Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Categoria

Afinidades

Reservas em mim

RESERVAS EM MIM

Reservo amor…

Para quando a dor calar minha voz

Reservo carinho…

Para alegrar e diminuir sofrimentos: meus e dos outros

Reservo amizade…

Para oferecê-la quando eu mais dela precisar

Reservo fé…

Para quando tudo parecer andar para trás

Reservo sorrisos…

Para outros despertar, para lágrimas secar

Reservo solidariedade…

Para quando não acreditar na bondade da humanidade

Reservo esperança…

Para quando precisar bordar as linhas tortas entre um caminho e outro

Reservo energia…

Como uma árvore frondosa cheia de seiva e vida nos períodos secos

Faço reservas…

Para serem úteis num tempo de carestia

E percebo que quanto mais utilizo:

Amor, carinho, amizade, fé, sorriso, solidariedade, esperança

Mais eles aumentam em mim

Utilizando, multiplico, acumulo

Multiplicando, a reserva acontece naturalmente …

Alda M S Santos

Nem toda porta

NEM TODA PORTA

Nem toda porta aberta é para entrar

Nem toda porta fechada impossibilita entrada

A chave que abre qualquer porta está em nossa consciência

Na sabedoria humana de saber-se bem vindo ou não, necessário ou não

Na certeza de que, mais que extrair algo de bom dali

É preciso, no mínimo, não atrapalhar o que encontrou

Se não puder deixar algo melhor que encontrou, não entre!

Alda M S Santos

Águas passadas

ÁGUAS PASSADAS

Águas passadas carregam em si um rastro da gente

Que nunca conseguiremos deixar totalmente para trás

Em paralelas, curvas, profundas ou rasas, carregam consigo partes do nosso coração, da nossa mente, da nossa alma

Sujas ou limpas, feias ou bonitas, claras ou escuras, são nossas marcas

Dignas de orgulho ou arrependimento, alegrias ou tristezas, foram importantes

Fizeram de nós o que somos

Ignorá-las é desconsiderar nossa história

Podem não mover mais os mesmos moinhos

Mas insistirão em nos seguir

E nos lembrar que as mesmas águas que giraram as pás da nossa vida,

Podem mover as hélices de quem vem atrás de nós, ou está ao nosso lado

Mansas ou tempestuosas, estarão no caminho de pessoas que nos são caras

Causando garoas tranquilas ou destruidores furacões.

Alda M S Santos

Pessoas e abismos

PESSOAS E ABISMOS

Na vida há diversos tipos de pessoas

As que nos levam até à beira do abismo e nos abandonam lá

As que nos impedem de pular ou que são a rede a absorver nossa queda

E as que nos impedem de chegar à beira do penhasco…

Qual delas temos sido para os outros?

Pior que ser abandonado na beira do abismo, é abandonar alguém lá…

Alda M S Santos

Sempre amor

SEMPRE AMOR

Um grupo com um objetivo: levar alegria

A razão que trouxe cada um é variável

Todos parecem felizes, profissões variadas, vidas diferentes

Unidos no desejo de ajudar os outros, os idosos, particularmente

Olho para cada rosto desses palhacinhos, cada sorriso

Sei um pouco a história de alguns

Histórias de lutas secretas, sofrimentos, nem sempre vitoriosas

Muitos carregam angústias, frustrações e dores

Não doam o que lhes sobra, mas aquilo que mais precisam

Aquilo que valorizam, que sabem precioso

No prazer de levar amor, encontram uma razão a mais para lutar…

Para viver…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Aquieta meu coração

