Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Tag

MUDANÇAS

Um portal

UM PORTAL

Atravessou um convidativo portal
Na esperança de encontrar algo especial
Um mundo mais humano, menos parcial
Onde viver não doesse tanto
Não houvesse tanto mal
Iluminou trilhas estreitas e escuras
Saltou obstáculos, recusou saídas obscuras
Recuou diante de muitas loucuras
Escalou montanhas altas, íngremes
Encontrou lindas pessoas, doçuras
Sorriu, chorou, sofreu, caiu, levantou
Esclareceu mentiras, lutou por verdades
Disse sim ao amor, enfrentou falsidades
Restaurou a fé, renovou a esperança
Finalmente percebeu que o portal é na realidade
Seu modo de encarar sua própria verdade
Com coragem, ânimo, dignidade
Aqui ou em qualquer dimensão
Viver com gratidão e intensidade

Alda M S Santos

E o barco da vida parte …

E O BARCO DA VIDA PARTE…

E o barco da vida parte
Leva quem tem coragem
Leves e com espaços a preencher
Ou pesados de tanta bagagem

E o barco da vida parte
Deixa a segurança do cais
Em busca de novas aventuras
Talvez de um novo caos

E o barco da vida parte
Vários rumos, vastos oceanos
E o que fica é a vontade
De ser feliz também nesse plano

E o barco da vida parte
Leva alguns, deixa outros
Na saudade do vivido
Do que ficou por viver
Do que há ainda para viver

E o barco da vida parte
Todos os dias, todo o tempo
Com ou sem passageiros e tripulantes
Nem sempre a contento
Ele parte…

Alda M S Santos

Um mundo novo

UM MUNDO NOVO
Tudo aponta para um mundo novo
Há medos, dúvidas, ansiedade
Inseguranças de toda a humanidade
O mundo como conhecemos está sendo testado, remexido
Mas há que se preservar a vida
Não é só aqui ou ali
O planeta todo está sendo ameaçado, sacudido
Precisamos mesmo de mudanças
Para garantir a vida, nossas andanças
Não é só um vírus que mata
Tudo o que ele traz consigo exige reflexões
Nesse momento de escolhas difíceis
Percebemos quais são nossas prioridades
De um, de outro, de toda uma comunidade
Que sobrará disso tudo?
Estamos prontos para lidar com isso
Para recomeçar do zero se preciso for
Há em nós suficiente coragem e amor?
Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS

De nada adianta negar, fugir ou temer

As mudanças sempre irão acontecer

Na natureza, no espaço, dentro do ser

Felizmente isso faz parte do viver

A Lua, o vento, as marés são grandes agentes de mudanças

Derrubam, constroem e destroem em suas andanças

Formam dunas de areia, unem ou separam localidades

E atingem a todos nós em qualquer idade

Bom mesmo quando decidimos o que mudar

Ou o que devemos não mais aceitar, permitir

O que vale a pena manter, investir

Ir fundo em nós mesmos, crescer, evoluir

Somos um barco e não devemos ficar à deriva

Assumir o controle para onde ir é essencial

Essa é a mudança mais importante, fundamental

Um ser que muda a si mesmo faz do mundo um lugar bem especial

Alda M S Santos

E se…

E SE…

E se a Terra se rebelasse

A Natureza se revoltasse

O céu as estrelas não enfeitassem

Os namorados sob a Lua não se animassem

Será que iríamos acordar?

E se as cachoeiras secassem

As fadas ali não mais voltassem

As ondas do mar estacionassem

Os rios dos obstáculos não desviassem

Será que iríamos acordar?

E se as flores se fechassem

As árvores, tristes, tombassem

O sol de nascer se esquecesse

A chuva de nós se escondesse

Será que iríamos acordar?

E se o amor não mais nos alimentasse

Dia e noite por aqui se misturassem

A beleza e delicadeza não nos encantassem

A poesia não mais da tristeza nos salvasse

Será que iríamos acordar?

A vida no planeta Terra pede socorro

Quando iremos acordar?

