Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

Tesouros

TESOUROS

De tudo que é passível de perdas na vida

Dinheiro, emprego, casa,

Carro, joias, objetos preciosos

Nada gera mais dor e arrependimento

Nada pesa mais nas costas e encurva o andar

Nada tira mais o brilho do sorriso ou ofusca o olhar

Que a perda dos tesouros que não têm preço

Cuja falta desvaloriza qualquer outro “bem” adquirido

E que muitas vezes foi oferecido gratuitamente, negligenciado

Ignorado, não conservado, inviabilizado

A saúde do corpo e da mente

A fé em algo maior e superior que olha por nós

A capacidade de ser grato à vida em nosso entorno

Nas mais variadas formas de luz e beleza

Um olhar de aceitação e bondade de alguém querido

A utilização de modo solidário dos dons

Uma amizade verdadeira, desinteressada e sempre solícita

Uma vida de dedicação e cuidado recebidos daqueles que nos cercam

Um amor incondicional, que sobrevive às adversidades

Utilizando-as como adubo para deixar o broto do bem fortificar

E gerenciar sabiamente, equilibradamente, a esperança

Apesar, ou por causa, dos balanços, do ir e vir

Dos ganhos e perdas que todos temos…

Os tesouros mais difíceis de se perder não se guardam em baús ou bancos

São aqueles que, bem leves, carregamos na alma e no coração…

Alda M S Santos

Corpos e almas

CORPOS E ALMAS

Primeiro a nudez da alma

Devagar, aos poucos, sem medos ou reservas

Depois a nudez do corpo

Como complemento, entrega, amor

Essa é a ordem ideal

Onde não pudermos desnudar nossa alma

Por quaisquer motivos

Medo, desconfiança ou covardia

Não vale a pena…

Não é que a nudez da alma seja menos importante

Ao contrário!

Nossa alma é que nos difere

Corpos são apenas corpos

O que não fascina nossa alma não nos merece

Algo que realmente valerá nosso todo

Precisa conquistar a alma primeiro…

Sem tê-la cativado, qualquer nudez será superficial

Transitória e decepcionante…

Alda M S Santos

Quem assina?

QUEM ASSINA?
Se pudéssemos observar com olhar neutro nossas vidas
De fora, com imparcialidade, sem grande envolvimento emocional
Como a observar um quadro “pintado” em sua totalidade
E também em suas partes, seus detalhes
A parte que brilha, a fosca, a meio escondida, a que se destaca
A mais colorida, a clara, a moderna, a abstrata
A antiga, a contemporânea, a atual
Original ou controversa,
Aquela fácil de entender e a que ninguém decifra
O que veríamos?
E, mais importante, quem assina essa obra?
Quem é o autor de verdade?
Quais influências terceiras sofre?
Nosso nome está assinado ali, mas somos mesmo os pintores dessa obra?
Ou é uma arte falsificada, uma fraude?
Pintamos o que acreditamos, com nossas próprias tintas e criatividade
Ou somos “ladrões” de material alheio?
Mesmo sem conseguir manter a neutralidade e imparcialidade
É possível fazer minimamente essa análise:
Somos autênticos?
O grande Autor da Obra Vida deu a receita: amor
Essa tinta nos permite viver uma obra de arte verdadeira
E chegar na grande galeria do outro lado com um quadro original
Ainda que todo manchado de sorrisos e lágrimas…
Com o vermelho do amor pelo outro e da paixão de viver
Com o amarelo das tentativas frustradas
Com o roxo das decepções e angústias
Com o verde brilhante da esperança
Mas nossa!
Nossa tela pode ter muitas cores e influências externas
Mas todas devem ser passadas e filtradas pela nossa alma
Sempre procurando ter orgulho do trabalho feito
E muito pouco do que se envergonhar…
Alda M S Santos

Memórias em cinza

MEMÓRIAS EM CINZA

Um descuido, uma pequena distração

E uma casa pega fogo, literalmente

E tudo que se tem é consumido pelas chamas

Colchão, cama, móveis, roupas, calçados

Documentos, livros, fotografias, artigos pessoais

Memórias registradas em papel, pendrive, computadores

A cada minuto percebe-se algo que se foi

Levado para sempre, consumido pelo calor do fogo

Tudo é fumaça, fuligem, sujeira, dor, culpa, desespero

Aí percebemos o quanto de valioso possuíamos

E se tornou cinzas…

Passada a fase aguda do susto, do choque

Nota-se que algo valioso sempre fica

Aquilo que não se reconstrói quando se perde: a vida

Mantendo-a, é possível reconquistar o que foi perdido

Amigos verdadeiros e falsos serão revelados

Saberemos quem não nos abandona e podemos contar sempre

Novas memórias serão gravadas, misturadas às antigas

E, mais tarde, tudo estará de pé novamente…

O mesmo não se dá quando o “fogo” da doença ou da maldade destrói a mente, a alma

Quando apaga os circuitos cerebrais que registram em nós o que vivemos

Isso só recuperaremos nas mentes daqueles que conviveram conosco

Que nos amaram, ou não

E que têm de nós boas ou más lembranças registradas…

O amor é a borracha que apaga o mal

Mas também é o lápis que reescreve uma nova história…

Vamos reescrever!

A vida num instante pode se apagar

Ou se acender feito sol no horizonte…

Alda M S Santos

Nossos copos

NOSSOS COPOS

“Você pensa no quanto os outros podem te ajudar, mas não no quanto eles podem se prejudicar fazendo isso”.

Essa era a discussão entre dois jovens.

Quantas vezes para manter nosso copo cheio

Esvaziamos os copos dos outros?

Quantas vezes para manter os copos dos outros cheios

Esvaziamos nossos próprios copos?

Quem gosta de sempre receber quase nunca se satisfaz

Sempre irá contar com o abastecimento que vem de fora

Quem gosta de sempre doar sempre irá fazê-lo, mesmo desfalcado

Vivemos num constante encher e esvaziar, ora mais, ora menos

Uma relação saudável é aquela em que ambos os copos se autoabastecem

E não esvaziam o copo de ninguém!

Alda M S Santos

Só tem amor quem sabe amar

SÓ TEM AMOR QUEM SABE AMAR

Missão dada, missão cumprida

Mais um ano de Encontro de Jovens com Cristo-EJC

Emoção e busca por um caminho de amor e paz, de Jesus, de Deus

Que o amor do Pai sentido tão de perto possa nos guiar sempre!

“Só tem amor quem sabe amar”…

Alda M S Santos

Farol

FAROL

Luz forte no alto de uma torre na escuridão total

Serviam de guia, de alerta, de aviso aos navegadores solitários

Desviavam navios de perigos vindos de montes de terra que irrompiam em alto mar

E poderiam fazê-los perecer

Fachos de luzes intermitentes, potentes, constantes, brilhantes

Refletidas a longas distâncias

Mas nem toda luz livra do perigo ou do mal

Até mesmo os faróis tiveram os seus “afundadores”

Aqueles que se passavam por alertas do bem

Quando na verdade era luz falsa que emitiam

Para atrair navios para zonas perigosas e saqueá-los

Cacos de vidro se passando por diamantes

Até mesmo a luz pode enganar, pode cegar

Podemos muitas vezes enxergar melhor em exígua luz

Ou até mesmo na escuridão em que a vista se acostumou

Do que numa forte luz enganosa…

A luz que vem de dentro é a que ilumina verdadeiramente!

