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poemas e reflexões da vida cotidiana

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sou criança

Cara lavada

CARA LAVADA

A cara é pintada, enfeitada

Para chamar atenção ou esconder emoção

Que resta quando a cara é lavada?

Quase sempre faz estardalhaço

A vida de um palhaço é só embaraço

Que se desfaz num beijo, num abraço

Nessa vida de palhaçada

Vai levando toda a meninada

A sorrir dia, noite ou madrugada

Mas pode ser cilada, não se deixe enganar

Se o sorriso se abrir, mas o olhar não acompanhar

Ao palhaço feliz falta amar…

Que resta quando a cara é lavada?

Alda M S Santos

Ninguém rouba de nós

NINGUÉM ROUBA DE NÓS

O bem estar de saber-se num bom caminho

A satisfação de poder ajudar, doar carinho

A coragem de nas lágrimas nos aliviar

A capacidade de aprender com as falhas e recomeçar

Ninguém rouba de nós…

A saudade de um tempo bom, de alguém

Um passado de dores e amores, sem dever ninguém

A humildade de conseguir pedir perdão

A esperança de um amanhã com mais união

Ninguém rouba de nós…

A indignação diante de uma injustiça com alguém

A hombridade em nada ter tirado de ninguém

A liberdade de poder escolher companhia ou solidão

A felicidade que há em amar um irmão

Ninguém rouba de nós…

A honestidade de nunca deixar ninguém para trás

A serenidade de uma alma criança, em paz

A crença num Deus de amor, nossa fé

A delícia de ser quem se é…

Ninguém rouba de nós…

Só se a gente deixar que o façam …

Alda M S Santos

Feito menina

FEITO MENINA

Feito criança pequenina quero receber a vida

Acolher com prazer o amanhecer que ela me oferece

Como menina, abrir os grandes olhos brilhantes e sorrir

Não me importar com os cabelos ou a vida bagunçados

Andar descalça, correr na grama, cair, esfolar os joelhos

Aceitar os cuidados que me forem ofertados

Desembrulhar o dia como um grande presente

Aproveitar o sol e quintal lá fora para brincar

Sentir o frio na barriga do calor de viver

Feito menina quero curtir cada minuto que tiver

Sabendo que o entardecer chega, o anoitecer idem

Mas ser leve, sem preocupações excessivas

Chorar quando sentir vontade

Mas nunca deixar de sorrir, de sonhar, de acreditar

Confiante que novo amanhecer chegará

E tudo se repetirá, ou não, (in)finitamente

Mas que ele sempre será bom como tem que ser

E, feito menina, confiar e balançar ao sabor da vida…

Alda M S Santos

Meninos do Rio

MENINOS DO RIO

No rio nos tornamos meninos

Crianças sapecas a nos divertir e lavar a alma

Água fria, transparente, corrente…

E ainda assim nos aquece

Aquece a alma de coisas boas

Pura natureza de matos, bichos, terra e água

Não há quem não sorria, não grite, não brinque

Que não jogue água no outro

Que não mergulhe, nade de braçadas

Que não se divirta num tombo

Que não escale uma árvore, que não se deite no chão

Que não se encante…

No rio somos meninos

Por isso no rio somos felizes

Porque só somos verdadeiramente felizes

Quando deixamos aflorar nosso lado menino…

Seja feliz, seja rio, seja menino…

Alda M S Santos

Quando eu crescer

QUANDO EU CRESCER

– Por que você está chorando?

– Porque está doendo!

– Se chorar para de doer?

A garotinha parou um pouco o choro, pensou e disse:

-Não! Mas se não chorar dói mais…

E voltou a chorar

E ele a abraçou…

Assim, duas crianças de idades diferentes debatiam depois do tombo.

E, na sabedoria infantil, esclareciam as dores e curas.

