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Sentimentos

Fugas

FUGAS

Fugas muitas vezes são vistas como desistência

Apontadas como covardia, escolha mais fácil

Será mesmo?

Pode-se fugir de medos de escuro, acendendo a luz

Pode-se fugir de traumas à base de calmantes e ansiolíticos

Pode-se fugir de culpas se afogando em álcool ou outras drogas

Pode-se fugir do amor apontando os outros como problemáticos

Pode-se fugir da vida, com intuito de protegê-la

Pode-se fugir da desesperança mergulhando na fé, na religiosidade

Pode-se fugir da dor, evitando viver

Pode-se evitar confrontos fugindo de algumas pessoas, de várias ou de alguma em especial

Pode-se mudar o nome, o rosto, os convívios

Pode-se mudar de país, de sentimentos

Pode-se entupir-se de coisas lindas e valiosas

Pode-se até tentar fugir de si mesmo, ignorando sentimentos

Fingindo que está tudo bem, que tudo é belo

Pode-se fugir de si mesmo usando os mais diferentes subterfúgios

Mas será como crianças pequeninas brincando de esconde-esconde

Tapando apenas o rosto e acreditando que estão protegidas…

Até que ponto esconder de si mesmo é valentia ou covardia

Força ou fragilidade, medo ou coragem?

Não dá para se esconder de si mesmo para sempre…

Pode-se ficar camuflado, nunca escondido

O que se é carrega-se consigo em qualquer fuga,

Para qualquer lugar que se vá

É sempre um caminho longo e doloroso encontrar-se

Mas quando o rosto for destapado

Apesar do susto, dos medos, o sorriso pode aparecer e brilhar

Como na brincadeira de esconde-esconde infantil…

Alda M S Santos

De quantos?

DE QUANTOS?
De quantos nãos se faz uma decepção
De quantos medos se faz uma coragem
De quantos abandonos se constrói uma muralha
De quantas valentias e covardias se fazem um herói 
De quantos tanto faz se faz um desistir
De quantos passos trôpegos se faz uma marcha firme
De quantos cuidados o amor se alimenta
De quantos sorrisos se faz um encanto
De quantas lágrimas a saúde emocional sobrevive
Quantos abrir mão o amor é capaz de suportar
Quantas descargas emocionais o coração aguenta sem sofrer um colapso
De quantas promessas não cumpridas se faz um desamor
Quantos “felizes para sempre” somos capazes de destruir, incólumes
De quantos mergulhos rasos se faz uma vida superficial
De quantos “tudo bem” se molda uma máscara
De quantas demolições internas e externas precisamos para reconstruir
De quantas saudades se faz um existir?
De quantos(as)?
Gostaria de saber…
Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS

Numa mansão numa ilha paradisíaca,

Numa casinha branca à beira do rio

Numa gangorra na roça, descalça

Num barracão no morro do cafezal

Pilotando uma lancha veloz,

Um barquinho de pescador

Ou na suíte de um transatlântico

Não importa… o local é secundário

Prioritário é estarmos em nós mesmos

Estarmos bem encaixados em nossos direitos e avessos

Lidando bem com feridas e cicatrizes

Aceitando nossas imperfeições e inadequações

Nos perdoando de confiança excessiva, exposição exagerada de sentimentos

Ou de medos e traumas que nos travam

Sabendo que, independente dos outros,

Nós precisamos nos entender e aceitar

Destrinchar alegrias e dores, mágoas e regozijos

Onde estivermos por completo, inteiros

Onde nos sentirmos em total sintonia conosco

Sem máscaras, sem falsas alegrias ou autopiedade

Onde pudermos ser verdadeiramente

Corpo, mente, alma, coração

É que estaremos bem de verdade…

Alda M S Santos

Brotos de vida

BROTOS DE VIDA

Aquela flor que precisa “morrer”

Suas raizes em batatas necessitam do repouso do solo

Do calor do sol a aquecer a terra

Da água que chega na hora certa

Para que possa romper-se em brotos

E buscar a luz do sol

O sorriso de satisfação de quem por ela esperou

De quem nela acreditou, ou não

Como fênix que renasce das cinzas

Como urso que desperta pós inverno e longo hibernar

Como o sol que se “apaga” e se acende todas as manhãs

Como o amor que mantém-se vivo em meio a tanto desamor

Sabe o momento de se proteger na distância ou na indiferença

E, como flor, procura preservar a raiz das tempestades

Recolher-se é necessário, é sabedoria

Parecer morrer é juntar energia

Para renascer mais forte

A luz brilha mais intensamente onde antes foi escuridão

Para quem tem no coração a força que vem da esperança…

Alda M S Santos

Quem não entende

QUEM NÃO ENTENDE

Quem não entende um olhar

Tampouco entenderá uma longa explicação,

Diz Mário Quintana.

Um olhar é capaz de dizer praticamente tudo

Para pessoas dotadas de sensibilidade

Ainda que não possam ler tudo escrito naquelas “linhas” do olhar

Que muitas vezes se desvia

Podem sentir, imaginar, calcular, intuir

Particularmente se é um olhar já conhecido

Um coração que dividiu consigo sonhos, esperanças e medos

E, a partir daí, conversar, agir, sorrir, chorar

Brigar, cobrar, orientar, sofrer junto

Estar perto, oferecer o ombro, o colo, a compreensão

Quem no olhar, ou no tom de voz, identifica uma dor

Num “tudo bem” vê um “to sofrendo”

Num silêncio ouve gritos

Nos gritos ouve a alma despedaçada que silencia

Numa meia palavra entende todo o texto

Num sorriso alegre para muitos

Percebe a sombra dolorosa que tira o brilho

É quem sequer precisaria de palavras para ajudar

Apenas abraça, se não for possível, protege na oração

Almas afins…

Alda M S Santos

Não seria roça!

NÃO SERIA ROÇA!

Não seria roça se não faltasse energia

E se não fosse preciso esquentar água no fogão à lenha

Para tomar banho de bacia

Não seria roça se o céu não fosse mais limpo e tivesse mais cor

As estrelas mais numerosas, brilhantes e cadentes

A despertar nas mocinhas um pedido de amor

Não seria roça se os pássaros não se banhassem na terra

Se não cantassem nos galhos da ameixeira ou no alto da serra

Não seria roça se não tivesse uma rede na varanda

Uma música caipira tocada na viola por violeiro cheirando a fumo e lavanda

Não seria roça se não tivesse quitanda quentinha no forno de barro branco batido

Ou um mingau de fubá fumegante com queijo derretido

Não seria roça se o café não fosse coado na hora no coador de pano

Servido em caneca esmaltada

E se não tivesse banho no rio de criança sapeca e pelada

Não seria roça se a galinha d’angola não estivesse sempre fraca, o galo não cantasse animado

Ou o leite não fosse tirado das tetas inchadas das vacas por um vaqueiro cansado

Não seria roça se não tivesse prosa nas noites geladas em torno da fogueira

Um cão vira-latas a vigiar a porteira

E uma criança a se balançar na gangorra na mangueira

Não seria roça se a gente não se sentisse na roça

Não seria roça se a gente não fosse um pouco roça também…

Alda M S Santos

Visitas breves

VISITAS BREVES

Quase sempre chegam de surpresa

Elegantes, desconfiadas, sondando o terreno que julgam seu

Medo de se ferir, se machucar, serem alvejadas

Encantados e saudosos as recebemos

Comemoramos internamente a visita, aproveitamos a doce presença

Enchem o espaço de alegria, novidade, beleza

Dedicamos carinho, amor e atenção

E num voo rápido se vão… para outros quintais…

Deixam vazios e esperança de retorno

Deixam saudades…

Saudade não se tem daquilo que se foi

Saudade é o que sentimos daquilo que ficou depois da partida

Apenas mudou de lugar

Do espaço antes ocupado pelo que os olhos viam, mãos tocavam

Agora ocupados apenas no cantinho especial no coração

Onde apenas a alma toca…

Alda M S Santos

Onde está escrito?