AQUIETA MEU CORAÇÃO

Quero um coração em paz, confiante

Em harmonia com a vida do entorno

Em equilíbrio com a vida de dentro

Trocas do bem, curas do mal

Olhos que saibam ver além da superfície

Corações que se amem independente da distância

Pés que saibam de cor o caminho

Mãos que se deem, se doem, que se autovalorizem

Quero uma alma que sintonize com outras almas

E que ali se aquiete, se acalme, se encontre…

Alda M S Santos

Os outros e nos

OS OUTROS E NÓS

Quando fazer-se bem passa, necessariamente,

Pelo fazer bem ao outro

Quando encontrar-se passa, obrigatoriamente,

Pelo caminho que atravessa o coração do outro

Quando acender a luz no olhar de alguém

É o modo mais eficaz de refleti-la em nós mesmos

Quando dar colo a quem dele precisa

É um modo de encontrar um ombro para descansar

Quando ser o motivo do sorriso de alguém

Torna-se o lenço capaz de enxugar nossas lágrimas

Quando direcionar nossa vida ao outro

É a maneira mais paradoxal de valorizar nossa própria vida!

Alda M S Santos

#carinhologos

Miopia

MIOPIA

Somos um mundo de míopes

Que não enxerga a poucos metros dos próprios narizes

Se notamos algo, nada questionamos, não temos tempo

Um sorriso será sempre alegria

Uma lágrima é fraqueza que logo passará

O silêncio é de pessoa antissocial

Os gritos são de neuróticas!

Todo mundo rotulado, questionar para quê?

Um desconhecido que quer “sofrer em paz”,

Aquele vizinho que foi detido por agressão à esposa

O colega de trabalho que surtou e suicidou-se

Ou aquele amigo/a que trai, que vira as costas, que não é de confiança…

Mas como? Fulano? Ah, bem que ele era estranho!

E a vida segue…

Os problemas estão ao nosso redor, dentro das pessoas

Atrás de sorrisos sociais, de lágrimas antissociais

De “bom dia” por obrigação

De trabalho sem tesão, sem animação

Do silêncio gritado ou do grito calado

E que nossa miopia não nos permite ver!

Não há modo melhor de nos curar que ajudando na cura alheia!

Se não enxergamos, cheguemos mais perto, olhemos mais atentamente!

Pode ser nossa chance de curar a “miopia”, entre outras anomalias e patologias…

Alda M S Santos

Quando o ímã é o carinho

QUANDO O ÍMÃ É O CARINHO

Nenhum ser vivo se aproxima de outro por acaso

Quando o ímã é o carinho

Não importa a espécie, classe filo, gênero

Origem, ordem, reino, família, habitat

Se anda, voa, se arrasta ou se não sai do lugar

Criatura atrai criatura

Vegetal ou animal, racional ou irracional

Afinidades que apenas são sentidas

Não se explica, se curte se sente falta!

Alda M S Santos

ResPIRAR!

ResPIRAR!
Um simples observar de nossa respiração
Nos mostra nossa reação a algo ou alguém
Por vezes, o ar se prende, se solta lentamente
Outras vezes, é apenas um respirar leve e suave
Passando por uma respiração forte e entrecortada
Ou uma falta de oxigênio total,
Além daquele susPIRAR profundo…
Esse resPIRAR constante nos mostra
A raiva, a ansiedade, a alegria, a tristeza
A tranquilidade, a saudade, o desejo
A empatia, a antipatia, a compaixão
O amor…que pessoas e situações nos despertam.
Cuidado para respirar, sem pirar!
Alda M S Santos

Mãos que se tocam

MÃOS QUE SE TOCAM

Todo amor começa e caminha por nossas mãos,

Logo depois dos olhares.

Pelo toque suave de duas mãos diferentes que se atraem

Mãos que se dão, que se medem, se alongam

Se tocam, se acariciam, se escalam

Brincam, dedos com dedos

Espalmadas, cruzadas, se exploram

Ora calmas, ora ansiosas, grudadas.

Ficam íntimas, tornam os donos mais íntimos,

Se aquecem, se abraçam, se beijam,

Buscam o brilho do olhar, o sorriso

Mãos que se paqueram, que se querem, se namoram

Se convidam, se oferecem, fazem amor…

A despeito dos observadores casuais ou propositais

Tudo em simples toques

Que antecipam nos contatos de dedos e palmas

Um contato que se pretende mais amplo, mais intenso.

