Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Tag

Sentimentos

Inocência, ingenuidade

INOCÊNCIA, INGENUIDADE

Inocência, ingenuidade

Credulidade, confiança

Quando se perde na vida

Tão bonita cumplicidade?

Inocência, ingenuidade

Pureza, sorriso solto, iluminado

Quando se perde na vida

Tão agradável docilidade?

Inocência, ingenuidade

Transparência, curiosidade

Quando se torna ambiguidade

O olhar que era pura afinidade?

Inocência, ingenuidade

Sinceridade, esperança

Quando se perde na vida

Tão humana liberdade?

Inocência, ingenuidade

Carinho, naturalidade

Quando isso se transforma em

Tão adorável sensualidade?

Inocência, ingenuidade

Paz, gratuita amorosidade

Quando se perde na vida

Tão almejada felicidade?

Certamente, digo,

Quando se perde a simplicidade

Tudo isso fica na saudade…

Alda M S Santos

Somos músicas

SOMOS MÚSICAS

Somos músicas na vida uns dos outros

Músicas de todo tipo, ritmos e duração

Suaves, bem românticas, de dançar agarradinho

Bem quentes, agitadas, de suar e liberar a energia

Umas para cantar e ouvir bem alto, junto dos outros

Outras para curtir sozinhos e silenciosos

Ou aquelas de letra marcante, verdadeira declaração de amor

Vestem como uma luva nosso estado de espírito

Podemos ser daquelas da parada de sucesso

Chegam rápido, fazem o maior auê

E se vão tão velozes quanto chegaram

Ou daquelas que se tornam clássicas pela beleza e poesia

Como canto incessante de pássaros

Nunca se perdem no tempo, relíquias, preciosas, saudosas

Podem ter décadas e décadas, e de “vez em sempre” voltam

Chegam devagarzinho, grudam na nossa mente

E mesmo depois que passam nos pegamos cantarolando

Ainda que apenas em nosso interior…

E há aquela que é nossa verdadeira música, nossa trilha sonora especial

Aquela gravada no vinil da nossa alma

Que toca na nossa vitrola, com agulha personalizada, sensível

Músicas e pessoas são marcantes

São melodia, são poesia na vida da gente.

Alda M S Santos

Erro de Deus?

ERRO DE DEUS?

“Se há algo que Deus errou ao criar o mundo foi tê-lo entregue à “administração” masculina.”

A vendedora ambulante me dizia quando fui comprar toucas de lã e meias de cano longo.

Afirmou que quase não vendiam por serem usadas com botas e homens não queriam saber de trabalhar.

Falei que precisaria das meias longas, pois seriam brindes para a Festa Junina dos idosos dos asilos que meu grupo ajudava.

“Aposto que são apenas mulheres que ajudam!”

Expliquei que havia alguns homens no grupo, mas que a maioria era mesmo mulheres.

“Tenho minhas dúvidas quanto a Deus ter criado Eva a partir da costela de Adão.”

Sorri solidária.

“Como pode parte da costela ser algo bem melhor?”- não se conformava!

Apesar de brincar, parecia muito chateada e certamente carregava nas costas algum homem preguiçoso e folgado.

“O mundo será melhor quando as mulheres puderem tomar a frente de tudo”!

Consegui algumas meias e um bom desconto nas toucas.

“Para ajudar”- ela disse!

Fui embora pensando naquilo, quase esbarrei no carrinho de picolé de um senhor bem velhinho, bem pequeno, sorridente.

“Um picolé, moça distraída?”

Sorri e agradeci. Olhei para seus pés. Elogiei as botas que usava…

Pus-me a pensar nos homens e mulheres ao longo de minha vida.

O mundo seria melhor se fosse mais feminino.

Era mesmo uma questão de gênero!

Não de gênero físico, mas de gênero da alma.

Almas femininas são mais sensíveis e fortes, paradoxalmente, e administrariam bem melhor esse mundo!

Alda M S Santos

Sentia frio…

SENTIA FRIO…

Todos os dias levantava cedinho

Sentia frio sempre, muito frio…

O sol chegava tão devagar quanto ele, parecia não aquecer

Buscava um banco na praça onde os raios já iluminavam

Queria se esquentar, se aquecer, fazer correr calor em suas veias

Sentia frio sempre, todo o tempo…

Encolhido em si mesmo, pele enrugada tanto quanto suas emoções

Olhos ao longe observava as crianças barulhentas, agitadas, aquecidas

Será que tinha saudade de sua meninice?

No outro banco um casal de namorados parecia uma só pessoa

Ficou um tempo a observá-los

Havia calor ali…

Mas ele sentia frio, muito frio…

Daquele que atinge os ossos, todo o interior

Aquele frio que nenhum cobertor, chá ou escalda-pés resolvia

Voltou-se para dentro de si buscando calor de outras épocas

Queria se aquecer novamente!

Um calor recheado de afeto e carinho como colo de mãe

Um calor adocicado e suave como sorriso melado de criança

Um calor intenso e molhado como beijo da mulher amada

Queria que o frio fosse embora

Queria aquecer a alma…

Alda M S Santos

Nada tão humano

NADA TÃO HUMANO

Nada tão humano quanto a necessidade de aprovação

Quanto o desejo de agradar, de ter atos e pensamentos admirados

Ser aceito pelo que demonstra de si mesmo

Até naquilo que tenta esconder

Nada tão humano quanto a necessidade de ter atos corroborados

De parecer bem e correto aos olhos dos outros

Ser aprovado é ser aceito, ser aceito é ser amado

Nada mais humano que a necessidade de ser aprovado e amado

Por si e por seus semelhantes, ter companhia e apoio

Porque essa necessidade é sinal de incompletude, de imperfeição própria

E o que é mais humano que a imperfeição?

Alda M S Santos

Quero voltar para casa

QUERO VOLTAR PARA CASA

Triste ver quem foi sempre “atividade” e amor

Presença, sorriso e luz definhar dia a dia

Aparelhos de todo tipo mantendo a “vida”

Respiram, se alimentam, excretam por aparelhos

Estão vivos!

Gemem, roncam, dormem, choram, desconhecem a todos

Memórias antigas, arrependimentos, saudades

Não existe mais o hoje, o amanhã, apenas a carga do ontem

Leve ou pesada, é a que carregam…

Leve ou pesada são a “carga” de alguém

Será que sonham?

Se pudessem escolheriam ir embora?

Deveríamos poder dizer “cansei de brincar, vou para casa”

Essa brincadeira já está machucando, perdeu a graça

Quero pegar o caminho de volta, ou pra frente, tanto faz

Desde que me leve de volta para casa, para o aconchego do Pai

Uma escolha que não nos é permitida

Nem para conosco mesmos, sem sermos “interditados”

Nem para com aqueles que amamos

Sem sanções legais, religiosas, espirituais, emocionais, psicológicas

Deveríamos poder sair de campo, do jogo

Enquanto ainda pudermos escolher, sem manchas no “currículo”, sem humilhações

Escolher a hora do apito final, humanamente, mesmo no zero a zero

Quero poder escolher a hora de voltar para casa!