Chorar pode não melhorar a dor ou curar o mal no momento

Mas não sobrecarrega a emoção de lágrimas represadas

E deixa a ferida livre para cicatrização

No tempo certo, sem maiores riscos de infecções…

Crescemos e desaprendemos de como curar um joelho ralado

E ainda temos a pretensão de curar uma emoção abalada

Engolindo o choro e fingindo que ela não existe…

Quando crescer quero ser criança

Sem medo de subir em árvores, balançar nas gangorras

E sorrir ou chorar quando for preciso…

Alda M S Santos

Pedra, papel e tesoura

PEDRA, PAPEL E TESOURA

Pedra, papel e tesoura

Nessa divertida brincadeira de criança

Que aprendemos no grande quintal da infância

E, gostando ou não, levamos para os “tabuleiros” da vida

Buscando sempre o aliado mais forte

Para poder vencer e cantar vitória

Melhor é não ficar de bobeira, pois a vida é passageira

A sorte conta um pouco, a sabedoria vale mais

No vai e vem, no se esconde e se mostra

Vence aquele que não acredita-se invencível

Que não subestima o adversário

Que sabe que todos têm pontos fortes e frágeis

E que a vitória é transitória e temporária como brisa

Depende do adversário a enfrentar

E, muitas vezes, não vale o preço a pagar

Se custa nossa paz de espírito ou se destrói a de alguém

Pedra, tão dura, tão forte

Destrói a tesoura, que corta o papel

Mas perde para o papel que, maleável, a embrulha…

Todos podemos vencer

Todos podemos perder

Nada nem ninguém é tão forte

Que nunca possa perder

Nada nem ninguém é tão frágil

Que nunca possa vencer

Pedra, papel ou tesoura?

Tudo vai depender de você!

Alda M S Santos

Indo e vindo

INDO E VINDO

Nada as impede de se divertir

Enchem e esvaziam um baldinho incontáveis vezes

Correm até o mar, balde cheio

Voltam sorrindo, derramam metade da água pelo caminho

Olham para o que restou

E vão fazer sua escultura na areia

Não se importam com o que perderam no trajeto

Usam satisfeitas o que ainda têm,

E buscam mais se precisarem…

Ah, se fôssemos como as crianças,

Dando mais valor ao que temos em detrimento do que perdemos

Talvez tivéssemos mais vezes essa alegria e sorriso espontâneo,

Que contagiam a todos a sua volta!

Alda M S Santos

Inocência, ingenuidade

INOCÊNCIA, INGENUIDADE

Inocência, ingenuidade

Credulidade, confiança

Quando se perde na vida

Tão bonita cumplicidade?

Inocência, ingenuidade

Pureza, sorriso solto, iluminado

Quando se perde na vida

Tão agradável docilidade?

Inocência, ingenuidade

Transparência, curiosidade

Quando se torna ambiguidade

O olhar que era pura afinidade?

Inocência, ingenuidade

Sinceridade, esperança

Quando se perde na vida

Tão humana liberdade?

Inocência, ingenuidade

Carinho, naturalidade

Quando isso se transforma em

Tão adorável sensualidade?

Inocência, ingenuidade

Paz, gratuita amorosidade

Quando se perde na vida

Tão almejada felicidade?

Certamente, digo,

Quando se perde a simplicidade

Tudo isso fica na saudade…

Alda M S Santos

Caí no poço

CAÍ NO POÇO

-Caí no poço!

-Quem te tira?

-Meu bem!

-Seu bem é esse? É esse?

-Que você quer dele? Maçã, pera, uva ou salada mista?

E as crianças brincavam na rua, felizes, escolhendo seus “pares”

Ganhando beijos, abraços, apertos de mão

Sem saber que a brincadeira era “preconceituosa e sexista”

Que formava pessoas dependentes, inseguras e frágeis

Hoje, para ser politicamente correto, seria mais ou menos assim:

– “Caí no poço!”

– Tem certeza? Ninguém cai assim! Quem te jogou? Não aceite! Denuncie!

– “Quem te tira?”

– Seu “bem” que nada! Não dependa de ninguém, aprenda a se virar, empodere-se!

– “Seu bem é esse?”

– Nada isso! Você é seu próprio bem! Abra os olhos! Veja bem onde está se metendo! Não se iluda!

– “Que você quer dele?”

– O quê? Ninguém dá nada para ninguém! Devemos conquistar o que queremos e não esperar nada do outro, além de respeito!

Assim, o mundo vai ficando cada dia mais sem graça

Cessam as brincadeiras de rua, com amigos reais, que nos divertiam

Nos faziam crescer, nos ensinavam a lidar com diversidades e adversidades

E nos preparavam para enfrentar um mundo, cada dia mais chato e cruel

E não recebemos nada melhor em troca…

Com pretensões de não ser excludente, de se tornar mais justo e igualitário

O “novo mundo” exclui, e muito, nossa capacidade de lidar com ele

E com aqueles que o habitam, independente de gênero, cor, raça, cultura ou sexo…

-Caí no poço! Quero ajuda! Quem me tira?

E quero salada mista!

Alda M S Santos

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