Alda M S Santos

Contato

CONTATO

Tantas vezes queremos fazer contato

Contatos com extraterrestres, contatos mais humanos

Sem saber que é preciso muito tato

Pois o mais essencial é o autocontato

Aquela conexão especial que fazemos conosco mesmos

Buscando em nosso interior o fio de amor e compreensão

Numa yoga, numa meditação

Num momento relax, de prazer, de comunhão

O novo ser que precisamos nos tornar nessa nossa evolução

Irá brotar do mais íntimo de nós mesmos

De lá vem o fio conector que nos ligará aos demais

Que promoverá a verdadeira união

Uma transição de paz começa numa autoaceitação

Num ato de amor que brota na alma, cresce no coração

E se espalha por toda a nação…

Vamos lá?

Alda M S Santos

Um mundo

UM MUNDO

Um mundo mais alegre, menos sofrido

Com mais bênçãos, menos perigo

Onde todo soldado combalido

Encontre no outro um bom abrigo

Um mundo mais suave, menos amargo

Com menos “passar de pernas”, mais dar-se as mãos

Onde o amor e amizade fiquem a cargo

De seres humanos mais irmãos

Um mundo onde seja permitido sonhar

E bons desejos poder realizar

Na fraternidade e na paz nos irmanar

Um mundo onde reine o respeito e harmonia

Pelas criaturas, natureza e Criador

E que saibamos que só seremos felizes onde houver amor

Alda M S Santos

Lutos

LUTOS

Vivemos uma vida de lutos, de perdas

De despedidas, de adeus, de dores

Choramos, sofremos…

Mas toda morte e despedida trazem consigo um renascer

Um broto de vida, novo, lindo

Um recomeço…

Abrir a janela de nossos corações

Deixar a luz entrar, aquecer a terra fértil de nossa alma

Chorar, se preciso for, para irrigar

Deixar brotar nova flor, novo amor

Luto é fim de uma etapa

Recomeço de outra, nova semente pronta para crescer

Novo jardim florir, perfumar, encantar

Como ela será só depende dos jardineiros envolvidos

Sentir uma perda, viver o luto é natural e até necessário

Aceitar a mudança e cultivar o novo é essencial

Que sempre saibamos nos despedir

E acolher as novas sementes…

Alda M S Santos

Metamorfose

METAMORFOSE

Vivemos em constante metamorfose

Somos como as borboletas

Mas nossas fases se alternam infinitamente

Tantas vezes como lagartas

Figurativamente, comendo tudo do mundo

Absorvendo, aprendendo, crescendo

Outras vezes nos encapsulamos

Estamos digerindo, abstraindo,

Transformando-nos dentro dos casulos

Protegidos do exterior, introspectivos

E, finalmente, borboletas

Livres, leves, coloridas e lindas a enfeitar jardins

Até chegar o fim…

Mas somos multi-fásicos, complexos

Umas partes de nós ainda são lagartas, agitadas

Outras eternos casulos, adormecidos

Em algumas já somos borboletas, livres e belas

Puro encanto!

Esse ir e vir nas nossas metamorfoses

Lagarta, casulo, borboleta

É que nos mantém vivos por aqui

Sempre há algo a absorver, a crescer

A nos metamorfosear…

E não adianta acelerar o processo

Ou ficar estacionado numa fase só

Sob pena de morte…

Não há borboletas sem lagartas famintas

Ou sem presas inertes num casulo

Respeitemos nossas fases…

Alda M S Santos

Quem não dança…

QUEM NÃO DANÇA…

Quando o fato é incontestável

Contesta-se quem o divulga

Quando a pessoa é indefensável

Ou a mentira é clara e cristalina

Arruma-se outro assunto

Outro crime ou criminoso

Para ocupar seu lugar

Nessa luta de vítimas e réus

Condenados e absolvidos

A “plateia” sempre leva a pior

É o público a ser manipulado

Porque, no fundo, não importa a verdade

O que vale é aquele que melhor manipula

E faz de qualquer mentira uma verdade

Que apaga o que quer, reescreve como acha melhor

Mexendo habilmente os pauzinhos dos cordões de seus bonecos

E as marionetes dançam conforme a música que tocam

Quem não dança, não gosta dessa música

Ou dança diferente

É considerado louco…

Quero dançar diferente, prefiro ser louca!