Alda M S Santos

Nos caminhos da vida

NOS CAMINHOS DA VIDA

Nos caminhos da vida, se olharmos para baixo, para nossos pés

Perderemos as belezas do horizonte colorido adiante

Os lindos contrastes de sombra e luz que nos estimulam

Nos caminhos da vida, se olharmos só para frente

Os aclives acentuados, a poeira, a distância do destino

Podem ser desanimadores e nos fazer desistir

Nos caminhos da vida, se olharmos para dentro de nós

Dependendo dos labirintos escuros que encontrarmos

Poderemos nos perder, escorregar nas desculpas esfarrapadas e medos e estacionar

Nos caminhos da vida, se olharmos para trás

Veremos todo o caminho já vencido, as dificuldades superadas, lutas e conquistas

Retomamos parte do ânimo, da coragem, obtemos um refrigério

Nos caminhos da vida, se olharmos para um dos lados

Veremos uma das razões para seguirmos

De termos chegado até ali: os companheiros de jornada pelos quais fazemos tudo

Nos caminhos da vida, se olharmos para o outro lado

Veremos a força que nunca nos abandona: Deus

Mais um passo à frente, mais firme e seguro, sorriso no rosto cansado

Humanamente, seguimos…

Alda M S Santos

Viver é contagioso

VIVER É CONTAGIOSO

Mau humor e dor contagiam tanto quanto vírus

Frieza e indiferença são transmissíveis no ar

Alegria “pega”, tristeza “pega”

Basta estar perto e aberto e respirar

Se não podemos escolher com o que ser contaminado

Temos alguma escolha naquilo que queremos contaminar

Escolhemos contagiar o mundo de coisas boas, de amor

Basta de tristeza e dor

Abraços e carinho são profiláticos

“O amor é contagioso”!

Alda M S Santos

#carinhologos

#abracosgratis

Hoje, não!

HOJE, NÃO!

Hoje quero ver o lado bom das pessoas

Aquele que muitos preferem não ver

Não quero enxergar as falhas, os egoísmos, as covardias

Não, hoje não!

Hoje quero me alegrar com o sol que brilha

E possibilita nossa própria fotossíntese

Não quero reclamar do calor ou do frio, da chuva ou da seca

Não, hoje não!

Hoje quero me fixar nas saudades boas, nas risadas gostosas, no amor vivido

Não quero lembrar das decepções, dos medos, das ingratidões

Não, hoje não!

Hoje quero ser grata ao passado que me formou,

Ser ativa no presente que me mantém, esperançosa no futuro que me aguarda

Não quero ser daquelas que se enfurnam na tristeza e se afogam nas próprias mágoas

Enquanto buscam culpados para o lago sujo que se forma a sua volta

Não, hoje não!

Hoje quero ser o bem, fazer o bem, levar alegria pelo caminho

Hoje quero fazer essa travessia mergulhada em sorrisos

Não quero esperar muito do mundo, apenas me doar e ser grata ao que vier

Não, hoje não quero reclamar de nada!

Hoje quero ser paz e fazer apenas um pedido

Todos os dias podem ser como hoje?

Alda M S Santos

Flores no caminho

FLORES NO CAMINHO

São flores, doces, lindas, coloridas

Enfeitam, perfumam, ocupam todos os espaços possíveis

Alegram os caminhos nem sempre fáceis ou justos

São vida!

Pelo olhar adentram a alma, invadem recônditos escuros

Deixam uma suave fragrância de vida onde passam

Abrem um sorriso iluminado onde tocam, em quem presenteiam

Fazem minar nos olhos gotas brilhantes como orvalho

Mas também precisam ser podadas, cortadas

Ou podem sufocar tudo a sua volta, matar por asfixia

A sabedoria consiste em identificar o momento certo da poda

E o quanto é possível cortar sem matar

E seguir o caminho …

Na esperança de novo broto, mais forte e mais bonito

Nos ciclos vitais da natureza que brotam dentro de nós

A primavera vem mais bonita para quem soube apreciar o inverno

Não somente tolerá-lo!

Alda M S Santos

Caiu, quebrou…e agora?

CAIU, QUEBROU…E AGORA?

Bela, frágil, delicada

Caiu, quebrou, vários pedaços cortantes

Entornou, molhou, feriu, machucou, sangrou

E agora?

Junta tudo, enrola num jornal, põe para o lixeiro

Cristal quebrado não tem conserto!

Caiu, quebrou…e agora?

Guarda todos os cacos num cantinho como lembrança, revisita, faz um concerto dentro de si

Afinal, teve seus dias de glória, conta uma história especial e bonita

Caiu, quebrou…e agora?

Segue faltando pedaço, adapta-se ao que restou, meio vazio, meio cheio, entornando por aí

Caiu, quebrou…e agora?

Cola cada pedacinho como der, com cuidado para não mais se ferir

E continua a servir o doce vinho, o amargo Campari

Ou a borbulhante champanhe

Celebrando a vida…

Cada “cicatriz” a torna única, original, ímpar

Sinal de queda, mas também de vitória, aprendizado e sobrevivência…

Caiu, quebrou…e agora?

Cole! Seja o cristal ou a vida!

Alda M S Santos

Caí no poço

CAÍ NO POÇO

-Caí no poço!

-Quem te tira?

-Meu bem!

-Seu bem é esse? É esse?

-Que você quer dele? Maçã, pera, uva ou salada mista?

E as crianças brincavam na rua, felizes, escolhendo seus “pares”

Ganhando beijos, abraços, apertos de mão

Sem saber que a brincadeira era “preconceituosa e sexista”

Que formava pessoas dependentes, inseguras e frágeis

Hoje, para ser politicamente correto, seria mais ou menos assim:

– “Caí no poço!”

– Tem certeza? Ninguém cai assim! Quem te jogou? Não aceite! Denuncie!

– “Quem te tira?”

– Seu “bem” que nada! Não dependa de ninguém, aprenda a se virar, empodere-se!

– “Seu bem é esse?”

– Nada isso! Você é seu próprio bem! Abra os olhos! Veja bem onde está se metendo! Não se iluda!

– “Que você quer dele?”

– O quê? Ninguém dá nada para ninguém! Devemos conquistar o que queremos e não esperar nada do outro, além de respeito!

Assim, o mundo vai ficando cada dia mais sem graça

Cessam as brincadeiras de rua, com amigos reais, que nos divertiam

Nos faziam crescer, nos ensinavam a lidar com diversidades e adversidades

E nos preparavam para enfrentar um mundo, cada dia mais chato e cruel

E não recebemos nada melhor em troca…

Com pretensões de não ser excludente, de se tornar mais justo e igualitário

O “novo mundo” exclui, e muito, nossa capacidade de lidar com ele

E com aqueles que o habitam, independente de gênero, cor, raça, cultura ou sexo…

-Caí no poço! Quero ajuda! Quem me tira?

E quero salada mista!