Alda M S Santos

Parcerias

PARCERIAS

Inúmeras podem ser as parcerias

João e Maria, Romeu e Julieta

Queijo com goiabada, arroz com feijão

Bola e criança, sorvete e calor

Chocolate quente e edredom, amizade e confidência

Cinema e pipoca, Tom e Jerry

Mas nenhuma parceria é tão perfeita

Nenhuma é tão essencial

Nenhuma delas nos gera tanta alegria

Ou torna as demais “pequenas” e insatisfatórias

Quanto a parceria que temos com Ele

Feliz é quem tem a Paz de estar em Par com Deus”…

Alda M S Santos

A IGREJA QUE SOMOS

A IGREJA QUE SOMOS

Igreja não se faz sozinha

Igreja não é só templo de pedra

A igreja não são eles, não são os outros

A igreja que queremos

Somos nós que construímos

Um pouquinho Dele em cada coração

Que se alastra e se propaga para outros corações

Que incendeia com a luz do Espírito Santo, que contagia

Sem demagogia, sem hipocrisia

Com humildade e humanidade

Como nos propósitos dos jovens do EJC- Encontro de Jovens com Cristo

“Ficar mais próxima de Deus”

“Complementar meu caminho até o Pai”

“Agradecer e fazer o bem”

Todos temos nossos objetivos

E podemos escolher: participar, ajudar, não atrapalhar, ou só criticar

A igreja “melhor” do mundo

É aquela que brota em nossos corações

E nos torna melhores, cada dia mais humanos…

Alda M S Santos

Pode parecer

PODE PARECER

Pode parecer abandono, solidão, preguiça

Mas também pode ser opção, escolha, prazer em estar consigo mesmo

Pode parecer inquietude, ansiedade, impaciência

Mas também pode ser excesso de energia, vontade de cuidar do próprio coração

Usando o caminho que passa pelo coração do outro

Pode parecer tristeza, angústia, depressão, vazio

Mas também pode ser introspecção, reflexão, sabedoria, preenchimento

Pode parecer raiva, revolta, rebeldia

Mas também pode ser desânimo e repúdio com tudo que é falso

Pode parecer teimosia, falta de inteligência, obstinação, birra

Mas também pode ser persistência de alguém que não desiste

Pode parecer fuga, abandono, frivolidade, infantilidade

Mas também pode ser maturidade, carinho e proteção

Pode parecer medo, covardia, maldade

Mas também pode ser amor que, sábio, preserva a vida

Pode parecer sorriso, alegria, felicidade a toda prova

Mas também pode ser gratidão, fé na vida e Naquele que a criou

Em qualquer circunstância

Sempre…

Pode ser…

O que é, de verdade, só quem vive é capaz de dizer…

Alda M S Santos

Pilateando

PILATEANDO

Quando o que aparenta ser pesado

Pode se tornar bastante leve

Quando o que aparenta ser um aprisionamento

Traz uma sensação de liberdade

Quando o que parece ser fácil

Exige força, concentração e disciplina

Quando o que aparenta ser prejudicial

Fortalece músculos de forma gradativa e divertida

Quando o que aparenta ser doloroso

Na verdade ameniza e cura a dor

Quando acreditamos que não daremos conta

Desenvolvemos equilíbrio, capacidade respiratória, autoconfiança

Integramos melhor corpo e mente

E nos sentimos voar…

Isso é “pilatear”, isso é Pilates!

Alda M S Santos

Beija-flor

BEIJA-FLOR

Voando, beijando, se refestelando, vivendo

No grande jardim da vida segue entre flores

Entre rosas, margaridas e tulipas

Hortênsias, girassóis e violetas

Orquídeas, jasmins e dálias…

O beija-flor se alimenta de néctar, de beleza

De perfume, de encanto, de leveza

Leva consigo doçuras colhidas

Nesse vai e vem transforma amarguras em doçuras

Doçuras em energia, energia em vida, e assim sucessivamente

E, de flor em flor, segue em pequenos pousos…

E as flores, enraizadas, não podem segui-lo

Sina de flor é ficar firme na terra

Sina de beija-flor é voar livre

Talvez se demore mais na amor-perfeito, se notá-la, quando passar

Se outro beija-flor não estiver parado por ali

Que nesse grande jardim da vida

Flores e beija-flores possam se encontrar

Se realizar e ser feliz…

Alda M S Santos

Noite estrelada

NOITE ESTRELADA

Há sonhos belos como uma noite escura

Como um céu salpicado de estrelas brilhantes, reluzentes

Atraindo, despertando esperanças, expectativas

Mas, como as estrelas, “apagam-se” ao amanhecer

Seu brilho não se sustenta perante à dura realidade do dia

Assim como as estrelas se escondem

Diante do brilho intenso dos raios de sol

Muitos sonhos se escondem atrás dos medos

E covardias que tiram seu brilho

Alda M S Santos

Mas não sou só eu!

MAS NÃO SOU SÓ EU!

As crianças montam seus castelos cuidadosamente na areia.

Escolhem os moldes, carregam água, dedicam-se parte por parte

Olham, admiram o feito, sorriem

Num tropeço, num descuido o castelo do menino desmorona, despenca, trabalho perdido

A menina olha e diz “faz outro”

E continua a montar o seu com dedicação e cuidado

O menino, chateado, destrói “sem querer” o castelo da menina

Como se dissesse “se eu não tenho, você também não tem”…

E chegam as mães para ensinar e apaziguar…

São crianças, estão aprendendo a viver com perdas.

Mas há tantos adultos assim!

Por não conseguirem algo, ou perderem

Passam a vida invejando ou destruindo os castelos alheios

Ou impedindo que sejam construídos

Perdendo um tempo precioso que poderia ser gasto com um novo castelo…

Castelos iniciados e abandonados pelo caminho…

Talvez um jeito inconsciente, até patológico, de resolver sua própria frustração.

Ao perceber que o mal que o atinge, que as dificuldades que tem

Não são só dele!

Como se dissessem: caí, mas outros caem também

Ou: acontece com todo mundo

O fracasso do outro justificando o seu próprio…

O desafio da vida adulta é enfrentar os próprios desmoronamentos

Se possível, evitá-los, aprendendo a poupar seus próprios castelos

E daqueles que lhes são caros…

Alda M S Santos

Onde está nosso coração

ONDE ESTÁ NOSSO CORAÇÃO

Não precisa procurar muito, bobagem ir longe

Parte de nosso coração sempre estará onde mais nos dedicamos

Onde derramamos nossos dons, nosso trabalho prazeroso

Nosso carinho, nossa amizade, nosso amor

Passe o tempo que passar, seja qual for a distância

Reencontrar pessoas, rever espaços

Lugares que passamos boa parte de nosso viver

Onde estão nossas digitais emocionais

Receber o carinho sempre tão especial

Daqueles pequenos seres que se doam sem medidas

Não tem como não sentir uma emoção, felicidade e saudade profunda…

Enquanto eu me emocionar numa escola

Enquanto me encantar com crianças aprendendo

Com o carinho tão espontâneo delas

Irei agradecer por ter podido ensiná-las e aprender com elas tanto tempo

Saberei que meu coração sempre estará “enterrado” ali…

E, principalmente, na marquinha especial que levam de mim no peito

E que eu trago delas comigo…

Vivemos nas marcas que deixamos nos corações alheios

E nas marcas que carregamos deles conosco…

Alda M S Santos

Na calada da noite

NA CALADA DA NOITE

Tudo é silêncio, parece silêncio

Na escuridão o mal se agiganta

Medos e traumas antigos parecem maiores

Forças minam, a fé luta para prevalecer

Gatos miam, tomam o que julgam seu sobre os telhados

Gatas dão o que fingem “amarrar”

Cães ladram e tentam proteger o que parece perdido, ameaçado

Casais se amam, namoram sob os telhados

Uns nascem, renascem, outros matam, morrem

Munidos das mais variadas armas: brancas, de fogo, da confiança, da desesperança

Gatunos de colarinhos brancos, becas, batas, ternos

Disfarçados, vestidos de seres do bem, mascarados de “amor” e bondade

Invadem casas, veículos, escolas, igrejas, pessoas

Quebram janelas, estouram fechaduras, aproveitam uma fissura qualquer

Às vezes arrombam, outras são convidados a entrar

Nas TVs abertas ou fechadas, nas ondas do rádio, na web conquistam adeptos e seguidores

Pilham, roubam, amarram, matam

Amealham dia a dia tudo que se tem de bom

Sequestram o corpo, torturam a mente

Aliciam corações e almas carentes, sofridas

“Protegidos” pelas sombras o mal age calado

Na calada da noite…

Usurpam a vida, destroem sonhos

Roubam a inocência de infantes e adultos, ameaçam

Desestruturam famílias, passam-se por amigos, por anjos de Deus

Enquanto os anjos dormem…

Será que dormem?

