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poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

Até o infinito

ATÉ O INFINITO
Encontra-se em embalagens biodegradáveis
Grandes ou pequenas, de qualquer cor ou idade
Gênero, raça, etnia, religião, cultura ou instrução
Resistente às lágrimas, frágil perante sorrisos
Desmancha-se diante da sinceridade
Encoraja-se frente às boas ações
Admira-se ao topar com gentilezas
Encanta-se com a beleza exterior
Deslumbra-se com a riqueza interior
Opta pela simplicidade e generosidade
Ganha forças num abraço, derrete-se num beijo
Confia e protege o outro, mesmo que em detrimento de si
Doa-se inteiramente por e com prazer
Aumenta com o tempo e, se real e verdadeiro
Dura até o infinito… O que é?
Quem sente, identifica-se, não precisa de resposta!
Alda M S Santos

Autênticos como crianças

AUTÊNTICOS COMO CRIANÇAS

“Oh jardineira por que estás tão triste, mas o que foi que te aconteceu?”

Quanto mais tenho contato com idosos

Mais me convenço que o que somos se mantém

Talvez até se potencialize com a chegada da idade

Excetuando-se mudanças advindas das limitações físicas e de saúde

Ninguém torna-se mais paciente, comunicativo

Amoroso, pacífico, solidário, cristão, festeiro

Porque a idade chegou…

Muitas vezes acontece justamente o contrário

A certa liberalidade que a idade autoriza

Que as rugas validam

Que o andar trôpego confere

Fazem dos idosos pessoas mais autênticas, como crianças

E todos acabamos por admirá-los, dando um “desconto”

Achamos até bonitinho a rabugice e implicância

Ou a alegria e espontaneidade excessivas

Mas seria ingenuidade esperar que um introvertido, quieto, preguiçoso, desconfiado, malicioso, rabugento

Ou o oposto desses, festeiro, animado, alegre, extrovertido, namorador, crédulo

Mudasse da água para o vinho

Virassem “santos” porque passaram para a terceira idade

Acredito em mudanças, crescimento, aprendizado

Particularmente com as lições que a vida dá

Mas essência é algo muito difícil de mudar…

De todo modo, nada disso nos impede de amá-los

E querer fazê-los um pouco mais felizes…

Nós os amamos do jeitinho que são!

“Não fiques triste que esse mundo é todo seu

Tu és muito mais bonita que a camélia que morreu”…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Saudade é bichinho intrometido

SAUDADE É BICHINHO INTROMETIDO

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

Mesmo que você o afaste firmemente

Ele costuma achar buraquinhos ou brechas

E ali se acomodar…

Se é num livro, ele torna-se personagem

Se for num filme, ele faz parte da cena

Num poema é a rima que falta

Numa canção é a harmonia da melodia

No sorriso é a dor camuflada

Nas lágrimas é o alívio desejado

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

E ali se acomodar…

Nas companhias, às vezes é a ausência

Nas ausências faz-se presença

No jardim é o mais suave perfume

No barulho é o silêncio dolorido,

No silêncio é o grito contido,

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

E como borboleta, ali se aboletar…

Cansado de tanto se impor,

Esse bichinho de nome saudade

Nas orações torna-se pedido

De ali ficar e morar para sempre…

Alda M S Santos

E ela espera…

E ELA ESPERA…
É cedo, ele parte, vai se afastando, diminuindo até desaparecer
E ela senta, espera, confia…
Não sabe quando volta, ou o que enfrentará pela frente
Mas ela espera, confia…
Mar revolto, águas ora calmas, ora traiçoeiras, tempestades
E ela espera, confia…
Vai leve, sem carga, proa vazia, tripulação preciosa, coração abastecido
E ela espera, confia…
Saudades lá, saudades cá…
Aumentam na mesma medida da carga abastecida
E eles esperam, confiam na certeza do reencontro
O transporte, a carga, já não são tão preciosos
A distância dói, corações de marinheiros, cheios de ausências…
Pescadores de saudades…
Eles esperam, confiam
E ela fica ali, vivendo ora de esperanças, ora de saudades
Ainda que o coração balance mais que aquele barco,
Com o olhar tão salgado quanto o mar
Sempre ao longe, a encurtar distâncias…
Alda M S Santos

Inocentes e culpados

INOCENTES E CULPADOS

Quanto mais observo a situação política e social de nosso país

Mais me sinto incapaz de tomar partido, literalmente ou não

Quem defende Lula o faz com um afinco e paixão inimagináveis

Quem o acusa o faz com ódio e revolta sem medidas

Alguns poucos abertos a ouvir, a debater, sem acusações ou depreciações do outro

Não é válido o argumento que são petistas sem inteligência, broncos, mortos de fome

Há defensores de todo nível social e cultural

Tanto da esquerda quanto da direita

Também não é válido o argumento de que não dá pra refutar provas de acusação

Temos um legislativo, judiciário e executivo falhos e tendenciosos

Além da mídia também não ser muito confiável

Busco, leio, me informo, tenho um nível de inteligência razoável

Não estou radical numa posição, pés fincados, mente fechada

E tenho me sentido manipulada, usada, extorquida em meus direitos

Pessoas que amo e admiro, inteligentes estão em posições diferentes

Para qualquer lado desse “processo” que olhe há nebulosidades!

O que dizer de quem não tem essa possibilidade de análise?

Certamente irão olhar o que chegou em sua mesa ou não

Num momento ou outro dessa política!