Nossas mãos se amam bem antes de tudo o mais

Pela atração e prazer das mãos

Se mede a intensidade do amor.

Alda M S Santos

De onde vem?

DE ONDE VEM?

De onde vem o sorriso que te ilumina o rosto?

De onde vêm as lágrimas que te fazem mais humano?

De onde vem a força que brota do seu interior?

De onde vem a fragilidade que te imobiliza e te engrandece?

De onde vem a necessidade não identificada?

De onde vem a capacidade de renovação?

De onde vem a fé em coisas impossíveis?

De onde vem a esperança em dias melhores?

De onde vêm tantos sonhos?

De onde vem a vontade de realizar cada um deles?

De onde vem?

Descubra, vá pra lá, grude e não largue nunca mais!

Alda M S Santos

#carinhologos

Faz de conta

FAZ DE CONTA

A arte de fazer de conta é essencial 

As crianças, sabiamente, enfrentam o real através dela

Caracterizar-se, lançar-se a uma época, 

Obter asas para alçar voos,

“Ser” outro alguém, vez ou outra,

É uma maneira eficaz e inteligente de tornar possível, o impossível

De fazer tolerável, aquilo que é doloroso…

De extrair forças do que parece frágil.

Alda M S Santos

Roseiras

ROSEIRAS

Todos somos capazes de admirar uma roseira

Mas muito poucos se dão ao trabalho de conhecê-la

De saber do que ela precisa para se manter tão linda

Viçosa, com brilho e cor intensos e perfumada.

Precisa de água, de terra fértil, de adubo, de luz solar

De carinho do jardineiro, de uma boa poda.

Mas não há jardineiro que possa querer ofuscar seu brilho, apagar sua cor, 

Secar seu perfume, sequer arrancar seus espinhos…

Rosa que é rosa tem cor forte,

Brilha, perfuma e espinha.

Aí está seu encanto!

Todo bom jardineiro sabe a hora da poda ou de dar nutrientes básicos.

Todo bom jardineiro potencializa as qualidades de suas flores.

Rosa é rosa, cravo é cravo, jasmim é jasmim.

E há gostos para cada uma delas.

E as flores reconhecem bem o toque de seu jardineiro

E sentem sua falta! 

Cuidemos de nossas canteiros com amor.

Alda M S Santos

Figurinha repetida

FIGURINHA REPETIDA

 Valorizemos o que temos de diferente em nós

Em nossas vidas, em nossas amizades.

E pernas pra que te quero…

Não se completa um álbum com figurinha repetida.

Alda M S Santos

Que bagunça!

QUE BAGUNÇA!

Dizem que nossa casa é reflexo do que somos.

Alguns, independente do tamanho, a mantêm arrumadinha.

Vou além: nosso interior é uma casa, e o tratamos como tal.

Como em nossas residências:

Temos moradores fixos ou temporários, desejados ou não.

Temos apenas transeuntes e observadores esporádicos.

Temos visitas desejadas e indesejadas, umas mais frequentes que outras, com pretensão de moradoras.

Temos pseudo moradores que se assemelham a algumas visitas, nada contribuem.

Temos alguns inquilinos temporários, ajudam por um tempo, mas deixam estragos.

Temos admiradores que gostaríamos de convidar para a sala de visitas, mas não passam da porta.

Outros que nem queremos tanto, entram, vasculham cada espaço sem convite e se vão.

Há os que chegam de supetão, barulhentos, alegres e bagunceiros, e que acabamos por nos encantar e deixá-los ficar, apenas na sala de visitas. Dão cor e movimento ao espaço.

E há ainda aqueles que chegam devagar, primeiro na porta, depois de um tempo na sala, batendo papo, na cozinha, tomando um café ou lavando uma xícara…

Quando assustamos já estão no quarto, ajeitando nossa bagunça, segurando nossas mãos e ouvindo nossos traumas, chorando com nossas dores, rindo de nossos desastres, aplaudindo nossas poucas vitórias, refrescando-se em nosso banheiro, tomando um vinho conosco.

