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política

Paixão não se discute

PAIXÃO NÃO SE DISCUTE

Diz a sabedoria popular que três coisas não se discute:

Futebol, política e religião

E é muito fácil descobrir o porquê

A preferência por determinado time de futebol, política ou religião

Foge a qualquer razão, envolve mais alma, coração

Quem se mete a discutir quer explicar o inexplicável

Percebe logo que o outro, tão diferente ou até parecido conosco, pode não ter a mesma paixão

Não faz diferença o gênero, classe social, se é mais culto, inteligente, simples, vivido ou não

Para defendê-la, quase todos se perdem nas trilhas confusas e irritadiças da emoção

Não dá para mensurar aquilo que envolve coração

Não dá para discutir racionalmente o que não se baseia na razão

O melhor jeito de bem conviver é dar ao outro o que reivindicamos para nós

Respeito por nossas escolhas, nossos gostos, nossas paixões

Que ofereçamos a eles o mesmo direito ao silêncio, ao grito, à voz

O mesmo direito de manter-se firme, ou não, em suas paixões

Com o que trazem de único a cada um de nós: satisfações ou desilusões…

A paixão pode e até deve ser diferente, mas o respeito precisa ser equânime…

Alda M S Santos

Inocentes e culpados

INOCENTES E CULPADOS

Quanto mais observo a situação política e social de nosso país

Mais me sinto incapaz de tomar partido, literalmente ou não

Quem defende Lula o faz com um afinco e paixão inimagináveis

Quem o acusa o faz com ódio e revolta sem medidas

Alguns poucos abertos a ouvir, a debater, sem acusações ou depreciações do outro

Não é válido o argumento que são petistas sem inteligência, broncos, mortos de fome

Há defensores de todo nível social e cultural

Tanto da esquerda quanto da direita

Também não é válido o argumento de que não dá pra refutar provas de acusação

Temos um legislativo, judiciário e executivo falhos e tendenciosos

Além da mídia também não ser muito confiável

Busco, leio, me informo, tenho um nível de inteligência razoável

Não estou radical numa posição, pés fincados, mente fechada

E tenho me sentido manipulada, usada, extorquida em meus direitos

Pessoas que amo e admiro, inteligentes estão em posições diferentes

Para qualquer lado desse “processo” que olhe há nebulosidades!

O que dizer de quem não tem essa possibilidade de análise?

Certamente irão olhar o que chegou em sua mesa ou não

Num momento ou outro dessa política!

Esse julgamento teve no Twitter acessos de 44,1% pró-Lula e 34,6% contra Lula

Além dos 15,3% neutros dos 1,2 milhões de postagens

Isso sem falar nas manifestações das ruas!

Isso tudo já dá a dimensão do problema para o Brasil

Única coisa que acho extremamente necessário é não nos fecharmos numa posição radical

Abrir a mente, conversar, debater, aceitar a opinião do outro com respeito, sem ofensas

Uma vez que não podemos confiar cegamente no que ouvimos por aí

Nem na mídia, nem na nossa justiça

Nem no que se “prova”, a favor ou contra esse ou aquele

Não é burro ou limitado quem pensa diferente de nós

Pode ser alguém vendo por um ângulo extra

Usar o mesmo “pau pra bater no Chico ou no Francisco”

Estar claros que não se trata de condenar um ou outro político

Mas de talvez condenar ou não uma população inteira ao limbo

A história nos mostra que as piores tragédias ocorreram sob a batuta do radicalismo

Só isso bastaria para nos mantermos abertos a opiniões…

E que Deus tenha piedade de nós!

Alda M S Santos

A corrente que mata gente

A CORRENTE QUE MATA GENTE
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Adorava essa brincadeira de criança!
Além da diversão, elas sempre nos deixam uma lição.
Na rua, um número grande de crianças,
Unidas lado a lado com os braços passados pelos ombros do outro.
Seguiam a rua cantando:
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Quem viesse em sentido contrário tinha três opções:
Juntar-se à corrente, que seguia cantando e mais forte,
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Voltar e fugir dela o mais rápido possível,
Formar uma nova corrente para enfrentá-la de igual para igual.
Enfrentar a corrente sozinho não era uma opção, era kamikaze demais.
Crescemos, mas a “brincadeira” continua.
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Ficam algumas questões importantes no ar.
Diante das correntes que “matam gente” que se formam por aí:
Nós as abraçamos? Concordamos com elas?
Lutamos sozinhos? Fugimos?
Formamos corrente contrária?
A lição da infância que fica é:
A brincadeira fica mais interessante quando não há apenas uma corrente.
Quando há pelo que, por que e por quem lutar!
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Ela está aí e sabe que temos força! Vamos esperar ser esmagados?
Alda M S Santos
Foto Google.

GREVES E PARALISAÇÕES DE PROFESSORES: DE NOVO?

GREVES E PARALISAÇÕES DE PROFESSORES: DE NOVO?
Sou professora, pedagoga, há 27 anos. Aposentei-me agora em fevereiro, 27 anos de contribuição no magistério e 4 anos na iniciativa privada.
Ouço muito: “que sorte a sua, tão nova, mais ninguém conseguirá tal façanha antes de morrer”.
A Reforma Previdenciária a ser votada é desumana e cruel, ilógica e irracional, todos sabemos.
Porém, as mesmas pessoas que me parabenizam, dizem: “professores em greve, de novo”?
Foram incontáveis as vezes em que participei de paralisações ou manifestações ao longo de minha carreira. Independentemente se o governo era de direita ou esquerda, partido A ou B. Entrou lá, a situação é outra. O discurso muda radicalmente.
Muitos ganhos trabalhistas da categoria, ou garantia de direitos conquistados foi à custa de muita luta.
O que temos hoje aí é muito insatisfatório. Temos muito a crescer ainda em matéria de educação.
Agora, a Reforma Previdenciária vem para atingir a todos num golpe mortal e inigualável na história. Retrocesso.
O pior é que sabemos que a verdade não é ausência de recursos. É má administração e desvio dos mesmos.
Contas em paraísos fiscais, se desmanteladas, provavelmente pagariam por uns bons anos os inativos do país.
A luta pela dignidade no trabalho, de docentes e discentes, é antiga. Menina ainda, lembro-me de minha mãe nas manifestações, depois fui eu, agora uma nova categoria, de alunos meus, hoje trabalhadores, cidadãos conscientes, aí na frente de batalha.
Uma nova consciência está surgindo. Uma mãe de aluno falou um dia desses: “vocês têm que lutar mesmo, por vocês, por nós todos. Na iniciativa privada a greve é mais complicada. Lutem por todos nós, por nossos filhos”!
Quando o calo que aperta é dentro de nossos sapatos, aceitamos qualquer outro calçado que se apresente e sinalize algum conforto.
A greve não é de uma categoria. É de todo um povo!
A luta é de todos nós!
Alda M S Santos

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