Esse julgamento teve no Twitter acessos de 44,1% pró-Lula e 34,6% contra Lula

Além dos 15,3% neutros dos 1,2 milhões de postagens

Isso sem falar nas manifestações das ruas!

Isso tudo já dá a dimensão do problema para o Brasil

Única coisa que acho extremamente necessário é não nos fecharmos numa posição radical

Abrir a mente, conversar, debater, aceitar a opinião do outro com respeito, sem ofensas

Uma vez que não podemos confiar cegamente no que ouvimos por aí

Nem na mídia, nem na nossa justiça

Nem no que se “prova”, a favor ou contra esse ou aquele

Não é burro ou limitado quem pensa diferente de nós

Pode ser alguém vendo por um ângulo extra

Usar o mesmo “pau pra bater no Chico ou no Francisco”

Estar claros que não se trata de condenar um ou outro político

Mas de talvez condenar ou não uma população inteira ao limbo

A história nos mostra que as piores tragédias ocorreram sob a batuta do radicalismo

Só isso bastaria para nos mantermos abertos a opiniões…

E que Deus tenha piedade de nós!

Alda M S Santos

O que sobra de mim?

O QUE SOBRA DE MIM?

O quanto há dos outros em mim

E o quanto há de mim nos outros?

Quando alguém amado ou bem próximo morre ou se afasta

Sabemos que ali com eles foi uma boa parte de nós…

Morremos um pouco na morte ou afastamento de entes queridos: familiares, amigos, mentores

E porque não dizer também dos desafetos?

O que sobra de mim,

Sem a parte de mim que os outros carregam?

O quanto de mim é, na verdade, baseado no que sou para os outros,

No que eles são para mim?

Minha história seria a mesma

Se fossem retiradas pessoas que a ajudaram a compor?

Nossas vidas são entrelaçadas a outras vidas

Se um fio é retirado, todo o novelo se modifica!

O fio original já não sabemos mais qual é

Está emaranhado no todo.

Seria como retirar o ovo de um bolo pronto.

O que é ovo, leite, farinha, e o que é bolo?

Alguns fios são como o fio base que sustenta toda a estrutura do novelo

Somos fios estruturais na vida de algumas pessoas

E a recíproca também é verdadeira

Cada qual tem o seu: pais, filhos, amores, amigos…

Daí o tanto que balançamos com as perdas da vida…

Morremos um pouco ao morrer cada ser que amamos

O que sobraria de mim sem você?

O que sobraria de você sem mim?

Um novelo, que falta fios, talvez sem cor, frágil

Mas, ainda assim, um novelo…

Alda M S Santos

Flertando

FLERTANDO

Viver na superfície, sentado num banco, confortavelmente

Observando as belezas à nossa volta, nada a nos surpreender

É uma opção suave e tranquila de vida…

Viver no entorno, entrar na mata, nadar nas lagoas, enfrentar espinhos

Pescar, refrescar a si e aos outros

É uma opção mais ativa, porém, mais riscos…

Viver de mergulhos profundos, buscando sempre o novo

Esbarrando nas paredes mais escuras do lago

É uma opção mais complicada!

Nós somos esse lago atraente, convidativo

Só nos conheceremos a fundo se mergulharmos

Nas profundezas obscuras de nós mesmos

Se flertarmos conosco, desvendarmos nossos mistérios sem medos

Em busca do melhor que pudermos ser,

Para nós, para os outros,

E sermos mais felizes…

Alda M S Santos

Fé em Deus?

FÉ EM DEUS?

A capacidade de confiar é inerente ao ser humano

Desde muito cedo uma criança é capaz de se jogar

Literalmente, nos braços dos pais, de um adulto

E confiar que será amparada

Mais tarde vamos limitando essa confiança a alguns poucos outros humanos

Pós-decepções e muitos tombos

A vida vai tirando a coragem de se entregar,

Física ou emocionalmente

Ou colocando o medo, a descrença, desqualificando o outro

Mas não elimina a necessidade humana de amparo, de proteção

Alguns depositam essa entrega, essa confiança total em Deus

O que é louvável, esperam Dele o impossível

Mas se abdicam da parte que lhes cabe, do possível

O que é falho, até desonesto

Na crença que Deus ampara, jogam-se em abismos inacreditáveis

Mantendo muitas recidivas, confiando no Deus milagroso, pronto-socorro,

Que está pronto para fazer o que caberia a si mesmos,

Como evitar pisar em brasas para não se queimar.

A verdadeira fé crê num Deus protetor,

Que ensina que brasas queimam,

Mas que respeita nossas escolhas e capacidade de lidar com suas queimaduras e consequências…

Alda M S Santos

Refrigérios

REFRIGÉRIOS

Um banho de cachoeira para refrescar o corpo

Uma brisa de bons pensamentos e lembranças doces para limpar a mente

Uma chuva de boas ações para nutrir o coração

Uma tempestade de nós para nós mesmos

Para sintonizar no amor e alegrar a alma

Conosco e com os demais

E encontrar a paz…

Alda M S Santos

Templos

TEMPLOS

Escolas são templos, hospitais são templos,

Igrejas são templos!

Hospitais curam os doentes do corpo,

Escolas curam os “doentes” do conhecimento,

Igrejas, independente de qual seja, curam os doentes da alma

Uma igreja recusar acolher um pecador

Seria o mesmo que uma escola fechar as portas ao analfabeto

Ou um hospital não atender uma vítima baleada

Detentores do conhecimento não precisam de escolas,

Saudáveis não necessitam de hospitais

Igrejas não são casas de santos!