Será que ainda haveria vida por aqui se não estivessem acordados, agindo?

Na calada da noite o mal se agiganta

Na calada da noite é que os anjos mais trabalham…

Na calada da noite não podemos nos calar

À luz do dia devemos nos fortalecer e gritar…

Alda M S Santos

O prazer é meu

O PRAZER É MEU!

É um prazer estar aqui

Partilhar histórias com quem gosta de histórias

Ser poema para quem ama poesia

Descrever sentimentos e sensações

Boas ou ruins

Com quem também tem essa necessidade

Bom estar com vocês

Ler vocês, escrever para vocês!

Alda M S Santos

Fugas

FUGAS

Fugas muitas vezes são vistas como desistência

Apontadas como covardia, escolha mais fácil

Será mesmo?

Pode-se fugir de medos de escuro, acendendo a luz

Pode-se fugir de traumas à base de calmantes e ansiolíticos

Pode-se fugir de culpas se afogando em álcool ou outras drogas

Pode-se fugir do amor apontando os outros como problemáticos

Pode-se fugir da vida, com intuito de protegê-la

Pode-se fugir da desesperança mergulhando na fé, na religiosidade

Pode-se fugir da dor, evitando viver

Pode-se evitar confrontos fugindo de algumas pessoas, de várias ou de alguma em especial

Pode-se mudar o nome, o rosto, os convívios

Pode-se mudar de país, de sentimentos

Pode-se entupir-se de coisas lindas e valiosas

Pode-se até tentar fugir de si mesmo, ignorando sentimentos

Fingindo que está tudo bem, que tudo é belo

Pode-se fugir de si mesmo usando os mais diferentes subterfúgios

Mas será como crianças pequeninas brincando de esconde-esconde

Tapando apenas o rosto e acreditando que estão protegidas…

Até que ponto esconder de si mesmo é valentia ou covardia

Força ou fragilidade, medo ou coragem?

Não dá para se esconder de si mesmo para sempre…

Pode-se ficar camuflado, nunca escondido

O que se é carrega-se consigo em qualquer fuga,

Para qualquer lugar que se vá

É sempre um caminho longo e doloroso encontrar-se

Mas quando o rosto for destapado

Apesar do susto, dos medos, o sorriso pode aparecer e brilhar

Como na brincadeira de esconde-esconde infantil…

Alda M S Santos

Abusos sexuais: “as feridas nunca prescrevem”

ABUSOS SEXUAIS: “AS FERIDAS NUNCA PRESCREVEM”

Abusos de qualquer tipo contra pessoas já são terríveis

Abusos sexuais, idem, contra crianças, uma atrocidade

Vindos daqueles que deveriam protegê-las do mal

É, no mínimo, uma monstruosidade!

Vindo de pais, tios, avós, irmãos, padrastos e familiares é vergonhoso!

Vindo dos mentores da fé: padres, pastores e religiosos

Nos quais elas e familiares depositam confiança e acolhimento na dor

Tidos como representantes de Deus na terra

É desumano, aterrador, revoltante, desanimador!

Mas nunca devemos nos esquecer que as “igrejas” e as famílias

São formadas por pessoas e, como tais, passíveis de patologias graves

De maldades severas, sendo ou tornando-se desumanas!

Escandalizar-nos com isso é aceitável, é necessário, urgente

Até para cobrar posturas mais duras para coibir tais práticas

Mas generalizar não é inteligente ou benéfico!

Famílias não deixam de ser uma boa instituição porque algumas são negligentes ou maldosas.

A fé ou a igreja, sejam elas quais forem, não deixam de ser um apoio moral, de ter seu valor espiritual,

Porque nela há membros transgressores e monstruosos!

Acabar com os frutos podres, onde quer que estejam, é a atitude correta!

Como disse o Papa Francisco citando São Paulo “Se um membro sofre, todos sofrem com ele”.

Dói saber que quem deveria nos salvar de monstros podem ser os próprios monstros!

Como cristãos devemos cobrar posturas humanas e corretas não só nos lares, nas famílias, nas escolas, nos hospitais,

Mas também na igreja que frequentamos, que somos, que acreditamos

E não pecar por omissão, acobertamento ou indiferença!

A melhor igreja é aquela que carregamos no peito e ajudamos a construir…

Sem hipocrisias! O que temos feito para proteger nossos lares, nossas famílias e as famílias dos outros?

As feridas não prescrevem nunca!

Alda M S Santos

De quantos?

DE QUANTOS?
De quantos nãos se faz uma decepção
De quantos medos se faz uma coragem
De quantos abandonos se constrói uma muralha
De quantas valentias e covardias se fazem um herói 
De quantos tanto faz se faz um desistir
De quantos passos trôpegos se faz uma marcha firme
De quantos cuidados o amor se alimenta
De quantos sorrisos se faz um encanto
De quantas lágrimas a saúde emocional sobrevive
Quantos abrir mão o amor é capaz de suportar
Quantas descargas emocionais o coração aguenta sem sofrer um colapso
De quantas promessas não cumpridas se faz um desamor
Quantos “felizes para sempre” somos capazes de destruir, incólumes
De quantos mergulhos rasos se faz uma vida superficial
De quantos “tudo bem” se molda uma máscara
De quantas demolições internas e externas precisamos para reconstruir
De quantas saudades se faz um existir?
De quantos(as)?
Gostaria de saber…
Alda M S Santos

Como andar de bicicleta

COMO ANDAR DE BICICLETA

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente se distrai, amedronta, perde a confiança, cai!

Quando aprendemos a andar de bicicleta

Logo depois que retiramos o conforto e segurança das rodinhas

O equilíbrio se mantém e nos impede de tombar, de cair

Enquanto estamos em movimento, pedalando

Aos poucos, devagar, depois de alguns tombos, feridas

Vamos aprendendo a reduzir lentamente

Ouvindo alguns conselhos amigos

Descartando aqueles que, invejosos ou ciumentos,

Visam apenas nos ferir e desestabilizar

Avaliando os riscos, mantendo-nos sobre o selim,

Nas retas primeiro, fugindo das curvas.

Só então poderemos realmente sentir o passeio,

Aumentar nossa força e coragem, dar um tchauzinho

Observar a paisagem, sentir o vento no rosto,

As pessoas que passam, os outros ciclistas

Pedalar junto, dar carona, apostar uma corrida

Nos arriscar nas curvas convidativas, nos declives acentuados

Ajudar outros ciclistas, e curtir…

Certos e conhecedores dos pontos críticos

Que outros tombos podem ocorrer,

Mas que estaremos mais fortes.

A vida é, por vezes, como andar de bicicleta

Somos tantas vezes aprendizes!