Acabam por tornar-se moradores indispensáveis. Alegram, dão vida, perfumam, colorem, renovam o oxigênio, tiram teias de aranha, clareiam tudo. 

Como em nossas residências, mantemos em nós alguns espaços mais arrumados que outros, mais visitados que outros, alguns até secretos.

Como em nossas residências, essa seleção de visitantes e moradores é essencial para a limpeza, conservação e saúde do espaço em que vivemos.

Bom lembrar que fechar portas e janelas não é uma opção!

Nossa casa-mente-alma agradece!

Alda M S Santos

Apêndice emocional

APÊNDICE EMOCIONAL

Todos nós temos em casa aquele espaço

Onde tudo que não tem lugar,

Ou que não ficaria tão bem se exposto

É lançado: o quartinho da bagunça.

Ferramentas, utensílios inúteis, objetos pouco utilizados,

Pequenos móveis, papéis, tudo aquilo que queremos “esconder”.

Dizem que quem não tem esse espaço em casa,

Toda ela se torna uma verdadeira bagunça.

Devemos utilizar esse critério para nossos sentimentos também.

Separar dentro de nós um cantinho da bagunça,

E deixar lá aqueles sentimentos que não são tão bonitos,

Ou que não seriam convenientes que se tornassem públicos,

Ou que são apenas nossos mesmo, muito íntimos.

Lá entraríamos de vez em quando para dar uma ajeitada,

Reorganizar, promover alguns deles para a sala de visitas,

Lançar outros fora, descartar mesmo, enterrar,

E ainda deixar outros em modo de espera, em evolução.

Ali, levar só quem puder ajudar ou for de extrema confiança.

Alguém que não se importe com a desordem,

Que sente-se num cantinho conosco e clareie alguns deles.

Para nossa alma manter-se saudável e arejada,

Precisamos desse apêndice emocional em nós.

Alda M S Santos

Voo leve

VOO LEVE
Somos um ser de uma asa só voando por aí,
Voamos bem, voamos muito, ora baixo, ora alto…
Quando encontramos uma asa que nos pareia, tudo se encaixa.
Voamos bem, voamos alto, voamos leve, voamos felizes.
Mas se nos unimos a uma asa que não combina,
Melhor seria continuar voando bem, ora baixo, ora alto,
Mas com a própria asa…
Pior que voar sozinho é voar com asas que pesam,
Com asas que desequilibram, que geram turbulências.
O voo precisa ser leve, livre, solto e feliz,
Sozinho ou acompanhado.
Alda M S Santos
Foto Google imagens

Prova de amor

PROVA DE AMOR

Prova de amor não se pede

Mas o verdadeiro amor se prova a todo momento

Algumas vezes com palavras

Mas a maioria delas nas pequenas atitudes:

De carinho, de cuidado, de desejo de estar junto.

O amor verdadeiro e recíproco

Nota-se e se faz notar,

Não se questiona,

Apenas se ama e se faz amar.

Com e por prazer. 

Infinitamente…

Alda M S Santos

Como saber?

COMO SABER?
Vidas que caminharam juntas, em paralelas, se entrelaçaram.
Como saber significados que deixaram uma para a outra?
Como saber a importância que tiveram entre si?
Basta olhar o que ficou em cada uma delas, o que foi deixado no outro.
Vidas que se tocam, se amam, não se entrelaçam, e se vão, sem deixar sua marca.
Fica um jeito de ser do outro, um sorriso, um carinho, um conselho, uma palavra, uma lembrança…
Algo de pessoas que se amaram ficará sempre impregnado uma na outra, como um perfume suave…
Mas o melhor jeito de saber a importância que tiveram,
É a capacidade de se fazerem presentes, sempre, de alguma forma, principalmente nas adversidades,
Guardadinhas no coração…
Alda M S Santos

Abrigos

ABRIGOS

Uma mansão num paraíso tropical,

Uma cobertura num país europeu,

Uma casinha branca na serra,

Uma choupana num vale no outono,

Uma cabana numa montanha bem alta,

Um barraco num aglomerado qualquer…

Todos são residências! Todos!

