ATÉ O INFINITO
Encontra-se em embalagens biodegradáveis
Grandes ou pequenas, de qualquer cor ou idade
Gênero, raça, etnia, religião, cultura ou instrução
Resistente às lágrimas, frágil perante sorrisos
Desmancha-se diante da sinceridade
Encoraja-se frente às boas ações
Admira-se ao topar com gentilezas
Encanta-se com a beleza exterior
Deslumbra-se com a riqueza interior
Opta pela simplicidade e generosidade
Ganha forças num abraço, derrete-se num beijo
Confia e protege o outro, mesmo que em detrimento de si
Doa-se inteiramente por e com prazer
Aumenta com o tempo e, se real e verdadeiro
Dura até o infinito… O que é?
Quem sente, identifica-se, não precisa de resposta!
Alda M S Santos
AUTÊNTICOS COMO CRIANÇAS
“Oh jardineira por que estás tão triste, mas o que foi que te aconteceu?”
Quanto mais tenho contato com idosos
Mais me convenço que o que somos se mantém
Talvez até se potencialize com a chegada da idade
Excetuando-se mudanças advindas das limitações físicas e de saúde
Ninguém torna-se mais paciente, comunicativo
Amoroso, pacífico, solidário, cristão, festeiro
Porque a idade chegou…
Muitas vezes acontece justamente o contrário
A certa liberalidade que a idade autoriza
Que as rugas validam
Que o andar trôpego confere
Fazem dos idosos pessoas mais autênticas, como crianças
E todos acabamos por admirá-los, dando um “desconto”
Achamos até bonitinho a rabugice e implicância
Ou a alegria e espontaneidade excessivas
Mas seria ingenuidade esperar que um introvertido, quieto, preguiçoso, desconfiado, malicioso, rabugento
Ou o oposto desses, festeiro, animado, alegre, extrovertido, namorador, crédulo
Mudasse da água para o vinho
Virassem “santos” porque passaram para a terceira idade
Acredito em mudanças, crescimento, aprendizado
Particularmente com as lições que a vida dá
Mas essência é algo muito difícil de mudar…
De todo modo, nada disso nos impede de amá-los
E querer fazê-los um pouco mais felizes…
Nós os amamos do jeitinho que são!
“Não fiques triste que esse mundo é todo seu
Tu és muito mais bonita que a camélia que morreu”…
Alda M S Santos
#carinhologos
#carinhologossolidarios
SAUDADE É BICHINHO INTROMETIDO
Saudade é bichinho meio intrometido
Sempre acha um lugarzinho para entrar
Mesmo que você o afaste firmemente
Ele costuma achar buraquinhos ou brechas
E ali se acomodar…
Se é num livro, ele torna-se personagem
Se for num filme, ele faz parte da cena
Num poema é a rima que falta
Numa canção é a harmonia da melodia
No sorriso é a dor camuflada
Nas lágrimas é o alívio desejado
Saudade é bichinho meio intrometido
Sempre acha um lugarzinho para entrar
E ali se acomodar…
Nas companhias, às vezes é a ausência
Nas ausências faz-se presença
No jardim é o mais suave perfume
No barulho é o silêncio dolorido,
No silêncio é o grito contido,
Saudade é bichinho meio intrometido
Sempre acha um lugarzinho para entrar
E como borboleta, ali se aboletar…
Cansado de tanto se impor,
Esse bichinho de nome saudade
Nas orações torna-se pedido
De ali ficar e morar para sempre…
Alda M S Santos
INOCENTES E CULPADOS
Quanto mais observo a situação política e social de nosso país
Mais me sinto incapaz de tomar partido, literalmente ou não
Quem defende Lula o faz com um afinco e paixão inimagináveis
Quem o acusa o faz com ódio e revolta sem medidas
Alguns poucos abertos a ouvir, a debater, sem acusações ou depreciações do outro
Não é válido o argumento que são petistas sem inteligência, broncos, mortos de fome
Há defensores de todo nível social e cultural
Tanto da esquerda quanto da direita
Também não é válido o argumento de que não dá pra refutar provas de acusação
Temos um legislativo, judiciário e executivo falhos e tendenciosos
Além da mídia também não ser muito confiável
Busco, leio, me informo, tenho um nível de inteligência razoável
Não estou radical numa posição, pés fincados, mente fechada
E tenho me sentido manipulada, usada, extorquida em meus direitos
Pessoas que amo e admiro, inteligentes estão em posições diferentes
Para qualquer lado desse “processo” que olhe há nebulosidades!
O que dizer de quem não tem essa possibilidade de análise?
Certamente irão olhar o que chegou em sua mesa ou não
Num momento ou outro dessa política!
Esse julgamento teve no Twitter acessos de 44,1% pró-Lula e 34,6% contra Lula
Além dos 15,3% neutros dos 1,2 milhões de postagens
Isso sem falar nas manifestações das ruas!