ONDE ESTÁ ESCRITO?

Onde está escrito

Que a vida é mais feliz

Quando o amor é mais companheiro

Que o olhar reflete o que o coração diz

E que a paz não se paga com dinheiro?

Onde está escrito

Que amor com amor se paga

Que o sorriso conquista, se sincero

Que a fé é o fogo que o bem propaga

E que tudo que é bom é sempre terno?

Onde está escrito

Que a simplicidade é o lar da felicidade

Que quem doa sempre tem

Que o bem mais valioso é a amizade

Pois é com compaixão/ação que vivemos no bem?

Onde está escrito? Em nós!

Naquele olhar que conquista, no sorriso que cativa

Naquela alma que ouve “te amo”, encantada

Na bondade que fascina e nunca se esquiva

Na saudade que faz de nosso coração sua eterna morada!

Alda M S Santos

Superamos?

SUPERAMOS?

É preciso superar e seguir em frente, todos dizem

Mas quando se pode dizer que superamos?

Quando o problema foi eliminado, deixou de existir

Ou quando não o deixamos mais nos atingir?

Quando a ferida foi da alma apagada

Ou quando a lembrança já vem sem doer, está liberada?

Quando nominamos todos os responsáveis pelo bem e pelo mal

Ou quando já não se culpa mais ninguém pelo vendaval?

Quando as ausências já não são tão grandes, foram preenchidas

Ou quando optamos por deixá-las ter seu próprio espaço, acolhidas?

Quando podemos dizer que superamos?

Será que é quando se desiste de esquecer o que passou, bom ou ruim

E decide carregar ambos na bagagem; o ruim como aprendizado e o bom como saudades?

Será que é quando perdoa-se falhas cometidas por quem quer que seja

E aceita-se o porvir como presente?

Ainda que o brilho no olhar nem sempre venha dos sorrisos,

Mas das lágrimas saudosas que possam irrigar as lembranças e o viver?

Estarmos vivos quer dizer que superamos, que fomos mais fortes que tudo?

Sempre penso nisso ao fixar no olhar de todos eles…

Superaram? Superamos?

Alda M S Santos

#carinhologos

Tudo gera lágrimas

TUDO GERA LÁGRIMAS

Que há quando quase tudo

Nos toca, sensibiliza, emociona?

Se alguém querido diz algo que nos magoa

Nos debulhamos em lágrimas

Se a pessoa se toca, se justifica, se desculpa

As lágrimas rolam mais intensas ainda

Se alguém amado não nos valoriza, não se lembra de nós, choramos

Se tem carinho, cuidado, atenção, choramos também

Se os outros são desligados e indiferentes ao que fazemos, choramos

Se alguém demonstra gratidão, reconhecimento, as lágrimas brotam sem cessar…

O sol que arde, a chuva que cai

Alguém que sofre, outro que é feliz

O frio que martiriza, o calor que enerva

Uns que chegam, outros que se vão e deixam saudades

Uns que nos encantam, outros que nos decepcionam

A vida que segue indiferente a todos, implacável

Como ondas num mar gigante que vão e vêm

E as lágrimas sempre, sempre brotando…

Será que estão lavando o terreno das impurezas e parasitas

Para um novo broto renascer?

Alda M S Santos

(Retro)visão

(RETRO)VISÃO

Diante do vidro para-brisa se descortina o caminho

O olhar o tem à frente, independente se o vemos limpo ou embaçado

Claro, escuro, livre ou interrompido por desvios

Ele esta lá, quer pisemos fundo no acelerador da vida

Ou brequemos forte nos freios, desanimados

O olhar volta para o retrovisor, vê o caminho lá atrás

Ora bonito, florido, iluminado, feliz

Com abraços apertados e beijos doces

Ora escuro, empoeirado, esburacado, triste

Com dores, lágrimas, medos e decepções

Sentimos saudades, por vezes queremos voltar

Mesmo passado, nem sempre bom, ele carrega em si a prerrogativa de ser conhecido

Mas o caminho à frente se impõe no grande para-brisa, o novo

Desconhecido, apenas imaginado, gera insegurança e expectativas

E nesse vai e vem de olhares, a visão precisa se manter à frente

As dimensões desproporcionais entre retrovisor e para-brisa

Significam que é bom olhar para trás, vez ou outra

Trazer grudado no coração e na alma o que o passado agregou

O amor recebido ou perdido, os afetos doados, os aprendizados

Os buracos em que caiu ou que “jogou” alguém

As vidas que salvou, ou as que não conseguiu

Mas sabe que a vida segue é para frente…

Pisa mais calmamente no acelerador e segue

Todo cuidado é pouco,

Luz forte cega tanto quanto escuridão

Não quer deixar quem queira seguir junto sozinho no caminho

Não há pressa…

O presente acontece para quem não fica parado

E o futuro, se chegar, já será presente …

Alda M S Santos

Decantar para não desencantar

DECANTAR PARA NÃO DESENCANTAR

Diante da turbidez de nossas águas

Das impurezas acumuladas em nosso dia a dia

Tudo misturado, leve e pesado, transparente e escuro

Coisas que atraímos, outras que são jogadas em nós

Ou resultado do viver intenso, de afluentes gerados

Tornando difícil o nadar, o navegar, o respirar, o viver

É preciso um processo de decantação

Antes que nos desencantemos desse nado

Depois de tanto agito, parar um pouco, acalmar nossas águas

Deixar que se separem os elementos incompatíveis

Usar a fé, a sabedoria, a alegria de viver como decantadores

Tudo ficará mais claro, bem separado

O essencial e importante do supérfluo e desnecessário

Aí poderemos retirar os “excessos”

E voltar a nadar livremente…

Alda M S Santos

Pedro negou “só” três vezes

PEDRO NEGOU “SÓ” TRÊS VEZES

Diante de um medo profundo

Covardia, mau caráter, falha humana, fraqueza

Para cumprir o que diziam as escrituras

A razão em si não nos importamos tanto

O que ficou para todos nós foi que Pedro O negou três vezes

Diante do risco iminente de prisão e morte

Ele se acovardou, negou O amigo, O protetor

Que se encontrava em apuros

Aquele que o amou e o ensinou a amar acima de tudo

Somos tão bons para julgar!

E nós?

Quantas vezes o temos negado

Ao virar as costas a um necessitado

Ao dizer que uma criança carente é problema do governo

Ao abandonar nossos idosos ou não estender a mão, podendo fazê-lo

Ao priorizar nosso bem estar independente dos outros

Ao desistir de amigos e familiares

Ao abandonar quem em nós confiou

Quem muito de nós esperou?