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente cai!

E o sentido, tanto de andar de bicicleta

Quanto de viver, está no prazer que se obtém disso

Basta observar uma criança em sua bicicleta

Que, apesar dos tombos, insiste, sorri, comemora

Vamos pedalar! Vamos viver!

Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS

Numa mansão numa ilha paradisíaca,

Numa casinha branca à beira do rio

Numa gangorra na roça, descalça

Num barracão no morro do cafezal

Pilotando uma lancha veloz,

Um barquinho de pescador

Ou na suíte de um transatlântico

Não importa… o local é secundário

Prioritário é estarmos em nós mesmos

Estarmos bem encaixados em nossos direitos e avessos

Lidando bem com feridas e cicatrizes

Aceitando nossas imperfeições e inadequações

Nos perdoando de confiança excessiva, exposição exagerada de sentimentos

Ou de medos e traumas que nos travam

Sabendo que, independente dos outros,

Nós precisamos nos entender e aceitar

Destrinchar alegrias e dores, mágoas e regozijos

Onde estivermos por completo, inteiros

Onde nos sentirmos em total sintonia conosco

Sem máscaras, sem falsas alegrias ou autopiedade

Onde pudermos ser verdadeiramente

Corpo, mente, alma, coração

É que estaremos bem de verdade…

Alda M S Santos

Dancin’ Days

DANCIN’ DAYS

Uma festa temática retrô beneficente

Desperta desejo de nos divertir e ajudar, combinação perfeita

E envolve muitas emoções diversas

Muito frisson, desejo de entrar numa máquina do tempo

Saudosismo, nostalgia, relembrar o passado, “reviver”

Uma época, um estilo musical, comportamento, romance, discoteca

New wave, hippies, rock’roll

Um passado “vivido”, mesmo longe das discotecas

Dos comportamentos rebeldes e de protesto

Será que o passado sempre parecerá melhor visto de fora?

Décadas de 70/80 eu era criança, mocinha

Cheia de sonhos, coragens, poucos medos e um mundo inteiro pela frente

E condições financeiras reduzidas que minavam qualquer feito

Além de uma família superprotetora também

Será que se eu tivesse vivido tudo isso intensamente

Seria tão bom “reviver”?

Ou justamente por não ter “vivido” que a nostalgia é maior?

Certo é que o coração fica feliz e apertado ao mesmo tempo

Pelo vivido e pelo perdido…

Cantei e dancei muito Cindy Lauper, Michael Jackson, Bee Gees e ABBA na sala de casa

Assisti Dancin Days, quis aquelas roupas coloridas e malucas

Como toda jovem, sonhei com um mundo de paz e amor

Vivi, mas de um jeito simples…

E, quando assustei, 40 anos haviam se passado…

Risco de ficar agarrada lá, deixada pela máquina do tempo…

Entre anos dourados, anos rebeldes, discoteca, música eletrônica, underground, new wave,

Não tem como me perguntar

Como seria uma festa temática dos dias de hoje

Daqui a 50 anos?

Alda M S Santos

Brotos de vida

BROTOS DE VIDA

Aquela flor que precisa “morrer”

Suas raizes em batatas necessitam do repouso do solo

Do calor do sol a aquecer a terra

Da água que chega na hora certa

Para que possa romper-se em brotos

E buscar a luz do sol

O sorriso de satisfação de quem por ela esperou

De quem nela acreditou, ou não

Como fênix que renasce das cinzas

Como urso que desperta pós inverno e longo hibernar

Como o sol que se “apaga” e se acende todas as manhãs

Como o amor que mantém-se vivo em meio a tanto desamor

Sabe o momento de se proteger na distância ou na indiferença

E, como flor, procura preservar a raiz das tempestades

Recolher-se é necessário, é sabedoria

Parecer morrer é juntar energia

Para renascer mais forte

A luz brilha mais intensamente onde antes foi escuridão

Para quem tem no coração a força que vem da esperança…

Alda M S Santos

Quem não entende

QUEM NÃO ENTENDE

Quem não entende um olhar

Tampouco entenderá uma longa explicação,

Diz Mário Quintana.

Um olhar é capaz de dizer praticamente tudo

Para pessoas dotadas de sensibilidade

Ainda que não possam ler tudo escrito naquelas “linhas” do olhar

Que muitas vezes se desvia

Podem sentir, imaginar, calcular, intuir

Particularmente se é um olhar já conhecido

Um coração que dividiu consigo sonhos, esperanças e medos

E, a partir daí, conversar, agir, sorrir, chorar

Brigar, cobrar, orientar, sofrer junto

Estar perto, oferecer o ombro, o colo, a compreensão

Quem no olhar, ou no tom de voz, identifica uma dor

Num “tudo bem” vê um “to sofrendo”

Num silêncio ouve gritos

Nos gritos ouve a alma despedaçada que silencia

Numa meia palavra entende todo o texto

Num sorriso alegre para muitos

Percebe a sombra dolorosa que tira o brilho

É quem sequer precisaria de palavras para ajudar

Apenas abraça, se não for possível, protege na oração

Almas afins…

Alda M S Santos

Não seria roça!

NÃO SERIA ROÇA!

Não seria roça se não faltasse energia

E se não fosse preciso esquentar água no fogão à lenha

Para tomar banho de bacia

Não seria roça se o céu não fosse mais limpo e tivesse mais cor

As estrelas mais numerosas, brilhantes e cadentes

A despertar nas mocinhas um pedido de amor

Não seria roça se os pássaros não se banhassem na terra

Se não cantassem nos galhos da ameixeira ou no alto da serra

Não seria roça se não tivesse uma rede na varanda

Uma música caipira tocada na viola por violeiro cheirando a fumo e lavanda

Não seria roça se não tivesse quitanda quentinha no forno de barro branco batido

Ou um mingau de fubá fumegante com queijo derretido

Não seria roça se o café não fosse coado na hora no coador de pano

Servido em caneca esmaltada

E se não tivesse banho no rio de criança sapeca e pelada

Não seria roça se a galinha d’angola não estivesse sempre fraca, o galo não cantasse animado

Ou o leite não fosse tirado das tetas inchadas das vacas por um vaqueiro cansado

Não seria roça se não tivesse prosa nas noites geladas em torno da fogueira

Um cão vira-latas a vigiar a porteira

E uma criança a se balançar na gangorra na mangueira

Não seria roça se a gente não se sentisse na roça

Não seria roça se a gente não fosse um pouco roça também…

Alda M S Santos

Eu versus eu

EU VERSUS EU

As grandes batalhas da vida

Não são aquelas lutadas lá fora

As maiores batalhas do existir

São aquelas travadas no front de nosso interior

As vezes em que não eliminamos nossos monstros

Por medo, covardia ou compaixão

As vezes em que não neutralizamos um mal

Dando tempo para ele crescer e se fortalecer

E voltar a nos atingir em cheio

As vezes em que nos escondemos atrás de barricadas

Sabendo bem qual era nosso calcanhar de Aquiles

As vezes em que demos munição para “adversários” já conhecidos

E não usamos as armas que sabemos que seriam as mais potentes

Não importa se o oponente é um mal físico, mental, psicológico ou emocional

Uma doença crônica, um diabetes, uma dificuldade com números ou de expressão de sentimentos

Problemas de autoestima, ciúme, confiança ou bondade excessiva

Ou aquela pessoa a quem “damos” o poder de nos irritar ou fragilizar

E ficamos expostos nas trincheiras, de peito aberto

Ferida aberta, reaberta, sangrando

Nosso oponente sempre está em nós mesmos

Só nós podemos deixá-lo nos atingir

Só nós podemos enfrentá-lo

Uma batalha já é perdida ou ganha em nosso interior

Aqui fora é só um detalhe a mais

Muitos campos abertos aos quais nos expomos sem necessidade

Viemos para essa “guerra” para vencer nossos próprios “inimigos”

Sermos melhores a cada dia

Evitando sermos atingidos por fogo “amigo”

Ou atingindo adversários imaginários

Como sabemos se estamos vencendo?