Igrejas, todas elas, devem abrigar pecadores e sofredores da alma.

Templos servem para nos fazer melhores do que somos,

Desenvolver o maior templo de todos: nós mesmos

O templo do amor!

Vamos acolher a quem precisa

Seja qual for o templo!

Alda M S Santos

Nos braços do Juquinha

NOS BRAÇOS DO JUQUINHA

Onde ele viveu, como ele viveu

Cercado das serras de Minas

Na Serra do Cipó, grande atração eternizada numa estátua

Parada obrigatória para se maravilhar com a vista

Saborear um frango com quiabo ou tropeiro numa taberna

E estar nos braços do Juquinha

Aquele que, gentil, entregava flores às moças

Andarilho, amante da natureza, apegado às montanhas

Que, uma vez morto, voltou e viveu mais um pouco, cataléptico,

Maravilhosas estradas de Minas,

Onde hoje, José Patrício, o Juquinha, tornou-se lenda…

Alda M S Santos

Faltam Cristãos, sobram religiosos

FALTAM CRISTÃOS, SOBRAM RELIGIOSOS

A fé que nos move e nos sustenta

Muitas vezes está atrelada a alguma religião

Mas ser um sujeito religioso, independente de qual religião seja

Não tem implicado em sermos, necessariamente, boas pessoas

Saber todos os ritos e dogmas da fé memorizados, cultuá-los

Participar de todos os eventos e celebrações dentro da igreja

Só fará sentido se isso nos tornar bons cristãos

Ser religioso e ser cristão não estão naturalmente ligados

O ideal seria que fosse, mas não é!

Sou um bom cristão quando consigo ser humano

E, mesmo falho, compreender as falhas dos outros.

Mesmo colocando minha vida como prioridade,

Buscando minha felicidade, meu bem estar,

Fazê-lo sem com isso causar mal ao meu próximo.

A termos que optar, melhor sermos bons cristãos que bons religiosos…

Alda M S Santos

Nos bancos da calçada

NOS BANCOS DA CALÇADA

Casinhas simples, receptividade gigante, janelas na divisa com a rua

Ao sabor do vento, do sol, da chuva

E dos olhares curiosos de quem passa…

Terreiros grandes que costumam dar num ribeirão

Muitas vezes com hortas, galinheiros, pomares, chiqueiros, cisternas…

Na calçada, banquinhos de todo tipo

Madeiras, troncos de árvores, tijolo, concreto, não importa

A prosa dos fins de tarde após a lida que eles possibilitam é que interessa

O tempo que virou, o filho que não apareceu, o netinho precisando benzer

As galinhas que pararam de botar, o Bingo da igreja,

A comadre que está ruim das vistas ou a teimosia do compadre

A filha que se formou, o neto que nasceu nos Estados Unidos e começou a andar

O prefeito que está envolvido em mais uma falcatrua ou corrupção

A sobrinha que foi para Belo Horizonte com o filhinho doente,

A Maria do João Neto que doou um bezerro para a rifa da festa de Nossa Senhora Aparecida…

Entre os estrepes dos pés e os estrepes da vida

Tudo é compartilhado nos bancos da calçada

E a vida se torna mais leve,

Numa boa prosa de fim de tarde olhando a rua,

Aguardando aquela visita ou telefonema que nem sempre chegam…

Alda M S Santos

Revoada

REVOADA

Eram alguns atrás da queda d’água, céu azul anil, mata fechada

Deitados nas pedras, víamos o bater de asas, ouvíamos o canto,

Reduzido pelo som da cachoeira

Foram chegando outros e outros, “grudando” na parede de pedra molhada

Parecia uma grande reunião ali

Asas fortes a enfrentar o peso da água e do vento

Num repente, começaram a voar em círculos, cantando

Rodeando a queda d’água, pela frente e por trás

Como se tivessem ensaiado o espetáculo

Um ritual sempre praticado

E eu a admirar tudo de dentro d’água, bem abaixo deles

Eram dezenas, talvez mais de uma centena

Criando um espetáculo coreográfico extasiante

A cachoeira Witu era o palco , a natureza, o cenário

Muitos coadjuvantes e, nós, quase fomos um.

Show terminado, saíram todos em maravilhosa revoada

Imaginamos o fechar das cortinas e os aplausos,

E nós ali arrebatados com tão grande leveza

Agraciados por tão estrondosa beleza…

Alda M S Santos

Origens

ORIGENS

A linha de largada é, quase sempre, muito próxima da chegada

O fim tem muitas características similares ao começo

Ambos carregam expectativas diversas

Dependência grande do externo

Emoções afloradas, desejos a se satisfazer, limitações físicas

O olhar que se lança é que é diferente

Um olha para a estrada longa a percorrer, para a frente

O outro para a estrada longa percorrida, para trás

Um vê muito, o outro apenas imagina

E o olhar sonha, se perde…

Ambos sonham com o caminho

Onde toda a vida se concentra: no trajeto entre a largada e a chegada

Nela é onde algo sempre pode ser feito!