Quantas vezes fugimos por medo ou covardia?

Quantas vezes seguidas mais destruímos que construímos

Nas nossas vidas e nas vidas dos outros?

Pedro negou Jesus três vezes somente

Quantas vezes O temos negligenciado em cada irmão que Ele habita?

Quantas vezes não nos misturamos na precariedade que Ele sempre encontra morada?

Afinal, somos “superiores”, já fizemos “nossa parte”

Nos salvamos. Será?

Seria menos vergonhoso se fôssemos Pedro!

Alda M S Santos

Feridas abertas

FERIDAS ABERTAS

Aquela ferida profunda no dedo

Machucou fundo, doeu, sangrou muito

Ora fratura, atinge nervos importantes

Limpamos, higienizamos, medicamos, repousamos

Isolamos como podemos do ambiente externo

Por vezes são necessárias suturas, enfaixamento para fechamento e cura

E ausência de limitação de movimentos e cicatrizes grandes posteriores

Mas tudo parece atingi-la em primeiro lugar

O dedo ferido “chama” para si todo atrito

Encosta em tudo que atiça novamente a ferida

E, frágil, sequelado, sangra novamente…

Algo em nós que foi machucado ou ferido

Sempre será frágil, sempre terá marcas profundas

Sempre necessitará de cuidados especiais e controle

Sempre será atingido por coisas aparentemente banais

Vale para feridas da carne, do coração, da mente ou da alma…

Alda M S Santos

A “maldição” do quase

A “MALDIÇÃO” DO QUASE

Sempre esteve tão perto, quase conseguiu, foi por pouco

Sente que a vida toda esteve dependurado nos “quase”

Quase ganhou o campeonato de futebol

Quase foi coroado Rei do Amendoim

Quase conquistou a menina mais linda da escola

Quase passou no vestibular

Quase casou-se com o amor da sua vida

Quase conseguiu o emprego dos sonhos

Quase aprendeu a falar inglês

Quase montou o negócio tão almejado

Quase foi morto num assalto-um quase benéfico

Quase morreu afogado no mar- outro nada mal

Quase ganhou na Mega-Sena , ficou na quadra

Quase curou um mal genético

Achava que sua vida se resumia à maldição dos quase

Mas acabou aceitando que de quase em quase a vida segue

E aprendeu a maior lição:

A vida acontece com aquilo que a gente faz nos “quase”

Porque, apesar de existir quase morrer ou matar

Nunca ouviu falar de quase viver…

Alda M S Santos

Transformações

TRANSFORMAÇÕES

“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”…

Segundo essa lógica de Lavoisier, nada perdemos, apenas transformamos

Vivemos transformando decepções em aprendizado ou revolta

Tristezas e lágrimas em crescimento ou negativismo

Trabalho árduo em alegria ou apenas cansaço

Ilusões e expectativas frustradas em força ou medos

Injustiças em solidariedade e compaixão ou indiferença

Amor “perdido” em amizade, carinho, esperança ou descrenças e desconfianças

Jovialidade e força em maturidade e sabedoria

Tudo que parece perdido em nós, para nós, se olharmos bem

Na verdade foi transformado com nossa efetiva participação

Tudo se transforma, mas não à nossa revelia

O modo de lidar com nossas “perdas” é o ingrediente base para o que fica

Para aquilo de precioso que trazemos como memórias e saudades

Podemos fazer dessas transformações apenas tristes demolições

Ou grandes e maravilhosas construções…

Alda M S Santos

Um dia nosso sol irá se por

UM DIA NOSSO SOL IRÁ SE POR…

Um dia nosso sol irá se por

Seu brilho descerá calmamente atrás da serra

Com cores lindas se apagando no firmamento

Um dia nosso sol irá se por

Nossos dias serão um entardecer infinito

Com ou sem arrependimentos por quem aqueceu ou deixou de aquecer

E isso não mais irá importar

Um dia nosso sol irá se por

Nossos sorrisos não iluminarão mais nossos rostos

Nossa alegria não mais irrigará nossos corações

Um dia nosso sol irá se por

Levará consigo o chiado de quando quase se afogou em nossas lágrimas

Sem expectativas de um amanhecer por aqui

Deixando um rastro de luz, vida e brilho por onde passou

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje

E quando isso acontecer, não irá doer

Não importarão as partes escuras enfrentadas

As lembranças nas sementes que fez germinar

E a luminosidade que deixou noutros corações

Serão o suficiente para nascer noutro lugar

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje…

Um dia, quando eu me apagar por aqui

Espero nascer um pouco em você, em vocês

Que me amaram e que eu um dia amei…

Alda M S Santos

Moldados pela vida

MOLDADOS PELA VIDA

Não há nada que nunca mude, que nunca se transforme

Até mesmo as pedras, as rochas, inertes e imóveis no mar

Sofrem total interferência do meio

Aparentemente firmes e fortes, a água, o sol, o sal, os ventos

A matéria orgânica, animal e vegetal a modificam

A água abre reentrâncias, provoca sulcos, invade espaços

Quando não há, contorna, passa por cima e, ainda assim, é atingida

Adquire novas cores, novas formas, novo relevo

Muitas vezes nocivo, que corta fundo quem se aproxima

Causa dores, escorregões e tombos

Uma pedra nunca está totalmente isolada por estar parada no mesmo lugar, inerte

Cedo ou tarde, ela será “outra” pedra

Somos pedras sendo moldados pelas águas da vida em seu ir e vir incessante

Ora turbulentas, ora calmas, ora violentas e sempre incansáveis da vida…

Podemos escolher fazer parte, ou sermos modificados à nossa revelia…

Alda M S Santos

Ele nasceu e eu vi

ELE NASCEU E EU VI…

O Rei Sol nasceu às 06:28, 26/07/18 e eu vi

Não como o percebo, sem notar, nos outros 364 dias do ano

Mas no alto do Pico do Papagaio, a 982 m de altitude na Ilha Grande, Angra dos Reis

Despertei à 1:30 da manhã para uma trilha de 7000m de subida íngreme na mata

Para essa caminhada que teve início às 2:17h foram 10 trilheiros valentes

7 nacionalidades: Brasil, França, Alemanha, Bélgica, Canadá, Chile, Argentina

3:30h mais tarde, muitas árvores, troncos, rios, pedras,

Vagalumes, lua, esquilos, suor, pequenas paradas de 2minutos

Respiração ofegante, parcerias, goles d’água, apoio de um cajado

Chegamos às 5:45h no cume do pico, vento forte, frio de gelar

Mas a vista maravilhosa na madrugada escura

Calava qualquer cansaço, qualquer dor, qualquer desconforto

Corações acelerados, todos sentados numa pedra escorregadia e perigosa

Aguardavam ansiosos ao nascer do sol mais lindo de nossas vidas

Às 6:28h ele começou a despontar e logo reinava grandioso

Lindo, sabedor de sua grandeza e poder

Várias línguas o saudaram…

Rei da vida, rei do céu, criado pelo Rei dos reis

E nós, desafiando nossos limites e a natureza

O homenageamos com nosso deslumbramento…

Às 7:20h, aos 51,8 anos de idade, num grupo cuja média era 30 anos

Superei meus limites, agradeço a Deus

E iniciamos a descida forte já sob ele, enxergando tudo, terminando às 9:45h.