Alda M S Santos

Porteira fechada

PORTEIRA FECHADA

A vida nos é dada de porteira fechada

Como propriedades negociadas com tudo que carregam porteira para dentro

Recebemos ao nascer um pacote pronto, sem escolhas

Mas não precisa ser assim para sempre

Aos poucos vamos “negociando” o que ela nos deu

Fazendo trocas, descartes, novas aquisições

Vamos fazendo valer nossas escolhas, desejos

Descobrindo o que nossa “terra” produz melhor

Ou aquilo que ela não é boa em cultivar

Adubando o que cresce, enriquece, matando pragas

E dando a essa “propriedade” chamada vida

Que é só nossa, querendo ou não

A nossa cara, nossas características

Tudo que temos ou somos é resultado de nosso trabalho

Na propriedade que recebemos a princípio

Há alguns anos ou décadas…

A porteira veio fechada

Abri-la e fazê-la crescer cabe a cada um de nós…

Alda M S Santos

Efeito borboleta?

EFEITO BORBOLETA?

Entra voando janela adentro do meu quarto

É noite, tudo escuro lá fora

Talvez atraída pela luz, voa em círculos sobre a cama

E para na parede à minha frente

Fico encantada com o voo, as cores, a leveza, a liberdade

Eu me aproximo devagar, confiante, ela me permite tocá-la

Que veio fazer aqui, borboleta?

Não tem medo de aqui ficar presa ou perdida?

Veio buscar o quê, aventureira?

Ou será que veio me ensinar a leveza, a coragem de voar?

Suas cores e “digitais” parecem falar comigo

Dá mais uns voos rasantes pelo quarto e sai majestosa para a noite de luar…

Efeito borboleta? Que poder tem o bater de suas asas?

Leveza, liberdade, a fragilidade e fugacidade do viver …

Alda M S Santos

Um vento passou por aqui

UM VENTO PASSOU POR AQUI

Um vento passou por aqui

Aproveitou as janelas abertas e invadiu

Quebrou trancas e tramelas, portas destruiu

Muita coisa bagunçou, outras embora levou

Derrubou esperanças, sorrisos apagou, portas fechou

Um vento passou por aqui

Misturou o certo e o errado, o doce e o salgado, a autoconfiança minou

Mentiras criou, verdades questionou, inimigos levantou

Debates inventou, calados despertou, falantes calou

Um vento passou por aqui

O que era rígido, mas frágil, caiu e quebrou

O que era firme, forte, mas flexível balançou e se solidificou

O que era verdadeiro e leve flutuou e se eternizou…

Um vento passou por aqui

Entre tantas desordens que causou

Entre tanto que trouxe e levou

Algo de novo possibilitou, coisas antigas reafirmou:

