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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Brumadinho

Que não doa tanto ser gente

QUE NÃO DOA TANTO SER GENTE
Algo errado, muito errado, desumano
Que acaba por acionar angústias e tristezas represadas em nós
Nossas comportas também se rompem
Sensação de não pertencimento a esse lugar
Desvalorização da vida, dos sentimentos, das conquistas
Vidas hierarquizadas, sem critério algum
Saudades de outros tempos, de outras pessoas
De uma época em que sabíamos valer algo
Talvez nem valêssemos, mas não percebíamos assim
A ignorância dos fatos é, muitas vezes, uma bênção
Pessoas lançadas umas contra as outras
Por questões políticas, religiosas, sociais, financeiras
Não se sabe mais ao certo o que é importante
Uma barragem se rompe lá e estoura algo aqui dentro da gente
Saudades…
Saudades de um tempo bom
Em que não éramos apenas números
Uma imagem embaçada na memória, um retrato na estante
Ou do que éramos noutro tempo
Quando não matávamos tudo, até sentimentos
Esse tempo existiu mesmo?
Quero um mundo novo, mais humano
Quero um lugar novo, onde não doa tanto ser gente
Quero ir embora daqui
Quero reencontrar a esperança e a capacidade de sonhar
E afastar o pesadelo da realidade…
Alda M S Santos

A alma chora e agradece

A ALMA CHORA E AGRADECE
Fadigado o corpo luta para sobreviver à lama
Esgotada a alma chora
Chora por aqueles que se foram
Chora pelo descaso, pela insignificância da vida
Chora por si mesma…
Ao redor tudo é destruição
Quanto ouro vale uma vida?
Mais especificamente, quantas vidas são necessárias
Para pagar pela mineração?
Fundão, Feijão, decepção, repetição
Não foi aprendida a lição?
E a alma estremece, quase desiste, chora
E se entrega, agradecida, nos braços daquele que a acolhe
Uma alma que entende outra alma
Corações em sintonia, dor, alegria
E a alma chora, agradece…
Alda M S Santos

Tributo a Brumadinho: lama ou flores?

TRIBUTO A BRUMADINHO: LAMA OU FLORES?

Cada um dá o que tem, aquilo que dispõe

Se o que recebemos foi dor

Façamos uma oração a quem sabe de todas as coisas

Se o que recebemos foi lama

Joguemos pétalas de rosas

Se o coração apertar e as lágrimas brotarem incessantemente

Deixemos rolar…

Elas lavam o caminho para o novo nascer

Desintoxicam…

Ainda que machuque, mesmo que demore

O que é bom, verdadeiro, que vem da alma

Sempre encontra uma área fértil em meio à destruição

Para renascer…

Isso vale para flores, para sentimentos, para pessoas

O amor não morre em meio a tanta dor

E essa vida, lama nenhuma tira ou mata

Vão em paz, fiquemos em paz…

Que cada um de vocês que permanece aqui em nossos corações

Brotem lindos e viçosos onde não há mais qualquer dor…

Alda M S Santos

Fotos Band, G1 e R7

Luto, por isso luto

LUTO, POR ISSO LUTO

Luto, só temos visto isso

Tristeza, dor, corpos levados em redes, dependurados nos helicópteros

Lágrimas e mais lágrimas, revolta, injustiça, impunidade

Tragédia de Brumadinho…

Números!

Desaparecidos, mortos, identificados ou não

Vítimas que se foram, morreram

Vítimas que ficaram, sentindo-se morrer por dentro

Histórias…

Quais as mais sofridas?

Pessoas que puderam se falar pouco antes

Ou se despedir, mesmo sem saber

Outras que não tiveram chance…

Quantas estavam brigadas, chateadas?

Quantas não se falavam direito, não se davam o devido valor?

Quantos arrependimentos, distanciamentos?

O que mais aperta o coração de quem se foi?

O tempo desperdiçado, não aproveitado?

E de quem ficou?

E quem foi salvo da tragédia por motivos simples?

E as que deveriam estar lá e não estavam?

Qual o alerta deixado para todos nós?

A vida é fugaz!

Não tem data e hora para acabar!

Vamos viver de maneira justa e honesta,

O mais intensamente que pudermos,

Fazendo sempre o bem, sem tirar nada de ninguém,

Agradecer aqueles que estão conosco, curti-los, amá-los

A morte não teve critério algum

Levou gente de toda classe, idade, gênero, bichos, natureza…

Enquanto não chega nossa hora

Independente do luto, devemos lutar e seguir…

Mesmo doendo…

Em luto por todos eles, pela humanidade tão perdida

Por isso eu luto todo o tempo…

E espero que possa chegar do outro lado

Sem muitas dívidas a pagar ou do que me envergonhar…

Alda M S Santos

(Fotos: Adriano Machado/Reuters)

Que não doa tanto ser gente

QUE NÃO DOA TANTO SER GENTE

Algo errado, muito errado, desumano

Que acaba por acionar angústias e tristezas represadas em nós

Nossas comportas também se rompem

Sensação de não pertencimento a esse lugar

Desvalorização da vida, dos sentimentos, das conquistas

Vidas hierarquizadas, sem critério algum

Saudades de outros tempos, de outras pessoas

De uma época em que sabíamos valer algo

Talvez nem valêssemos, mas não percebíamos assim

A ignorância dos fatos é, muitas vezes, uma bênção

Pessoas lançadas umas contra as outras

Por questões políticas, religiosas, sociais, financeiras

Não se sabe mais ao certo o que é importante

Uma barragem se rompe lá e estoura algo aqui dentro da gente

Saudades…

Saudades de um tempo bom

Em que não éramos apenas números

Uma imagem embaçada na memória, um retrato na estante

Ou do que éramos noutro tempo

Quando não matávamos tudo, até sentimentos

Esse tempo existiu mesmo?

Quero um mundo novo, mais humano

Quero um lugar novo, onde não doa tanto ser gente

Quero ir embora daqui

Quero reencontrar a esperança e a capacidade de sonhar

E afastar o pesadelo da realidade…

Alda M S Santos

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