A nós todos nota 10!

Quem disse que números são frios?

Eles podem ser emocionantes!

E viva o Sol e seus súditos!

Alda M S Santos

 

Onde há mar

ONDE HÁ MAR

Onde há mar, amar é fácil

Os sonhos são leves e a realidade vem em ondas calmas

Ou se vier forte e derrubar nossos castelos

Achamos divertido e construímos de novo

Onde há mar, amar é fácil

Se a maré ficar alta, mesmo havendo ressacas

Lembramos apenas das calmarias

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo “temperados” com tanto sal

As doçuras de cada um se sobressaem

Onde há mar, amar é fácil

À beira d’água qualquer caminho é leve e suave

E, se o cansaço chegar, um mergulho relaxante é o suficiente para se renovar

Onde há mar, amar é fácil

Debaixo de um céu tão intenso e tão azul

Nossas nuvens cinzentas ficam envergonhadas e se recolhem

Fazer amor é deliciosa e sutil consequência

Onde há mar, amar é fácil

Ainda que as águas estejam geladas

Mergulhamos fundo, saltamos ondas, lavamos a alma

Onde há mar, amar é fácil

Faça sol ou faça chuva,

O calor vem de dentro de nós

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo nas noites escuras, sentimos sua força, podemos ouvir seu chamado

Onde há mar, amar é fácil

Desde que tenhamos decidido à priori que seria assim

Que o amor seria prioridade…

Alda M S Santos

Mar aberto

MAR ABERTO

Em mar aberto, água em movimento lento e sensual por todos os lados

Céu azul abrigando asas fortes de pássaros a plainar, certos de sua beleza e liberdade

Ou de vento forte a nos dar a sensação de paz, cabelos aos vento

Sol a aquecer a pele, o balanço calmante da lancha

A rasgar as águas velozmente em busca de uma ilha

Sob nós, nas águas verdes e convidativas, peixes e toda espécie marinha

Cercados de vida por todos os lados

Seguimos, cada qual no seu habitat

Sentindo sua força e fragilidade

Vidas fortes e seguras em seus espaços

Vidas frágeis e em risco se tiradas dali

Peixes fora da água, pássaros fora do céu,

São como humanos fora do chão, coração vazio

Bastaria um mergulho na direção errada

Do pássaro, do peixe ou do homem

Para tudo se acabar

Flertamos com a morte todo o tempo

Só não podemos nos deixar atrair pelo desconhecido

Só não podemos nos apaixonar…

Em mar aberto, ou em qualquer lugar

Sempre de coração aberto para a vida…

Alda M S Santos

Camuflagens

CAMUFLAGENS

Habilidade de passar despercebido onde quer que esteja

Meio de se proteger, assemelhando-se ao ambiente para não chamar a atenção

Tornar-se um igual a tantos outros iguais

Apagar algum brilho ou cor, acender outras

Gritar onde se grita, silenciar onde tudo é silêncio,

Ser cinza onde tudo é cinzento, desligar-se onde tudo está em off

Mexe daqui, mexe dali, e…pronto!

Tudo homogêneo, nada se destaca, todos uniformizados

Um bloco de iguais!

O risco é acabar esquecendo o que se é

E, na tentativa de se autoproteger ou agradar aos outros,

Acabar por não ser mais nem um e nem outro…

Pior, perder até o prazer de ser o que se é!

Alda M S Santos

Chave e fechadura

CHAVE E FECHADURA

Sonho de cem entre cem pessoas:

Encontrar alguém que lhes “complete” em todos os aspectos:

Físico, emocional, espiritual…

O que muitos desconhecem, e sofrem, é que isso não é imediato

Talvez apenas o físico, mas é, sim, uma construção diária.

Trabalho para toda a vida!

Para cada fechadura, o seu segredo

Para cada segredo, a sua chave

A chave e a fechadura podem muitas vezes emperrar

Perder o jeito, o lado certo, o modo de encaixar

Não casar adequadamente

Mas se for limada com jeito e perseverança

O encaixe poderá se dar, sem machucar

As portas da felicidade e da paz serão abertas

Se de todo modo não encaixa, a fechadura não é essa

A chave é outra, pertence a outro.

O amor é a chave universal.

A única que sabe qual porta pode ser aberta.

Infelizmente, alguns a esquecem no chaveiro, perdida entre tantas outras

Ou estragam chaves e fechaduras em impróprias, erradas e vãs tentativas!

Alda M S Santos

Fios invisíveis

FIOS INVISÍVEIS

Imagino a vida assim

Repleta de fios invisíveis saindo de nós

Em forma de energia e calor

Como as luzes de sensores infravermelhos

Em paralelas, diagonais, transversais

Perpendiculares,

Atraindo alguns, repelindo outros

Gerando luz ou descargas elétricas, curto-circuitos

Ligando seres afins, unindo pessoas

Conectando almas, acionando a vida que há em nós

Vida que precisa de recarga diária…

Conecte-se à fonte do amor!

Alda M S Santos

Você não sabe!

VOCÊ NÃO SABE!
O frio que enfrentei nas noites longas, os curtos e finos cobertores que não aqueciam
Você não sabe…
As lágrimas que derramei, aquelas que engoli, quase sufoquei
Você não sabe!
Os sorrisos forçados, olhos úmidos, embaçados, disfarçando os medos
Você não sabe!
O cansaço que pesava as costas, arriava a fé, o desânimo fazendo desacreditar num futuro
Você não sabe!
A contraditória alegria e peso da responsabilidade em ser a “vida”, a motivação ou exemplo de alguém
Você não sabe!
A solidão que invade e a baixa autoestima tantas vezes assustadora
Você não sabe!
Os caminhos difíceis, secos, repletos de pedregulhos que machucaram meus pés
Você não sabe!
Aqueles que surgiram para dificultar minha caminhada, levantar dúvidas, desviar do caminho
Você não sabe!
Quantas vezes foi preciso desistir, reavaliar, recuar, redirecionar para não cair, não machucar ninguém
Você não sabe!
Quantas vezes foi necessário ser forte e buscar apoio nos ombros da fé
Você não sabe!
O que você sabe de mim é o que eu te deixo ver, que consigo mostrar
Assim somos todos! Não sou especial ou diferente!
O que sabemos de todos, o que eles sabem de nós
É apenas aquilo que foi filtrado nos pequenos furos da peneira da autoproteção
Ou por cuidado e proteção de terceiros
Não dá para saber…
Você não sabe! Eu não sei!
De nós mesmos, só nós sabemos…e Deus
Dos outros, só podemos imaginar…
Preferencialmente, sem julgar…
Alda M S Santos