Não importa em qual delas estaremos,

Pois o verdadeiro abrigo é aquele que encontramos

No coração daqueles que trilham conosco essa estrada.

Esses, podemos encontrar num barraco ou numa mansão.

Sem qualquer distinção!

E fazer ali nossa verdadeira morada.
Alda M S Santos

Coração na mão

CORAÇÃO NA MÃO

Onde bate seu coração?

No próprio peito, tranquilo e em paz?

Na mão, temeroso e ansioso? 

Em trânsito, corajoso e perdido, em busca de abrigo?

Noutro peito, como inquilino provisório, sempre em dívida?

Dividindo morada, batendo aqui e lá, ao mesmo tempo, em sintonia, em uníssono?

Coração é forte, mas quando bate junto é insuperável! 

Escolha onde quer deixar que o seu bata! 

Alda M S Santos

Fogo!

FOGO!

À beira de uma fogueira rústica
De uma lareira sofisticada

Ou de uma alma encantadora

Todo cuidado é pouco

Muito longe não nos aquece

Muito perto pode nos queimar.

Mas, chegando aos poucos na posição devida,

Conhecendo ônus e bônus

Sempre irá nos contentar.

Alda M S Santos

De que adianta?

DE QUE ADIANTA?
De que adianta uma linda voz
Se quando é preciso, ela se cala?
De que adianta um belo sorriso, se apenas se abre para alguns,
E tantos necessitados são excluídos?
De que adianta tamanha inteligência,
Se não sabe agir ao sabor da emoção?
De que adianta tanta beleza, se não é possível mergulhar mais fundo,
Sob pena de “bater a cabeça” em rasa profundidade?
De que adianta tanta “cultura”,
Se as palavras mais doces não fazem parte de seu vocabulário?
De que adianta braços fortes e ombros largos,
Se não servem de abrigo ou de colo a quem precisa?
De que adianta o amor preso dentro de si,
Se ele é uma flor que precisa do sol
Que existe no outro,
Para crescer, se abrir e encantar?
De que adianta?
Alda M S Santos

Ser amor

SER AMOR
Ser amor é ser sorriso
Sem desvalorizar as lágrimas
É ser abraço, beijo,
Quando tudo parecer ruir.
É ser estímulo, sem negar o colo.
É ser companhia, participação, interatividade,
Sem negar-se a si mesmo e às suas vontades.
É ser admiração, respeito, confiança, intimidade,
Sem fechar os olhos para os defeitos,
Mas mantê-los bem abertos para o essencial
Que encanta, aquece e amortece qualquer mal
Simplesmente por existir e estar ali.
Alda M S Santos

Saudade é…

Saudade é …

Quando a alma vai para onde quer 

E deixa o corpo para trás. 
Alda M S Santos

Marcas impressas

MARCAS IMPRESSAS

Sempre vemos algo que dizemos: isso me lembra fulano…

Pode ser o jeito de sorrir, de jogar o cabelo

O modo de andar, de se vestir

A delicadeza das atitudes, o abraço, o beijo,

A voz, as palavras doces,

A fisionomia sisuda, o mau humor, a ansiedade.

A atenção, o carinho, a preocupação, 

A criatividade, a intensidade, as bochechas coradas

A animação ou desânimo, o jeito lento ou acelerado.

O modo de dançar, cantar ou encantar,

A fé, a coragem, a força de vontade, 

O perfume, o olhar, o batom rosa, a barba por fazer, aquela bebida…

Quais serão as marcas que deixamos impressas por aí?

Podem ser infinitas! 

Preferiríamos que fossem apenas as agradáveis!

Caminhemos com esse intuito!

Alda M S Santos

Beijos, linguagem universal

BEIJOS, LINGUAGEM UNIVERSAL

Beijos são linguagem universal, vários tipos, vários significados.