Isso tudo já dá a dimensão do problema para o Brasil
Única coisa que acho extremamente necessário é não nos fecharmos numa posição radical
Abrir a mente, conversar, debater, aceitar a opinião do outro com respeito, sem ofensas
Uma vez que não podemos confiar cegamente no que ouvimos por aí
Nem na mídia, nem na nossa justiça
Nem no que se “prova”, a favor ou contra esse ou aquele
Não é burro ou limitado quem pensa diferente de nós
Pode ser alguém vendo por um ângulo extra
Usar o mesmo “pau pra bater no Chico ou no Francisco”
Estar claros que não se trata de condenar um ou outro político
Mas de talvez condenar ou não uma população inteira ao limbo
A história nos mostra que as piores tragédias ocorreram sob a batuta do radicalismo
Só isso bastaria para nos mantermos abertos a opiniões…
E que Deus tenha piedade de nós!
Alda M S Santos
O QUE SOBRA DE MIM?
O quanto há dos outros em mim
E o quanto há de mim nos outros?
Quando alguém amado ou bem próximo morre ou se afasta
Sabemos que ali com eles foi uma boa parte de nós…
Morremos um pouco na morte ou afastamento de entes queridos: familiares, amigos, mentores
E porque não dizer também dos desafetos?
O que sobra de mim,
Sem a parte de mim que os outros carregam?
O quanto de mim é, na verdade, baseado no que sou para os outros,
No que eles são para mim?
Minha história seria a mesma
Se fossem retiradas pessoas que a ajudaram a compor?
Nossas vidas são entrelaçadas a outras vidas
Se um fio é retirado, todo o novelo se modifica!
O fio original já não sabemos mais qual é
Está emaranhado no todo.
Seria como retirar o ovo de um bolo pronto.
O que é ovo, leite, farinha, e o que é bolo?
Alguns fios são como o fio base que sustenta toda a estrutura do novelo
Somos fios estruturais na vida de algumas pessoas
E a recíproca também é verdadeira
Cada qual tem o seu: pais, filhos, amores, amigos…
Daí o tanto que balançamos com as perdas da vida…
Morremos um pouco ao morrer cada ser que amamos
O que sobraria de mim sem você?
O que sobraria de você sem mim?
Um novelo, que falta fios, talvez sem cor, frágil
Mas, ainda assim, um novelo…
Alda M S Santos
FLERTANDO
Viver na superfície, sentado num banco, confortavelmente
Observando as belezas à nossa volta, nada a nos surpreender
É uma opção suave e tranquila de vida…
Viver no entorno, entrar na mata, nadar nas lagoas, enfrentar espinhos
Pescar, refrescar a si e aos outros
É uma opção mais ativa, porém, mais riscos…
Viver de mergulhos profundos, buscando sempre o novo
Esbarrando nas paredes mais escuras do lago
É uma opção mais complicada!
Nós somos esse lago atraente, convidativo
Só nos conheceremos a fundo se mergulharmos
Nas profundezas obscuras de nós mesmos
Se flertarmos conosco, desvendarmos nossos mistérios sem medos
Em busca do melhor que pudermos ser,
Para nós, para os outros,
E sermos mais felizes…
Alda M S Santos
FÉ EM DEUS?
A capacidade de confiar é inerente ao ser humano
Desde muito cedo uma criança é capaz de se jogar
Literalmente, nos braços dos pais, de um adulto
E confiar que será amparada
Mais tarde vamos limitando essa confiança a alguns poucos outros humanos
Pós-decepções e muitos tombos
A vida vai tirando a coragem de se entregar,
Física ou emocionalmente
Ou colocando o medo, a descrença, desqualificando o outro
Mas não elimina a necessidade humana de amparo, de proteção
Alguns depositam essa entrega, essa confiança total em Deus
O que é louvável, esperam Dele o impossível
Mas se abdicam da parte que lhes cabe, do possível
O que é falho, até desonesto
Na crença que Deus ampara, jogam-se em abismos inacreditáveis
Mantendo muitas recidivas, confiando no Deus milagroso, pronto-socorro,
Que está pronto para fazer o que caberia a si mesmos,
Como evitar pisar em brasas para não se queimar.
A verdadeira fé crê num Deus protetor,
Que ensina que brasas queimam,
Mas que respeita nossas escolhas e capacidade de lidar com suas queimaduras e consequências…
Alda M S Santos
REFRIGÉRIOS
Um banho de cachoeira para refrescar o corpo
Uma brisa de bons pensamentos e lembranças doces para limpar a mente
Uma chuva de boas ações para nutrir o coração
Uma tempestade de nós para nós mesmos
Para sintonizar no amor e alegrar a alma
Conosco e com os demais
E encontrar a paz…
Alda M S Santos
TEMPLOS
Escolas são templos, hospitais são templos,
Igrejas são templos!
Hospitais curam os doentes do corpo,
Escolas curam os “doentes” do conhecimento,
Igrejas, independente de qual seja, curam os doentes da alma
Uma igreja recusar acolher um pecador
Seria o mesmo que uma escola fechar as portas ao analfabeto
Ou um hospital não atender uma vítima baleada
Detentores do conhecimento não precisam de escolas,
Saudáveis não necessitam de hospitais
Igrejas não são casas de santos!
Igrejas, todas elas, devem abrigar pecadores e sofredores da alma.
Templos servem para nos fazer melhores do que somos,
Desenvolver o maior templo de todos: nós mesmos
O templo do amor!
Vamos acolher a quem precisa
Seja qual for o templo!
Alda M S Santos
NOS BRAÇOS DO JUQUINHA
Onde ele viveu, como ele viveu
Cercado das serras de Minas
Na Serra do Cipó, grande atração eternizada numa estátua
Parada obrigatória para se maravilhar com a vista
Saborear um frango com quiabo ou tropeiro numa taberna
E estar nos braços do Juquinha
Aquele que, gentil, entregava flores às moças
Andarilho, amante da natureza, apegado às montanhas
Que, uma vez morto, voltou e viveu mais um pouco, cataléptico,
Maravilhosas estradas de Minas,
Onde hoje, José Patrício, o Juquinha, tornou-se lenda…
Alda M S Santos
FALTAM CRISTÃOS, SOBRAM RELIGIOSOS
A fé que nos move e nos sustenta
Muitas vezes está atrelada a alguma religião
Mas ser um sujeito religioso, independente de qual religião seja
Não tem implicado em sermos, necessariamente, boas pessoas
Saber todos os ritos e dogmas da fé memorizados, cultuá-los
Participar de todos os eventos e celebrações dentro da igreja
Só fará sentido se isso nos tornar bons cristãos
Ser religioso e ser cristão não estão naturalmente ligados
O ideal seria que fosse, mas não é!
Sou um bom cristão quando consigo ser humano
E, mesmo falho, compreender as falhas dos outros.
Mesmo colocando minha vida como prioridade,
Buscando minha felicidade, meu bem estar,
Fazê-lo sem com isso causar mal ao meu próximo.
A termos que optar, melhor sermos bons cristãos que bons religiosos…
Alda M S Santos
REVOADA
Eram alguns atrás da queda d’água, céu azul anil, mata fechada
Deitados nas pedras, víamos o bater de asas, ouvíamos o canto,
Reduzido pelo som da cachoeira
Foram chegando outros e outros, “grudando” na parede de pedra molhada
Parecia uma grande reunião ali
Asas fortes a enfrentar o peso da água e do vento
Num repente, começaram a voar em círculos, cantando
Rodeando a queda d’água, pela frente e por trás
Como se tivessem ensaiado o espetáculo
Um ritual sempre praticado
E eu a admirar tudo de dentro d’água, bem abaixo deles
Eram dezenas, talvez mais de uma centena
Criando um espetáculo coreográfico extasiante
A cachoeira Witu era o palco , a natureza, o cenário
Muitos coadjuvantes e, nós, quase fomos um.
Show terminado, saíram todos em maravilhosa revoada
Imaginamos o fechar das cortinas e os aplausos,
E nós ali arrebatados com tão grande leveza
Agraciados por tão estrondosa beleza…
Alda M S Santos
ORIGENS
A linha de largada é, quase sempre, muito próxima da chegada
O fim tem muitas características similares ao começo
Ambos carregam expectativas diversas
Dependência grande do externo
Emoções afloradas, desejos a se satisfazer, limitações físicas
O olhar que se lança é que é diferente
Um olha para a estrada longa a percorrer, para a frente
O outro para a estrada longa percorrida, para trás
Um vê muito, o outro apenas imagina
E o olhar sonha, se perde…
Ambos sonham com o caminho
Onde toda a vida se concentra: no trajeto entre a largada e a chegada
Nela é onde algo sempre pode ser feito!
Alda M S Santos
NAS PEDRAS
Nas pedras, obstáculos
Limites de nosso ser, do nosso querer
Impedimento da liberdade, cerceamento
Nas pedras, escadas
Acesso à escalada , incentivo ao topo
Busca de coragem, de ir sempre mais, para o alto
Ainda que no alto encontremos apenas nós mesmos
E nos abracemos felizes…
Alda M S Santos
COMO ÁGUA
As mesmas duas moléculas de hidrogênio ligadas à uma de oxigênio: água
Mas o que é capaz de fazer sempre irá depender daquilo que encontrar pela frente
Com quais outras substâncias irá se associar
Dos obstáculos que enfrentará, das aglutinações,
Pode ser capaz de produzir, construir, transformar ou destruir,
Até mesmo brotar de áreas inesperadas, das pedras
Somos como água!
Sempre contornando obstáculos, desviando de áreas difíceis,
Encontrando composições atraentes, repelindo o negativo
Até mesmo uma queda tão alta, que pode aparentar total destruição
Pode gerar energia, vida,
E seguir abrindo caminhos em leitos de rios caudalosos por aí,
Desde que, como ela, sempre tenhamos preservadas nossas “moléculas”, nossa essência,
Independente das associações ou quebras da vida…
Alda M S Santos
BORBOLETAS E ROSAS
Cada flor com sua cor, seu encanto, seu néctar
Mel que alimenta, perfume que inebria, beleza que extasia
Borboletas que transitam, pólen que gera vida
Ainda assim, não é atraente a todos
Cada borboleta e beija-flor com suas preferências
Encantos e desencantos
Mas doçura sempre atrai doçura
Quem não está acostumado a doçuras tem dificuldade em ser doce
Em aceitar a doçura dos outros
Ainda que sejam as que mais dela necessitem
Mas tudo pode se transformar
Até mesmo uma borboleta, tão leve e linda
Já foi uma lagarta pavorosa um dia…
Alda M S Santos
CAMINHO DA ROÇA
Uma estradinha de terra serpenteando por aí
Morro acima, ladeira abaixo, tanto faz
Árvores, flores, pasto, vegetação até onde a vista alcança
Insetos e pássaros cantando ritmicamente
Gado mugindo ao longe, cachorros a nos encontrar a meio caminho, receptivos
Cheiro de mato, de bichos, de flores, de vida
E nós, contando casos, relembrando histórias
Até chegar à fazenda dos tios queridos,
Gente boa até “encostar no barranco”
Onde tudo é encanto e magia…
Mudamos para a capital, pais e dois filhos, há 49 anos
Mas nossas raízes estão fincadas aqui
Esse caminho da roça sempre iremos fazer
Inverno ou verão, sol ou chuva
Até quando formos chamados para outra travessia…
Alda M S Santos
MINHA AVÓ
Pequena, magrinha, miudinha mesmo
Um abraço parece que irá quebrá-la
Minha avó, cabeça branquinha até onde minha memória alcança
Ela tem 95 anos, 6 filhos, 19 netos, 18 bisnetos e uma tataraneta
Olhos fundos, uma vida de força escondida ali!
Geniosa, contadora de casos, vida sofrida, cismada
Sempre trajando saia e blusa de mangas compridas, trabalhadeira
Faça frio ou calor, sol ou chuva
Mora sozinha por opção, sempre na janela a olhar quem passa,
Cuida da horta, das galinhas, da casa
Deita-se junto com o sol e levanta-se com ele
Nunca tira fotos, dificilmente sai de casa
Não usa perfume, tem cheiro gostoso de vó, aroma da minha infância!
Econômica na demonstração de afetos, de emoções
Mas quem a conhece reconhece o brilho no olhar
Quando estão perto quem ela ama
E a opacidade que toma conta quando vão embora
Até a janela da frente se fecha em protesto
Junto com o semblante e o coração
Fala muito na morte para espantar o medo que sente dela, do desconhecido
Bem humorada, diz que tem três coisas: velhice, feiúra e ruindade recolhida
Pra mim tem outras: força, fé, coragem e muito amor contido
Nas minhas lembranças mais antigas de vida, ela está
E ficará para sempre…
Te amo, vó!
Alda M S Santos
MINHA TERRINHA
Se um dia eu me perder
Aqui sempre será um bom lugar para juntar pedaços de mim
Olho para minha avó, 95 anos, suas rugas, sua frágil força, seu carinho contido,
Quantas histórias!
Tios, primos, parentes e amigos vários
“Troquei suas fraldas, curei seu umbigo, cuidei muito de você”
“Brincamos muito juntos, tenho saudades”
“Já exploramos uma boa parte disso tudo aqui”
“Você não mudou nada, mesmo sorriso, mesma carinha”
Todos têm algo a lembrar, a contar, a saudar
Cada cantinho, cada casa, cada espaço natural, cada montanha, mina d’água,
Aromas, o jeitinho de ser de cada um
Ver que todos envelhecemos, mas que nossa essência permanece
A despeito, ou até mesmo por causa, dos tropeços e entraves da vida
Dizem que uma parte de nós sempre fica onde se enterra nosso umbigo
E que irá ajudar a nos lembrar quem somos, nossos valores
A não nos esquecermos de nós,
Independente do que o mundo lá fora tenha feito conosco.
Sempre é bom voltar…
Alda M S Santos
CONFIDÊNCIAS
Confidenciar algo é inerente aos seres humanos, seres gregários
Alguns são especialistas em fazer, outros em ouvir
Não importa se é algo que cause orgulho, medo, repulsa ou vergonha
Quem faz confidências acredita na discrição do outro
E oferece o mesmo em troca
Quer seja um diretor espiritual, pais, cônjuges ou amigos
Confiar é dizer: conto com você, não me decepcione
E o outro não precisa dizer nada, apenas ouvir
Ao dizer, divide com o outro algo pesado ou precioso
Torna a carga mais leve, aprende, cresce
Ser alvo da confiança de alguém é privilégio
Num mundo cada vez mais individualista
Ter essa confiabilidade quebrada é ter a porta arrombada
Para trancá-la a sete chaves e talvez nunca mais voltar a abri-la,
Apenas confidenciando a Deus…
Alda M S Santos
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ora alegre, apressada, andar sensual
Ora compenetrada, sorridente, simpática, atenciosa,
Outra vez desligada, distraída, alheia a tudo, noutra dimensão
Pode ainda ser leve, em paz com a vida, consigo mesma,
Ou triste, cabisbaixa, solitária, perdida, querendo sumir
Ela pode não ser o que você vê
Mas o que prefere que você veja naquele momento
Ou talvez seja aquilo que não conseguiu esconder…
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ou talvez até seja, mas você nunca irá saber
Pois até mesmo ela ainda se perde nas muitas de si mesma
Provável que todas lá dentro sejam verdadeiras, buscando equilíbrio
E, no meio de tantas, almeja se encontrar
Aquela que passa pode não ser o que você vê
O que se passa dentro daquela que passa, só ela sabe
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Mas é o que ela, autêntica, consegue ser…
Alda M S Santos
DESUMANO, DEMASIADO DESUMANO
Uma vida jogada fora, desperdiçada de modo cruel
Desumano, demasiado desumano
Um ser humano, alcoólatra, cuidador de carros nas ruas
Calado, triste, educado, não incomodava ninguém
Onde dormia, bebia, comia, dependia da ajuda dos outros
Há poucos dias recusara ajuda do AA, acreditando não precisar
Uma briga, jogam álcool em seu corpo, ateiam fogo
Não resiste, parte cruelmente assassinado.
Grande ironia da vida, morrer pelo álcool
Curtido na maldade humana!
Uma raça onde a liberdade de um fere a do outro
Nesse mundo humano tão desumano
Ou seria, como diria Nietzche, “humano, demasiado humano”
Pois um animal não seria capaz de tal atrocidade!
Certamente ele está em paz agora!
Noutra dimensão…
RIP
Alda M S Santos
COISIFICANDO
Substituir, esse é o lema moderno, a nova ordem
Estragou, avariou, deu problema, preocupação, trabalho
Jogue fora, troque, substitua!
Mundo do descartável!
Pode ser um copo, um eletrodoméstico, eletrônico, objetos pessoais, pessoas…
Nada se conserta mais!
Nem amizades, nem amores, nem família: substitui-se!
Pessoas estão sendo transformadas em coisas, em objetos
Estão sendo coisificadas!
Nada errado em ter novas pessoas na vida, em acolher,
Em ser acolhido, amparado
Mas pessoa não pode substituir pessoa
Pessoas descartadas também poluem o ambiente
Danificam a si mesmas, ao outro
Pessoas não se joga fora e fica-se bem
Como se tivesse trocado de celular
Cada qual tem seu lugar, seu espaço
Se a rotatividade de pessoas estiver grande demais
Estamos nós mesmos a um passo de nos transformar em coisas!
Alda M S Santos
ARREPENDIMENTOS
Eu o observava de longe, parecia cabisbaixo
Cheguei até mais perto daquele idoso de 74 anos no asilo, ele me olhou, segurou minha mão.
Ressaltei que estava triste, perguntei pelo sorriso, falou em arrependimentos.
“Estou arrependido de não ter namorado todas que me quiseram”- e sorriu zombando.
“Acha mesmo que seria mais feliz assim”?- perguntei, séria.
Ele teve uma esposa que o traiu e abandonou.
Tem um filho que nem lembra que ele existe.
Cego de um olho, uma cicatriz de tiro na testa.
“Pra dizer a verdade, penso que você deveria é ter escolhido uma boa mulher”.
“Você tem razão, moça, mas as que me quiseram depois, eu não quis destruir a vida delas.
Eu não seria feliz assim, sei como machuca”!
Conversamos um bom tempo!
Todos temos arrependimentos, carregamos pesos nas costas.
Mas, mesmo simples como ele é, sabe que não existe peso maior para carregar que a tristeza de alguém!
Não pode ser leve e duradoura uma felicidade construída sobre a base frágil da infelicidade do outro!
Arrependimentos todos temos, mas algumas nuvens negras sobre nossas cabeças podem bem ser evitadas!
Alda M S Santos
JANEIRO BRANCO: SAÚDE MENTAL
Qual nosso primeiro pensamento numa foto dessas
No alto das pedras, o mar revolto lá embaixo,
Céu de intenso azul, brisa gostosa nos cabelos,
Água morninha a acariciar a pele,
Alguns banhistas, um sol brilhante e quente?
Ou sequer notamos esses detalhes?
Como nos imaginamos ali?
A saúde de nossa mente permite vários modos de ver e sentir essa imagem
O quanto ela é capaz de nos tocar, animar, alegrar, enternecer, entristecer…
Aquela pessoa sorridente perto de nós pode estar precisando de ajuda!
Pode estar sofrendo calada!
Depressão, ansiedade excessiva, fobias não são para se brincar!
Estenda a mão! Seja a ponte!
E nós mesmos? Como estamos?
Alda M S Santos
SOFRIMENTOS
Há duas maneiras das pessoas encararem as duras penas da vida
Algumas sabem o peso de determinado sofrimento
E jamais querem o mesmo para alguém, próximo ou não
Outras, como sofreram aquilo, não se importam com o outro
Às vezes, desejam que o outro passe pelo que passou,
Até, muitas vezes, causam no outro a mesma dor
Na tentativa errônea de sofrer menos, não sabendo-se só
Como se ao doer no outro doesse menos em si próprio
São os modos diferentes que a alma de cada um
Mais evoluída, ou menos, lida com o próprio sofrimento!
Mas aprende, cedo ou tarde, que a dor de cada um é única
E deve ser enfrentada dentro de si mesmo,
Até ir apagando aos pouquinhos…
Alda M S Santos
VOLTA POR CIMA
“Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”
Tão necessário nas trilhas da vida
Lema dos vencedores!
Nas grandes quedas, aquelas das quais não conseguimos levantar tão rapidamente
Todo cuidado é pouco para não derrubar mais ninguém
Além de quem já foi derrubado e de nós mesmos
Se uma volta por cima implicar em jogar poeira nos olhos dos outros
Ou lançar alguém para a “volta de baixo”
O melhor mesmo é ficar dignamente onde está…
Alda M S Santos
CHECKIN
Hora de voltar, fazer o checkin de vida, prosseguir
Conferir dados, documentos, bagagens a despachar
Facilitar acesso a itens importantes na bagagem de mão
Aqueles dos quais podemos precisar a qualquer momento.
Que colocaríamos em nossa bagagem de vida,
Se tudo que pudéssemos ter acesso se limitasse a uma mala de 23 kg,
E nada mais pudesse ser levado?
Deixaríamos muito para trás?
Que temos carregado de supérfluo a pesar em nossas costas?
Que temos carregado que não é nosso de verdade?
O quanto de importante temos deixado pelo caminho?
Temos feito bem nosso checkin de vida?
Alda M S Santos
HARMONIA
Metade do que vemos encontra-se no ambiente, no outro
A outra metade encontra-se em nós mesmos
Quanto mais pudermos “oferecer” em troca nessa observação
Maior será a interação, a magia do olhar,
Quer seja em falta ou fartura…
As cores de fora pintam nossos espaços em branco
As gotas d’água irrigam cantinhos desidratados
A luz ilumina recantos escuros
A brisa refresca pensamentos, sentimentos
A ventania leva embora o que faz mal
O calor do sol nos abraça carinhosamente
Olhar o outro, o ambiente com a alma
É identificar nele aquilo que nos faz falta
Assim, cada um vê algo diferente
Em nós, no nosso entorno…
A natureza nos leva a sempre buscar essa harmonia
A harmonia da complementação…
E como é lindo!
Alda M S Santos
O QUE QUE A MINEIRA TEM?
Um dia Caymmi perguntou:
O que que a baiana tem?
Tem acarajé, vatapá, tapioca e caruru…
Será que sabe responder:
O que que a mineira tem?
Tem pão-de-queijo, frango com quiabo, canjiquinha, queijo com goiabada…
O que que a baiana tem?
Tem gingado, tem pimenta e tem sabor…
O que que a mineira tem?
Tem carinho, tem jeitinho acanhado e tem calor…
O que que a baiana tem?
Tem mar que vem do horizonte,
Tem orixás e Senhor do Bonfim…
O que que a mineira tem?
Tem cachoeira que nasce na serra, escorre nas pedras
Tem uma fé em “Nossinhora”…
Mas o que que a baiana tem?
O que que a mineira tem?
Ânsia de viver, muito a oferecer à vida, ambas têm!
Oxente! Melhor deixar escondidinho…
Porque nem tudo é pra todos saberem, uai!
Mas, misturando as duas é um trem doido, “bichin”…
Alda M S Santos
SALVA-VIDAS
Uma placa, uns dizeres, uma boia dependurada, uma esperança: Salva-vidas!
Salva vidas? Qualquer uma?
Um grande e maravilhoso mar à frente
Alguns banhistas aventureiros, outros sem noção, sempre em perigo
Quantos “bombeiros” seriam necessários para salvar outras vidas, a seco?
Quais as boias e acessórios seriam usados?
Quantas vezes lançamos boias sem saber?
E, lamentavelmente, quantas vezes fomos a mão que faltou,
Ou até mesmo a que “empurrou” pra baixo uma vida já à beira do abismo?
Quantas vezes não aceitamos a mão que se ofereceu,
E não salvamos nossas próprias vidas?
Vida é muito preciosa para ser jogada fora: a nossa, as dos outros…
LEMA: Nunca esquecer os bombeiros que nos salvaram, ainda que uma única vez,
Pois uma única vez é o bastante para liquidar uma vida,
E vez ou outra tornamos a precisar deles…
Alda M S Santos
UM AMOR E UMA CABANA?
Com amor basta uma cabana!
Uma cabana torna-se palacete
Quando há nos olhos o filtro dos bons sentimentos
No teto há estrelas, no chão há “pedrinhas de brilhantes”
Um palacete torna-se uma prisão de ouro
Se nos corações não há alegria
Se a alma não reflete o amor
Há cabanas e cabanas, palacetes e palacetes
Mas, cabanas e palacetes à parte
O que torna verdadeiramente valioso um lugar
São as companhias que carregamos conosco
Aquelas que fazem parte de nós,
Que “são” verdadeiramente da gente, que gostam de ser da gente
E trazemos conosco e nos levam com elas
Na mente, na alma, no coração…
Alda M S Santos
NAS ONDAS
Num ir e vir infinito
Ora calmas, ora bravias
Sempre em movimento, barulhentas
As ondas acalmam, relaxam
Encantam, amedrontam…
Deixam ir o que incomoda, levam pra longe
Trazem de volta o que alegra, o que faz bem
Vão e vêm, vão e vêm…
Hipnotizam …
Quem sabe num desses ires e vires
Não trazem de volta um pedaço de nós perdido por aí?
Alda M S Santos
MAR OU RIO?
Mar ou Rio, Rio ou Mar?
Água salgada, água doce
Onde a vida nasce, acontece…
Extensão de natureza até onde a vida alcança
Delícias que convidam ao mergulho
Mergulho nas águas, mergulho nos sentimentos
Mergulho em nós mesmos…
E eles se encontram, rio e mar
Nós nos encontramos…
Rio ou Mar?
Tanto faz! De preferência, que eu esteja lá…
Alda M S Santos
ILHA DOS DESEJOS
Numa Ilha dos Desejos
Que buscamos?
Desejos que brotam, que crescem, sufocam, aumentam até o horizonte
Onde o mar encontra o céu
Numa linha azul que se funde, se confunde, degradè?
Ilha dos Desejos
Que buscamos?
Desejos que se suavizam, se arrefecem, se amortecem em ondas tranquilas
Até esmorecer e sumir na areia da praia?
Ilha dos Desejos…
Que encontramos?
Desejos despertados ou satisfeitos, realizados?
Olho para tanta beleza e impotência dessa ilha
Desse mar azul, céu anil, coqueiros ao sabor do vento
E constato, afinal, que a verdadeira Ilha dos Desejos
Capaz de fazer nascer e morrer todo e qualquer desejo
É aquela que só nós temos a chave
Mas que nem sempre controlamos a entrada:
Nossos corações!
Alda M S Santos
QUERIA APENAS SABER
Queria apenas saber
Qual o amor “mais” verdadeiro
Aquele pelo qual produzimos mais lágrimas
Ou o que mantém vivos nossos sorrisos?
Queria apenas saber
Qual o amor “mais” verdadeiro
Aquele que sente necessidade de proximidade
Ou o que nos preenche mesmo de longe?
Queria apenas saber
Qual o amor “mais” verdadeiro
Aquele cuja ausência nos causa a “morte”
Ou aquele cuja simples existência é vida?
Queria apenas saber…
Alda M S Santos
UM PONTO DE PAZ
Entre tantos altos e baixos dessa vida
O segredo é manter a estabilidade
Em cima, para não cair rápido demais
Embaixo, para gerar forças para nova subida…
Mas bom mesmo seria encontrar um ponto no meio desse caminho
Sem grandes euforias, sem grandes baques!
Simplesmente, um ponto de paz…
Alda M S Santos
SEM VOCÊ
Em todos os espaços você faz falta,
Na brisa que passa, no sol que racha
Num perfume bom, no cheiro de um alimento qualquer
Nas tiradas engraçadas ou mesmo nas rabugices ou implicâncias
Na música que toca, no silêncio oportuno
Tudo que acontece, principalmente no que não acontece
Lembro-me de você…
Sem você não tem a mesma graça, meu anjo
Você faz falta em tudo lá fora
Mas a maior falta você faz aqui dentro!
Alda M S Santos
EMPARELHAR
Andar lado a lado, sintonizar
Emparelhar com alguém
Tarefa tão difícil quanto desejada
Encaixar, harmonizar,
Buscar pontos comuns é tão importante
Quanto valorizar o que é diferente
Preto ou branco, grande ou pequeno
Audaz ou receoso, falante ou introvertido
Carinhoso ou contido, animado ou quieto
Aceitar e respeitar o diferente é ser humano
Nas diferenças há também harmonia
Se o coração sintonizar no amor…
Alda M S Santos
QUE EU ME IMPORTE…
Que eu me importe com o outro
O bastante para ajudá-lo nas tristezas, nas dores, nas necessidades mais prementes
Sem sufocá-lo ou parecer superior…
Que eu me importe com o outro
O bastante para me alegrar com suas alegrias
Sem invejar ou me enciumar, se possível,
Ainda que a felicidade dele não mais me inclua…
Que eu me importe com o outro
O bastante para valorizar bons momentos, guardar no coração, respeitar
Aquilo que hoje já não é mais como antes…
Que eu me importe com o outro
O bastante para dar a ele aquilo que não consigo dar nem pra mim mesma
Pois é algo que a gente só encontra fora de nós…
Que eu possa ser assim para o outro: verdadeira, inteira, amorosa
E que ele também possa ser desse grau e magnitude para mim,
Pois para isso fomos feitos: nos fazer bem…
Que nos importemos o bastante!