Um grande evento

UM GRANDE EVENTO

A vida se faz de pequenos grandes eventos

Da nossa habilidade de eternizar momentos

Gravá-los no disco rígido de nossa memória

Tatuá-los na pele delicada de nossa alma

E ativá-los a qualquer tempo

Uma caminhada tranquila num fim de tarde

Uma conversa no banco da praça admirando o por-do-sol

Um mergulho no mar de nossas emoções mornas, quentes, calmas ou agitadas

Um choro de alegria e alívio depois de fortes emoções

Um lanche no carrinho de cachorro-quente

Um piquenique à beira de uma cachoeira gelada

Um abraço de carinho e saudade de alguém amado

Daqueles que te levantam do chão nas pontas dos pés

Um “eu te amo”, tão verdadeiro e desejado

Um beijo quente, de amor, de entrega, de confiança

Uma “taquicardia” de prazer diante de alguém que é importante para nós

Uma bala trocada que adoça a boca do outro

Um jantar na grama sob o céu salpicado de estrelas

Sonhos, desejos e planos antecipando alegrias

Um filme abraçadinhos no tapete comendo pipocas com batom

Um simples sorriso, um cumprimento ou beijo soprado de longe que a tudo contagia

Uma vida repleta de pequenos grandes eventos

Grandes, maravilhosos e eternos eventos…

Alda M S Santos

Não vale a pena

NÃO VALE A PENA

Não vale a pena vitória sem dignidade

Beleza sem conteúdo, palavras sem verdade, força sem fragilidade

Não vale a pena amor sem reciprocidade

Amizade sem lealdade, paixão sem sensualidade, sorriso sem ingenuidade

Não vale a pena inteligência sem sensibilidade

Alegria sem profundidade, união sem sinceridade, fé sem bondade

Não vale a pena prazer sem intimidade

Lágrimas sem aprendizado, loucura sem afinidade, sonhos sem realidade

Não vale a pena maturidade sem liberdade, viver sem vontade

Amor sem uma dose de insanidade, aceno sem proximidade, vida que não deixa saudade…

Alda M S Santos

Acumuladores de emoções

ACUMULADORES DE EMOÇÕES

Uma caixa enorme com várias caixas menores dentro

Cada qual com algo precioso, único, especial

Que não pode ser descartado

Lembranças de uma época: livros, poemas, mensagens

Souvenirs, rosas secas, fotografias, cartões

Por mais que se arrume ou se ajeite

Muito pouco é descartado, e com pesar

Quase tudo volta para as caixas, para as malas, para os porta-trecos

Talvez um pouco mais organizado em suas prateleiras

Por ordem de importância, necessidade ou prioridade

O “interior” dos acumuladores de emoções é assim

Caixas e mais caixas, gavetas e mais gavetas

Um verdadeiro relicário que só eles entendem

O real valor de cada “peça” tão preciosa

Todo cuidado é pouco, pois são relíquias frágeis e interligadas

Uma que é remexida ou retirada gera efeito cascata

Bagunça e inunda toda a “organização” emocional presa por um fio

E pode afogar-se ou afogar a todos…

Alda M S Santos

Nosso maior fracasso

NOSSO MAIOR FRACASSO

Todos temos um sucesso ou vitória retumbante

Aquela que nos dá orgulho, nos motiva a seguir em frente

Um trabalho prazeroso que enobrece

Um jardim bem cuidado, um lar encantado

Uma família presente e abençoada

Filhos que são reflexo do amor e ensinamentos recebidos

Um amor correspondido e parceiro de vida…

Costumam ser esses apontados como nossos maiores sucessos

E nossos fracassos?

Seriam o oposto disso tudo?

Nosso maior fracasso não seria aquele onde mais investimos e perdemos?

O médico que não curou, o advogado que não defendeu um inocente

O religioso que não obteve a compaixão que pregou,

O professor que não ensinou o que é valioso aprender e reter

Não aos outros, não a terceiros

Mas o médico que não pôde curar a si mesmo

O advogado que foi seu próprio carrasco

O religioso que não amou sequer a si mesmo

O professor incapaz de aprender e praticar o que tanto ensinou…

Todos lutamos dia a dia para não sermos nosso próprio e maior fracasso

Para não falharmos conosco mesmos naquilo que somos especialistas…

Alda M S Santos

Não pode ser do mal

NÃO PODE SER DO MAL

Não pode ser do mal

Aquele que diz que “odeia” esse mundo injusto e cruel

Mas compõe ou toca lindas e emocionantes canções

E inspira gerações e mais gerações

Não pode ser do mal

Aquele que diz ter desistido da humanidade

E salva vidas em seu trabalho habilidoso, seja ele qual for

Não pode ser do mal

Aquele que diz não confiar nas pessoas, não acreditar no amor

E, em cada olhar, em cada sorriso, em cada toque

É afeto em forma de poesia

Ninguém é do mal pelo que diz

Somos do bem ou do mal pelo nosso fazer que “denuncia”

Aquilo que somos verdadeiramente

No trabalho prazeroso, nas atitudes de amor e compaixão

Nos olhos piedosos diante da dor do irmão

Ou quando a “eficácia” e presteza em julgar o modo de ser do outro

Cresce na mesma proporção que a inaptidão em mudar a si mesmo

Somos do bem cada vez que pintamos na alma uma tela colorida, mesmo sem querer

E iluminamos a vida de um alguém

Sem, contudo, escurecer ou borrar a tela de ninguém…

Alda M S Santos

Em cada criatura

EM CADA CRIATURA…

Amor não tem cor, não tem raça, não tem sexo

Não tem idade, não tem padrão

Amor não tem classe, filo, gênero ou espécie

Amor está na flor perfumada, nos frutos saborosos

Na copa verde ou nas folhas secas que caem

Nas sementes que se alastram carregadas pelo vento

Sobretudo na raiz que parece em repouso debaixo da terra

Mas trabalha em silêncio todo o tempo,

Irriga, protege, cuida do amor que prevalece

Amor se propaga, está nos olhos de quem vê

Amor está na terra, no ar ou no céu, passe o tempo que passar

Amor verdadeiro fica “dentro” sempre

Amor é sempre amor, qualquer um é capaz de reconhecer

É infinito, está nãos mãos do Criador

Que repassou para cada criatura

Portanto, não há lugar em que ele não tenha sido plantado

Conservar e frutificar depende de cada uma delas…

Alda M S Santos

O que reténs de mim em você

O QUE RETÉNS DE MIM EM VOCÊ

O que reténs de mim em você

Passa por dois filtros, mais ou menos poderosos: meu e seu

O que reténs de mim em você

Depende do que eu deixo transparecer do meu modo de ser

E do que você foi capaz de enxergar com sua alma receptiva ou não

O que reténs de mim em você

Depende do que, de acordo com suas capacidades, necessidades e limitações, deixou passar por seu filtro

O que reténs de mim em você

Depende do muito ou pouco que pude ou fui capaz de te dar

O que reténs de mim em você

Depende do que foi capaz de entender, aceitar e absorver

O que retemos dos outros em nós

Depende muito deles, mas depende mais ainda de nós mesmos…

O que retemos dos outros em nós é um terceiro elemento: o que eles são, misturado ao que nós somos.

Alda M S Santos

Quem está aqui dentro da caixa?

QUEM ESTÁ AQUI DENTRO DA CAIXA?

Aqui dentro está uma pessoa muito importante e especial

É uma pessoa muito linda!

Ela é muito importante para todos nós!

Sem ela esse mundo não seria digno de ser vivido.

É uma pessoa forte, guerreira e muito lutadora.

Já passou por muita coisa nessa vida e nunca desistiu.

Já ganhou, já perdeu, e ainda está aqui com muita fé.