Quando estamos bem conosco mesmos, em paz física e emocionalmente

E com aqueles que nos cercam

É sinal que estamos vencendo

Mas essa é uma batalha que só termina quando somos chamados de volta para casa

Para nosso território de origem…

Como estamos nos saindo em nossas guerras particulares?

Alda M S Santos

Visitas breves

VISITAS BREVES

Quase sempre chegam de surpresa

Elegantes, desconfiadas, sondando o terreno que julgam seu

Medo de se ferir, se machucar, serem alvejadas

Encantados e saudosos as recebemos

Comemoramos internamente a visita, aproveitamos a doce presença

Enchem o espaço de alegria, novidade, beleza

Dedicamos carinho, amor e atenção

E num voo rápido se vão… para outros quintais…

Deixam vazios e esperança de retorno

Deixam saudades…

Saudade não se tem daquilo que se foi

Saudade é o que sentimos daquilo que ficou depois da partida

Apenas mudou de lugar

Do espaço antes ocupado pelo que os olhos viam, mãos tocavam

Agora ocupados apenas no cantinho especial no coração

Onde apenas a alma toca…

Alda M S Santos

Eu digo sim

EU DIGO SIM

Eu digo sim para o amor

Para o amor que seja amigo, que seja irmão

Não precisa saber ou ser tudo

Não almejo perfeição, ela não existe na fase terrena

Quase sempre é embromação

Espelho de reflexos retorcidos de nós mesmos

Além de ser impossível a retribuição

Eu digo sim para a o amor

Para o amor que celebre comigo a vida, entre sorrisos ou lágrimas

Com água ou Champagne, num cruzeiro pelo mundo ou numa casinha na montanha

Que valorize estar comigo

Eu digo sim para o amor

Para o amor que desperte sorrisos, que seja brincalhão

Que entenda lágrimas e silêncios

Que não seja 100% em tudo, mas que se dê 100% de corpo, alma e coração

Eu digo sim para o amor

Para o amor que abrace forte, que me tire o ar, sem me sufocar

Mas que me devolva o oxigênio quando o peito apertar

Eu digo sim para o amor

Para o amor que mate meus monstros, que acenda minha luz

E diga que tudo não passou de um pesadelo

Que me torne sua prioridade, e que se faça prioridade para me amar

Eu digo sim para o amor

Para o amor calor, para o amor tesão, para o amor paixão

Mas que saiba também ser carinho, doçura, afeto, aceitação

Que seja recíproco e não se envergonhe em expressar, seja de que modo for, o amor que carrega no coração

Eu digo sim para o amor

Para o amor vivido por inteiro, sem preocupação, sem afobação

Amor que saiba que caminhantes são mais importantes que caminhos

Aqueles que estarão por perto quando tudo for céu

Mas, sobretudo, não nos abandonarão quando a ponte da vida sofrer deterioração

E tiverem que ser nosso chão…

Eu digo sim para o amor!

Sim, por favor!

Alda M S Santos

Mata nativa

MATA NATIVA

É sabido que a paz não está

Em lugares físicos ou espaços externos

Quem a busca fora de si perde tempo

Ela se encontra dentro de nós

Mas um lugar tranquilo, amado, com cheiro de mato

Onde nos sentimos parte integrante desse universo

Tão dual: tão simples e tão complexo

Pode nos reconectar a nós mesmos

Tal qual mata nativa tão perfeita ali

Matar a saudade de nossa essência tantas vezes perdida ou “escondida”

Noutros cantos que nem sempre temos acesso

Dentro de outros seres, muitas vezes inacessíveis

Nem sempre receptivos

Mata que mata ansiedade, mata que desperta anseios

Sempre a nos lembrar

Somos gente, somos nativos, somos vida, somos parte…

Alda M S Santos

Tic tac, tic tac

TIC TAC, TIC TAC

Tic tac, tic tac

O tempo passa para todos

Passa sempre, implacável

Tic tac, tic tac

Passa lento, vagaroso, doloroso

Na ansiedade de quem o marca

Na dor de quem deseja acelerá-lo

Na tristeza de quem não consegue retomá-lo

Tic tac, tic tac

Passa rápido e rasteiro

Na alegria excessiva de querer contê-lo

Na preocupação paralisante de não querer perdê-lo

No prazer intenso do existir e limitante do agir

Tic tac, tic tac

O tempo passa para todos

Passa sempre, implacável

Tic tac, tic tac

Passa o tempo todo o tempo

Passa o tempo no tempo certo, ideal

Nos momentos em que não é notado

Passa melhor para quem não se preocupa com ele

Vive com a sabedoria de sabê-lo finito

Mas age com a dedicação e intensidade

Amor e doação, como se o tivesse infinito…

Tic tac, tic tac

Passa o tempo, o tempo passa…

Vou vivendo…como sei…aprendendo…

No ontem, no hoje, no sempre…

Alda M S Santos

Onde está escrito?

ONDE ESTÁ ESCRITO?

Onde está escrito

Que a vida é mais feliz

Quando o amor é mais companheiro

Que o olhar reflete o que o coração diz

E que a paz não se paga com dinheiro?

Onde está escrito

Que amor com amor se paga

Que o sorriso conquista, se sincero

Que a fé é o fogo que o bem propaga

E que tudo que é bom é sempre terno?

Onde está escrito

Que a simplicidade é o lar da felicidade

Que quem doa sempre tem

Que o bem mais valioso é a amizade

Pois é com compaixão/ação que vivemos no bem?

Onde está escrito? Em nós!

Naquele olhar que conquista, no sorriso que cativa

Naquela alma que ouve “te amo”, encantada

Na bondade que fascina e nunca se esquiva

Na saudade que faz de nosso coração sua eterna morada!

Alda M S Santos

Barreiras que nos salvam de nós mesmos

BARREIRAS QUE NOS SALVAM DE NÓS MESMOS

Uma hora são as sombras que turvam a visão

Noutra a claridade excessiva que dificulta o trajeto

Chuvas fortes, granizo, neblina, tempestades

Buracos na via, lama, alagamentos

Um quebra-molas gigante nos obriga a reduzir a velocidade

Um desvio sugerido, convidativo, e insistimos em ignorar

Uma árvore caída que impede quase toda a passagem nos atrasa

Um acidente com alguém interrompe nossa viagem por um tempo

Vários obstáculos no caminho para chamar nossa atenção

Muitas, muitas pedras a transpor

Vários alertas! E ignoramos…

Até que o acidente ocorre conosco mesmos

Forte, doloroso, destruidor

O trilho se parte, o trem descarrilha e ficamos perdidos

Aí somos obrigados a parar, a refletir, a avaliar o que fizemos

Será que é esse mesmo o destino, o melhor caminho?