Há o beijo na testa, representa cuidado e proteção.

O beijo na mão quer dizer respeito e admiração.

O beijo rápido no rosto é de alguém que se apresenta para o outro.

O beijo nas bochechas, cujas mãos seguram a cabeça, um abraço se segue, fazem um carinho, é o que diz: tudo bem, estou aqui, conte comigo!

O beijo de nariz é o beijo da cumplicidade e bom humor.

O beijo selinho, toque rápido de lábios com lábios, é cumprimento mais íntimo e carinhoso, de almas afins.

O beijo na boca, sempre acompanhado de abraços, carícias, é o encontro das almas numa só morada, onde gostariam de habitar para sempre. 

Beijo é linguagem de um idioma só:

O Amor.

Alda M S Santos

Adaptações💔

ADAPTAÇÕES 💔

Sempre me impressionou a capacidade de adaptação dos seres humanos.

Quantas mutilações podem sofrer e continuar em frente.

Transferem a tarefa ou função perdida para outra área, outro membro, outro órgão.

Perdem pés, pernas, mãos, braços, articulações, órgãos diversos.

Usam outros em substituição, adaptam-se, sobrecarregam outra área. Basta ver uma paraolimpíada. 

Diminuem a capacidade, arrefecem a vitalidade, mas a vida continua.

A vida sempre se impõe!

Até o cérebro pode “perder” certas partes e continuar ativo.

Mas se existe uma parte cuja adaptação é complicada é o coração.

Transplanta-se coração, tudo bem. O músculo coração pode ser substituído.

Porém, seu conteúdo, aquele gravado na alma, não se substitui facilmente.

Um filho, os pais, irmãos, amigos, amores…

Quem perde algo ou alguém importante tem sérias dificuldades para continuar.

Aqueles cuja alma já registrou como parte de si,

Quando se vão, saem levando um pedaço da própria alma em que grudou.

Substituição ou complementariedade de alma eu nunca vi.

A saudade até tenta compensar, mas não faz um trabalho muito bom.

Ao mesmo tempo em que pode alegrar, pode também ferir.

Esse tipo de adaptação o ser humano ainda precisa aprender.

Alda M S Santos

Tá tudo bem?

TÁ TUDO BEM?
Quantas vezes ouvimos essa pergunta?
Quantas vezes a formulamos?
Praticamente 100% das vezes a resposta é: “sim, e você”?
Na maioria delas não passa de pro forme.
Quase nunca respondemos sinceramente.
Não nos dão, ou não damos tempo para uma resposta sincera.
Aquela que demandaria explicação, tempo, atenção, ouvidos, talvez ombros.
As palavras dizem uma coisa e os olhos dizem outra.
Mas quem tem tempo ou disposição para investigar, sequer perceber?
Os olhos dizem “não, estou no meu limite”, “não, estou muito down”!
“Não, preciso de ajuda”, “não, quero colo” ou “não, gostaria de sumir do mapa”.
Se realmente respondêssemos assim, qual seria a reação de nossos interlocutores?
Qual seria a nossa reação, se ouvíssemos respostas como essas?
Certo é que se a pessoa é amiga, próxima, íntima, nem precisaremos perguntar.
Basta notar suas ausências, seu silêncio, seu olhar.
Em todos esses casos, apenas um carinho, um abraço resolveria.
Ou ao menos amenizaria bastante o problema.
Queremos estar bem!
Alda M S Santos

Marcado a ferro

MARCADO A FERRO

Estava de camiseta estilo nadador

Ombros e braços à mostra,

Uma bela tatuagem de uma garota de longos cabelos nas costas

E um nome que não pude ver.

Malhava no aparelho ao lado do meu

“Nem precisa registrar assim, não é?”

O quê?

“A tatoo. É minha garota!”- disse aquele senhor mais velho.

Há outros tipos de registros, concordei.

 “As pessoas escrevem suas histórias em nós de diversas formas”. – disse sorrindo.

Certamente! Umas escrevem a lápis, logo se apaga e não deixam marcas.