Eu amo conviver com essa pessoa maravilhosa e tê-la em minha vida.

Para o mundo ser melhor essa pessoa nunca poderia ser deixada de lado.

Ela é a pessoa mais importante da sua vida.

Adivinha quem é?

 (A reação de cada um ao se ver no espelho)

Alda M S Santos

#carinhologos

Perder é uma m*

PERDER É UMA M*

Dizem que o importante é o prazer de jogar

Ganhar ou perder é apenas detalhe circunstancial

Uma ova!

Saber jogar é importante, ganhar é o máximo

Mas perder é uma m*! Mesmo se for uma derrota honrosa

Tudo bem que quem não sabe perder perde duas vezes

O jogo, a moral, a simpatia, o nome, a autoestima

Fica com o coração na mão, apertado, triste

E cada derrota é uma derrota diferente, mas sempre dói

Pode-se perder muitas vezes e nunca a derrota se tornar mais fácil

Independe qual seja ela: no jogo, no amor, na vida…

Culpar o tempo, o rival, o juiz, o azar, a Deus, a vida

Desacreditar as habilidades e valor do adversário

Chorar até desidratar, rir de nervosismo, fazer piadas de frustração

Desistir do jogo, da luta, da vida

Tudo faz parte das fases da dor da derrota

Mas ela só produz algo de benéfico e produtivo

Só deixa de ser uma completa m*

Quando se assume a própria responsabilidade na perda

Quer seja no jogo, no amor, na vida…

Alda M S Santos

Nos braços de Morfeu

NOS BRAÇOS DE MORFEU

Deitou-se à beira mar num fim de tarde de outono

O Sol se punha belo e multicor no horizonte

As ondas vinham leves e mornas sob seus pés, puxando a areia

Um céu de azul profundo, gaivotas a voar

As crianças brincavam felizes, despreocupadas

Olhos querendo fechar, embalados pelos sons e cheiro de maresia inebriantes

Não posso dormir- pensou! Perigoso!

Entregou-se aos braços de Morfeu, sem perceber

Noite alta, despertou sem ar, quase se afogando

Queria nadar de volta à praia, tudo escuro como breu, nada via

Sensação claustrofóbica terrível

Água por todos os lados em círculos, pedia ajuda, ninguém ouvia

Nadava e sentia-se afundar, ouvia barulhos de gente

Procurava por seus entes queridos, gritava e a voz não saía

Chamava por seus amigos e familiares e…nada, ninguém a socorria

Sentia-se afundar, olhos ardendo do sal do mar e das lágrimas

As forças minavam, faltava oxigênio, pensou em Deus…

Os olhos se abriram, clarearam, a areia da praia apareceu, nadou de volta

Esgotada, entregue, chorou, agradeceu…

Alda M S Santos

Enquanto isso…

ENQUANTO ISSO…

Enquanto o rio não corre para cima

Vou descendo nas suas loucas corredeiras

Enquanto não conseguimos tirar leite de pedras

Vou amaciando uns corações mais flexíveis e receptivos

Enquanto vamos brigando por um mundo mais justo e fraterno

Vou estendendo a mão, desviando dos buracos, ajudando, sendo ajudada

Enquanto procuro pela rosa mais cheirosa, bonita e perfeita

Vou cuidando das lindas flores do meu jardim

Enquanto a escuridão da noite cai sobre todos

Busco uma estrela cadente e faço um pedido

Enquanto o amor não vence todos os obstáculos

Percebo que o impossível é especialidade Dele

Enquanto a tempestade assustadora não passa

Observo sua beleza, seu poder de destruição e reconstrução

E escrevo um poema…

Alda M S Santos

Sou eu?

SOU EU?

Os caminhos parecem mais longos e estreitos

Ou sou eu que mudei o modo de caminhar?

As pessoas parecem mais perdidas e carentes

Ou sou eu que mudei o ângulo do olhar?

Há menos perspectiva, menos esperança e mais decepções

Ou sou eu que fiquei mais criteriosa?

Os outros estão mais individualistas e indignos de confiança

Ou sou eu que deixei de ser tão crédula?

Há mais fugas que coragem e persistência

Ou sou eu que ando mais amedrontada?

Há mais barulho e alvoroço que felicidade real

Ou sou eu que tenho tido apreço por silêncios verdadeiros?

Há mais alegria comprada, “roubada”, ilegal, finita

Ou sou eu que prefiro alegrias conquistadas por direito, gratuitas?

Há mais sorrisos fabricados e palavras sem sentido

Ou sou eu que estou mais sensível?

Há mais estradas percorridas e menos caminhos a percorrer

Ou sou eu que estacionei em algum momento?

Está mesmo tudo muito mudado

Ou fui eu que mudei e nem vi?

Alda M S Santos

Ainda assim, é mágico

AINDA ASSIM, É MÁGICO

É mágico viver

Aspirando o verde brilhante da esperança que sempre brota

Ainda que esteja semeada no solo árido de outros corações

É mágico viver

Invadidos pelo bálsamo do amor que acalma o nosso interior

Ainda que precisemos enfrentar a acidez diária de uma alma ferida

É mágico viver

Mesmo escondidos atrás de barricadas do “tô nem aí”

Protegendo-nos de balas nada doces lançadas contra nós

É mágico viver

Colando cada pedacinho que se quebra, que matam em nós a cada decepção

Mesmo sabendo que colar não nos protegerá de novas trincas e cicatrizes

É mágico viver

Lendo os textos da vida, nossos, dos outros, tentando compreender seus contextos

Ainda que os pretextos ouvidos não se encaixem muito bem

É mágico viver

Fazendo de cada amanhecer um rio de novas oportunidades

Ainda que nosso sol se esqueça de brilhar e as sombras sejam assustadoras

É mágico viver

Buscando pintar no rosto e na alma uma história colorida, bonita e encantadora

Ainda que em nossa paleta falte cores primárias

E precisemos criar e ousar…

É mágico viver

Corajosamente, sabendo que a única certeza que temos é do morrer

E sendo, por isso mesmo, grandes palhaços do viver…

Ainda assim, é mágico viver!

Alda M S Santos

Somos natureza

SOMOS NATUREZA

Somos natureza, das árvores, somos flores

Perfumadas, encantadoras, suaves e delicadas

Mesmo com espinhos em autoproteção

Somos natureza, das árvores somos troncos

Levando a seiva que alimenta tanta vida

Sendo abrigo de outros que buscam por nosso aconchego

Somos natureza, das árvores somos folhas

Ora em completo esplendor, cor e brilho

Ora, sabiamente, caindo e cedendo a vez em benefício do todo

Somos natureza, das árvores somos frutos

A alimentar a quem de nós necessitar

Sempre produzindo sementes para perpetuar o existir

Somos natureza, das árvores somos raízes

Aquela que comanda a vida, lida bem com fartura e carestia

E preserva o que tem de essencial

Somos natureza, das árvores almejamos o verde intenso da esperança

Confiando que em seu entorno há tudo que necessita para viver

Ainda que no fundo de si mesma…

Somos natureza…

Das árvores falta-nos saber aceitar bem cada fase

Falta-nos a confiança na proteção da Criação…

Alda M S Santos

Coisinha beijoqueira

COISINHA BEIJOQUEIRA

-Já vem você né, coisinha?