Solidez não rima com rigidez,

A água tudo contorna, não pelo peso, mas pela persistência e fluidez

Amor e simplicidade têm primazia sobre qualquer ventania

Um vento passou por aqui…

E sua marca deixou… o sorriso replantou…

Alda M S Santos

Transformações

TRANSFORMAÇÕES

“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”…

Segundo essa lógica de Lavoisier, nada perdemos, apenas transformamos

Vivemos transformando decepções em aprendizado ou revolta

Tristezas e lágrimas em crescimento ou negativismo

Trabalho árduo em alegria ou apenas cansaço

Ilusões e expectativas frustradas em força ou medos

Injustiças em solidariedade e compaixão ou indiferença

Amor “perdido” em amizade, carinho, esperança ou descrenças e desconfianças

Jovialidade e força em maturidade e sabedoria

Tudo que parece perdido em nós, para nós, se olharmos bem

Na verdade foi transformado com nossa efetiva participação

Tudo se transforma, mas não à nossa revelia

O modo de lidar com nossas “perdas” é o ingrediente base para o que fica

Para aquilo de precioso que trazemos como memórias e saudades

Podemos fazer dessas transformações apenas tristes demolições

Ou grandes e maravilhosas construções…

Alda M S Santos

Moldados pela vida

MOLDADOS PELA VIDA

Não há nada que nunca mude, que nunca se transforme

Até mesmo as pedras, as rochas, inertes e imóveis no mar

Sofrem total interferência do meio

Aparentemente firmes e fortes, a água, o sol, o sal, os ventos

A matéria orgânica, animal e vegetal a modificam

A água abre reentrâncias, provoca sulcos, invade espaços

Quando não há, contorna, passa por cima e, ainda assim, é atingida

Adquire novas cores, novas formas, novo relevo

Muitas vezes nocivo, que corta fundo quem se aproxima

Causa dores, escorregões e tombos

Uma pedra nunca está totalmente isolada por estar parada no mesmo lugar, inerte

Cedo ou tarde, ela será “outra” pedra

Somos pedras sendo moldados pelas águas da vida em seu ir e vir incessante

Ora turbulentas, ora calmas, ora violentas e sempre incansáveis da vida…

Podemos escolher fazer parte, ou sermos modificados à nossa revelia…

Alda M S Santos

Aprendi com a natureza

APRENDI COM A NATUREZA

Aprendi com a natureza que quando o sol se põe aqui

Ele nasce e ilumina o outro hemisfério terrestre

Quando um lado nosso anoitece, escurece

Bom é valorizar nossa parte “dia”, iluminada

Sempre haverá um lado com luz forte e quente

Enquanto o outro estiver escuro e frio

Aprendi com a natureza a aceitar e apreciar todas as nossas estações

O perfume suave que nos anima e encanta quando tudo são flores em nossas primaveras

O calor de nossos verões com leveza e intensidade nos instigando a mergulhar no frescor da vida

As cores de terra, as perdas de “folhas” de nossos outonos para preservar as raízes, tempo de reflexões e plantio

O frio e hibernação no recolhimento de nossos invernos, tempo de esperança, gestando uma nova vida…

Somos assim também: fases que se interligam e se intercalam

Fases que se completam e se precisam

Fases que não têm fim, apenas rotatividade

Estou aprendendo com a natureza a lidar com seus paradoxos e antagonismos

A lidar com seca e cheia, sombra e luz, flor e fruto, vida e morte

Aprendendo com a natureza a lidar com as dicotomias humanas

Amor e ódio, alegria e tristeza, sorriso e lágrimas, interesse e indiferença, prazer e dor

Aprendi com a natureza que é preciso parecer morrer para poder nascer mais belo e mais forte

Tudo isso são apenas duas faces da mesma moeda

A moeda valiosa do viver…

Alda M S Santos

Outono chegou

OUTONO CHEGOU

A brisa suave sinaliza a friagem

O ar mais seco confirma

Dias mais curtos reafirmam

Outono chegou…

Tempo de se preparar, resguardar-se

Perder folhas, flores, até galhos, economizar

Abrir mão do que pode ser dispensado

Ficar nua, livre das vaidades

Usar todos os nutrientes, estocar energia

Nesses tempos de carestia

Para preservar o mais importante: a raiz

Com sabedoria, manter vivo o que é essencial

Irrigar o que poderá trazer novamente na hora certa

Novas folhas, galhos, flores, frutos…

E assim, buscando sempre o amor, a vida se refaz

Vegetal, animal, humana…

Alda M S Santos

Para onde voltar

PARA ONDE VOLTAR

Ter pra onde ir, mesmo sem saber ao certo o lugar, é bom

Abrir caminhos nessa imensidão, com a precisão da lâmina afiada da foice da nossa ansiedade

Com a velocidade e força da vida que pulsa e corre em nossas veias

Desejo de conhecer o mundo além de nossas porteiras fechadas

Conquistá-lo, vencê-lo, fazer história,

Atrelar nossa história à história de alguém,

Deixar nossas boas sementes plantadas para a posteridade

Colher bons frutos, chorar pelos que não vingaram

E chega a hora de querer voltar…

Voltar pra onde?

Temos para onde voltar?

Aquela porteira de outrora abrirá para nós novamente?

Irá nos reconhecer?

Pais, avós, amigos, nós mesmos, o quanto nos distanciamos?

Caberemos lá dentro, agora que os sonhos foram satisfeitos ou esquecidos

As angústias controladas, os medos vencidos

E a vida já não pulsa tão forte em nós quanto águas de cachoeira na serra

Mas na tranquilidade das águas de um rio que segue seu curso, seu remanso

Sabendo-se vida para tantos…

Queremos sempre voltar em algum momento

Como se algo precioso tivesse ficado lá atrás

Alguém a quem prestar contas do que foi vivido, uma avaliação

Voltar para nós mesmos, nos reconhecer, é um bom começo

Olhar naquele espelho da casinha simples de adobe que muitas vezes buscamos

Ver nos olhos que aquele espelho reflete os olhos Dele a nos receber

E poder nos dizer “que bom que está aqui e, apesar de mudado, reconheço você, sua essência se preservou”

Alguém que encontrou o retorno dentro de si mesmo

E não tem do que se envergonhar, ou quase não tem

Isso é ter pra onde voltar…

E sem medo de não ser bem recebido!