É preciso recalcular a rota, o veículo utilizado, os companheiros de viagem

Aquele obstáculo no caminho nem sempre é ruim

É apenas algo Superior querendo nos salvar de nós mesmos

De trajetos ruins que não levam a lugar algum

De transporte inadequado, de trilhas defeituosas

De más companhias, do modo de dirigir muito afoito

Das prioridades que temos colocado em nossa viagem

É bom sempre prestar atenção nas estradas, na sinalização

Principalmente nos obstáculos que dificultam de certo modo o seguir

Sentar, ainda que na beira da estrada sem fim

Reavaliar, redirecionar, repensar, recalcular o caminho…

Agradecer tudo de bom, quem nos ama e ora por nós mesmo de longe

Aquelas barreiras que tanto reclamamos

Físicas, mentais ou do coração

Podem ter vindo para salvar não só nossas vidas

Mas várias outras vidas também…

Alda M S Santos

Cenas da cidade

CENAS DA CIDADE

Burburinho de gente na estação do metrô

Corre e corre para pegar o ônibus integração

Trem lotado, perfumes misturados, smartphones

Alguns conversam, um casal abraçado, um senhor idoso, de pé, é ignorado

Entra e sai constante a cada estação

Uma multidão atravessa no semáforo aberto

Outros correm entre os carros mesmo

Caminho na larga calçada sem muita pressa

De um lado da avenida o Parque Municipal, árvores, lagos, brinquedos e edificações tombadas

No meio, o Ribeirão Arrudas canalizado, águas sujas

Do outro lado, prédios e mais prédios

Um ambulante vende loterias: “hoje é dia da sorte”

Outros vendem biscoitos, salgados gordurosos, variedades

Outro grita: “moça bonita que sorrir não paga…”

E a gente ri, não da piada antiga, mas da expressão do vendedor

Pessoas apressadas, umas sorriem, dizem bom dia

Outras ainda dormem nos bancos, ao lado de lixeiras

Enroladas em seus cobertores, provavelmente doações

Debaixo de árvores ou nos cantos das ruas

Ruas que são suas casas…

Bens públicos e bens privados usados inadequadamente

Tantos rostos, tantas histórias…

Vontade de perguntar a cada uma delas o que se passa

Mas eu também sigo, também tenho uma história, sou parte da cena da cidade.

Refletindo sobre a vida, entro no hospital, desejo “bom dia”

“Posso ajudar?”- um porteiro solícito pergunta

Quero gritar: “acordem todos”!

Mas falta-me a voz, a coragem

“Onde marco cirurgias”?

“Siga em frente, moça, até o fim”!

Parece profético!

“Pode deixar, seguirei…”- ele sorri

“Obrigada! Bom trabalho”!

“Boa cirurgia, Deus abençoe!”-alguém que não é indiferente.

Da janela do andar lá em cima observo as cenas da cidade…

Como será que somos vistos do Alto, por Ele?

Esse louco formigueiro humano disputando espaço

Atrapalhadamente, vivendo…

Alda M S Santos

Superamos?

SUPERAMOS?

É preciso superar e seguir em frente, todos dizem

Mas quando se pode dizer que superamos?

Quando o problema foi eliminado, deixou de existir

Ou quando não o deixamos mais nos atingir?

Quando a ferida foi da alma apagada

Ou quando a lembrança já vem sem doer, está liberada?

Quando nominamos todos os responsáveis pelo bem e pelo mal

Ou quando já não se culpa mais ninguém pelo vendaval?

Quando as ausências já não são tão grandes, foram preenchidas

Ou quando optamos por deixá-las ter seu próprio espaço, acolhidas?

Quando podemos dizer que superamos?

Será que é quando se desiste de esquecer o que passou, bom ou ruim

E decide carregar ambos na bagagem; o ruim como aprendizado e o bom como saudades?

Será que é quando perdoa-se falhas cometidas por quem quer que seja

E aceita-se o porvir como presente?

Ainda que o brilho no olhar nem sempre venha dos sorrisos,

Mas das lágrimas saudosas que possam irrigar as lembranças e o viver?

Estarmos vivos quer dizer que superamos, que fomos mais fortes que tudo?

Sempre penso nisso ao fixar no olhar de todos eles…

Superaram? Superamos?

Alda M S Santos

#carinhologos

Tudo gera lágrimas

TUDO GERA LÁGRIMAS

Que há quando quase tudo

Nos toca, sensibiliza, emociona?

Se alguém querido diz algo que nos magoa

Nos debulhamos em lágrimas

Se a pessoa se toca, se justifica, se desculpa

As lágrimas rolam mais intensas ainda

Se alguém amado não nos valoriza, não se lembra de nós, choramos

Se tem carinho, cuidado, atenção, choramos também

Se os outros são desligados e indiferentes ao que fazemos, choramos

Se alguém demonstra gratidão, reconhecimento, as lágrimas brotam sem cessar…

O sol que arde, a chuva que cai

Alguém que sofre, outro que é feliz

O frio que martiriza, o calor que enerva

Uns que chegam, outros que se vão e deixam saudades

Uns que nos encantam, outros que nos decepcionam

A vida que segue indiferente a todos, implacável

Como ondas num mar gigante que vão e vêm

E as lágrimas sempre, sempre brotando…

Será que estão lavando o terreno das impurezas e parasitas

Para um novo broto renascer?

Alda M S Santos

Não existe ex-pai, não existe ex-filho

NÃO EXISTE EX-PAI, NÃO EXISTE EX-FILHO

Ex-marido é comum de se ver, uniões que terminaram

E trazem consigo um “carona” triste, os ex-pais, ou ex-filhos

Nada pode tornar um homem um ex-pai

Nada pode tornar uma criança um ex-filho

Há homens que abrem mão dessa responsabilidade, dessa bênção

Há filhos que abrem mão desse convívio por carência e revolta

Há mulheres que dificultam essa relação

O papel do pai é dele, não há substitutos, ainda que outros tentem

O vazio sempre existirá no coração infantil

O vazio, cedo ou tarde, corroerá a alma do pai

Não importa se ele é carinhoso, bravo, sério, brincalhão, super-herói

Todos lamentam perder, esteja ele deste ou do outro lado da vida

Ainda que alguma guerreira ou outro homem o tenha feito

Não existe filho sem pai, não biologicamente falando

Impedir que essa relação ocorra, independente do motivo

É cruel, contraproducente, ineficaz, desumano

Um crime contra a humanidade, contra a sociedade como um todo

Sem querer apontar culpados, quase nunca há só um

Apenas lembrar que é preciso preservar

Essa relação especial onde todos aprendem

É na família que Deus colocou todas as suas esperanças na humanidade…

Feliz dia dos pais, dos filhos/pais, dos pais/avós

Presentes e ausentes…nesse ciclo infinito

Especial aos “pais” da minha vida, queridos e amados!

Alda M S Santos

Amar ao próximo

AMAR AO PRÓXIMO

A preocupação excessiva em ganhar a grande guerra

Nos faz perder as pequenas batalhas do dia a dia

A preocupação com a conquista de uma felicidade eterna

Nos faz perder as pequenas alegrias diárias que irrigam nossa alma de amor

A preocupação em não fraquejar, em ser sempre forte

Nos faz sufocar com lágrimas presas que nos trariam grandes aprendizados, se liberadas

