa humanidade, sempre. 

Alda M S Santos 

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