Ter pra onde ir é muito bom

Ter pra onde voltar é maravilhoso…

Alda M S Santos

Tempestade se armando

TEMPESTADE SE ARMANDO

Nuvens escuras se atropelam no céu

Numa corrida frenética e assustadora

Pássaros se recolhem desarvorados

Mulheres correm a recolher roupas na cerca

Folhas parecem ter asas na forte ventania

Crianças brincam nos redemoinhos de poeira felizes

Beija-flores fazem uma refeição na flor que balança

Um pai chama o filho para dentro

Um boi muge ao longe, cães procuram abrigo

Macacos gritam na mata, uma seriema passa correndo

As árvores sabiamente dançam ao sabor do vento,

Sabem que não adianta resistir…

Relâmpagos riscam o céu, trovões gritam sua força

E a água cai forte e certa do que está fazendo…

Molha, lava e leva tudo numa beleza impressionante

A terra absorve o que dá conta e deixa ir o que sobra

Confia que tudo está em seus devidos lugares…

Quiséramos ter a sabedoria da natureza!

A tudo observo maravilhada, sinto-me parte

Levanto da rede, deixo o livro, e vou passar um café…

Aceitam?

Alda M S Santos

Emendas

EMENDAS

Rasgar o verbo pode ser um modo inteligente

De ter um bom motivo para remendar a própria vida

Alda M S Santos

Guinadas 

GUINADAS

As pequenas ou grandes guinadas de nossas vidas

Sempre dependerão, além

de nossa capacidade interna, 

Dos estímulos externos que recebermos.

Acreditar que aquele emprego é melhor,

Que aquela mudança de cidade seria mais produtiva,

Que aquela faculdade é mais a nossa cara,

Que o momento é adequado para ter um filho,

Ou para viajar, sumir de circulação por uns tempos,

Que aquele projeto cabe na nossa pauta,

Que aquela amizade nunca terá fim, 

Que aquele amor é mais completo ou verdadeiro.

Tudo dependerá da nossa capacidade de acreditar e agir!

Alda M S Santos

Ultrassensível

ULTRASSENSÍVEL 

Aqueles dias que você sente que bastariam

A última gota d’água

Uma única faísca

Uma simples palavra 

Um breve olhar

Um suave toque, 

Um abraço singelo,

Para você: 

Cair no choro, na gargalhada

Querer sumir no mundo, desaparecer,

Explodir de raiva 

Alegria ou prazer…

Alda M S Santos

Tá difícil

TÁ DIFÍCIL

Tá difícil? 

Sorrir, divertir, conformar-se?

Mudemos o olhar, a posição, 

O foco, a perspectiva, qualquer coisa, 

Mas mudemos…

Nessa aventura chamada vida

Pode haver filas em dados momentos

Saber esperar o instante exato das coisas é sabedoria

O movimento nos determina, mesmo que seja interno.

Não vale é ficar parado!

A roda da vida está girando…

Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS

O que em nós é passível de mudanças?
Pensamentos, sentimentos, ações?
Sobre quais deles temos controle?

Pensamentos podemos, não sem esforço, desviar, redirecionar.

Ações podemos modificar, amenizar, amplificar ou adequar.

Sentimentos são os mais complicados.

Podemos tentar sobrepor outros a eles, tirá-los de foco, reduzir a importância.

Sentimentos necessitam de alimento,

Quase sempre advindos dos pensamentos e ações.

Redirecionar pensamentos, modificar ações

São meio caminho para sufocar sentimentos,

Ou matá-los por inanição,

Visto que se retroalimentam.

Vale avaliar quais partes de nós esses sentimentos alimentam ou sustentam,

Pois podemos, antes de matar o sentimento,

Desmoronarmos ou matarmos a nós mesmos.

Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS
Sempre dizemos ou ouvimos dizer:
Ninguém muda! Cada um é o que é, e pronto!
Isso não é de todo verdadeiro.
Basta fazermos a seguinte reflexão
O quanto ainda existe do nosso eu de outrora
No nosso eu de hoje?
Não fisicamente, óbvio!
Esse pode mudar de modo até engraçado, para não dizer cruel!
Mas nosso modo de pensar, de agir, de aceitar ou recusar
As diferentes propostas da vida são as mesmas?
Há características imutáveis da nossa personalidade,
Mas praticamente tudo pode ser melhorado, evoluído.
Quando tudo parecer difícil, imutável, tentemos mudar a nós mesmos.
Até uma pedra imóvel sob o sol, a chuva, o vento e o luar
Sofre mudanças de cor, espessura, relevo, calor…
Podemos ser muito melhores do que somos!
Com ou sem ajuda externa.
Alda M S Santos

Fim

FIM

Se existe algo pelo qual ninguém passa inerte, incólume, é o fim.