Outras escrevem à caneta, demora um pouco mais, mas também desmancham e deixam algumas marcas.

“E há aquelas que registram a ferro. Nunca mais conseguimos apagar”- ele completou.

Sim. Ficam impregnadas em nós. Registradas na pele, no coração e na alma. Nem que a gente queira consegue extirpar.

“É o caso dessa garota, minha filha, nem precisaria estar nas minhas costas. Ela se foi, mas está registrada a fundo lá dentro”.

Todos temos histórias registradas em nós!

“Você tem a pele limpa, mas certamente tem muitas histórias marcadas a ferro”.

Todos nós, senhor! Todos nós!

Alda M S Santos

Respostas

RESPOSTAS
Muitas são as questões nessa vida,
Maiores ainda as variedades de respostas!
Quando a questão é a indiferença, a tristeza, a apatia
Nossas respostas podem ser idênticas à questão,
Ou também podem vir em forma de revolta, bom humor, energia
Se a questão que se apresenta for a raiva, a rebeldia, a intolerância,
Pode-se obter esses mesmos itens como resposta,
Mas é possível haver também o silêncio, a calma, a alteridade.
Quando a questão é o carinho ou o amor acontece o mesmo.
Muitos responderão com carinho e amor em diferentes intensidades.
Porém, há aqueles que responderão com indiferença, repulsa
Afastamento e até mesmo certa rispidez.
As respostas que damos ao que se nos apresenta
Dependerá, em parte, de quem nos faz o questionamento
E, a maior parte, do que temos em nós.
Questões quase sempre são as mesmas
Existem para nos instigar, nos provocar, nos acordar
O que difere nas respostas que oferecemos
São as fórmulas e dados de que dispomos para resolvê-las em nós.
Quem não aprecia a raiva ou indiferença,
Dificilmente responderá com raiva ou indiferença.
Quem não “reconhece” o carinho ou o amor,
Terá sérias dificuldades em reconhecê-lo numa “questão”
Para oferecer resposta à altura.
Porém, uma vez aprendido, sentido e reconhecido
Ninguém ficará imune a ele.
É contagioso e incurável.
Ainda bem!
Alda M S Santos

Num lar

NUM LAR

A vida inteira num lar

Com pais, irmãos, avós, primos

Companheiros, filhos, sobrinhos…

Ou uma vida dedicada à família dos outros, 

Que cresceram, se foram, não precisam mais deles

De repente, não há mais lar, ou familiares, ou amigos…

A solidão é a fiel companheira

E surge um novo lar…

Cuidados, novas pessoas, talvez novas amizades…

Algumas atividades, visitas esporádicas…

Pra que ainda estou vivendo?- alguns se perguntam.

Tenho onde morar, estou aqui porque quero!-dizem outros.

Meu sobrinho quer vir me ver, a mulher dele que não deixa! – afirma outra.

Gosto de vocês aqui, alegram nosso dia!- diz outra sorridente a cantar.

E assim a vida segue…

85, 99, 102 anos de idade.

O que querem? O que esperam? 

Algo que o dinheiro não compra:

Atenção, um toque, um carinho, ouvidos, ombros… 

Só isso! 

Que possamos cuidar de nossos idosos!

Que tenhamos quem cuide de nós quando chegar nossa vez.

A maior pobreza é a falta de carinho. 

Alda M S Santos 

De quantas histórias se faz nossa história? 

DE QUANTAS HISTÓRIAS SE FAZ NOSSA HISTÓRIA?

Rimos de chorar esses dias, minhas irmãs e eu!

Extremamente prazeroso lembrar episódios da infância

As artes, as birras, as surras, a cumplicidade de irmãos

As rixas, os ciúmes, as dificuldades, o amor acima de tudo.

Ou da adolescência, as incertezas, os medos, a baixa autoestima,

A incerteza do ser adulto ou ser infantil, espremido entre ambos.

Os amigos confidentes, os primeiros beijos e paixonites

A vida adulta, os compromissos, as responsabilidades…

Tantas são as histórias! Tão ricas de emoções!