Alda M S Santos

Nas pedras

NAS PEDRAS

Nas pedras, obstáculos

Limites de nosso ser, do nosso querer

Impedimento da liberdade, cerceamento

Nas pedras, escadas

Acesso à escalada , incentivo ao topo

Busca de coragem, de ir sempre mais, para o alto

Ainda que no alto encontremos apenas nós mesmos

E nos abracemos felizes…

Alda M S Santos

Como água

COMO ÁGUA

As mesmas duas moléculas de hidrogênio ligadas à uma de oxigênio: água

Mas o que é capaz de fazer sempre irá depender daquilo que encontrar pela frente

Com quais outras substâncias irá se associar

Dos obstáculos que enfrentará, das aglutinações,

Pode ser capaz de produzir, construir, transformar ou destruir,

Até mesmo brotar de áreas inesperadas, das pedras

Somos como água!

Sempre contornando obstáculos, desviando de áreas difíceis,

Encontrando composições atraentes, repelindo o negativo

Até mesmo uma queda tão alta, que pode aparentar total destruição

Pode gerar energia, vida,

E seguir abrindo caminhos em leitos de rios caudalosos por aí,

Desde que, como ela, sempre tenhamos preservadas nossas “moléculas”, nossa essência,

Independente das associações ou quebras da vida…

Alda M S Santos

Borboletas e rosas

BORBOLETAS E ROSAS

Cada flor com sua cor, seu encanto, seu néctar

Mel que alimenta, perfume que inebria, beleza que extasia

Borboletas que transitam, pólen que gera vida

Ainda assim, não é atraente a todos

Cada borboleta e beija-flor com suas preferências

Encantos e desencantos

Mas doçura sempre atrai doçura

Quem não está acostumado a doçuras tem dificuldade em ser doce

Em aceitar a doçura dos outros

Ainda que sejam as que mais dela necessitem

Mas tudo pode se transformar

Até mesmo uma borboleta, tão leve e linda

Já foi uma lagarta pavorosa um dia…

Alda M S Santos

Caminho da roça

CAMINHO DA ROÇA

Uma estradinha de terra serpenteando por aí

Morro acima, ladeira abaixo, tanto faz

Árvores, flores, pasto, vegetação até onde a vista alcança

Insetos e pássaros cantando ritmicamente

Gado mugindo ao longe, cachorros a nos encontrar a meio caminho, receptivos

Cheiro de mato, de bichos, de flores, de vida

E nós, contando casos, relembrando histórias

Até chegar à fazenda dos tios queridos,

Gente boa até “encostar no barranco”

Onde tudo é encanto e magia…

Mudamos para a capital, pais e dois filhos, há 49 anos

Mas nossas raízes estão fincadas aqui

Esse caminho da roça sempre iremos fazer

Inverno ou verão, sol ou chuva

Até quando formos chamados para outra travessia…

Alda M S Santos

Minha avó

MINHA AVÓ

Pequena, magrinha, miudinha mesmo

Um abraço parece que irá quebrá-la

Minha avó, cabeça branquinha até onde minha memória alcança

Ela tem 95 anos, 6 filhos, 19 netos, 18 bisnetos e uma tataraneta

Olhos fundos, uma vida de força escondida ali!

Geniosa, contadora de casos, vida sofrida, cismada

Sempre trajando saia e blusa de mangas compridas, trabalhadeira

Faça frio ou calor, sol ou chuva

Mora sozinha por opção, sempre na janela a olhar quem passa,

Cuida da horta, das galinhas, da casa

Deita-se junto com o sol e levanta-se com ele

Nunca tira fotos, dificilmente sai de casa

Não usa perfume, tem cheiro gostoso de vó, aroma da minha infância!

Econômica na demonstração de afetos, de emoções

Mas quem a conhece reconhece o brilho no olhar

Quando estão perto quem ela ama

E a opacidade que toma conta quando vão embora

Até a janela da frente se fecha em protesto

Junto com o semblante e o coração

Fala muito na morte para espantar o medo que sente dela, do desconhecido

Bem humorada, diz que tem três coisas: velhice, feiúra e ruindade recolhida

Pra mim tem outras: força, fé, coragem e muito amor contido

Nas minhas lembranças mais antigas de vida, ela está

E ficará para sempre…

Te amo, vó!

Alda M S Santos

Minha terrinha

MINHA TERRINHA

Se um dia eu me perder

Aqui sempre será um bom lugar para juntar pedaços de mim

Olho para minha avó, 95 anos, suas rugas, sua frágil força, seu carinho contido,

Quantas histórias!

Tios, primos, parentes e amigos vários

“Troquei suas fraldas, curei seu umbigo, cuidei muito de você”

“Brincamos muito juntos, tenho saudades”

“Já exploramos uma boa parte disso tudo aqui”

“Você não mudou nada, mesmo sorriso, mesma carinha”

Todos têm algo a lembrar, a contar, a saudar

Cada cantinho, cada casa, cada espaço natural, cada montanha, mina d’água,

Aromas, o jeitinho de ser de cada um

Ver que todos envelhecemos, mas que nossa essência permanece

A despeito, ou até mesmo por causa, dos tropeços e entraves da vida

Dizem que uma parte de nós sempre fica onde se enterra nosso umbigo

E que irá ajudar a nos lembrar quem somos, nossos valores

A não nos esquecermos de nós,

Independente do que o mundo lá fora tenha feito conosco.