Ela diz entre a braveza e a surpresa escondida num meio sorriso.

– Oi! Sou eu! Estava com saudades- digo, me aproximando devagar.

-Pode ficar aí. Não chega aqui, não!- diz ajeitando os cabelos.

– Quero ver você de perto. Só conversar. Sabe que te amo, amor da minha vida?

– É? Amor da minha vida?- um sorriso divertido abre as portas e eu chego.

– Como você está?- abraço a idosa e beijo suas bochechas.

Ela sorri, conta suas dores e fantasias, pergunta se fui de carro, pede para levá-la a minha casa.

Tento convencê-la a tomar um banho:

– Pra ficar mais linda, cheirosa!

– Você é a coisinha beijoqueira!

– Sim! Mas só beijo porque te amo! 💕

Ela sorri feliz em meio às suas lamúrias, mas nada de aceitar o banho…

Mas eu a amo assim mesmo!

Quanto sofrimento ela deve ter suportado nessa vida?

Não importa por quanto tempo dure o sorriso, o importante é despertá-lo!

Lá e cá!

Alda M S Santos

Coração pesado

CORAÇÃO PESADO

Coração é como balão

Foge à lei da física

Se vazio pesa muito

Murcha, cai, se esvai…

Coração é como balão

E segue a lei do amor

Se cheio do que faz bem

Como o ar rico em oxigênio

Ou carinho sem pudor

É leve, voa, flutua

Coração é como balão

Se cheio do elemento errado

Como água para este

Indiferença para aquele

Pesa, cai, estoura…

Ploft!

E era uma vez um balão

Ou um coração!

Alda M S Santos

Onde está teu tesouro?

ONDE ESTÁ O TEU TESOURO?

Busque todo o tempo suas relíquias

Procure em seu dia a dia o que lhe dá ânimo e disposição

Invista sempre naquilo que te dá força e coragem pra seguir

Preferencialmente, algo que envolva o outro, que espalhe amor

Encontre nesse agir o teu tesouro diário

Pois ali está o teu maior estímulo, o seu coração

Uma razão pela qual vale a pena viver

“Onde está o teu tesouro, ali também está teu coração”

Alda M S Santos

#carinhologos

Aprendi com a natureza

APRENDI COM A NATUREZA

Aprendi com a natureza que quando o sol se põe aqui

Ele nasce e ilumina o outro hemisfério terrestre

Quando um lado nosso anoitece, escurece

Bom é valorizar nossa parte “dia”, iluminada

Sempre haverá um lado com luz forte e quente

Enquanto o outro estiver escuro e frio

Aprendi com a natureza a aceitar e apreciar todas as nossas estações

O perfume suave que nos anima e encanta quando tudo são flores em nossas primaveras

O calor de nossos verões com leveza e intensidade nos instigando a mergulhar no frescor da vida

As cores de terra, as perdas de “folhas” de nossos outonos para preservar as raízes, tempo de reflexões e plantio

O frio e hibernação no recolhimento de nossos invernos, tempo de esperança, gestando uma nova vida…

Somos assim também: fases que se interligam e se intercalam

Fases que se completam e se precisam

Fases que não têm fim, apenas rotatividade

Estou aprendendo com a natureza a lidar com seus paradoxos e antagonismos

A lidar com seca e cheia, sombra e luz, flor e fruto, vida e morte

Aprendendo com a natureza a lidar com as dicotomias humanas

Amor e ódio, alegria e tristeza, sorriso e lágrimas, interesse e indiferença, prazer e dor

Aprendi com a natureza que é preciso parecer morrer para poder nascer mais belo e mais forte

Tudo isso são apenas duas faces da mesma moeda

A moeda valiosa do viver…

Alda M S Santos

Sou a favor do Brasil 🇧🇷!

SOU A FAVOR DO BRASIL!

Não sou contra a seleção brasileira

Sou contra a seleção de alguns brasileiros

Em qualquer esfera: política, econômica, social, religiosa, esportiva…

Inclusive no futebol!

Sou contra brasileiros bitolados

Que não sabem diferenciar e separar as coisas

Que mergulham a cabeça nos campos gramados do futebol

Nos púlpitos religiosos, na câmara política, nos palcos da hipocrisia

E se fecham para o resto, bom ou ruim

Esquecem que todos nós escrevemos o Brasil!

Tal qual avestruzes, enfiam as cabeças nas areias do egoísmo

Ou se justificam com “isso é Brasil”, como se não fizessem parte

Torcer contra a seleção brasileira de futebol

Não ajuda a eliminar as outras seleções mal feitas!

Futebol é futebol, política é política, religião é religião

A cada um o seu aplauso

Ou não!

Alda M S Santos

Pássaros famintos

PÁSSAROS FAMINTOS

Nas trilhas da vida vamos sempre seguindo

Como pássaros migrando em busca de novo verão

Querendo saciar a fome, a sede, almejando algo melhor

Tal qual João e Maria, deixamos migalhas de pão

Para marcar o caminho de volta

Se lá na frente for inverno, estiver pior

Acabamos nos perdendo na densa floresta

Nos ares gelados, nas nuvens espessas

Não há mais alimento suficiente que satisfaça

Ansiamos por regressar…

Voltamos em busca da trilha de migalhas deixadas

“Pássaros” famintos comeram, o caminho se perdeu…

Mas, se atentos olharmos, migalhas deixadas estão camufladas aí

Estão escondidas em cada pessoa que encontramos e deixamos no caminho

Que das nossas “migalhas” de amor e de afeto se alimentaram

Ou que se amargaram sob nossos atos, às vezes, indigestos,

Enquanto nos alimentávamos das migalhas nem sempre doces dos que seguiam à frente.