A preocupação em parecer sempre bem, sempre sorrisos

Nos impede de receber ou oferecer um carinho amigo, um abraço acolhedor

O cuidado excessivo em não contar com o ovo na barriga da galinha

Nos impede de comemorar pequenas vitórias

A preocupação em fazer um bem enorme e histórico

Não pode nos impedir de um bem pequeno todo dia

A preocupação em sempre agradar e satisfazer a todos

Não pode nos impedir de cuidar de nós mesmos

O amor que se doa, para ser verdadeiro começa em estar bem conosco mesmos…

Sinceridade e aceitação do que se é, independente dos outros

É fundamental nesse processo…

Amar é uma lição que se aprende de dentro para fora

Amar ao próximo começa conosco mesmos…

Alda M S Santos

#carinhologos

Infiltrações

INFILTRAÇÕES
Trincas nas paredes, rachaduras nas calçadas
Buracos no asfalto, aberturas nos canteiros
Fendas nos quintais, fissuras nos jardins
Permitem a entrada gradativa de água 
Possibilitam infiltrações e o lento, nocivo
E quase imperceptível ceder do terreno
Abalam as estruturas, derrubam edifícios
Jogam ao chão monumentos, grandes construções
Como as rachaduras em nossa emoção
Aquelas pequeninas, que quase ninguém vê
Uma decepção aqui, uma indiferença ali, um descaso acolá
Frestas que nem nós notamos
Vão deixando entrar elementos perigosos
Que abalam nossas estruturas
Derretem a liga que nos sustenta
Urge tapar essas gretas: na rua, nos quintais, nos lares, em nós
Deixar apenas a abertura suave das persianas e dos sorrisos
Por onde entra ou sai a luz do sol e do amor
Que nos aquece, nos mantém inteiros, de pé
E de braços abertos para a vida!
Alda M S Santos

A morte como solução

A MORTE COMO SOLUÇÃO

Num mundo de pessoas cansadas, perfeitas e egocêntricas

Prevalece a lei do menor esforço

Deu problema, criou problema, será um problema

Para que tratamento, perda de tempo

Para que investir emoções, recursos financeiros, educação, saúde

Resolve logo: mata!

Corta o mal pela raiz, ou já árvore frondosa

Que nasceu torta, cresceu torta

Mata!

E justifica essa morte como proteção à outra vida

Uma que vale mais que aquela que é suprimida, preterida

Resta saber quem define qual vida vale mais

Nesse ritmo, a morte seria solução para tudo

Não é uma vida desejada: mata!

Atravessou seu caminho: mata!

Não é uma vida do “bem”, comete crimes, mata!

Não é uma vida como a nossa: mata!

Não é uma vida saudável: mata!

É uma vida que nos afronta: mata!

Mata! Mata! Mata!

Aborta, mata crianças e velhos, gays e viciados

Doentes físicos e mentais, qualquer um que cause ônus

Barbárie total! Retrocesso! Antigo Testamento ou Apocalipse?

Pena de morte para todo aquele que é diferente!

Quem irá segurar essa avalanche ladeira abaixo?

Todo holocausto começou com uma “pequena morte” ignorada ou justificada…

Alda M S Santos

Hematomas emocionais

HEMATOMAS EMOCIONAIS

Aquela marca roxa na pele, nos músculos, nos olhos

Dolorosa, feia, sensível ao toque, extravasamento de sangue sob a pele

Sinal de algum trauma mecânico, reação orgânica a pancadas

Fácil de se perceber, notar

Vai mudando de cor, clareando, até sumir

A cura vem com o tempo, o organismo absorve o sangue retido ali

Nada mais se pode fazer para acelerar…

E quando os traumas são emocionais?

Qual a cor deles?

Onde o sangue fica retido?

Onde ficam os hematomas?

Alguém vê, trata, medica, cura?

Os hematomas das pancadas e traumas emocionais não têm cor

No máximo, o amarelo da tentativa de sorrisos

Tampouco têm brilho, o olhar é fosco

Mas têm dor, profunda, latente na alma

Tem peso no olhar, nas costas, na reclusão social, no andar encurvado

Se os hematomas emocionais tivessem cor seriam transparentes

A cor das lágrimas engolidas que se acumulam no coração e ninguém vê…

Alda M S Santos

Tempestades de fora e de dentro

TEMPESTADES DE FORA E DE DENTRO

A tempestade parece devastar o mundo lá fora

Barulho ensurdecedor, ventos uivantes

Granizo forte e gelado, doloroso

Atinge em cheio tudo que encontra pela frente

Destrói, amassa, assusta

Mais assustadora por ser fora de época

Relâmpagos riscando de luz o céu escuro

Uns, dormindo, acordam assustados

Outros sequer acordam…

Muitos, expostos nas ruas, tentam se abrigar, se proteger

Outros, caminham na chuva, se encharcam, levam “pedradas”

Será que também não acordaram?

Ou será exatamente por terem acordado? Não sei…

Muitos questionam o porquê dessa tempestade em pleno inverno

Sequer lembram que a loucura das tempestades se deve às insanidades humanas

Quantas vezes nós mesmos ignoramos alertas

Destruímos nosso planeta, poluição gerando superaquecimento global

Descuidos conosco gerando indiferenças

As tempestades não surgem do nada

Sempre vão dando sinais que fingimos não ver

Tanto aquelas no mundo lá fora ou no mundo cá dentro

E quando ela chega a gente se abriga e espera passar

Salva o que puder salvar

Ou sai às ruas e enfrenta o vendaval e as pedradas…

De todo modo, danos sempre existirão pós-tempestade

Avaliar o que restou, reconstruir o que foi destruído

Acostumar-se, “superar” o que não puder ser reconstruído

Devido a terrenos arenosos e frágeis

E aguardar a próxima, mais experientes para enfrentá-la

Com mais cuidados e proteção, sem os mesmos erros

Certamente parecerá menos dura, menos devastadora

Apenas uma chuva refrescante e deliciosa na qual vale a pena dançar

E amar…

Será?

Alda M S Santos

Ela caminha

ELA CAMINHA
À beira-mar ela caminha
Olha longe no horizonte
Sempre gostou muito de caminhadas
Nas avenidas, nas estradinhas de terra
Na beira de um rio, nas matas, montanhas…
O corpo é exigido, a mente trabalha, vai relaxando
A alma se abastece de belezas, de levezas
Busca um veleiro que navega sozinho ao longe
Quem estará ali? Será feliz?
Uma gaivota que mergulha atrás de alimento
Uma lancha de transporte de aluguel num cais improvisado
O vento desarruma seu cabelo, arranca o chapéu
Levanta sua saída de praia, refresca a alma
As ondas quebram a seus pés espumando e se recolhem de volta ao mar
“Tragam coisas boas, levem as ruins”, ela profetiza
Chuta a água, chuta os problemas, inspira e expira fundo
Sente os músculos sendo exigidos
Tensão, relaxamento, prazer…
Vê uma família de golfinhos nadando despreocupada
Um casal enamorado se exercita debaixo de um coqueiro
Como seria morar ali?
O encanto seria o mesmo?
Faria essa caminhada diária?
E ela segue…
Caminhando, chutando a água, refletindo
Sugando da natureza tudo que consegue de maravilhoso
Aprende com ela, seu ir e vir constante…
Enchendo-se de coisas boas, esvaziando-se do que faz mal…
Ela caminha…
Alda M S Santos 