Sempre é bom voltar…

Alda M S Santos

Confidências

CONFIDÊNCIAS

Confidenciar algo é inerente aos seres humanos, seres gregários

Alguns são especialistas em fazer, outros em ouvir

Não importa se é algo que cause orgulho, medo, repulsa ou vergonha

Quem faz confidências acredita na discrição do outro

E oferece o mesmo em troca

Quer seja um diretor espiritual, pais, cônjuges ou amigos

Confiar é dizer: conto com você, não me decepcione

E o outro não precisa dizer nada, apenas ouvir

Ao dizer, divide com o outro algo pesado ou precioso

Torna a carga mais leve, aprende, cresce

Ser alvo da confiança de alguém é privilégio

Num mundo cada vez mais individualista

Ter essa confiabilidade quebrada é ter a porta arrombada

Para trancá-la a sete chaves e talvez nunca mais voltar a abri-la,

Apenas confidenciando a Deus…

Alda M S Santos

Aquela que passa

AQUELA QUE PASSA
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ora alegre, apressada, andar sensual
Ora compenetrada, sorridente, simpática, atenciosa,
Outra vez desligada, distraída, alheia a tudo, noutra dimensão
Pode ainda ser leve, em paz com a vida, consigo mesma,
Ou triste, cabisbaixa, solitária, perdida, querendo sumir
Ela pode não ser o que você vê
Mas o que prefere que você veja naquele momento
Ou talvez seja aquilo que não conseguiu esconder…
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ou talvez até seja, mas você nunca irá saber
Pois até mesmo ela ainda se perde nas muitas de si mesma
Provável que todas lá dentro sejam verdadeiras, buscando equilíbrio
E, no meio de tantas, almeja se encontrar
Aquela que passa pode não ser o que você vê
O que se passa dentro daquela que passa, só ela sabe
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Mas é o que ela, autêntica, consegue ser…
Alda M S Santos

Desumano, demasiado desumano

DESUMANO, DEMASIADO DESUMANO

Uma vida jogada fora, desperdiçada de modo cruel

Desumano, demasiado desumano

Um ser humano, alcoólatra, cuidador de carros nas ruas

Calado, triste, educado, não incomodava ninguém

Onde dormia, bebia, comia, dependia da ajuda dos outros

Há poucos dias recusara ajuda do AA, acreditando não precisar

Uma briga, jogam álcool em seu corpo, ateiam fogo

Não resiste, parte cruelmente assassinado.

Grande ironia da vida, morrer pelo álcool

Curtido na maldade humana!

Uma raça onde a liberdade de um fere a do outro

Nesse mundo humano tão desumano

Ou seria, como diria Nietzche, “humano, demasiado humano”

Pois um animal não seria capaz de tal atrocidade!

Certamente ele está em paz agora!

Noutra dimensão…

RIP

Alda M S Santos

Coisificando

COISIFICANDO
Substituir, esse é o lema moderno, a nova ordem
Estragou, avariou, deu problema, preocupação, trabalho
Jogue fora, troque, substitua!
Mundo do descartável! 
Pode ser um copo, um eletrodoméstico, eletrônico, objetos pessoais, pessoas…
Nada se conserta mais!
Nem amizades, nem amores, nem família: substitui-se!
Pessoas estão sendo transformadas em coisas, em objetos
Estão sendo coisificadas!
Nada errado em ter novas pessoas na vida, em acolher,
Em ser acolhido, amparado
Mas pessoa não pode substituir pessoa
Pessoas descartadas também poluem o ambiente
Danificam a si mesmas, ao outro
Pessoas não se joga fora e fica-se bem
Como se tivesse trocado de celular
Cada qual tem seu lugar, seu espaço
Se a rotatividade de pessoas estiver grande demais
Estamos nós mesmos a um passo de nos transformar em coisas!
Alda M S Santos

Arrependimentos

ARREPENDIMENTOS

Eu o observava de longe, parecia cabisbaixo

Cheguei até mais perto daquele idoso de 74 anos no asilo, ele me olhou, segurou minha mão.

Ressaltei que estava triste, perguntei pelo sorriso, falou em arrependimentos.

“Estou arrependido de não ter namorado todas que me quiseram”- e sorriu zombando.

“Acha mesmo que seria mais feliz assim”?- perguntei, séria.

Ele teve uma esposa que o traiu e abandonou.

Tem um filho que nem lembra que ele existe.

Cego de um olho, uma cicatriz de tiro na testa.

“Pra dizer a verdade, penso que você deveria é ter escolhido uma boa mulher”.

“Você tem razão, moça, mas as que me quiseram depois, eu não quis destruir a vida delas.

Eu não seria feliz assim, sei como machuca”!

Conversamos um bom tempo!

Todos temos arrependimentos, carregamos pesos nas costas.

Mas, mesmo simples como ele é, sabe que não existe peso maior para carregar que a tristeza de alguém!

Não pode ser leve e duradoura uma felicidade construída sobre a base frágil da infelicidade do outro!

Arrependimentos todos temos, mas algumas nuvens negras sobre nossas cabeças podem bem ser evitadas!