Para nos encontrarmos, para voltar ao ponto de partida

Precisamos seguir o rastro deixado em cada um

E descobrir o ponto onde tudo começou a desandar

E voltar…

Voltar para refazer uma trilha e poder seguir em frente

Cientes de que o alimento da vida está nas “migalhas” nem sempre valorizadas

Da nossa dianteira e também da nossa retaguarda…

Alda M S Santos

Carrego em mim

CARREGO EM MIM

Carrego em mim variados fardos

Ora leves e relaxantes como água morna e espuma de sais de banho

Ora pesados e frios como sacos de cimento

Ora suaves e doces como beijos de amor

Ora longos e pesados como medo na noite escura

Cargas minhas, cargas dos outros, cargas de todos

Cargas que escolhi, cargas das quais sou responsável

Cargas das quais os responsáveis nem têm ideia que carrego

Cargas que herdei, me impuseram, não tive qualquer escolha

O caminho longo, às vezes mal escolhido também torna-se um fardo a mais

Os caminhantes despareados também desgovernam o caminhar

O desejo de descansar é grande, parar, respirar fundo

Sentar-me à beira do caminho, reavaliar a bagagem

Descartar o que pesa muito e não faz sentido transportar

Devolver cargas que não são minhas

Deixar de carregar esponjas, que absorvem peso, por “isopor”, mais leves

Dividir a carga com companheiros de viagem

Sabendo que carga dividida sempre irá pesar menos

Carrego em mim desejos de chegar

Mas não chegar a qualquer preço, de qualquer modo

Carrego em mim desejos de chegar inteira ao meu destino

Sem ter deixado pedaços quebrados de ninguém pelo caminho…

Alda M S Santos

Colcha de retalhos

COLCHA DE RETALHOS

Sou tal e qual colcha de retalhos

Variados pedaços unidos para formar um todo

Nem sempre harmônico, nem sempre belo, nada perfeito

Muitas cores vibrantes, outras apagadas

Tecidos finos, macios, outros grossos e resistentes

E que juntos se unem para formar uma colcha

Vários pedaços tão diferentes entre si

Formando uma única peça que tenta se harmonizar

Para poder passar a imagem de totalidade numa colcha

E cumprir seu papel de enfeitar uma cama, cobrir pessoas

Aquecer corpos, relaxar quem nela se deitar

Alguns verão os tecidos grossos e apagados

Outros verão os finos, delicados e coloridos

Há ainda os que verão a colcha, não importando os detalhes

Se estes estão novos ou velhos, inteiros ou rasgados

Também cuidam para não estragar toda a peça

E passam a renovar e cerzir os buracos e falhas

Assim também é comigo, conosco

Vemos e somos vistos de acordo com nossas ausências e presenças

Também do que falta ou sobra em quem nos vê

Para uns seremos a colcha “perfeita”, na medida certa

Para outros, um pano roto qualquer sem utilidade nenhuma

Para vermos melhor as outras “colchas”

Precisamos ver melhor a nós mesmos primeiro

Somos muitos pedaços formando um todo meio desconexo

Tentando entender e aceitar o todo também desconexo que são os outros…

Até mesmo as colchas inteiriças e, aparentemente, perfeitas

Se passadas pelo crivo do julgamento de um olhar crítico e, por vezes, falho

Acabarão por se mostrar retalhadas e imperfeitas

E, ainda assim, belas em sua imperfeição

E a vida segue tecendo e costurando suas tramas

Com as linhas se embolando, arrebentando e bordando histórias

Usando todos os “retalhos” e colchas que encontra por aí…

Alda M S Santos

Pedidos de socorro

PEDIDOS DE SOCORRO

O mundo pede socorro

Quem é capaz de ouvir?

Pedidos tão barulhentos quanto uma sirene

Ou tão silenciosos como uma lágrima que cai

Crianças precoces sempre de agenda lotada e irritadiças

Jovens perdidos em tantas “opções” de vida moderna

Trancados em seus quartos, “góticos”, marcas roxas debaixo de lenços

Idosos “protegidos” em suas fantasias e remédios

Sorrisos, lágrimas, saudades, abandono

Adultos espremidos entre a infância e a velhice

Solitários entre tantas obrigações e cobranças, entre tanta gente necessitada

Escondidos em suas tarefas, fugindo em seus smartphones

Atrás de amigos virtuais nas telas dos PCs na solidão da madrugada

Todos “gritando” por socorro

Quem é capaz de ouvir?

Cada qual gritando sua dor de um modo

No andar, no olhar, no se esconder, no se mostrar

Na solidão autoimposta, nas atividades excessivas

Nas rebeldias constantes, nas drogas lícitas ou ilícitas

Na irritação desmedida, nos vícios diversos

Quem é capaz de ouvir?

A dor atinge a todos, o grau é variável, de “normal” a patológico

No sentir e no demonstrar

Mas há sempre uma “droga” a nos salvar

Até que não haja mais salvação

Quem é capaz de ouvir?

“Ouvir” a dor do outro é um modo de nos enxergarmos também

E, talvez, conseguirmos nos salvar…

É preciso olhar devagar, demorar-se na dor do outro

Mergulhar fundo na própria dor

Até não mais temê-la, até conseguir diluí-la…

É preciso a pureza e confiança de uma criança para “herdar o reino do céu”

O mundo pede socorro

Quem é capaz de ouvir?

Alda M S Santos

Espírito verde/amarelo enterrado a 7 palmos

ESPÍRITO VERDE/AMARELO ENTERRADO A 7 PALMOS

O espírito da copa do brasileiro está enterrado no 7 x 1

Não só naquele que todos queríamos esquecer

Está enterrado a 7 palmos de decepções e angústias

7 gols que tomamos todos os dias

Nossa camisa canarinho está rota, rasgada, esfarrapada pelos usos e abusos dos 7:

Educação, saúde, violência, transporte, desemprego, miséria

E para jogar a pá de cal, corrupção/ladroagem

Mas ainda há aquele gol a favor, afinal foram 7 x 1

Aquele único gol que representa resistência, sinal de vida

A fé do brasileiro, aquele que é forte, mesmo nas adversidades

Alegre e solidário, carinhoso e lutador mesmo na lona

Compreensível que esteja enfraquecido e descrente

Desanimado e desesperançoso, quase entregue às hienas

Aceitável que não queira mais investir nessa válvula de escape que é o futebol

Mas enterrar o patriotismo, inclusive declarando-se anti-brasileiro,

Não ajuda em nada o nosso “time”

Não a seleção de futebol, mas o time de brasileiros guerreiros do dia a dia

Que, independente dos gols que tomam, ou que cometem contra si mesmos,

Continuam nessa disputa até o fim

Países de primeiro mundo que tanto aplaudimos ou aqueles paupérrimos são extremamente patriotas desde o berço, de ouro ou de palha.

Matar o patriotismo é matar nossa chance de melhorar

Não se joga o que tem de bom fora, porque o restante está com sérias avarias

Não destruímos a audição quando a visão escurece

A hora é de ativar o que temos de bom e forte

E se agora é o futebol que nos fortalecerá, que seja

Sabendo, é claro, que ele não pode vendar nossos olhos

Ao contrário, deve servir para dar ânimo para lutar por outras questões:

Aquelas 7, lembram?

Precisamos vencê-los(as)!

Por cada um de nós!

Alda M S Santos

Previsão do tempo

PREVISÃO DO TEMPO

Tempo propenso a grandes instabilidades físicas e emocionais

O ar úmido e quente vindo dos trópicos alheios pode nos atingir em cheio

Avariando corpo, mente, alma e coração

Maré alta em nossos oceanos acabam por provocar grandes tormentas, frustrantes e dolorosas ressacas

Umidade interna intensa e sujeita a transbordamento ocular

Nebulosidade ao longo do dia turvam a visão ocasionando temporais isolados e destrutivos

Ventos polares fortes trazem a conhecida, terrível e viral massa de ar frio

Causadoras de males pulmonares, circulatórios e cardíacos

Agasalhe suas emoções! Movimente-se!

No oeste há chuvas torrenciais, cuidado com inundações e os lixos trazidos

Lembre-se do guarda-chuvas!

Granizos de variados tamanhos podem machucar, causar grandes danos e deixar marcas

Aproveite para colocar na enxurrada o que não mais lhe serve

No leste, chuva fina intermitente, daquelas que aguam o passado, baixam a resistência no presente, comprometem o futuro

No Sul possibilidade de alta luminosidade, sol forte e calor

Abra as janelas da alma, deixe a brisa suave e o sol entrar, aqueça-se

Coloque os guardados para tomar um ar

Tome um ar você também, inspire fundo, expire…

O tempo é só o tempo: mutável e instável

O clima é o que fazemos dele…

Escolha um clima bom para você viver!

Alda M S Santos

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