Relembrá-las é viver de novo, com uma nostalgia boa

Sem os sofrimentos! Se possível com quem as viveu conosco.

Estes, mesmo se lembrados, já não doem tanto.

O que ficou foi a certeza de ter vivido algo especial

Com pessoas especiais,

Ainda que não façam mais parte do nosso convívio!

Minha história é feita de muitas histórias,

E muitos e valiosos personagens!

E a de vocês?

Alda M S Santos

Encontro

ENCONTRO

Ele a aguardava no início de um longo caminho

À frente descortinava-se paisagem paradisíaca

Céu azul e nuvens branquinhas, um por-do -sol de tirar o fôlego, gramíneas e árvores frondosas no caminho.

Ela chega, ele estende a mão para recepcioná-la, olhos nos olhos, falam silenciosos

Mãos dadas iniciam lentamente aquele longo caminho.

Às vezes se olham, sorriem, se entendem.

Qualquer dúvida, receio ou problema tinha ficado para trás.

Vestes leves, esvoaçantes, pés descalços

Os dela estavam machucados, ele se abaixa, faz um carinho em seus pés feridos.

Levanta-a no ar num longo abraço…

Poderiam ficar sem respirar, a energia fluía de um corpo ao outro, de uma alma à outra.

Parece querer absorvê-la, não deixá-la nunca mais sair de perto.

Cabeça encaixada em seu ombro, ela sorri e chora ao mesmo tempo.

Enfim, estão no lugar certo, tão desejado!

Cenário cinematográfico: silhuetas abraçadas ao por-do-sol. 

Hora das letras FIM aparecerem, 

Porém, o que aparece é

RECOMEÇO

E vão desaparecendo lentamente, abraçados, juntos, ao longe.

Alda M S Santos

Onde estão?

ONDE ESTÃO?

Onde estão os abraços que precisamos?

Aqueles, cujo único interesse é ser e fazer alguém feliz?

Onde estão nossos sorrisos, nosso brilho?

Aqueles, que vêm de dentro e saem invadindo tudo?

Onde estão nossa empatia, nossa alteridade? 

Aquelas, que nos tornam capazes de sentir o que o outro sente? 

Onde estão nossa compaixão e solidariedade? 

Aquelas, que nos fazem ser mais gente, mais humanos?

Onde estão o amor, a amizade?

Aqueles, sem os quais não há vida?

Onde estão nosso sossego, nossa paz?

Aqueles, que buscamos nos outros, mas só encontramos em nós mesmos? 

Buscando em nós mesmos encontraremos todas as respostas! 

Os abraços eu encontrei, e como é bom!

Alda M S Santos

O que mais atrai olhares?

O QUE MAIS ATRAI OLHARES?

O que mais atrai nosso olhar?

A resposta quase unânime seria “o que é belo”.

Vai um pouco além disso, penso eu. 

O que atrai nosso olhar é aquilo que nos toca, que foge ao comum, que é diferente. 

Flores num caminho sempre seco e inóspito nos atraem.

Uma criança alegre e falante, entre muitas caladinhas, nos atrai.

Uma pessoa que chora silenciosa pelas ruas, sempre cheias de gente desligada, nos atrai.

Um senhor que segue vagaroso e mancando, entre transeuntes apressados, nos atrai.

Uma mulher sensual, alegre e bem vestida, entre tantas “uniformizadas” de jeans, nos atrai.

Um homem perfumado e educado, entre tantos relaxados e grosseiros, nos atrai.

Pessoas inteligentes e de boa conversa, entre tantos de papos online, nos atraem. 

Sorrisos, entre tantas carrancas, nos atraem.

Atenção, num mundo que parece aéreo, nos atrai.

Essas pequenas coisas atraem nosso olhar,

Mas o mais importante, nos encantam.

Passam dos olhos para a alma e de lá não saem mais. 

Nossas almas andam carentes do belo, do tocante, de essências! 

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