Alda M S Santos

Janeiro Branco: Saúde Mental

JANEIRO BRANCO: SAÚDE MENTAL
Qual nosso primeiro pensamento numa foto dessas
No alto das pedras, o mar revolto lá embaixo,
Céu de intenso azul, brisa gostosa nos cabelos,
Água morninha a acariciar a pele,
Alguns banhistas, um sol brilhante e quente?
Ou sequer notamos esses detalhes?
Como nos imaginamos ali?
A saúde de nossa mente permite vários modos de ver e sentir essa imagem
O quanto ela é capaz de nos tocar, animar, alegrar, enternecer, entristecer…
Aquela pessoa sorridente perto de nós pode estar precisando de ajuda!
Pode estar sofrendo calada!
Depressão, ansiedade excessiva, fobias não são para se brincar!
Estenda a mão! Seja a ponte!
E nós mesmos? Como estamos?
Alda M S Santos

Sofrimentos

SOFRIMENTOS
Há duas maneiras das pessoas encararem as duras penas da vida
Algumas sabem o peso de determinado sofrimento
E jamais querem o mesmo para alguém, próximo ou não
Outras, como sofreram aquilo, não se importam com o outro
Às vezes, desejam que o outro passe pelo que passou,
Até, muitas vezes, causam no outro a mesma dor
Na tentativa errônea de sofrer menos, não sabendo-se só
Como se ao doer no outro doesse menos em si próprio
São os modos diferentes que a alma de cada um
Mais evoluída, ou menos, lida com o próprio sofrimento!
Mas aprende, cedo ou tarde, que a dor de cada um é única
E deve ser enfrentada dentro de si mesmo,
Até ir apagando aos pouquinhos…
Alda M S Santos

Volta por cima

VOLTA POR CIMA

“Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”

Tão necessário nas trilhas da vida

Lema dos vencedores!

Nas grandes quedas, aquelas das quais não conseguimos levantar tão rapidamente

Todo cuidado é pouco para não derrubar mais ninguém

Além de quem já foi derrubado e de nós mesmos

Se uma volta por cima implicar em jogar poeira nos olhos dos outros

Ou lançar alguém para a “volta de baixo”

O melhor mesmo é ficar dignamente onde está…

Alda M S Santos

Checkin

CHECKIN

Hora de voltar, fazer o checkin de vida, prosseguir

Conferir dados, documentos, bagagens a despachar

Facilitar acesso a itens importantes na bagagem de mão

Aqueles dos quais podemos precisar a qualquer momento.

Que colocaríamos em nossa bagagem de vida,

Se tudo que pudéssemos ter acesso se limitasse a uma mala de 23 kg,

E nada mais pudesse ser levado?

Deixaríamos muito para trás?

Que temos carregado de supérfluo a pesar em nossas costas?

Que temos carregado que não é nosso de verdade?

O quanto de importante temos deixado pelo caminho?

Temos feito bem nosso checkin de vida?

Alda M S Santos

Tempestades

TEMPESTADES

Ainda que nosso céu pareça claro

Azul, brisa suave, águas limpas

Tempestades podem se aproximar, molhar tudo

Lançar raios e trovões sobre nossas paredes internas

Vendavais de areia cegar nosso olhar

Balançar nossa estrutura, nos lançar contra as pedras…

Fugir delas nem sempre é possível

Encarar, absorver o que der, abstrair-se do que for possível

Esperá-la passar, sempre passa!

E receber de braços abertos novo céu azul…

Alda M S Santos

Harmonia

HARMONIA

Metade do que vemos encontra-se no ambiente, no outro

A outra metade encontra-se em nós mesmos

Quanto mais pudermos “oferecer” em troca nessa observação

Maior será a interação, a magia do olhar,

Quer seja em falta ou fartura…

As cores de fora pintam nossos espaços em branco

As gotas d’água irrigam cantinhos desidratados

A luz ilumina recantos escuros

A brisa refresca pensamentos, sentimentos

A ventania leva embora o que faz mal

O calor do sol nos abraça carinhosamente

Olhar o outro, o ambiente com a alma

É identificar nele aquilo que nos faz falta

Assim, cada um vê algo diferente

Em nós, no nosso entorno…

A natureza nos leva a sempre buscar essa harmonia

A harmonia da complementação…

E como é lindo!

Alda M S Santos

O que que a mineira tem?

O QUE QUE A MINEIRA TEM?

Um dia Caymmi perguntou:

O que que a baiana tem?

Tem acarajé, vatapá, tapioca e caruru…

Será que sabe responder:

O que que a mineira tem?

Tem pão-de-queijo, frango com quiabo, canjiquinha, queijo com goiabada…

O que que a baiana tem?

Tem gingado, tem pimenta e tem sabor…

O que que a mineira tem?

Tem carinho, tem jeitinho acanhado e tem calor…

O que que a baiana tem?

Tem mar que vem do horizonte,

Tem orixás e Senhor do Bonfim…

O que que a mineira tem?

Tem cachoeira que nasce na serra, escorre nas pedras

Tem uma fé em “Nossinhora”…

Mas o que que a baiana tem?

O que que a mineira tem?

Ânsia de viver, muito a oferecer à vida, ambas têm!

Oxente! Melhor deixar escondidinho…

Porque nem tudo é pra todos saberem, uai!

Mas, misturando as duas é um trem doido, “bichin”…

Alda M S Santos

Salva-vidas

SALVA-VIDAS

Uma placa, uns dizeres, uma boia dependurada, uma esperança: Salva-vidas!

Salva vidas? Qualquer uma?

Um grande e maravilhoso mar à frente

Alguns banhistas aventureiros, outros sem noção, sempre em perigo

Quantos “bombeiros” seriam necessários para salvar outras vidas, a seco?

Quais as boias e acessórios seriam usados?

Quantas vezes lançamos boias sem saber?

E, lamentavelmente, quantas vezes fomos a mão que faltou,

Ou até mesmo a que “empurrou” pra baixo uma vida já à beira do abismo?

Quantas vezes não aceitamos a mão que se ofereceu,

E não salvamos nossas próprias vidas?