Qualquer fim. Coisas maravilhosas ou coisas ruins.

Sempre deixarão um vazio, um vácuo, algo a preencher.

Um trabalho cansativo ou prazeroso, o curso na faculdade, 

Uma amizade espontânea, uma visita inesperada,

Um amor possessivo, impossível ou irreal,

Uma viagem na imaginação, um sonho, uma esperança, uma expectativa…

Quanto maior o espaço ocupado em nós, 

Quando chega o fim, 

Maior será o vazio, maior a necessidade de preenchimento.

Não precisa ser ruim, é preciso saber lidar com os finais.

Alguns ofendem, magoam, maltratam, ameaçam,

Decepcionam, morrem, matam, deixam de viver.

Muitas vezes algo que foi prazeroso, vivo, verdadeiro, mas que mudou,

É jogado no mesmo lixo, sem coleta seletiva, tudo no pacote do fim.

Urge saber que há “lixos” aproveitáveis, 

Particularmente o que envolve sentimentos.

Sentimentos se transformam e o fim pode ser apenas um recomeço.

Basta fazer uma boa reciclagem, reduzir a bagagem, reutilizar, reaproveitar

Manter um bom foco e voltar a viver.

Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS

Mudanças sempre são possíveis, sempre.

Só é preciso uma força motriz: desejo, vontade.

Se não temos os recursos materiais necessários, usemos o que dispomos.

Se não estamos no melhor lugar, podemos dar início partindo de onde estamos. 

Se não temos os ajudantes que queremos, transformemos em aliados quem está próximo. 

Mas, o mais importante, com o que somos, e nem sempre botamos fé, podemos fazer a diferença, ser o começo da mudança, seja ela qual for.

Qualquer mudança tem que ser sonhada, planejada e iniciada dentro de nós! 

Alda M S Santos

Arrumando as malas

ARRUMANDO AS MALAS

Arrumar malas exige critério, seleção, paciência.

Não se pode levar tudo!

Mudas de roupas de acordo com a estação, artigos de higiene, calçados…

Depende do tempo que ficaremos longe.

Costumamos colocar também expectativas: passeios, diversão, descanso, família, amigos, amor, novos lugares e pessoas.

Quase sempre boas, dependendo também

das companhias a bordo, do motivo da viagem e do destino pretendido.

Para uma viagem curta, tudo é mais tranquilo e fácil.

Se for uma viagem longa ou definitiva, torna-se mais difícil saber o que levar, o que deixar…

Um modo fácil de saber é anotar tudo que usamos, tudo que necessitamos, todos em quem pensamos durante um ou dois dias.

Tudo da lista é importante, fará falta. Se der pra levar, ótimo!

Há coisas e pessoas que só irão no pensamento, no coração.

 Lá haverá substitutos para alguns. Para outros, o jeito é aguardar o retorno ou cultivar boas lembranças. 

Isso faz parte de toda viagem…

No ar, no mar, na terra ou na imaginação.

É preciso aceitar e aproveitar. 

Boa viagem!

Alda M S Santos

Reformas

REFORMAS

Temos sempre a tendência de reformar tudo. Somos engenheiros naturais. 

Em tudo vemos possibilidades de melhoria, de renovação. 

Até aí, tudo bem! 

Compramos ou alugamos uma casa. Mesmo perfeita, queremos novas paredes, nova pintura, trocamos pisos, janelas. Queremos que fique a nossa cara, mais arejada e confortável. 

Um novo carro ganha adereços e acessórios que o tornem mais vistoso e prático.

Uma roupa nova pode precisar de ajustes, encurta daqui, aperta dali, coloca uma manga, um cinto…

Nosso próprio quarto sofre mudanças constantes…

E nossos amigos, filhos, cônjuge, familiares?

Também queremos mudá-los, adaptá-los, adequá-los, melhorá-los? Quase sempre! 

Algumas características que não julgamos positivas, ou que não combinam conosco, ou  julgamos que não fazem bem a eles, ou a nós mesmos, queremos extraí-las, minimizá-las ou disfarçá-las. 