Alda M S Santos

Miragem

MIRAGEM

Como sonâmbulo, você andava num espaço bonito, porém frio e nebuloso

Passava por muita gente e não enxergava ninguém

Alguns lhe estendiam as mãos, sorriam, cumprimentavam

Outros nem te percebiam ou pareciam bravos contigo

Você não via, parecia ter outro objetivo

Olhos sem brilho, “adormecido”, opacos

Mas seguia…sem parar para nada

Eu observava de longe, encolhida num canto, chorosa

Você chegou até mim, os olhos brilharam, acordaram

Estendeu-me as mãos, levantou-me do chão

Pediu desculpas, chorou, me abraçou demoradamente

“Eu sempre te amei… sempre”-afirmou muitas vezes

E sumiu numa nuvem de fumaça

Como miragem…desapareceu…

Sentei-me novamente no canto

Você voltou para a vida

Eu continuei ali de onde não poderia sair…

Um sonho perturbador!

Alda M S Santos

Ensaio de guerra

ENSAIO DE GUERRA

Nada “melhor” que um ensaio de guerra para percebermos o que tínhamos

E, por cegueira temporária, não enxergávamos

Bastou parar caminhões, faltar combustível

Para faltar tudo aquilo que pensávamos “não ter”

Brasileiros, ao menos boa parte deles,

Vive na carência material, de saúde, educação, transporte, segurança …

Mas o medo de vir a minar o básico dos básicos

Levou os cidadãos à corrida para estocar alimentos, água, a economizar

Temos muita corrupção e roubalheira, submissão, inércia e letargia

Mas também temos, bem ou mal, alimentos, água, moradia, transporte…

Sem levar em conta os oportunistas e aproveitadores

Que olham do alto e se enxergam como únicos numa multidão de famintos

E, além do jeitinho malandro de sobreviver, temos bom humor para enfrentar o caos

Criatividade para buscar o que precisamos

Tudo isso nos fez focar no que ainda temos

Não apenas no que nos falta…

Crises despertam o que temos de mais animal e irracional em nós: o instinto de sobrevivência

Atiçam nossas características mais fortes, boas ou ruins

O grande paradoxo é que é com elas que acordamos e lutamos

E também nos matamos…

Alda M S Santos

Uma brisa leve

UMA BRISA LEVE

Saudade só é boa quando a lembrança não dói mais

Quando traz alegria e não tristeza

Quando fazemos as pazes com quem ou o que foi embora

Quando a partida do outro ou de um tempo bom

Nos irriga de alegria, de gratidão, faz-nos bem por ter existido

Enquanto alimentarmos raiva, tristeza, revolta ou decepção

A saudade será como um desastre ambiental dentro de nós

Daquele tipo que percebemos a chegada

Mas não temos forças para evitar…

Saudade não pode ser uma tempestade destruidora

Saudade deve ser como uma brisa leve e suave

A balançar nossos cabelos, aquecer nossos corações

Arrepiar de prazer nossa pele, iluminar nosso sorriso de amor

Fazer brilhar nos olhos o reflexo de uma alma em paz…

Alda M S Santos

Casa bagunçada

CASA BAGUNÇADA

Em nossa casa nos acostumamos com nossas bagunças e desordens

Quase sempre nos encontramos, com alguns tropeços, nas coisas esparramadas

É onde podemos ser nós mesmos, sem necessidade de impressionar ninguém

Onde nos sentimos bem, independente da simplicidade ou confusão

Conhecemos cada teia de aranha, cada móvel fora de lugar

Aqueles desgastados pelo uso ou empoeirados pelo desuso

Os que de nada valem mais, exceto pela lembrança de quem os usou

As toalhas molhadas sobre a cama, o perfume nas roupas no armário

Os chinelos sob os móveis, os pés de meia perdidos

A torneira da pia que pinga sem cessar, a trempe do fogão com defeito

A temperatura oscilante do chuveiro que não impede o banho demorado

O barulho estranho da geladeira como um alerta de sobrevida

Aquela quina onde sempre acertamos os dedos dos pés descalços

A poltrona preferida, o lugar marcado na mesa

O jeito secreto de girar a chave na fechadura que só nós sabemos

O livro lido e relido na rede, a estante cheia, a despensa quase vazia por distração

A cortina que pouco escurece, o vidro da janela manchado pela última chuva

A TV sempre ligada sem ninguém ouvir, o sol que entra pela fresta de tardinha e cria imagens mágicas

O tapete escorregadio, as roupas amarrotadas no varal

A lâmpada que pisca como boate, o cheiro de saudade grudado no travesseiro

O silêncio frio da noite em contraste com nossos barulhos

A manhã que traz esperança, sol e calor sob os lençóis…

Seja como for, essa “casa” é nossa…

Somos responsáveis por ela, cuidamos como podemos

Não queremos ter que “esconder” nada de visitantes

Precisamos ficar à vontade com quem chega

Sem nos sentirmos envergonhados por ser o que somos

Visitas com pretensões de se tornar moradores precisam fazer parte desse caos

E só nos sentiremos bem com alguém que aceite nossas bagunças

Ou, no mínimo, nos ajude a arrumá-las sem descaracterizá-las…

Alda M S Santos

Uma questão de justiça

UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA

Não se faz justiça quando igualamos o que é distribuído, mas quando equalizamos

A justiça não se faz quando todos ganham o mesmo pedaço de pão

Mas quando o pão que recebem mata sua fome, sem falta ou desperdício

A justiça não se faz quando todos recebem a mesma quantidade de afeto, de beijos e abraços

Mas quando o carinho recebido é na medida certa para suprir sua escassez

A justiça não se faz quando todos recebem o mesmo cobertor, o mesmo calor

O mesmo afago e o mesmo amor

Mas quando é observado o frio de cada um, a carência de amor de cada um

A justiça não se faz dando tudo no mesmo formato e quantidade

A justiça se faz quando cada qual, diferentes no modo de ser e agir

Recebe de acordo com suas necessidades…

Alguém que “recebe” o que não precisa

Alguém que toma o que não lhe pertence

Está deixando um outro necessitado

Um ser humano consciente sabe disso, sente isso

E tenta equilibrar a balança

Como um pai cuidadoso e observador faz com os filhos

Como o Pai, Mestre do Amor, faz conosco…

Alda M S Santos

Melhor assim…

MELHOR ASSIM

Distribuímos sorrisos não só porque somos ou estamos alegres

Somos alegres porque, ainda que, às vezes, ele nos falte, distribuímos sorrisos

É feliz quem doa aquilo que não precisa mais

Mais feliz ainda é quem compartilha o que poderia fazer falta

Nossas imperfeições, inquietações e insatisfações

Nos fazem buscar sempre mais e mais

Não é perfeito quem não possui imperfeições

Mas quem, apesar das imperfeições, não se limita

E busca ser cada dia melhor para si e para o outro…

Alda M S Santos

Quem disse que palhaços não choram?

QUEM DISSE QUE PALHAÇOS NÃO CHORAM?

Que dizer a uma pessoa que perde alguém querido?

Que dizer a uma mãe que perde o filho jovem tragicamente,

Uma amiga Carinhóloga, doce, engraçada, divertida e solidária?

Que dizer? O de sempre nessas ocasiões?

Que eles não mereciam, que não parece certo, que não é certo!

Que ele agora está com o Pai, que aos poucos ela aprenderá a lidar com a saudade?

Que Deus sabe o que faz, que a vida é assim mesmo, que tem direito de chorar?

Que deve ser forte e confiar nos desígnios do Alto?

Parece tudo vazio por ser verdadeiro, mas nada trazer alento…

Que dizer? Tudo isso? Nada disso?

Que imaginamos a dor, mas que não temos o poder de tirá-la com as mãos?

Que mães não têm poder de segurar a vida do filho

Quando o Pai o chama de volta?

Quem disse que palhaços não choram?

Que fazer para o sorriso voltar a brilhar?

Não sabemos! Não sei!

Podemos te abraçar, te beijar, dar carinho, chorar e orar junto.

Estar disponíveis, ser colo, ser ombro, ser alma afim,

Ser irmãos, enfim.

E aguardar juntos a dor arrefecer…

Somos todos pequenos, impotentes,

Mas, estou aqui, estamos aqui!

Conte conosco,somos palhaços Carinhólogos

Nos sorrisos, nas lágrimas, nos abraços…

Alda M S Santos

#carinhologos

Sinto, logo…

SINTO, LOGO…

Sinto tanto, sinto muito, sinto com força

Dor, tristeza, mágoa, decepção

Sinto, logo…sofro!

Sinto tanto, de todas as formas e grandezas

Vontades, desejos, saudades, lembranças

Sinto, logo…espero!

Sinto tanto sem querer, por querer, quase desisto

Descrença, desânimo, desalento, descaso

Sinto, logo…resisto! Choro, sorrio…

Sinto tanto a qualquer hora, a qualquer tempo, a todo tempo

Cheiro de flor, cheiro de amor, de encanto, de alegria e fé

Sinto, logo…vivo!

Alda M S Santos

No fundo de um olhar

NO FUNDO DE UM OLHAR

Atravessar a grossa camada de gelo que o separa do mundo

Passar pela névoa densa que o protege, deixando-o opaco e sem brilho

Mergulhar na espessa, escura e profunda liquidez

No fundo de um olhar

E lá ficar…

Sondar espaços e ambientes, enxergar nesgas de luz

Buscar um novo ângulo, nova perspectiva, nova compreensão

Estender a mão, o abraço, um amasso, o perdão

No fundo de um olhar

Arriscando não mais voltar…

Perder-se em obscuridades e labirintos confusos

Vencendo saudades, medos, culpas e inseguranças

Reconstruir trilhas desfeitas, derrubadas

No fundo de um olhar

E novamente se encontrar…

Trazer à luz a paz retida no fundo da alma

Abrir as persianas que sombreiam a retina

Iluminar o verde da esperança que Ele nos dá

No fundo de um olhar

Resgatar a alegria

Fazê-lo novamente brilhar!

Alda M S Santos

Amor inexplicável

AMOR INEXPLICÁVEL!

Quando uma mulher se torna mãe

Sua vida, que julgava sua, deixa de lhe pertencer

Suas alegrias passam a depender da felicidade dos filhos

Suas lágrimas escorrem na mesma proporção que as dos filhos

Sua vontade de viver, medo de morrer

Tem tudo a ver com a vida que julga ser dependente da sua

Quando, na verdade, a vida de toda mãe é que é dependente da vida do filho

Seu coração bate em outros peitos que não o seu

Torna-se capaz de realizar as maiores loucuras para protegê-los

De abrir mão de loucos desatinos em benefício deles, visando seu bem estar

Para que no futuro, fortes, confiantes e corajosos

Eles possam recomeçar novo ciclo de vida

Cometendo suas próprias “loucuras” e desatinos

Sendo felizes…

Amor de mãe, em grandeza, forma, incondicionalidade

O amor mais próximo do amor de Jesus: inexplicável!

Amo vocês além do infinito, eternamente…

Alda M S Santos

Não faz sentido?

NÃO FAZ SENTIDO?

Quando estivermos meio perdidos

Sem conseguir encontrar o sentido da vida

Talvez estejamos procurando no lugar errado

Melhor afastar um pouco o foco de nós mesmos

Lançar o olhar para fora, para o outro, perto ou longe de nós

O sentido pode estar no que podemos fazer por eles

E encontrando-o ali, como mágica

O encontramos novamente em nós

Tudo volta a fazer sentido…

Alda M S Santos

#carinhologos

Amor: costurado e bordado a dois

AMOR: COSTURADO E BORDADO A DOIS

Pedimos a Deus mais paciência

Mas ignoramos as situações nas quais Ele nos coloca para desenvolvê-la

Pedimos a Deus corpo e mente saudáveis

Mas intoxicamos nosso organismo com os venenos dispensáveis do dia a dia

Pedimos a Deus um trabalho bem remunerado e prazeroso

Mas não buscamos estudar e nos aprimorar

Pedimos a Deus mais justiça e paz nos nossos convívios

Mas brigamos no trânsito, nos irritamos nas filas de banco, no transporte coletivo

Pedimos a Deus que nos proteja de todo mal

Mas muitas vezes dispensamos os anjos enviados para nos proteger

Pedimos a Deus que nos perdoe de nossas falhas, que nos dê nova chance

Mas insistimos em navegar em canoas furadas, cometendo os mesmos erros

Pedimos a Deus relacionamentos verdadeiros, que nos aceitem e valorizem como somos

Mas a recíproca de nossa parte nem sempre é verdadeira

Pedimos a Deus um amor só nosso, na nossa medida

Mas não somos capazes de nos flexibilizar para crescer e amar

Ignoramos que amor na medida é construção diária, costurado e bordado ponto a ponto, a dois

É preciso buscar, não se encontra em pronta-entrega, tampouco há delivery…

Mas somos sortudos e abençoados

Deus nunca desiste de nós!

Alda M S Santos

Brincar de ser feliz

BRINCAR DE SER FELIZ

Brincar…de ser feliz

Dançar, pular, correr

Chupar picolé até se lambuzar

Sorrir até a barriga doer

Despertar um sorriso em alguém

Brincar…pra ser feliz

Sentar no chão, gargalhar

Voltar a ser criança, confiar

Agarrar um bichinho de estimação

Aspirar o perfume de uma rosa

Brincar…de ser feliz

Namorar, abraçar, beijar, amar

Pedir colo, ser colo, fazer amor

Ser o amor de alguém

Chorar se der vontade, inútil engolir o choro

Dormir de conchinha, sonhar

Ler um livro, escrever um poema, ser a poesia

Brincar… pra ser feliz

Mergulhar numa cachoeira gelada

Cantar alto, rezar baixinho

Tomar um banho quentinho

Assistir filme no tapete, debaixo de edredom

Se empanturrando de pipoca

Brincar… de ser feliz

Declarar o amor, apaziguar a dor

Responder a um bom dia, contar uma piada

Rir de si mesmo, sorrir para o outro

Retirar os pesos das costas, ser leve

Perdoar, acreditar que ainda vale a pena…

Brincar de ser feliz…

Brincar pra ser feliz…

Brincar para fazer feliz…

Alda M S Santos

Culpas e responsabilidades

CULPAS E RESPONSABILIDADES

Qual sua responsabilidade na atual situação em que você se encontra?

Essencial nos perguntarmos isso antes das acusações de praxe.

O outro não teve paciência, o chefe não pagou o devido, a igreja não ajudou, os filhos exigiram demais,

O cônjuge não foi compreensivo, os médicos não fizeram o diagnóstico correto…

Ou ainda a vida foi “madrasta”, os amigos desapareceram, as leis não foram justas, o país é corrupto, Deus não existe…

Responder a essa pergunta com coragem e sinceridade exige maturidade, ainda que no silêncio de nossos corações.

Amei o bastante, me dediquei o suficiente, segui as regras, obedeci as leis, confiei,

Fui paciente com as diferenças, respeitei o outro, cuidei da saúde, acreditei que podia fazer melhor?

Qualquer situação que nos aconteça de sucesso ou derrota, temos responsabilidade, não sozinhos, mas temos.

E a única em que podemos agir e mudar é a que nos cabe.

Sempre há algo que podemos mudar para melhorar e eliminar o mal que sofremos ou causamos.

Atribuir responsabilidade aos outros e fugir da nossa só nos levará a cair nos mesmos erros, reclamar dos mesmos insucessos e infelicidades.

Viver não é fácil, acertar sempre não existe,

Mas a tentativa constante de sucesso sem nos fazer mal leva ao aprendizado

Transitar por caminhos conhecidos ajuda muito

Aceitar novos caminhos ou olhá-los com novo olhar é essencial

Somos feitos disso tudo: culpas, responsabilidades, fracassos e sucessos

Só não vale parar…

Alda M S Santos

Pares im(perfeitos)

PARES IM(PERFEITOS)

Não somos pés de meia ou sapatos

Não há necessidade de sermos iguais

É até preferível quando não somos

Para sermos pares, basta que combinemos

Que nos encaixemos bem, nos façamos bem

E que mesmo quando apertados ou com frio

Não causemos bolhas, calos ou resfriados

Mas que aproveitemos para nos aproximar e nos aquecer

E formar o melhor par imperfeito do mundo…

Alda M S Santos

Amar não é fácil!

AMAR NÃO É FÁCIL!

Amor é apontado como uma das melhores coisas da vida

Talvez a mais importante, fruto de vida e felicidade

Mas também é o causador das maiores tragédias pessoais e coletivas

Ao menos o apontam como motivador de grandes guerras e disputas

Amor possessivo por pessoas, bens materiais, até por Deus…

Amar e aceitar o outro como é, respeitando sua individualidade

Sabendo o momento certo de se calar, de falar, de se doar, de cuidar, de proteger, se recolher

Mesmo quando o outro não parece merecer, principalmente nesses casos,

Em muitos momentos nós também não merecemos

E é quando mais precisamos

Respirar fundo, perdoar, orar pelo outro…

Amar é a melhor coisa do mundo, sim!

Desde que nos torne melhor do que somos

Desde que torne quem amamos melhores do que são

Um amor que faça os envolvidos mais humanos, solidários, compreensivos e felizes…

Amor que constrói , que abre um novo olhar

Pois amor que destrói o que quer que seja não é amor!

E sempre cobra um preço alto.

Alda M S Santos

Na própria pele

NA PRÓPRIA PELE

Não dá para dimensionar o que se passa com o outro

Se sensíveis formos, apenas podemos especular, ter uma ideia

Mas, saber mesmo, só sentindo na própria pele

Só chorando as mesmas lágrimas

Só pisando e se cortando nos mesmos cacos de vidro

Só queimando sob o mesmo sol ou frio

Só desanimando na mesma queda ou escorando nas mesmas porteiras entreabertas da esperança

Só ardendo o peito com as mesmas angústias

Só aguentando as mesmas faltas, lidando com as mesmas falhas

Só sofrendo as mesmas perdas

Só estando sob o jugo das mesmas ameaças

Só tendo suportado o peso doloroso da mesma arma

Só sufocando pelos mesmos medos ou aflições…

Só assim sabemos, só assim não permitimos aos outros o mesmo mal

Só assim protegemos a quem amamos

Só assim nos humanizamos mais e mais…

Alda M S Santos

Pingos nos “is”

PINGOS NOS “IS”

Racionalizar tudo que nos acontece, esclarecer

Colocar todos os pingos nos “is” da nossa história

Começo, meio e fim, se possível com “felizes para sempre”

A conta precisa bater, um mais um precisa ser dois, noves fora

Ler tudo, interpretar, fazer uma releitura dos fatos

Das faltas cometidas, das bolas fora, dos gols

Dos amores, desamores, mágoas causadas e sofridas

Histórias interrompidas antes do fim, pendentes

Mal explicadas, não compreendidas, não aceitas

Essa é nossa tendência: matematizar tudo

Mas nem tudo é débito ou crédito, ônus ou bônus

Podemos estar bem no vermelho, mal no azul

E há belas histórias sem nexo, sem fim, perdidas no tempo

Valorosas, sofridas ou tristes, alegres ou saudosas

Como aquelas em que o livro termina

E a história continua dentro da gente

Criando, inventando, mudando cenários, imaginando, sonhando…

Nem todo ponto final sinaliza um fim

Talvez seja apenas uma nova página, um novo recomeço…

Alda M S Santos

Sabe aquele olhar?

SABE AQUELE OLHAR?

Sabe aquele olhar juiz, acusador, em que o seu se abaixa, culpado?

Não, não é ele que me instiga a ser melhor!

Sabe aquele olhar carrasco, cortante, que o seu enfrenta temeroso, desafiador?

Não, não é ele que preciso para seguir mais corajosa!

Sabe aquele olhar de desnuda “aprovação” e admiração em que o seu se retrai, encabulado?

Não, não é ele que quero como estímulo primeiro!

Sabe aquele olhar de volúpia e desejo do qual o seu se afasta, invadido, irritado?

Não, não é ele que preciso para me sentir mais eu!

Sabe aquele olhar?

Aquele em que você se vê refletido como é e não se envergonha,

Tampouco se sente acusado, culpado ou pseudo-admirado,

Sente-se apenas como é de verdade, sem máscaras, sem medos, sem subterfúgios

Aquele olhar que você encara de frente, mergulha fundo e sente apenas o amor refletido?

Um olhar que você seria capaz de seguir por toda a eternidade

Independente das pedras perfurantes, mares perigosos, matas fechadas?

Esse é o olhar que imagino que Ele nos ofereceria

Se estivéssemos prontos a enxergá-lo!

Sabe esse olhar? É Ele que quero, busco e preciso!

Alda M S Santos

Metades?

METADES?

Eles caminhavam de mãos dadas na avenida movimentada numa manhã ensolarada e fria.

Andavam devagarzinho entre apressados, agasalhos quentinhos quase tanto quanto a cena.

Cabelos brancos como neve brilhavam sob a luz forte.

Uma bengala numa das mãos dele, uma sombrinha grande fechada na dela.

Corpos meio encurvados somando umas quinze décadas…

Vez ou outra trocavam uma palavra, mas os olhares se comunicavam melhor.

Um bueiro aberto à frente, aquele cuidado de desviá-la do cone sinalizador do perigo.

Quantas vezes desviaram um ao outro do caminho interrompido?

Quantas vezes limparam as feridas das quedas nos bueiros da vida ou frustraram-se por não poderem fazê-lo?

Quantos segredos compartilhados ou guardados para proteção?

Quantos momentos de dor superados, fraturas coladas, perdão oferecidos, lágrimas misturadas?

Quantas marcas trazem nos joelhos, nos corações, nas almas?

São metades complementares, despareadas?

Não, são inteiros afins, falhos, com cicatrizes!

Contudo, dispuseram-se a caminhar juntos, a aceitarem-se e diminuírem essas falhas.

Quem vê conclui: “que lindo, que vida perfeita”.

Não, não são perfeitos e, por isso, ajudam-se em suas imperfeições e crescem.

Perfeitos não precisam do outro, de ninguém, não toleram imperfeições.

Lindo, sim! Não pela perfeição, mas pelo amor que cultivaram, que sobrevive às imperfeições.

Se estão unidos ainda assim, de mãos dadas, como a dizer “te aceito”, é exatamente por saberem-se imperfeitos!

Quantos de nós almejamos tudo isso, seguimos no barco da vida, remando sozinhos sem saber nos expressar?

Um viva às nossas imperfeições, melhorando a cada dia,

Sem desgastadas pretensões de alcançar a perfeição…

Alda M S Santos

Aprendizado

APRENDIZADO

Observamos neles a gratidão nas mínimas coisas:

“Deus é muito bom, pois manda vocês para nos alegrar”

A fé inabalável em Cristo:

“Sinto dores, não enxergo mais, tenho 94 anos, e fico aqui enquanto Jesus quiser, ele sabe de tudo”

A capacidade de reflexão, resignação e até uma certa incompreensão dos males

“Não sei porque minhas vistas ficaram assim, nunca fiz mal a ninguém nessa vida”

O arrependimento perante certas atitudes que causaram infelicidade aos outros

“Nunca esperei passar por isso, causar mal a alguém no final da minha vida”

A certeza de que aqui se colhe o que se planta

“Nessa cadeira passo meus dias, mas não reclamo, se devo algo, pago”

E a cada visita aprendemos que ali estão seres humanos que acertaram, que erraram

Vindos de famílias destruídas, por si mesmos, pelos outros

E procuram viver com dignidade e esperança o que lhes resta de vida

Os sentimentos maiores notados ali são: resignação, arrependimento, fé, uma certa nostalgia

E amor, mesmo que em forma de saudade

A nós, não cabe julgar, mas levar todo amor e carinho que pudermos…

Alda M S Santos

#carinhologos

Minhas (des)humanidades

MINHAS (DES)HUMANIDADES

Já ri até a barriga doer de alegria gratuita, mas já acordei de olhos inchados por dormir chorando de tristeza

Já me escondi da minha mãe para não tomar injeção, e de mim mesma para não passar vergonha

Já doei o que vim a precisar, já comprei o que não me era necessário

Já engoli muitos sapos, engasguei com outros, visando salvaguardar a biodiversidade no pântano

Já tive um amor que dispensei, não tive um que desejei

Conquistei amores que valorizo, que me valorizam, presentes que nem sei se sempre mereço

Já fiquei feliz com infelicidade de quem me magoou, já magoei quem me quis bem

Já acreditei em mentiras absurdas e duvidei de verdades verdadeiras

Já fiz promessas que não cumpri, já realizei além do que sequer prometi

Já tive muito medo de morrer, já quis morrer de tanto medo

Já tive raiva e medo de quem amo mais daqueles que não me dizem nada, já causei medos e raivas idem

Já me senti a verdadeira cereja do bolo por agradar e um grão de areia no deserto por não ser aceita

Já me perdi entre muitas escolhas tanto quanto por falta de opção

Já quis ir para a África salvar o mundo, não pude salvar um mundo ao meu lado

Já pensei que meu mundo precisava ser salvo, já quis salvar quem não precisava de mim

Já sonhei muito com o impossível, tendo dificuldade até com o possível

Já tive a vida ameaçada por arma na cabeça por desconhecido,

Mas tive mais medo quando fui ameaçada por palavras e olhares de quem conheço

Já fiz coisas das quais me arrependo, não fiz muito que gostaria ter feito

Já guardei segredos por décadas, já pedi segredos que foram revelados por outros

Já confiei, desconfiei, mas tem coisas que só eu sei de mim mesma

Já chorei dias e noites por uma amizade perdida, a ponto do meu marido intervir, e não me importei por outras que se foram sem dar notícia

Trago lembranças doídas e felizes em mim, mas também devo ser lembrança doída ou feliz na vida de alguém

Já deixei de dizer “te amo” por medo ou vergonha

Mas nunca disse amar sem ter verdadeiramente amado

Assim, entre tantas contradições, vou vivendo e aprendendo,

Levada por minhas (des)humanidades…

Alda M S Santos

Especial

ESPECIAL

Como sempre, hoje é uma data especial para mim, para você

O dia em que você nasceu e recebi, há 26 anos, oficialmente, a mais digna função de uma mulher: ser mãe

E a cada vez as reflexões são as mesmas: estou exercendo bem esse papel?

Ilusão de perfeição não tenho, nem para você, tampouco para mim

Passamos a você uma herança que não escolheu, nem nós, na maioria das vezes

Herança genética, DNA, exemplos, coisas boas e outras nem tanto

Educamos, ensinamos o amor, o respeito próprio, a Deus, ao outro, tentamos contribuir para o bom caráter que você se tornou

Fizemos o que demos conta, o que acreditávamos ser o melhor, dentro de nossas limitações

Mas acredito que você saberá ir eliminando as heranças negativas, conservando as boas,

Mas, principalmente, aprimorando com suas características, o que recebeu de nós.

De tudo quero três coisas de você, resumidas em uma, a razão de estarmos todos aqui:

QUE SAIBA SER FELIZ!

Para tanto, precisa sempre manter sua essência humana e boa, não feri-la, saber amar, perdoar, recomeçar…

Nunca achar que é finito, pronto, imutável, infalível, ser flexível, aceitar mudanças, sempre estará aprendendo, se construindo…

Lutar pelo que acredita, com respeito aos próprios limites e sem ferir o outro,

Pois, felicidade que fere nossa essência, que exclui Deus, e que se baseia na infelicidade alheia não é duradoura!

Mesmo sem perfeição, talvez exatamente pela imperfeição nossa de cada dia,

Você é uma das “minhas” melhores obras abertas

Amo você além do infinito, na atmosfera ou no vácuo…

E, ainda que me torne mais desnecessária a cada dia que passa, estarei sempre aqui…

Parabéns! Deus o abençoe, meu eterno principezinho, Pablo Vinícius!

Alda M S Santos

Expressões

EXPRESSÕES

Há tantas formas de expressão: físicas, mentais, emocionais

E tão pouco entendimento entre as pessoas

Não entendemos o outro e menos ainda nos fazemos entender

Acostumados a selecionar o que mostramos

A esconder emoções que causariam algum malefício

Ou que passariam recibo de fragilidade ou seriam “vergonhosas”

Vamos nos sufocando com nossas emoções…

Um olhar úmido, palavras engasgadas, peito apertado, angústias e medos

Mas o sorriso precisa prevalecer, pedir ajuda é ser fraco

Reclamar é só para ouvir histórias de situações piores, lições de moral

Num mundo em que o certo é se dar bem,

Sacudir a poeira, mesmo que ela cegue a nós mesmos e aos outros

Ser autossuficiente e não depender de ninguém

Fazer a “fila andar” e não perder tempo com “mimimi”

Não dá pra ser zebra frágil num mundo de leões ferozes

Assim, as doenças vão tomando conta e estão aí: pânico,depressão, dependências químicas, transtornos diversos…

Queremos poder chorar, gritar, sorrir, reclamar, ser humanos

Até mesmo silenciar se for nossa vontade

Estar sozinhos por opção e não por falta de um irmão, de um coração

Precisamos nos expressar e nos fazer entender

Antes que não haja mais opção!

Alda M S Santos

Ele está onde o colocamos

ELE ESTÁ ONDE O COLOCAMOS

Tantas vezes nos espaços estreitos dos labirintos de nossas vidas

Quando mais necessitamos de sol, energia, luz, calor

Um sorriso confiante, uma palavra animadora

Esbarramos nas paredes de nossos limites físicos e emocionais

Paredes frias, úmidas, mofadas, duras, escuras…

As dúvidas, medos, desesperanças quase nos nocauteando

Procuramos por uma força, um estímulo, um amor

Alguém que acredite em nós, nos compreenda, nos aceite, nos perdoe

Buscamos Deus…

E Ele será mais facilmente encontrado

Se soubermos onde procurá-Lo, o espaço que reservamos a Ele nesse labirinto

Se estiver difícil de encontrar, pensemos bem!

Deus está onde O colocamos…

Alda M S Santos

Equalizando

EQUALIZANDO

Decepções são como os favores

Nem sempre recebemos ou retribuímos a quem nos “presenteou”

Recebemos favores de um ali

Devolvemos a outro mais na frente

Decepcionamos alguém aqui

Somos decepcionados por outro acolá

Essas são as voltas desse mundo tão cíclico

Ainda que possa parecer cruel

É seu jeito de ser leve e equalizar as coisas…

Alda M S Santos

Naufrágios

NAUFRÁGIOS

Em naufrágios, quando ficamos à deriva

Não importa o tamanho da embarcação

Ou o valor da carga transportada

Navios, escunas, barquinhos…

Depois de tudo lançado ao mar pela força da tempestade

O que temos de mais valioso e poderá nos salvar é a tripulação

E o que trazemos dentro de nós…

Alda M S Santos

Sentimentos

SENTIMENTOS

Tão insignificante quanto um grão de areia ao vento

Tão pequena quanto uma gota d’água numa pétala de rosa ou uma lágrima no rosto

Tão à deriva quanto um barquinho no mar bravio

Tão inútil quanto um guarda-chuva na forte tempestade

(In)existência total dela à mercê da vida…

Mas o grão de areia pode juntar-se a outros na beleza das dunas

A gota d’água da rosa e das lágrimas tornarem-se um convidativo oásis

O vento forte se acalmar e o barquinho navegar

Tranquilamente levado em busca de novos mares

Onde haja brisas calmas, os sorrisos renasçam

As tempestades sejam belas e suaves

E o guarda-chuva seja apenas um acessório a aproximar corações

Cansados de lutar e de correr

Querendo apenas bater no mesmo ritmo, em uníssono

O ritmo do amor…

Alda M S Santos

Encastelados

ENCASTELADOS

Encastelados em nossas verdades ficamos (des)confortáveis

Com tantas certezas imutáveis, guardados entre tantas paredes, portas e janelas

Mas que não se abrem, distantes de todos…

Entre príncipes, princesas, reis e rainhas belos, ricos, superiores

Acreditamos estar protegidos do que é verdadeiramente real

A vida fora das paredes antigas daquele lindo castelo ou masmorra em que nos metemos

De uma plebe genuinamente grande, carente e nem sempre tão fiel

Onde príncipes são pessoas comuns, odiosas, às vezes

Princesas nem sempre são doces e obedientes com suas longas tranças loiras

O cavalo, quando existe, manca, dá coices

Madrastas são guerreiras, lindas ou não, lutadoras do borralho

Bruxas ou fadas são mulheres que conquistam a cada dia seu espaço com doçura, ferocidade e encanto

Príncipes são homens que sabem se encaixar na carruagem dessas novas princesas, serem parceiros

E o “felizes para sempre” é apenas início de uma luta diária…

Encastelados parecemos protegidos…falácia

Certezas podem ser confortáveis, mas são limitadoras

O que tem mesmo poder de melhorar nossas vidas e, quiçá, o mundo

São nossas dúvidas…

Vamos abrir as portas dos castelos de nossa existência!

Alda M S Santos

Quando…

QUANDO…

Quando alguém chegar, bater à sua porta, peça para se identificar

Exija um crachá, um cartão, um uniforme, um ingresso, um convite, uma credencial

Isso previne que você abra o portão para um ladrão

Além do documento oficial que pouco diz

Observe atentamente o olhar, que muito expressa, a “bagagem” que carrega nas costas

As expressões faciais que traduzem o que vai dentro

Deixe entrar no quintal, na varanda, aos poucos, ou dispense

Mas antes de adentrar sua casa você precisa saber:

Quem é esse alguém que se apresenta e chega assim tão perto?

Qual seu histórico de vida, seu Curriculum Vitae pessoal?

Que pode trazer de verdadeiramente bom para sua vida,

Que você pode contribuir para a vida dele?

Aceite a interação, ajude, permita-se ser ajudado

Mas, evite danos, seja guardião de seus tesouros

Internos e externos…

Independente da “casa” que possua!

“Na sociedade há muitas pessoas que colocam trancas nas portas,

Mas não têm proteção emocional”. (Augusto Cury)

Alda M S Santos

Sepultamentos

SEPULTAMENTOS

Muitos “pequenos” sepultamentos enfrentamos ao longo da vida

Infância e inocência sepultadas tão cedo

Amigos imaginários e super-heróis enterrados pela razão

Amigos “para sempre” da adolescência separados pelas trilhas incertas do futuro

Amizades e amores de juras eternas soterrados pelas circunstâncias, distância ou incompreensão

Sonhos, esperanças, desejos afogados nas águas turvas da realidade

O viver se impõe e “mata” o que poderia sufocá-lo ou estacioná-lo

A vida segue sempre em frente, à nossa revelia, ignorando nossos sepultamentos

Para o renascer faz-se necessário abrir espaço em nossos canteiros internos

Para viver, às vezes, é preciso morrer para algumas coisas

E de pequenas em pequenas mortes ou perdas

De pequenos em pequenos sepultamentos “indolores” a que somos submetidos

Vamos nos preparando para a “perda” derradeira…

Só não vale valorizar mais os sepultamentos que os renascimentos

“Para alguns a vida sepulta mais que a morte”(Mia Couto)

Alda M S Santos

E se fosse com você?

E SE FOSSE COM VOCÊ?

Certo ou errado, bom ou ruim

O melhor jeito de saber é sempre se perguntar

E se fosse com você?

Um comentário de mau gosto, uma crítica em má hora

E a criatura, tão “sensível”, afastou-se magoada

E se fosse com você?

Uma mentira aqui, uma promessa ali, deprimiu-se, aquela vida cerceada

E se fosse com você?

Uma mão que não foi estendida, um pedido de socorro não ouvido, uma lágrima que não foi considerada

E se fosse com você?

Uma vida que foi invadida, uma personalidade não respeitada, fragilidade negligenciada

E se fosse com você?