Vida é muito preciosa para ser jogada fora: a nossa, as dos outros…

LEMA: Nunca esquecer os bombeiros que nos salvaram, ainda que uma única vez,

Pois uma única vez é o bastante para liquidar uma vida,

E vez ou outra tornamos a precisar deles…

Alda M S Santos

Um amor e uma cabana?

UM AMOR E UMA CABANA?

Com amor basta uma cabana!

Uma cabana torna-se palacete

Quando há nos olhos o filtro dos bons sentimentos

No teto há estrelas, no chão há “pedrinhas de brilhantes”

Um palacete torna-se uma prisão de ouro

Se nos corações não há alegria

Se a alma não reflete o amor

Há cabanas e cabanas, palacetes e palacetes

Mas, cabanas e palacetes à parte

O que torna verdadeiramente valioso um lugar

São as companhias que carregamos conosco

Aquelas que fazem parte de nós,

Que “são” verdadeiramente da gente, que gostam de ser da gente

E trazemos conosco e nos levam com elas

Na mente, na alma, no coração…

Alda M S Santos

Nas ondas

NAS ONDAS

Num ir e vir infinito

Ora calmas, ora bravias

Sempre em movimento, barulhentas

As ondas acalmam, relaxam

Encantam, amedrontam…

Deixam ir o que incomoda, levam pra longe

Trazem de volta o que alegra, o que faz bem

Vão e vêm, vão e vêm…

Hipnotizam …

Quem sabe num desses ires e vires

Não trazem de volta um pedaço de nós perdido por aí?

Alda M S Santos

Mar ou Rio?

MAR OU RIO?

Mar ou Rio, Rio ou Mar?

Água salgada, água doce

Onde a vida nasce, acontece…

Extensão de natureza até onde a vida alcança

Delícias que convidam ao mergulho

Mergulho nas águas, mergulho nos sentimentos

Mergulho em nós mesmos…

E eles se encontram, rio e mar

Nós nos encontramos…

Rio ou Mar?

Tanto faz! De preferência, que eu esteja lá…

Alda M S Santos

Ilha dos Desejos

ILHA DOS DESEJOS

Numa Ilha dos Desejos

Que buscamos?

Desejos que brotam, que crescem, sufocam, aumentam até o horizonte

Onde o mar encontra o céu

Numa linha azul que se funde, se confunde, degradè?

Ilha dos Desejos

Que buscamos?

Desejos que se suavizam, se arrefecem, se amortecem em ondas tranquilas

Até esmorecer e sumir na areia da praia?

Ilha dos Desejos…

Que encontramos?

Desejos despertados ou satisfeitos, realizados?

Olho para tanta beleza e impotência dessa ilha

Desse mar azul, céu anil, coqueiros ao sabor do vento

E constato, afinal, que a verdadeira Ilha dos Desejos

Capaz de fazer nascer e morrer todo e qualquer desejo

É aquela que só nós temos a chave

Mas que nem sempre controlamos a entrada:

Nossos corações!

Alda M S Santos

Queria apenas saber

QUERIA APENAS SABER

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele pelo qual produzimos mais lágrimas

Ou o que mantém vivos nossos sorrisos?

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele que sente necessidade de proximidade

Ou o que nos preenche mesmo de longe?

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele cuja ausência nos causa a “morte”

Ou aquele cuja simples existência é vida?

Queria apenas saber…

Alda M S Santos

Um ponto de paz

UM PONTO DE PAZ

Entre tantos altos e baixos dessa vida

O segredo é manter a estabilidade

Em cima, para não cair rápido demais

Embaixo, para gerar forças para nova subida…

Mas bom mesmo seria encontrar um ponto no meio desse caminho

Sem grandes euforias, sem grandes baques!

Simplesmente, um ponto de paz…

Alda M S Santos

Sem você

SEM VOCÊ

Em todos os espaços você faz falta,

Na brisa que passa, no sol que racha

Num perfume bom, no cheiro de um alimento qualquer

Nas tiradas engraçadas ou mesmo nas rabugices ou implicâncias

Na música que toca, no silêncio oportuno

Tudo que acontece, principalmente no que não acontece

Lembro-me de você…

Sem você não tem a mesma graça, meu anjo

Você faz falta em tudo lá fora

Mas a maior falta você faz aqui dentro!

Alda M S Santos

Emparelhar

EMPARELHAR

Andar lado a lado, sintonizar

Emparelhar com alguém

Tarefa tão difícil quanto desejada

Encaixar, harmonizar,

Buscar pontos comuns é tão importante

Quanto valorizar o que é diferente

Preto ou branco, grande ou pequeno

Audaz ou receoso, falante ou introvertido

Carinhoso ou contido, animado ou quieto

Aceitar e respeitar o diferente é ser humano

Nas diferenças há também harmonia

Se o coração sintonizar no amor…

Alda M S Santos

Que eu me importe

QUE EU ME IMPORTE…

Que eu me importe com o outro

O bastante para ajudá-lo nas tristezas, nas dores, nas necessidades mais prementes

Sem sufocá-lo ou parecer superior…

Que eu me importe com o outro

O bastante para me alegrar com suas alegrias

Sem invejar ou me enciumar, se possível,

Ainda que a felicidade dele não mais me inclua…

Que eu me importe com o outro

O bastante para valorizar bons momentos, guardar no coração, respeitar

Aquilo que hoje já não é mais como antes…

Que eu me importe com o outro

O bastante para dar a ele aquilo que não consigo dar nem pra mim mesma

Pois é algo que a gente só encontra fora de nós…

Que eu possa ser assim para o outro: verdadeira, inteira, amorosa

E que ele também possa ser desse grau e magnitude para mim,

Pois para isso fomos feitos: nos fazer bem…

Que nos importemos o bastante!