Querermos melhorias, para nós e para aqueles que nos cercam, é natural. Faz-se, porém, necessária a questão: o que motiva esse desejo de mudança? 

Se a resposta for o bem estar e o amor, é válida. 

Ressalta-se, porém, a importância de manter as características naturais. 

Uma casa não pode ter certas paredes mexidas, sob pena de abalar a estrutura. 

Um veículo não pode receber acessórios que comprometam sua potência.

Uma roupa não pode sofrer tantos ajustes que pareça outra. 

Uma pessoa precisa manter sua essência, ou perderá a própria identidade.

Vale a velha dica das casas; se necessário for mudar tanto, melhor jogar no chão e começar do zero. 

Se para nos atender for preciso mudanças radicais, seja na casa, no carro, nas roupas, nas pessoas, precisamos refletir: ou mudamos um pouco a nós mesmos, também, ou buscamos nova casa, carro, roupas ou pessoas. O trabalho, tempo e custo para mudar não valerá o resultado. 

Apesar de não haver medida perfeita, sempre haverá por aí objetos, coisas e pessoas que combinem exatamente conosco.

Basta ter paciência e saber procurar. 

Alda M S Santos 

Fazenda do Quartel- GUANHÃES- MG

MUDANDO O/OU PARA O INTERIOR?

MUDANDO O/OU PARA O INTERIOR?
Cada dia que passa as pessoas têm procurado mais a vida no campo. Uns querem apenas desfrutar de suas belezas e conforto, por um fim de semana ou férias. Outras, querem voltar às origens, retornar ao passado que ficou lá atrás e, após um tempo, volta com tudo, especialmente após os 40 anos. Há também aquelas que nunca tiveram experiência com a vida rural, e se encantam ao primeiro contato.

Outro dia, numa sala de espera de um consultório médico, dois senhores conversavam sobre isso. Um dizia que o médico tinha recomendado procurar uma vida mais calma para afastar o estresse. O outro sugeriu que comprasse um sítio, ao que ele respondeu que não se acostumaria àquele silêncio todo e à vida dura de trabalhos braçais.

Daí surgiu todo um relato da nova vida que passou a levar após um infarto. Passou a viver num sítio, cujos familiares se opuseram veementemente. Acharam que era mania de velho, visto que nunca tinha demonstrado interesses pela área rural. Acabaram por ceder, visando preservar a saúde do patriarca da família. Compraram um sítio não muito longe da cidade. Todos os dias, esposa e filhos dirigiam 50km para ir para o trabalho.

Reclamaram muito no início, mas se acostumaram. Sentiram falta das regalias da cidade no início: pizzarias, cinemas, celulares, internet, shoppings… Mas acabaram por se encantar pela pureza do ar, as cores dos jardins, o contato com a terra, a horta, as árvores frutíferas, os animais que passaram a criar, o rio.

A família ia e voltava todos os dias. Não acreditava que quisessem ficar lá para sempre. Quanto a ele, não abria mão daquela vida. Gostava de acordar cedo, ver o sol nascer, alimentar seus bichos e cuidar de suas plantas. Quem diria que teria forças para usar a enxada? Gostava das caminhadas nas trilhas de terra, de sentar-se à beira do rio, ouvir os pássaros, cochilar à tarde, ouvir música em seu mp3 velho… Sentia prazer nas mínimas coisas. Num bate-papo com os poucos vizinhos que encontrava quando ia ao pequeno comércio na região, nas leituras prediletas, no violão que gostava de tocar à noite… Voltou a escrever poemas, hábito da juventude, abandonado pelos atropelos da vida.

Só ia à cidade para realizar consultas periódicas com o cardiologista. Logo o médico o chamou. Despediu-se do amigo e foi recebido pelo médico com carinho. “Estou precisando ir para o campo também! Que saúde, vigor e alegria você demonstra”! O outro senhor atendeu ao celular, ficou vermelho e concluiu: “Preciso mesmo dar um novo rumo à minha vida”!

Saí de lá pensando no privilégio que é poder ter as duas opções: o campo e a cidade. Mas o fundamental é desacelerar, adquirir hábitos mais simples, menos consumismo, adquirir paz interior. O campo, com suas dificuldades geográficas e de consumo, pode aumentar os problemas se não mudarmos nosso interior “urbano” e estressado. Mudar nosso interior antes de nos mudarmos para o interior.
Alda M S Santos

 

 

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: