E ELA ESPERA…
É cedo, ele parte, vai se afastando, diminuindo até desaparecer
E ela senta, espera, confia…
Não sabe quando volta, ou o que enfrentará pela frente
Mas ela espera, confia…
Mar revolto, águas ora calmas, ora traiçoeiras, tempestades
E ela espera, confia…
Vai leve, sem carga, proa vazia, tripulação preciosa, coração abastecido
E ela espera, confia…
Saudades lá, saudades cá…
Aumentam na mesma medida da carga abastecida
E eles esperam, confiam na certeza do reencontro
O transporte, a carga, já não são tão preciosos
A distância dói, corações de marinheiros, cheios de ausências…
Pescadores de saudades…
Eles esperam, confiam
E ela fica ali, vivendo ora de esperanças, ora de saudades
Ainda que o coração balance mais que aquele barco,
Com o olhar tão salgado quanto o mar
Sempre ao longe, a encurtar distâncias…
Alda M S Santos