Alda M S Santos

O belo de todo dia

O BELO DE TODO DIA

Encantada com tanta beleza

Fixo o olhar deslumbrada

Fico extasiada, embriagada pelo belo que se derrama

Deságua em mim em gotas salgadas

Num momento, observo moradores locais

Que têm perto de si toda essa riqueza

Ao alcance dos olhos…

E parecem sequer notar!

Quantas belezas temos pertinho de nós

E nosso olhar viciado não percebe mais?

O belo de todo dia não mais atrai nosso olhar?

O olhar deslumbrado do outro para o que temos

Pode, às vezes, nos acordar…

Alda M S Santos

Mais amor, por favor!

MAIS AMOR, POR FAVOR!

Entre tantas as falhas humanas

Entremeados das contradições a que nos submetemos todos

A pior de todas elas seria julgar o comportamento, o “erro”alheio,

Sentados no trono dos santos, encastelados na torre dos puros a julgar os mortais pecadores.

Enquanto isso, sabemos bem citar as escrituras quando nos convém:

“Aquele que for livre de pecados que atire a primeira pedra”.

Justificamos, assim, nossa companhia no erro, no pecado!

Porém, muitas vezes nos esquecemos do complemento

“Ninguém te condenou? Vá e não peques mais”.

Somos humanos, por essência falhos, contraditórios,

Mas também, por essência, dotados de inteligência para não repetir um erro.

Julgar o outro, carregar pedras nas mãos, não nos faz menos pecadores,

Apenas um pecador ocupado com a vida alheia!

O que nos faz menos pecadores é ser mais humanos e menos “deuses”!

Mais amor, por favor!

E pra quem gosta das escrituras

Eu prefiro essa: “Ame a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo”!

Alda M S Santos

Malas prontas

MALAS PRONTAS

Não importa para onde vamos

Se é logo ali ou atravessando o oceano

Malas arrumadas é fundamental

O que vai, o que fica,

Quem vai, quem fica?

Malas cheias, coração abarrotado…

Expectativas de diversão e alegria

Se necessário, mudamos o destino final(?),

E que possamos trazer mais que levamos

Uma alma mais leve, em sintonia com as demais

Em paz…

Vamos?

Alda M S Santos

Quem sofre mais?

QUEM SOFRE MAIS?

Eu era ouvinte involuntária de um debate

Quem sofre mais:

Aquele que, sabendo-se culpado, paga sua pena

Ou o que paga uma pena sendo inocente?

Em defesa do inocente: nada é pior que sofrer por algo que não fez!

Em defesa do culpado: nada é pior que o peso da própria consciência acusadora!

O primeiro sente-se injustiçado, mas a alma está leve

O segundo tem o de fora e o de dentro a martirizá-lo

Que pesa mais, a injustiça ou a consciência?

Quem sofre mais?

E o debate seguia…

Alda M S Santos

Sempre amor

SEMPRE AMOR

Um grupo com um objetivo: levar alegria

A razão que trouxe cada um é variável

Todos parecem felizes, profissões variadas, vidas diferentes

Unidos no desejo de ajudar os outros, os idosos, particularmente

Olho para cada rosto desses palhacinhos, cada sorriso

Sei um pouco a história de alguns

Histórias de lutas secretas, sofrimentos, nem sempre vitoriosas

Muitos carregam angústias, frustrações e dores

Não doam o que lhes sobra, mas aquilo que mais precisam

Aquilo que valorizam, que sabem precioso

No prazer de levar amor, encontram uma razão a mais para lutar…

Para viver…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Chama acesa

CHAMA ACESA

A chama interna de cada um de nós necessita ser mantida

Ela que garante nosso prazer de viver

Que nos faz levantar da cama todos os dias e seguir…

Cada qual tem um combustível próprio: família, trabalho, amigos, Deus

Às vezes, meio apagadinha, outras, labareda

Ideal que dependamos o menos possível de combustíveis alheios.

Passar a vida buscando combustível do outro,

“Furtando” combustível, oxigênio alheio,

Dependendo de diminuir ou apagar a chama dos outros

Mesmo involuntariamente, para manter a nossa acesa

Não faz uma chama bonita e duradoura!

Nossa chama deve iluminar o outro, e vice-versa, alastrar-se

Há algo muito errado se nossa chama acesa apagar a de alguém!

Que encontremos nossa luz!

Alda M S Santos

Não é pressa, é saudade!

NÃO É PRESSA, É SAUDADE!

Saudade que aperta, que oprime, que leva a falhas

Saudade que embaça o para-brisas, o olhar

Saudade que gera velocidade, imprudência

De noite ou de dia, faça chuva ou faça sol

Saudade que se arrisca, que põe o outro em risco

Saudade que visa apenas satisfazer-se

Saudade que, na (preça), fere o Português

Saudade que ignora castas ou classes

Saudade que mata quilômetros e quilômetros de rodovias

Saudade que se mata, finalmente, num olhar, num sorriso,

Se satisfaz num abraço, num colo quentinho

Saudade que tudo justifica, que se autojustifica,

Até começar tudo de novo, nas lembranças…

Alda M S Santos

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