Alda M S Santos
O BELO DE TODO DIA
Encantada com tanta beleza
Fixo o olhar deslumbrada
Fico extasiada, embriagada pelo belo que se derrama
Deságua em mim em gotas salgadas
Num momento, observo moradores locais
Que têm perto de si toda essa riqueza
Ao alcance dos olhos…
E parecem sequer notar!
Quantas belezas temos pertinho de nós
E nosso olhar viciado não percebe mais?
O belo de todo dia não mais atrai nosso olhar?
O olhar deslumbrado do outro para o que temos
Pode, às vezes, nos acordar…
Alda M S Santos
MAIS AMOR, POR FAVOR!
Entre tantas as falhas humanas
Entremeados das contradições a que nos submetemos todos
A pior de todas elas seria julgar o comportamento, o “erro”alheio,
Sentados no trono dos santos, encastelados na torre dos puros a julgar os mortais pecadores.
Enquanto isso, sabemos bem citar as escrituras quando nos convém:
“Aquele que for livre de pecados que atire a primeira pedra”.
Justificamos, assim, nossa companhia no erro, no pecado!
Porém, muitas vezes nos esquecemos do complemento
“Ninguém te condenou? Vá e não peques mais”.
Somos humanos, por essência falhos, contraditórios,
Mas também, por essência, dotados de inteligência para não repetir um erro.
Julgar o outro, carregar pedras nas mãos, não nos faz menos pecadores,
Apenas um pecador ocupado com a vida alheia!
O que nos faz menos pecadores é ser mais humanos e menos “deuses”!
Mais amor, por favor!
E pra quem gosta das escrituras
Eu prefiro essa: “Ame a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo”!
Alda M S Santos
MALAS PRONTAS
Não importa para onde vamos
Se é logo ali ou atravessando o oceano
Malas arrumadas é fundamental
O que vai, o que fica,
Quem vai, quem fica?
Malas cheias, coração abarrotado…
Expectativas de diversão e alegria
Se necessário, mudamos o destino final(?),
E que possamos trazer mais que levamos
Uma alma mais leve, em sintonia com as demais
Em paz…
Vamos?
Alda M S Santos
QUEM SOFRE MAIS?
Eu era ouvinte involuntária de um debate
Quem sofre mais:
Aquele que, sabendo-se culpado, paga sua pena
Ou o que paga uma pena sendo inocente?
Em defesa do inocente: nada é pior que sofrer por algo que não fez!
Em defesa do culpado: nada é pior que o peso da própria consciência acusadora!
O primeiro sente-se injustiçado, mas a alma está leve
O segundo tem o de fora e o de dentro a martirizá-lo
Que pesa mais, a injustiça ou a consciência?
Quem sofre mais?
E o debate seguia…
Alda M S Santos
SEMPRE AMOR
Um grupo com um objetivo: levar alegria
A razão que trouxe cada um é variável
Todos parecem felizes, profissões variadas, vidas diferentes
Unidos no desejo de ajudar os outros, os idosos, particularmente
Olho para cada rosto desses palhacinhos, cada sorriso
Sei um pouco a história de alguns
Histórias de lutas secretas, sofrimentos, nem sempre vitoriosas
Muitos carregam angústias, frustrações e dores
Não doam o que lhes sobra, mas aquilo que mais precisam
Aquilo que valorizam, que sabem precioso
No prazer de levar amor, encontram uma razão a mais para lutar…
Para viver…
Alda M S Santos
#carinhologos
#carinhologossolidarios
CHAMA ACESA
A chama interna de cada um de nós necessita ser mantida
Ela que garante nosso prazer de viver
Que nos faz levantar da cama todos os dias e seguir…
Cada qual tem um combustível próprio: família, trabalho, amigos, Deus
Às vezes, meio apagadinha, outras, labareda
Ideal que dependamos o menos possível de combustíveis alheios.
Passar a vida buscando combustível do outro,
“Furtando” combustível, oxigênio alheio,
Dependendo de diminuir ou apagar a chama dos outros
Mesmo involuntariamente, para manter a nossa acesa
Não faz uma chama bonita e duradoura!
Nossa chama deve iluminar o outro, e vice-versa, alastrar-se
Há algo muito errado se nossa chama acesa apagar a de alguém!
Que encontremos nossa luz!
Alda M S Santos
NÃO É PRESSA, É SAUDADE!
Saudade que aperta, que oprime, que leva a falhas
Saudade que embaça o para-brisas, o olhar
Saudade que gera velocidade, imprudência
De noite ou de dia, faça chuva ou faça sol
Saudade que se arrisca, que põe o outro em risco
Saudade que visa apenas satisfazer-se
Saudade que, na (preça), fere o Português
Saudade que ignora castas ou classes
Saudade que mata quilômetros e quilômetros de rodovias
Saudade que se mata, finalmente, num olhar, num sorriso,
Se satisfaz num abraço, num colo quentinho
Saudade que tudo justifica, que se autojustifica,
Até começar tudo de novo, nas lembranças…
Alda M S Santos