Bens subtraídos, traição exercida, uma fraude aplicada

E se fosse com você?

Um sorriso apagado, tristeza não evitada, emoção roubada

E se fosse com você?

Sempre tão bons em julgar:

“Mas já foi comigo”

Responsabilidade maior ainda por ter aprofundado

Por saber e ter sentido na pele o certo e o errado…

Quer saber se é bom ou ruim?

Coloque-se no lugar do outro!

Não faça para ele nada mais nada menos do que gostaria que fizessem com você!

Alda M S Santos

Era apenas o tempo…

ERA APENAS O TEMPO…

Era apenas o tempo que passou…

Aquele que quase sempre torcemos para que passe rápido

Quando esperamos por algo que nunca chega

Era apenas o tempo que passou…

Aquele que passa veloz, matreiro

Quando o desejo é que se eternize em nós

Era apenas o tempo que passou…

Aquele que às vezes se arrastou, torturante

Quando a dor doía muito, sangrava, matava aos poucos

Era apenas o tempo que passou…

Aquele que gostaríamos de ter melhor observado, aproveitado

Quando olhando longe, para trás ou para frente, o perdemos

Era apenas o tempo que passou…

Aquele que queremos retomar, recuperar, reverter, consertar

Quando percebemos o quanto erramos conosco e com os outros

Era apenas o tempo

Quando percebemos, se foi…

Foi apenas o tempo que passou…

E nós aqui ficamos resgatando lembranças

As pequenas e saudosas migalhas que ele nos deixa

Para reconstruir, ainda que mentalmente,

Tudo aquilo que ele “levou” de nós…

Era apenas o tempo que passou…

Alda M S Santos

Paixão não se discute

PAIXÃO NÃO SE DISCUTE

Diz a sabedoria popular que três coisas não se discute:

Futebol, política e religião

E é muito fácil descobrir o porquê

A preferência por determinado time de futebol, política ou religião

Foge a qualquer razão, envolve mais alma, coração

Quem se mete a discutir quer explicar o inexplicável

Percebe logo que o outro, tão diferente ou até parecido conosco, pode não ter a mesma paixão

Não faz diferença o gênero, classe social, se é mais culto, inteligente, simples, vivido ou não

Para defendê-la, quase todos se perdem nas trilhas confusas e irritadiças da emoção

Não dá para mensurar aquilo que envolve coração

Não dá para discutir racionalmente o que não se baseia na razão

O melhor jeito de bem conviver é dar ao outro o que reivindicamos para nós

Respeito por nossas escolhas, nossos gostos, nossas paixões

Que ofereçamos a eles o mesmo direito ao silêncio, ao grito, à voz

O mesmo direito de manter-se firme, ou não, em suas paixões

Com o que trazem de único a cada um de nós: satisfações ou desilusões…

A paixão pode e até deve ser diferente, mas o respeito precisa ser equânime…

Alda M S Santos

Enigmas

ENIGMAS

Sou feita de barulhos e de silêncios

Ora sou um, ora sou outro

Ambos necessários em mim…

Há quem goste dos barulhos

Há quem prefira os silêncios

Há quem não compreenda nem um, nem outro

Há quem desperte barulhos intensos

Há quem provoque silêncios profundos, tranquilos ou dolorosos

Há quem não saiba lidar com nenhum dos dois

Há quem consiga fazer a travessia de um para o outro

Sou feita de contrários, de antagonismos

E nessa luta frenética em mim

Vou desvendando meus enigmas

Tornando-me mais eu…

Alda M S Santos

Terreno abandonado

TERRENO ABANDONADO

Quem observa um jardim ou um terreno produtivo

Nem sempre imagina o trabalho que tudo aquilo dá

Saber arar a terra, o momento certo de plantar, irrigar, podar

Escolher as mudas certas para áreas de sol ou sombra

Ficar atento às plantas que ocupam todo o espaço e sufocam as demais

Controlar pragas e insetos invasores, nocivos

Irrigar adequadamente, cuidar para não invadir terreno alheio

Saber que as plantas mais danosas crescem com facilidade, se alastram

Flores raras são mais sensíveis e exigem atenção maior

Podemos admirar jardins e saborear frutas, mas não saber muito bem cultivá-los

Com a nossa vida pessoal se dá o mesmo processo

A diferença é que podemos contratar profissionais para hortas, pomares e jardins

Mas não podemos terceirizar o trabalho de escolhas das mudas, poda e cuidado de nossas vidas

Nosso “terreno” interno não se adapta com qualquer muda

Não reage bem à escuridão, luz excessiva ou falta de irrigação

Cada terreno tem características muito individuais que precisam ser respeitadas

Todo jardim florido, roça ou pomar produtivos

Têm sempre um jardineiro, um agricultor, um fazendeiro dedicado e atento…

Um terreno abandonado é igual a uma vida sem “dono”, sem cuidados

Conhecemos de longe, não têm brilho ou beleza

Nasce e cresce o que quer…

Alda M S Santos

O Sagrado de todo dia

O SAGRADO DE TODO DIA

Foi por você esse amor de tal magnitude

Foi por você que Ele se entregou

Foi por acreditar na sua capacidade de se arrepender, aprender, amar e se doar

Que Ele se fez humano, enfrentou seu calvário

Foi por você, que tantas vezes duvida de si mesmo, desiste

Que tantas vezes destrói o que Ele te deixou de mais valioso

Que vira as costas ao Sagrado diário de seu lar

Que Ele carregou sua cruz, doou sua própria vida

Foi por você! Foi por mim!

Foi por todos nós!

Façamos com que não tenha sido em vão…

Alda M S Santos

Colecionadores

COLECIONADORES

Somos grandes colecionadores nessa empreitada chamada vida

E de tudo pode-se colecionar…

Há os colecionadores já conhecidos de selos, moedas, figurinhas, sapinhos e elefantes…

Outros colecionam orquídeas, livros, poemas, músicas, álbuns diversos

Carros, jogos, dinheiro, imóveis…

Cada coleção diz muito do colecionador

Há quem colecione sorrisos, alegrias, amizades, quem as cultive

Há colecionadores de namoros, casamentos, relacionamentos de “amor”

Há quem colecione sonhos, conquistas, verdades, falácias, mágoas, perdas, decepções, sofridas e causadas

Há os que colecionam inimigos ou admiradores, bombas de egos murchos ou lustradores de inflados

Há quem colecione “sins” e há quem colecione “nãos”

Há quem colecione o simples, o fácil, o prazeroso, o disponível e encantável

Há quem colecione a eterna busca pelo proibido e inalcançável, doa a quem doer

Há quem colecione vitórias, derrotas, lágrimas, erros, aprendizados, arrependimentos

Há quem se perca em meio a tantas coleções vazias, ocas e infrutíferas

Buscar no silêncio das intenções os motivos de cada “coleção”

Investigar no fundo desse “baú” quais carências tais coleções visam suprir

Pode ser um modo sábio de melhorar, valorizar e diversificar nossas “coleções”

Gerando autoconhecimento, minimizando as falhas que todos temos, enriquecendo nossas vidas e dos que nos cercam…

Que temos colecionado? O que de importante e valioso temos de verdadeiramente nosso?

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