(Retro)visão

(RETRO)VISÃO

Diante do vidro para-brisa se descortina o caminho

O olhar o tem à frente, independente se o vemos limpo ou embaçado

Claro, escuro, livre ou interrompido por desvios

Ele esta lá, quer pisemos fundo no acelerador da vida

Ou brequemos forte nos freios, desanimados

O olhar volta para o retrovisor, vê o caminho lá atrás

Ora bonito, florido, iluminado, feliz

Com abraços apertados e beijos doces

Ora escuro, empoeirado, esburacado, triste

Com dores, lágrimas, medos e decepções

Sentimos saudades, por vezes queremos voltar

Mesmo passado, nem sempre bom, ele carrega em si a prerrogativa de ser conhecido

Mas o caminho à frente se impõe no grande para-brisa, o novo

Desconhecido, apenas imaginado, gera insegurança e expectativas

E nesse vai e vem de olhares, a visão precisa se manter à frente

As dimensões desproporcionais entre retrovisor e para-brisa

Significam que é bom olhar para trás, vez ou outra

Trazer grudado no coração e na alma o que o passado agregou

O amor recebido ou perdido, os afetos doados, os aprendizados

Os buracos em que caiu ou que “jogou” alguém

As vidas que salvou, ou as que não conseguiu

Mas sabe que a vida segue é para frente…

Pisa mais calmamente no acelerador e segue

Todo cuidado é pouco,

Luz forte cega tanto quanto escuridão

Não quer deixar quem queira seguir junto sozinho no caminho

Não há pressa…

O presente acontece para quem não fica parado

E o futuro, se chegar, já será presente …

Alda M S Santos

O dia em que a terra não parou…

O DIA EM QUE A TERRA NÃO PAROU…

Quando não nos posicionamos perante a vida

Quando não escolhemos caminhos ou não fazemos opções

Por inércia, ignorância, covardia, dúvidas ou medos

A vida não deixa de acontecer, o planeta não deixa de girar

A Terra não para pra nos esperar

As pessoas seguem as trilhas que escolheram

A vida se impõe, alguém “escolhe” por nós

E somos “obrigados” a aceitar a escolha de outros que caiu em nosso colo

O caminho a nós imposto, bonito ou feio, plano ou cheio de aclives

Sem nossa análise, avaliação ou aprovação

Delegamos a outros, por inércia ou inaptidão, o controle de nossas vidas

E percebemos que aquele “dia em que a Terra parou”

Existiu apenas na canção, nos sonhos loucos de Raul Seixas

Ela seguiu em ensandecida rotação e translação e fomos lançados fora de órbita

Para um lugar melhor ou pior…

A Terra, indiferente à nossa “preguiça”, continuou a girar…

A Terra continua a girar…

Alda M S Santos

Morrer não é natural!

MORRER NÃO É NATURAL!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem de onde se espera o engrandecer, o perpetuar da vida

Morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem pelas mãos da mãe e do pai que abortam uma vida ainda no ventre

Não, morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem pelo abandono e descaso dos progenitores

Aqueles que são os monstros, ao invés de vencê-los

Não, morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem pela negligência ou ação de médicos

Que deveriam prolongar ou “salvar” a vida

Não, morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte chega pelas mãos no pescoço daquele em quem se confiou

Daquele que foi seu oxigênio um dia e agora lhe tira o ar

Daquele que foi porto seguro e agora lhe rouba o chão

E lança pela janela todos seus sonhos, literalmente

Não, morrer assim não é natural!

Morrer é natural, sim, ciclo final da vida!

Mas morrer desse modo não é natural

Quando a morte vem de onde se esperou sempre proteção e cuidado

Seja pai, mãe, irmãos, filhos, cônjuges, namorados ou amigos …

Não é natural, é covardia!

Morrer assim é antinatural, é assassinato

Jamais deveria ser aceito por ninguém

Em nenhuma circunstância, sob nenhuma atenuante!

Alda M S Santos

Loucos e sãos

LOUCOS E SÃOS

Saiu do ensaio e subiu a rua de volta para casa

Um carro escuro a seguiu, ela correu, gritou

Mas a voz não saía, os pés não se moviam

O carro parou e duas mãos fortes a jogaram lá dentro

Uma sensação de reviver aquele pesadelo passado retornou

Olhou para aquele rosto (des)conhecido que a ameaçava com o olhar

De onde o conhecia, mesmo?-ela refletia.

“Que vai fazer comigo?”- perguntou estranhamente calma, lágrimas rolando

“Não vou te matar, apenas fazer você ser esquecida, sair do meu caminho”

“Mas quem vai para o Hospital de Barbacena não volta”- parecia adivinhar o que ele queria

Ele expressou aquele sorriso malvado

“Isso mesmo, “anjinha”, você não atrapalhará mais a minha vida”

Uma camisa de força parecia frouxa

Mas o aperto vinha de dentro, sufocava

Viu uma foto no painel do carro, dois jovens sorridentes

Sabia que os conhecia, onde estariam?

Será que enlouquecera mesmo?

Estava toda encharcada de suor e lágrimas que escorriam e nem sentia

O carro parou na entrada de um presídio que era “Barbacena”

Foi retirada do carro, levada para dentro, lugar gelado e sombrio

Aquele lugar ela sabia ter visitado antes numa ilha, os doentes ficavam ali de quarentena quando chegavam de Portugal

Ali a receberam com carinho excessivo, estranhou, parecia falso

Nas paredes, leu algo que soou como piada “Deus é Fiel, Jesus Vive”

“Sim”, ela pensou, “certamente vive, mas não nesse lugar”…

Olhou para fora, o carro daquele (des)conhecido que amara fora embora

Uma nova vida “começava”, o peito apertava muito, doía, o ar faltou

Desmaiou…

Alda M S Santos

Ruínas do presídio de Lazareto Ilha Grande(fotos)

Assassinato!

ASSASSINATO!

A mulher é a que mais sofre em qualquer tipo de relacionamento abusivo

Antes, durante ou depois!

E nessa sociedade machista ela sempre será responsabilizada:

“Se ele a agredia, ela deveria ter ido embora”

“Se ele a maltratava, algo ela fez para merecer”

“Se ele agia assim ela poderia tê-lo mudado, não foi boa esposa”

E ela, junto dele ou não, não importa quais vidas estaria protegendo,

Ninguém considera!

A mulher é sempre a responsável por um relacionamento falido que envolve dois

Por que ela não saiu?

Considerando em qual situação seria menos culpabilizada, oras!

Mas se quiser ter um depois, e tiver consciência para tanto,

O ideal sempre é sair desse tipo de relacionamento

Pois uma hora ela pode “pular” pela janela

Fugindo a tantas agressões, fugindo para outra vida

E ainda ser considerada mulher de bandido que gosta de apanhar…

Alda M S Santos

Placas tectônicas

PLACAS TECTÔNICAS
O movimento das placas tectônicas causa graves acidentes na superfície do planeta
Terremotos, maremotos, tsunamis e vulcões assustam
Mas são sinais da vida ativa no interior da Terra
A cada vez que elas se movimentam
Grandes desastres naturais são gerados resultando em morte, terror, destruição
Uma nova posição elas tomam, nova organização se dá: sobrevivência
Quem está melhor preparado sabe o que fazer, como lidar, seleção natural
Nem sempre os mais altos e bonitos edifícios mantém-se de pé
Muitas vezes são os primeiros a ruir e tombar ao chão,levando consigo muitos outros
O que vale é a estrutura firme, a base forte, a flexibilidade das colunas
Desconsiderar a força da vida interna que se rebela e se revela não é sábio
Nos terremotos naturais os sobreviventes conhecem a regra: o tripé da vida
Apoiar-se em algo sólido e firme, abaixar-se, proteger-se
E esperar a lava quente, a fumaça tóxica, os destroços serem levados oceano afora …
Nesse grande planeta azul, somos dele pequenas miniaturas
Onde estamos nos apoiando quando nossas placas tectônicas se movimentam perigosamente?
Alda M S Santos

 

Em pergaminho, uma vida

EM PERGAMINHO, UMA VIDA

Num pergaminho de pontas queimadas e amareladas

Escreveu em versos simples e singelos sua vida num poema

Na contramão da era digital, online, devastadora

Uma vida tão sonhada, desejada e não realizada

Foi escrita a pena, a duras penas, regada a lágrimas

Enrolada, amarrada em laço e numa garrafa colocada

Lançou ao oceano aqueles sonhos para a posteridade

Quem sabe quem a encontrasse não se inspirasse

E fizesse daquele poema meloso, piegas e fictício

Uma linda poesia da vida real…

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